Me guarda num potinho?

Tô te pedindo pra não me esquecer,

Pra me guardar num potinho dentro de você.

 

Me guarda, vai?

Promete que vai proteger tudo o que aconteceu de mais lindo em nós,
Sem nunca esquecer o que nos fez ser um só.

 

Guarda naquele cantinho que só você tem acesso,

Um que ninguém consegue se meter no meio de nós,
Ou tente decifrar o que aconteceu, caso achem que tenha acontecido.

 

Porque eu te tenho aqui,
Dentro do lugar mais lindo do peito,
O cantinho do amor.

 

É o lugar mais remoto e tão pouco habitado,
Que as vezes eu me esqueço que existe.

Acho que foi por isso que você apareceu.

 

Você veio me lembrar o que é amor,
Apareceu pra resgatar o amar,

Para que eu movesse todos os móveis de lugar.

 

Só que quando o encanto se desfez,

A saudade fez morada,

Ela pensou que aqui seria seu novo lar permanente.

 

E sabe o que mais?

Eu não tive coragem de manda-la embora,
Porque mandar a saudade embora, significaria dizer que você não esteve aqui.

 

A real é que você ocupou todos os pedacinhos de mim,

E mesmo de longe,

Tomou pra si a parte de mim que não me pertence mais, de tão tua que é.

 

É egoísmo, eu sei,
Mas promete nunca esquecer
E guardar o maior amor?

 

Cê promete?

É DIFÍCIL ENCONTRAR ALGUÉM QUE ABRA O CORAÇÃO PARA QUEM TEM FERIDAS PROFUNDAS

A história aqui é muito simples.

 

Nunca soube lidar com o sofrimento. Nunca fui aquela pessoa que segue o baile sem ter sofrido um bocado antes. O sofrimento quando me abate é tão forte, que não me deixa levantar da cama, me faz ter preguiça de comer, e não me deixa dormir. Quanto mais me esforço pra não pensar no assunto, mais ele vem como uma avalanche na minha cabeça. Mais ele aperta meu coração, menos paz ele me dá. Nos momentos em que o cansaço assume seu posto e me deixa dormir por algumas horas, os sonhos ruins daquilo que me perturba, me perseguem.

 

Escrevo mensagens, mas não as envio.

Tenho um medo real e gigantesco daquelas pessoas que minimizam a dor alheia. Por isso, me acostumei a lidar com meu sofrimento sozinha. Me banho com minhas lágrimas, que demoram semanas, ou até meses, para secarem. Me fecho no meu mais escuro casulo e de lá não saio, até que tudo pare de doer e que eu consiga voltar a respirar.

 

O silêncio grita em mim e eu me afogo cada vez mais, na urgência de desabafar, mas sem ninguém em quem realmente consiga confiar. As relações hoje em dia andam tão banais, que é difícil encontrar alguém que abra o coração para quem tem feridas profundas. Algumas pessoas simplesmente não conseguem sentir empatia pelas outras.

 

Foi vivendo essas experiências, que resolvi que não devo me calar.

Isso mesmo.

Me calar, só faz com que a chuva em mim se transforme em um tsunami  e que eu me afogue cada vez mais dentro de toda a bagunça que, as vezes, habita em mim. Coração machucado que fica em silêncio, é como se tirassem o nosso ar. O tempo me ensinou que me calar, só faz sangrar. Então, não importa o que aconteça, a gente precisa, ao menos, escrever sobre esse sentimento por aí. Deixar registrado, mesmo no caderno, o que machuca. Tirar do coração e por em linhas.

 

É assim que tenho sobrevivido nos últimos anos:

Nunca soube sofrer, mas tenho aprendido

A não me afogar,

A não me calar.

 

Você me mostrou a beleza do mundo

Eita, rapaz!

 

Hoje passei por um daqueles botecos pé sujo – como diz minha mãe – e lembrei da gente, sabe?

Faz um tempo, mas parece que foi ontem.

Eu conseguia ver você jogando sinuca e conversa fora com os meninos, enquanto me esperava chegar.

 

Me passou pela mente, nitidamente, o olhar que você me dava,

Me beijava sem pudor na frente dos seus amigos, dando por encerrado o jogo.

Lembro muito bem das garrafas de vinho barato na sua mão e meu coração batendo forte no peito.

 

Consegui fechar os olhos e sentir o seu cheiro,

O roçar dos seu lábios nos meus, a sua lábia.

Na verdade, para ser bem justa, você nunca precisou de lábia, você sempre foi comigo quem você realmente era.

 

Você era a mistura perfeita do seu próprio ser.

Um 212 almiscarado com maconha.

 

Um cara que se rebelava contra o sistema às escuras,

Mas que tinha de segui-lo, porque era assim que a vida é, você dizia.

 

Você foi o cara que fez de mim uma rebelde.

Me colocou no seu colo, em um fusca apertado de amigos

E subimos vários morros, gritando, apostando se o fusca aguentaria o tranco ou não.

 

Mas foi você quem me mostrou a beleza do mundo,

Essa paixão pela natureza (um pequeno desprezo pelos prédios que ficavam em nosso caminho),

Mostrando o mais lindo nascer do sol,

Com a terceira garrafa de vinho da noite.

 

Você sabia que eu te amava?

Nossa, como eu amava…

Amava a sua teimosia,

O seu lutar pelo que acreditava.

 

Eu sinto sua falta e sinto falta do poderíamos ter sido se a vida não tivesse interferido.

Mas eu sempre vou me lembrar de você com carinho,

Desse lindo coração que virou azul e foi colorir outros céus.

 

Preciso reconhecer que você era demais para mim,

Demais para pousar em um ninho só e ficar para sempre.

 

Você é livre,

Sempre foi.

 

E assim sempre será.

Eu te dei todas as razões para ficar

Eu te dei todas as razões para ficar
Você fez de mim o que quis,
Usou da minha boa-fé de uma garota apaixonada, para partir meu coração,
E pegou tudo o que eu disse, jogando contra mim.

Eu procurei por um lugar, para correr o mais rápido e mais longe possível de você,
Enquanto ainda restavam pedacinhos de mim.
Minha mente gira em círculos de um relacionamento que eu imaginei,
Um amor que só eu alimentei.

Paro para respirar, porque estou ficando completamente sem ar,
Exausta de fugir de você,
De fingir que nada restou do meu amor.
É como se eu estivesse dormindo, tudo, inclusive a vida, passa por mim em um borrão.

Se você me chamasse e pedisse para voltar, talvez o amor diria que sim,
Mas a minha mente não acredita mais em você,
Mesmo se o que dissesse fosse verdade.

Eu tento pensar nas coisas boas,
Tento tirar boas lições do que aconteceu, como sempre faço,
Mas tudo o que eu consigo é
Ouvir a minha voz, orando aos céus, para que eu consiga ficar longe, afastada, inalcançável.

Agora, o que eu preciso, é encontrar uma maneira de voltar para mim,
Pois já não me lembro mais do caminho.

Preciso aprender a falar com a voz alta, que não quero mais você,
Até que um dia tudo isso pare de doer.

Preciso respirar um ar completamente novo, filtrado,
Liberar os meus pulmões da dor pulsante do seu perfume.

Eu te dei todas as razões para ficar,
Mas você me deixou ir embora,
Me deixou escapar entre seus dedos e, para o seu abraço,
Eu não volto nunca mais.

Se a tempestade não passar e o arco-íris não chegar, dance na chuva

Sempre ouvi dizer por aí:

– Primeiro a chuva, depois o arco-íris!

No início, quando os primeiros pingos caem, saímos no tempo e brincamos em poças de água, tomando o tão belo banho de chuva dos filmes.
Mas já no dia seguinte, quando a chuva não cessa, pegamos nossos guarda-chuvas, galochas e casacos e enfrentamos, com toda coragem do mundo, a chuva que se torna cada vez mais forte.
Os dias passam e parece que o sol não nos conhece mais.
Não dá o ar de sua graça.
Nos força a enfrentar a tempestade, estando preparados ou não.

Então descobrimos que nosso equipamento inicial se torna frágil para suportar tantos dias de tempo fechado e chuva,
Que além das águas que caem do céu, o mar se agita e começa a invadir nossas vidas, não havendo mais calmaria.
Não havendo mais nada de lindo e poético em tomar banho de chuva, simplesmente porque ela pode nos arrastar, junto com o mar, para cada vez mais longe.

– Onde está o arco-íris?
Nos questionamos, incessantemente, após meses de dias escuros e alagamentos em nossas vidas, nos impedindo de viver tantas coisas, pois paramos nossas vidas, esperando que a tempestade vá embora para que possamos voltar a viver e a sonhar novos sonhos.

Mas sabe de uma coisa?
Podemos passar meses e anos com dias chuvosos e desacreditar do arco-íris, vendo-o só como uma utopia distante.
Então precisamos aprender a viver sem esperar que algo aconteça.
Na verdade, precisamos voltar a dançar na chuva, bem como fazemos nos primeiros pingos,
Enfrentando os riscos de sermos levados,
Lavados,
Arrastados para algo melhor.

Talvez o arco-íris não apareça porque ele não precisa aparecer.

Nós é que precisamos aprender a ver a graça que é dançar na chuva.

Barco desgovernado

Eu quis tanto que você ficasse…

Orei aos deuses de todas as religiões,

Pedi luz a todas as galáxias,

Mas não havia nada que eu pudesse fazer enquanto você saía por aí como um barco desgovernado no meio da tempestade.

 

Me esforcei, fiz tudo o que eu podia e lutei contra quem se colocou em nosso caminho,

Fiquei com você quando todos resolveram se levantar e ir embora,

Desconstruí minhas crenças para acreditar em você quando ninguém entendia suas razões,

Caminhei ao seu lado e segurei a sua mão, quando todos correram para chegar à sua frente.

 

Várias foram as vezes que esqueci de mim só para lembrar de você,

Investi em nós o que nem eu acreditei ser possível, pensando que você era o cara.

Aquele que faria tudo o que eu fiz e ainda mais, caso precisasse, porque sabia que era com quem eu mais contava no mundo.

Mas aí eu descobri que você não era esse cara e não importaria o que eu fizesse, você nunca seria.

 

Eu só fui o porto em que seu barco ancorou quando precisava de estabilidade.

Fui aquela que devolveu a você toda a confiança possível e impossível.

Às vezes, até penso que construí um monstro em você,

O monstro do barco desgovernado, aquele que arrasou e arrastou tudo ao passar pela minha vida.

 

Já me culpei por você ter ido embora, mas a verdade é que, lá no fundo, eu sei que foi melhor assim.

E eu não me arrependo, nem por um segundo, tudo o que vivemos, tudo o que eu doei, ou de todos os sentimentos que me acompanharam, mesmo que sozinha.

Eu senti, foi intenso, foi único,

Não foi recíproco,

Mas foi real.

 

Eu te amei e me doei por completo, porque essa é quem eu sou, eu mergulho de cabeça mesmo.

Posso até quebrar a cara ao mergulhar em águas rasas, mas me arrependeria mais se não mergulhasse e perdesse a oportunidade de ver peixinhos coloridos do outro lado.

E, novamente, eu não me arrependo.

 

Não me arrependo nem mesmo quando me lembro da sua covardia,

Quando você mandou aquela mensagem terminando tudo,

Dizendo que precisava viver a vida, conhecer coisas novas,

Que estava pronto para desancorar o seu barco e partir em rumo ao desconhecido.

 

Na verdade, eu ainda torço por você.

Torço para que se lembre de como o mar é vasto e como as águas podem ser traiçoeiras,

Para que se recorde de como é ter estabilidade e saiba guiar o seu barco para que ele não vire,

Porque, meu bem, quando você precisar ancorar novamente, esse porto estará fechado para reformas e não haverá concessões nem à barcos que já fizeram paradas por aqui.

Eu quero ficar, mas não com você

Eu quis ficar.
Juro que quis.
Queria que fôssemos capazes de caminhar de mãos dadas novamente.
Lancei mão de tudo que eu conhecia para que você se juntasse a mim em nossa caminhada, mas você não me deu motivos, não se entregou.
Não me deu espaço para estar junto a você.
Na verdade, parecia que eu não existia mais na sua vida e só eu não havia percebido ainda.

Então, quando eu bati a porta do carro enquanto você gritava que eu estava insana e estava apenas dizendo barbaridades, quando tudo que eu fiz foi abrir meu coração e te mostrar a realidade do nosso relacionamento.
Logo em seguida eu soube que você saiu falando mal de mim por aí e me amaldiçoando aos quatro ventos.

Apesar de ter ouvido e sentido cada palavra como uma facada, eu continuei andando, mesmo quando o seu desprezo fazia sangrar todos os pedaços de mim.

Soube, um tempo depois, que você sentiu minha falta, mas não me ligou.
Não me procurou para olhar nos meus olhos e reconhecer que você estava errado.
Nem, ao menos, disse que sentia muito.
Talvez se você tivesse admitido que, aos poucos, o que era bom foi ficando para trás, que nos perdemos porque cada pequena atitude sua demonstrava que você preferia qualquer outra coisa à ficar comigo e assumido os seus erros, eu teria te escutado.
Mas nada disso aconteceu,
Foi muito pior, você continuou esbravejando e me culpando, então eu me virei, ainda com lágrimas nos olhos e sangue nas costas, de cada facada em forma de palavras, e continuei caminhando.

Quando, após um longo período de tempo, sua voz não conseguia mais me alcançar, você se deu conta.
Começou a correr, mandar mensagens, ligar e encontrar maneiras de esbarrar no meu caminho e, por um bom tempo, isso foi tudo o que eu quis.
Mas já era tarde demais.

A sua voz era a de um estranho.
O seu número era desconhecido.
Eu não conseguia mais identificar ambos, então apenas saía dançando e caminhando por aí, as vezes parando em alguns lugares, mas não me demorando neles.
Apenas dançando, cantando, caminhando e seguindo o ritmo que a vida depois de você me deu.

Até que um dia, alguém conseguiu seguir meus passos e dançar comigo, alterando os ritmos.
Músicas pop dançantes, um forró gostoso e até mesmo músicas lentas, me fazendo desacelerar aos poucos.
Ele me pediu para ficar e disse não se importar se estaríamos  dançando, sentados no sofá de pijama ou correndo por aí.
Foi ele quem me ajudou a construir morada para ficar.
Mas, de repente, você surgiu, me alcançando mais de perto, me obrigando a ouvi-lo, mas já não adiantava mais.

Quando eu quis ficar, você não quis.
Quando eu queria partir mundo afora, ele me segurou.
Quando você quis ficar, ele me puxou mais apertado, para que eu não escorregasse por entre seus dedos, pois esse era seu maior medo, ao contrário de você, que nunca se importou se passaria a noite de sábado comigo ou com os caras da cerveja.

E agora eu quero ficar, mas não com você!