Se eu te ligar, você me atende?

Hoje, no caminho de casa, no frio da noite, me deu saudades de você. Ao ver aquele carro parecido com o seu, me deu vontade de entrar no primeiro ônibus e ir em tua direção. Ao passar por aquele bar que você adora, me deu vontade de sacar o celular do bolso e te ligar. Te ligar para dizer que sinto sua falta.
Até ensaiei um diálogo, onde você me contaria sobre o seu dia, me diria feliz que seus planos estão dando certo e no final vibraria ao lembrar que na quinta é feriado, e que no mais tardar quarta no final da noite você estará entrelaçado nos meus braços novamente. Eu sorriria, te contaria do meu dia, te esconderia a torção que tive no tornozelo, porque se te conheço bem isso o faria ficar mal por estar tão longe. Calma, eu tô bem, foi só um torção simples, já nem dói mais. Ao menos, não tanto quanto a saudade.
Antes de desligar, eu te lembraria o quanto te admiro, e de como tenho orgulho do profissional que você se tornou. Te diria que a saudade por vezes aperta demais, e o teu moletom, aquele que ficou aqui em casa, com o teu perfume, é a minha melhor companhia em dias assim. Te pediria para se cuidar na estrada e que não se apresse, pois o meu peito esperará o tempo que for necessário… pode ter certeza que quando você chegar ele estará quentinho a tua espera. Você sorriria e eu ouviria o teu suspiro pelo telefone, me diria que não consegue mais lidar com tamanho sentimento e com tamanha distância. Eu te lembraria que é necessário aguentarmos, é para o bem de nós dois e que, aos poucos, tudo se ajeita. Você diria que me ama e que lembra de mim a cada música daquele CD que te dei…..
…. e então o vento frio me traz de volta a realidade. Meus olhos, num súbito, encontram a minha mão, gelada, segurando o celular e com sua foto aberta no whatsapp. Olho para ela com atenção, suspiro, desligo o celular e o guardo de volta no bolso. Eu não tenho coragem de te ligar, eu não tenho coragem de te procurar.
Eu sei que uma mensagem minha cairia no seu esquecimento com a mesma intensidade que, por vezes, a saudade bate por aqui. Eu sei que você irá fingir que nada aconteceu e irá seguir normalmente a sua rotina. Mas então, eu só te garanto uma coisa: no final da noite, quando deitares a cabeça no travesseiro, lembrarás da minha presença e do meu afeto. Quando, por fim, decidires parar para pensar em mim, terás a certeza de que eu e você talvez tenhamos tudo para dar certo… ou talvez não chegaremos nem a um mês de relacionamento… a gente não sabe. Mas essa dúvida… ah, essa dúvida é o que te fará perder o sono. A dúvida é grande, mas o desejo e a vontade são ainda maiores, não são? Pois é, eu te entendo bem, tenho passado o mesmo por aqui.
Boa noite, dorme bem. Se bater saudade, me procura…. Ou, se ainda preferir esconder de si mesmo esse sentimento, olhe para aquela estrela mais brilhante… eu estarei olhando ela daqui também. Te cuida – e me cuida, por favor?

Olhares que travam

Convivemos, trocamos palavras, histórias, gargalhadas e abraços. Rotina. Dividimos porres e momentos de tensão. Felicidades e tristezas. Indiretamente, dividimos momentos. Estávamos ali um com o outro, em meio a um círculo enorme de amigos, e vivemos inúmeras coisas juntas.

Até que nossos olhares se encontraram, e travaram.

Nossos olhos se olharam em meio a confusão de um bar lotado, nossos olhos se cruzaram e o tempo parou por uns segundos. Nossos olhos se enxergaram, diretamente, pela primeira vez e eu ouso dizer que se apaixonaram naquele mesmo instante. Como, nesse tempo, nunca sequer trocamos olhares? Nos acostumamos com a amizade e pensar algo além disso seria loucura. Até agora…

Nossos olhares ainda estão presos, travados um no outro.

Eu disfarço e puxo um papo com a amiga do lado e você, no susto, faz o mesmo, olhando para todos os lados reparando se alguém notou o acontecido. Ninguém notou, só nós… e os nossos olhos. Eu me perco em meio ao sentimento que brotou naquele momento e ao bar lotado, e quando me encontro novamente te vejo na minha frente sorrindo e me tirando para dançar. Como eu nunca havia prestado atenção no seu sorriso?

Nossos olhos fixos um no outro parecem ter brilho o suficiente para iluminar o local.

Cervejas e mais cervejas na cabeça nos impedem de sequer comentar algo sobre o acontecido. E se for só mais uma invenção da minha cabeça de bêbada? Penso eu, em meio àquela dança. A festa termina, um abraço de tchau e só. No outro dia sequer lembrava de como cheguei em casa, quem diria do quanto nossos olhos se encantaram.

Até que, ao andar entre as ruas ensolaradas da nossa cidade, o meu olhar tropeça novamente no seu.

Nossos olhares se travaram, mais uma vez. Como um súbito, lembro de todos os acontecimentos daquela noite e tenho a impressão de que você também acaba de lembrar. Nossos olhos se cruzam, em meio a correria do dia, mas descobrem a enorme vontade de permanecerem sempre ali: abrigados naquele olhar tão reluzente.

Sigo a minha rotina, como você segue a sua. Por um motivo que desconheço, não iremos nos procurar. Iremos apenas esperar a próxima vez em que nossos olhos irão se esbarrar. A verdade é que nossos olhares se entrelaçaram e não querem se largar mais. Ao menos não até poderem se olhar plenamente, sem qualquer medo ou receio. Assim, mesmo, como imaginamos, bem de pertinho. Olho no olho, nariz com nariz, lábios que se tocam lentamente. Será que é pedir demais?

Eu não quero te deixar partir

Nos sinto cada vez mais próximos e, ao mesmo tempo, cada vez mais medrosos. Sinto nossas almas se aproximarem, mas nossas bocas se afastarem. Você me quer por perto, mas seus traumas insistem em te afastar. Eu te quero comigo, mas minha liberdade insiste em não deixar.

Seus olhos me imploram para ficar, suas mãos se atam as minhas em um impensável suplico para não mais os abandonarem. Minha barriga sente o frio invadir ao te ver, mais uma vez, soltar meu corpo e seguir em direção à porta. Eu não sei quando você vai voltar, eu não sei se você vai voltar. Eu não sei o que vai ser de nós…

A saudade vem nos visitar pouco tempo depois de nos desligarmos. Nossas almas parecem se completar, e precisam estar juntas. Nosso inconsciente arruma festas e desculpas para se ver.

Permanecemos no mesmo ambiente com uma louca vontade de se entregar e ao mesmo tempo um enorme receio de se deixar levar. Somente a presença já faz bem, mas a gente queria mais. Nossas mãos não respondem aos nossos receios e insistem em se cruzar, ora ou outra. Seus braços parecem ter vida própria e, entre uma música romântica e outra, cruzam o meu corpo e me apertam contra o seu. Sua boca, com medo de encontrar a minha, tentar contentar-se em beijar, de surpresa, minhas costas.

Meus arrepios encontram os seus, meus olhos esbarram nos seus. Aqui, dentro dessa balada lotada, nossos beijos parecem estar tão distantes. O inconsciente implora para que todos desapareçam, o consciente lembra que isso nunca irá acontecer, não tão cedo.

Em atos corajosos, minha boca encontra teu pescoço e seus olhos se fecham – você deve estar imaginando apenas nós dois, enrolados em um manto de amor. Você encosta sua cabeça sobre a minha, eu encosto a minha em seu ombro. A música ainda soa alto, quase que ensurdecedora, mas aqui, no nosso cantinho, o som mais alto ainda é o dos suspiros e do coração acelerado.

Saímos, entre mãos dadas que se desfazem logo quando notamos o que estamos fazendo. Nos despedimos com, no máximo, um selinho em frente aos outros, seguido de um suspiro e um abraço. “Dorme bem”, você diz. “Dorme comigo?”, eu quero dizer, mas disparo somente um “você também”.

O dia amanhece e mensagens não são compartilhadas como deveriam, ambos tememos mandar algo que nos comprometa. Decepções, medos, expectativas falsas e mágoas nos fazem temer. Desculpas são usadas para chamar atenção, mensagens tímidas que não rendem em uma conversa longa.

Seguimos assim, esperando a próxima festa, a próxima desculpa dada para nos vermos. Seguimos esperando o próximo toque corajoso, o próximo suspiro apaixonado. Esperamos o próximo amor, aqui mesmo, sentados em frente ao celular vendo apenas o sinal de “online”. Seguimos deixando o tempo passar e nos levar com ele. Talvez, ele, saiba bem o que fazer conosco. Confio nele. Confio que ele virá apagar todas as nossas mágoas passadas e nossos medos. Confio que ele virá nos trazer todo o amor que ainda insistimos em esconder.

Poderia ter sido só um sonho

Hoje eu acordei querendo que tudo não passasse de um sonho. Acordei querendo estar ainda remoendo a última decepção, decidida a largar todo e qualquer resquício de amor. Queria acordar e olhar no celular sem esperar nada, pois eu saberia que não iria encontrar. Queria acordar apenas com uma enorme dor de cabeça, resultado de uma bebedeira com os amigos. Queria acordar com um enorme arrependimento de ter mandado mensagem para aquela paixão platônica que não está nem aí para mim. Um arrependimento que duraria 5 minutos e só.

Hoje eu só queria acordar como a semanas atrás.

Hoje eu não queria acordar sorrindo lembrando do nosso último diálogo. Eu não queria acordar com a sensação de frescor e de amor grudada no meu peito. Não queria ser acometida, logo de manhã, pela enorme vontade de me jogar em seus braços. Eu não queria que meu peito fosse invadido pela saudade quando eu mal abri meus olhos. É que hoje eu não queria acordar e lembrar de você, não queria acordar e correr para o celular com a expetativa de encontrar uma mensagem… Somente a expectativa, pois você já não está mais na minha barra de notificação.

Você veio e em uma semana mudou toda a minha forma de pensar, agir e sentir. Você chegou em meio ao caos de uma dessas decepções profundas, onde o envolvimento era quase fatal. Você chegou em uma época de escuridão… e trouxe a luz. Com seu jeitinho meio encabulado, mas ao mesmo tempo tão sincero com as palavras, você me fez voltar a acreditar. Você me conquistou com palavras e me reconquistou com atitudes inúmeras vezes. Me fez acreditar mais em mim, e me fez carregar um sorriso largo no rosto durante dias. Mas, então, você se foi… Quase como chegou… Em um piscar de olhos, um mero acidente do destino.

Você se foi e deixou aqui uma menina que não estava de longe apaixonada… Ainda. Mas que estava encantada. Você se foi e deixou uma alma solitária, desacreditando um pouco mais no amor. Você se foi e me fez desabar, por alguns minutos somente, é verdade, mas me fez sentir como se nada mais tivesse sentido. Duas decepções em duas semanas. Essa conta não fecha muito bem para mim, tem algo errado. Você veio, reparou os cacos de coração quebrados e logo em seguida os desmanchou. Você veio, me salvou e me abandonou. Não faz sentido…

Tudo bem, talvez o Cara lá de cima te mandou para me ensinar que nem tudo na vida é solidão. Me ensinar que as vezes a gente encontra pessoas do bem que querem nos fazer sorrir e nos mostrar o quão incríveis realmente somos, exatamente do nosso jeitinho. Tudo bem, eu até entendo a tua partida, mas precisava ser tão rápido? Em uma semana você restaurou o meu caos, partiu e me deixou em um até um pouco maior. Em uma semana você me fez acreditar e desacreditar no amor. Em uma semana você me ensinou que se não amarmos a nós mesmos antes de tudo, nunca vamos estar completos para um outro alguém.