Até onde vale a pena correr atrás de um amor?

 

Até onde vale a pena correr atrás de um amor?
Até onde é possível traçarmos planos pra que a pessoa amada nos enxergue como gostaríamos?
Qual seria o momento exato de olharmos pra nós mesmos e dizermos que ela ou ele está em outra e nada mais podemos fazer?
Às vezes temos a impressão de que a outra pessoa pode se apaixonar por nós apenas pelos dois gostarem das mesmas bandas ou dos mesmos filmes, das mesmas festas ou dos mesmos potes de sorvete.
Tentamos manter a pessoa amada perto de nós perdendo noites buscando descobrir seus gostos pelo facebook, pelo Instagram ou por qualquer indireta fantasiosa que recebamos. Imaginamos que um sorriso educado pode ser uma deixa pra um convite ao cinema no sábado, que um abraço carinhoso pode ser algo muito perto de uma declaração de amor à la “dez coisas que eu odeio em você”.
Ora, é nítido que o amor é um dos sentimentos mais bonitos que podemos ter, que estar apaixonado significa enxergar o mundo de uma forma mais bonita, coisa e tal. Mas a verdade é uma só. O amor é difícil.
Sim, é difícil, Difícil pra cacete. Já imaginou se todos as paixões fossem recíprocas? Claro que haveria suas vantagens, mas sei lá, talvez vivêssemos algo perto de uma monotonia amorosa, onde o amor seria tão simples que perderia sua essência.
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Por vezes é normal acharmos, instintivamente, que as coisas podem ser assim. Então pensamos: “Nós dois gostamos de sushi, de Arctic Monkeys, preferimos barzinhos a baladas e nunca fomos ao Cristo Redentor apesar de moramos no Rio de Janeiro. Se isso não é a verdadeira definição de ‘almas gêmeas’, o que mais seria?”
E assim nos enganamos. E feio.
O amor não precisa ser igual. Mais: o amor quase nunca é igual.
É complicado admitir, mas é preciso. A pessoa não quer. É exatamente isso. Ela simplesmente não quer. Quem quer, meu amigo, dá um jeito. Não inventa que trabalhou até tarde ou que não curte beber dia de semana. Não diz que vocês estão longe demais quando apenas um bairro os separa. Não inventa que precisa levar o gato ao veterinário exatamente na hora da sessão de cinema.
Quem quer de verdade pega dois ônibus a uma da manhã, vai  a show de rock quando preferiria um barzinho e um violão, assiste a filmes de terror quando na verdade morre de medo de filmes desse gênero. E ainda tem até uma boa desculpa pra assistirem abraçados.
E no fim das contas, acredite. Os dois se completam mais do que meros gostos em comum. Muito mais.
 A questão é que se permitir a esse sentimento é uma virtude, depositar em alguém seus sentimentos mais verdadeiros é buscar também a sua felicidade, mas nem sempre as coisas andarão como desejamos. Nem sempre haverá a tão bonita e buscada reciprocidade, e isso é mais comum do que imaginamos.
O segredo é admitir que ainda não é essa a pessoa que dará um sentido novo na sua vida, e isso não é uma coisa ruim, afinal o amor precisa ser, antes de tudo, verdadeiro. Nessas horas o tempo é o melhor remédio,  tratará de cicatrizar possíveis feridas e, mais cedo ou mais tarde, cruzar seus rumos com alguém que curta macarronadas ou frutos do mar, praia ou cachoeira, canções líricas ou rocks pesados, não importa, afinal tudo soara de forma bonita pra vocês.
 brunno-leal
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Não se mate em vida, a morte já é certa

Conversando com uma amiga, em uma dessas conversas loucas, mas que fazem todo o sentido, falávamos de como a vida é curta para deixarmos de falar o que sentimos, guardar mágoas, prendermo-nos a pessoas que em nada nos acrescentam e, o que norteia o meu texto de hoje, falávamos em como a vida é curta demais para a gente viver em prol do trabalho, estudo, dinheiro (…)

Sim, é obvio que todos nós temos objetivos de vida. Uns querem comprar aquele carro tão sonhado, outros a casa própria, muitos sonham em ter o seu diploma de nível superior, tantos outros querem trocar a tevê, o som, a moto, o celular (…). São muitos os objetivos a serem alcançados a curto e longo prazo. Somos humanos, é normal e necessário (talvez) que tenhamos alguma conquista material em vista. Mas eu não concordo com a forma como muitas pessoas andam fazendo.

A vida não é fácil, nunca foi e nunca me disseram que seria. Todo mundo tem problema de todo tipo. Todas as pessoas que você vê na rua, mesmo aquelas que carregam um sorriso de ponta a ponta no rosto, tem, como diria os mais velhos, uma cruz a ser carregada. Mas isso não quer dizer que tenhamos que fazer o percurso ser sempre tão doloroso e impossível de qualquer bem-estar, prazer, leveza.

Conheço pessoas que nunca tem tempo para nada, absolutamente nada. Não relaxam, não descansam. Pessoas que vivem para o trabalho, de segunda a segunda, quando não é no próprio local, levam os deveres para casa e desconhecem um dia de leveza, de mente em paz, de estar somente preocupada em qual será o programa divertido a se fazer com a família, namorado (a), amigos. Conheço gente que pega inúmeras disciplinas a mais na faculdade e ficam sem tempo até para respirar (fazendo uso da hipérbole), viram madrugadas e mais madrugadas somente preocupado em conseguir a aprovação e adiam uma saída com os amigos, privam-se de passar um dia todinho assistindo a filmes, afinal, o sentimento de culpa irá dominar. Conheço pessoas que estão focadas somente em juntar dinheiro para tal coisa e por isso deixam de fazer inúmeras outras no presente, mesmo sabendo que o dia de amanhã é a maior incerteza que temos.

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Não, eu não critico quem busca realizar seus sonhos, seus desejos. Mas a vida já é dura demais para a gente enrijecer mais ainda. O estresse, as doenças psicossomáticas, a depressão, entre outros, estão aí para nos mostrar o quanto precisamos respirar mais calmamente. O quanto precisamos de mais leveza e tranquilidade nos nossos dias.

Não se mate de trabalhar ou de estudar, não se mate de preocupações ou paranoias, não mate seu emocional, seu bem-estar, seu espirito. Viva mais o bom. Sinta mais o que há de melhor. Queira mais ter as pessoas que ama por perto. Tenha tempo para você. Tenha tempo para ser feliz. Todos nós queremos alcançar algo, mas não faça esse algo dominar você por completo. O amanhã é incerto, nunca, jamais, esqueça-se disso. Um dia tudo isso vai acabar e não levaremos, literalmente, nada dessa vida. Até o nosso próprio corpo um dia se resumirá a nada. A morte já é certa demais para a gente duvidar que merecemos viver da melhor forma possível essa vida. Por favor, viva!

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Viva-se

Anime-se, ora! No entanto, anime-se agora, pois apesar de triste ainda é preciso sorrir de volta para as pessoas na rua, eles esperam seu bom dia. Use como conforto que até mesmo o grande da Europa, o Barcelona, levou uma goleada semana passada. Aceitar as falhas é preciso, acima de tudo, procure repará-las. Tolere também suas imperfeições. Seja sua dificuldade com contas, seu mal-humor ou o nariz tronxo. Continue caminhando sempre em frente, observe as pessoas ficando cada vez menos nítidas de longe. Consulte o oculista e constate logo o que já temia: aumento no grau e a dependência definitiva dos óculos. Aceite-se.

Pronto, agora olhe para o futuro com seus dois graus e meio de miopia e mantenha a esperança. Ainda que a esperança seja hoje, pra você, aquele resquício do sentimento de quando tocava a música de abertura do Dragon Ball GT. Não se afobe, acharemos uma saída pra humanidade, apesar do derretimento das calotas polares e do fato de estarmos ingerindo mais carboidratos do que gastamos, especialmente à noite. Tranquilize-se.

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Não guarde a comemoração para quando tudo der certo, valorize cada pequena vitória contra a preguiça diária ou os medos antes insuperáveis. Lembre-se de, ainda que não seja carnaval, celebrar, pois sempre cabe um carnaval fora de época e não tem época melhor para isso do que a prévia carnavalesca. Divirta-se.

Não fale de amor pra tia que pergunta, pro psicólogo que questiona, pros pais que esperam uma nora. Escreva um soneto, amasse e jogue fora, não mostre a ninguém, deixe ser apenas um segredo seu. Apesar de ser um fã convicto do Chico Buarque, ouça a nova música do Wesley Safadão, porque afinal de contas: “ninguém é de ferro”. Conheça-se.

Saia da zona de conforto, busque reinventar-se todo dia, experimente novos prazeres e novos modelos de sapato. Converse com estranhos, chegue tarde em casa na sexta feira, conte umas mentiras sobre o que gostaria de ser, peça uma sobremesa nova ao invés da “de sempre” no restaurante, perca tempo com bobagens, aprenda a tocar um instrumento. Inove-se

Guarde uma tarde para os amigos, pratique exercício físico 3 vezes por semana. Faça algo que lhe dê dinheiro, mas dedique um tempo para aquilo que mais ama. Nem que seja só por diversão durante uma pequena parcela do dia, sinta-se bem. Depois disso tudo durma, durma o suficiente, durma 8 horas diárias, aproveite e passe do horário no sábado e domingo. Depois acorde e faça tudo de novo. Respire-se.

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Ninguém, além de nós

Lembro das coisas que me disseste e isso é o que tem quebrado o silêncio da tua falta. Lembro dos momentos em que a calma nos faltou e nos perdemos em nossos próprios desejos.

Somos jovens e é tudo tão novo, é tudo diferente e é tudo normal, intenso, forte e devastador. Somos cabeças duras, teimamos até onde der. Tememos, sofremos e tudo o que queremos é não demonstrar.

É esquecer.

É chorar.

Mas sem ninguém saber.

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Ninguém, além de nós, pode saber que somos incapazes, que falhamos e como qualquer pessoa normal e que podemos fraquejar. Não. Temos um ao outro, temos a nós e, mesmo assim, insistimos em brigar, em fugir, em recuar.

É normal.

Quem já apanhou tanto tem medo de voltar a brigar.

Somos jovens.

Meu desejo é de que possamos aprender a confiar. Que nos seja permitido tentar com todas as forças. Lembro das coisas que te disse e das que ouvi de ti por muito tempo irei lembrar.

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Não te amo “porque”, te amo “apesar de”

Quando nos conhecemos o meu encantamento foi instantâneo. Me apaixonar por você foi fácil e simples. Cada um dos seus movimentos me enchiam os olhos. Cada palavra que a sua boca proferia inundava meu coração. Cada olhar que você dirigia a mim me atingiam feito bala. Fui discreta e não demonstrei fraqueza, provoquei a conquista para aproveitar cada um dos seus esforços, em vão, você permaneceu me conquistando mesmo depois de ter meu coração todo nas mãos.

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O tempo permitiu que nos conhecêssemos nos detalhes da rotina e o dia a dia mostrou que nem tudo é tão simples quanto foi me apaixonar por sua barba e sua voz rouca. Não, nem tudo são flores quando você escolhe dividir todos os seus dias com outra pessoa. Existem momentos difíceis e conflitos frequentes. Existe tristeza, frustrações e até carência. Existe minha TPM e seu futebol, minha mania de organização e sua bagunça constante, sua playlist que não combina com a minha e sua cerveja que não conversa com meu vinho branco. Temos opiniões divergentes, convicções distintas e personalidades opostas, mas também estamos submersos no mesmo oceano de paixão. Os relacionamentos são assim, uma eterna luta entre o amor e a dor.

Apesar dos carinhos e do beijo de bom dia, seu mau humor matinal quebra o encanto do início do dia. Adoro o café na cama todo domingo, mas odeio o ronco que precede o despertar. Me surpreender com presentes fora de data sempre faz meu peito acelerar, mas ele para sempre que você não me atende. Fico maluca de amor sempre que você me chama de “minha pequena”, mas também fico louca de ódio quando você deixa a tampa do vaso levantada. Amo nossos banhos compartilhados, mas detesto a toalha molhada que acaba jogada na cama. Venero seu abraço apertado, mas abomino seu esporádico egoísmo. E assim a gente vai levando, amando e implicando, dia sim e outro também.

Te amo! Muito. Por todas as suas qualidades e talentos, mas acima de tudo, te amo apesar dos seus defeitos e manias.

 

PS: Esse texto é resultado de uma longa conversa com minha grande amiga Danielle Deboni. Obrigada, minha amiga! Amo você!

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Às vezes não fazer nada também é tomar uma decisão

Seus olhos encontram os meus. Me acho e me perco, antes mesmo de um piscar. Fico em dúvida sobre o que pode ser… é inexplicável, é  surpreendente, é novo!  Algo que eu não sentia há tanto tempo, ou quiçá já senti antes, mas não sei se devo pensar, se devo esperar, se devo agir ou se devo fugir.

A fuga me parece o caminho mais fácil, mais certo, mais seguro. Eu sempre gostei da segurança, só de pensar em seguir um caminho sem saber qual a estrada seguir eu já me sinto ansiosa e um pouco perdida. Mas fugir poderia me privar de viver coisas que sempre sonhei e nessa indecisão, nessa incerteza de ação, nesse medo de tentar eu escolho não fazer nada, permanecer na inércia de apenas esperar.

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Espera pelo o que ainda não sei. De mim? De você? De nós dois? Ou de ninguém? Não sei, e continuo sem saber, sem buscar uma resposta, sem fazer perguntas. Apenas questionando o meu interior, mas falando baixinho, com medo de ouvir a resposta e não ter mais como evitar. Desse modo decido apenas observar.

Observo, sim apenas observo o que está ao meu redor. Fico na espera de ter uma resposta, de você ser a resposta para todas as minhas dúvidas, de você ser o ponto final para todas as vírgulas que eu coloquei em minha caminhada.

Eu tento agir, mas é como se algo me prendesse, talvez o passado, já que ele adora assombrar o futuro. Talvez o medo de repetir os erros que deveriam ser esquecidos, talvez, talvez. Muitas são as dúvidas e as possibilidades das ações que eu poderia ter executado.

Na incerteza do que é certo, do que é necessário e do que é real, vou esperando por notícias e respostas que não vou procurar, pois vou deixar que elas me encontrem, e quando esse dia chegar espero estar preparada para recebê-las sendo elas boas ou ruins, de alegrias ou de tristezas, de amores ou desamores. Pois no fim, acaba que essa é a minha escolha, não sei qual serão as consequências, mas sei que eu merecerei o que estiver por vir. Descobri que esse não é o meu momento de correr, nem de andar, mas sim de descansar. E talvez você esteja muito a frente de mim, não posso pedir que me espere. Mas quem sabe quando eu voltar a minha jornada eu te alcance outra vez, no momento eu apenas irei usufruir do privilégio de permanecer sem saber o que fazer.

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“Vários contatinhos” pra quê?

Talvez nada esteja mais na moda hoje, do que a tal expressão “vários contatinhos”. Ter os tais vários contatinhos, implica em ter vários esquemas, mas não namorar ninguém. Ter uma pessoa para cada dia da semana, se possível, para matar a carência, a vontade de beijar na boca, a vontade de ir pra cama e afins… Mas e a paz de domingo a tarde, a gente vai dividir com quem? Porque as tardes de domingo são especiais, não se pode dividi-la com qualquer pessoa. É exatamente neste momento, que a vantagem de possuir várias pessoas, se esvai, porque eu converso com Pedro, Victor, Alex, Leo, Lucas, Daniel e Ricardo, e cada um deles, por sua vez, tem o seu número de moças com quem conversam. Eu posso ir ao bar com Leo hoje, comer comida japonesa com Victor, amanhã, no almoço, e a noite, partir para a selvageria com Ricardo, que almoçou com Milena, e no dia anterior foi ao cinema com Letícia, porque ele também tem os seus vários contatinhos. E eu nem vou levar a sério, porque vai saber quem eu vou conhecer na sexta-feira, que vai ter lugar para começar, mas eu nem sei se vou amanhecer na mesma cidade e com quem, no sábado. E no final das contas, ninguém é de ninguém, mas todo mundo tá aí, se pegando. Todo mundo canta em coro “Você partiu meu coração, mas meu amor, não tem problema, não, não; Que agora vai sobrar então, um pedacinho pra cada esquema. Só um pedacinho!” mas espera aí, é isso que eu quero pra mim?

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Pelo menos uma vez por semana, eu ouço que preciso ter vários contatinhos, porque afinal de contas, todo mundo tem! Mas veja bem, eu parei para analisar, e descobri uma coisa: eu não preciso ter vários esquemas ou “vários contatinhos” para me sentir feliz, satisfeita, bonita ou uma mulher completa. Pra quê manter o coração partido, se eu posso ser inteira e plena? Pra quê dar um pedacinho do meu coração pra cada boca que me chamar a atenção? Como sempre bem disse minha mãe: eu não sou todo mundo. Eu não preciso enrolar o Alex até sexta, porque hoje eu vou ver o Pedro, amanhã é dia do Dani, quarta é dia do Lucas, e quinta eu vou precisar me virar pra não trocar os nomes do Victor e do Ricardo. Eu não quero nenhum deles, e muito menos o Alex, ou o Leo, que nem lembrava que tinha combinado comigo. Eu não quero sair com a obrigação de beijar pelo menos uma boca no sábado. Eu não quero ser carente a tal ponto, de ter a necessidade de supri-la constantemente. Eu não quero todas estas mãos me tocando, todas estas línguas me envolvendo, e todos estes corpos se ligando ao meu. Eu não quero me perder entre os nomes que aparecem na tela do meu celular. Eu não quero ter receio de trocar o nome de ninguém. Eu não quero ser chamada de “rainha deles”, enquanto pego todos os que são chamados de “rei delas”. Eu não quero ser igual. E eu não preciso do vazio do domingo, do vazio do peito, ou do espaço vazio ao meu lado, enquanto eu construo sozinha o meu castelo, as minhas vias de acesso e a minha vida toda.

Sinceramente? Eu desejo que você, que sempre vem me dizer que eu preciso de vários esquemas, vá cuidar da sua vida. Eu aprendi a respeitar o meu corpo, os meus limites, e, principalmente, os meus valores. Eu nunca fui para vários homens pensarem possuir. Eu sou o tipo que é mulher de um homem só, e não aceita ser tratada como segunda opção de ninguém. Eu sou o tipo de mulher que um homem precisa batalhar para ter. E não pense que já não há homens que batalham para possuir apenas uma, pois muitas foram as batalhas para possuir este coração, que está escondido nas conchas das mãos de Deus. A verdade, é que apenas o amor poderá fazer com que Deus abra as conchas de suas mãos, e deixe meu coração à mostra, e nenhuma das batalhas travadas, foram com as armas corretas. Esta é a minha realidade: eu acredito no amor. Piamente. E eu prefiro caminhar efetivamente só, do que aparentemente acompanhada, e terminar o meu domingo em plena solidão vazia. Eu prefiro a leveza da espera silenciosa por um amor certo, do que a gritaria escandalosa e pesarosa, de pertencer à vários corpos, e ainda assim, não pertencer à nenhum.

Só lá, na paz do amor certo, é que eu vou poder despir a minha alma… Pois veja bem, não se despe a alma para qualquer um. Alma é profundidade plena, que não pode ser confundida com aquela última decepção, apenas. É na paz do amor certo, que a gente junta os nossos sonhos, com os sonhos do outro, e dá as mãos para aumentar a força da empreitada para alcançá-los. É na paz do amor certo, que a gente constrói a vida junto, mesmo que já tenha construído tanta coisa só. É na paz do amor certo, que dois inteiros transbordam – porque, entenda, essa coisa de “metade” é história pra boi dormir, porque ninguém merece ter que ficar tentando completar as lacunas emocionais do outro -.

E é aí que eu te pergunto: ter “vários contatinhos” pra quê? Pra não me sentir sozinha? Pra me sentir desejada? Pra elevar o meu ego, e ter a comprovação de que eu sou bonita, gostosa, e desejável?

Deixa eu te contar, meu bem… tudo isso é vã vaidade. Porque, no final das contas, a gente tem que saber e conseguir se encarar no espelho. No final das contas, os “vários contatinhos”, são uma equação desigualmente errônea, que resulta na solidão que a gente quer fugir. Essa mania de querer se saciar em tanta gente e provar tantos sabores de tantas bocas, só mostra o quão NADA resolvido a gente é. A gente tá querendo saciar o quê, afinal? Que depravação é essa, tão infinitamente profunda quanto a alma?

Se ainda assim você escolher os seus vários contatinhos, eu respeito você. Mas não venha me chamar de boba, de trouxa, de atrasada ou de arcaica. Eu ainda acredito no amor, e eu ainda espero por ele, sabendo que ele não virá em cavalo branco algum, mas virá a sua maneira. De qualquer forma, a minha alma solar continua lhe fazendo sinal nos dias mais nublados e nas noites mais escuras.

Eu respeito a sua mania de querer tudo ao mesmo tempo, e não aproveitar plenamente este tudo. Agora, respeite a minha decisão de sobrepor a qualidade, e deixar a quantidade de lado.

Afinal, vários contatinhos pra quê, se eu nasci para um amor certo?

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