Tentando decidir se acreditava ou não em ti, resolveu acreditar em si mesma

Ela cansou de mais uma desculpa. Cansou. Simplesmente cansou de ficar engolindo suas histórias.  E adivinhe só? As suas lágrimas já não fazem mais diferença. Ao invés de molhar o travesseiro mais uma noite, ela retocou o rímel. Não trocou o status das redes sociais, trocou de roupa. Mudou mais do que àquilo que pensava, mudou os planos. Ao invés de mais uma noite em prantos, tentando decidir se acreditava ou não em ti, decidiu acreditar em si mesma. Ela trocou uma noite frio com choro embaixo de um cobertor quentinho, por uma noite quente debaixo da neblina do luar.

Não, ela não quer ouvir o que tem pra dizer. Seja lá qual for sua desculpa, ela não quer mais. Sabe porquê? Quem ama sofre, e sofre muito, mas também aprende. É, todo mundo que apanha, uma hora aprende a bater. Não, ela não tem pretensão alguma de se vingar, até mesmo porque seu próprio coração vai se encarregar disso. Vai, o coração sempre cobra. Ela não precisa se vingar, porque quando o coração chamar e não encontrá-la, espero que tenha uma desculpa tão boa, como todas as que veio usando ao longo deste tempo.

Não tenta vir atrás, não vai ser legal pra ela te encontrar. Não que pretenda te maltratar ou alguma coisa assim. Mas é que sem querer, vai lembrar do quanto a fez sofrer e sabe, isso vai doer, só que muito mais em você. É porque apesar de tanta dor, ela aprendeu, não se prende ninguém e de todos os amores que pode viver, existe um que exige toda sua dedicação: amor próprio!

Por que a pressa, moça?

Por que a pressa?

Tente lembrar que antes de qualquer coisa existe o agora.  Eu sei o quanto é importante pra você pensar no futuro, nas coisas que podem acontecer. Eu sei o quanto você pensa em organizar e antecipar tudo o que for possível.  Mas ao se concentrar tanto nisso, você nem percebe que eu estou aqui há horas pedindo silenciosamente um abraço. Antes de pensar na burocracia, pense na beleza do amor. Na simplicidade que transforma o andar de mãos dadas em um momento espetacular.

Será que consegue pensar que os dias não vão voltar? Esse instante, único e tudo o que temos, é um instante no tempo. Eu sei que a ânsia de ver as coisas acontecerem te corrói de uma maneira destruidora. Eu te entendo. Eu sei que é desesperador pensar em tantos sonhos, em tantas conquistas e às vezes não ver meio e nem saída para nada.

Só que mesmo te entendendo, eu tô aqui pra te lembrar que para o amanhã chegar, seus passos de hoje precisam ser certeiros e isso inclui o coração. Eu tô aqui! Não falei nada até agora, mas tô aqui! Não preciso de muito. Teu abraço, teu riso fácil, são detalhes que sem me encher, me preenchem por inteiro.

 

Eu sei o quanto você deseja crescer. Eu sei que tá numa vibe acelerada, mas não esquece de acertar o passo, tá? Não esquece que a pressa sempre foi inimiga da perfeição. Tá, eu sei que você nunca almejou perfeição, mas quando se trata do coração, ah, meu bem, não vai adiantar buscar segredos. Na verdade, com o tempo você vai perceber que correu um pouco em vão. Sei lá, com o tempo a gente começa a perceber que o relógio não é nosso inimigo. Podemos usá-lo a nosso favor.

Por que a pressa? Usa o tempo a teu favor, menina. Sem medo. Não apavora teu coração. Não se esvazie tanto assim. Eu tô aqui pra te lembrar que amar, assim como viver, não tem segredo.

Canaliza toda essa pressa no único objetivo em que ela cabe: amar.

Amar é urgente. Amar é pra hoje. Não dá pra esperar.

Amar é o segredo de viver sóbrio em um mundo bêbado.

Marília tem razão, traição nunca teve e não tem perdão!

As torradas com geleia de morango, o leite quente e o bife mal passado, tudo me lembra você. Se deixo a luz acesa por mais de cinco minutos, volto correndo para apagar e incrivelmente, eu escuto a tua voz reclamando da claridade. Eu poderia dizer que o motivo de ter se deleitado em outros braços foi culpa minha. Eu poderia ter assumido minha culpa. E sabe, eu admito que errei durante muito tempo. Talvez o amor tenha sido pouco, sei lá, pela metade. Às vezes eu achei que me entreguei por inteiro e fui só metade né?!

Não sei! Fato é que jamais vamos encontrar uma resposta didática ou perfeita para entendermos porque os lençóis dela te prenderam, e os meus te afastaram. Eu sei que as coisas não estavam muita boas. Eu sei que com o tempo, a gente se perdeu entre erros e acertos. Não vou dizer nunca que você foi um erro.

Apesar de tê-la engasgada na garganta, eu não vou culpa-la. Meu compromisso sempre foi contigo, e não justifica eu crucifica-la agora. Bom, deixei tuas coisas no canto direito da sala. Na sua mala estão algumas peças, porque na próxima semana eu saio da casa. Pode ficar com tudo eu não quero nada! Aproveita e fica também com todas as memórias. Fica com a lembrança do dia em que nos conhecemos. Fica com a lembrança do nosso primeiro beijo e dos sonhos que cultivamos juntos. Não vou ficar lamentando que cada um desses sonhos, seriam conquistas incríveis.

Hoje, depois de todos os detalhes no quarto cinco, no motel mais barato da cidade, eu consigo entender pelo menos parte dessa história. Entendo a parte que me toca. Eu sou a parte que se feriu, que se machucou e tenho certeza que ela também. Porque sei como certamente será abruptamente julgada por ai, por ter caído nas falácias de um malandro como você.

Sabe, Marilia é que tenha razão: traição nunca teve e não tem perdão!

Acontece, que eu sou parte inteira. A parte que vai partir sem dor alguma. Doeu isso tudo, mas não me matou. Te amei, mas me amo mais. Não se trata de brigar, lutar ou não, para te ter, se trata de entender que quando alguém ama, o amor é verso, poesia e prosa. É a perfeição gramatical da vida, sem espaço para pontuações equivocadas. Você se equivocou e só provou que não era amor, era fome, mas amor não.

Doeu, isso tudo doeu em mim, mas vai doer mais em você quando acordar. Quando os beijos dela não forem mais tão doces. Quando o sonho começar a tocar a realidade. Quando todos os olhares disserem àquilo que as línguas não te contam. Quando o coração chamar por mim, vai doer.

Sabe porquê? Não é simplesmente vingança, é a conta que a própria vida traz pra quem acha que pode sentar, tomar todas e sair sem pagar. Traição nem tem e nunca teve perdão, mas o lance é maior que isso. Sobre traição, não se trata de perdoar, mas se amar!

Quem me olha, sabe que fui golpeada, mas sabem também que fui e ainda sou mulher. Aliás, uma puta mulher para reconhecer, que traição maior foi um dia me envolver com você!

Podíamos inspirar novos episódios de Tom e Jerry

Já faz um ano. Sabe onde eu aprendi a te amar? Quando vi sua teimosia, quando percebi que era capaz de se atracar comigo em discussões infinitas, e sucessivamente na cama. Já faz um ano, e eu ainda lembro dos detalhes do dia em que te conheci.

Eu tenho uma lista de coisas, entre versos, rimas e poesias. Listei as coisas em que você se encaixava. Eu poderia te incluir em tudo, mas certamente iríamos brigar pelo caminho. Sim, as vezes acho que poderíamos inspirar muitos episódios de Tom e Jerry ou Piu-Piu e Frajola, entre tapas e beijos: puro e insano, esse é um amor de desejos.

Não adianta, eu sempre vou te xingar pela rispidez, e você sempre vai implicar com as minhas frescuras, com meu enjoamento, só que no final, nenhum outro corpo será reconhecido pelo teu, como o meu.

Mas como não posso te incluir em toda minha lista, eu te incluiria em uma viagem ao meu lado. Senta aqui, eu vou te mostrar como é te amar, sem te ter. No caminho, você vai ver algumas lágrimas, mas não se iluda com isso, por favor, porque eu sou “braba” sim! Mesmo chorando, eu rasgo tudo no peito. Você sabe, eu sou teimosa sim, tanto que ainda estou aqui né?! É que dor, nunca foi o suficiente para me parar.

Nesse trajeto, você vai ver também um amontoado de coisas que eu fui jogando de lado, para abrir espaço para o teu amor quando chegou. Vamos parar em um lugar que vai te mostrar exatamente o dia e a hora em que eu aprendi a te amar.  Vai ser engraçado ver aquela cena outra vez (risos). Eu fico curiosa para ver sua cara, ver suas reações a cada verso que é pra ti endereçado.

Mas enfim, lembra de quando brigamos, e algumas horas depois eu te chamei com voz manhosa? Então, eu só queria que deixasse a briga de lado. Por mais que não sejam discussões sem fundamentos, te amar é mais gostoso, te abraçar, te beijar, te ter é melhor. Lembra quando me beijou a primeira vez? Lembra de quando nos queríamos e isso bastava? Então. Lembra do primeiro toque, do primeiro beijo. Lembra, vai! Porque certamente, àquilo que ficou de poucos momentos, é o que ainda nos faz ficar, mesmo que não sejamos os mesmos.

Eu tenho certeza que com um roteirista bom, nossa história chegaria a TV. Um romance moderninho, vestido de questões vintage. Espia só, no próximo lugar onde vamos parar, vou te mostrar o dia que me beijou sem me tocar. Vou te mostrar o dia em que me amou, sem nem mesmo perceber. Me fez gozar de um riso fácil, mesmo depois de brigarmos.

Enfim, discussão, briga, choro, mais discussão e sabe onde é a nossa última parada? Sim, na cama. Ali, onde eu sou a flor que sempre fui e nunca escondi, e você incrivelmente o espinho que me faz sorrir. Espanta não, o roteiro não acaba ali, eu sei que a gente vai encontrar um jeito de continuar essa história, nem que seja em tapas e beijos.

Pois é seu moço, olha a gente infringindo leis. Contradizendo todos os olhares a alheios, só pra valer a nossa teimosia ou o fogo que não apaga em nós?  Seja lá como for, a gente inspira os episódios que o mundo ainda vai conhecer, paixão além da cama, amor além da paixão.

Aroldina: vai viver ou continuar existindo?

Aroldina acreditava em histórias de amor. Ela tinha sempre aquela mania de chorar no final dos filmes e devorar chocolates com uma rapidez incomparável. Outro dia, Aroldina estava caminhando pela manhã em uma calçada pequena do categórico vilarejo Pedra Azul, quando deixou o sorvete cair. O sorvete caiu, os olhos saltaram para fora e o coração disparou. Rapidamente limpou os lábios e tratou de se esconder, entrando na cafeteria “Amargo doce”. A cafeteria era um lugar que visitava todos os dias: pela manhã, para o café matinal, leitura do jornal, sim ela fazia questão disso, além de um bom papo com os velhos amigos. Também visitava ao final do dia, para aquela café doce e amargo. Ali contava sempre sobre sua rotina de trabalho e respirava fundo para um próximo amanhã.

Ela entrou na cafeteria e ficou espiando o furacão de 1,80m passar lá fora. Ele passou iluminando a rua com seu sorriso. Estava falando no telefone, e nem mesmo pode perceber Aroldina com os olhos esbugalhados na vitrine da cafeteria, aflita, afoita, querendo saltar em seu pescoço.

Uma amiga, ou melhor, a garçonete do local que já tinha se tornado sua amiga, perguntou o que estava acontecendo, quem era aquele furacão disfarçado de neblina leve.  Aroldina se recompôs, tomou a amiga pelos braços e a puxou para uma mesa. Com o olhar perdido de quem tinha se encontrado, foi logo despejando sobre a amiga o seu romance atemporal. Aquele era Vinicius, o seu amor de infância, adolescência, juventude, e acho que seria de toda sua vida. Com um brilho enorme nos olhos, Aroldina fez questão de relatar para a miga, que já fazia mais de vinte anos desde quando conhecera Vinicius. Desde então, sempre se esbarraram pela vida: na escola, no cursinho, na faculdade, nas festinhas, em algumas excursões, expedições, aventuras e desventuras.

Acontece que a amiga logo quis saber, porque as mãos tremulas então, se ele já era um velho conhecido. Nessa hora gaguejou mais ainda, é que se trata de um velho conhecido do peito sofrido, que está sempre à procura de cobertor, de aconchego. Ela revelou que mantinha em segredo aquele sentimento por muito tempo. Aroldina, era aquela menina mulher. Tão doce pra vida, pro mundo e amarga para si mesma. A amiga tentou a todo custo convencê-la de que precisava viver isso. Mas ela amargamente, tão amarga quanto o café que gostava todas as manhãs, acreditava piamente que jamais seria notada.

Naquela manhã, com o coração disparado decidiu que iria colocar um fim naquela história. Fazia já uns três anos que não via Vinicius e reencontrá-lo pela manhã, foi estarrecedor. Ela encerrou a conversa, enquanto a amiga lamentava com a cabeça: – Você não sabe como brilha seus olhos com esse amor. Você não sabe como tem o mundo inteiro esperando por você.

Mas ela ignorou. Juntou seus cadernos, sua bolsa, pastas e saiu apressada, encerrando o papo. Acontece que quando saiu, deixou cair seu lenço rosa. A amiga nem se quer percebeu e o lenço ficou caído na porta da cafeteria, por cerca de 20 minutos. Sim, exatos 20 minutos depois que  Aroldina saiu apressada por aquela porta, o seu sonho de consumo atemporal adentrou pela cafeteria. Ele percebeu o lenço de cara, caído no chão e gentilmente se agachou para pegar e foi entregar no balcão de atendimento. A amiga ficou atônita com a cena e não sabia o que dizer, naquele momento só imaginara como contaria àquilo na manhã seguinte para a doce e amarga sonhadora.

-Esse lenço estava caído na porta. Deve ser de algum cliente.

-Ah sim, é de alguém muito especial.

-Acredito que sim, pois com esse perfume, só pode ser alguém muito especial. É um perfume francês sabia?  Um perfume doce, mas não muito enjoativo.

-Igual a dona então né?! – falou a amiga já debruçada no balcão e abobada com a peripécia do destino. Ele ficou intrigado com a cara abobada da garçonete no balcão, mas soltou alguns risos.

-Você conhece então, a dona do lenço rosa de perfume doce, mas não enjoativo?

-Ah sim, conheço e conheço muito.

-Bom, então diga à ela, que tem o perfume mais marcante que uma mulher poderia ter e isso com certeza a deixa 50% mais linda do que já é. Agora preciso ir, me vê um café puro e amargo por favor?  – Ele também pediu um café amargo, aquela que era a opção de sua paixão secreta todas as manhãs. Sim, isso tudo foi um prato cheio para a miga na manhã seguinte, se assentar com Aroldina.

Agora pausa comigo aqui! Não vou te deixar sem saber o final da história. Ou melhor, só posso te contar que ele voltou no café algumas vezes. Mas você percebeu que essa história tem uma linda lição né?! Sim, a gente se engana muito! As vezes vivemos caminhando, como se não houvesse espaço na estrada para nós. Mas existe sim! Cantamos, como se ninguém estivesse ouvindo a nossa canção, enquanto na verdade estamos sem saber, sendo a melodia de muitas canções por ai.

Sabe qual foi o final da história? Aroldina tomou de fato uma decisão. Não me peça detalhes, não posso, não tenho. Agora é sua vez, me conta que decisão tomou Aroldina?  Vai remar esse barco e deixar que o mundo lhe perceba, agarrando a vida pelas unhas, ou vai continuar existindo, à mercê de que um dia encontrem seu lenço?

PS: Aroldina é o tipo de pessoa que no fundo, sempre soube o que queria. O tipo de pessoa, que podia com o mundo todo, pena que não sabia. Mas a verdade, é que podia e o que queria, isso sabia muito bem!

Moça, “cê” merece mais

Você merece alguém que consiga te ver além do alcance dos olhos. Você merece alguém que consiga te ouvir além do alcance dos ouvidos. Você merece alguém que dividida a pizza e o chocolate contigo. Você merece alguém que pague não só a bebida, mas pague pra ver essa história dar certo. Você merece alguém, que vai ver suas lágrimas mesmo quando elas não caírem. Você merece alguém que não vai desistir de você, mesmo se você esquecer tudo feito a Dory em procurando Nemo, lembra? É que as vezes a gente se perde um pouco mesmo. A vida é tão grande, o mundo é tão cheio, é normal que as vezes gente venha se perder. Mas mesmo assim, você merece alguém que aceite retornar contigo quantas vezes forem preciso, só pra te mostrar o caminho de novo. Você merece alguém que te ame.

Alguém que quando você disser tchau, não vá acenar de volta, mas esticar os braços para te puxar pra perto. Alguém, que não vai ser o primeiro a soltar o abraço. Alguém que nunca vai se contentar com o último beijo de despedida e vai sempre querer mais um. Por mais que pareça utopia isso tudo, seria amargo demais acreditar que tudo é tão vazio.  E por mais que venha doer as desilusões amorosas, seria amargo demais acreditar que tudo é tão vazio, que tudo é tão frio e que não é só o mundo que anda cinza, mas as pessoas também.

Seria mais decepcionante do que a frustração de um amor, encontrar o mundo atrás de suas paixões realmente preto e branco, sem cor alguma. Mesmo que as decepções doam. Mesmo que os medos tentem te parar menina, aceitar a realidade de um jardim morto é pior, bem pior.  Tire a veste de água dos olhos. Recomponha-se. Erga a cabeça. Acredite em seus sonhos. Acredite na maturidade do seu coração para amar e ser amado, afinal, se não fossemos capazes não teríamos recebido essa missão dos céus né?!  Ouse acreditar até mesmo na exuberância de dias nublados, porque você merece um sorriso doce e um abraço quente.

Eu sei que as vezes alguém chega com tudo e as marcas de histórias antigas, te fazem recuar. Eu sei que a gente sempre escolhe ficar pelo que ficou em nós. Mas não é justo com você escolher ficar na sombra por conta das marcas feias que ficaram. Saia ao sol, mesmo que doa, mesmo que transborde de medo, não recue!

Você merece, um conto ou uma história, só sua!  Ah moça, “cê” merece mais que a cerveja estupidamente gelada. Merece mais do que uma noite no “céu”. Você merece a cerveja, a vodka, o vinho, o céu e todas as estrelas. Você merece mais do que uma rosa, merece um jardim inteiro e te digo mais, o perfume mais doce seria o teu. Já cantaram um dia e eu concordo, nem o ouro e nem a prata fazem o homem mais feliz, então como pode uma coisa linda dessas, não merecer todas as cores do mundo?  Como pode uma cosia linda, feito flor andando pelo mundo fugindo das cores?

Ah moça, como dizem naqueles romances bobos e melosos, você merece é, alguém que te ame a cada batida do seu coração!

 

Tenho asas, só não voei ainda

Tô com a alma rasgada. Eu hoje tô pedindo socorro. Hoje eu sou aquele passarinho pequeno, morrendo de medo de voar e achando que toda luz é trovão. Parece que todo barulho é tempestade. Parece que essa chuva não tem fim, prenderam as minhas asas e cada trovoada eu tenho medo de que elas sejam cortadas.
Eu tô no alto de uma árvore e ela parece confortável, parece segura, mas mesmo assim ela balança. A ventania chacoalha os galhos e a folhas. Eu fico me perguntando, como é que pode isso meu Deus, eu tenho asas mas meu maior medo é voar. Meu maior medo é a queda livre. Hoje eu tô acuado aqui no canto, espremido, tentando entender como é que as pessoas voam, como é que elas alçam voo.
Sabe, o medo desse voo me deixa louco, me ensurdece a alma. O medo desse voo, me frustra e me traz um desespero imensurável. É por isso, que ouso dois passo, só para olhar aos céus. Eu preciso olhar, ainda que com medo, sinto que as nuvens carregadas, os pingos d’água que começam a cair, os trovões e até mesmo Deus, esperam pela minha pronuncia. Eu juro que tentei esbravejar, mas a única coisa que eu consegui foi gritar, eu berrei. Nesse grito estava todo meu silêncio e ai, fiquei esperando a tempestade passar ou a árvore se encolher para que eu conseguisse descer. Só que nada disso aconteceu. E nesse momento, Deus me respondeu com um vento forte que me jogou em queda livre.
Nos primeiros segundos eu desesperei e depois, comecei a bater asas insistentemente, até que ainda nervoso, percebi que estava voando. Quando pousei todo desajeitado, foi que realmente ouvi a resposta do alto: é na queda livre teu solo firme, não te assombres. O desconhecido é assustador para quem não sabe de seu potencial, jamais assombre teu coração se não conhecer todos os teus dons.

Sim, vou ser melhor do que você!

Primeiro eu me questionei várias vezes se tinha algo de errado comigo. Lá fora estava o barulho silencioso da vida, as pessoas andando, conversando, carros passando e aqui dentro, o silêncio ensurdecedor de um barulho horrível. Eu estava me culpando mais uma vez por ter dado errado. Mais uma vez. Outra partida e eu não sabia o que fazer, não sabia lidar com isso. Eu acho que nunca vou saber. Eu acho que o problema é o que fica, o que fica na gente quando o outro vai embora. Se eu pudesse eu matava toda e qualquer lembrança, tipo resetar mesmo sabe?! Te apagava da minha memória e junto, toda e qualquer coisa que me lembrasse você. Eu não quero lembrar de nada. Não quero lembrar que foi bonito, não quero lembrar que escrevi versos e sonhei, não quero lembrar que acreditei em tudo. Não quero lembrar que parecia ser de verdade, mesmo sendo mentira. Não quero mesmo lembrar que foi ilusão, se dentro de mim foi tudo verdade, mesmo sem tua reciprocidade.

Eu queria mesmo apagar da memória. Apagar o dia que te conheci, apagar a primeira vez que te vi. Queria apagar tudo. Levantar amanhã como se eu nunca tivesse te conhecido e nada disso fizesse parte da minha história. Isso pode parecer radical, mas não é pior do que essa tua partida sem despedida. Eu não quero desculpas, eu não quero um “sinto muito”, porque a gente sabe que você não sente porra nenhuma. Afinal de contas, quem sente alguma coisa tem a sensibilidade de ter respeito com o outro.

Quando você foi saindo aos pouquinhos, meu coração começou a chorar. Eu senti meu peito queimar por dentro. Uma coisa estranha, parecia que estava tudo se dilacerando. Quando eu vi você colocando um “fim” entre nós, sem nem mesmo de mim se despedir, eu levantei a cabeça. A partir dali levantei a cabeça e fiz uma promessa para mim mesma, ainda que eu tivesse todos os motivos para insistir em nós, eu iria desistir. Não desistir por simplesmente jogar a toalha, mas desistir por mim. É que estava me matando aos poucos essa mentira velada. Estava me adoecendo, pensar e sonhar por dois. Estava pesado o fardo que se tornara a nossa história. Eu estava desistindo por mim, e mesmo assim doeu. É que desistir, demanda muita coragem. Já falei uma vez e vou repetir, desistir é um grande ato de coragem. Então hoje, bandeira branca. Pode cruzar a porta e lá fora, no mundo lá fora, não tem a menor responsabilidade de se quer me reconhecer. Eu não acho que precisamos manter as aparências. Você fodeu com tudo de esperança que eu ainda podia ter. Esperança? Mesmo depois de tantos joelhos ralados e corações partidos? Sim, mesmo depois disso tudo, eu ainda tinha esperança e ainda acreditava que um dia, em algum lugar, enfim…

Mas de qualquer forma, eu ainda acredito em mim e eu sei, que eu não vou me trair com mentiras veladas. Eu, vou fazer de tudo para me ver feliz e pode ter certeza, vou me amar mais que ontem, mais do que dia em que te conheci. Vou ser o meu amor por mim, e não tenho dúvidas de que farei isso melhor que você. É que demorou, ralei muitas vezes o joelho, mas descobri que ninguém nunca poderá nos amar como nós mesmos. É que dessa vez, meu curativo se chama amor próprio. Prático, rápido, eficiente e certeiro!

É, pode ir, teu lugar já não tá mais vago. A parte que era tua, tomei de volta. Ali, está a parte que não se importou e nem chorou ao te ver partir. Me cuido, me mimo, me amo e sim, faço isso melhor do que você!

O segredo do calor, em uma geração avessa ao amor

Ele parou em frente à minha casa amiga. Parou aqui na porta em uma Hilux branca, com o sorriso mais lindo que já vi na minha vida. Quero te contar tudo, mas não vou entrar muito em detalhes ok?! Só vou dizer que ele estava com uma camiseta branca e um jeans que favorecia muito seu bumbum. Estava tão cheiroso, um perfume que me conduziu naquela noite. Me perguntou onde eu queria ir. Você sabe, eu sempre escolho pizza, sempre vou escolher pizza. Para mim é maravilhoso pizza, mas para o mundo, parece sempre uma escolha banal, comum e nem um pouco criativa. Como não queria parecer boba, deixei ele escolher. Com a voz mais doce do mundo e um riso bem fácil, lhe disse: -Você quem sabe. Você escolhe – tá, eu sei que isso nem combina comigo. Mas acontece que porra, eu queria ser legal. A noite estava fresquinha e pela primeira vez eu experimentei comida japonesa. Entre nós, realmente, eu preferia pizza. Mas aquele sorriso era tão lindo, que eu podia comer até pedra naquele momento que não iria reclamar. Foi uma noite tão agradável. Conversamos sobre várias coisas. Sim, eu contei minha vida, falei de política, de amores, e do quanto sou feita de amor. Ele me levou para casa e parecia que estávamos flutuando. Tudo se encaixou e parecia que o cupido havia no flechado. Tivemos um segundo encontro e andamos de mãos dadas. Nos beijamos sob um lindo luar e nos abraçamos como se nossos corações fossem íntimos. Mas algumas semanas se passaram e ele emudeceu. Ele simplesmente sumiu e se recusa a responder qualquer mensagem minha. Eu sei amiga, você vai dizer que eu errei mais uma vez né?! Vai, eu sei que vai dizer que falhei e que eu não deveria ter saltado de cara, porque hoje não existem mais piscinas profundas. Como você sempre diz, as pessoas não possuem mais profundidade. Mas acontece que você me conhece, eu não me contento em simplesmente molhar os pés. Eu preciso mergulhar. Eu preciso daquele momento em que consigo ver o outro estado da vida, a outra forma de abraçar o mundo. Eu não nego que talvez tenha falhado, realmente eu sempre faço um monte de coisas do jeito errado. Mas antes que me dê aquela bronca de sempre, aquele sermão, que eu nem vou retrucar desta vez, prometo, me diz qual o segredo do calor em uma geração totalmente fria? Enfim, mande notícias amiga.

Com carinho, Alice….

Enquanto isso…

Florescer em meio ás pedras é um ato de coragem

CORAÇÃO MASCARADO, 27 DE ABRIL, DE 2010.

Minha querida, saudade de você e dos seus casos -e acasos- que sempre me fazem refletir sobre algo. Primeiramente, vamos comemorar o fato de você ter se permitido mudar um pouco e ter apresentado ao seu paladar novos gostos. Sair da pizza fez bem. Provar novos gostos e sabores. E isso a gente leva para a vida (risos). Muito feliz por saber, também, que você pôde experimentar essa sensação de encaixe perfeito e pés nas nuvens, mesmo que agora esse cara esteja agindo como um tremendo cafajeste. Daquele tipo que parece armar tudo minuciosamente e logo depois que consegue o planejado, cai fora. Você sabe, minha amiga, eu me faço de durona mas no fundo (ou nem tão fundo assim) sou mole feito gelatina. Finjo que nunca mais caio em nenhuma cilada e basta ver uma luzinha piscando no fim do túnel, que corro feito uma louca em busca dela. Mas é tanta porrada na cara que a gente vai, mesmo sem querer, mascarando o coração. Inventando umas desculpinhas esfarrapadas para dizer que anda blindada, entende? Está tudo tão raso, que a gente finge que é até bom não existir mais profundidades por aí. Só para correr o risco de se afogar? Melhor não. Mas é tudo balela. Afogar-se é o que a gente mais quer. Por isso, não se assuste minha amiga, mas eu te entendo perfeitamente. Conheço você o suficiente para saber que não ia conseguir esperar mesmo para se atirar. E está tudo bem… Ser flor em meio a tantas pedras tem dado um trabalho danado, não é? Mas não fica assim não… Uma hora aparece alguém para te regar com todo amor e afastar todos os espinhos de perto de você. Ainda não descobri esse segredo, mas prometo que quando descobrir compartilho com você imediatamente. Até lá, minha grande amiga, vai florescendo daí, mesmo que os ventos não soprem ao seu favor. Seja resistente. Seja transparente. A partir de agora, o único sermão que vou te dar, é quando souber que você deixou de acreditar. A vida tem me ensinado que todas essas armaduras que colocamos e tudo isso que fingimos não sentir, nos pesa. Atormenta. Maltrata e faz a gente perder o que de melhor há nessa loucura toda: a capacidade de sentir as sensações entrando por cada poro da nossa pele e arrepiando nossa alma. Se isso acontecer, é melhor já ir em busca do atestado de óbito (risos). Grande abraço, minha querida.

Com amor, Liz…

Até no inferno existe amor!

As ligações não atendidas. As mensagens que nunca eram respondidas e quando eram, vinham com respostas vazias. O beijo gelado e o abraço frio. Muitas vezes não percebem, mas o maior inferno é ter sem que o outro lhe pertença. O maior inferno, foi tê-lo aqui, com a mente lá. Deleitar-se em braços frios, é o mesmo que deitar esperando pelo vento frio a noite. Aquele vento gelado, sorrateiro, em que mesmo estando coberto, a gente ainda precisa se espremer debaixo da coberta.

É que de todas as palavras ditas, a que mais doeu, sem dúvida foi o silêncio. Mas ainda assim, eu preferia o silêncio, ao invés de ter que escutar em teus olhos perdidos durante o nosso passeio à tarde, o barulho, o ruído de um outro alguém. Escutei em teus olhos perdidos durante todo jantar também, as fotografias da sua memória, de uma lembrança que não era nossa. Estava nítido, por mais que negasse, já não estava aqui. Apesar de ter tentado, já não fazia mais parte dessa história. Talvez eu tenha perdido o rumo, quando perdi o prumo no meio do caminho. Perdi meu chão quando comecei a perceber que tua trilha já não encontrava mais com a minha. Você sempre desviando, mas com o passar do tempo, o caminho foi se estreitando e já não tínhamos mais como esconder, a tua trilha é outra, tua estrada hoje, é outra. Eu sinto muito e me é doloroso ver que nossos caminhos já não se encontram como antes. Esse tipo de coisa enchia o meu peito, hoje só me frustra.

O que mais dói não é saber que teu caminho não cruza o meu. Porque as nossas estradas são longas e eu sempre fui viajante, sei que em algum momento, vou encontrar uma nova companhia. O que mais dói mesmo, é o inferno de conviver com essas coisas ditas, sem ser ditas. O silêncio ensurdecedor, o ruído de uma nova história em seu olhar e os capítulos dela sendo escritos em cada sorriso teu, quando se perde em momentos que não são meus, não me incluem.

Eu sempre acreditei na força do amor. Sempre acreditei que quando nos apaixonamos, tornamos realidade coisas e detalhes minuciosos que vivem em nós. Sou de fé, daquelas que sempre persistem no amor e por isso eu sei, que até mesmo nos cantos mais obscuros desse planeta, é possível florir o amor. Por isso, eu não lhe condeno. Independentemente de onde tenha sido e como tenha ocorrido, pelos teus olhos eu vejo que o amor floriu.

A única questão aqui, é que esse teu jardim regado de esperança, doce feito teu sorriso em frente ao celular, é o meu inferno. É o meu inferno te abraçar e saber que esse abraço não é meu. É o meu inferno te beijar e saber que o sabor não é o mesmo. É o meu inferno te pegar pelas mãos e saber que se prepara para soltá-las. É o meu inferno, saber que está aqui sem estar. E como já não sei lidar com isso. Como não sei lidar com a falta da doce e harmoniosa reciprocidade, hoje eu reconheço, meu inferno é te amar. E amanhã, meu inferno vai ser te amar sem querer amar. Mas perseverante mesmo com dor, eu sei, até no inferno existe amor!