Não me venha com desculpas tortas

Eu poderia começar citando o maior abandonado Cazuza, cantando desafinada que mentiras sinceras me interessam, mas as coisas não são bem assim. A verdade é que estou farta dessas falsas verdades que você conta, cada vez que vem com as mãos no ar, rendendo-se e me presenteando com qualquer desculpa. É sempre o trânsito que está caótico. É sempre o trabalho que está cheio. É sempre os amigos que precisam de uma companhia para uma cerveja. E eu ali, esmagada entre um horário vago e outro, escondida entre teus lençóis, catando migalhas do teu amor por qualquer canto dessa casa vazia.

Não pense que é mesquinharia minha. Eu não menti nenhuma das vezes quando disse que estava tudo bem para mim. Porque estava. Você era sincero quando me contava que havia a turma e havia o futebol. Você antecipava tuas horas extras e me mandava mensagens, dizendo que chegaria mais tarde e que sentia saudades. Mas hoje eu vejo que não sou mais suficiente. E todas as vezes que tentei te mostrar isso, você veio cheio de desculpas tortas, dizendo que eu estava transformando em tufão uma brisa qualquer.

Você não vê a tempestade que está aqui dentro. Você não enxerga o caos que mora dentro de mim e não faz ideia do tanto de amor que sinto. É uma merda, boy, porque eu sei de todas as tuas mentiras, de todas as tuas desculpas esfarrapas e, ainda sim, eu fico. E vejo você ir, pouco a pouco. Vejo você se aventurar pouco a pouco. Vejo você ficar bom nessas desculpas que me dá cada vez que madruga, cada vez que deita ao meu lado, beijando doce minha testa e desejando um boa noite sussurrado, para logo virar de lado e me deixar ali, sozinha, guardando o amor debaixo dos lençóis.

Eu cansei, boy. Cansei das tuas desculpas, cansei de mendigar e cansei desse amor que sinto. Quero jogar tudo fora. Pôr os pingos nos is. Chorar tudo que há para chorar e dizer tudo que há para te dizer. Porque há muito para dizer, boy. Tem tanta verdade enclausurada aqui dentro que temo morrer de silêncio. Mas aí eu calo. E fico. Porque maior que as tuas desculpas tortas, são as desculpas que invento para ficar.

Sobre o dia da mentira e declarações de amor

Provavelmente você achou o título deste texto meio esquisito, não é mesmo? Mas calma que irei explicar. Que 1° de abril é dia da mentira já sabemos, o que pra mim nada mais é do que uma desculpa para mentir sem culpa, já que convivemos com ela durante todo o ano.

E hoje eu vi nas redes sociais a seguinte “dica”: Aproveite que é primeiro de abril, para se declarar para o seu crush. Se ele(a) não gostar do que disse ou se assustar, diga que é mentira – “pegadinha do malandro”.

Sério isso? Demonstrar o sentimento agora, só se ele for aceito?

Porque ainda temos esse medo de declarar o que sentimos? Eu me pergunto. Eu também sou assim, não pense você que neste barco furado aí não tem marujos a bordo. É claro que têm. E a única resposta que eu consigo pensar, plausível, para responder o por que de não nos declaramos é: medo. Sim, o medo de sermos rejeitado, o medo do sentimento não ser recíproco e o medo de ganhar mais um não pra coleção. E tem mais, se a pessoa que gostamos for do nosso círculo de amizade, tem o medo de perder um amigo(a). É como se criássemos uma prisão para tudo aquilo o que sentimos, o que é bem ruim.

Aí você fica naquela neurose toda. Não sabe se declara, ou se fica quieto. E se eu falar e ele(a) não gostar? E se eu falar e for rejeitado (a)? E se eu falar e perder a amizade? E se… Aí você fica lá, no cantinho da sua cela, remoendo tudo isso, sem saber como agir.

Daí eu lhe pergunto, vale mesmo sofrer tanto por medo de dizer algumas palavras? Ou pior sofrer por não dizer o que sente? Apesar de eu também ser assim, e pretendo melhorar isso, acho que não. Palavras não arrancam pedaço. E o melhor é falar mesmo logo de uma vez o que sente, soltar a bomba. Se der certo, fico feliz. Se não der certo, experiência. Parte pra outra(o), ou não, fica na sua. O que não pode é ficar esse sentimento aí, que é bonito, preso na garganta e no coração.

O melhor a se fazer é mostrar ao medo que, quem tem o controle é você. E você tem o direito de expressar os seus sentimentos, sem julgamentos. Tenho certeza de que se a pessoa for um amigo mesmo, você não perderá a amizade, aliás, acho que ela pode evoluir, demonstrará que você não tem medo de se expressar. E se for rejeitado, o que é ruim, uma hora passa, eu sei que passa. E o fora que levou, livre – se dele e vá em busca de um sim. Afinal, o não você já tinha, você só estava tentando um sim.

Declare – se. Porque não há pior prisão do que a que criamos para os nossos sentimentos.

Ele é apenas um discurso

“Você é a pessoa que eu sempre quis encontrar na vida, daqui em diante, te quero comigo”, era o que ele dizia. E eu sei que você acreditou nos olhos cantantes que te inebriavam como o canto da sereia. Eu sei bem o que cada promessa fez ao teu coração, menina. Eu bem sei até onde aquelas poesias foram na sua alma. Eu sei o que tudo isso foi pra você: um arpão, que te rasgou por dentro e te cortou o ar ao ser brutalmente retirado do meio do teu peito. Um rombo enorme, uma cicatriz do tamanho do mundo. O teu mundo, chocado com o de outra pessoa. Discursos de bondade, maturidade e sabedoria, discursos de retidão e postura atenciosa, que caíram por terra aos poucos, em cada indiferença, em cada atitude estúpida e imatura, que te fizeram pensar não ser boa o suficiente para ele, enquanto você esperava feito uma boba. Mas, menina, se, aqui, há alguém que não é bom o suficiente para o outro, este alguém é ele, e a outra pessoa é você. Em palavras, ele é o cara perfeito, o amor da sua vida, mas as atitudes comprovam o fato de que, quem não teve a coragem de ao menos pegar uma faca de cozinha e lutar contra os próprios demônios para estar ao seu lado, jamais te merecerá. Jamais merecerá teu coração, andar de mãos dadas com você, trocar olhares, receber teus abraços, e muito menos as suas lágrimas. Sabe, quando se fala em amor, mais importante do que a boa entonação de voz na sustentação oral perfeita, são as provas e títulos: pequenas demonstrações diárias de que este alguém merece morar no teu peito, provas cabais de que se trata de um homem de honra, capaz de cuidar bem de você. Não que você seja incapaz de cuidar de si, mas porque a gente sabe como é bom se sentir cuidada pelo outro. Provas cabais e pequenas demonstrações diárias, porque não se trata de qualquer coração, mas do seu! Tenha algo bem definido em sua mente: a culpa não é sua, se você deu o seu melhor para que desse certo, e no fim das contas, quem não deu o devido valor foi ele. Não carrega esse peso nas tuas costas, não. Você é uma joia rara, totalmente única, envolvida de características peculiares. O amor não é poema, não, o amor é a beleza ambiguamente frágil, das faces paradoxais, que se esconde em meio ao caos da existência. O poema, menina, é você, cheia de métrica e rimas que talvez sejam difíceis de compreender por um mero observador que passa do outro lado da rua; Se olhe no espelho: você é um poema, formado de tragédias e alegrias, dotado de um sentido real, presente em entrelinhas traçadas pela vida, que apenas um bom leitor poderá ler corretamente. Fazer teu coração de terra de ninguém, é mera covardia de quem não sabe ser nada mais do que apenas um discurso insustentável. Teu coração, menina, é uma terra linda, toda tua, que Deus cuida e repara. Mas esse moço que te enfiou um arpão em forma de palavras no teu peito, e depois teve a cruel covardia brutal de arrancá-lo… Deixa ele pra lá. A vida já tratou de comprovar que você é dotada de realidade, vide as forças que você tem juntado para se levantar do chão; mas ele, não… A vida já tratou de comprovar: ele é apenas um discurso. Uma hora o espelho vai estar na frente dele também.

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Minta pra mim

“Quando você me deixar… Quando você for embora…
Diz que é pro meu bem, que é você que me faz mal, que eu mereço coisa melhor, que eu sou sensacional. Mas… MINTA PRA MIM!!”

Como se fosse um sinal inexplicável amanheci com esse verso na mente. Já ouvi mais de milhões de vezes o Alexandre Nero falando-o, mas nunca achei que um dia eu seria capaz de entendê-lo. Mas a verdade é que a mentira é realmente mais confortável, já diria mesmo o Cazuza “mentiras sinceras me interessam”. E às vezes não precisamos e nem queremos que sejam sinceros conosco, não queremos a verdade nua e crua pois sabemos que ela vai doer. E como dói…

Eu não queria te ver de novo, sabia que algo de ruim aconteceria. Carnaval, festas, bebidas e uma coisa levou a outra. Meu coração já havia desacostumado com a tua presença e por isso voltou a pulsar com o ritmo de uma escola de samba. Eu te queria comigo, te queria por perto. E eu havia conseguido. Você estava ali, como um amigo, deitado em meu colo, desabafando da vida. Mas eu queria mais. E esse sempre foi o meu medo. Te ter por perto faz a bateria da escola do coração bater desordenadamente, seria a primeira eliminada do desfile de carnaval, mas tê-lo nos meus braços faz com que toda essa bateria se harmonize e consiga tocar Caetano Veloso fazendo tudo se encaixar.

Conversamos, rimos e choramos. Não queria ter chegado nessa fase, mas chegamos. Te admiti os meus mais profundos sentimentos, com alguns litros De cerveja na mente que te fizeram não acreditar. Você foi estúpido, grosso, errou ao não beber e mesmo assim querer me escutar. E aí então, quando você me olhou no fundo dos olhos e falou que não havia chance de darmos certo eu perdi ao certo o chão sob meus pés.

Você diz que não gosta de mim, mas demonstra em todos os cantos o quão importante sou para você. Diz que não quer mais para auto justificar o seu sofrimento ao me ver. E aí então, eu te pergunto: assim Como o Nero, tu prefere que eu minta para você? Prefere, realmente, que eu te diga que não sinto mais nada e que está tudo bem? Você prefere ser conformado com a mentira do que criar coragem para enfrentar a verdade?

Se preferir assim, eu o farei. Só me promete que também o fará. Que quando eu sumir você mentirá que não sente falta. Promete que não vai voltar com meia dúzia de verdades me fazendo voltar atrás com todo o sentimento que, aos poucos, eu aprendi a guardar. Promete que as mentiras serão pra sempre. Eu te entendo, elas são menos doloridas do que enfrentar a verdade.

Falar a verdade à alguém é uma das demonstrações mais fortes que existe, mas a mentira, por vezes, torna-se ainda mais forte. Mentir para não fazer determinada pessoa sofrer é um sacrifício, mas recompensador. Ninguém quer a verdade 100% na cara, pois ela sempre dói e machuca. A mentira alimenta o amor, faz ele não ter um termino tão duro, faz ele permanecer ali, pronto para estourar a qualquer momento.

Como diria a Fresno: “A verdade demora, mas chega sempre sem avisar”.

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Verdades sobre as minhas mentiras

(Texto puramente fictício).

Vou é falar a verdade; vou me despir de hipocrisias. Portanto, pouco me importa se vou parecer egocêntrico, arrogante ou qualquer conceito do gênero que possa passar pela cabeça dos outros. Sem dissimular ou mentir, vou contar um pouco sobre meu personagem:

Minha vida é uma grande peça – essa sempre foi minha visão – portanto atuo todos os dias, a todo momento. Desde cedo gostei de apostar tudo quando tive essa escolha. Influenciar pessoas para atingir objetivos, liderar causas e motivar os outros para lutarem pelas minhas bandeiras. Qual é o mal disso? Eu sempre consigo. O mundo é dos espertos, meu amigo. E não estou aqui ‘bancando o espertinho’, veja bem: Estou jogando, lançando os dados e colocando as cartas na mesa – porém sempre de forma inteligente. Passos calculados e muito bem traçados. Eu sei de cada degrau que subo.

Não se engane com meu jeito ilusóriamente passional. Mostrar ingenuidade, emoção, cativar e usar de carisma são apenas estratégias de um plano frio e calculista. Posso conquistar quem e o que eu quiser apenas utilizando ferramentas que aprendi a usar. Olhos, gestos, sorrisos e toques; conversas inocentes, assuntos despretensios. É assim que eu uso as pessoas como peças para eu jogar. Vou usar de simpatia, vou despertar paixão nos olhares e vou ocultar o terrível mentiroso que aqui habita.

Eu tenho os macetes e manhas. Sou o bote da cobra, sou a teia da aranha. Sei que lhe desperto algo; pode ser inveja ou admiração. Mas fato é que indiferente a minha presença não há como ficar. Sou fogo, sou leão. Nasci para ser o centro e estar no topo. Não estou na vida à toa: vou conquistar todos os meus objetivos, calar a boca de quem falou e não me conhecia, estarrecer quem não enxergou meu potencial. Meus ídolos vão se transformar em meus amigos – e os que não quiserem, talvez em inimigos -, meus concorrentes de hoje vão acabar sendo simplesmente nada além de poeira no meu sapato. Vou preparar um café doce pra saborear com minha vingança, a mais bem pensada ‘vendetta’ por essa nobre alma que apenas cansou de ver mentira e está aqui sendo honesto. Todo mundo mente, todo mundo pensa coisas do teor das que expus aqui. Contudo, prestes a ser julgado, quero ver subversão nesse mundo. E os que apontarão o dedo me diminuindo por parecer assim tão egoísta, quero que simplesmente encontrem o inferno; eu entendi o que a vida me fez entender. Entrei na dança e flerto com a moça mais bonita do salão. Todo esse insano baile da vida real quer uma chance com ela, só que serei eu o vencedor. Por que? Porque eu sou a pessoa mais predisposta ao sucesso que você vai conhecer. Eu nasci pra vencer.

Se dissimulo é pra não soar como soei nesse desabafo; se minto é pra disfarçar essa série de certezas que tenho sobre mim. E no fundo sei que sou gasolina, pólvora, traição e ardil. Vou incendiar o meu mundo e todos que estiverem ao meu redor. Ou vira em chamas comigo ou derrete queimado na fogueira das minhas conquistas. Vou derrubar cada um que ousar atentar contra meus sonhos. Estou pronto para chegar ao extremo. Comecei uma caminhada e vou passar por cima de qualquer coisa que arriscar me atrapalhar.
Eu acredito em mim mais do que em qualquer coisa e aconselho você a não ficar no meu caminho…

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