Não te amo “porque”, te amo “apesar de”

Quando nos conhecemos o meu encantamento foi instantâneo. Me apaixonar por você foi fácil e simples. Cada um dos seus movimentos me enchiam os olhos. Cada palavra que a sua boca proferia inundava meu coração. Cada olhar que você dirigia a mim me atingiam feito bala. Fui discreta e não demonstrei fraqueza, provoquei a conquista para aproveitar cada um dos seus esforços, em vão, você permaneceu me conquistando mesmo depois de ter meu coração todo nas mãos.

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O tempo permitiu que nos conhecêssemos nos detalhes da rotina e o dia a dia mostrou que nem tudo é tão simples quanto foi me apaixonar por sua barba e sua voz rouca. Não, nem tudo são flores quando você escolhe dividir todos os seus dias com outra pessoa. Existem momentos difíceis e conflitos frequentes. Existe tristeza, frustrações e até carência. Existe minha TPM e seu futebol, minha mania de organização e sua bagunça constante, sua playlist que não combina com a minha e sua cerveja que não conversa com meu vinho branco. Temos opiniões divergentes, convicções distintas e personalidades opostas, mas também estamos submersos no mesmo oceano de paixão. Os relacionamentos são assim, uma eterna luta entre o amor e a dor.

Apesar dos carinhos e do beijo de bom dia, seu mau humor matinal quebra o encanto do início do dia. Adoro o café na cama todo domingo, mas odeio o ronco que precede o despertar. Me surpreender com presentes fora de data sempre faz meu peito acelerar, mas ele para sempre que você não me atende. Fico maluca de amor sempre que você me chama de “minha pequena”, mas também fico louca de ódio quando você deixa a tampa do vaso levantada. Amo nossos banhos compartilhados, mas detesto a toalha molhada que acaba jogada na cama. Venero seu abraço apertado, mas abomino seu esporádico egoísmo. E assim a gente vai levando, amando e implicando, dia sim e outro também.

Te amo! Muito. Por todas as suas qualidades e talentos, mas acima de tudo, te amo apesar dos seus defeitos e manias.

 

PS: Esse texto é resultado de uma longa conversa com minha grande amiga Danielle Deboni. Obrigada, minha amiga! Amo você!

MONIKAJORDAO

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“Vários contatinhos” pra quê?

Talvez nada esteja mais na moda hoje, do que a tal expressão “vários contatinhos”. Ter os tais vários contatinhos, implica em ter vários esquemas, mas não namorar ninguém. Ter uma pessoa para cada dia da semana, se possível, para matar a carência, a vontade de beijar na boca, a vontade de ir pra cama e afins… Mas e a paz de domingo a tarde, a gente vai dividir com quem? Porque as tardes de domingo são especiais, não se pode dividi-la com qualquer pessoa. É exatamente neste momento, que a vantagem de possuir várias pessoas, se esvai, porque eu converso com Pedro, Victor, Alex, Leo, Lucas, Daniel e Ricardo, e cada um deles, por sua vez, tem o seu número de moças com quem conversam. Eu posso ir ao bar com Leo hoje, comer comida japonesa com Victor, amanhã, no almoço, e a noite, partir para a selvageria com Ricardo, que almoçou com Milena, e no dia anterior foi ao cinema com Letícia, porque ele também tem os seus vários contatinhos. E eu nem vou levar a sério, porque vai saber quem eu vou conhecer na sexta-feira, que vai ter lugar para começar, mas eu nem sei se vou amanhecer na mesma cidade e com quem, no sábado. E no final das contas, ninguém é de ninguém, mas todo mundo tá aí, se pegando. Todo mundo canta em coro “Você partiu meu coração, mas meu amor, não tem problema, não, não; Que agora vai sobrar então, um pedacinho pra cada esquema. Só um pedacinho!” mas espera aí, é isso que eu quero pra mim?

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Pelo menos uma vez por semana, eu ouço que preciso ter vários contatinhos, porque afinal de contas, todo mundo tem! Mas veja bem, eu parei para analisar, e descobri uma coisa: eu não preciso ter vários esquemas ou “vários contatinhos” para me sentir feliz, satisfeita, bonita ou uma mulher completa. Pra quê manter o coração partido, se eu posso ser inteira e plena? Pra quê dar um pedacinho do meu coração pra cada boca que me chamar a atenção? Como sempre bem disse minha mãe: eu não sou todo mundo. Eu não preciso enrolar o Alex até sexta, porque hoje eu vou ver o Pedro, amanhã é dia do Dani, quarta é dia do Lucas, e quinta eu vou precisar me virar pra não trocar os nomes do Victor e do Ricardo. Eu não quero nenhum deles, e muito menos o Alex, ou o Leo, que nem lembrava que tinha combinado comigo. Eu não quero sair com a obrigação de beijar pelo menos uma boca no sábado. Eu não quero ser carente a tal ponto, de ter a necessidade de supri-la constantemente. Eu não quero todas estas mãos me tocando, todas estas línguas me envolvendo, e todos estes corpos se ligando ao meu. Eu não quero me perder entre os nomes que aparecem na tela do meu celular. Eu não quero ter receio de trocar o nome de ninguém. Eu não quero ser chamada de “rainha deles”, enquanto pego todos os que são chamados de “rei delas”. Eu não quero ser igual. E eu não preciso do vazio do domingo, do vazio do peito, ou do espaço vazio ao meu lado, enquanto eu construo sozinha o meu castelo, as minhas vias de acesso e a minha vida toda.

Sinceramente? Eu desejo que você, que sempre vem me dizer que eu preciso de vários esquemas, vá cuidar da sua vida. Eu aprendi a respeitar o meu corpo, os meus limites, e, principalmente, os meus valores. Eu nunca fui para vários homens pensarem possuir. Eu sou o tipo que é mulher de um homem só, e não aceita ser tratada como segunda opção de ninguém. Eu sou o tipo de mulher que um homem precisa batalhar para ter. E não pense que já não há homens que batalham para possuir apenas uma, pois muitas foram as batalhas para possuir este coração, que está escondido nas conchas das mãos de Deus. A verdade, é que apenas o amor poderá fazer com que Deus abra as conchas de suas mãos, e deixe meu coração à mostra, e nenhuma das batalhas travadas, foram com as armas corretas. Esta é a minha realidade: eu acredito no amor. Piamente. E eu prefiro caminhar efetivamente só, do que aparentemente acompanhada, e terminar o meu domingo em plena solidão vazia. Eu prefiro a leveza da espera silenciosa por um amor certo, do que a gritaria escandalosa e pesarosa, de pertencer à vários corpos, e ainda assim, não pertencer à nenhum.

Só lá, na paz do amor certo, é que eu vou poder despir a minha alma… Pois veja bem, não se despe a alma para qualquer um. Alma é profundidade plena, que não pode ser confundida com aquela última decepção, apenas. É na paz do amor certo, que a gente junta os nossos sonhos, com os sonhos do outro, e dá as mãos para aumentar a força da empreitada para alcançá-los. É na paz do amor certo, que a gente constrói a vida junto, mesmo que já tenha construído tanta coisa só. É na paz do amor certo, que dois inteiros transbordam – porque, entenda, essa coisa de “metade” é história pra boi dormir, porque ninguém merece ter que ficar tentando completar as lacunas emocionais do outro -.

E é aí que eu te pergunto: ter “vários contatinhos” pra quê? Pra não me sentir sozinha? Pra me sentir desejada? Pra elevar o meu ego, e ter a comprovação de que eu sou bonita, gostosa, e desejável?

Deixa eu te contar, meu bem… tudo isso é vã vaidade. Porque, no final das contas, a gente tem que saber e conseguir se encarar no espelho. No final das contas, os “vários contatinhos”, são uma equação desigualmente errônea, que resulta na solidão que a gente quer fugir. Essa mania de querer se saciar em tanta gente e provar tantos sabores de tantas bocas, só mostra o quão NADA resolvido a gente é. A gente tá querendo saciar o quê, afinal? Que depravação é essa, tão infinitamente profunda quanto a alma?

Se ainda assim você escolher os seus vários contatinhos, eu respeito você. Mas não venha me chamar de boba, de trouxa, de atrasada ou de arcaica. Eu ainda acredito no amor, e eu ainda espero por ele, sabendo que ele não virá em cavalo branco algum, mas virá a sua maneira. De qualquer forma, a minha alma solar continua lhe fazendo sinal nos dias mais nublados e nas noites mais escuras.

Eu respeito a sua mania de querer tudo ao mesmo tempo, e não aproveitar plenamente este tudo. Agora, respeite a minha decisão de sobrepor a qualidade, e deixar a quantidade de lado.

Afinal, vários contatinhos pra quê, se eu nasci para um amor certo?

debora

Sem mas, seja mais

Reinvente-se, seja quem quiser,

quem sempre quis ser.

Mude de estrada, de jornada,

mesmo que precise caminhar mais.

Largue velhas manias e medos

encontre coisas novas, apaixone-se mais.

Nada de ficar em casa parada.

Viaje mais, caia na estrada,

não se contente com pouco.

Corra atrás, sonhe mais,

esqueça o porém, o talvez,

tudo que dê medo e te impeça de crescer.

Dessa vez, por você, seja mais.

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Meu coração não é ‘casca grossa’

Sabe o que me dói?
Não é o fato de você ter feito o que me fez. Nem ter conseguido fazer com que eu não pudesse mais confiar em você. Foi o fato de ter destruído o que havia de mais bonito em mim. Eu esperava qualquer coisa, de qualquer pessoa, menos que você destruísse qualquer resquício de amor que em mim habitava.

Só uma palavra resume o que estou passando: merda. Sim, é uma merda ter que passar por isso. Se sentir sem chão. Os amigos batendo na porta pra ir pra balada, pra bebedeira, pro caralho com isso tudo. Ninguém é capaz de entender. Acham que homem não é capaz de ter sentimentos intensos. Estão errados. Se me vissem chorando, como estou agora, veriam em meus olhos a dor que é. Sentiriam o peso que paira sobre mim, a angústia a decepção.

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Meu coração está envolvido por uma casca, uma casca grossa. Tá querendo se blindar de qualquer ameaça que possa vir e feri-lo mais uma vez. Ele está com medo. Acuado. Parecendo bicho que foi judiado a vida toda.

Mas estou tentando sair dessa. Estou sim. O que é a vida, senão uma aventura de incessantes acontecimentos felizes e infelizes, não?

Eu poderia ter me vingado se quisesse. Mas não adiantaria de nada. O alívio não seria imediato e apenas passageiro. O que me mata agora é essa busca pela compreensão de tudo. Fico tentando entender tudo olhando pela janela com o cigarro na mão. Por alguns momentos penso que a culpa é minha. Impossível. Não posso e nem devo pensar dessa maneira. Se eu que te quis tão bem e fiz de tudo para que nós dois pudéssemos perpetuar, não posso ser o culpado por erros que não são meus.

E pensar em um recomeço me dá calafrios agora. Amar é bom, é gostoso. Mas ter que esquecer um e pensar na possibilidade de um próximo é assustador. É pra por medo em qualquer ‘coração casca grossa’. E apesar disso tudo eu ainda sei que o amor vale mais que qualquer sofrimento, mais que qualquer birra em dizer que não quero mais amar. Minha condição humana me faz amar. E sempre procurarei um amor.

josias

Arrisque, mude e se aprofunde

Certa vez, em uma das minhas madrugadas de insônia, lendo o livro Toda Luz Que Não Podemos Ver, de Anthony Doerr, uma certa passagem me chamou a atenção: “Abram os olhos e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre”. Tal passagem me fez pausar a leitura e refletir sobre coisas que deixamos de fazer por medo de arriscar; lugares que deixamos de ir por comodismo; e o pouco interesse pelo conhecimento profundo.

Nos deparamos muitas vezes com situações em que a vida nos cobra uma atitude, ou uma tomada decisão que aparece no caminho que é fundamental para o nosso crescimento. No entanto, por medo de arriscar, ficamos parados vendo as oportunidades passando, perdendo experiências que poderiam fazer parte de nós. Eu sei que a vida frequentemente nos cobra uma carga muito pesada, e que o risco representa uma incerteza em meio a tantas que vivemos. Sei também que algumas vezes o medo nos livra de consequências desagradáveis. Por isso devemos arriscar em coisas que realmente valerão a pena, e as quais você sabe que não terão consequências tão destrutivas num eventual erro. Assim devemos ir além, nos pôr à prova. Se errarmos, os erros nos fortalecerão.

Muitas dessas decisões são voltadas às mudanças – neste caso me refiro às mudanças de lugares, apesar de que qualquer mudança soa estranho ao ser humano. Tendemos a nos acomodar em algum canto, onde a famosa zona de conforta faz sua morada. Dependendo do seu objetivo de vida, é válido passar a vida inteira em um mesmo local, mas penso que o nosso viver é curto demais, e Deus fez lugares extraordinários para que pudéssemos desfrutar. Não somente em uma viajem de uma semana, ou um mês; temos que nos aprofundar em cada peculiaridade do mundo afora. Então, penso que se tivermos oportunidades de mudança, dependendo das circunstâncias, devemos ir e nos aventurar por aí.

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É importante adquirir experiências novas e conhecer outras culturas, obter um conhecimento específico de cada coisa. Hoje vivemos em uma época em que as informações andam tão rápidas que estamos nos tornando superficiais, na intenção de abarcar tudo de uma vez. Em outras palavras, deixamos de nos aprofundar em coisas que nos é essencial quando buscamos saber somente um pouco de tudo. Quando o autor escreve “vejam o máximo que puderem…”, se refere à busca pela aprendizagem, no qual passamos a dominar cada objeto/conteúdo de nossa curiosidade.

O conhecimento abre portas para uma vida rica e edificante. Mergulhar neste mar é ampliar nossa visão de mundo e adquirir o autoconhecimento; é abrir os olhos para a realidade; é conversar com o passado através dos livros. Mas temos de mergulhar mesmo, não só passear pelo raso. Apenas “passar o olho” é uma forma de se acomodar que deve ser evitada.

Então, com essa imprevisibilidade da vida, temos que ter em que mente que cada segundo é uma chance de desfrutar este presente que é viver. Arriscar, mudar e se aprofundar é o que nos permite crescer e tomar um lugar nessa grande peça. Isto nos move, fazendo com que deixemos nossa marca. Assim, quando fecharmos olhos, teremos a sensação de que vimos o máximo que a vida nos mostrou.

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A incrível atração mãos de criança x coisas a derrubar em supermercados

A relação criança versus coisas não viáveis de serem compradas em supermercados permite a quem por ventura passa por tal embate – segundo meu parco, raso e furado juízo – incríveis estudos, divagações e, principalmente, fiascos públicos. Há de existir algum entendido ou desocupado qualquer que explique a atração (eletro, magnética, nuclear, por bluetooth, wifi ou coisa que o valha) para mãos de criança e objetos que não constam de nossa lista de compras, em especial os frágeis e que custam caro. Notoriamente, a escolha de qualquer coisa passível de destruição considera majoritariamente algumas decisões: o que é chamativo, inútil, artificial, colorido, engorda, estraga e, como já foi dito, muito caro.
Nesse contexto, manifesto aqui minha solidariedade aos pais que contemplava diante de árduas contendas em supermercados até tenros tempos, confesso que nem ligava para aquelas pobres almas, sofrendo com as agruras dessa complexa relação. Registro minhas escusas, compartilhando momentos de tensão enfrentados recentemente: ao escapar do meu raio de visão por um micro milionésimo de segundo, eis que minha exemplar de filhote humano opta pela garrafa mais cara do destilado mais nobre da parte mais alta da seção mais chique do supermercado, com a cena passando em slow motion na minha frente, antevendo e temendo um final nem um pouco feliz.
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Felizmente, a garrafa saiu ilesa a tempo pois, sei lá como, obtive êxito em colocar minha mão no trajeto mãozinha/garrafa/chão, com a garrafa escapando ilesa. Quanto a mim, é provável ter alcançado algo próximo a mil batimentos cardíacos por minuto, após evitar o sumário fim da garrafa que custava quase um salário-mínimo e a despesa não programada em meu orçamento. Tão logo esse meu heroico ato findou, fez-se necessário o uso de todas as técnicas de relaxamento possíveis, passíveis e impossíveis para com minha filha, obviamente sem lograr nenhum resultado prático tendo em vista o intuito dela de destruir mesmo, sem dó. Além disso, manifestações efusivas e contrárias ecoaram por um raio de dezenas de metros e em algumas centenas de decibéis, combinadas ao choro forçado digno de interpretação holiwodiana. Todavia, bravamente venci aqueles corredores que pareciam não ter mais fim e cheguei até o caixa nessa penosa situação, com as devidas atenções de todos os presentes voltadas à minha árdua contenda.
A rendição teve um preço: o investimento financeiro em uma barra de chocolate. Minha aplicação mostrou-se extremamente exitosa, na medida em que fez cessar todo berreiro e, tão logo abriu-se a embalagem, voltou o sorriso em mim e nela. E assim, sacolas em uma mão e mãos dadas na outra além das bocas lambuzadas de chocolate, a paz voltou a imperar na saída do supermercado.
Sem explicação. E com muito amor.
mateus

E se for amor desta vez, faço o quê?

Queria que ele percebesse todas as vezes que encaro seus olhos e namoro suas retinas marrons. Queria que ele soubesse toda a bagunça que há em meu peito todas as vezes em que se aproxima de mim sem motivo algum. E se eu estiver realmente apaixonada por aquele sorriso bobo? E se foi amor à primeira vista? Será que ele vai gostar do meu sorriso como eu amo o dele? Será que vai aceitar meus defeitos? Será que sabe que já quebrei a cara algumas vezes, e sou um tanto medrosa quando o assunto é mudança? 

E se for amor desta vez? 

Queria que ele soubesse o que meu coração insiste em gritar em todos os tons quando ele fica uns metros perto de mim. Queria que ele soubesse que tenho coração frágil, e que precisarei de mútuas horas – ou até meses – de afetos e carinhos, até recuperar os pedaços deixados ao chão. Mas e se ele nem me notar? Será que vai perguntar meu nome? Será que vai me chamar pra jantar em uma ocasião especial? Será que aquelas retinas marrons já cruzaram com as minhas e ele nem notou? Será que agora, sentado, ele sabe que eu, aqui sentada, tenho tanto pra dizer a ele? 

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Queria saber dos sonhos dele e queria fazer parte deles, também. Queria conhecer um pouco mais daquele sorriso bobo, tocar um pouco mais aquela pele morena, encarar mais ainda aquelas retinas marrons. Queria saber seus gostos musicais, dos seus livros preferidos. Se já se apaixonou assim, á primeira vista por alguém. Queria conhecer seus defeitos e juntá-los aos meus. Seríamos defeituosos juntos. Queria apresentar meus medos e conhecer seus remendos. 

Queria saber mais do dia-a-dia dele.

Mas ele nem me notou.

Me olhou, mas nem me viu. 

***

Queria saber mais do dia-a-dia dela.

Mas ela nem me notou.

Me olhou sem ver. 

E se for amor desta vez? 

Faço o quê? 

Pedro