Gosto de você

Gosto de você.

Gosto do seu sotaque e do seu sorriso que arranca o meu tão facilmente… Gosto de como minha mãos se encaixaram tão bem nas tuas e de como me sinto segura em seu abraço. Gosto das rugas que se formam em seu olho quando sorri e dos teus olhares que eu já bem sei o que significam. Gosto da intimidade que se criou entre nós em tão pouco tempo, de achar que te conheço desde sempre e ainda me surpreender.

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Gosto quando me puxa e dos beijos que se sucedem… dos longos, dos rápidos, dos intensos e dos que pedem mais. Gosto da sua cara de safado, de sono, de cansaço, de fome e de quem me analisa e sabe o que faz… Gosto de ficar te ouvindo e de sentir teu corpo tão perto do meu, das tuas mãos alisando minhas coxas e subindo atrevidamente. Gosto quando me aperta, sufoca e me tira o folego e a razão.

Gosto quando beija meus seios e me olha e de quando beija minha testa e me abraça. Gosto de me perder no nosso gozo e de me encontrar nas nossas risadas. Gosta da sua sinceridade e de quando suplica para que eu fique só mais um pouquinho, quando pede só mais um beijo e faz eu ir me demorando cada vez mais em sua casa até que eu entregue os pontos de novo.

Ah! Eu tenho uma lista gigante de coisas que eu gosto em você, cada dia que passa você me ganha com um detalhe, gosto de saber que sou sua da cabeça aos pés e que saiba apreciar cada pedacinho meu… Seja com a boca, mãos ou olhos, seja me ganhando nas palavras, gestos e em ser exatamente o homem que és, que admiro e que me traz a paz que preciso depois de um dia cansativo.

Antes de dormir, depois de repassar tantas coisas boas na minha mente, eu agradeço a Deus silenciosamente por ter encontrado alguém que sabe me fazer feliz sem qualquer esforço, que faz eu viver plenamente o agora e esquecer o antes e o depois, alguém que parece querer ficar, que eu vejo que também está feliz só por eu estar ali… Hoje isso é mais que o bastante, então eu gosto de você, gosto que esteja aqui para mim.


thamires-alves

..e por aqui, eu vou fingindo que não penso em você

Nossos caminhos agora são outros. Diferentes. Dispersos. Tudo bem, eu não descarto a possibilidade de que, em algum momento, eles se encontrem e a gente volte a se cruzar. Mas agora, de coração, eu espero que isso não aconteça. Agora eu espero não saber nenhuma notícia sua. Espero que você não pense em nós, não sinta saudade, não tenha vontade de me ver. Ou eu ache que não…

Sim, porque se isso acontecer e eu ficar sabendo de algo,meu amigo, tudo desaba dentro de mim novamente. E olha, você não sabe o trabalho que deu-e ainda dá- para manter tudo em ordem aqui dentro. Se é que está mesmo em ordem. Mas por enquanto é melhor assim. Longe. Distantes. Porque mesmo que digam que distância física não separa sentimentos, eu prefiro acreditar que a ausência traz o esquecimento e que um dia você vire só uma lembrança que não causa mais nenhum mal.

Sinto saudade, não nego. Mas uma hora ela ameniza, passa, voa para bem longe. A vida sempre segue. Se tem uma coisa que eu aprendi na marra é que ela não para porque a gente parou. As bagagens mudam, os encontros são outros. Alguns marcam e ficam. Outros simplesmente se vão sem despedida.Talvez porque se houvesse, não haveria partida. É sempre muito doloroso partir e deixar para trás histórias e lembranças. Mas é preciso.

E um dia a gente se acostuma e aprende a entender esse jogo do nosso querido destino, universo, coincidências, escolhas. E até lá, meu bem, se cuida daí que eu me cuido daqui…

ana-luiza

Segui em frente e não vou mais lhe esperar

Esperei pelo beijo depois da briga, só tivemos brigas, esperei na porta do cinema para a estreia daquele filme que você sabia o quanto eu estava ansiosa para assistir, um balde de pipocas amanteigada fora minha única companhia. Esperei que me convidasse para irmos de mãos dadas ver o sol se pôr, e me encontro nas areias da praia contemplando solitariamente, mais um luar, você? “- Deve estar atrasado, mas em breve irá chegar”.

Esperei tanto, que a espera se tornou pesada e tediosa, então eu esperei pelas suas desculpas, algo haveria de justificar tanto descaso, porém nem me iludir mais você se dava o trabalho, o trânsito estava cheio, meu patrão me fez fazer hora extra, o periquito da minha tia avó precisou de cirurgia cardíaca, quis sua companhia e ao invés disso, sua ausência se fez notar, juntamente com o silencio brutalmente intragável, de namorados passamos a dois tristes estranhos solitários.

Esperei que me amasse, lidei com o seu desprezo, esperei pelo seu sorriso, encontrei um rosto fechado e distante, esperei pelo pedido de casamento, você me apresentou sua amante.  Chorei por dias a fios, esperei que a dor passasse, em mim ela decidiu fazer morada, sem pressa alguma de partir, esperei por um pedido de desculpas, tive que encarar a sua felicidade estupidamente estampada em todos os cantos para onde quer que eu olhasse.

Esperei por nosso futuro, tive que conviver com você se transformando em passado. Esperei pelo seu arrependimento, lidei com suas vanglorias. Esperei pelo dia que eu te esqueceria, e de repente recebo algo totalmente inesperado. Você em minha porta, me pedindo para voltar.

Você na minha frente, dizendo que estava cansado das porradas do mundo, e implorando pelos meus cuidados, você que estava cansado de prazeres banais ali estava desejando o meu amor, você que se sentia perdido, voltou me dizendo que eu era o seu cais, você que sempre debochou de todos as minhas declamações, estava ali, de joelhos em minha porta jurando que queria que eu fosse o seu par.

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Você que eu já não lembrava mais da cor dos olhos, ou da intensidade do sorriso, do afago das mãos e muito menos da sensação de casa preenchida, me explicava incansavelmente a quanto estúpida tinha sido as suas escolhas, você que me virou as costas e me negou o seu amor, hoje me suplica dizendo que sou a mulher de sua vida, que fez besteiras e que eu preciso lhe perdoar.

A você que tanto me pediu para que eu seguisse em frente e viesse a te esquecer, sinto lhe informar, mas não te quero mais por aqui.

– Não me ama mais?

– Esperei por esse dia, incontáveis vezes, inventei tantas desculpas para o seu desdém, que chegou ao ponto de eu não saber mais qual era a minha realidade, e notei que as desculpas são apenas a nossa válvula de escape, sempre estivemos quebrados, eu que demorei para notar. E hoje eu sei que o tempo que nos ajuda a superar e seguir em frente independentemente de termos aprendido a lição, ou recomposto os pedaços de nosso coração, não está à venda.

Assim como um pedido de desculpas depois de algo que realmente nos feriu tem a mesma utilidade que um peixe usando uma bicicleta. Cuidado. Todos pedem perdão, mas não são todos os “vamos passar uma borracha no que passou”, que realmente são encontrados numa gôndola de supermercado, ou nas minhas vontades.

Existem marcas que nem o mais sincero pedido de desculpas é capaz de surtir o efeito, aprecie, cuide, nem tudo que se quebra é favorável a um conserto, e no nosso caso Pedro, me desculpa, mas eu cansei de te esperar, então eu lhe superei.

Adeus!

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Deus fez tudo certinho

Talvez, Deus use uma régua e um compasso. Algo que Lhe mostra que as coisas vão se encaixar. Ou um relógio do tempo, que lhe denuncia a hora exata dos encontros que vamos ter no decorrer da vida.

Por várias vezes, questiono se Deus é um físico, matemático ou, apenas, um poeta apaixonado pelos romances impossíveis. Fico de cá, imaginando Ele de lá, chateado com a nossa bagunça ao encontrar os amores e deixando-os passar.

Por muitas vezes, sonhei com Deus dançando em casamentos celebrando o amor, abrindo um vinho por mais um recém-nascido, comemorando o milagre da vida e dando muxoxos quando alguém prega o ódio em Seu nome, resmungando ‘esse babaca não entendeu foi nada.’.  – será que Deus falaria ‘babaca’ ?!

Deus deve achar engraçado demais nossas confusões, indecisões e incertezas. Deve ficar de lá mandando chuvas de sinais para nos mostrar o caminho enquanto nós, cegos de vaidade, desapercebemos o óbvio.

Não sei se para Deus somos comédia romântica, suspense ou drama. Será que eu teria paciência de assistir a minha própria vida com tanta dedicação, assim como Ele nos assiste?

Em Sua onisciência, onipresença e onipotência, penso que, talvez, apertando um botão, Ele resolveria tudo. Nossas angústias, medos e realizaria todos os nossos desejos. Sentado numa cadeira, típica das lojas de games, adicionando alguns reais para jogar mais meia hora.

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É impossível prever o que Deus nos preparou. Mas, é indiscutível a Sua força através da nossa fé. O que a fé move e a energia que rege tudo isso.

É incrível saber que as lágrimas não escorrem pelo rosto em direção a boca por acaso. Que o sorriso depois da tempestade é a resposta. É maravilhoso que, mesmo diante do caos, ainda temos a esperança. E com tanto barulho, bobagem dita, repetida e espalhada em nome de Deus, Ele continua fiel aos Seus princípios e focado na Sua maior e mais forte das leis: A lei do amor.

Quem sabe seja esse o segredo de Deus. Seja essa a Sua régua e compasso ou o Seu relógio do tempo: Descarregar sinais de amor sobre nós. Para que, de alguma forma, sejamos tocados e encantados por esse sentimento que nos revela tanto de nós, e nos revela tanto para o outro.

Como dizia minha vó, Deus faz tudo certinho. E com muito amor.

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Arrisque, mude e se aprofunde

Certa vez, em uma das minhas madrugadas de insônia, lendo o livro Toda Luz Que Não Podemos Ver, de Anthony Doerr, uma certa passagem me chamou a atenção: “Abram os olhos e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre”. Tal passagem me fez pausar a leitura e refletir sobre coisas que deixamos de fazer por medo de arriscar; lugares que deixamos de ir por comodismo; e o pouco interesse pelo conhecimento profundo.

Nos deparamos muitas vezes com situações em que a vida nos cobra uma atitude, ou uma tomada decisão que aparece no caminho que é fundamental para o nosso crescimento. No entanto, por medo de arriscar, ficamos parados vendo as oportunidades passando, perdendo experiências que poderiam fazer parte de nós. Eu sei que a vida frequentemente nos cobra uma carga muito pesada, e que o risco representa uma incerteza em meio a tantas que vivemos. Sei também que algumas vezes o medo nos livra de consequências desagradáveis. Por isso devemos arriscar em coisas que realmente valerão a pena, e as quais você sabe que não terão consequências tão destrutivas num eventual erro. Assim devemos ir além, nos pôr à prova. Se errarmos, os erros nos fortalecerão.

Muitas dessas decisões são voltadas às mudanças – neste caso me refiro às mudanças de lugares, apesar de que qualquer mudança soa estranho ao ser humano. Tendemos a nos acomodar em algum canto, onde a famosa zona de conforta faz sua morada. Dependendo do seu objetivo de vida, é válido passar a vida inteira em um mesmo local, mas penso que o nosso viver é curto demais, e Deus fez lugares extraordinários para que pudéssemos desfrutar. Não somente em uma viajem de uma semana, ou um mês; temos que nos aprofundar em cada peculiaridade do mundo afora. Então, penso que se tivermos oportunidades de mudança, dependendo das circunstâncias, devemos ir e nos aventurar por aí.

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É importante adquirir experiências novas e conhecer outras culturas, obter um conhecimento específico de cada coisa. Hoje vivemos em uma época em que as informações andam tão rápidas que estamos nos tornando superficiais, na intenção de abarcar tudo de uma vez. Em outras palavras, deixamos de nos aprofundar em coisas que nos é essencial quando buscamos saber somente um pouco de tudo. Quando o autor escreve “vejam o máximo que puderem…”, se refere à busca pela aprendizagem, no qual passamos a dominar cada objeto/conteúdo de nossa curiosidade.

O conhecimento abre portas para uma vida rica e edificante. Mergulhar neste mar é ampliar nossa visão de mundo e adquirir o autoconhecimento; é abrir os olhos para a realidade; é conversar com o passado através dos livros. Mas temos de mergulhar mesmo, não só passear pelo raso. Apenas “passar o olho” é uma forma de se acomodar que deve ser evitada.

Então, com essa imprevisibilidade da vida, temos que ter em que mente que cada segundo é uma chance de desfrutar este presente que é viver. Arriscar, mudar e se aprofundar é o que nos permite crescer e tomar um lugar nessa grande peça. Isto nos move, fazendo com que deixemos nossa marca. Assim, quando fecharmos olhos, teremos a sensação de que vimos o máximo que a vida nos mostrou.

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Às vezes só não é pra ser

Lembro como se fosse hoje. Nós dois correndo na beira da praia, cantando, brincando de lutinha na areia e depois correndo no mar para tirar a sujeira. Tu me abraçavas, olhavas meu rosto e o segurava como se o mesmo fosse uma joia a qual tu deverias cuidar. E cuidastes. Tu fizeste de tudo por mim e provou ser alguém maior e melhor do que eu havia imaginado. Veio dos meus sonhos para mostrar que a realidade também pode ser linda, ela apenas precisa saber ser vivida e essa lição eu tive ao teu lado.

Cada separação era um martírio eterno. Na porta da minha casa nós não conseguíamos dar tchau e simplesmente deixar o outro ir sabendo que nos veríamos na manhã seguinte. Era impossível olhar nos teus olhos e não ter vontade de nadar, sentir teu toque e não querer apenas ele a me acariciar, a me tocar. Ficar contigo e não ter a certeza de que nada mais importava desde que estivéssemos juntos.

Contigo tudo sempre foi mais lindo, mais cheio de vida, luz e cor. Ao teu lado o cantar dos pássaros era mais alto e o meu coração batia tão acelerado que às vezes te assustava, mas ao sentir o teu eu me aliviava ao saber que tu estavas sentindo o mesmo que eu, o mesmo frio na barriga que eu e querendo da mesma forma que o tempo parasse para que ficássemos para sempre ali, só nós dois, pelo resto da eternidade.

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Mas o tempo não parou e parece que o relógio acelerou. O verão acabou e do dia pra noite tu não estavas mais lá e ao sair para rua não tinha mais o teu suporte para me sustentar. As horas se tornaram vazias e novamente nada fazia sentido. Uma vez lá que outra o meu celular tocava e ao avistar a tela eu via o seu rosto e esse era o melhor momento do meu dia. Mensagem sua chegando e eu corria para responder. Alguns papos legais, falávamos de saudade, pensávamos em nos encontrar, mas no fim aquilo não ia pra frente. Não éramos os mesmos, tu não eras o mesmo e eu definitivamente estava diferente. Nossa conexão se afundou no mar do nosso amor que tão profundo no início, acabou secando e deixando um vazio úmido nos nossos corações, fazendo o desejo queimar, a saudade clamar, mas sem nunca nada realmente rolar.

Onde nós fomos parar? Por mais que ainda te ame e queira te ter ao meu lado, no fundo sei que não daria certo e sinto que hoje posso viver nesse deserto. Nossas mãos não se encaixariam de novo e o abraço talvez não causasse o mesmo impacto. Entramos em esquinas diferentes e então nos perdemos na estrada da vida. Peguei um rumo, tu pegaste outro e se não nos encontrarmos novamente no cruzamento à frente… É, as vezes só não é pra ser.

nathaly-bonato

O veneno da memória

Eu deveria esquecer; sim, esquecer, ou talvez, retroceder ao que eu era antes de você. Minha cabeça, carregada de pequenas mazelas e confusa, não consegue mais organizar as ideais. Até mesmo um ato involuntário de meu corpo, como por exemplo, respirar, me traz uma lembrança sua. Ainda posso te ouvir suspirando e dizendo que eu lhe tomava o fôlego; ou quando nos atracávamos um no outro e sua respiração ofegante invadia-me os tímpanos. Você não se lembra, mas eu sim – e todos os dias! Já pensei em me matar e te devolver, talvez em dobro, a dor que me tem causado nesses últimos anos, mas sou covarde, quisera eu ter sua fúria, sua força. Ainda mais eu que tantas vezes fugi, mas você não! Você lutava, retrucava, debatia e batia se preciso fosse. Cheguei a um ponto desastroso e vergonhoso para um ser humano: perdi o amor próprio; amo-te mais que amo a mim.

Vou dar uma volta, ver a cidade, gente nova, sorrisos. Que maçada! Aquele prédio branco, o da esquerda, ali na avenida, foi lá que senti pela primeira vez o seu perfume. As paredes brancas são testemunhas, elas não me deixarão mentir! Vão dizer, em juízo, se preciso for, que eu, naquele dia, era o homem mais apaixonado do universo. “A ponto de comer por ti um crocodilo”. Uma declaração de amor um tanto estranha, mas a senhorita sabe do que estou falando. Nossas longas conversas sobre dramaturgia e literatura passaram por essa frase. Viu só? Estás em tudo que faço: no café tomo, no ar que respiro, nos livros que leio, nas palavras que pronuncio ou escrevo, nos meus pensamentos.

Tudo que queria, em verdade lhe digo, era esquecer. Queria por fim a esse sofrimento que há tanto me retira o sono, e converte em lágrimas minha amargura. Sou infeliz. Desaprendi a sorrir, pois só tinha o seu sorriso como parâmetro, como espelho, como modelo. Ah se os Deuses soubessem o demônio que criaram com esse seu sorriso, matar-te-iam no ventre de sua mãe!

O dia já está para clarear; devo me levantar em breve. Como já sabe, não preguei os olhos nesta noite. Fiquei atormentado com sua presença: vi, por tanto canto, a imagem de seu rosto; ouvi, em todos os lugares, o timbre de sua voz e senti, por todo o meu corpo, os toques de suas brancas e delicadas mãos. Cyrano de Bergerac? Sim! “Como acontece a alguém que fita o sol dourado, e vê depois em tudo um círculo encarnado, tal eu, quando não estás e o meu sol é posto, vejo, em tudo que vejo, o brilho do teu rosto.” Lembra-se de quando li esse trecho para você? Acho que não, mas eu sim.

Você, “tigresa de unhas negras e íris cor de mel”, não sabes a falta que faz em mim. Você foi como um relâmpago: trouxe a luz a minha tempestade, pena que o durou tão pouco. Como o tolo da colina na canção, espero sozinho o próximo clarão. (Perdoe-me a rima tosca, mas estou fadigado demais para alterar; pensar em você a todo instante consome minhas energias).

Já é dia, preparo um café. Lembro-me de que você não gostava (e acho que ainda não gosta), prefere chá. Dou risada na cozinha me lembrando da forma como se embrulhava naquela minha camisa velha que você adorava e sorrindo me dizia um caminhão de besteiras de amor. Acreditei em todas.

A memória pode ser um dom, para muitos, mas para mim é uma maldição, uma desgraça sem fim. Quisera eu ter amnésia, bater com a cabeça, ter uma convulsão nervosa, sei lá, qualquer coisa, mas que me traga o esquecimento. Quero te esquecer, sim juro! Não me venha com desculpas dizendo que eu alimento minha dor, que não quero mudar. É mentira! Deus, que um dia há de me condenar ao quinto dos infernos pelos devaneios malucos, sabe como lutei para te apagar, para extirpar e exorcizar seu espirito do meu. Já chega por hoje, já chega. Vou recomeçar a vida, lentamente. Tem sido assim nos últimos anos: um dia de cada vez.  Peço a Deus todos os dias para que sua memória seja falha, que guarde só momentos bons e alegres. Que a memória não seja para ti o veneno que é para mim.

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O reflexo das lembranças

Eu ainda vejo seu vulto às 3 horas da manhã. Nas noites de insônia consigo ouvir seus passos, sentir seu cheiro e sua presença. Minha consciência ainda não se acostumou com a sua ausência. Tem vezes que o tempo assume uma posição cruel. Já é costume sentir você aonde você não existe mais.

A questão de aprender a lidar com a distância por si só já é suficientemente forte pra te impulsionar pra baixo de um abismo. Você sente a diferença da realidade, e aceitar se torna mais difícil do que deveria ser. Repentinamente tudo que fazemos se limita a buscar uma saída, uma pausa, um fingimento qualquer. Sermos capazes de nos habituarmos a todas as coisas não significa que somos capazes de esquecê-las. Ultimamente tenho acreditado que aprendemos a fingir mais do que aceitar sentir. É tão mais fácil prosseguir sem receio de alguma coisa te impedir. Parece mais cabível esconder as lágrimas, esconder as dores. Uma pena que aquilo que te perturba sempre volta.

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Por momentos eu chego a me desvencilhar de tudo que me remete às antigas lembranças. Só que é tudo muito longe e ao mesmo instante muito perto do que éramos. Até ausente você me confunde, e essa incerteza de não saber aonde tudo acaba ou recomeça não me leva a lugar algum.

Quem sabe se eu parar de me esconder, você pare de me encontrar. Quem sabe eu só deva parar de fingir uma falsa realidade atormentada por aquilo que não existe mais, como um presente em forma de passado. Nem tudo é só questão de tempo, e a gente custa a ver isso. Quando você cansa de sentir sozinho, de sentir e não querer sentir, você percebe que você escolhe o que fazer com o que restou. Eu vou escolher não fugir de você, porque na verdade você nunca esteve aqui. As pessoas têm um tempo juntas e ele acaba quando uma delas decide ir embora. O que restou deste tempo todo foi apenas um reflexo das lembranças, que embaçaram completamente aquilo que eu via. Lembranças sempre ficam, mas alteram o seu valor conforme nossas escolhas no presente.
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Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Hoje assisti pela milésima vez (no mínimo) o meu filme preferido, que dá nome ao texto.
É, de longe, o filme mais lindo que já vi.
Joel e Clementine se conhecem e se apaixonam. Eles não tem nada a ver um com o outro, não se encaixam em nada, mas se amam. Muito. Ele é tímido, contido, racional, pés no chão, metódico, sem vícios. Ela é falante, independente, sonhadora e meio irresponsável as vezes. Por ser tão difícil a convivência eles terminam e ela então resolve apagar Joel de sua memória através de um tratamento experimental. Joel descobre e sentindo-se rejeitado resolve fazer o mesmo.
Ocorre que durante o procedimento e no meio de tantas lembranças que ele precisa rever pra que isso aconteça, ele desiste de esquece-la, e assim ele trava uma batalha contra sua memória pra que as lembranças permaneçam. Enquanto revive todos os momentos em sua memória, ele tenta de todas as formas burlar o procedimento, colocando ela inclusive em momentos de sua vida em que ela não participou. Porém, já era tarde demais.
O filme é extremamente complexo, mas infinitamente lindo. Em determinado momento, eles conversando dentro das lembranças de Joel, ela olha pra ele e diz: esta acabando Joel, o que fazemos? Então ele responde: aproveitamos. Eu queria ter ficado, eu teria ficado, mas você ja tinha ido.
As memórias então se vão, eles se esquecem de tudo que viveram e se tornam estranhos. Mas como a mão do destino não falha nunca, eles se REencontram, e se REconhecem, se REescolhem.
E é assim que esse filme me leva sempre a pensar… Como tudo seria diferente se soubéssemos quando seria o ultimo beijo, o ultimo abraço, o ultimo sorriso, o último momento juntos. E, por não saber nunca, deixamos pra lá. Deixamos pra daqui a pouco, pra amanhã, pra daqui uns dias, pro mês que vem. Acontece é que não sabemos de daqui a pouco e muito menos do amanhã e por isso desperdiçamos tantas coisas e tantos momentos. Deixamos passar pessoas e momentos únicos de nossa vida, que se soubéssemos ser a ultima vez, com certeza não passariam. Nada seria mais importante do que aproveitar aquela pessoa até o fim e, quem sabe, fazê-la ficar.
Será que se pudéssemos apagar as lembranças de dias difíceis, de defeitos que incomodam, de ofensas fúteis, de coisas que doeram, de todos os erros que não aceitamos passar por cima, será que nossas escolhas então, seriam diferentes? Será que nos REencontraríamos e nos REescolheríamos de novo, e de novo, visto que a vida é um ciclo?
O fato é que tudo seria mais fácil se enxergássemos o lado bom de cada um. As qualidades acima dos defeitos. O amor acima do orgulho. A falta de alguém importante acima do comodismo de deixar assim porque não deu certo uma vez. É mais fácil se justificar, porque passar por cima é difícil demais. Tentar de novo é difícil demais. Abrir mão do orgulho pelo que se quer e por quem se quer é difícil demais. Fingir que nada aconteceu e voltar atras é difícil demais. Mas é muito, mas muito mais difícil conviver com lembranças quando ainda existe saudade. É que lembranças ruins nos afastam de pessoas importantes que poderiam estar em nossa vida e lembranças boas nos aproximam de pessoas que não podem ou não querem mais estar. Mas não tem como apagá-las, elas são parte de nós.
Nos resta saber selecionar aquilo que de fato merece um espaço em nossa memória. Deixemos as lembranças doloridas irem embora, e então, só as boas lembranças ficarão pra sempre. E assim, quem sabe, muitas histórias não serão mais perdidas, mas reescritas.
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Ela precisa de você

 

Deixa de lado, tá? Deixa de lado o seu dia, as coisas importantes que estão acontecendo ao seu redor, suas palavras e suas tentativas de assuntos que podem não ser tão importantes assim. Deixe de lado qualquer coisa que hoje possa afetar algo ou alguém. Nada mais foi o auge da sua vida hoje, então, espera só mais um tempinho para pensar em você hoje, tá? Deixa pra lá.

É que hoje, meu amigo, ela precisa de você mais do que precisa de qualquer outra coisa. Ela precisa da tua atenção, do teu cheiro e do teu toque, da tua concentração e da forma como você parece se importar com cada nova história que ela vai contar. Então, meu amigo, hoje é o dia para prestar atenção nela e em mais nada, desliga o celular, fecha o notebook, deixe com que ela escolha o filme e sim, não poupe na hora de comprar a barra de chocolate, o sushi, a pizza ou qualquer que seja a vontade que o paladar dela tiver hoje.

Sabe, o dia dela pode não ter sido o mais fácil, mas mesmo assim ela está aqui. Sabe por que? Ela acredita em você! Hoje ela chegou aí porque sabia que você iria ceder o ombro sem custo algum para que ela escorasse a cabeça e ficasse em silêncio, quieta, para que pudesse recarregar suas energias. Ela sabia que em você iria encontrar tudo o que precisava e, pelo jeito, encontrou.

Não se assuste se hoje ela estiver cansada, não procurar teus beijos e não gastar tanta força para te abraçar. É que hoje o dia dela foi realmente difícil e você está curando ela aos poucos. Prometo pra ti, quando ela voltar vai estar bem melhor.

Hoje ela só precisa do remédio para os nervos dela: Você.

Então, amigo. Deixa de neurose

Trate-a bem a cada nova dose.

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