O que muda quando você desiste?

O dia começa. O celular que nem sequer está na cama, só tem a função de despertar. Ele continua inundado de notificações e de sentimentos que fariam você remoer todo o seu passado. Você apenas decidiu ignorá-los. Nem mesmo consegue identificar a partir de quando decidiu agir assim. Talvez durante o dia, durante o sonho ou nos minutos de pesadelo que antecedem o sono. É como tirar das costas uma mochila cheia de pedras, as quais você jurava ser os seus pertences. Você vai perceber que não precisava carregar nada disso. Você não precisava nem mesmo de uma mochila.

 O início parece confuso, todo o desprendimento entra em conflito com a velha rotina. Você começa a mudar as pequenas coisas que fazia de manhã, começa a trocar os fins de tarde por novas experiências, e então descobre que existem caminhos alternativos até mesmo para as coisas simples e práticas, que geralmente são as que mais nos fazem ter saudades do passado. Muitas pessoas notarão a diferença já no primeiro dia. Já as que nos fizeram mudar, sempre irão demorar bem mais que isso. Como um gol mal anulado, essa demora é necessária para fazê-las perceberem que até para voltar atrás, não se pode esperar muito.

Seu velho e enferrujado horário de chegar em casa, também sofrerá alterações. É preciso fazer questão de contrariar e confundir todos os sentimentos que se acomodaram com uma vida que já não existe mais. Aceite isso como o acaso tentando lhe contar um segredo sobre a magia das coisas que acontecem de repente. Você vai começar a gostar dos imprevistos que dão certo no final, e também vai perceber que o improvável nunca tem hora marcada.

O mundo sempre vai estender a mão para uma pessoa que está disposta a mudar para melhor. E então, após noites em claro, após a espera na fila, após a passagem dos ciclos; não deixe quem te meteu nessa, ficar sem saber como estão as coisas. Se apresente novamente. Logo perceberão, silenciosamente, que você definitivamente não é mais o mesmo.

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O jogo não acabou!

Eu sempre te procurei né?!  E acho que você sempre se perguntou: Por que mesmo não me oferecendo tudo que eu mereço, mesmo não correspondendo ao meu amor, eu sempre voltava para os seus braços. Bom, se precisou de tempo para entender a singularidade disso tudo meu bem, saiba que eu precisei me revirar do avesso para lhe externar essas repostas.

Para você pode até parecer uma matemática simples, mas para mim é química, psicologia ou qualquer outra coisa. Faltava sim; o beijo se prolongar, o abraço se estender e o tempo parar quando estávamos juntos. E eu sempre me perguntava: – Por que? Porque esse abraço não pode se estender? Por que esse beijo não vai se prolongar? Por que isso tudo, se há desejo no teu olhar, fogo nas tuas mãos, ternura e conforto nos teus braços?

Bom, eram perguntas demais… E eu decidi que não queria mais respostas. Não queria mesmo! Não porque não desejava mais estar ao teu lado. Mas porque entendi que precisava encontrar as minhas próprias respostas. Afinal, você também precisava saber que feitiço é esse que sempre me levava aos teus braços.

Olha, então vamos por partes amor: eu me revirei do avesso e hoje você está aqui. Me olha e conversa como se estivesse falando com uma estranha. Diz que mudei, diz que meus olhos não são mais os mesmos, diz que meu tom de voz não é igual e sabe: não é mesmo.  Sabe que me revirando encontrei tudo. Encontrei as minhas repostas e também as suas. Eu confesso que tive medo e, sinceramente, posso dizer que te entendo. Eu também teria medo se alguém me amasse tão loucamente assim, com todo esse amor que encontrei aqui. É que o amor é lindo e gostoso, mas em excesso pode ser perigoso né?! Então: eu te entendo e sei que os beijos e abraços encurtados foram causados por mim mesma.

Eu procurei uma resposta em teus olhos durante todo esse tempo. Que boba! Estava tudo tão claro aqui dentro. Era demais pra você. Demais pra esse teu coração tão covarde! E quanto as suas repostas? Bom, era amor. Era exageradamente amor. Eu poderia definir em várias palavras mas fico com uma apenas: desequilíbrio. Era amor, mas também era meu desequilíbrio, meu anseio e meu descontrole. Talvez por isso tenha te assustado tanto.

Mas hoje você aqui – me olhando assim como uma estranha -, tentando achar a louca e desequilibrada que exageradamente te amava, me faz refletir. Hoje você me faz parar em frente ao espelho e olhar para esse meu avesso exposto e tentar entender. Que marcas são essas sobre mim? Será que tem algo a ver contigo? É, tem sim… Sabe o que é? É que as chamas ainda continuam acesas, mas o controle é meu. Pois é. Acho que o jogo virou, afinal, qual o amor que vive por um triz né?!

A única novidade aqui é que não preciso mais me sentir desequilibrada. Não preciso me arriscar entre a lucidez e a insanidade por momento algum. Tudo isso porque o controle é meu. Não precisa se desesperar. Se está se perguntando se não te quero mais, eu posso te dizer com toda certeza: no fundo ainda existe amor em nós.  Mas quando os vidros embaçarem e os abraços se encurtarem você ainda vai entender que o jogo virou. Você vai entender que se reinventar, se revirar, é questão necessidade. Tudo por que amor não é coisa pra coração covarde. Amor é o tipo de jogo pra quem tem peito aberto, garra no olhar e força no sorriso.

Mas tudo bem. O jogo não acabou!

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