Meu único arrependimento é você

(Leia ao som de Nearly Witches)

Às vezes acho que enlouqueci. Para ser mais honesto, isso tem se repetido com tanta frequência que já arrisco afirmar com certeza que cruzei a fronteira da insanidade.

Sim, eu enlouqueci.

Me internem, me trancafiem em uma sala toda branca, me amarrem e amordacem, me envolvam em uma camisa de força!

Já não tenho mais condições de conviver em uma sociedade normal e bem estabelecida. Não estou mais apto a seguir os padrões de convivência e etiqueta que sejam considerados saudáveis pelos seres humanos comuns. Eu sou um maluco, doido de pedra, desequilibrado. E você é a prova viva de que isso não tem remédio e nem cura.

Eu achava no início que era um sonhador, uma pessoa a frente do meu tempo. Insisti em cultuar a minha própria personalidade a níveis absurdos. Me considerei sempre um prodígio nascido na era-moderna e pronto para desabrochar. Tive plena certeza de que minha diferença tão grande para os outros que conviviam comigo era porque eu vim de uma outra terra pra cá. Por muito tempo me lembrei de vidas passadas e orientações que me deram antes mesmo de nascer. Eu segui tudo à risca, posso dizer sem vacilar: fiz exatamente como as vozes na minha cabeça me falaram.

Mas desde o dia que te conheci só consigo me embriagar com o seu perfume.

Joguei o meu melhor aos quatro ventos sem esperar muita coisa de volta. Fiz bem ao mundo e não esperei coisa alguma em troca. O pouco que conquistei sempre me pareceu muito, pois sempre valorizei cada gotinha de reconhecimento que veio em meio a uma tonelada de indiferença.

Tanto faz, pois hoje eu descobri que sou louco. Sou um desvairado, um mentecapto, biruta, alienado. Pode chamar o pessoal da saúde pública para me interditar! Meu tempo nesse mundo de gente esperta e correta já passou. Não há espaço para um tantã, aloucado e esclerosado como eu.

Vou me ocultar até que a vida termine, porém registro que não levo nenhum pesar das coisas que fiz.

Me orgulho dos sonhos que sonhei.

Me entusiasmo com os seguidores que conquistei.

Me satisfaço com o legado que deixo.

Me alegro com a sede de vitória que tive.

Pra ser sincero, meu único arrependimento é você.

 

Paulinho Rahs

E assim todo dia era primavera

Ele acorda, dava – lhe um beijo na testa, “Bom dia minha linda”. E ia para a cozinha. Cheiro de café quentinho invadia a casa e entrava em suas narinas.

Ela se espreguiçavatoda na cama, olhava para o lado e sorria. As flores estavam balançando no jardim, ele já havia afastado as cortinas para o lado, sabia que ela gostava da claridade invadindo o quarto de manhã.

Seguia para a cozinha e lhe abraçava, dava – lhe um beijo, agora já com hálito de hortelã. “Bom dia meu amor”. A mesa estava pronta, café quente, leite morno, pães e a presença dos dois.

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Conversavam e riam. Assuntos sérios talvez, conversas bobas demais e um enorme sorriso no rosto. Ela cortava o pão inteiramente ao meio, sabia que era assim que ele gostava, já fazia centenas de dias que repetia esse gesto.

Se separavam pra trabalhar. Uma jornada diária de 8 horas de trabalho e saudades. Um ‘Oi’ na hora do almoço e um ‘Que o dia passe logo’.

Mas á tarde. Ah, a tarde.. Ela vinha radiante ao seu encontro. Um beijo demorado, abraço apertado e um brilho no olhar. Tomavam banho e se esticavam juntos no sofá. Mais conversas, mais risos tirados e sorrisos compartilhados.

O jantar era banquete, com fartura de amor. De sobremesa carinhos. Olhos nos olhos e vinho. Como desculpa a primavera se tornava inverno. Gostavam de dormir agarradinhos. E assim todos os dias se tornavam primavera.

josias

Até onde vale a pena correr atrás de um amor?

 

Até onde vale a pena correr atrás de um amor?
Até onde é possível traçarmos planos pra que a pessoa amada nos enxergue como gostaríamos?
Qual seria o momento exato de olharmos pra nós mesmos e dizermos que ela ou ele está em outra e nada mais podemos fazer?
Às vezes temos a impressão de que a outra pessoa pode se apaixonar por nós apenas pelos dois gostarem das mesmas bandas ou dos mesmos filmes, das mesmas festas ou dos mesmos potes de sorvete.
Tentamos manter a pessoa amada perto de nós perdendo noites buscando descobrir seus gostos pelo facebook, pelo Instagram ou por qualquer indireta fantasiosa que recebamos. Imaginamos que um sorriso educado pode ser uma deixa pra um convite ao cinema no sábado, que um abraço carinhoso pode ser algo muito perto de uma declaração de amor à la “dez coisas que eu odeio em você”.
Ora, é nítido que o amor é um dos sentimentos mais bonitos que podemos ter, que estar apaixonado significa enxergar o mundo de uma forma mais bonita, coisa e tal. Mas a verdade é uma só. O amor é difícil.
Sim, é difícil, Difícil pra cacete. Já imaginou se todos as paixões fossem recíprocas? Claro que haveria suas vantagens, mas sei lá, talvez vivêssemos algo perto de uma monotonia amorosa, onde o amor seria tão simples que perderia sua essência.
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Por vezes é normal acharmos, instintivamente, que as coisas podem ser assim. Então pensamos: “Nós dois gostamos de sushi, de Arctic Monkeys, preferimos barzinhos a baladas e nunca fomos ao Cristo Redentor apesar de moramos no Rio de Janeiro. Se isso não é a verdadeira definição de ‘almas gêmeas’, o que mais seria?”
E assim nos enganamos. E feio.
O amor não precisa ser igual. Mais: o amor quase nunca é igual.
É complicado admitir, mas é preciso. A pessoa não quer. É exatamente isso. Ela simplesmente não quer. Quem quer, meu amigo, dá um jeito. Não inventa que trabalhou até tarde ou que não curte beber dia de semana. Não diz que vocês estão longe demais quando apenas um bairro os separa. Não inventa que precisa levar o gato ao veterinário exatamente na hora da sessão de cinema.
Quem quer de verdade pega dois ônibus a uma da manhã, vai  a show de rock quando preferiria um barzinho e um violão, assiste a filmes de terror quando na verdade morre de medo de filmes desse gênero. E ainda tem até uma boa desculpa pra assistirem abraçados.
E no fim das contas, acredite. Os dois se completam mais do que meros gostos em comum. Muito mais.
 A questão é que se permitir a esse sentimento é uma virtude, depositar em alguém seus sentimentos mais verdadeiros é buscar também a sua felicidade, mas nem sempre as coisas andarão como desejamos. Nem sempre haverá a tão bonita e buscada reciprocidade, e isso é mais comum do que imaginamos.
O segredo é admitir que ainda não é essa a pessoa que dará um sentido novo na sua vida, e isso não é uma coisa ruim, afinal o amor precisa ser, antes de tudo, verdadeiro. Nessas horas o tempo é o melhor remédio,  tratará de cicatrizar possíveis feridas e, mais cedo ou mais tarde, cruzar seus rumos com alguém que curta macarronadas ou frutos do mar, praia ou cachoeira, canções líricas ou rocks pesados, não importa, afinal tudo soara de forma bonita pra vocês.
 brunno-leal

Não se mate em vida, a morte já é certa

Conversando com uma amiga, em uma dessas conversas loucas, mas que fazem todo o sentido, falávamos de como a vida é curta para deixarmos de falar o que sentimos, guardar mágoas, prendermo-nos a pessoas que em nada nos acrescentam e, o que norteia o meu texto de hoje, falávamos em como a vida é curta demais para a gente viver em prol do trabalho, estudo, dinheiro (…)

Sim, é obvio que todos nós temos objetivos de vida. Uns querem comprar aquele carro tão sonhado, outros a casa própria, muitos sonham em ter o seu diploma de nível superior, tantos outros querem trocar a tevê, o som, a moto, o celular (…). São muitos os objetivos a serem alcançados a curto e longo prazo. Somos humanos, é normal e necessário (talvez) que tenhamos alguma conquista material em vista. Mas eu não concordo com a forma como muitas pessoas andam fazendo.

A vida não é fácil, nunca foi e nunca me disseram que seria. Todo mundo tem problema de todo tipo. Todas as pessoas que você vê na rua, mesmo aquelas que carregam um sorriso de ponta a ponta no rosto, tem, como diria os mais velhos, uma cruz a ser carregada. Mas isso não quer dizer que tenhamos que fazer o percurso ser sempre tão doloroso e impossível de qualquer bem-estar, prazer, leveza.

Conheço pessoas que nunca tem tempo para nada, absolutamente nada. Não relaxam, não descansam. Pessoas que vivem para o trabalho, de segunda a segunda, quando não é no próprio local, levam os deveres para casa e desconhecem um dia de leveza, de mente em paz, de estar somente preocupada em qual será o programa divertido a se fazer com a família, namorado (a), amigos. Conheço gente que pega inúmeras disciplinas a mais na faculdade e ficam sem tempo até para respirar (fazendo uso da hipérbole), viram madrugadas e mais madrugadas somente preocupado em conseguir a aprovação e adiam uma saída com os amigos, privam-se de passar um dia todinho assistindo a filmes, afinal, o sentimento de culpa irá dominar. Conheço pessoas que estão focadas somente em juntar dinheiro para tal coisa e por isso deixam de fazer inúmeras outras no presente, mesmo sabendo que o dia de amanhã é a maior incerteza que temos.

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Não, eu não critico quem busca realizar seus sonhos, seus desejos. Mas a vida já é dura demais para a gente enrijecer mais ainda. O estresse, as doenças psicossomáticas, a depressão, entre outros, estão aí para nos mostrar o quanto precisamos respirar mais calmamente. O quanto precisamos de mais leveza e tranquilidade nos nossos dias.

Não se mate de trabalhar ou de estudar, não se mate de preocupações ou paranoias, não mate seu emocional, seu bem-estar, seu espirito. Viva mais o bom. Sinta mais o que há de melhor. Queira mais ter as pessoas que ama por perto. Tenha tempo para você. Tenha tempo para ser feliz. Todos nós queremos alcançar algo, mas não faça esse algo dominar você por completo. O amanhã é incerto, nunca, jamais, esqueça-se disso. Um dia tudo isso vai acabar e não levaremos, literalmente, nada dessa vida. Até o nosso próprio corpo um dia se resumirá a nada. A morte já é certa demais para a gente duvidar que merecemos viver da melhor forma possível essa vida. Por favor, viva!

ana-luiza

Todo canto tem um pouco de ti

Eu ando indo pra cada lugar inusitado, shows de bandas que não me agradam, bares caros, lugares que nunca pensei em pisar, só no intuito da gente se esbarrar. Locais que, pra ser sincero, você nem deva ir, mas vou, ainda assim, na esperança de que você também esteja lá querendo me encontrar, numa tentativa irracional parecida com a minha e que só passe a fazer sentido com a gente se achando.

Eu sei que esse sentimento já deveria ter passado, mas saudade não tem hora e eu voltei a pensar em você agora. Conselhos de pessoas próximas têm pouca importância em momentos assim. Não precisou de música, filme ou nada que você tenha me indicado. Eu pensei em você por pensar, sem nenhum motivo. Enquanto vagava em pensamentos soltos, enquanto via as pessoas passarem sozinhas na rua, enquanto me vi sozinho, sentado no banco dessa praça, em frente ao carrinho de pipoca que o vendedor entrega o troco a uma moça.

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Vai ver tem lá uma razão, quem saiba uma psicanálise de botequim de um sujeito que tem muito tempo disponível pensando consigo mesmo – uma tarde inteira, pra ser mais exato – decifre que eu queria que aquela moça fosse você. Queria que pegasse seu troco e viesse ao meu encontro, que dividíssemos a pipoca e com as sobras enchêssemos a barriga dos pombos que ciscam a nossa volta.

Entretanto, quando aquela mulher virar, deixando finalmente de me dar as costas, quando seus cabelos não mais esconderem seu rosto, eu vou descobrir que ela não vai ser você. Ou vai? Se for você, senta comigo, vai. O vestido é igual a um seu… até quando eu te verei em estranhos? Por todo canto, em olhares rápidos e descompromissados, confundo você com desconhecidos. Nunca é, ela também não é.

Quando o amor consegue enfeitiçar a razão, é preciso encontrar um bom motivo pra não continuarmos juntos. Algum defeito bobo que justifique a tentativa de esquecer. Ainda que cético, me daria por convencido se houvesse algum sinal vindo de qualquer explicação mística. Bastaria que alguma dessas forças do universo respondesse. Olho pra cima, como um descrente aguardando uma resposta divina. Eis que, então, eu posso sentir algo cair sobre minha camisa, algo que vem desse tal além incompreensível. Merda, quem foi o maldito casal que deu comida aos pombos?!

caio-lima

Eu sei que eles dizem que ninguém é perfeito

Mas eu juro, ela é perfeita pra mim. Quando ela não está aqui comigo seja vendo um filme na TV, ou fazendo cafuné nos meus cachos, nada parece fazer sentido. Ela é minha cara, minha joia rara. Ela costuma ler minhas poesias desconexas e até hoje não sei como entende meus garranchos sem nexo algum. 

Ela anda e desanda uns corações por aí afora, mas sabe muito bem onde repousar teu peito na tarde da noite. Com ela é sempre um apelido carinhoso, ou um ” vem cá” gostoso. Eu costumo chamá-la de “minha infinitude” mas ela prefere que a chame de “bem”. É carinhoso, ela costuma dizer. Quando ela me admira escrevendo algo sobre ela, eu logo perco a concentração e direciono meus olhares naquelas retinas escuras. Eu, que escrevia sobre todos os tipos de mulheres, agora me vejo obrigado a rabiscar apenas sobre ela. Ela é uma poesia que levaria anos para descrever. 

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Como diria o Chico: “Temo que não dure muito a nossa novela mas, eu sou tão feliz com ela.” 

Ela, pequena de um metro e seus charmosos cinquenta e poucos centímetros, esbanja um sorriso como quem já conheceu todo nordeste brasileiro. Ela tem um olhar do sul do Brasil, mas beija como mineira, e sorrir como uma Pernambucana. Ela é um misto de tamanha perfeição. Uma pele morena, unas retinas escuras e umas covinhas nas bochechas que desarmam qualquer exército americano. 

Eu poderia escrever um livro sobre ela. Mas quem me dera ter talento pra isso. 

Perfeita que só ela;

Tal livro não teria fim. 

Pedro

Ela queria…

Ela queria um amor para chamar de seu. Mas também queria um que fosse livre, e não desses amores doentios de novelas. Ela queria um amor para curtir. Queria rir e dançar juntinho, corpo colado, face a face. Mas queria também dançar até descer no chão e os saltos dizerem “chega por hoje”.

Ela queria filmes, tempo frio, um calor humano e chocolates. Mas tinha vezes que ela queria também a agitação, saber dos amigos, cerveja, queria se embebedar. E se fosse preciso queria não ser carregada, queria se mostrar forte. Mas desejava também alguém que, a cobrisse se estivesse frio, um abraço acolhedor e um beijo na testa de boa noite. Outras vezes queria sexo também oras, desejo e sedução fazem parte de uma mente sã.

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Ela queria viver, viver feliz, viver de amor, viver até extravasar toda a energia que lhe foi dada desde que nasceu, pois sabia que desse mundo só levaria os sorrisos que recebeu. Ela queria também se emocionar, sentir tudo o que fosse possível. Queria plantar uma árvore, adotar animais, ajudar pessoas. Ela queria mudar o mundo, e sabia que se recebesse um obrigado sincero estaria no caminho certo.

Ela queria ser forte, queria ser amor. Queria ser ciumenta na dose certa, e não taxada de louca. Queria ser mimada e mimar. Queria alguém pra compartilhar tudo isso. Queria ver as flores crescerem na mansidão dos braços de alguém. Queria alguém que a visse com os olhos cheio de admiração, pois ela transbordava a alegria que vinha de dentro dela.

josias