Você foi a minha escolha certa

Leia ao som de Speed Of Sound – Coldplay

Por muitas vezes perdi o sono perguntando a mim mesmo se eu sabia qual caminho havia tomado para minha existência.

Eu não sabia.

Viver, para mim, sempre foi uma forma inconsequente de brincar com fogo. Eu nunca fui uma criança disciplinada, nem um adolescente comportado ou um adulto cuidadoso. Eu não planejei a minha vida e deixei as portas abertas para qualquer coisa que viesse pela frente.

Muita coisa veio. Vivi de tudo um pouco, um pouco demais de tudo. Cometer excessos sempre foi a minha especialidade, afinal. E agora, com um pouquinho a mais de maturidade e juízo na cabeça, finalmente me dei por conta do tamanho da minha sorte. Continuar lendo “Você foi a minha escolha certa”

A vida é mais simples do que parece

(Leia ao som de Soldier)

Sim. Eu costumava ver tudo com um jeito meio vira-lata, assim, de baixo pra cima. Mas conforme a gente vai vivendo a coisa vai mudando, a forma de ver vai ficando mais clara e simplificada.

Falhar é sim uma opção. E muito.

Conquistar tudo não depende só da gente e está tudo bem se as coisas não derem certo.

Quanto mais cedo melhor? Nem tanto. Quanto mais cedo, menos maduro. Isso sim. Já é praxe você ler textos por aí que dizem que cada um está em um degrau diferente da escada da vida. Vou repetir, mas sei que você já sabe: um conquistou tudo com 25 e morreu aos 40. Outro iniciou aos 50 e viveu até mais de 100. Por aí vai. Continuar lendo “A vida é mais simples do que parece”

Vim dizer que te amo

Chovia torrencialmente naquela tarde e não era apenas do céu que a água caía com força. Um temporal escorria dos meus olhos e inundava um peito destroçado. A notícia da sua partida havia partido o que restava inteiro por aqui. O Caio, seu melhor amigo, me disse que você embarca hoje para Londres. Londres é longe demais e você não podia ir embora assim, para o outro lado do planeta, sem conhecer a imensidão dos meus sentimentos. Eu precisava olhar para você para lhe dizer tudo que vivia aqui dentro.

Eu sei, eu lhe disse “não” quando você bateu na porta da minha vida, mas eu estava confusa demais para te deixar entrar e por isso te mandei embora. Eu já te amava, mas fui covarde para assumir um sentimento desse tamanho. Pouco tempo depois outra te disse “sim” e um imenso sorriso lhe brotou nos lábios. E ali, naquele sorriso, eu percebi, tarde demais, que você era o que eu tinha de mais precioso. Entendi que a confusão só fazia sentido porque você sempre esteve presente. Inocente, eu acreditava numa espera utópica que não fazia sentido nenhum. Covarde, resolvi me calar e assisti você ser feliz sem mim.

Durante todos esses anos, ensaiei minha declaração de amor, preparei um discurso, planejei a conquista, escrevi cartas, ameacei ligações, mas estava assustada demais para colocar qualquer coisa em prática. Desisti de tentar. Eu já tinha desperdiçado a minha oportunidade. A culpa era só minha. Eu não tinha o direito de despejar em você todos os meus arrependimentos. Escolhi esperar, esperar você estar liberto para assim lhe entregar meu amor num embrulho bonito. Esperar. Esperar. Não havia mais tempo. Você partiria sem data de retorno e eu não suportava a ideia de viver sem lhe dizer que o seu amor floresceu dentro de mim.

Entrei no carro, enxuguei as lágrimas, respirei fundo e acelerei. Os radares não me impediram, o farol vermelho não me fez frear e eu larguei o volante assim que parei na porta do aeroporto. Eu corri. Corri o mais rápido que minhas pernas permitiram e busquei o Portão 3 com olhos secos e focados. Gritei seu nome, tropecei em malas alheias, busquei informações e encontrei o portão no exato instante em que seu avião levantava voo. De novo, tarde demais.

Outro temporal inundou meu peito e, no chão daquele aeroporto, entendi tudo. Eu não podia mais esperar. EU TE AMO. Te amo e preciso lhe dizer isso para desatar os nós que vem sufocando minha vida. Eu quero você com todo o meu viver, de uma maneira que você não faz ideia. O que sinto por você é lindo, intenso e forte o suficiente para me fazer deixar tudo para trás. Venho aqui para lhe entregar o que tenho de mais precioso: Meu amor por você. Venho cultivando tudo isso por anos e sei que essa é a hora de colocar para fora. Não sei qual será o resultado desse meu desatino, mas ele se faz necessário. Não importa se você vai correr para os meus braços ou para um Pub inglês. Não posso mais sufocar algo dessa importância. Esse amor não é só meu, também é seu. É justo que você tome posse.

Voltei para casa, fiz as malas, peguei o passaporte e entrei no avião cheia de coragem. Desembarquei em Londres numa noite quente e, com seu endereço no bolso, aluguei um carro. Dirigi por essa cidade estranha e mágica e parei na porta do seu novo apartamento. A luz da sua janela está acesa e já consigo imaginar a sua cara irritada por ter que desfazer as malas. Vou deixar essa carta e uma London Pride na sua porta. Beba a cerveja, leia com calma e, se ainda restar algum amor por mim aí dentro, me encontre no Starbucks da Nothing Hill Gate. Espero que não seja tarde demais.

Decidi partir

Eu decidi partir numa manhã ensolarada de domingo. Tinha ensaiado uns discursos tortos para te dizer, mas não havia nada — de fato — para ser dito. Como que se diz adeus à um amor que deveria ser para sempre? Arrumei as malas enquanto você dormia. As coisas estavam todas sob controle. Eu tinha começado pelo supérfluo, sabe? Guardei as meias, as calças, uns pijamas velhos. Guardei meus sapatos e meu chinelo, embrulhado numa sacola qualquer. Eu tinha juntado tudo ali, naquela manhã de domingo, enquanto você dormia e, realmente, estava tudo indo bem… Até que esbarrei nas memórias. Até que esbarrei nas nossas fotografias…. Até que esbarrei no nosso ‘pra sempre’.

Foi então que descobri que arrumar as malas não seria a melhor forma de organizar a nossa história. Adiantaria se eu levasse embora todos os meus pertences, e deixasse para trás um amor que sempre nos pertenceu? E se você ficasse ali, ocupando todo o espaço da cama, o que sobraria do imenso espaço que você ainda ocupava dentro de mim? Logo eu que sempre te quis por perto, logo você que sempre quis ser par, logo nós que sempre fomos um?! Seria injusto, sabe? Seria injusto com você, comigo, seria injusto com esse nosso amor que não merecia partir, assim, de mansinho, a passos cuidadosos, como quem tem medo de acordar um sentimento que sempre esteve vivo dentro de nós…

Olhei para a mala semivazia aos meus pés. Olhei para teu sono tranquilo. Meu coração, ao contrário, estava cheio e palpitava descontrolado. Eu queria fugir, sabe? Queria carregar o que era meu, sair sem olhar para trás e seguir a vida sem esse sentimento louco gritando no peito… Era uma manhã ensolarada de domingo e eu, que acordei decidido a partir, percebi que ir embora também me deixaria partido.

O meu muito obrigado a todos os babacas

Olhe pra você, deitado nessa cama de um quarto vazio se sentindo o cara mais foda do mundo por colecionar mais uma mensagem visualizada e não respondida. Você aí, preocupado em ficar colecionando corações partidos, lágrimas derramadas, festas, músculos e fama entre os amigos.

E com ela não foi diferente.

Você veio com esse seu jeito descolado, de um cara na moda, trajando sorrisos e olhares. E ela se entregou para viver mais uma vez a possibilidade de ser feliz. A verdade é que sua falsa felicidade era diferente da dela. Você só queria ligar na manhã seguinte pra um amigo e contar sobre sua noite. De como você enganou alguém, entre um trago no cigarro e uma risada. Na sua vida o que vale é o seu ego inflado, o celular tocando a toda hora e você se exibindo. A felicidade dela é algo raro. Ela deseja cuidar e ser cuidada, ter alguém que se importe, alguém que esteja presente, não alguém que deixe um buraco vazio. Na reciprocidade também mora a felicidade.

Ela não quer entrar nesse jogo. Quem vem ao amor disposto a jogar, não tem nada a ganhar. Você sempre quis ter o jogo nas mãos. Você sempre quis competir. Com seu ego, com seus amigos e com qualquer outra coisa que você tenha chance de ser feliz de verdade. Essa arte de você ir e vir, aparecer e sumir, chegar e partir, ela despreza. É na presença que se sente falta, não na ausência.

Com você ela aprendeu sobre o amor próprio. Aprendeu a se valorizar cada vez mais em uma relação. E não pense que ela não vai se entregar, que ela vai se trancar e se privar de ser feliz. Engano seu. Ela vai ser doar do mesmo jeito que se doou. Ela sabe que recomeçar é preciso. Que ir pra frente é preciso. E isso é graças a pessoas como você.

É graças a você que sabemos que existem pessoas diferentes nesse mundo. Graças a você que eu ainda quero acreditar. Acreditar que homens e mulheres um dia serão transparentes uns com os outros. Que nem o medo de perder, nem os desvios dos caminhos vão fazer a gente viver de mentira. Eu ainda quero acreditar que amar é bom. Existe sempre uma história atrás de um coração e traição não é só com o corpo. Acreditar que quando ela sair pela porta, ninguém vai correr para mandar uma mensagem de saudades para um outro alguém. Acreditar que as pessoas vão parar de colocar o sentimento no bolso. Acreditar que quem somos é tudo o que temos. Que o mundo é de quem sabe amar a verdade, na verdade e de verdade.

E olhe pra você, se achando o cara mais foda do mundo, mas ainda parado no mesmo lugar.

Enquanto você segue regras, ela decidiu seguir a vida.

Eles: sempre e de novo

Dias, meses, anos se passaram e ela jamais esqueceu dele. Sempre que o sol aponta no horizonte e ela abre os olhos para mais um dia, a imagem dele vem em mente. Um sorriso largo lhe dá “Bom dia” e logo desaparece. É como um ritual que não se pode abrir mão. É a estampa desse amor que lhe fornece a energia necessária para enfrentar mais uma batalha diária. A imagem não lhe visita no restante das horas, mas na manhã seguinte está lá, sorridente e cativante. A história ficou no passado, mas o amor ainda reside dentro do peito. Não dói, não machuca, nem aflige. Apenas rememora um tempo bonito.

Eles viveram o que muitos buscam durante uma vida inteira. Um amor do início ao fim. Fim? Amor de verdade morre? Eles dividiram sorrisos, noites quentes e muitas doses de vodca. Compartilharam medos, dúvidas e sorrisos bobos. Repartiram sonhos, planos e algumas tardes de preguiça. Trocaram beijos, angústias e deleite. Habitaram o mesmo paraíso e foram expulsos por morderem a mesma maça. Não foi só ela, não foi só ele, foram ambos. Não foi por falta de amor, nem ausência de companheirismo, menos ainda por omissão de sentimentos. Foi o mundo. O gigante que dá voltas e mais voltas e acaba por desencontrar almas que desejavam caminhar juntas. Eles se despediram e desejaram sorte um ao outro. A vida seguiu, o gigante deu mais algumas voltas e aqui estão eles. Diante um do outro mais uma vez.

A respiração falta para ele, que prende o ar e sente o coração parar. É um gelo na espinha, como eram as primeiras noites em que ela visitou sua casa.
A respiração sobra para ela, que tem tanto ar saindo de seus pulmões que parece que não vai dar conta de soprar tudo para fora de tão acelerado que está seu coração. É um calor no peito, como eram as primeiras noites em que ela adentrou na residência dele.
Adentrou na residência, no quarto, na cama, na história. Se aninhou nos seus braços, no seu corpo inteiro, na sua alma. Todas essas lembranças vem a tona quando depois de tanto tempo sem sequer trocarem olhares eles voltam a se ver frente a frente.
O vento pela rua assobia uma canção. Dentro dele é gelo que derrete. Dentro dela é fogo que consome. E a vontade de ambos é irracional e impulsiva. Se passam alguns segundos e ele abre os abraços para lhe agarrar. Ela se move como quem corre para mais um último beijo, que nunca acaba sendo o último. Eles se tocam, se abraçam e há um beijo tímido no rosto.

– Oi, tudo bem? – ela diz e ele rebate.
– Tudo bom? – ele responde atropelado.

Se soltam, trocam mais um olhar e cada um segue seu caminho. Ele solta o ar que havia prendido e fecha os olhos para não esquecer. Ela inspira o ar que havia perdido e deixa uma lágrima tímida escorrer.
Desejam no fundo mais uma chance de se verem por acaso na rua qualquer dia desses. Enquanto isso a vida segue, o gigante que é o mundo vai girando e numa volta dessas, quem sabe, eles voltam a se encontrar.

As dúvidas são o combustível da vida!

Vivo uma eterna busca, por caminhos e maneiras de não enlouquecer, de dar sentido para tudo o que faço, de procurar maneiras de simplificar as coisas, de não me preocupar com coisas bobas e de tentar levar a vida de forma mais leve.

Mas quanto mais sentido eu busco, menos sentido faz, e tudo se transforma em um emaranhado de questões que querem respostas. Porém o que recebo são ainda mais dúvidas e me vejo em meio ao medo do desconhecido e na incerteza se devo ou não continuar essa jornada atrás de desvendar as minhas questões.

Na maioria das vezes eu opto por fugir das coisas que quero, pelo simples motivo de que elas podem me tirar do caminho que considero certo. Mas será que é mesmo o certo?

Será que para seguir o “caminho certo” tenho mesmo que abandonar alguns desejos e vontades e nome de um objetivo maior.

E como esse objetivo maior é classificado como tal?

Como sei que não estou errada, e que realmente vale a pena?

E se eu errar, ficarei infeliz por ter escolhido errado na encruzilhada da vida?

Por que não se pode conseguir literalmente unir o útil ao agradável?

Estou cansada de perguntas que não tem respostas, de questionamentos clichês,

de ter que escolher. Queria apenas que fosse, sem precisar escolher, sem precisar deixar nada para trás. Sei que não sou a única nessa situação, assim como essa não será a última vez que me vejo questionando os rumos da minha vida, porém não me desespero, pois sei que se isso está acontecendo é porque a vida está acontecendo, pior seria eu ficar sendo uma mera espectadora, vendo os meus dias passarem e eu ficando no mesmo lugar.

Só então eu percebi que minhas dúvidas nunca terão uma resposta certa, pois não existe resposta certa, ou caminho certo, como o que eu achei que estava procurando.

Qualquer caminho é certo, pois o que conta são as experiências que juntamos durante o trajeto, e elas é que nos moldam e que nos mostram se a vida valeu ou não a pena. Por isso eu já não sofro mais por não saber todas as respostas, apenas vou vivendo cada dia, e cada momento e tentando tirar o máximo de aproveito de tudo.