Das lembranças que guardo de nós

Sem aviso prévio você decidiu partir. Sem consultar-me antes, teu coração tomou a decisão de abandonar o meu e consequentemente o mesmo se encontra em pedaços, sem saber para onde ir, o que fazer e muito menos por que continuar batendo. É que sem dar a menor explicação tu sumiste da minha vida e até hoje te procuro, mesmo sabendo dos abismos que se encontram entre nós, mesmo sabendo que nada que eu faça nessa vida te trará de volta, pois tudo que eu podia ter feito, fiz, mas infelizmente o máximo de mim não foi o suficiente pra te fazer ficar e agora não me resta nada a não ser aceitar a vida sem aquela minha parte boa que vive em ti.

Todos os dias ainda lembro-me da nossa antiga vida juntos. Costumo passar de carro em frente ao parque onde costumávamos ir e qualquer pessoa que me ver nesse exato momento se preocupa, pois as lágrimas são involuntárias e surgem em meu rosto levando consigo todas as lembranças, tirando-as da minha mente e direcionando-as até meu coração, me impedindo de te esquecer nem que seja por um segundo, ou pelo menos de chegar perto disso.

E os teus olhos? Ah, que saudade daquela imensidão azul da cor do mar que chegava e roubava a minha paz. Nenhuma escuridão nunca foi páreo para o brilho do teu olhar e a minha razão se desmoronava cada vez que os direcionava até mim. Meu juízo desaparecia a cada toque seu e sua fala perto do meu ouvido fazia todos os meus sentidos se unirem em torno de um só objetivo, te amar e fazer isso da melhor forma possível, para que eu nunca precisasse estar aqui escrevendo o quanto sinto tua falta, o quão mal tua ausência me faz e principalmente para que eu nunca estivesse implorando mais um abraço teu. O abraço que sempre me protegeu nos momentos difíceis, que me aquecia no inverno e fazia papel de meu lar quando tudo parecia perdido ou fora do lugar. O abraço no qual eu me acostumei a morar e que hoje sonho todas as noites como um objetivo distante e a dor que sinto ao dizer isso só não é maior que a saudade que me invade, que corrói e se estabiliza em meu peito como gelo sem teu calor para aquecer ou até mesmo um beijo para fazer ferver.

Lembra das noites de insônia, quando você batia na porta da minha casa de forma inesperada com uma garrafa de vinho dizendo que se fosse para ficar acordada, seria com estilo e ao seu lado? Ou de quando eu chorava vendo algum filme romântico e sem pedir você me deitava em seu colo e mexia no meu cabelo até a emoção do momento passar? Ou melhor, de quando o teu abraço me servia de travesseiro e eu dormia ouvindo sua voz grave dizendo repetidas vezes o quanto me amava, e no outro dia eu relatava-te o sonho que tive de nós dois e tu apenas dizia que nossa vida seria muito mais que um simples sonho e que supririas todas as minhas expectativas?

Hoje te confesso, realmente supriu-as, pois ao lembrar da nossa história percebo que nunca imaginei um fim para nós dois e admito que isso sempre foi uma infantilidade a parte, mas você também sempre soube do meu lado infantil e muitas vezes jurou ama-lo. E talvez o erro nem tenha sido meu. Foi algo mútuo, vindo dos dois lados e simplesmente desgastou e a melhor opção foi terminar.

Acabamos, tu acabaste, eu acabei e hoje abasteço meu coração de memórias para que eu nunca seja capaz de esquecer do amor que vivemos, da paixão que tivemos e dos momentos que para mim sempre serão o meu melhor passatempo.

E assim todo dia era primavera

Ele acorda, dava – lhe um beijo na testa, “Bom dia minha linda”. E ia para a cozinha. Cheiro de café quentinho invadia a casa e entrava em suas narinas.

Ela se espreguiçavatoda na cama, olhava para o lado e sorria. As flores estavam balançando no jardim, ele já havia afastado as cortinas para o lado, sabia que ela gostava da claridade invadindo o quarto de manhã.

Seguia para a cozinha e lhe abraçava, dava – lhe um beijo, agora já com hálito de hortelã. “Bom dia meu amor”. A mesa estava pronta, café quente, leite morno, pães e a presença dos dois.

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Conversavam e riam. Assuntos sérios talvez, conversas bobas demais e um enorme sorriso no rosto. Ela cortava o pão inteiramente ao meio, sabia que era assim que ele gostava, já fazia centenas de dias que repetia esse gesto.

Se separavam pra trabalhar. Uma jornada diária de 8 horas de trabalho e saudades. Um ‘Oi’ na hora do almoço e um ‘Que o dia passe logo’.

Mas á tarde. Ah, a tarde.. Ela vinha radiante ao seu encontro. Um beijo demorado, abraço apertado e um brilho no olhar. Tomavam banho e se esticavam juntos no sofá. Mais conversas, mais risos tirados e sorrisos compartilhados.

O jantar era banquete, com fartura de amor. De sobremesa carinhos. Olhos nos olhos e vinho. Como desculpa a primavera se tornava inverno. Gostavam de dormir agarradinhos. E assim todos os dias se tornavam primavera.

josias

Até onde vale a pena correr atrás de um amor?

 

Até onde vale a pena correr atrás de um amor?
Até onde é possível traçarmos planos pra que a pessoa amada nos enxergue como gostaríamos?
Qual seria o momento exato de olharmos pra nós mesmos e dizermos que ela ou ele está em outra e nada mais podemos fazer?
Às vezes temos a impressão de que a outra pessoa pode se apaixonar por nós apenas pelos dois gostarem das mesmas bandas ou dos mesmos filmes, das mesmas festas ou dos mesmos potes de sorvete.
Tentamos manter a pessoa amada perto de nós perdendo noites buscando descobrir seus gostos pelo facebook, pelo Instagram ou por qualquer indireta fantasiosa que recebamos. Imaginamos que um sorriso educado pode ser uma deixa pra um convite ao cinema no sábado, que um abraço carinhoso pode ser algo muito perto de uma declaração de amor à la “dez coisas que eu odeio em você”.
Ora, é nítido que o amor é um dos sentimentos mais bonitos que podemos ter, que estar apaixonado significa enxergar o mundo de uma forma mais bonita, coisa e tal. Mas a verdade é uma só. O amor é difícil.
Sim, é difícil, Difícil pra cacete. Já imaginou se todos as paixões fossem recíprocas? Claro que haveria suas vantagens, mas sei lá, talvez vivêssemos algo perto de uma monotonia amorosa, onde o amor seria tão simples que perderia sua essência.
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Por vezes é normal acharmos, instintivamente, que as coisas podem ser assim. Então pensamos: “Nós dois gostamos de sushi, de Arctic Monkeys, preferimos barzinhos a baladas e nunca fomos ao Cristo Redentor apesar de moramos no Rio de Janeiro. Se isso não é a verdadeira definição de ‘almas gêmeas’, o que mais seria?”
E assim nos enganamos. E feio.
O amor não precisa ser igual. Mais: o amor quase nunca é igual.
É complicado admitir, mas é preciso. A pessoa não quer. É exatamente isso. Ela simplesmente não quer. Quem quer, meu amigo, dá um jeito. Não inventa que trabalhou até tarde ou que não curte beber dia de semana. Não diz que vocês estão longe demais quando apenas um bairro os separa. Não inventa que precisa levar o gato ao veterinário exatamente na hora da sessão de cinema.
Quem quer de verdade pega dois ônibus a uma da manhã, vai  a show de rock quando preferiria um barzinho e um violão, assiste a filmes de terror quando na verdade morre de medo de filmes desse gênero. E ainda tem até uma boa desculpa pra assistirem abraçados.
E no fim das contas, acredite. Os dois se completam mais do que meros gostos em comum. Muito mais.
 A questão é que se permitir a esse sentimento é uma virtude, depositar em alguém seus sentimentos mais verdadeiros é buscar também a sua felicidade, mas nem sempre as coisas andarão como desejamos. Nem sempre haverá a tão bonita e buscada reciprocidade, e isso é mais comum do que imaginamos.
O segredo é admitir que ainda não é essa a pessoa que dará um sentido novo na sua vida, e isso não é uma coisa ruim, afinal o amor precisa ser, antes de tudo, verdadeiro. Nessas horas o tempo é o melhor remédio,  tratará de cicatrizar possíveis feridas e, mais cedo ou mais tarde, cruzar seus rumos com alguém que curta macarronadas ou frutos do mar, praia ou cachoeira, canções líricas ou rocks pesados, não importa, afinal tudo soara de forma bonita pra vocês.
 brunno-leal

Não se mate em vida, a morte já é certa

Conversando com uma amiga, em uma dessas conversas loucas, mas que fazem todo o sentido, falávamos de como a vida é curta para deixarmos de falar o que sentimos, guardar mágoas, prendermo-nos a pessoas que em nada nos acrescentam e, o que norteia o meu texto de hoje, falávamos em como a vida é curta demais para a gente viver em prol do trabalho, estudo, dinheiro (…)

Sim, é obvio que todos nós temos objetivos de vida. Uns querem comprar aquele carro tão sonhado, outros a casa própria, muitos sonham em ter o seu diploma de nível superior, tantos outros querem trocar a tevê, o som, a moto, o celular (…). São muitos os objetivos a serem alcançados a curto e longo prazo. Somos humanos, é normal e necessário (talvez) que tenhamos alguma conquista material em vista. Mas eu não concordo com a forma como muitas pessoas andam fazendo.

A vida não é fácil, nunca foi e nunca me disseram que seria. Todo mundo tem problema de todo tipo. Todas as pessoas que você vê na rua, mesmo aquelas que carregam um sorriso de ponta a ponta no rosto, tem, como diria os mais velhos, uma cruz a ser carregada. Mas isso não quer dizer que tenhamos que fazer o percurso ser sempre tão doloroso e impossível de qualquer bem-estar, prazer, leveza.

Conheço pessoas que nunca tem tempo para nada, absolutamente nada. Não relaxam, não descansam. Pessoas que vivem para o trabalho, de segunda a segunda, quando não é no próprio local, levam os deveres para casa e desconhecem um dia de leveza, de mente em paz, de estar somente preocupada em qual será o programa divertido a se fazer com a família, namorado (a), amigos. Conheço gente que pega inúmeras disciplinas a mais na faculdade e ficam sem tempo até para respirar (fazendo uso da hipérbole), viram madrugadas e mais madrugadas somente preocupado em conseguir a aprovação e adiam uma saída com os amigos, privam-se de passar um dia todinho assistindo a filmes, afinal, o sentimento de culpa irá dominar. Conheço pessoas que estão focadas somente em juntar dinheiro para tal coisa e por isso deixam de fazer inúmeras outras no presente, mesmo sabendo que o dia de amanhã é a maior incerteza que temos.

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Não, eu não critico quem busca realizar seus sonhos, seus desejos. Mas a vida já é dura demais para a gente enrijecer mais ainda. O estresse, as doenças psicossomáticas, a depressão, entre outros, estão aí para nos mostrar o quanto precisamos respirar mais calmamente. O quanto precisamos de mais leveza e tranquilidade nos nossos dias.

Não se mate de trabalhar ou de estudar, não se mate de preocupações ou paranoias, não mate seu emocional, seu bem-estar, seu espirito. Viva mais o bom. Sinta mais o que há de melhor. Queira mais ter as pessoas que ama por perto. Tenha tempo para você. Tenha tempo para ser feliz. Todos nós queremos alcançar algo, mas não faça esse algo dominar você por completo. O amanhã é incerto, nunca, jamais, esqueça-se disso. Um dia tudo isso vai acabar e não levaremos, literalmente, nada dessa vida. Até o nosso próprio corpo um dia se resumirá a nada. A morte já é certa demais para a gente duvidar que merecemos viver da melhor forma possível essa vida. Por favor, viva!

ana-luiza

Cansei dos seus jogos de sedução

– Te pego às 17h.

Mal sabe ele que já estou à sua espera desde o primeiro bip da mensagem, porque será que é tão difícil você entender o meu jeito de te amar? Não sinto vergonha de expor aqui abertamente minhas emoções, porque sou de pele, sou da química e dos beijos intermináveis, mas também sou de alma e muito coração. Você se esquiva, dá desculpas, abstrai, finge demência, e eu? Apenas fico repetindo incansavelmente a mim mesmo: Uma hora ele vai me enxergar, uma hora dessas vai ser a nossa vez de se perder por aí e no amanhecer do dia ele vai dizer que também aprecia a minha companhia.

Mas não, os nossos momentos são por conta gotas, e as suas desculpas estão cada vez mais escancaradas, de uma forma que não dá mais para te defender. Não tem futebol, não tem amigos que precisa de você, não tem aniversário de avó e tão pouco o seu cachorro morreu. Para de mentir na minha cara, você consegue me fazer sentir pior do que eu já estou cada vez que vem com suas lamúrias, como se realmente se importasse. Tudo que eu realmente desejo? Há como eu queria apenas que se importasse, mas tudo que você me deixa são alguns resquícios de dor.

E ela jamais vem do lado que a gente espera, porque na realidade esperamos o chocolate do final da tarde acompanhado de um beijo apaixonado, esperamos aquela música boa para deitarmos na cama de conchinha com alguém, esperamos aquele banho demorado e que sempre tenhamos quem esfregue as nossas costas, esperamos o natal, ano novo, o carnaval, até a páscoa, mas não esperamos pela decepção, tristeza, mágoa e traição.

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A dor nunca anuncia a chegada, ela não vem de véspera, e nunca tem passagem de volta, ela dura e perdura, até nos tornarmos fortes novamente, o que realmente temos que saber é que ela não é eterna, não, nada dura tanto tempo assim, então me desculpa, mas irei me reerguer, o ditado é antigo, mas é válido. O sol vai sair depois da chuva, e depois o arco-íris, e sempre teremos sono depois do almoço, e sempre vai ser bom evitar passar embaixo da escada ou cruzar com o gato preto na encruzilhada qualquer de uma sexta-feira 13.

Quero um par para que me acrescente momentos sem pesar, porque de pesada já basta minha bolsa. Um amor que não me faça cobranças, porque eu quero me doar por vontade própria. Que ele respeite a minha identidade individual, que não tente nos tornar um só, com os mesmos gostos, as mesmas vontades, as mesmas neuras, tudo certinho me dá tédio.  É um relacionamento livre que me dá tesão, em que ambas as partes escolheram estar não por carência ou comodismo. Não porque não-tem-tu-vai-tu-mesmo, mas porque foi uma escolha entre estar feliz solteiro ou estar mais feliz ainda com essa pessoa e ela agregou valores. Os dois têm consciência de que estão juntos porque querem, e sabem que ninguém é obrigado a levar isso adiante se não se sentir valorizado, amado e feliz. É um relacionamento divertido, porque te dá liberdade de rir sem culpa, viver sem pudores, virar criança em alguns momentos e reinventar o Kama sutra em outros, é esquecerem que já foram só metades e se encontrarem em si mesmo por um único inteiro.

O que eu quero dizer com tudo isso? É que você me teve fácil demais, mas a sua falta de interesse real na minha vida fez que nela você entrasse, mas não é o suficiente para que você fique, a porta da frente está aberta, por favor saia por lá, e não se esqueça de bater, meu coração é habitado apenas por aqueles que são amantes da porra da reciprocidade, e isso você já provou que não sabe nem o que é.

re

Todo canto tem um pouco de ti

Eu ando indo pra cada lugar inusitado, shows de bandas que não me agradam, bares caros, lugares que nunca pensei em pisar, só no intuito da gente se esbarrar. Locais que, pra ser sincero, você nem deva ir, mas vou, ainda assim, na esperança de que você também esteja lá querendo me encontrar, numa tentativa irracional parecida com a minha e que só passe a fazer sentido com a gente se achando.

Eu sei que esse sentimento já deveria ter passado, mas saudade não tem hora e eu voltei a pensar em você agora. Conselhos de pessoas próximas têm pouca importância em momentos assim. Não precisou de música, filme ou nada que você tenha me indicado. Eu pensei em você por pensar, sem nenhum motivo. Enquanto vagava em pensamentos soltos, enquanto via as pessoas passarem sozinhas na rua, enquanto me vi sozinho, sentado no banco dessa praça, em frente ao carrinho de pipoca que o vendedor entrega o troco a uma moça.

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Vai ver tem lá uma razão, quem saiba uma psicanálise de botequim de um sujeito que tem muito tempo disponível pensando consigo mesmo – uma tarde inteira, pra ser mais exato – decifre que eu queria que aquela moça fosse você. Queria que pegasse seu troco e viesse ao meu encontro, que dividíssemos a pipoca e com as sobras enchêssemos a barriga dos pombos que ciscam a nossa volta.

Entretanto, quando aquela mulher virar, deixando finalmente de me dar as costas, quando seus cabelos não mais esconderem seu rosto, eu vou descobrir que ela não vai ser você. Ou vai? Se for você, senta comigo, vai. O vestido é igual a um seu… até quando eu te verei em estranhos? Por todo canto, em olhares rápidos e descompromissados, confundo você com desconhecidos. Nunca é, ela também não é.

Quando o amor consegue enfeitiçar a razão, é preciso encontrar um bom motivo pra não continuarmos juntos. Algum defeito bobo que justifique a tentativa de esquecer. Ainda que cético, me daria por convencido se houvesse algum sinal vindo de qualquer explicação mística. Bastaria que alguma dessas forças do universo respondesse. Olho pra cima, como um descrente aguardando uma resposta divina. Eis que, então, eu posso sentir algo cair sobre minha camisa, algo que vem desse tal além incompreensível. Merda, quem foi o maldito casal que deu comida aos pombos?!

caio-lima

Eu sei que eles dizem que ninguém é perfeito

Mas eu juro, ela é perfeita pra mim. Quando ela não está aqui comigo seja vendo um filme na TV, ou fazendo cafuné nos meus cachos, nada parece fazer sentido. Ela é minha cara, minha joia rara. Ela costuma ler minhas poesias desconexas e até hoje não sei como entende meus garranchos sem nexo algum. 

Ela anda e desanda uns corações por aí afora, mas sabe muito bem onde repousar teu peito na tarde da noite. Com ela é sempre um apelido carinhoso, ou um ” vem cá” gostoso. Eu costumo chamá-la de “minha infinitude” mas ela prefere que a chame de “bem”. É carinhoso, ela costuma dizer. Quando ela me admira escrevendo algo sobre ela, eu logo perco a concentração e direciono meus olhares naquelas retinas escuras. Eu, que escrevia sobre todos os tipos de mulheres, agora me vejo obrigado a rabiscar apenas sobre ela. Ela é uma poesia que levaria anos para descrever. 

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Como diria o Chico: “Temo que não dure muito a nossa novela mas, eu sou tão feliz com ela.” 

Ela, pequena de um metro e seus charmosos cinquenta e poucos centímetros, esbanja um sorriso como quem já conheceu todo nordeste brasileiro. Ela tem um olhar do sul do Brasil, mas beija como mineira, e sorrir como uma Pernambucana. Ela é um misto de tamanha perfeição. Uma pele morena, unas retinas escuras e umas covinhas nas bochechas que desarmam qualquer exército americano. 

Eu poderia escrever um livro sobre ela. Mas quem me dera ter talento pra isso. 

Perfeita que só ela;

Tal livro não teria fim. 

Pedro