Um ano de Boteco

Algumas pessoas falam que muitos dos nossos dons andam escondidos em nós, sem que percebamos que somos bons para determinada habilidade. Por outro lado, alguns descobrem cedo sua vocação, uma facilidade para produzir algo de valioso. Assim, trabalham a vida toda naquilo que “levam jeito”. No meu caso, descobri a escrita um pouco tarde, aos 19 anos. Quem diria que um menino que não gostava de ler, muito menos de escrever, ser tornaria um escritor? Passei minha infância e adolescência sem ter intimidade com os livros – ainda sinto as consequências desta antiga falta de leitura. E a descoberta da arte da escrita não foi uma maravilha, como se surgisse a vontade de escrever e num passe de mágica as palavras começassem a ser montadas num corpo coerente. Esta parte da descoberta se dá em um momento difícil da minha vida, onde me isolei por deixar que as dificuldades tomassem conta de mim. Como não me sentia bem para relatar meus problemas aos amigos, o bloco de notas do meu celular foi o lugar em que descarreguei todos meus pensamentos.

Mas ainda sofria pela falta de repertório, a tal da leitura que hoje vejo como essencial não só para quem escreve. Esta que é tão importante na aquisição do conhecimento. Hábito que me faria descobrir cedo o que eu levei anos para notar. Mas penso que tudo tem o momento certo para acontecer. Creio que Deus prepara as coisas na hora certa. Então, de dois anos para cá, tenho trabalho este dom que me foi dado. Claro, há mais fatores detalhados que me trouxeram até aqui, mas creio que esse resumo da minha descoberta já serve para relatar o quão é gratificante você produzir algo que gosta. Isto mostra que não devemos desistir das coisas, achando que não temos dom algum. Caso ainda não tenha descoberto o seu, espere. Há algo escondido de muito valor em você.

Hoje escrevo esse pequeno relato, pois mês que vem fará um ano que escrevo para o Jornalismo de Boteco, um ano que me descobriram no Snapchat e resolveram me “adotar”. Oportunidade que me foi dada por Paulinho Rahs, pessoa a qual sou grato por ter confiado em mim e por ter me dado a chance de desenvolver ainda mais a minha habilidade, escrevendo para todo o Brasil. Sou grato também aos escritores que fazem parte desta família, alguns me ajudaram bastante nos momentos em que eu desconfiava da minha própria capacidade. Ainda falta muito para eu me tornar um bom escritor, mas é reconfortante saber que você está no caminho certo. Por fim, agradeço aos meus leitores e às pessoas que me incentivaram, reservando um pouco de seus tempos para ler meus escritos. Que venham mais anos e muita inspiração!

P.S.: Abro um espaço exclusivo para agradecer à Deus, pois Ele é quem concede todos os nossos dons, e os revelam na hora certa.

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Não foi só um jogo

Até que ponto acreditamos ter o poder de conseguir fazer aquilo que é visto como improvável, e conquistar o que queremos, mesmo que as chances sejam mínimas? Ontem tivemos um exemplo de que podemos alcançar a vitória em nossa vida mesmo que a probabilidade seja pequena, num curto espaço de tempo. Mesmo quem não gosta de futebol, mas acompanhou o jogo entre Barcelona e PSG(Paris Saint-Germain) pela Champions League, viu que a superação daquilo que é tido como pouco provável é alcançável quando temos a vontade de vencer, e quando puxamos a responsabilidades para nós. Ronaldinho Gaúcho em sua época áurea de Barcelona já dava exemplo disso quando dizia mais ou menos assim: “Toca a bola pra mim e pode passar, que eu dou um jeito de te colocar na ‘cara’ do gol. ” Ou seja, chamava toda a reponsabilidade do time para si. Exemplo este que foi seguido ontem por Neymar, que na falta de protagonismo de Messi, puxou as rédeas do time, quando todos já haviam desistido, e tratou de colocar a bola no seu devido lugar. Assim, contagiando a equipe com um espírito vencedor, e alcançando o objetivo que era uma virada histórica, que de fato se tornou.

Erramos muitas vezes por esta falta de protagonismo na vida. Tomar um caminho rumo à um objetivo requer que tenhamos um autocontrole para manusear nosso barco diante das tempestades. Barreiras tidas como impossíveis de ultrapassar sempre irão ergue-se diante de nós. Neste momento, o desafio demonstra quem está empenhado, e compromissado com o seu propósito de vida. Sei, é desanimador quando as circunstâncias não são favoráveis, e cada momento a impossibilidade se agiganta. Mas penso que assim como em 7 minutos uma virada em um jogo de futebol pode acontecer, a sua vida também pode ter uma reviravolta. Basta que tenhamos fé e tomemos a atitude de buscar essa virada. Neymar dizia assim, uma semana antes do jogo: “Eu houver 1% de chance, teremos 99% de fé. ”

Outro ponto importante do jogo do time Catalão foi a paciência com que trataram a partida, mesmo quando o momento pedia pressa. Quem conhece a filosofia de jogo do Barcelona, sabe que o toque de bola sempre foi uma característica da equipe. Aquele jogo paciente, na espera de uma oportunidade para alcançar o gol. Isto serviria também de exemplo: temos que caminhar com paciência na espera de uma oportunidade de conquistar aquilo que queremos. Bem como, temos que estar preparados quando esta surgir.

Não, o futebol não é só um jogo. Além do entretenimento, podemos tirar bons aprendizados, trazendo-os para nossa vida. Então, lute por seus objetivos, pois quando conseguir, a felicidade será semelhante àquela dos torcedores do Barcelona, quando este conseguiu fazer história numa das maiores competições do futebol. Assim como você também fará na vida.

Arrisque, mude e se aprofunde

Certa vez, em uma das minhas madrugadas de insônia, lendo o livro Toda Luz Que Não Podemos Ver, de Anthony Doerr, uma certa passagem me chamou a atenção: “Abram os olhos e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre”. Tal passagem me fez pausar a leitura e refletir sobre coisas que deixamos de fazer por medo de arriscar; lugares que deixamos de ir por comodismo; e o pouco interesse pelo conhecimento profundo.

Nos deparamos muitas vezes com situações em que a vida nos cobra uma atitude, ou uma tomada decisão que aparece no caminho que é fundamental para o nosso crescimento. No entanto, por medo de arriscar, ficamos parados vendo as oportunidades passando, perdendo experiências que poderiam fazer parte de nós. Eu sei que a vida frequentemente nos cobra uma carga muito pesada, e que o risco representa uma incerteza em meio a tantas que vivemos. Sei também que algumas vezes o medo nos livra de consequências desagradáveis. Por isso devemos arriscar em coisas que realmente valerão a pena, e as quais você sabe que não terão consequências tão destrutivas num eventual erro. Assim devemos ir além, nos pôr à prova. Se errarmos, os erros nos fortalecerão.

Muitas dessas decisões são voltadas às mudanças – neste caso me refiro às mudanças de lugares, apesar de que qualquer mudança soa estranho ao ser humano. Tendemos a nos acomodar em algum canto, onde a famosa zona de conforta faz sua morada. Dependendo do seu objetivo de vida, é válido passar a vida inteira em um mesmo local, mas penso que o nosso viver é curto demais, e Deus fez lugares extraordinários para que pudéssemos desfrutar. Não somente em uma viajem de uma semana, ou um mês; temos que nos aprofundar em cada peculiaridade do mundo afora. Então, penso que se tivermos oportunidades de mudança, dependendo das circunstâncias, devemos ir e nos aventurar por aí.

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É importante adquirir experiências novas e conhecer outras culturas, obter um conhecimento específico de cada coisa. Hoje vivemos em uma época em que as informações andam tão rápidas que estamos nos tornando superficiais, na intenção de abarcar tudo de uma vez. Em outras palavras, deixamos de nos aprofundar em coisas que nos é essencial quando buscamos saber somente um pouco de tudo. Quando o autor escreve “vejam o máximo que puderem…”, se refere à busca pela aprendizagem, no qual passamos a dominar cada objeto/conteúdo de nossa curiosidade.

O conhecimento abre portas para uma vida rica e edificante. Mergulhar neste mar é ampliar nossa visão de mundo e adquirir o autoconhecimento; é abrir os olhos para a realidade; é conversar com o passado através dos livros. Mas temos de mergulhar mesmo, não só passear pelo raso. Apenas “passar o olho” é uma forma de se acomodar que deve ser evitada.

Então, com essa imprevisibilidade da vida, temos que ter em que mente que cada segundo é uma chance de desfrutar este presente que é viver. Arriscar, mudar e se aprofundar é o que nos permite crescer e tomar um lugar nessa grande peça. Isto nos move, fazendo com que deixemos nossa marca. Assim, quando fecharmos olhos, teremos a sensação de que vimos o máximo que a vida nos mostrou.

jhonatan