Às vezes não fazer nada também é tomar uma decisão

Seus olhos encontram os meus. Me acho e me perco, antes mesmo de um piscar. Fico em dúvida sobre o que pode ser… é inexplicável, é  surpreendente, é novo!  Algo que eu não sentia há tanto tempo, ou quiçá já senti antes, mas não sei se devo pensar, se devo esperar, se devo agir ou se devo fugir.

A fuga me parece o caminho mais fácil, mais certo, mais seguro. Eu sempre gostei da segurança, só de pensar em seguir um caminho sem saber qual a estrada seguir eu já me sinto ansiosa e um pouco perdida. Mas fugir poderia me privar de viver coisas que sempre sonhei e nessa indecisão, nessa incerteza de ação, nesse medo de tentar eu escolho não fazer nada, permanecer na inércia de apenas esperar.

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Espera pelo o que ainda não sei. De mim? De você? De nós dois? Ou de ninguém? Não sei, e continuo sem saber, sem buscar uma resposta, sem fazer perguntas. Apenas questionando o meu interior, mas falando baixinho, com medo de ouvir a resposta e não ter mais como evitar. Desse modo decido apenas observar.

Observo, sim apenas observo o que está ao meu redor. Fico na espera de ter uma resposta, de você ser a resposta para todas as minhas dúvidas, de você ser o ponto final para todas as vírgulas que eu coloquei em minha caminhada.

Eu tento agir, mas é como se algo me prendesse, talvez o passado, já que ele adora assombrar o futuro. Talvez o medo de repetir os erros que deveriam ser esquecidos, talvez, talvez. Muitas são as dúvidas e as possibilidades das ações que eu poderia ter executado.

Na incerteza do que é certo, do que é necessário e do que é real, vou esperando por notícias e respostas que não vou procurar, pois vou deixar que elas me encontrem, e quando esse dia chegar espero estar preparada para recebê-las sendo elas boas ou ruins, de alegrias ou de tristezas, de amores ou desamores. Pois no fim, acaba que essa é a minha escolha, não sei qual serão as consequências, mas sei que eu merecerei o que estiver por vir. Descobri que esse não é o meu momento de correr, nem de andar, mas sim de descansar. E talvez você esteja muito a frente de mim, não posso pedir que me espere. Mas quem sabe quando eu voltar a minha jornada eu te alcance outra vez, no momento eu apenas irei usufruir do privilégio de permanecer sem saber o que fazer.

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Sobre rotina, vida e sobrevivência

Era um dia como qualquer outro, ele fez as mesmas coisas, do mesmo jeito e no mesmo horário. Café, academia, trabalho, supermercado, casa, séries, cama. Porém, naquela noite ficou pensando em como sua vida tinha se tornado uma rotina sem surpresas. Ele tinha consciência de que era sua, e somente sua, culpa isso estar acontecendo. Afinal, sempre fazia os mesmos trajetos, não gostava de mudar seus horários, e ficava muito bravo quando seus planos tinham que ser mudados em cima da hora, afinal já tinha se programado com antecedência.

Mas esse dia foi diferente, ele já havia passado da “sua hora” de dormir, e mesmo assim não tinha sono. Sabia que se não dormisse bem, no outro dia estaria cansado no trabalho, mas mesmo assim não conseguia parar de pensar que precisava fazer algo para mudar a sua vida.

Ele precisava começar a viver e parar de apenas sobreviver.

Então naquela quarta-feira, sim no meio da semana, ele resolveu que não iria para casa, que não iria assistir sua série de quarta, mesmo sabendo que receberia milhões de spoilers quando entrasse no twitter. Mesmo assim arriscou, decidiu tomar um chopp, mas um amigo fez uma proposta melhor “vamos pra balada”. O “ele” de ontem nunca se permitiria ir ao uma balada no meio da semana, mas o “ele” de hoje decidiu que iria.

Entre algumas (muitas) cervejas, caipirinhas, conversas e música boa, eis que ele decide ir embora, pois precisava de um pouco de sono para aguentar estar bem na manhã seguinte. Enquanto esperava um táxi conheceu “ela”, era bonita, não uma beleza espetacular, mas era bonita ao seu modo, de camisa xadrez e coturno, ela fazia um estilo que não tinha muito estilo.

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Eles conversaram até o táxi chegar, o que demorou quase uma hora, nesse tempo ele ficou sabendo boa parte da vida dela, afinal ela falava muito, mas ele gostou de ouvi-la falar. Pediu seu telefone e prometeu “te mando uma mensagem para terminarmos essa conversa”, ela apenas disse “ok, talvez eu acredite”.

No dia seguinte ele faltou à academia, estava muito cansado e resolveu ir direto para o trabalho, não tomou café em casa, e sim na padaria, que mais parecia um boteco copo sujo. Saiu do trabalho direto para casa, mesmo sabendo que precisava comprar algumas coisas no supermercado, foda-se, pensou. Quando chegou em casa durante o jornal lembrou-se da mocinha que conhecera na noite anterior, mandou uma mensagem simples “ e ai vai terminar de me contar sua vida ou vai me deixar contar a minha agora?”. Ela não respondeu, mesmo estando online, ele então já se achava um trouxa, ou um grosso, ela ainda não o conhecia, não sabia de suas ironias, ou de seu senso de humor.

Quando ele pensou em mandar outra mensagem se desculpando, eis que surge uma dela “sério que você quer me contar sua vida? Pensei que gostasse apenas de ouvir”. Ela também tinha senso de humor.

Eles então passaram a conversar todos os dias durante muitas horas. Ele já tinha saído de sua rotina há tempos, na verdade ele não sabia mais qual era sua rotina, ele apenas estava deixando as coisas acontecerem.

Então, em um dia como qualquer outro, ele estava deitado em sua cama pronto para dormir e pensou na vida. Vida que até pouco tempo era apenas uma consequência de sua existência, mas que agora tinha sentindo. Ele descobriu que não precisava sempre fazer as mesmas coisas para que tudo desse certo, ele aprendeu que às vezes passar por ruas diferentes te levam ao mesmo lugar e que sem se arriscar você não vive, apenas sobrevive.

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