Deixando o passado no passado

Desculpa, eu não te quero, não mais! De repente meu mundo ficou pequeno para suportar sua bagagem de melancolias, e estou um pouco exausta de sempre ter que inventar uma solução mágica para te deixar inteiro novamente, e sempre as custas de minha alegria. Suas feridas terão que ficar abertas. Ouvi dizer que quanto mais exposta fica, mais tende de melhorar e logo vem a cicatrização. Não quero mais sujar as minhas mãos ao ter que pegar as migalhas que você joga para satisfazer a minha paixão. Não venhas me falar qual escolha foi a errada, e que agora será tudo diferente, nem venhas me pedir a milésima chance, por favor não zombes da minha inteligência ao vir me falar sobre tuas fantasias banais, aquelas, sobre nós dois em alguma praia do caribe. Acabou ok. Escolhi entre as estações a primavera, e junto com ela irei florescer, e não tenho mais prazer em me submeter a tuas tempestades de final de tarde de um outubro qualquer. Me sinto uma fênix, acredite se puder, mas renasci dos destroços que tu deixaste em minha frente logo após o seu adeus, aquele que me veio por uma carta totalmente piegas e com um ‘PS: Ainda voltarei para ti.’ Sim, foi sua escolha partir, não te culpo por isso, mas deverias saber que junto com a despedida, haveria uma vida que continuaria a existir, acompanhado de uma rotina nada fácil, na vida de uma garota que se redescobria sem os seus abraços. Está aí, me reencontrei, voltei a sorrir. Pare com os porquês, não me interessa mais as suas lamúrias, e nem juras, quem dirá o tal do seu amor. Eu segui em frente, tente fazer o mesmo, é libertador. Sinto muito, mas eu não sou mais a tola garotinha que um dia para ti se entregou, você escolheu ir embora e eu escolhi ser a pessoa certa para a sua hora errada. Nosso tempo não é o mesmo, e quanto mais o tique taque do relógio ti-taquear, mais longe da minha vida tu irás ficar!

IMG_6813

Anúncios

Nada é pra sempre

Quem é que vai ficar?

O tempo vai passando. Vezes lentamente, vezes rápido de mais. Os dias nunca são os mesmos. Sempre há novos sorrisos, novas amizades, novas conversas, novos desafios, novos pensamentos. Mas sempre – digo, todos os dias, me vem na mente a mesma pergunta: Quem é que vai ficar?

Desde criança tive poucas amizades. Realmente não sei o porquê. Mas sempre gostei de coisas que duram, coisas verdadeiras e, francamente, amigos verdadeiros se contam nos dedos de uma única mão.

Não posso reclamar de nenhum que tive. Todos me ensinaram algo, todos aprenderam algo comigo, se divertiram comigo e me diverti com eles. Mas nem tudo é um mar de rosas. A vida foi passando, talvez fugaz de mais. Talvez no tempo adequado. Ou até mesmo, devagar de mais. Não sei bem ao certo como a vida passou, mas sei que tudo passou!

Os amigos de escola? Bem, esses não vejo há um tempinho, pois não faz tanto tempo que completei a maioridade e terminei os estudos. Aqueles que conheci lá fora? O trabalho e a rotina não nos permite nos ver com tanta frequência quanto antes. Aqueles que chamei de melhores amigos? Bom… Esses dói um pouquinho por saber que se afastaram.

Eles eram todos especiais. Ainda são. O amor por eles continua aqui, vivinho da silva. Mas nada é como antes. A vida está me ensinando o quão dolorosa ela pode ser. Eu já não consigo mais me socializar tão facilmente quanto antes, pois ela também me ensinou a desconfiar.

Idas e vindas. Mais idas, do que vindas. Sempre foi assim e sempre vai ser. A nossa dor não nos impede de viver, mas também é impossível não senti-la. A dor de perder as pessoas, mesmo estando em terra viva, nos causa revolta. Quem já passou por isso, sabe muito bem do que estou falando!

Às vezes a única coisa que eu queria era voltar no tempo, onde eu me via amada por quem estava do meu lado. Onde havia mais risos do que suspiros longos evitando o choro. Onde eu podia contar com aqueles que chamei de melhores amigos. Onde eu acreditei cegamente que tudo seria para sempre.

Mas não é assim. A vida anda para frente. E com ela, temos que andar também.

-“Mas quem é que vai ficar?”.

-“ Não sei. Ninguém sabe, meu amigo!”

IMG_6880

O passado: amigo ou inimigo?

Todos os acontecimentos negativos ao longo de toda jornada deveriam servir como fonte de aprendizado. Isso mesmo! Lembra quando a sua mãe disse, depois de você ter aberto a porta, arrasado, por causa de uma briga com a namorada: “Tenta tirar algo positivo dessa situação e não vão mais brigar”. Ora, ela estava certa, embora você, preso ao mundo das incertezas, a tenha contestado. 
O que acontece é que nós, seres humanos, mutáveis, transformistas, somos levados a pensar no pior antes mesmo que as coisas aconteçam. Isso acontece com frequência, e quase todas as pessoas fazem isso, simplesmente para evitar decepções. Nessas horas, especialmente quando essa grande incerteza advém de uma relação (do passado) instável, vale sempre pensar numa coisa que é, indiscutivelmente, muito fácil, de ser pensada/entendida: “Tudo passa”. Só isso? Sim.
Quem assistiu aos maravilhosos desenhos da TV Cultura vai lembrar que, por mais difícil e doloroso que seja um acontecimento qualquer, o amanhã existe, os amigos existem, a família existe e a natureza existe. Você pode chorar uma madrugada inteira, mas vai adormecer e quando acordar, estará um pouco mais conformada. Porque “a dor precisa ser sentida” para que a superação possa vir. Mas não vir hoje para ir amanhã. 

Com o tempo a armadura vai ficando mais forte. O problema é que às vezes se torna uma armadura tão impenetrável que barra até os ventos de otimismo de entrar. Por isso, é preciso saber quando, aonde, e para quem vai abri-la. Vai que você a abre para uma pessoa que fará mais bagunça do que você pode arrumar. 
Assim, o passado é importante, pois nos impede de cometer os mesmos erros. Só que o passado também se engana. Quer um exemplo? Aqui vai: Sabe aquele cara que você viu lendo “o seu” livro preferido no metrô? Ele mesmo, aquele que você achou bonitão. Talvez ele seja o maior bagunceiro do mundo, mas talvez ele seja o cara que faria você esquecer todos os beijos do mundo e só querer o dele depois de uma longa e exaustiva semana. Ela pode ser a garota que você tanto sonhou depois de assistir milhares de vezes o filme “Amizade Colorida” e ouvir “Closing Time” até enjoar.

Ambivalência pura! Um pouco de cuidado e um pouco de ousadia. A vida é dialética e o passado também, ele pode ajudar e atrapalhar. E por isso, uma terceira coisa é válida: a adrenalina de arriscar. Ela é de cada um. Cada um sabe até onde pode confiar em sua intuição. 
O passado também se engana? A auto proteção também se engana? E a ousadia também se engana? Não. O ser humano se engana. 
E se você se enganar, lembre-se que existe um amanhã.

  

Vamos falar sobre o passado

Relaxa, eu não sei o que você fez no último verão e nem tenho interesse. Para lhe ser sincero, não sei nem o que eu fiz no último verão e não sei se faço questão de tentar lembrar. Passado é sempre algo complicado. É aquele matinho de beira de estrada que você puxa e corta superficialmente a sua pele, mas dói pra caralho. Você sabia que aquela folha ia te cortar, sabia que aqueles “pelinhos” branquinhos e com aparência felpuda iam te fazer desejar não ter tocado, puxado ou sequer passado perto daquilo. É assim, também, com tudo aquilo que ficou lá, no seu passado. As coisas que você já fez um dia te serviram de aprendizado, te mostraram como acertar ou errar, te fizeram ver que tudo o que você fez teve um significado, um resultado ou uma consequência e isso é o seu legado, mas nós dois sabemos que ficar remexendo nessas coisas não é bom pra ninguém. Tal qual escrever um texto, quanto mais vezes você reler, mais erros vai encontrar, mais coisas que você poderia ter feito diferente certamente vão aparecer, mas tem horas em que você precisa que o ponto final execute a sua função. Seu texto tem o seu estilo, a sua habilidade e as manias que eram suas no exato momento em que você escreveu. É a sua alma, é a alma dele. Você precisa deixar o seu passado lá – no passado – e entender que se nele há algo errado é justamente para que você viva o seu presente de maneira diferente. É difícil e não estou dizendo que você deve ignorá-lo. Você deve, sim, falar sobre o seu passado, mas falar sobre o que, através dele, você se tornou, sobre o que as coisas que feitas nele te fizeram enxergar, não sobre o que você – ou os outros – pensam que deveria mudar. Então, vamos falar sobre o passado, mas vivamos o presente.

IMG_7971

As coisas que eu não posso mudar

Tento respirar fundo, mas me falta o ar. Não existe espaço suficiente pra ele passar por entre o nó que se fez na minha garganta. Estou afogado num poço de melancolia há um certo tempo. Acredite, já tentei de tudo pra superar isso; Ignorar foi em vão. Aceitar e seguir em frente foi impossível. Me perder nas noites, entre bebidas e drogas, foi ilusão. Desabafar aliviou na hora, só que depois tudo sempre volta. É geralmente em momentos como agora: na insônia que me acompanha durante a madrugada quando dói mais. Não existe playlist no rádio e nem serie de TV que mantenha minha mente ocupada o suficiente pra não pensar. Cabeça vazia é a oficina do diabo e, de uns tempos pra cá, parece que ele fixou residência aqui nos meus pensamentos. 

Amar, meu amigo, é uma coisinha bem complicada que o ser humano inventou de sentir. Seria tão mais fácil sem apego, sem sofrimento, sem drama por quem a gente gosta, sem a porra do ciúmes que vai nos deixando pouco a pouco mais medrosos. Você inevitavelmente acaba caindo nos encantos de algum olhar, se apaixona por aquele sorriso e se envolve com aquela pessoa. Eis que o passado vem, em um belo dia qualquer, fazer uma visita despretensiosa. Com o passar dos dias, das brigas e dos rancores, ele vai se tornando um residente indigesto das nossas vidas. O inferno vem quando você se dá conta das coisas que não pode mudar.

Geralmente eu tenho lemas que me motivam nas horas difíceis. Saídas para situações complicadas, escapatórias para fantasmas que tentam me cobrir por um lençol de depressão. Pra tudo se tem um jeito, disso eu não tenho dúvida. E pode ter certeza: sou alguém que vai saber te aconselhar e acalentar sobre os dilemas da sua vida caso seja necessário, caro parceiro. Meu problema é aceitar que nem tudo na vida está sob meu controle. Engolir essa verdade já foi muito difícil, só que concordar com o fato que de eu não posso mudar o que me machuca ainda segue acima da minha evolução. O que será que eu preciso fazer? Neste vago momento o poeta fica sem palavras.

Por causa de amor hoje têm gente que não suporta ouvir meu nome. Por causa de amor têm gente que me faz sentir ódio e arranca lágrimas dos meus olhos sem sequer saber ou ser atingido por isso. Há muitos segredos que todos nós guardamos e provavelmente vão morrer conosco – se não escaparem em função de alguma gota de álcool a mais qualquer noite dessas.

Segredos são formas do passado se manter vivo e ter a oportunidade de atormentar. Caramba, ele sempre volta. Eu odeio esse tal de passado. É por culpa desse maldito que perco meu tempo, desperdiço minha alegria e me sinto impotente. 

Cara, eu realmente odeio muito o passado. É nele que vivem as coisas que eu não posso mudar.

IMG_2637-6