Somos vencedores desavisados

Hoje pela manhã vi uma imagem com as seguintes palavras: “vencedores — vence dores”. Depois de um tempo refletindo sobre elas, concluí. Somos mesmos vencedores desavisados.

Ao longo da vida, nos deparamos com diversos tipos de dores. Uma decepção aqui, uma queda ali, um machucado no peito e, quase sempre, aquela dor invisível que faz estrago lá dentro. Só você sabe o tamanho das suas, embora muitos tentem te dizer que ela é pequena demais para você se importar, que a deles é muito maior ou mais importante que a sua — como se fosse uma competição de azar ou sofrimento —, mas dor não se compara. Pessoas não se comparam. Cada uma sente do seu jeito. O único ponto em comum é que dói, machuca, fere, queima e, se a gente não cuida, destrói.

Vale lembrar que também não sabemos qual é a dor do outro, e muito menos como ele a sente. Às vezes, deixamos que ela passe despercebida, por falta de afinidade ou até mesmo um desafeto.
E assim como queremos respeito com o que nos fere, precisamos respeitar também a ferida que arde no outro. Ainda que ela seja desconhecida aos nossos olhos, precisamos ter a consciência de que todo mundo tem o seu calcanhar de Aquiles. Todo mundo guarda uma tristeza no peito, uma fraqueza na essência.

Todos nós travamos batalhas diárias – lá fora e dentro de nós mesmos. Batalhas que, muitas vezes, ninguém assiste, ninguém nota – e até a gente se recusa a assistir, se possível. Fechamos os olhos para o caos de dentro porque a tempestade judia demais. Fugimos delas porque cansa sangrar, cansa recomeçar… Mas elas são inevitáveis. Fazem parte da vida, por mais linda e incrível que ela seja.

E é isso mesmo: a vida é linda, mesmo com feridas, com mágoas, machucados e pedras nos sapatos. A vida vai continuar acontecendo enquanto você se lamenta. Então levanta, procura remédio ao teu alcance. Pode estar num sorriso que você retribui, pode estar numa gentileza feita por um estranho e pode estar no espelho que você tanto evita.

Pegue leve com você mesmo, não se cobre tanto. Tem dias que a ferida aperta mesmo, que incomoda mais que o normal e você não precisa ser forte o tempo todo. Na verdade, ninguém é.
Então tudo bem sentar e chorar até conseguir caminhar de novo.
Tem dias que a gente perde para a dor, infelizmente, mas se nestes dias pudermos ganhar afeto e compreensão – de nós mesmos e daqueles que nos rodeiam – ela até diminui. Porque talvez essa seja a receita para nos tornarmos “vence-dores”. Saber dar e receber afeto. Compreender e se permitir ser compreendido. Amar, acima de todas as coisas. A vida, os tropeços, as companhias, os erros, as lições e, principalmente, a você mesmo.
Porque, talvez, não exista dor maior do que a de quem desiste de si.

 

Cadê aquela onda de felicidade?

Eu sei que disse ainda há pouco que estava boba de feliz — e eu realmente estava —, mas às vezes parece que tô remando numa piscina infantil esperando uma maré que não existe. Esperando uma onda de boas notícias que nunca chega. Qualquer pontinha de felicidade instantânea. Sei lá…
Talvez seja aquele efeito que tem em ler crônicas demais do Caio. Ele tem esse lance de fazer a gente lembrar das tristezas e compará-las com metáforas que só a gente entende (a gente quem?). E quando percebo já tô aqui escrevendo como quem começa mais uma crônica — porque escritor tem essa mania de fazer tudo virar texto, poema, acontecimento grandioso que precisa ir pro papel. E nem aconteceu nada. E talvez seja esse o problema. Tédio. Puro tédio. Daqueles de fim de domingo, antes do Domingão do Faustão, quando começa o desespero porque tá acabando o fim de semana e a
 segunda tá logo ali, espreitando, faminta, esperando pra atacar. Sabe? É isso.
 — Eu já disse o tanto que tu é foda?
— Já. E eu queria enxergar essa fodeza (?) toda também. Porque de vez em quando só enxergo uma preliminar sem sal nem açúcar, daquelas que são interrompidas por qualquer outra coisa sem graça que tire a atenção.
E olha eu brincando de ser poeta, de me ler e me escrever, ironicamente, mandando tudo pra você. Talvez porque eu saiba que tem um pouco de mim aí. E talvez eu precise que esse outro eu, que está aí com você, seja diferente do eu que tá do lado de cá. Só pra eu sentir uma alfinetada de esperança ou qualquer coisa que me faça querer atravessar dezembro, mais uma vez.
Odeio dezembro, já te contei? A gente tem um caso de amor, paralelo, quase secreto, mas eu odeio dezembro. Esse cheiro de ano novo vindo ali da esquina me lembra das sete ondinhas e onda me lembra praia, praia me lembra mar e mar… Bom, me lembra que eu continuo remando não sei pra onde, esperando uma onda que nunca vem.
(…)
Acho que preciso sair dessa piscina.

Eu perdi o medo de te ver seguir

 O relógio marcava dezenove horas quando a primeira mensagem chegou. Primeiro congelei, não sabia como responder, não sabia o que deveria dizer, muito menos o que deveria sentir. Levei cerca de dez segundos para processar a palavra “casamento” acompanhando teu nome. Levei mais dez segundos para assimilar que não estava surpresa. Ou triste. Ou qualquer outra coisa ruim que pudesse casar com o momento. Eu estava apenas… Ali. Ouso dizer que um riso leve se formou no canto da boca.
Sabe, os últimos dias aqui não tem sido fáceis. Hoje mesmo passei a manhã sendo picada, tentando lembrar de quando foi a última vez que senti medo de agulha. Me recordei de uma viagem que fiz quando tinha 10 anos e passei muito mal durante a madrugada. Fui levada até um postinho de saúde no meio do mato e lá, uma enfermeira muito simpática me disse que as abas de silicone que seguravam a agulha eram asas de borboletas e que eu era uma flor. Parece bobagem, mas quando ela terminou de falar, a agulha já estava no meu braço e o medicamento já começava a fazer efeito. Entendi, então, que mesmo na pior das dores, olhar para o outro lado é uma questão de escolha. Aquele clichê de sempre.
E agora estava eu na cozinha, fazendo meu tradicional leite quente com mel — aquele que você me ensinou, porque sabia que eu detestava chá e precisava tomar algo quente —, quando o telefone vibrou. Ao contrário do que imaginei, todas as vezes que pensei no dia em que isso fosse acontecer, não chorei. Não tremi. Não senti dor. Até quis sentir, confesso. “Você é louca!”— disse uma das minhas amigas — “Porque você iria querer sofrer? Não tá bem assim?”. E foi difícil explicar para ela que não queria, exatamente, sofrer, mas queria sentir algo. Entende? Ao contrário do medo de agulha, não consegui me lembrar do dia em que perdi o medo de te ver seguir. Ele só… Deixou de existir. E, cá entre nós, não fiz muita questão de lembrar como era antes disso.
A verdade é que nem senti a picada. Nem vi o furo. Nem olhei o tamanho da agulha ou prestei atenção ao ardor do remédio. Eu só conseguia pensar na borboleta que voou e encontrou uma flor pelo caminho. Eu só conseguia pensar que você encontrou o seu lugar para pousar. Você seguiu. E eu? Eu estou aqui, agora, tomando aquele mesmo leite quente com mel e ouvindo as nossas músicas, talvez, como se abraçar um pouco do que fomos significasse te abraçar também, aqui de longe. Eu também segui tem um tempo, desejando secretamente que aí do outro lado você tivesse perdido o mesmo medo.
A verdade é que, contrariando todas as expectativas, a única coisa que consigo sentir é felicidade. Então, do lado de cá, só posso te desejar o clichê de sempre: “Ama, credi e vai…”

Eu sinto muito por quem veio depois de você

Eu estava completamente desprovida de armaduras quando te vi aparecer na minha frente. Sobrancelhas grossas, ombros largos e fala macia. Era você e eu não sabia ao certo como agir ou o que sentir, então sorri e foi só o que bastou pra eu abrir a caixinha de lembranças levava teu nome…
Lembrei da última vez que te vi. Mochila nas costas, olhar sério e passos apressados no meio da estação. Você nem me viu, mas eu congelei. Não por medo, não por trauma. Só um sustinho gostoso pra quebrar a rotina. Não nos falávamos há anos… E continuamos sem nos falar por mais alguns, até que quebrei o gelo. Foram alguns minutos, que depois se tornaram alguns dias.
Você contou da namorada nova, eu contei do casamento. Te falei do meu novo empreendimento e você dos planos de ir embora desse país — logo você que nunca teve paciência pra aprender outro idioma. Trocamos um “E a família?” e preferimos deixar esse assunto pra lá. Falamos de antigos relacionamentos que “nos impediram” de manter contato e lamentamos isso, mas acabamos não mantendo contato de novo e tá tudo bem assim.
Sabe, eu queria ter te dito que a nossa história foi linda pra mim. Que foi leve. Eu era leve. Não tinha peso antigo pra carregar, nem mágoa ou resquício de amor inacabado. Você foi o primeiro e, sinceramente, sempre será. Outras primeiras vezes passaram e ainda passarão por mim, eu sei, mas você sempre será você. Não por falta de superação ou apego, mas por termos sido nós, da forma mais pura possível.
Por essas e outras sinto muito por quem veio depois de você, sério. Se eu pudesse, apertaria o “reiniciar” no coração toda vez que um relacionamento chega ao fim, só pra sentir de novo a alegria de todas as primeiras vezes. O primeiro namoro, o primeiro “eu te amo”, a primeira viagem a dois, a primeira noite a sós, o primeiro mergulho, o primeiro abraço de urso, a primeira aliança, as primeiras declarações em público… Até a primeira briga tinha lá o seu charme, porque sempre acabava em “Porque a gente tava brigando mesmo? Deixa pra lá, vem cá”.  E eu sempre ia, porque todas as vezes eram como a primeira.
Nem sei ao certo como foi que chegamos ao fim ou por qual motivo, mas devia ser bem bobo. Já nem importa mais, porque duramos o tempo que tínhamos que durar. O suficiente pra eu te guardar num lugar especial, como tudo que vivemos quando tínhamos que viver. Nos dissolvemos aos poucos e o que ficou foi só lembrança linda, leve, como fomos um dia.
… Tirei a dúvida do rapaz que me roubou um sorriso apenas por ser a tua cara e confesso que não consegui desmanchá-lo, mesmo depois que ele se foi. E foi lindo.  Porque eu e você, nós dois, enquanto duramos, fomos lindos. E fim. 

Ela só queria alguém inteiro

Talvez ela estivesse cansada de estar sozinha. Só isso. Não era só carência. Não era falta de amor. Não era falta de sexo. Tudo isso poderia ser resolvido de maneira muito fácil se ela quisesse. Era amada, tinha quem lhe desse carinho por uma noite ou duas e, vamos combinar, sexo por sexo qualquer mulher consegue quando quer, certo? Não no caso dela. E olha que ela bem que tentou ser do tipo “pego, não me apego e que se dane o mundo”, mas não era de seu feitio. Não servia para aventuras de uma noite e nada mais. Não era falta de algo, era de alguém. E não um alguém específico, só… alguém.
Alguém pra lhe mandar mensagem de bom dia e fazer com que ela sorrisse logo ao acordar. Alguém que ligasse e tivesse interesse real em saber como estava. Alguém pra lhe raptar, sei lá, numa terça-feira qualquer, só pra tomar um sorvete na esquina. Alguém que não só desejasse que ela dormisse bem, mas que fizesse com que isso acontecesse. Alguém que se dispusesse a arrancá-la daquele círculo vicioso no qual vivia e levá-la para outros ares.
Alguém que a levasse pro cinema, que lhe acompanhasse numa pedalada no parque, numa visita ao museu. Alguém que entendesse seu estado emocional só pela música que cantarolava. Alguém com coragem pra cantar com ela, sem se importar com a afinação. Que se permitisse gargalhar ao perceber o preço do mico. Ou não. Na verdade, ela não estava nem aí pro museu, pro sorvete, pra mensagem, pro parque ou pro cinema. Ela só queria alguém.
Não queria uma pessoa perfeitinha. Nem poderia, sendo ela, também, cheia de defeitos. Mas queria alguém que se dispusesse a conhecê-la e aceitá-la, com bagagem e tudo. Alguém que tivesse lá seus medos, mas que juntasse com os dela e superassem de mãos dadas. Companheirismo. Alguém que não desistisse dela na primeira topada. Compreensão era seu real desejo. Ela estava cansada de conhecer, entender e aceitar tudo e todos.
Todas as noites ela pede aos céus por alguém pra lhe cuidar, mas que também permita receber cuidado. É troca o que ela quer. Reciprocidade. Que venha com problemas, com defeitos, sem dinheiro, sem carro, sem luxo. Quem se importa? Que venha sem promessas, sem amor instantâneo, sem grandes expectativas. Apenas um sentir leve. Que venha doce, mas não a ponto de enjoar. Que venha com pureza, mas nem tanto. Que venha. Que se permita.
Cansou de se contentar com metades, pediu aos céus alguém inteiro.

Nosso futuro em três letrinhas miúdas

Eu vi tudo, sabia?
Você se ajoelhou no meio da rua, com uma única rosa branca nas mãos, e sequer tinha uma , mas quem se importa com um anel quando vê o amor da sua vida pronto pra fazer o tão esperado pedido? Não se ajoelha, por favor — te pedi, envergonhada com o segurança do estacionamento. Você segurou minha mão e eu senti meu corpo todo esquentar, da ponta do dedão até o mais longo fio dos meus cabelos pretos bagunçados pelo vento.
O mundo parou e eu não podia acreditar no que via. Era real? Era. E naquele segundo eu pude ver tudo. Fechei os olhos e imaginei o meu sim, seu sorriso de alegria, nossos planos, a reação dos amigos, a organização da festa. Nada escandaloso, só os mais íntimos e que acompanharam a nossa novela infinita, até que ela se concretizasse num altar. O meu vestido era perfeito, exatamente da maneira que sempre sonhei. Ao contrário da maioria das festas, você também usava branco. Nunca te vi tão lindo, sabia?
Um pé primeiro, depois o outro e lá estava eu, caminhando em sua direção, sem ninguém ao meu lado. A cada passo que eu dava, menos eu ouvia os convidados e aos poucos todos eles, um a um, foram desaparecendo diante dos nossos olhos. Te vi parado, me olhando como quem esqueceu de respirar. Sua mãos suavam e seus olhos já estavam encharcados. Nunca os vi tão brilhantes. Parecia perfeito, sabia? Parecia. Perfeito. Mas eu sabia.
Desatenta, não notei que chovia lá fora. A essa altura, mais parecia uma tempestade sem fim. O vento arrancara a roseira da entrada e uma das rosas voou para dentro da igreja. Tentei segurá-la e os espinhos me feriram as mãos. Sangrei. Senti frio. Senti medo. Te olhei nos olhos e me lembrei das tantas noites em claro, dos tantos cortes que curei sozinha. Alguns ainda ardem, sabia? Senti dor, senti os olhos queimando e o gosto de sal me tomou a boca mais uma vez. Ouvi gritos, mas todos estavam calados, estáticos, me observando enquanto minhas pernas não mais respondiam. Era a minha voz que gritava, mas meus lábios não se moviam.
O barulho vinha do lado de dentro. Senti o sangue escorrer pelos dedos e pingar em meu vestido, agora manchado. Marcado. Para sempre. Entende? Fomos o tecido mais belo, costuramos nossas vidas com perfeição, cortamos excessos e nos coubemos de forma tão simétrica que qualquer alfaiate invejaria. Por fim, nosso ponto se rompeu e o que era enfeite virou nó. O que era claro agora pingava. Sangramos. Juntos. Por burrice ou destino, ainda não sei. Mas doeu como nunca doera antes. Em teus olhos pude ver o medo, a angústia, a culpa e o ódio. Nunca mais nós dois. Nunca mais branco no branco. Nosso destino, para sempre fora manchado.
Abri os olhos e lá estava você, o amor da minha vida, me pedindo uma chance. Me pedindo pra virar a página, sem saber que eu já havia queimado nosso livro. Novamente senti gosto de sal e meus olhos ardiam enquanto eu lhe soltava as mãos. Desespero. Dor. Medo. Angústia. Mágoa. Eu vi tudo nos teus olhos castanhos, agora sem brilho, moço. Eu estava lá quando você perdeu o chão e eu te abracei bem forte, te apertei contra meu peito como quem tenta tirar toda tua dor, mesmo sabendo que eu era a causa.
Por fim, me aproximei do teu ouvido e pronunciei as únicas três letras que meu coração gritava naquela tarde de verão e te beijei o rosto. Por mim. Por nós. Por tudo que ainda tínhamos para viver. Peço que acredite, foi o não mais doído que meus lábios já disseram.

Não era pra gente dar certo

Não foi planejado. Era pra gente se esbarrar por aí numa madrugada fria de agosto e depois seguirmos com a vida. Era pra você ser só mais uma voz gostosa que eu ouvi cantar num bar, que me encantou e que eu nunca mais veria. Era pra eu ser só mais uma moça com cabelos ao vento que te chamou a atenção e que depois você esqueceria. Você voltou. Eu não te esqueci. Nos reencontramos.

Era pra ser só um beijo ou, talvez, só mais dos teus contatinhos. Talvez eu fosse só uma transa num desses quartos de motel onde você levava “só amigas”. Talvez eu fosse, realmente, só amiga. Apenas uma pessoa que iria passar sem a menor intenção de ficar (como tantas outras que passaram por você). Os beijos se multiplicaram. As noites se repetiram. Eu fiquei.

Não era pra ser, mas quando os nossos lábios finalmente se tocaram, quando os nossos corpos arderam, quando os olhos se encontraram, não deu pra segurar. Não tinha como simplesmente virar as costas e ir embora. Quando o apego pega de jeito, o corpo treme, a fala some, as mãos pingam e o estômago congela. Como digerir borboletas? Não deu pra fugir.

Perdi as contas de quantas vezes você jurou nunca mais me olhar, quantas noites eu pedi pra te esquecer, quantos outros corpos procuramos por aí na esperança (geralmente frustrada) de preencher um espaço que, embora tentássemos ignorar, tinha nome, sobrenome e endereço. Engraçado é que no meio dessas buscas a gente sempre acabava se esbarrando por aí. Nos bares, entre um café e outro, um olhar perdido no meio de uma canção com a voz trêmula, num gole de cerveja, ou entre um cigarro e outro num banco de praça, pra contar as novidades.

Eram raros, eram rápidos, mas eram nossos momentos. Mesmo com todas as partidas, aguardávamos secretamente pela próxima chegada, sempre sutil, discreta e disfarçada de amizade inocente, de carinho ingênuo e tesão puramente intelectual. É, meu bem. Não foi mesmo planejado ou calculado. Não foi pedido, embora tenha sido silenciosa e secretamente desejado.

Eu e você. Nós. Não era pra ser. Mas foi. E ainda é.