Existem coisas que nunca mudam. A saudade de você é uma delas

Existem coisas que nunca mudam, não importa o tempo que passe. Não importa a força que se faça ou a quantidade de vezes que se tente.

Existem coisas que são imóveis, pesadas demais para alguém mexer, fortes demais para que se remova da memória e que carregam consigo um turbilhão de emoções que se confundem.

A mágoa, o ressentimento e a raiva até podem marcar ao ponto de não saírem, isso é bem verdade. Mas essas marcas vão perdendo a intensidade quando a gente nota que essas coisas só machucam quem sente.

O tempo vai passando e vai atenuando tudo de ruim que as histórias do passado deixam.
Tudo é passível de perdão, que é a melhor maquiagem para uma marca permanente.

Tudo, exceto saudade. Essa sim, é silenciosa e fatal. Ela é o legítimo exemplo de que quando não se pode vencer, a melhor solução é se juntar ao inimigo. Eu já fiz as pazes com a saudade há muito tempo.

Aprendi a curtir a saudade que ficou de tudo aquilo que nós vivemos lá atrás. Por que é verdade mesmo: sempre há algo de bom pra se relembrar, por mais difícil que tenha sido.

E foi assim que você se tornou a minha saudade preferida. Sim, eu me apego à ela na tua ausência. Na ânsia de te ter de novo pra mim, me envolvo num abraço apertado e posso sentir teu cheiro doce de perfume frutado.

Fiquei com o melhor de você em minhas memórias e isso ninguém pode tirar de mim, sabe? É, ainda dói um pouco. Não, não é masoquismo. É só saudade e um apego gigantesco à nossa história.

E assim eu vou tocando a vida sem você aqui. Abro o guarda roupa e me visto de saudade, como se fosse a Mônica escolhendo o mesmo vestido vermelho, saca? Acho que vai ser assim pra sempre: Eu me vestindo daquela boa e velha saudade surrada que eternizei nas lembranças da alma

É que tem coisas que nunca mudam, entende? E com a saudade não é diferente. Saudade boa faz um cafuné no coração da gente.

 

Diego Henrique & Paulinho Rahs

diego-henrique

paulinho rahs

Silêncio ensurdecedor

(Silêncio)

Ainda sinto
As dores do teu silêncio.

Acordo na madrugada
Sonhando ouvir sua voz,
Mas logo a razão me chama
E percebo o vazio que me cerca.

Para que tanto silêncio?
Por favor,
Devolva-nos as palavras.

Sem respostas,
Silencio também,
Enquanto tento entender
Como pode o nada
Fazer tanto estrago.

 

Dizem que o barulho, a depender do nível, pode estourar o tímpano e levar à surdez. Não discordo, contudo, acho que a verdadeira surdez é a que vem do silêncio. A surdez do barulho é física e apenas afeta um dos sentidos; já a surdez do silêncio é imaterial, ela destrói toda a alma.

Foi isso que o teu silêncio me causou. Ensurdeceste a minha alma. Confiei a ti livre acesso à fortaleza que construí ao redor do meu coração; mostrei-te coisas que nunca antes haviam passado pelos olhos de outras pessoas; e até mesmo o que eu não tinha, criei só para te dar.

Seria demais pedir em retorno uma palavra que fosse? Será que te custaria tanto conceder-me uma explicação? Talvez tenha sido demais para ti, talvez não tivesses nada para me dizer, talvez eu tenha esperado uma grandeza de alguém tão pequeno.

Ao que parece, nunca terei essas respostas. A única certeza que tenho é a de que, depois de ti, fiquei surdo ao afeto. Os ouvidos tudo ouvem, mas o coração já não mais acredita em nada.

É contra essa surdez que luto diariamente. Luto, diariamente, para que eu seja capaz de curar a esperança, para restaurar a fé nas pessoas e para que um dia eu recobre audição do coração.

Sem obter sucesso, vou aprendendo a conviver em paz com o meu pior inimigo, o teu silêncio.

Bateu saudade de nós dois

Bateu saudade de nós dois. Aquela saudadezinha boba, saca? Sabe aquela que vai chegando do nada, sem avisar, mas quando você se dá conta ela já tomou a casa inteira? Então. Foi mais ou menos assim e vou te contar como rolou.
Hoje resolvi revirar aquelas nossas fotos antigas que ficaram  guardadas no fundo da minha gaveta. Deu saudade, sabe? Saudade de um tempo em que olhávamos para a lente com a certeza de que a nossa história ia durar para sempre. E olhando as nossos fotos agora, uma a uma, eu percebo que estávamos certos: seremos eternos, mesmo que em forma de lembranças.

Aliás, por falar em lembranças, não seremos eternos apenas pelo que passou, mas também pelo muito que ficou depois que cada um seguiu o seu destino. Ainda há muito de mim em você, muito de você aqui comigo, e muito de nós entre essa saudade que nos separa.

Se-pa-ra-ção. Nos filmes é tudo muito mais fácil, né? Vai cada um prum lado e segue o jogo. Eu confesso que tentei ser assim, mas não tá rolando, morena. Não tá, porque eu não sei fingir que não sinto. Não sei lidar com a falta de contato, de notícias. Sem a falta do teu bom dia. E nem vou entrar no mérito do sexo, porque aí seria covardia. Puta que pariu, que falta faz você do meu lado na cama. Em baixo de mim também. Por cima inclusive. Que falta que faz você, morena.
Voltei a olhar as nossas fotos e percebi que, em uma delas, você vestia a mesma camisa que eu ainda uso. Foi então que eu comecei a pensar em todas as coisas que não tinham dono quando éramos um só.
Tinha o nosso banheiro, que você me provocava e dizia que era só teu – e praticamente era – com todos aqueles cremes e shampoos e afins. Eu tinha um cantinho pro meu barbeador,  pra minha escova de dentes e olhe lá. Agora eu tenho uma bancada inteira e vazia só pra mim, pra combinar com o vazio que você deixou.
A história se repetia com o guarda-roupas. E aqui eu falo do móvel e das peças dentro dele. Três partições pra você e uma pra mim. Parece até aquele episódio do pica-pau, que o lobo divide a comida com ele sabe? “Dois pra você e um, dois pra mim”. Minhas camisas? Tu adorava fazer de vestido e ficava sexy pra caralho com elas. Vou te contar um segredo: eu já comprava elas pensando em como você iria usar…
Guardei as fotos no envelope, coloquei em baixo de algumas camisetas, no fundo da terceira gaveta e torci por um sinal teu enquanto una lágrima teimosa escorria.
É que bateu saudade de nós dois. Aquela saudadezinha boba, saca?

Vim dizer que te amo

Chovia torrencialmente naquela tarde e não era apenas do céu que a água caía com força. Um temporal escorria dos meus olhos e inundava um peito destroçado. A notícia da sua partida havia partido o que restava inteiro por aqui. O Caio, seu melhor amigo, me disse que você embarca hoje para Londres. Londres é longe demais e você não podia ir embora assim, para o outro lado do planeta, sem conhecer a imensidão dos meus sentimentos. Eu precisava olhar para você para lhe dizer tudo que vivia aqui dentro.

Eu sei, eu lhe disse “não” quando você bateu na porta da minha vida, mas eu estava confusa demais para te deixar entrar e por isso te mandei embora. Eu já te amava, mas fui covarde para assumir um sentimento desse tamanho. Pouco tempo depois outra te disse “sim” e um imenso sorriso lhe brotou nos lábios. E ali, naquele sorriso, eu percebi, tarde demais, que você era o que eu tinha de mais precioso. Entendi que a confusão só fazia sentido porque você sempre esteve presente. Inocente, eu acreditava numa espera utópica que não fazia sentido nenhum. Covarde, resolvi me calar e assisti você ser feliz sem mim.

Durante todos esses anos, ensaiei minha declaração de amor, preparei um discurso, planejei a conquista, escrevi cartas, ameacei ligações, mas estava assustada demais para colocar qualquer coisa em prática. Desisti de tentar. Eu já tinha desperdiçado a minha oportunidade. A culpa era só minha. Eu não tinha o direito de despejar em você todos os meus arrependimentos. Escolhi esperar, esperar você estar liberto para assim lhe entregar meu amor num embrulho bonito. Esperar. Esperar. Não havia mais tempo. Você partiria sem data de retorno e eu não suportava a ideia de viver sem lhe dizer que o seu amor floresceu dentro de mim.

Entrei no carro, enxuguei as lágrimas, respirei fundo e acelerei. Os radares não me impediram, o farol vermelho não me fez frear e eu larguei o volante assim que parei na porta do aeroporto. Eu corri. Corri o mais rápido que minhas pernas permitiram e busquei o Portão 3 com olhos secos e focados. Gritei seu nome, tropecei em malas alheias, busquei informações e encontrei o portão no exato instante em que seu avião levantava voo. De novo, tarde demais.

Outro temporal inundou meu peito e, no chão daquele aeroporto, entendi tudo. Eu não podia mais esperar. EU TE AMO. Te amo e preciso lhe dizer isso para desatar os nós que vem sufocando minha vida. Eu quero você com todo o meu viver, de uma maneira que você não faz ideia. O que sinto por você é lindo, intenso e forte o suficiente para me fazer deixar tudo para trás. Venho aqui para lhe entregar o que tenho de mais precioso: Meu amor por você. Venho cultivando tudo isso por anos e sei que essa é a hora de colocar para fora. Não sei qual será o resultado desse meu desatino, mas ele se faz necessário. Não importa se você vai correr para os meus braços ou para um Pub inglês. Não posso mais sufocar algo dessa importância. Esse amor não é só meu, também é seu. É justo que você tome posse.

Voltei para casa, fiz as malas, peguei o passaporte e entrei no avião cheia de coragem. Desembarquei em Londres numa noite quente e, com seu endereço no bolso, aluguei um carro. Dirigi por essa cidade estranha e mágica e parei na porta do seu novo apartamento. A luz da sua janela está acesa e já consigo imaginar a sua cara irritada por ter que desfazer as malas. Vou deixar essa carta e uma London Pride na sua porta. Beba a cerveja, leia com calma e, se ainda restar algum amor por mim aí dentro, me encontre no Starbucks da Nothing Hill Gate. Espero que não seja tarde demais.

Me visto de saudade todas as manhãs

Não me surpreendo mais cada manhã que acordo com tua imagem dançando fresca em minha mente, tem sido todo dia assim. Sempre sonho contigo, ainda que sonhe bobo. Vê, por mais que seja bobo, nunca deixa de ser bom, ainda que você fique, por vezes, escondido nas dobrinhas, nas esquinas, nas estrelas. Há um punhado de você em meu sonho: você-você, você escondido nos detalhes, você sorrindo com os olhos, você dançando, você brincando, você acarinhando, você sendo você mesmo e um você fugido, mas sempre ali. E ainda que acorde sozinha, eu acordo sorriso, pela tua imagem tão fácil nadando na superfície dos meus olhos cheios de preguiça. Manhãs depois de abraços — reais, e não sonhados — sou capaz de sentir o teu cheiro na minha roupa e me esqueço uns segundos nesse teu aroma de menino-homem. E arrepio inteira, sabendo que cada pelo eriçado é fruto da lembrança do toque tardio, do toque passado. Me visto de saudades todas as manhãs e, por mais que me negue o fato, anseio e ensaio, dia inteiro, por te ver, por te sentir, por te tocar, ainda que só troca de olhares. Você me invade, eu me visto inteira tua e passa. E sonho.

Recomeça.

Tenho vivido de saudades

Eu tenho vivido do passado. Dias e noites lembrando do que fomos. Eu tenho vivido de cruzar com seu perfume no ônibus e de desejar que fosse você ali. Tenho vivido da sua falta, de gostar de você muito mais do que eu deveria.

Eu tenho vivido de fechar os olhos e de lhe encontrar fuçando o meu pescoço, de sentir tuas mãos em meu corpo e sua boca me tirando o ar e o fôlego. Tenho vivido de abrir os olhos e sentir as lágrimas escorrerem, de ainda ouvir o eco da sua voz, agora tão distante.

Tenho vivido de saudades de ti e da vontade de te encontrar. Não espero que entenda quando você parece não sentir o mesmo, mas espero que acredite que tudo o que eu queria era mais de nós e menos dessa falta de você.

Tudo o que eu pedi era demais para ti, ninguém é obrigado a satisfazer o desejo do outro, e é por isso que eu tive que seguir em frente.

Foi difícil dar o último abraço e me despedir de você naquele aeroporto, foi difícil não conseguir enxergar nenhuma outra saída que pudesse lhe trazer de volta, nenhuma alternativa que não a de lhe deixar ir e torcer para que o mesmo destino que nos apresentou possa fazer a gente um dia se reencontrar.

A vontade aqui dentro ainda é de matar as saudades nos teus braços, de ter um tempo melhor para que essa história seja mais sobre nós e menos sobre como eu e você nos desencontramos. Tenho vivido da saudades do que foi bom e de ser grata só por isso ter acontecido.

Me afogo na saudade

Aonde foi parar “nós dois”? aonde estão aqueles sorrisos sinceros, abraços gostosos, aquela cumplicidade transmitida no olhar? Onde foi que tudo isso se perdeu?

Eu bem que tentei te avisar, as coisas já estavam saindo do nosso controle, o medo de encarar tudo e ficarmos juntos foi mais forte do que nós. – Não deveria ser.
Olha eu aqui de novo te escrevendo, lembrando do que se foi, falando sobre nós. Mesmo eu me fazendo de durona sempre perco a pose quando o assunto é você. Sei que tu também deita no travesseiro a noite e ainda lembra da gente, mesmo que tu negues até a morte ter se apaixonado, suas palavras não significam nem 1/3 do que vivemos naqueles poucos meses. As vezes que as recaídas nos levam a procurar um ao outro mostra que algo faz falta nisso tudo. A camiseta que te dei ainda faz parte do teu cenário, e mesmo que tu quiseste joga-la fora no inicio de nossas brigas, jamais houve coragem em ti para se desfazer de algo que tinha carinho meu envolvido.
E sim, eu ainda recebo as notificações mesmo não querendo saber, ainda vejo que você se importa e que tenta, por entrelinhas, deixar suas mensagens de saudade. Podes até ter esse jeito “desinteressado” de dizer que não ta mais nem ai, mas eu conheço teu interior tão bem que sei que tudo isso é só uma armadura que tu usa para mascarar o que sente. Tens receio de se envolver porque pensa que eu poderia te ferir mais do que a vida já feriu. – Sempre foi meu medo também.

Essa saudade dói demais e chega a sufocar quando lembro do teu sorriso que poucas vezes se mostra, mas que quando estava junto a mim era inevitável. Eu sempre soube que tu rendias-te aos meus carinhos mesmo querendo dar uma de desapegado. Eu sabia o quanto estar ali fazia bem pra você, como fazia para mim. E eu quis. Eu quis te ter, estar ao teu lado, quis te abraçar, te beijar e sentir o calor de quando encostávamos. – Dávamos choque.
Você, provavelmente diria que era pelo clima ou então que eu estava louca, só pra me contrariar e tirar minha tentativa de ser “romântica”.
Afinal, você sempre foi mais intenso do que a mim, mesmo tu escondendo isso das pessoas, eu sei o quanto é quente o sague que corre nas tuas veias. Eu podia ver no teu olhar e sentia no teu toque o quanto nos desejávamos.

Mas a gente conseguiu estragar tudo. Nem se quer tentamos mudar o percurso. Nos fechamos um para o outro e nos afastamos várias vezes, mesmo que nunca por completo. E quando pensamos estar livres dessa confusão, dali a pouco, a vida esta nos esbarrando novamente – Ela nunca nos afastou  de vez.
Hoje eu aqui, você ai, dois bobos com medo de se entregar, eu engulo o choro e me afogo nessa saudade que continua a me maltratar.