Do medo que nos priva de ser feliz

Eu te olho, tu me olhas. O coração acelera, a pele arrepia e o estômago embrulha. Levanto o olhar depois de me recuperar do teu encontro e lá tu ainda estás, com um sorriso aberto provavelmente esperando um abraço quente que te tire o frio, esperando um beijo de amor capaz de acabar com todas as estações do ano e fazer prevalecer apenas o calor do meu corpo no teu.

Mas somos covardes e isso não vai acontecer, porque temos medo da felicidade e nos deixamos levar por momentos de dúvida. Nos amamos e não somos capazes de assumir sem ser nas brincadeiras do dia a dia ou em um momento sério que logo passa. Necessitamos um do outro e vivemos na abstinência da presença, simplesmente porque preferimos isso a gritar para o mundo essa vontade louca que nos preenche todo dia.

E talvez nem seja tão errado assim negar esse amor. Para ambos isso parece o certo, mas no fundo… No fundo dói a sensação de não poder te ter para mim. Dói ver mensagens fofas e amorosas e saber que não posso te mandar, porque provavelmente outra pessoa está fazendo isso em meu lugar.

Mas o que mais dói é a esperança diária de que a mesmice acabe e que finalmente seremos um só. Sonho com o dia em que a coragem acorde com nós e nada mais seja capaz de apagar essa chama se acende sempre que pensamos um no outro. Pode demorar, pode ser que eu canse e me apaixone por outra pessoa, mas quando a vontade de ser tua chegar largarei tudo de mão e correndo me atirarei em teus braços  e o coração aperta de emoção ao lembrar do teu toque.

E que esse medo tenha medo de nos encarar e assim resolva pegar o seu rumo nessa vida para sair do nosso caminho. Que esse medo morra ou voe para bem longe e nunca mais impeça ninguém de ser feliz. Que saibamos superar essas fases ruins e que não deixemos o amor morrer, pois quando for pra ser, será.

E eu te amo, te amo com todas as forças que já pude amar alguém. Te amo como nunca amei e te desejo como nunca pude desejar. Quero pegar na tua mão sem medo do depois, quero olhar nos teus olhos azuis da cor do mar e falar, que pavor nenhum nessa vida vai me fazer deixar de te amar.

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Eu tive que fugir

Você não sabe garota, mas tão logo te vi, já fiquei fixado na tua. Você veio como a cereja do bolo, menina… Estava preparado para o que viria, mas não havia me preparado para esbarrar em você e, confesso, fiquei atordoado com a tua presença feminina e teu perfume importado. Tentei, a todo custo, desviar meus olhos dos teus e focar naquilo que me era importante, mas você ativou minha visão periférica de tal forma que me distraí consecutivas vezes, quase perdendo o fio da meada em cada uma delas.

Eu tinha muito mais por brigar e por dizer, mas me contive devido a tua presença ali, tão num canto e esquecida, mas que enchia a sala inteira. Era tudo você ali, cada milímetro daquele espaço, cada partícula de ar estava impregnada da tua presença. Meus olhos, ansiosos, me traíram algumas vezes, desviando-me ao encontro teu, carregando o ar com puro desejo.

Algumas vezes vi a graça com que você se escondia atrás dos cabelos e, ali, tive a certeza que cada olhadela minha não havia passado despercebido da intuição tua e o meu jogo ficou divertido. Era prazeroso ouvir as borboletas que se alvoroçavam em teu estômago e o leve tom rosado que corava tuas bochechas, ainda que involuntariamente.

Entenda, garota, eu tive de sair assim que pude. Estava a um fiapo de cometer algum tipo de insanidade e, sendo assim, fui longe. Longe do teu perfume, longe do teu sorriso, longe da tua voz arrastada e bonitinha. Sentindo muito, sentindo demais.

Eu me forcei a pôr a razão à frente de todas as coisas. E agora sozinho neste apartamento, remoendo cada pedaço teu que minha memória foi capaz de absorver, sinto a culpa evaporar dos poros…

Ah se eu tivesse me permitido…

 

O caos de Thiago

O dia amanheceu chuvoso, não haviam raios de sol entrando pela fresta da janela. Nada aquecia o quarto. Meus olhos se abriram preguiçosos e o corpo não teve forças para mover-se para fora da cama. Minha confusão mental e emocional tomou toda energia pra ela e não deixou qualquer migalha para que eu pudesse seguir em frente. O silêncio era só aparente, dentro de mim um universo inteiro implodia. Milhões de partículas arrebentavam com todo meu psicológico.

Ainda moleque me apaixonei por Melissa na escola. Ela foi minha primeira paixão, mas não me deu a menor bola. Passava por mim de narizinho arrebitado e ignorava meus convites para lanchar. Já crescido e cursando jornalismo a encontrei na faculdade e o jogo virou. Era ela que me desejava e eu fiz jogo duro, mas no fundo, queria concretizar o desejo do garoto bobo que ainda vivia dentro de mim. Beijos, cinemas, alguns jantares e ela aceitou o pedido de namoro. Foram 3 anos juntos e por ela eu movi montanhas. Atendi os desejos, mudei planos e desviei rotas. Abri mão de festas, empregos, oportunidades e até preferências. E pior, abandonei sonhos. Tudo para proporcionar a ela tudo que seu coração cobiçava. Ela era meu universo.

Mas o universo desmoronou todo quando ela optou por viver uma aventura passageira. Passageira para ela, só para ela. A traição ficou cravada no meu peito. Eu rasguei fotos, joguei presentes fora, bloqueei, ignorei e, por vezes, odiei. Mas ela não sai de mim, não deixa de visitar meus pensamentos. Sempre deixando um gosto amargo na boca, sempre jogando sal nas feridas que eu ainda tento cicatrizar. Dói. Machuca pensar que ela trocou todo meu amor por uma aventura qualquer. Pesa saber que ela fez essa escolha sabendo as opções que tinha. Arde perceber que ela não sentia por mim o que eu sentia por ela. Me permiti viver o luto pela morte do que acreditei ser amor.

Ana apareceu num momento crucial do luto. Aquele em que a gente começa a sair da caverna. Ela chegou irradiante, sorrindo como se a vida fosse sempre linda. E perto dela, é mesmo. Fui contagiado pela leveza que ela carrega e ela só me fez bem. O problema mora aí, como posso retribuir tamanho bem se estou em pedaços? Não sou capaz de dar a ela tudo que ela merece. Melissa ainda brota em meus pensamentos e as feridas ardem quando noto que não estou pronto para arriscar outro tombo. Me envolver com Ana seria simples e fácil, mas perde-la seria um golpe que eu não suportaria. Já me dediquei ao amor uma vez e o resultado foi desastroso.

Talvez eu seja mesmo um covarde. Fraco para me desarmar. Medroso demais para deixar que alguém se junte a mim. Ainda preciso reunir meus fragmentos e não sei se Ana estaria disposta a me ajudar nessa batalha. Não sei se posso confiar essa árdua tarefa a alguém que conheço tão pouco. Melissa tinha meu coração nas mãos e o jogou pela janela. Ana pode fazer o mesmo e eu não sobreviveria a outra queda.

 

Chove lá fora

Nunca fui uma pessoa apaixonada por chuva, pelo contrário, gosto de sua presença apenas quando fecho os olhos e ouço os pingos baterem à janela fazendo com que meu sono chegue rápido, assim como uma canção de ninar, e gosto dessa forma porque não preciso ficar vendo-a cair. Chove lá fora e aqui dentro é pura melancolia. É nostalgia, saudade de uma tempo não vivido, pelo menos não ainda; é vontade de querer ir para a rua deixando e sentindo a água gelada que cai do céu bater na cuca, mas lembro-me então que odeio banho de chuva, nunca achei romântico e muito menos gostoso, talvez seja porque ouvi durante quase toda minha infância que banho de chuva trazia sinusite, bronquite e todos os “ites” possíveis. É trauma. Um dia, quem sabe, me atrevo a mergulhar nessa gotas que para muita gente significa a forma mais simples e gostosa de tirar a “urucubaca”. Dizem por aí que a chuva tem quase um efeito de banho de mar, banho de cachoeira, mas, claro, adequando-se a seu tamanho. Tudo bem proporcional. Acredito que um dia me disponibilizarei a sentir todas essas grandezas que as pessoas falam quando querem dizer tudo o que a chuva significa para eles. Não encaro tempestades mas também não me encaixaria nas boas sensações dos chuviscos, ainda não me contento com os pouquinhos que a vida nos oferece – embora nesse caso para muitos seja uma situação lamentável. Talvez muitos estejam pensando nesse momento “Coitada, não sabe o que está perdendo” e no fundo eu até concordo. Não sei mesmo, nunca me joguei por aí, ainda me assusto com os ‘ites’. Chove lá fora e poderia chover aqui também. Poderia chover aqui porque quem sabe assim eu fuja daqui. Do medo.

Thais

Sem medo

Sigo adiante como sempre, mas agora de uma forma diferente: vou sem olhar muito para os lados ou dar ouvidos aos que os outros insistem em dizer. A cada vez que respiro fundo e fecho os olhos tenho um encontro veloz com minha consciência. Meu interior costumava ser cinza, mas tirei essa última virada de ano pra fazer uma limpeza e deixar tudo brilhando. Polida minha mente e cristalina minha alma, posso seguir mais tranquilo. Algumas sujeiras que a vida deixou na minha morada interior são um tanto difíceis de serem apagadas, porém fiz o melhor que pude. Cheguei a uma forma de pensar que me permite entender que algumas coisas estão fora do meu controle. Sempre fui dessas pessoas que são controladoras ao extremo e sofri muito por isso; são tantos aspectos, energias, campos magnéticos, gente atraindo situações, que fica impossível simplesmente querer tomar as rédeas de todas as coisas que acontecem na nossa vida. Não que isso tenha sido uma descoberta recente, mas que magnífico quando passei a entender de fato o que isso significa!

Acordo, então, todos os dias querendo ser melhor em algo. Encarar a vida como uma escada e ver cada amanhecer como um degrau a ser subido é uma forma interessante de manter-se produtivo. De ideias conectadas com uma crença no universo – ou pelo menos em algo que está acima da nossa sabedoria – vou pedindo inspiração e essa vem se renovando e trazendo novas situações. Já falei um milhão de vezes sobre a inevitável lei de ação e reação sob a qual somos – de certa forma – regidos. Poucas coisas fazem tanto sentido quanto isso, acreditem meus amigos. Por essas e outras adotei algumas práticas que me permitem dizer que quando conquistamos a liberdade de viver sem medo passamos a viver de verdade.

Livrar-se de pensamentos negativos ao extremo é o primeiro passo. Pensar nas coisas como um todo: no perdão como uma dádiva, na positividade como a mais sábia filosofia, no amor como a única revolução verdadeira. Ver amigos como irmãos, inimigos como passíveis de compaixão, o mundo como parte do nosso próprio mundo pessoal. E ao mesmo tempo saber ser recluso às maldades que vem de fora. Nada é mais importante que aqueles dentro de nossa casa – coloque aí o seu coração como casa – e por essa razão é fato que muitas vezes o inferno são os outros. Não o que essas religiões nos ensinaram desde a infância; espiritualidade é maior do que o pequeno pensamento de que apenas um seleto grupo é dono da razão.

A razão pertence a todos, é dependente do ponto de vista. Com esses aprendizados botei na minha – tantas vezes – oca cabeça que é sábio quem prefere ouvir do que falar, e é detentor de conhecimento aquele que sabe que não da pra fazer todo mundo pensar igual.

Dá pra viver com as diferenças, dá pra conciliar os pontos de vista e principalmente: dá pra se viver sem medo.

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