A tempestade sempre passa

Que chova mas chova muito, que molhe tudo o que tem pra molhar, que essa água lave minha alma e limpe qualquer vestígio seu que ainda resta em mim.
Dizem que depois da tempestade o sol sempre volta a brilhar, nunca duvidei disso. Sei que as flores precisam da chuva para florescer, que o corpo precisa da água pra fortalecer e que as tempestades nos fazem valorizar o tempo bom.
 E olha só, essa veio forte com trovões barulhentos e um baita vendaval pra bagunçar tudo por aí. Me perdi no tempo com esse temporal.
É fato sempre fui de me entregar demais para tudo, me dedicar nunca foi problema algum, eu bem que gostava de desafios. Mas a tempestade causada por ti me fez ver que não é necessário correr atrás do perigo, que se proteger é muito mais sensato nessas horas. E nesse momento, eu recolho as velas que me guiavam descontroladamente preferindo ancorar em alguma costa mais segura, banhar-me com os pingos que caem em mim mas não participar desse espetáculo, apenas deixar com que a chuva que tu causou aqui dentro lave o que tocaste, limpe qualquer tipo de sentimento que ainda possa haver e que o vendaval leve para longe essas tuas lembranças.
 Me deixa aqui nessa ilha segura e longe de ti, só esperando tudo passar para que a minha viagem continue. Não que eu tenha medo de enfrentar tempestades mas quando elas são causadas por você, eu prefiro observar de longe me manter serena e não interferir no teu teatro. Sei que logo tudo isso passa, o sol que ilumina teu ser volta à brilhar e quem sabe assim tu me deixes voltar a velejar no mar calmo e com a alma lavada pelos pingos de chuva que me fizeste derramar.
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É que eu aprendi a ser solteira

Não se assuste ou se culpe caso de uma hora para a outra eu sumir. Costumo ficar confusa quando alguém resolve tentar me entender. Aí que eu me isolo, reflito, medito e só volto quando tiver certeza daquilo que está acontecendo. Eu vou, mas se eu voltar meu bem, faça o possível para me mostrar que me quer ali, pois se eu ficar confusa novamente você já sabe o que acontece, né?. Eu juro, não é nada com você, sou eu que complico as coisas quando se trata de envolvimento. Acho que ainda não aprendi a lidar.

Sinto muito não poder te corresponder, não estou aqui para fazer joguinho nem para te iludir. É que eu já me apaixonei demais, já me envolvi demais, agora prefiro ficar no raso ir com calma pra não me afogar. Eu não quero te bagunçar como fizeram comigo, de indecisões já bastam as minhas, não vou dividir com você um peso que só cabe à mim carregar.   Então vou logo te dizer, se tu queres me conhecer já fique ciente, eu falo mesmo o que penso e não é que não ligo “prô” que tu sente, simplesmente já cansei de me esforçar para tentar agradar, para não machucar ninguém, tentar ser alguém diferente.

Tô numa fase muito minha, dedicando meu tempo à quem merece ter minha atenção, gostando mesmo de ficar sozinha.   Aprendi a ser solteira, quero aproveitar um pouco mais dessa independência emocional, quem sabe assim eu paro de mergulhar em amores rasos.

É eu sei que tu vais me dizer que é diferente, que eu nunca conheci outro como à ti, vai me ligar no outro dia e me chamar pra sair de novo, só que eu já não sei mais confiar. Tenho medo do que possa acontecer de novo, medo de mergulhar e a temperatura não estar adequada, nunca gostei de àgua fria. Estou cinte da desordem que podes deixar em mim.

Já me entreguei e me perdi, já recusei e me arrependi, já me esforcei e me iludi. Hoje eu só quero estar bem comigo mesma, sem me preocupar em agradar ou não alguém, que venha apenas o que tiver que vir e que fique apenas quem se dispor à ficar aqui. Eu não vou mudar de novo, minha prioridade agora sou EU, quer isso te agrade ou não é assim que tem que ser. Cansei de me aprisionar nesses corações que existem por aí, escolhi fazer morada no meu peito e dessa vez não vai ser fácil me convencer, eu mudei e agora é pra mim que eu escolhi viver.

Atura ou surta, bebê

Ela sempre acreditou demais. Acreditava no melhor das pessoas, que ela insistia em enxergar, mesmo quando o pior delas estava tão evidente.
Ele disse diversas vezes que iria mudar, que aquele seria o último adeus – mais um de muitos – e que não iria mais voltar, mas ela sempre acreditou demais.
Se ela está em constante transformação, por que não acreditaria que tu pudesse mudar também, né?  E assim ela fez, esperou de você até o último segundo, até o limite e um pouquinho mais.
Vou te contar uma coisa, parceiro: deu ruim pra você, e vou te explicar o porquê:
O truque de mestre dela tá no cabelo e na autoestima de mulherão da porra que ela tem. Quando ela decide mudar, amigo, aí não tem mais volta. Cada fio que fica no chão do salão é um pouquinho de mudança que preenche o coração dela, tirando aquilo – nesse caso aquele – que já não faz mais tão bem.
Desapegada. Com o cabelo e com as pessoas. Se ela não merece nem um cabelo desbotado, quem dirá um amor que perdeu a cor?
Ela tomou a decisão, então agora aguenta, porque essa mulher vai te incomodar.
E não me interprete errado, achando que ela vai te incomodar ligando e pedindo pra voltar. Até poderia, porque quando ela quer algo, não tem vergonha de correr atrás. Mas dessa vez é diferente, brother.
Ela vai te incomodar, porque tu vai ver essa mulher incrível passando na rua sozinha e vai desejar estar do lado dela. Só que ela não vai estar sozinha, amigo. Ela vai estar desfilando  de mãos dadas com o amor próprio, que vale muito mais que esse amor meia-boca que você ofereceu.
Boa sorte pra lidar com a saudade, que vai ser visita frequente. A cada nova foto nas redes sociais você vai entender que ficou na lembrança, mas agora ela quer mais. Muito mais.
Relaxa. Vai levar um tempo, mas tu vai superar, igual ela superou. Enquanto isso, é como diz aquele ditado:
Atura ou surta, bebê!

Um dos amores da minha vida

Leia ao som de “Slow dancing in a burning room”
 
 A gente bem que tentou e não foram poucas vezes, só que meu bem, quando não é pra ser não adianta forçar.  Fizemos planos e tantos sonhos juntos, uma pena não terem saído do papel. Procurei em ti minha outra metade e me perdi ao te encontrar, me deixei, me diminui pra caber no teu mundo e nem pensei muito, aceitei tuas condições. No fundo o que eu queria mesmo era te ter do meu lado com aquele mesmo sorriso torto que me deixou encantada. Tentei te convencer de todas as formas, tu resistiu e quis ficar ali, mesmo me vendo partir não fez nada para me alcançar. Eu te queria no meu mundo, assim do jeito como tu é, com teus costumes, teus defeitos, não me importava de te aturar nos dias tensos. Te apreciei de uma forma nenhum pouco justa, mas de um modo simples eu tentei te compreender.
 
 Levei tempo para me dar conta de que as peças não se encaixavam, o quebra cabeça da minha vida não se completaria naquela relação. Foi preciso quebrar a cara muitas vezes para aprender. Mas digo que fiz tudo em nome do amor, não o amor que tu define por aí como algo dramático e sensível demais, mas sim, o amor que me escorria pelos olhos quando finalmente podia te ver. Sempre soube que nada seria permanente e que o adjetivo “inconstante” nos definia de certa maneira, nossas histórias juntos já foi longe demais, decidi parar por aqui. Foi no exato momento que vi a tua verdade, aquela que eu insistia em mascarar. Quando tentei te proteger deles, deveria estar me protegendo de você, quando eu fui julgada e pisada, você é quem deveria ter ficado com a culpa toda por não ter tomado a atitude certa. Mas tudo bem, todo mundo erra e eu perdoei, sempre perdoei todas as mancadas, mas não significava que deverias permanecer errando comigo. Me apaixonei foi pela tua alma mas quando percebi que tu na verdade não era o que eu fantasiava aqui, preferi não enxergar, quis fazer a todo custo as peças desse quebra cabeça se encaixar. 
 
 No fim dos laços fizemos um grande nó e o que era bonito acabou se perdendo, nós dois caímos no conto de uma história mal resolvida. Não é um momento bobo. Não é uma tempestade antes da calmaria. Esse é o final e ofegante suspiro do amor que estivemos mantendo”. Pois bem, nós mantemos e fomos longe demais nisso, agora nada pode reverter, nada vai mudar o que já foi. Não há como negar nosso passado, ele já está mais do que quebrado e não existe forma de colar. Chegamos ao nosso fim como quem termina um filme compreendendo claramente a mensagem dele, agora vamos nos levantar, bater a poeira e seguir em frente. As lembranças um dia nos deixarão eu posso sentir. Nada dura para sempre, assim como nós também não duramos. Hoje me sento para escrever sobre você apenas para refletir, porque aprendi que nem sempre os amores da nossa vida serão como desejamos.

Estúpido cupido

Bem que minha mãe dizia que o cupido era cego, mas eu sempre fui de contradize-la, enchia a boca e soltava:
 – Rum isso aí não é pra mim.
 Ela dava um sorrisinho sarcástico, que até me tirava do sério por alguns segundos, depois desviava o olhar e mudava de assunto, como quem queria deixar algo no ar.
 Sempre fui a “diferentona” da escola, não socializava muito com as pessoas e preferia ficar ali no meu mundinho, isolada e segura.
 
 Era um dia como outro qualquer, lembro-me que o ensino fundamental estava de passeio e finalmente era possível andar pelo pátio da escola sem correr o risco de ser derrubada pelos pivetes ou então de perder a paciência e acabar estrangulando algum deles. Os casaizinhos preferiam as escadas, outros iam para os banheiros, as meninas sentadas com suas revistas falavam de futilidades, os garotos por sua vez se apossavam das mesas e ali ficavam batendo cards. E eu, bem, eu não me sentia parte de nada disso ali, ficava mais confortável com meus fones e quem sabe algum livro que me despertasse interesse, o que não era algo muito difícil diante daquele bando de manés metidos a populares.
 – PFF, quem precisa disso?
 Na quele dia, algo me tirou a concentração, olhei de relance e vi um grupo que não pertencia ali, pareciam ser novos alunos.
 Observei-ps por alguns instantes. Um dos meninos era magrelo, tinha aparelho, cabelinho de “Justin”(na minha época era charme ok) e covinhas que eram um tanto quanto fofas. Hum? Algo me chamou atenção naquele garoto. Me pego pensativa por alguns segundos e me esqueço de todo o resto a minha volta, de repente desperto para a realidade e me deparo com o olhar fixo dele me encarando. Fiquei sem reação pela primeira vez na vida. Acho que devo ter feito cara de assustada ou ter ficado vermelha, ele abriu um sorriso metálico (de borrachinhas verdes, ou azuis)… e o que vou dizer pra vocês.
– Não é que minha mãe estava certa, o cupido me flechou, caramba, cupido idiota a culpa é toda sua. 
 Alguns dias se passaram e meu passa tempo ainda era os livros, mas confesso que de 15 minutos que duravam nossos intervalos, 8 deles eu passava o observando discretamente. Ele era do tipo popular mas nem se comparava aos outros, tinha um brilho diferente no olhar e sempre jogava um certo charminho, balançava os cabelos de Justin e dava aquele sorrisinho maroto. Tava ali o motivo do meu conflito. Eu continuava sem reação, no máximo arregalava os olhos, juro que tentava mas não sei explicar o que acontecia, eu perdia o controle de toda a situação e no momento em que ele me olhava, um calafrio eu sentia, ali eu finalmente comecei a entender o que a minha mãe queria me dizer com a frase “o cupido é cego”. E ele não é só cego, é surdo e mudo também, porque ele não avisa, não te prepara e quando acontece você mal sabe o que fazer. Eita cupido estúpido como eu fui deixar isso acontecer.
Continua…

I got you, não preciso de mais nada

Confesso, eu estive pensando em nós, sabe, na maneira como tudo flui quando nos tocamos, da energia que rola através dos lençóis. Em como teu sorriso abusado combina com o meu, que segundo tu, é o mais lindo que já viu. Sabe, esse feito que a gente causa junto eu não sei como explicar… química, física, astrologia, será que em alguma vida passada essa conexão existia?

A forma como tu sem jeito me diz que sente saudade e eu mal consigo acreditar que por trás dessa armadura tem um coração. E que coração, posso te confessar, tocar nele é a melhor sensação que eu pude experimentar.

“I got you, i got everything, i’ve got you, i don’t need nothing. More than you, i got everything, i’ve got you” como diz aquela música que toca no seu carro, eu não preciso de mais nada quando estou com você.  Então aperta o cinto e te prepara que “agente” junto faz loucuras, vamos de encontro um ao outro não importa o lugar do mundo, se nossos caminhos se desencontrarem numa das esquinas lá na frente a gente se encontra de novo, pega na mão um do outro e se joga nessa vida linda. Que inclusive, na tua companhia fica ainda mais linda.

E se rolar aquelas birras, culpa de câncer no mapa astral, maldito ascendente meu que quer bater nas suas emoções lunares, enfim, a gente se reinventa e se resolve mais uma vez. Quando o laço não é só um enfeite, ele estica, vai longe mas não arrebenta. E pode botar fé que os problemas passam, as dificuldades mudam, mas o sentimento, esse não acaba… a culpa? É das estrelas, da minha personalidade difícil, do teu jeito sarcástico, desse teu sorriso que me derrete mesmo depois de te odiar por alguns segundos. Tu sabes bem como me provocar.

Falando em provocar, já te disse o quanto tu me provocas? Aqueles beijos que provocam arrepios, aquele cafuné que me provoca uma baita sensação boa. E o que falar da companhia, se tem alguém que me deixa bem é você. Então fica aqui, não vai logo embora, porque a vida é curta meu bem, vamos aproveitar essa hora.

A versão que eu inventei

Leia ao som de LIFEHOUSE – Whatever It Take

 

Hoje a saudade resolveu bater na porta, como de costume, veio acompanhada da inconveniência, que nem se quer pediu licença antes de entrar. Ela bateu forte no peito e eu quase não resisti, mas já sabia que iria acontecer. Já havia me preparado e dessa vez não a deixei ficar, fui logo tratar de me resolver e mostrar a saída para que ela nem cogitasse a ideia de ficar.

Todas aquelas lembranças que as vezes insistem em vir átona eu organizei da melhor forma que pude, encontrei logo a caixinha perfeita e teu nome nela eu fiz questão de desenhar, só para lembrar de ter cuidado quando por acaso me vier esta vontade de te relembrar. Você foi realmente uma parte do meu céu, mas tão facilmente de um segundo ao outro me levou ao teu inferno e nem se quer pensou em me poupar.

Eu sou poeta, sou artista assim como tu, sensível até demais… poucos são aqueles que me compreendem e menos ainda aqueles que entendem a mensagem que quero passar. Mas aos poucos é que a gente ganha o mundo, é com dedicação que se faz alcançar, isso foi algumas coisas bonitas que contigo aprendi. Eu vou e sigo assim, feliz por ter esbarrado minha vida na tua.  Tudo que entendo e compreendi, hoje faz parte dessa história em que tu atua, nela fazes o melhor papel, porque teu lado ruim eu fiz questão de apagar. Hoje na caixinha eu carrego o teu melhor, aquele lado que eu um dia tive a ousadia de cativar.

Você bem sabe que tudo o que eu quero faço acontecer, quando quis te ter por perto, nada pode me impedir. Mas agora as lembranças que carrego, fazem parte de um passado distante, já não pertencem ao meu novo mundo, nem se quer do seu. Tu mesmo dizes que mudastes, e eu te digo, me apaixonei por um personagem teu.