..e por aqui, eu vou fingindo que não penso em você

Nossos caminhos agora são outros. Diferentes. Dispersos. Tudo bem, eu não descarto a possibilidade de que, em algum momento, eles se encontrem e a gente volte a se cruzar. Mas agora, de coração, eu espero que isso não aconteça. Agora eu espero não saber nenhuma notícia sua. Espero que você não pense em nós, não sinta saudade, não tenha vontade de me ver. Ou eu ache que não…

Sim, porque se isso acontecer e eu ficar sabendo de algo,meu amigo, tudo desaba dentro de mim novamente. E olha, você não sabe o trabalho que deu-e ainda dá- para manter tudo em ordem aqui dentro. Se é que está mesmo em ordem. Mas por enquanto é melhor assim. Longe. Distantes. Porque mesmo que digam que distância física não separa sentimentos, eu prefiro acreditar que a ausência traz o esquecimento e que um dia você vire só uma lembrança que não causa mais nenhum mal.

Sinto saudade, não nego. Mas uma hora ela ameniza, passa, voa para bem longe. A vida sempre segue. Se tem uma coisa que eu aprendi na marra é que ela não para porque a gente parou. As bagagens mudam, os encontros são outros. Alguns marcam e ficam. Outros simplesmente se vão sem despedida.Talvez porque se houvesse, não haveria partida. É sempre muito doloroso partir e deixar para trás histórias e lembranças. Mas é preciso.

E um dia a gente se acostuma e aprende a entender esse jogo do nosso querido destino, universo, coincidências, escolhas. E até lá, meu bem, se cuida daí que eu me cuido daqui…

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Segui em frente e não vou mais lhe esperar

Esperei pelo beijo depois da briga, só tivemos brigas, esperei na porta do cinema para a estreia daquele filme que você sabia o quanto eu estava ansiosa para assistir, um balde de pipocas amanteigada fora minha única companhia. Esperei que me convidasse para irmos de mãos dadas ver o sol se pôr, e me encontro nas areias da praia contemplando solitariamente, mais um luar, você? “- Deve estar atrasado, mas em breve irá chegar”.

Esperei tanto, que a espera se tornou pesada e tediosa, então eu esperei pelas suas desculpas, algo haveria de justificar tanto descaso, porém nem me iludir mais você se dava o trabalho, o trânsito estava cheio, meu patrão me fez fazer hora extra, o periquito da minha tia avó precisou de cirurgia cardíaca, quis sua companhia e ao invés disso, sua ausência se fez notar, juntamente com o silencio brutalmente intragável, de namorados passamos a dois tristes estranhos solitários.

Esperei que me amasse, lidei com o seu desprezo, esperei pelo seu sorriso, encontrei um rosto fechado e distante, esperei pelo pedido de casamento, você me apresentou sua amante.  Chorei por dias a fios, esperei que a dor passasse, em mim ela decidiu fazer morada, sem pressa alguma de partir, esperei por um pedido de desculpas, tive que encarar a sua felicidade estupidamente estampada em todos os cantos para onde quer que eu olhasse.

Esperei por nosso futuro, tive que conviver com você se transformando em passado. Esperei pelo seu arrependimento, lidei com suas vanglorias. Esperei pelo dia que eu te esqueceria, e de repente recebo algo totalmente inesperado. Você em minha porta, me pedindo para voltar.

Você na minha frente, dizendo que estava cansado das porradas do mundo, e implorando pelos meus cuidados, você que estava cansado de prazeres banais ali estava desejando o meu amor, você que se sentia perdido, voltou me dizendo que eu era o seu cais, você que sempre debochou de todos as minhas declamações, estava ali, de joelhos em minha porta jurando que queria que eu fosse o seu par.

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Você que eu já não lembrava mais da cor dos olhos, ou da intensidade do sorriso, do afago das mãos e muito menos da sensação de casa preenchida, me explicava incansavelmente a quanto estúpida tinha sido as suas escolhas, você que me virou as costas e me negou o seu amor, hoje me suplica dizendo que sou a mulher de sua vida, que fez besteiras e que eu preciso lhe perdoar.

A você que tanto me pediu para que eu seguisse em frente e viesse a te esquecer, sinto lhe informar, mas não te quero mais por aqui.

– Não me ama mais?

– Esperei por esse dia, incontáveis vezes, inventei tantas desculpas para o seu desdém, que chegou ao ponto de eu não saber mais qual era a minha realidade, e notei que as desculpas são apenas a nossa válvula de escape, sempre estivemos quebrados, eu que demorei para notar. E hoje eu sei que o tempo que nos ajuda a superar e seguir em frente independentemente de termos aprendido a lição, ou recomposto os pedaços de nosso coração, não está à venda.

Assim como um pedido de desculpas depois de algo que realmente nos feriu tem a mesma utilidade que um peixe usando uma bicicleta. Cuidado. Todos pedem perdão, mas não são todos os “vamos passar uma borracha no que passou”, que realmente são encontrados numa gôndola de supermercado, ou nas minhas vontades.

Existem marcas que nem o mais sincero pedido de desculpas é capaz de surtir o efeito, aprecie, cuide, nem tudo que se quebra é favorável a um conserto, e no nosso caso Pedro, me desculpa, mas eu cansei de te esperar, então eu lhe superei.

Adeus!

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Quanto tempo é necessário pra esquecer um minuto?

É assim mesmo. É sempre o mesmo ciclo. Você conhece alguém. Tira teus pés do chão. Sai voando.  Como um avião, daqueles que quando a gasolina acaba não tem mais o que fazer. Comigo não foi diferente.

E agora, quando olho pra trás, vejo quanto tempo eu perdi.  Perdi tempo demais tentando fazer com que isso desse certo. Eu me esforçava tanto. Esforçava-me pelas duas partes. Podia ser terça-feira à noite, sábado de madrugada ou domingo de tardezinha. Eu sempre arrumei um tempo pra te ver. Te coloquei em primeiro lugar. Poucos e raros compromissos podiam ser mais importantes.  Eu sempre dava o meu jeito e ia te ver: feliz, sorrindo, boba como sempre fui.

Atendia tuas ligações, recebia tuas mensagens a qualquer hora, me arrumava em dez minutos. Mas agora eu vejo. E você? Você nunca podia. Ou nunca queria. Nunca.

“ O tio da irmã da ex cunhada da minha vó está de mudança e eu vou ajudar. Meu carro estragou. Minha mãe está vindo me visitar. Tenho futebol as 20h. Ah, e encontro com uns amigos as 22h. Tenho que estudar pra uma prova de qualquer matéria.”

Engraçado como tudo sempre estava programado na exata hora que eu resolvia te ligar. Você sempre teve algo pra fazer. Desculpas pra contar. Problemas pra resolver. Parentes pra visitar. Incrível.

Hoje essas mentiras que eu não pude ver na época, de tão claras, me cegam.

E eu sempre estive disponível. Sempre. E você não pode nem valorizar isso.

Jurou-me honestidade e sinceridade, as quais nunca cumpriu. Arquitetou planos pra nós dois que nunca saíram da tua imaginação.

Agora eu me encontro aqui. Perdida em meio a toda essa bagunça. Eu sei que passa.  Já passou antes. Sei também que nem sempre o que chega em nossa vida é para ficar. E é isso o que mais me incomoda. Eu queria que durasse.  Queria que dessa vez fosse eterno. Eu, você.  Não queria que fosse só mais uma fase.

Faz dias que me pego lembrando do dia que nos conhecemos. Agora eu me pergunto constantemente:

Quanto tempo é necessário para esquecer um minuto?

(Aquele maldito minuto do dia que nós nos conhecemos é o bastante pra mim.)

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As coisas que eu não posso mudar

Tento respirar fundo, mas me falta o ar. Não existe espaço suficiente pra ele passar por entre o nó que se fez na minha garganta. Estou afogado num poço de melancolia há um certo tempo. Acredite, já tentei de tudo pra superar isso; Ignorar foi em vão. Aceitar e seguir em frente foi impossível. Me perder nas noites, entre bebidas e drogas, foi ilusão. Desabafar aliviou na hora, só que depois tudo sempre volta. É geralmente em momentos como agora: na insônia que me acompanha durante a madrugada quando dói mais. Não existe playlist no rádio e nem serie de TV que mantenha minha mente ocupada o suficiente pra não pensar. Cabeça vazia é a oficina do diabo e, de uns tempos pra cá, parece que ele fixou residência aqui nos meus pensamentos. 

Amar, meu amigo, é uma coisinha bem complicada que o ser humano inventou de sentir. Seria tão mais fácil sem apego, sem sofrimento, sem drama por quem a gente gosta, sem a porra do ciúmes que vai nos deixando pouco a pouco mais medrosos. Você inevitavelmente acaba caindo nos encantos de algum olhar, se apaixona por aquele sorriso e se envolve com aquela pessoa. Eis que o passado vem, em um belo dia qualquer, fazer uma visita despretensiosa. Com o passar dos dias, das brigas e dos rancores, ele vai se tornando um residente indigesto das nossas vidas. O inferno vem quando você se dá conta das coisas que não pode mudar.

Geralmente eu tenho lemas que me motivam nas horas difíceis. Saídas para situações complicadas, escapatórias para fantasmas que tentam me cobrir por um lençol de depressão. Pra tudo se tem um jeito, disso eu não tenho dúvida. E pode ter certeza: sou alguém que vai saber te aconselhar e acalentar sobre os dilemas da sua vida caso seja necessário, caro parceiro. Meu problema é aceitar que nem tudo na vida está sob meu controle. Engolir essa verdade já foi muito difícil, só que concordar com o fato que de eu não posso mudar o que me machuca ainda segue acima da minha evolução. O que será que eu preciso fazer? Neste vago momento o poeta fica sem palavras.

Por causa de amor hoje têm gente que não suporta ouvir meu nome. Por causa de amor têm gente que me faz sentir ódio e arranca lágrimas dos meus olhos sem sequer saber ou ser atingido por isso. Há muitos segredos que todos nós guardamos e provavelmente vão morrer conosco – se não escaparem em função de alguma gota de álcool a mais qualquer noite dessas.

Segredos são formas do passado se manter vivo e ter a oportunidade de atormentar. Caramba, ele sempre volta. Eu odeio esse tal de passado. É por culpa desse maldito que perco meu tempo, desperdiço minha alegria e me sinto impotente. 

Cara, eu realmente odeio muito o passado. É nele que vivem as coisas que eu não posso mudar.

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Aos poucos tudo foi se perdendo

Não foi como aquelas histórias rotulada com o “Era uma vez”, até porque não teve o inicio da paixão como em um passe de mágica. Foi tudo assim… Tudo acontecendo gradativamente fora do normal e surpreendentemente inesperado. Quando me dei conta me sentia entregue, propensa, vulnerável… Sentia-me sua – até demais -. Não me importaria de ser sua experiência de amores impossíveis ou ate sua conquista alcançada, se eu tivesse essa sorte. Mas em pouco tempo começou existir o choro, a tristeza, a saudade, falta de reciprocidade, medo e a insegurança. Eu pensava insistentemente que não era normal existir isso, não entre nós, mas aconteceu. Só existiram coisas que você e minha ilusão eram os causadores, e ninguém além de mim poderia me ajudar a curar e esquecer todas essas lembranças; lembranças que para mim eram a melhor parte de você que ainda teimava em ficar acessa dentro do meu peito, aquecendo-me nas noites frias, levando-me a vários pensamentos quando escutava determinadas musicas ou até mesmo quando esse vazio resolvia me fazer companhia em alguma mesa de bar. Deixando mais claro entre um porre e outro que nunca existiu nada além das minhas ilusões;
 
Eu me dando por inteiro e você nem a metade!
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A arte de ir embora quando se quer ficar

É estranho como, as vezes, mesmo contra nossa vontade temos que partir. Seja de um lugar, seja de uma situação, seja de dentro de alguém… percebi então, de quantas coisas, lugares e situações eu tive que ir embora mesmo sem querer.
Seja porque era hora, seja porque existia um motivo relevante ou mesmo não tendo motivo algum aparente. É quando se tem a sensação de que é hora e não da mais pra ficar ali, mesmo querendo. É quando a gente quer ficar mas o cansaço nos impulsiona a seguir novos rumos e alçar novos voos. Só quem ja passou por situações semelhantes sabe do que estou falando: a arte de ir embora quando se quer ficar, de abrir mão quando se quer muito ainda, de deixar pra lá quando insiste em estar bem aqui. E quando eu digo arte é bem no sentido literal da palavra mesmo.

Porque nem sempre as pessoas entendem quando você se vai. Aliás, elas quase nunca entendem…. Não é qualquer um que é artista. E por isso, fica difícil explicar.

É difícil fazer as pessoas entenderem que nem sempre quando se quer é a hora certa. É difícil elas entenderem que a gente tira o time de campo mas o pensamento ainda joga o tempo todo. E que, lidar com essa ambiguidade é também muito difícil.
É difícil pra elas entenderem que a gente segue a vida porque a vida também sempre segue , mesmo que a gente não queira.

E assim aconteceu comigo, aconteceu com você… Eu tive que seguir. Fui embora querendo ficar. Olhei tantas vezes pra trás. Pensei em voltar outras tantas, mas continuei andando. Sai sem rumo, sem saber onde queria chegar. Só sabia que não dava mais pra voltar. A gente sempre sabe. Eu sabia que não dava, você também sabia. Sempre soube.

Fui embora. Andei muito. E percebi nessas andanças que você me fez falta. Não que eu quisesse voltar… Até porque fazer o caminho de volta seria cansativo, pois eu olho pra trás e já não consigo achar você. Hoje vejo que andei muito, até mais do que deveria. Perdi a noção do tempo e agora estou longe…
Eu só queria mesmo que você pudesse ver através dos meus olhos tudo aquilo que vi desde aquele dia até hoje, queria te contar minhas histórias, falar dos lugares lindos que conheci, dos por-do-sol em que eu sentei pra ver e pensei em você e em como seria bom se estivesse ali comigo.

Falar que o mundo nem é tão mundo assim como eu pensava ser.   Contar que conheci muita gente e que na maioria das vezes eu não andei sozinha. Mas, que ninguém se comparou a você ainda.

Mas isso pouco importa. Eu só vim mesmo aqui pra te dizer que eu não queria ter ido, mas fui. Pra te fazer entender que eu teria escolhido ficar se você tivesse me dado essa opção. Pra te contar que eu só fui porque você me permitiu ir embora. A gente sempre vai embora não é?

Você abriu a porta e eu não questionei, eu simplesmente fui. Ainda não parei. Penso que ainda nos veremos pelo caminho, afinal o mundo é redondo e nem é tão grande assim.

Então, uma hora ou outra a gente se encontra e se reconhece. E aí, quem sabe, te convido pra ver o por-do-sol e poderei te contar do meu caminho e dos meus silêncios. São muitos, espero que ouças.
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Sai comigo essa noite?

Sabe, eu tenho tanta coisa para te contar, tantos meios para fazer com que continuemos acreditando em nós dois e, eu queria fazer tudo isso pessoalmente. Sei que tu precisa ter o teu tempo e eu não posso ser invasivo quanto ao seu espaço, mas acho que já chega de ficarmos longe, hoje à noite eu volto, tá bom? Não aguento mais minha mente me batendo e rachando meu crânio dizendo que já está na hora, meus olhos implorando para verem você novamente e meu coração se arrastando em tanta tristeza de não poder bater junto do teu.

Vamos sair juntos essa noite? Não precisa ser algo de extraordinário, só o fato de estar ao seu lado já é. Vamos, sairemos de mãos dadas, a pé. Eu só queria alugar Lilo & Stitch e ver que “Burning Love” do Elvis pode agitar não só a família deles assim como pode agitar nosso relacionamento. Danço contigo pela sala, te carrego nos ombros e, depois de tanto cansaço deito no teu colo. É que eu preciso te dizer que vamos adotar um gato, que meu dia está longe de ficar chato e que o Dr. House tem uma banda e lá o som de cada nota sai tão exato.

Essa noite Elvis vai tocar e nenhum vizinho vai se preocupar, eu deito no seu colo e te dou o meu topete para que você possa bagunçar. Mas espera. Pause. Vou te dizer uma frase e espero que ela seja absorvida: Bagunça todo meu cabelo mas para com essa história de bagunçar minha vida. Tá bom?

Chega de dúvidas e vamos nós dois garantir a certeza, senta aqui do meu lado na mesa, afinal preciso do doce da tua vida como sobremesa. Converso olhando nos teus olhos, falo sobre a felicidade que tenho sentido em estar ao seu lado e solicito ao garçom um bom vinho. E faço meu único pedido: Não cogite mais essa história de me deixar sozinho.

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