O amor não acabou

Esqueça essa ideia de que ele não gosta de você ou, pior, de que talvez ele nunca tenha gostado. Esqueça qualquer pensamento que o leve a crer que a pessoa com quem dividiu a cama um dia, hoje lhe deseja mal ou que simplesmente decidiu te dar as costas e seguir sozinho. Não tem nada de simples no fim de uma história, não é fácil jogar fora os planos, sonhos conjuntos e seguir em frente. Deixar para trás algo que foi e ainda é bom, é muito difícil. Terminar uma relação não significa, necessariamente, que o amor acabou.
Às vezes acontece de a gente olhar para frente e perceber que aquele não é mais o caminho que queremos seguir. Acabou a vontade de continuar na mesma direção, então, nesse momento, é muito difícil fazer as malas e partir, mas é também necessário.
Então, você me pergunta se o amor acabou. Eu, na minha ignorância sobre esse sentimento tão pleno, percebo que não, que ainda existe um brilho no olhar quando ele te olha, um carinho e afeição, mas percebo também que amar é deixar livre. Percebo que não precisa ficar ruim para acabar.
Amar é entender que o seu amor não é suficiente para que alguém fique e, por isso, é também ver tantas partidas dolorosas de pessoas com quem não imaginamos ficar sem.
Por isso o amor é para os corajosos, é como uma aposta de pôquer onde, a cada partida, você sempre está fadado a perder tudo de uma só vez.
Sempre vi essas reportagens com casais de senhores onde o casamento alcançara as bodas de ouro, a pergunta mais óbvia sempre era feita: qual o segredo para um casamento duradouro como esse?
Já vi as mais diversas respostas. Mas, para mim, a resposta sempre me pareceu óbvia. Observando de perto o casamento dos meus pais, entre sorte e revezes, brigas e reconciliações, o segredo me parecia óbvio demais.
Ano passado eles completaram 25 anos juntos. Para mais 25 anos, eles só precisam de uma única coisa: permanecer juntos.
Todos os dias meus pais escolhem permanecer juntos no mesmo caminho. Mas sei que eles já partiram da vida de alguém e já viram, também, partir alguém que queriam que ficasse. Sei que eles amaram outras pessoas antes de se conhecerem, sei que deram o melhor para elas.
Um dia os dois escolheram ficar na vida um do outro e permanecer juntos, esse dia se repete há 25 anos. Estão, há 25 anos, apostando todas as fichas um no outro, mesmo tendo visto tantos blefes, conhecendo o jogo, as cartas marcadas e o risco de perder tudo.
Como humanos, somos condenados a falhar todos os dias. Meus pais e esses casais não são diferentes, eles falharam um com o outro. Então, esses são os ingredientes essenciais para o amor que fica: perdoar e recomeçar.
O amor não acabou. Talvez acabe a vontade de caminhar na mesma direção. Paciência. Mas, para a nossa sorte, a gente sempre está prestes a cruzar com aquele que decidirá, como você, ficar, perdoar e permanecer juntos.
E aí? Você está pronto para perder e recomeçar? O amor não acabou, mas são poucas as pessoas corajosas o suficiente para apostar nele todas as fichas. Você é corajoso o suficiente?

O problema sou eu

Eu sei que esse é um grande clichê. “O problema não é você, sou eu.”. Sinto muito repeti-lo, mas espero de coração que possa entender.

O problema realmente sou eu. Talvez você queira culpar o timing ou a nossa falta de sintonia, pode jogar a responsabilidade no destino também, praguejar e amaldiçoar os contratempos. O negócio é que existe um problema, algo que eu ainda não consigo definir a você, mas ele não está em você ou no meu relacionamento anterior, menos ainda no que está por vir, te digo com toda convicção que o problema sou eu.

Eu podia sentar ao seu lado e me definhar em histórias mal resolvidas, podia te mostrar meus defeitos e tentar acabar com essa imagem ilusória que você criou de mim… Você merece a verdade, mas deve saber que às vezes ela dói.

Podemos relembrar nossos passos e do quanto foi bom o nosso primeiro encontro, nossas conversas, pode me mostrar que temos uma química ótima, que pegamos fogo até mesmo por mensagens, que tudo foi indo muito bem e fluiu naturalmente. Sei que adoramos conhecer os amigos e família um do outro, quase não brigamos, temos gostos parecidos, algumas ideias completamente opostas e que já tinha gente falando que nascemos um pro outro.

A culpa é minha, eu não soube te frear, olhava para o brilho nos seus olhos e me doía se quer imaginar te magoar, era difícil achar o momento certo para te dizer que não estava indo tudo tão bem assim, que do lado oposto o sentimento e as expectativas não eram pelo mesmo.

Eu nunca quis fazer planos ou me comprometer demais, a companhia era boa e os passeios divertidos… Como negar uma aventura ou outra a mim mesma e a você? Mas quando eu chegava em casa e ficava sozinha me vinha certo alivio também, todo aquele espaço entre um momento e outro não era jogo, era apenas eu seguindo com a minha vida muito bem sem você. Desculpa não encontrar palavras melhores para te explicar, mas a verdade é que era legal e só.

Sim, você é um homem admirável e eu não tenho dúvidas de que existem muitas que queriam estar aqui no meu lugar, você realmente devia conhecê-las.

Eu estou em um momento diferente, meu único compromisso é com minha carreira e estudos, tudo o mais que eu tenho são coisas leves e passageiras, deixo que o tempo e o vento as levem de mim sem me prender ou correr atrás, acho que esta seria a definição: estou curtindo coisas simples e despretensiosas. Não é jogo de desapego, é apenas a leveza de uma vida onde não se espera muito do outro e só se dá o que se tem. Hoje eu não posso te oferecer nenhum porto seguro, ando me apaixonando facilmente por qualquer um que me tire o riso, mas ainda prefiro ir sozinha para cama. É como eu te disse, o problema não é você, sou eu.

Não vou te pedir pra ficar, tô pagando pra ver!

– Abri mais uma latinha daquela que eu gosto. Coloquei aquela playlist que eu amo e sabe o que eu descobri? Você estragou várias músicas que eu gostava. Pois é, tem algumas que eu não posso ouvir mais, porque você parece estar presente. Sabe o que eu queria? Que tudo mudasse. Eu queria que as coisas fossem diferente.  Na verdade, eu queria pedir que me desse um fora. É, me dê um pé na bunda. Me deixa triste com tua indiferença, dilacera todo meu amor com tua crueldade, mas não me deixa nesse lance de não saber se sim ou se não. Não me consome aos poucos com essa coisa de saber se existe mesmo algo ou não, se ainda podemos ou não.

Eu não tenho paciência, eu não tenho tempo e eu não tenho vontade pra isso. Eu sempre soube o que eu quero e sempre caminhei de cabeça erguida, sabendo a trilha, o rumo e o destino. Por onde eu passava, como um furacão sempre deixei minha marca, meu rastro, até você chegar como uma chuva mansa e querer me parar. Até então isso tem funcionado, porque eu adormeci nessa história, mas quando eu levantar, toma cuidado! Doce e decidida, sempre entendi que aos amores correspondidos vale o meu cuidado, já aos mal resolvidos, sempre atropelei. Eu não faço questão alguma de fingir simpatia, eu não sou obrigada, mas se você vem com a doçura de uma chuva mansa e o coração aquecido pronto para qualquer inverno, eu tenho chocolate quente e uma lareira ali na frente. Vamos, eu tô de cabeça feita e minha música preferida está tocando. As cartas estão na mesa e agora eu tô pagando pra ver!

-Eu estou aqui com minha cerveja no bar e mais uma vez surpreso com a sua coragem. Sei que não exige nada além do que merece e soube muito bem me colocar a par da minha própria covardia…

Estou aqui com o gosto da cevada na boca e sentindo falta de você ao meu lado dizendo que não gosta dessa bebida, mas que o sabor combina muito bem com meu hálito quando o experimenta direto da fonte. Mais uma vez estou paralisado, foi assim desde que te conheci. Um dia vi uma mulher determinada, que sabe o que quer e facilmente me apaixonei. Mas nunca entendi como parecia tão frágil nos meus braços e sucumbia aos meus cuidados com tamanha doçura, para se transformar novamente em um furacão ao levantar da cama e conseguir bagunçar facilmente minha vida ao fazê-la se encaixar tão bem na tua.  É difícil acompanhar seu passo, mas é impossível não correr atrás do seu riso. Sinto muito se estraguei algumas músicas, espero que se console em saber que te encontro em todas as trilhas sonoras que escuto no meu carro enquanto vou ao trabalho e, antes ainda, em cada vez que sinto seu perfume ao vagar pela rua ou em cada batom vermelho me lembrando teus lábios.

Seria uma grande covardia lhe deixar ir, todo esse espaço entre nós também tem me deixado louco, mas como não enlouquecer perto de você? Você é um desafio e tanto na minha vida, às vezes sinto não estar preparado, mas é só cruzar com teus olhos que me desarmo, parece um imã e eu corro para teu laço, então como resolver? Tenho sido covarde com meus sentimentos, tenho lutado contra cada impulso de ir até você…

O problema de furacões são a catástrofe que causam quando passam, não deixam pedra sobre pedra, mas, confesso, estou desarmado e pronto para vê-lo agir em mim porque, o que quer que sobre, será mais que suficiente se você estiver aqui. Então eu estou pronto para recomeçar do seu lado. Prepare a lareira e o chocolate quente, guarde o guarda-chuva porque algo me diz que essa chuva vai parar, e aposte alto meu bem, quero ganhar essa partida com você!

Uma carta ao meu ex amor

Acho que não preciso dizer o quanto você foi importante para mim e, sim, eu queria dividir esse momento. A medida que o tempo passou, eu tive mais certeza disso, talvez a imaginação tenha me ajudado a crer que nós o teríamos, mesmo que não fosse eterno, algo que fosse prazeroso, diferente… especial.

Sempre esperei, não por um príncipe, mas alguém por quem eu me apaixonasse pelos defeitos e qualidades, que me fizesse sorrir por simplesmente estar ali e trouxesse borboletas ao meu estômago, como também a vontade de conversar, compartilhar, desejar e admirar, então você apareceu e foi o pacote completo, uma mistura de desejo e êxtase que me fazia perder a razão, ao mesmo tempo eu estava deitada com você na rede ou na cama, conversávamos no carro enquanto te observava dirigir ou entre quatro paredes quando nos perdíamos em nosso olhar e parecíamos nos entender, eu não tinha medo de você ou do nosso desejo… era fácil, descomplicado, a confiança e sintonia pareciam únicas.

Um dia você me perguntou qual era o problema e eu não soube responder, simplesmente disse a única coisa que sabia: o problema é que eu gosto de você.

Sim, eu gosto. Ainda no presente. Mas quando a gente realmente gosta, isso implica muitas coisas. Gostar de você faz com que eu seja incapaz de me ver te magoando, me faz pensar muito antes de agir, dizer uma verdade que possa te chatear é algo que também me chateia. É muito difícil te dizer não, dizer que é errado, dizer que não posso… É difícil.

Quando a gente gosta, dói tentar não gostar demais. Dói querer ver, tocar, conversar, te sentir e não poder. Dói a falta porque quando a gente gosta a ausência se faz presente em forma de saudade.

Crescer é aprender a lidar com nossas escolhas e a verdade é que nós não escolhemos errado. Eu te disse “não” quando o que você me oferecia era pouco. Você me disse “não” quando o que eu pedia era muito. É preciso lidar com as consequências do que escolhemos e não se pode ter tudo, também não podemos nos contentar com metades, faltas, enganos… Escolher entre uma coisa e outra também acarreta em perder e nós perdemos algo no meio de tantas descobertas, no meio do caminho nos perdemos um do outro.

Hoje eu daria qualquer coisa para voltar no tempo e para ter coragem de viver o nosso momento, aquele que eu desejei e imaginei naquela rede quando facilmente me apaixonei por você no nosso primeiro encontro. A verdade é que meu desejo não mudou, eu continuo querendo algo que você não pode dar e hoje percebi que não me cabe mais pedir, esperar ou entender o porquê de tudo ter sido assim, não dá para me torturar, não dá para mudar, mas a gente muda e hoje aceito.

Gostar implica que eu não queira te magoar e também não queira ser magoada. Porque, sim, junto com essa história cresceu uma amizade, cresceu cumplicidade, carinho, respeito e eu não quero acabar com isso. Gostar de você implica que eu deseje a sua felicidade independente de com quem esteja, que eu não queira interferir nela, implica entender que, apesar de ser especial, em algum momento nós escolhemos que não estaríamos na vida um do outro se não como amigos.

Talvez eu continue lembrando de você ao sentir o seu perfume enquanto vago pela rua desapercebida, talvez eu ainda te associe ao número 07 ou aos diferentes tons de verde que já vi colorirem seus olhos… Gostar implica que muito provavelmente eu nunca te esqueça e que dói muito te dizer adeus… Alguém separou sabiamente essa palavra: a – deus. Então, dessa forma, fica mais fácil te deixar ir sem qualquer perspectiva de voltar: eu te entrego à Deus.

Libere o turbante

Já inicio o texto me desculpando por dar pitaco em um assunto do qual eu não tenho amplo conhecimento. A internet é uma ferramenta fantástica e, ao mesmo tempo, um tanto quanto perigosa, o perigo costuma estar nas redes sociais, todo mundo quer contar algo e todo mundo quer opinar, mas nem sempre isso é oportuno e, confesso, não sei se se estou sendo oportuna, mas esse texto (http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/20/opinion/1487597060_574691.html?id_externo_rsoc=FB_CC) me motivou a falar sobre o assunto.

Entendo o que a cor negra na pele muda na vida de alguém, entendo que nasci com privilégios apenas por carregar na pele a cor branca, mas sabe o que eu também entendo? Entendo que o brasileiro é fruto de uma miscigenação. Um exemplo bem claro disso é o fato de eu ter nascido branca e minha irmã ser negra, ter pai branco e mãe negra, avô branco e avó negra, isso muda a nossa perspectiva. Eu também entendo que estamos lutando contra o racismo.

Tenho uma prima linda e negra, sua mãe faz turbantes para ela. Tenho primas lindas e brancas, moram logo embaixo, viram o turbante, queriam um também e tiveram. Imagine se eu tivesse que explicar para elas que elas não deveriam usá-lo?

Os negros não lutam pela superioridade de uma raça, assim como o feminismo não luta pela superioridade das mulheres. Não, eles lutam por igualdade. Igualdade na seleção para o emprego, nos salários, no tratamento, enfim, em tudo.

Eu consigo entender que o passado na senzala tem efeito direto e suas consequências estão nos índices de presidiários, analfabetos e pessoas de baixa renda em sua maioria negra, mas aqui lhes escreve uma branca que nasceu na favela. Aqui lhes escreve uma branca de cabelo crespo. Aqui lhes escreve uma branca de mãe negra. O meu passado também está na senzala e acredito ser muito difícil, se não impossível, encontrar alguém no Brasil que não tenha tido um negro na sua árvore genealógica.

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Cultura negra ou cultura africana? O texto mesmo explica que vieram negros de diversos locais da África, lá existem diversos povos, tribos e nacionalidades – já que estamos falando de um continente – e até hoje existem guerras por diferenças culturais por lá (veja o filme “Hotel Ruanda”). Infelizmente, a identidade dos negros trazidos para serem escravos no Brasil em muito se perdeu na história e isso foi feito de propósito, é difícil regatar essas raízes. Aqui viraram apenas negros, se resumiram a única coisa que carregavam de semelhante: a cor. Então não se sabe a origem de cada um, apenas sabemos que eram negros e africanos.

No meio disso, tem o turbante. Podemos citar muitas outras coisas que vieram desse contexto: a capoeira, algumas religiões, o berimbau, etc. Estamos falando de apropriação cultural e temos o contexto de negros escravizados por brancos no Brasil. Para lutar contra a cultura racista, todos eles têm se unido para mostrar que têm orgulho da própria cultura e ainda sofrem pela discriminação. Na Bahia, o Olodum brilha no carnaval e traz consigo muitos desses símbolos, esse é só um exemplo.

Mas, afinal de contas, o que é ser negro? É só a cor da pele? O cabelo também conta? E o nariz um pouco mais largo? Ou a boca um pouco mais carnuda? Acho que todos nós carregamos algum traço dessa história e temos que nos orgulhar disso.

Eu não tenho a pele negra, mas sinto que a carrego, carrego no meu cabelo crespo, por exemplo. Olhar para mim e ver uma branca é só um olhar superficial, ao meu ver. Hoje a química os matem lisos, mas já ouvi ofensas quando os deixava naturais e nesse momento me lembrei que era negra também. Vejo que fiz errado em alisa-los, me submeti a padrões colocados pela mídia e não me orgulho. Mas, claro e obvio, isso em nada se compara a ter a pele negra. Em uma das visitas a meus parentes, meu primo me confessou no carro o quanto era ruim ser negro e ser parado o tempo todo para ser revistado por policiais e eu percebi o quanto era privilegiada por ter a pele branca.

Quando falamos do contexto histórico das senzalas, você perceberá que eu não passaria de uma escrava Isaura naquela época, mas estamos no século XXI, não sou considerada uma bastarda e sou branca. Então temos a polemica do turbante. Temos uma branca enfrentando bravamente o câncer e usando um turbante e por isso sendo mal encarada, segundo ela, por mulheres negras. Temos uma apropriação cultural e um debate por trás disso.

Quando uma branca usa o turbante, ele pode perder seu valor como símbolo de identidade negra e de protesto contra o racismo. Entendo que não queiram que ele vire só um apetrecho da moda, mas quando minha prima pediu o turbante, ela não perguntou se deveria usá-lo, ela achou bonito ver a prima com ele e quis um.

Quando eu uso um símbolo de outra cultura é muito provável que eu não saiba o seu significado, mas quem o conhece com certeza irá identificar. O erro não está em uma mulher branca usar um turbante e achar bonito, errado é alguém olhar o negro usá-lo e achar feio por ser um negro uasando. Se este é um dos símbolos da cultura negra, os vídeos não deveriam pedir para que brancos não usem um turbante, mas, sim, para que usem e se lembrem que este é um símbolo usado por africanos que foram escravizados no Brasil, símbolo que quer mostrar resistência ao preconceito. Então o branco não deve usá-lo como homenagem, mas como alguém que também é fruto dessa história e que deve participar ativamente do movimento que pretende acabar com o racismo no Brasil e no mundo.

Ninguém se pergunta se deve tocar um berimbau ou aprender capoeira. Ninguém se questiona se pode ouvir axé ou ir à um centro de umbanda. As culturas se misturam, ainda mais aqui no Brasil. Se eu usar um turbante, não será para homenagear a cultura negra ou para afronta-los, será porque eu achei bonito, porque um apetrecho criado por negros pode ser tão bonito quanto um criado por brancos, eu simplesmente não saberia a diferença, não estamos aqui para cria-la, certo? Usar um turbante não agride ninguém ao contrário de ser encarado por acharem que um branco não pode usar.

Quando meu cabelo era natural, ele vivia trançado. Minha cabeça doía de tanto que puxavam os fios para não ficarem armados. Isso, ao meu ver, era uma forma de “neutralizar” meus crespos. Eu não gostava, mas aquilo me era imposto para ficar “bonito”. Eu sinto um orgulho enorme todas as vezes que vejo cabelos crespos livres. Tranças para mim eram só uma forma de “neutralizar” meu lado negro enquanto que para os negros é só mais um símbolo da cultura. O racismo está nos olhos de quem o pratica e coloca diferenças.

Que tal pararmos de criar diferenças? Essas regras de se poderia ou deveria usar algo? Que tal deixarmos toda a palheta de cor para as pessoas acima do peso, o turbante para brancas e saia para homens? Não vamos olhar torto, o nosso objetivo deveria ser o de diminuir barreiras e respeitar, de se igualar como ser humano porque somos todos iguais.

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Que se abra as paletas de cores e se colora a vida durante o Carnaval

O carnaval é verde, amarelo e azul… Negro, mulato, pardo, branco, amarelo e moreno. O carnaval tem a cor do pecado, do sorriso e da mistura. Ele tem gosto de cerveja misturada com limão e cachaça, tem também um cheiro… Cheiro de gente, de suor e de diversidade. É um grito forte de liberdade, um esconde-esconde do amor, um pega-pega com o novo e, depois, um abraço forte com a saudade… Seja na avenida ou na rua, seja nos blocos ou no sambódromo, de abadá ou caracterizado, o carnaval é tempo de folia, é tempo de transbordar a alegria e esquecer os problemas por alguns dias.

Ah! Histórias de carnaval… Talvez essa seja a melhor época para observar amores e amizades. Você vê estranhos sorrindo juntos e celebrando a fantasia de poder ser quem quiser. Alguns casais não resistem e se perdem em meio aos amores de verão, alguns se formam ali em frente aos nossos olhos, eram apenas sorrisos solitários que até então torciam para se encontrar.

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Eu diria que essa folia também é tempo de reencontro, é um momento de perceber que o mundo é mesmo um ovo e o Brasil é só um ponto pequeno, mas cheio de possibilidades… No meio da multidão se destaca o amigo de infância que não víamos há 20 anos ou um rolo de uns 5 anos atrás que deixou um gosto de quero mais. Às vezes o Carnaval é uma segunda chance ou é a primeira para quem estava perdendo tempo com a pessoa errada. É um tiro no escuro, uma explosão de novidades e surpresas e, no meio do caldeirão, nós transbordamos o copo que até então estava meio cheio, meio vazio…

Mesmo que esse seja só um momento de folga, de se encontrar no sofá com um livro ou maratonando na Netflix, talvez também de encontrar o tempo para si que faltava na agenda apertada ou de encontrar a família e os amigos com um copo na mão, a verdade é que o carnaval é a desculpa perfeita para ser feliz sem qualquer motivo, é o momento de dar aquele último suspiro para embarcar de vez no ano e nos sentirmos renovados.

Crescer requer atenção ao trabalho, carreira, profissão, responsabilidades e compromissos, nos exigimos mais e perdemos o gosto pelas brincadeiras, então chega essa festa e a gente encontra um motivo para nos desprender por um momento de todo esse peso. Quando criança, o carnaval se fazia todos os dias na rua entre a amarelinha e o rouba bandeira, agora é necessário relembrar.

Quem nunca teve uma história de carnaval que atire a roupa e vá logo se fantasiar… Entre os risos da folia e os olhares estranhos, espero do fundo do coração que a gente possa se reencontrar com nossa essência e tiremos a marcara que usamos nos dias amargos para celebrar a vida.

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Gosto de você

Gosto de você.

Gosto do seu sotaque e do seu sorriso que arranca o meu tão facilmente… Gosto de como minha mãos se encaixaram tão bem nas tuas e de como me sinto segura em seu abraço. Gosto das rugas que se formam em seu olho quando sorri e dos teus olhares que eu já bem sei o que significam. Gosto da intimidade que se criou entre nós em tão pouco tempo, de achar que te conheço desde sempre e ainda me surpreender.

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Gosto quando me puxa e dos beijos que se sucedem… dos longos, dos rápidos, dos intensos e dos que pedem mais. Gosto da sua cara de safado, de sono, de cansaço, de fome e de quem me analisa e sabe o que faz… Gosto de ficar te ouvindo e de sentir teu corpo tão perto do meu, das tuas mãos alisando minhas coxas e subindo atrevidamente. Gosto quando me aperta, sufoca e me tira o folego e a razão.

Gosto quando beija meus seios e me olha e de quando beija minha testa e me abraça. Gosto de me perder no nosso gozo e de me encontrar nas nossas risadas. Gosta da sua sinceridade e de quando suplica para que eu fique só mais um pouquinho, quando pede só mais um beijo e faz eu ir me demorando cada vez mais em sua casa até que eu entregue os pontos de novo.

Ah! Eu tenho uma lista gigante de coisas que eu gosto em você, cada dia que passa você me ganha com um detalhe, gosto de saber que sou sua da cabeça aos pés e que saiba apreciar cada pedacinho meu… Seja com a boca, mãos ou olhos, seja me ganhando nas palavras, gestos e em ser exatamente o homem que és, que admiro e que me traz a paz que preciso depois de um dia cansativo.

Antes de dormir, depois de repassar tantas coisas boas na minha mente, eu agradeço a Deus silenciosamente por ter encontrado alguém que sabe me fazer feliz sem qualquer esforço, que faz eu viver plenamente o agora e esquecer o antes e o depois, alguém que parece querer ficar, que eu vejo que também está feliz só por eu estar ali… Hoje isso é mais que o bastante, então eu gosto de você, gosto que esteja aqui para mim.


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