A gente só voltou pra ter certeza que não era pra ser

Juntos, já tivemos momentos maravilhosos e repletos de confusão.
Sua teimosia e estranha provocação, misturada com esse dengo todo que pede colo.

Uma ida à sorveteria da esquina, numa noite de verão qualquer, foi transformada em discussão por mais de uma bobagem. E quantas bobagens falamos em tom de ofensa. Pra nos defender de nós, deixamos o amor de lado.

Dias que não queria olhar na tua cara.
Dias que ficava morrendo de saudade.

Até que a gente foi saturando daquele clima pesado e chato. E você não aguentou o peso sob os teus ombros. Terminamos, em meio a mais uma briga repleta de palavras duras e enfrentando o clima frio.

Cada um no seu canto, tentando se reerguer, se curar das feridas abertas, mágoas e ressentimentos.

Uma história de vida, de companheirismo. De chatices.
A balança nunca nos dava uma resposta exata.

Na verdade, estávamos tão acostumados um com o outro, que a distância parecia um rompimento duro de almas feridas. E, mesmo com toda essa turbulência de algo que já tinha sido desgastado e remendado, a gente se amava. E combinava em tudo.

Nada estava sendo suficiente sem a tua presença.

A gente ria de qualquer coisa. O mais feliz dos casais quando concordávamos em levantar a bandeira da paz.

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Isso me fez falta. Uma danada de uma falta.

Passado um tempo sem se desligar completamente, nos encontramos e a faísca acendeu a chama. Voltamos. Reatamos, sei lá como deve-se chamar aqueles dias que vivemos imersos em uma matança famigerada de saudade.

Então, a saudade completamente morta, nos restou a realidade.

Olhamos para a nossa história numa manhã qualquer e conseguimos sorrir de tudo que passou. Tive muito medo, minhas mãos estavam suadas e fria.

Conversamos bastante.

Acertamos os pontos. Os ponteiros. Terminamos, dessa vez, como tinha que ser. No auge. Tomando café com bolo de manhã, depois de uma noite intensa de lençóis jogados no chão.

Você pegou as tuas coisas e, em respeito a toda história que vivemos juntos, nos abraçamos. Sem beijos e sem drama. Apenas, fazendo a difícil travessia de uma história que não tinha mais pra onde ir.

Reconhecemos isso.

A gente só voltou pra ter certeza que não era pra ser. E que, daqui em diante, sejamos felizes com alguém que nos queira bem.

Tão bem quanto o nosso querer um pelo outro.

edgard

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Ninguém, além de nós

Lembro das coisas que me disseste e isso é o que tem quebrado o silêncio da tua falta. Lembro dos momentos em que a calma nos faltou e nos perdemos em nossos próprios desejos.

Somos jovens e é tudo tão novo, é tudo diferente e é tudo normal, intenso, forte e devastador. Somos cabeças duras, teimamos até onde der. Tememos, sofremos e tudo o que queremos é não demonstrar.

É esquecer.

É chorar.

Mas sem ninguém saber.

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Ninguém, além de nós, pode saber que somos incapazes, que falhamos e como qualquer pessoa normal e que podemos fraquejar. Não. Temos um ao outro, temos a nós e, mesmo assim, insistimos em brigar, em fugir, em recuar.

É normal.

Quem já apanhou tanto tem medo de voltar a brigar.

Somos jovens.

Meu desejo é de que possamos aprender a confiar. Que nos seja permitido tentar com todas as forças. Lembro das coisas que te disse e das que ouvi de ti por muito tempo irei lembrar.

alan

Acorda, garoto! Eu estou apaixonada por você

Eu já namorei tua íris daqui umas cinco vezes. Eu já sorrir sem jeito, e até cutuquei minha melhor amiga na tua frente, só para que você percebesse que sim, é você quem eu quero. É você com quem quero dividir o açaí da praça e as séries do Netflix. É pra você que quero contar como foi meu dia, e saber um pouco do teu também. É nos teus braços que quero inventar abraços apertados. É com você – é apenas você – que eu quero conhecer o mundo afora.

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Estou aqui. Te encarando como uma criança desejando o colorido do algodão doce. Estou aqui. Sorrindo para o teu sorriso. Olhando para os teus olhos. Namorando cada pedaço do teu corpo. Estou aqui, olha pra cá, vai. Prometo pra mim que se hoje você não notar o quanto eu sou louca por teu jeito singular, amanhã eu venho com uma camisa escrita; Gabriel, eu estou perdidamente apaixonada por você, ou Thiago, ou Rafael, seja lá qual for teu nome. Mas se fosse pra adivinhar, eu diria que tem mais cara de Gabriel. 

De anjo, entende?

Olha pra cima, vai. Deixa o celular de lado e a vergonha também. Me olha nos olhos. Vem aqui, e pergunta meu nome. Elogia meu sorriso. Me fala um pouco do amor e eu te mostro um pouco dele. Segura minha mão com firmeza. Faz promessas de um futuro incerto. Me faz feliz por inteiro. Só não deixa isto tudo ser passageiro. Olha pra cá, vai. Isso, mais um pouco pra esquerda. Isso, aqui mesmo. Essa sou eu de olhos castanhos com um sorriso estampado no rosto pra você.

Isso… não, nãaaaao. Pra lá, não. Eu tô aqui poooxa. 

Aí garoooto.

Acorda!!!!!

Eu tô apaixonada por você.

Tudo bem, hora do plano B.

Pedro

Eu te amei escondido

Eu te amei escondido assim que te vi chegar. Meus olhos brilharam quando repousaram sobre o teu riso e eu desviei o olhar. Eu te amei escondido quando você me deu um pão de queijo no meio de uma manhã fria e me chamou para um café. Eu disse sim, e te amei escondido mais uma vez.

Eu te amei escondido quando vi você despreocupado da vida. Você era infinitamente mais novo do que eu imaginava e te ver tão moleque me fez te amar um pouco mais. Eu absorvi aquela imagem e te amei escondido incontáveis vezes, quando repassava a cena em câmera lenta, que era para não esquecer nenhum detalhe. Se eu fechar os olhos, ainda consigo ter a imagem dançando fresca na memória.

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Eu te amei escondido nas primeiras trocas de palavras. Tanto em comum, tanto incomum. Eu absorvi teu sotaque e te amei escondido um pouco mais. Te contei que amo sotaques? Eu te amei escondido quando você olhou para mim e ficou. E eu te amei escondido quando eu te olhei de novo e fiquei.

Eu te amei escondido quando você me mandou aquela primeira música. Te mandei um sorriso de volta, desses bem sem graças, porque eu não podia denunciar o tanto de amor que escondia. Eu te amei escondido quando tua música tocou no carro e fiquei amando e sorrindo repetidas vezes.

Eu te amei escondido no primeiro gole de vinho. E te amei me escondendo atrás de pálpebras fechadas. Eu te amei escondido, porque não sabia amar em voz alta. E, escondido, você me amou de volta.

mafe

Ao meu futuro amor

Quando tu vieres, não vem rápido. Não precisa chegar causando furdunço, pois não é assim que irei te notar. Vem com calma, sem medo e sem receio. Pode vir chegando, puxando um papo legal e sem a velha história de chamar pra sair na primeira conversa. Tenha calma e me ganhe devagar. Faça eu te achar especial, diferente de todos os outros com quem já conversei. Não precisa ser um príncipe ou um exemplo de pessoa carinhosa e romântica, só me faça esquecer de todos os outros tipos que existem por aí e que não valem a pena trocar meia palavra.

Quando me veres, faça-me sentir única e tenha carinho em cada gesto ao me tocar. Sou carente e preciso de atenção, portanto deixe-me saber que pelo menos um segundo do seu dia é reservado a mim, não esconda sentimentos e me mantenha a par de tudo, para que eu também saiba o que fazer e quando me aproximar.

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Tu não precisas ser perfeito, nem o mais bonito, o mais rico, o mais inteligente e nem nada disso. Sejas apenas a pessoa certa para mim. Saiba desvendar os meus olhares e depois ria dos meus momentos de estresse. Veja o pôr do sol comigo e depois abra aquele sorriso que fara o meu dia começar e terminar bem. Escreva-me mais cartas, e mande menos mensagens. Olhe mais nos meus olhos e faça do nosso amor a mais linda paisagem. Sejas tu mesmo, único e especial para mim, mesmo sem ter nada de extraordinário, mostre-me que juntos podemos dominar o mundo.

Sei que te encontrar vai ser difícil e até lá a luta vai ser longa e cheia de amores não correspondidos e vazios. Mas eu não tenho pressa, não necessito de ti agora e sei que quando for minha hora, tu estarás na fila do pão, cruzará comigo na rua ou pode ser até o cobrador do busão. Tu me verás em alguma festa ou sentada na mesa de algum bar e sem ter nada planejado o nosso destino irá brotar. Ao virar a página do meu livro, estaremos lá.

Portanto me espera que eu estou aqui, rodando o meu pequeno mundo e vivendo tudo que posso até pechar contigo na estrada. Estou me construindo internamente para que quando chegares não se assuste com a bagunça, para que juntos possamos criar algo novo e fora do comum, algo nosso. Escreveremos nossa história e a colocaremos para rodar, assim como essa carta que hoje sem destino eu escrevo, ao meu futuro amor que um dia há de chegar.

nathaly-bonato

Não te amo “porque”, te amo “apesar de”

Quando nos conhecemos o meu encantamento foi instantâneo. Me apaixonar por você foi fácil e simples. Cada um dos seus movimentos me enchiam os olhos. Cada palavra que a sua boca proferia inundava meu coração. Cada olhar que você dirigia a mim me atingiam feito bala. Fui discreta e não demonstrei fraqueza, provoquei a conquista para aproveitar cada um dos seus esforços, em vão, você permaneceu me conquistando mesmo depois de ter meu coração todo nas mãos.

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O tempo permitiu que nos conhecêssemos nos detalhes da rotina e o dia a dia mostrou que nem tudo é tão simples quanto foi me apaixonar por sua barba e sua voz rouca. Não, nem tudo são flores quando você escolhe dividir todos os seus dias com outra pessoa. Existem momentos difíceis e conflitos frequentes. Existe tristeza, frustrações e até carência. Existe minha TPM e seu futebol, minha mania de organização e sua bagunça constante, sua playlist que não combina com a minha e sua cerveja que não conversa com meu vinho branco. Temos opiniões divergentes, convicções distintas e personalidades opostas, mas também estamos submersos no mesmo oceano de paixão. Os relacionamentos são assim, uma eterna luta entre o amor e a dor.

Apesar dos carinhos e do beijo de bom dia, seu mau humor matinal quebra o encanto do início do dia. Adoro o café na cama todo domingo, mas odeio o ronco que precede o despertar. Me surpreender com presentes fora de data sempre faz meu peito acelerar, mas ele para sempre que você não me atende. Fico maluca de amor sempre que você me chama de “minha pequena”, mas também fico louca de ódio quando você deixa a tampa do vaso levantada. Amo nossos banhos compartilhados, mas detesto a toalha molhada que acaba jogada na cama. Venero seu abraço apertado, mas abomino seu esporádico egoísmo. E assim a gente vai levando, amando e implicando, dia sim e outro também.

Te amo! Muito. Por todas as suas qualidades e talentos, mas acima de tudo, te amo apesar dos seus defeitos e manias.

 

PS: Esse texto é resultado de uma longa conversa com minha grande amiga Danielle Deboni. Obrigada, minha amiga! Amo você!

MONIKAJORDAO

O que eu diria se o mundo acabasse hoje

Se o mundo acabasse hoje, provavelmente diria estas mesmas palavras que digo agora. Não posso explicar de onde elas vêm, nem pra onde irão depois da destruição, mas o fato é que preciso dizê-las. Contrariando a lógica comum, esperava o fim do mundo ― na verdade ansiava por este dia mais que qualquer outra criatura na terra. Afinal, o fim não pode ser isso tudo que dizem. Para ser sincero, nos últimos tempos, tenho vivido uma hecatombe a cada segunda-feira. Recomeçar, seja lá o que for, é desgastante e não há alma humana capaz de suportar tantos problemas reais. Sinto um enorme desconforto em admitir, mas tudo que queria agora era fugir: para o quinto dos infernos, talvez; qualquer lugar é melhor que aqui e agora. Enquanto escrevo, nenhum meteoro cruza o céu anunciando a desgraça geral; mesmo assim espero.

Na minha última noite insônia procurei por minha alma embaixo na cama ― só encontrei ácaros e um sapato velho, que já não cabe mais no meu pé 42, e que hoje serve de abrigo para um casal de baratas. Olhando para aquelas criaturinhas cascudas e asquerosas, senti pena delas. Li alguma coisa na internet que dizia que as baratas seriam as únicas sobreviventes da extinção em massa. “É um capricho de Deus!”, pensei furioso. De todas as criaturas na terra, por que escolher logo a barata? Um ser sem vida ― para muitos até sem alma ― e que passa a existência em busca de migalhas e rastejando na penumbra dos quartos vazios. É muita sacanagem! Além de suportarem tudo isso o direito de reclamar ― direito esse, aliás, que julgo necessário para qualquer ser vivente ―, estão condenadas a carregar, sozinhas, a ressureição da vida num planeta devastado e condenado ao nada. Acho que Ele pegou pesado desta vez. Ou não: quem sabe o Divino escreve certo por linhas tortas? Pode ser que Deus só seja um autor ruim mesmo, não é verdade? Vai que não sabe mais que fim dar aos nossos personagens e decide agora acabar com tudo, como quem embola uma página e recomeça a narrativa, e dar novo sentindo pras coisas, ou fazer tudo diferente. Como não sou dono de nada, nem mesmo deste nariz ― que tantas vezes julguei ser meu, mas que hoje vejo apenas como mais um de meus incontáveis defeitos físicos ― sinto-me aliviado de ter sido a barata do meu sapato-velho a escolhida para reconduzir a vida na terra! Se tivesse que reconstruir essa quiçaça de planeta, nem saberia por onde começar. Provavelmente por mim mesmo: um nariz menor, que seja verdadeiramente meu seria bom…

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Durante toda minha vida acredite no amor, é verdade! No entanto, foi vencido pelo exagero. Para mim era inconcebível se amar pelas metades, gostar só um pouquinho, ou trocar carinhos miúdos. Sempre queria mais, tudo no aumentativo, no plural. O problema é que quanto mais me multiplicava, sobrava menos de mim. Fui como uma ponte que depois de matar a sede de uma população inteira secou e tudo que sobrou foi um poço seco e vazio de pó. Como o mundo não acabou, talvez tenha tempo de aprender a dar o mínimo de mim e a receber menos ainda ― se é que ainda sobra em mim alguma coisa parecida com amor. Não sou perfeito, carrego comigo um sem-número de defeitos e imperfeições, mas sonhava em usar amor como um curativo, como um balsamo que seca ferida. A verdade é que só consegui me cortar ainda mais. É preciso admitir: amores certos em pessoas erradas são como veneno. Enveredam por cada canal sanguíneo e espalha suas pequenas farpas que matam, uma a uma, a esperança de sermos felizes ao lado daqueles que nos completam. Se o mundo acabasse hoje, essa seria a principal lição que carregaria para o outro mundo ― se é que ele existe.

Há tanto para ser dito, tanto para ser registrado, eternizado… Talvez inicie um diário daqui pra frente, já que o mundo não acabou. Registrar as dores, amarrá-las com papel e caneta pode ser sadio para o coração. Me senti tão pequeno e diminuído que nem mesmo quando desejei, desesperadamente, o fim de tudo, ele não me foi concedido. É assim mesmo que as coisas funcionam? Quanto mais se anseia por algo, mais nos distanciamos? O fato é que nada depende de nossa vontade diretamente. Não estou eliminando o pensamento positivo, nem as boas vibrações. Essas coisas podem até funcionar, mas têm de ser usadas na medida certa, com as coisas certas. Para fugir, como pude constar, de nada adiantará…

Bom, acho que já chega de devanear numa folha de papel, mesmo porque o mundo continua girando, girando… Não sei disse tudo que deveria dizer, não sei mais seria isso mesmo que diria se o mundo acabasse, mas eu já disse e ele não acabou. Se amanhã chegar tudo ao fim, com certeza terei novas coisas para compartilhar com o infinito. A vida, no fim das contas, são correntes infinitas, que dão num mar desconhecido, que um dia se evapora e se torna chuva e a chuva rega um novo recomeço. Como diria Shakespeare, “estar preparado é tudo”, seja lá por vier…

FIM…

flavio