E assim todo dia era primavera

Ele acorda, dava – lhe um beijo na testa, “Bom dia minha linda”. E ia para a cozinha. Cheiro de café quentinho invadia a casa e entrava em suas narinas.

Ela se espreguiçavatoda na cama, olhava para o lado e sorria. As flores estavam balançando no jardim, ele já havia afastado as cortinas para o lado, sabia que ela gostava da claridade invadindo o quarto de manhã.

Seguia para a cozinha e lhe abraçava, dava – lhe um beijo, agora já com hálito de hortelã. “Bom dia meu amor”. A mesa estava pronta, café quente, leite morno, pães e a presença dos dois.

Captura de Tela 2016-03-18 às 23.14.38

Conversavam e riam. Assuntos sérios talvez, conversas bobas demais e um enorme sorriso no rosto. Ela cortava o pão inteiramente ao meio, sabia que era assim que ele gostava, já fazia centenas de dias que repetia esse gesto.

Se separavam pra trabalhar. Uma jornada diária de 8 horas de trabalho e saudades. Um ‘Oi’ na hora do almoço e um ‘Que o dia passe logo’.

Mas á tarde. Ah, a tarde.. Ela vinha radiante ao seu encontro. Um beijo demorado, abraço apertado e um brilho no olhar. Tomavam banho e se esticavam juntos no sofá. Mais conversas, mais risos tirados e sorrisos compartilhados.

O jantar era banquete, com fartura de amor. De sobremesa carinhos. Olhos nos olhos e vinho. Como desculpa a primavera se tornava inverno. Gostavam de dormir agarradinhos. E assim todos os dias se tornavam primavera.

josias

Libere o turbante

Já inicio o texto me desculpando por dar pitaco em um assunto do qual eu não tenho amplo conhecimento. A internet é uma ferramenta fantástica e, ao mesmo tempo, um tanto quanto perigosa, o perigo costuma estar nas redes sociais, todo mundo quer contar algo e todo mundo quer opinar, mas nem sempre isso é oportuno e, confesso, não sei se se estou sendo oportuna, mas esse texto (http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/20/opinion/1487597060_574691.html?id_externo_rsoc=FB_CC) me motivou a falar sobre o assunto.

Entendo o que a cor negra na pele muda na vida de alguém, entendo que nasci com privilégios apenas por carregar na pele a cor branca, mas sabe o que eu também entendo? Entendo que o brasileiro é fruto de uma miscigenação. Um exemplo bem claro disso é o fato de eu ter nascido branca e minha irmã ser negra, ter pai branco e mãe negra, avô branco e avó negra, isso muda a nossa perspectiva. Eu também entendo que estamos lutando contra o racismo.

Tenho uma prima linda e negra, sua mãe faz turbantes para ela. Tenho primas lindas e brancas, moram logo embaixo, viram o turbante, queriam um também e tiveram. Imagine se eu tivesse que explicar para elas que elas não deveriam usá-lo?

Os negros não lutam pela superioridade de uma raça, assim como o feminismo não luta pela superioridade das mulheres. Não, eles lutam por igualdade. Igualdade na seleção para o emprego, nos salários, no tratamento, enfim, em tudo.

Eu consigo entender que o passado na senzala tem efeito direto e suas consequências estão nos índices de presidiários, analfabetos e pessoas de baixa renda em sua maioria negra, mas aqui lhes escreve uma branca que nasceu na favela. Aqui lhes escreve uma branca de cabelo crespo. Aqui lhes escreve uma branca de mãe negra. O meu passado também está na senzala e acredito ser muito difícil, se não impossível, encontrar alguém no Brasil que não tenha tido um negro na sua árvore genealógica.

Captura de Tela 2016-03-18 às 23.14.38

Cultura negra ou cultura africana? O texto mesmo explica que vieram negros de diversos locais da África, lá existem diversos povos, tribos e nacionalidades – já que estamos falando de um continente – e até hoje existem guerras por diferenças culturais por lá (veja o filme “Hotel Ruanda”). Infelizmente, a identidade dos negros trazidos para serem escravos no Brasil em muito se perdeu na história e isso foi feito de propósito, é difícil regatar essas raízes. Aqui viraram apenas negros, se resumiram a única coisa que carregavam de semelhante: a cor. Então não se sabe a origem de cada um, apenas sabemos que eram negros e africanos.

No meio disso, tem o turbante. Podemos citar muitas outras coisas que vieram desse contexto: a capoeira, algumas religiões, o berimbau, etc. Estamos falando de apropriação cultural e temos o contexto de negros escravizados por brancos no Brasil. Para lutar contra a cultura racista, todos eles têm se unido para mostrar que têm orgulho da própria cultura e ainda sofrem pela discriminação. Na Bahia, o Olodum brilha no carnaval e traz consigo muitos desses símbolos, esse é só um exemplo.

Mas, afinal de contas, o que é ser negro? É só a cor da pele? O cabelo também conta? E o nariz um pouco mais largo? Ou a boca um pouco mais carnuda? Acho que todos nós carregamos algum traço dessa história e temos que nos orgulhar disso.

Eu não tenho a pele negra, mas sinto que a carrego, carrego no meu cabelo crespo, por exemplo. Olhar para mim e ver uma branca é só um olhar superficial, ao meu ver. Hoje a química os matem lisos, mas já ouvi ofensas quando os deixava naturais e nesse momento me lembrei que era negra também. Vejo que fiz errado em alisa-los, me submeti a padrões colocados pela mídia e não me orgulho. Mas, claro e obvio, isso em nada se compara a ter a pele negra. Em uma das visitas a meus parentes, meu primo me confessou no carro o quanto era ruim ser negro e ser parado o tempo todo para ser revistado por policiais e eu percebi o quanto era privilegiada por ter a pele branca.

Quando falamos do contexto histórico das senzalas, você perceberá que eu não passaria de uma escrava Isaura naquela época, mas estamos no século XXI, não sou considerada uma bastarda e sou branca. Então temos a polemica do turbante. Temos uma branca enfrentando bravamente o câncer e usando um turbante e por isso sendo mal encarada, segundo ela, por mulheres negras. Temos uma apropriação cultural e um debate por trás disso.

Quando uma branca usa o turbante, ele pode perder seu valor como símbolo de identidade negra e de protesto contra o racismo. Entendo que não queiram que ele vire só um apetrecho da moda, mas quando minha prima pediu o turbante, ela não perguntou se deveria usá-lo, ela achou bonito ver a prima com ele e quis um.

Quando eu uso um símbolo de outra cultura é muito provável que eu não saiba o seu significado, mas quem o conhece com certeza irá identificar. O erro não está em uma mulher branca usar um turbante e achar bonito, errado é alguém olhar o negro usá-lo e achar feio por ser um negro uasando. Se este é um dos símbolos da cultura negra, os vídeos não deveriam pedir para que brancos não usem um turbante, mas, sim, para que usem e se lembrem que este é um símbolo usado por africanos que foram escravizados no Brasil, símbolo que quer mostrar resistência ao preconceito. Então o branco não deve usá-lo como homenagem, mas como alguém que também é fruto dessa história e que deve participar ativamente do movimento que pretende acabar com o racismo no Brasil e no mundo.

Ninguém se pergunta se deve tocar um berimbau ou aprender capoeira. Ninguém se questiona se pode ouvir axé ou ir à um centro de umbanda. As culturas se misturam, ainda mais aqui no Brasil. Se eu usar um turbante, não será para homenagear a cultura negra ou para afronta-los, será porque eu achei bonito, porque um apetrecho criado por negros pode ser tão bonito quanto um criado por brancos, eu simplesmente não saberia a diferença, não estamos aqui para cria-la, certo? Usar um turbante não agride ninguém ao contrário de ser encarado por acharem que um branco não pode usar.

Quando meu cabelo era natural, ele vivia trançado. Minha cabeça doía de tanto que puxavam os fios para não ficarem armados. Isso, ao meu ver, era uma forma de “neutralizar” meus crespos. Eu não gostava, mas aquilo me era imposto para ficar “bonito”. Eu sinto um orgulho enorme todas as vezes que vejo cabelos crespos livres. Tranças para mim eram só uma forma de “neutralizar” meu lado negro enquanto que para os negros é só mais um símbolo da cultura. O racismo está nos olhos de quem o pratica e coloca diferenças.

Que tal pararmos de criar diferenças? Essas regras de se poderia ou deveria usar algo? Que tal deixarmos toda a palheta de cor para as pessoas acima do peso, o turbante para brancas e saia para homens? Não vamos olhar torto, o nosso objetivo deveria ser o de diminuir barreiras e respeitar, de se igualar como ser humano porque somos todos iguais.

thamires-alves

Até onde vale a pena correr atrás de um amor?

 

Até onde vale a pena correr atrás de um amor?
Até onde é possível traçarmos planos pra que a pessoa amada nos enxergue como gostaríamos?
Qual seria o momento exato de olharmos pra nós mesmos e dizermos que ela ou ele está em outra e nada mais podemos fazer?
Às vezes temos a impressão de que a outra pessoa pode se apaixonar por nós apenas pelos dois gostarem das mesmas bandas ou dos mesmos filmes, das mesmas festas ou dos mesmos potes de sorvete.
Tentamos manter a pessoa amada perto de nós perdendo noites buscando descobrir seus gostos pelo facebook, pelo Instagram ou por qualquer indireta fantasiosa que recebamos. Imaginamos que um sorriso educado pode ser uma deixa pra um convite ao cinema no sábado, que um abraço carinhoso pode ser algo muito perto de uma declaração de amor à la “dez coisas que eu odeio em você”.
Ora, é nítido que o amor é um dos sentimentos mais bonitos que podemos ter, que estar apaixonado significa enxergar o mundo de uma forma mais bonita, coisa e tal. Mas a verdade é uma só. O amor é difícil.
Sim, é difícil, Difícil pra cacete. Já imaginou se todos as paixões fossem recíprocas? Claro que haveria suas vantagens, mas sei lá, talvez vivêssemos algo perto de uma monotonia amorosa, onde o amor seria tão simples que perderia sua essência.
Captura de Tela 2016-03-18 às 23.14.38
Por vezes é normal acharmos, instintivamente, que as coisas podem ser assim. Então pensamos: “Nós dois gostamos de sushi, de Arctic Monkeys, preferimos barzinhos a baladas e nunca fomos ao Cristo Redentor apesar de moramos no Rio de Janeiro. Se isso não é a verdadeira definição de ‘almas gêmeas’, o que mais seria?”
E assim nos enganamos. E feio.
O amor não precisa ser igual. Mais: o amor quase nunca é igual.
É complicado admitir, mas é preciso. A pessoa não quer. É exatamente isso. Ela simplesmente não quer. Quem quer, meu amigo, dá um jeito. Não inventa que trabalhou até tarde ou que não curte beber dia de semana. Não diz que vocês estão longe demais quando apenas um bairro os separa. Não inventa que precisa levar o gato ao veterinário exatamente na hora da sessão de cinema.
Quem quer de verdade pega dois ônibus a uma da manhã, vai  a show de rock quando preferiria um barzinho e um violão, assiste a filmes de terror quando na verdade morre de medo de filmes desse gênero. E ainda tem até uma boa desculpa pra assistirem abraçados.
E no fim das contas, acredite. Os dois se completam mais do que meros gostos em comum. Muito mais.
 A questão é que se permitir a esse sentimento é uma virtude, depositar em alguém seus sentimentos mais verdadeiros é buscar também a sua felicidade, mas nem sempre as coisas andarão como desejamos. Nem sempre haverá a tão bonita e buscada reciprocidade, e isso é mais comum do que imaginamos.
O segredo é admitir que ainda não é essa a pessoa que dará um sentido novo na sua vida, e isso não é uma coisa ruim, afinal o amor precisa ser, antes de tudo, verdadeiro. Nessas horas o tempo é o melhor remédio,  tratará de cicatrizar possíveis feridas e, mais cedo ou mais tarde, cruzar seus rumos com alguém que curta macarronadas ou frutos do mar, praia ou cachoeira, canções líricas ou rocks pesados, não importa, afinal tudo soara de forma bonita pra vocês.
 brunno-leal

Não se mate em vida, a morte já é certa

Conversando com uma amiga, em uma dessas conversas loucas, mas que fazem todo o sentido, falávamos de como a vida é curta para deixarmos de falar o que sentimos, guardar mágoas, prendermo-nos a pessoas que em nada nos acrescentam e, o que norteia o meu texto de hoje, falávamos em como a vida é curta demais para a gente viver em prol do trabalho, estudo, dinheiro (…)

Sim, é obvio que todos nós temos objetivos de vida. Uns querem comprar aquele carro tão sonhado, outros a casa própria, muitos sonham em ter o seu diploma de nível superior, tantos outros querem trocar a tevê, o som, a moto, o celular (…). São muitos os objetivos a serem alcançados a curto e longo prazo. Somos humanos, é normal e necessário (talvez) que tenhamos alguma conquista material em vista. Mas eu não concordo com a forma como muitas pessoas andam fazendo.

A vida não é fácil, nunca foi e nunca me disseram que seria. Todo mundo tem problema de todo tipo. Todas as pessoas que você vê na rua, mesmo aquelas que carregam um sorriso de ponta a ponta no rosto, tem, como diria os mais velhos, uma cruz a ser carregada. Mas isso não quer dizer que tenhamos que fazer o percurso ser sempre tão doloroso e impossível de qualquer bem-estar, prazer, leveza.

Conheço pessoas que nunca tem tempo para nada, absolutamente nada. Não relaxam, não descansam. Pessoas que vivem para o trabalho, de segunda a segunda, quando não é no próprio local, levam os deveres para casa e desconhecem um dia de leveza, de mente em paz, de estar somente preocupada em qual será o programa divertido a se fazer com a família, namorado (a), amigos. Conheço gente que pega inúmeras disciplinas a mais na faculdade e ficam sem tempo até para respirar (fazendo uso da hipérbole), viram madrugadas e mais madrugadas somente preocupado em conseguir a aprovação e adiam uma saída com os amigos, privam-se de passar um dia todinho assistindo a filmes, afinal, o sentimento de culpa irá dominar. Conheço pessoas que estão focadas somente em juntar dinheiro para tal coisa e por isso deixam de fazer inúmeras outras no presente, mesmo sabendo que o dia de amanhã é a maior incerteza que temos.

Captura de Tela 2016-03-18 às 23.14.38

Não, eu não critico quem busca realizar seus sonhos, seus desejos. Mas a vida já é dura demais para a gente enrijecer mais ainda. O estresse, as doenças psicossomáticas, a depressão, entre outros, estão aí para nos mostrar o quanto precisamos respirar mais calmamente. O quanto precisamos de mais leveza e tranquilidade nos nossos dias.

Não se mate de trabalhar ou de estudar, não se mate de preocupações ou paranoias, não mate seu emocional, seu bem-estar, seu espirito. Viva mais o bom. Sinta mais o que há de melhor. Queira mais ter as pessoas que ama por perto. Tenha tempo para você. Tenha tempo para ser feliz. Todos nós queremos alcançar algo, mas não faça esse algo dominar você por completo. O amanhã é incerto, nunca, jamais, esqueça-se disso. Um dia tudo isso vai acabar e não levaremos, literalmente, nada dessa vida. Até o nosso próprio corpo um dia se resumirá a nada. A morte já é certa demais para a gente duvidar que merecemos viver da melhor forma possível essa vida. Por favor, viva!

ana-luiza

Todo canto tem um pouco de ti

Eu ando indo pra cada lugar inusitado, shows de bandas que não me agradam, bares caros, lugares que nunca pensei em pisar, só no intuito da gente se esbarrar. Locais que, pra ser sincero, você nem deva ir, mas vou, ainda assim, na esperança de que você também esteja lá querendo me encontrar, numa tentativa irracional parecida com a minha e que só passe a fazer sentido com a gente se achando.

Eu sei que esse sentimento já deveria ter passado, mas saudade não tem hora e eu voltei a pensar em você agora. Conselhos de pessoas próximas têm pouca importância em momentos assim. Não precisou de música, filme ou nada que você tenha me indicado. Eu pensei em você por pensar, sem nenhum motivo. Enquanto vagava em pensamentos soltos, enquanto via as pessoas passarem sozinhas na rua, enquanto me vi sozinho, sentado no banco dessa praça, em frente ao carrinho de pipoca que o vendedor entrega o troco a uma moça.

Captura de Tela 2016-03-18 às 23.14.38

Vai ver tem lá uma razão, quem saiba uma psicanálise de botequim de um sujeito que tem muito tempo disponível pensando consigo mesmo – uma tarde inteira, pra ser mais exato – decifre que eu queria que aquela moça fosse você. Queria que pegasse seu troco e viesse ao meu encontro, que dividíssemos a pipoca e com as sobras enchêssemos a barriga dos pombos que ciscam a nossa volta.

Entretanto, quando aquela mulher virar, deixando finalmente de me dar as costas, quando seus cabelos não mais esconderem seu rosto, eu vou descobrir que ela não vai ser você. Ou vai? Se for você, senta comigo, vai. O vestido é igual a um seu… até quando eu te verei em estranhos? Por todo canto, em olhares rápidos e descompromissados, confundo você com desconhecidos. Nunca é, ela também não é.

Quando o amor consegue enfeitiçar a razão, é preciso encontrar um bom motivo pra não continuarmos juntos. Algum defeito bobo que justifique a tentativa de esquecer. Ainda que cético, me daria por convencido se houvesse algum sinal vindo de qualquer explicação mística. Bastaria que alguma dessas forças do universo respondesse. Olho pra cima, como um descrente aguardando uma resposta divina. Eis que, então, eu posso sentir algo cair sobre minha camisa, algo que vem desse tal além incompreensível. Merda, quem foi o maldito casal que deu comida aos pombos?!

caio-lima

Que se abra as paletas de cores e se colora a vida durante o Carnaval

O carnaval é verde, amarelo e azul… Negro, mulato, pardo, branco, amarelo e moreno. O carnaval tem a cor do pecado, do sorriso e da mistura. Ele tem gosto de cerveja misturada com limão e cachaça, tem também um cheiro… Cheiro de gente, de suor e de diversidade. É um grito forte de liberdade, um esconde-esconde do amor, um pega-pega com o novo e, depois, um abraço forte com a saudade… Seja na avenida ou na rua, seja nos blocos ou no sambódromo, de abadá ou caracterizado, o carnaval é tempo de folia, é tempo de transbordar a alegria e esquecer os problemas por alguns dias.

Ah! Histórias de carnaval… Talvez essa seja a melhor época para observar amores e amizades. Você vê estranhos sorrindo juntos e celebrando a fantasia de poder ser quem quiser. Alguns casais não resistem e se perdem em meio aos amores de verão, alguns se formam ali em frente aos nossos olhos, eram apenas sorrisos solitários que até então torciam para se encontrar.

Captura de Tela 2016-03-18 às 23.14.38

Eu diria que essa folia também é tempo de reencontro, é um momento de perceber que o mundo é mesmo um ovo e o Brasil é só um ponto pequeno, mas cheio de possibilidades… No meio da multidão se destaca o amigo de infância que não víamos há 20 anos ou um rolo de uns 5 anos atrás que deixou um gosto de quero mais. Às vezes o Carnaval é uma segunda chance ou é a primeira para quem estava perdendo tempo com a pessoa errada. É um tiro no escuro, uma explosão de novidades e surpresas e, no meio do caldeirão, nós transbordamos o copo que até então estava meio cheio, meio vazio…

Mesmo que esse seja só um momento de folga, de se encontrar no sofá com um livro ou maratonando na Netflix, talvez também de encontrar o tempo para si que faltava na agenda apertada ou de encontrar a família e os amigos com um copo na mão, a verdade é que o carnaval é a desculpa perfeita para ser feliz sem qualquer motivo, é o momento de dar aquele último suspiro para embarcar de vez no ano e nos sentirmos renovados.

Crescer requer atenção ao trabalho, carreira, profissão, responsabilidades e compromissos, nos exigimos mais e perdemos o gosto pelas brincadeiras, então chega essa festa e a gente encontra um motivo para nos desprender por um momento de todo esse peso. Quando criança, o carnaval se fazia todos os dias na rua entre a amarelinha e o rouba bandeira, agora é necessário relembrar.

Quem nunca teve uma história de carnaval que atire a roupa e vá logo se fantasiar… Entre os risos da folia e os olhares estranhos, espero do fundo do coração que a gente possa se reencontrar com nossa essência e tiremos a marcara que usamos nos dias amargos para celebrar a vida.

thamires-alves

Ela queria…

Ela queria um amor para chamar de seu. Mas também queria um que fosse livre, e não desses amores doentios de novelas. Ela queria um amor para curtir. Queria rir e dançar juntinho, corpo colado, face a face. Mas queria também dançar até descer no chão e os saltos dizerem “chega por hoje”.

Ela queria filmes, tempo frio, um calor humano e chocolates. Mas tinha vezes que ela queria também a agitação, saber dos amigos, cerveja, queria se embebedar. E se fosse preciso queria não ser carregada, queria se mostrar forte. Mas desejava também alguém que, a cobrisse se estivesse frio, um abraço acolhedor e um beijo na testa de boa noite. Outras vezes queria sexo também oras, desejo e sedução fazem parte de uma mente sã.

Captura de Tela 2016-03-18 às 23.14.38

Ela queria viver, viver feliz, viver de amor, viver até extravasar toda a energia que lhe foi dada desde que nasceu, pois sabia que desse mundo só levaria os sorrisos que recebeu. Ela queria também se emocionar, sentir tudo o que fosse possível. Queria plantar uma árvore, adotar animais, ajudar pessoas. Ela queria mudar o mundo, e sabia que se recebesse um obrigado sincero estaria no caminho certo.

Ela queria ser forte, queria ser amor. Queria ser ciumenta na dose certa, e não taxada de louca. Queria ser mimada e mimar. Queria alguém pra compartilhar tudo isso. Queria ver as flores crescerem na mansidão dos braços de alguém. Queria alguém que a visse com os olhos cheio de admiração, pois ela transbordava a alegria que vinha de dentro dela.

josias