E assim todo dia era primavera

Ele acorda, dava – lhe um beijo na testa, “Bom dia minha linda”. E ia para a cozinha. Cheiro de café quentinho invadia a casa e entrava em suas narinas.

Ela se espreguiçavatoda na cama, olhava para o lado e sorria. As flores estavam balançando no jardim, ele já havia afastado as cortinas para o lado, sabia que ela gostava da claridade invadindo o quarto de manhã.

Seguia para a cozinha e lhe abraçava, dava – lhe um beijo, agora já com hálito de hortelã. “Bom dia meu amor”. A mesa estava pronta, café quente, leite morno, pães e a presença dos dois.

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Conversavam e riam. Assuntos sérios talvez, conversas bobas demais e um enorme sorriso no rosto. Ela cortava o pão inteiramente ao meio, sabia que era assim que ele gostava, já fazia centenas de dias que repetia esse gesto.

Se separavam pra trabalhar. Uma jornada diária de 8 horas de trabalho e saudades. Um ‘Oi’ na hora do almoço e um ‘Que o dia passe logo’.

Mas á tarde. Ah, a tarde.. Ela vinha radiante ao seu encontro. Um beijo demorado, abraço apertado e um brilho no olhar. Tomavam banho e se esticavam juntos no sofá. Mais conversas, mais risos tirados e sorrisos compartilhados.

O jantar era banquete, com fartura de amor. De sobremesa carinhos. Olhos nos olhos e vinho. Como desculpa a primavera se tornava inverno. Gostavam de dormir agarradinhos. E assim todos os dias se tornavam primavera.

josias

Ninguém, além de nós

Lembro das coisas que me disseste e isso é o que tem quebrado o silêncio da tua falta. Lembro dos momentos em que a calma nos faltou e nos perdemos em nossos próprios desejos.

Somos jovens e é tudo tão novo, é tudo diferente e é tudo normal, intenso, forte e devastador. Somos cabeças duras, teimamos até onde der. Tememos, sofremos e tudo o que queremos é não demonstrar.

É esquecer.

É chorar.

Mas sem ninguém saber.

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Ninguém, além de nós, pode saber que somos incapazes, que falhamos e como qualquer pessoa normal e que podemos fraquejar. Não. Temos um ao outro, temos a nós e, mesmo assim, insistimos em brigar, em fugir, em recuar.

É normal.

Quem já apanhou tanto tem medo de voltar a brigar.

Somos jovens.

Meu desejo é de que possamos aprender a confiar. Que nos seja permitido tentar com todas as forças. Lembro das coisas que te disse e das que ouvi de ti por muito tempo irei lembrar.

alan

Reconquiste, sempre que puder, seu amor

Calma, moço. Ela ainda te ama, mas a paixão está um pouco esquecida ali dentro. Amor e paixão se completam por serem diferentes, mas ambos são essenciais para qualquer relacionamento.

Tente acender novamente a paixão dentro dela. Surpreenda seu amor. Mande flores, compre livros e chocolates, leve para um restaurante novo ou prepare a janta de hoje, faça uma pequena viagem ou visite aquele lugar que ela deseja tanto conhecer.

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A melhor forma de reconquistar a pessoa que amamos é realizar surpresas. Nem adianta dizer que já fez de tudo, que a rotina faz parte da vida a dois e não tem como mudar. Sempre há como realizar uma surpresa.

Diga que a ama de um jeito diferente, deixe um bilhete na carteira escrito um ‘bom dia’, prepare o jantar hoje, faça uma massagem depois de um dia desgastante, ajude a terminar aquela tarefa que já foi adiada mil vezes. Coisas simples que fazem a diferença.

Apenas faça algo que vai deixar seu amor bem e feliz. Escute-a de verdade e com total atenção. Ela te dá sinais do que está planejando, do que deseja e quais seus próximos sonhos. Tente ajudar. Seja passando tranquilidade para ela depois de uma briga com o chefe ou vê-la sorrir com sua voz desafinada quando você canta a sua música preferida.

Estar com alguém ao seu lado não é uma garantia de que essa pessoa ficará para sempre. É preciso cuidar, zelar e reconquistar o amor sempre que possível. Há sempre um jeito de se apaixonar novamente, de amar e ser amado. Esforce e dê o seu máximo, pois a recompensa é a reciprocidade da relação e o retorno do amor em dobro.

mika

Você não é o que dizem de você

Estamos vivendo desde sempre como alvo de olhares de quem está disposto a nos apontar em algum momento. Não tem como escapar. Temos que nos acostumar com o ‘achismo’ que mora em outras pessoas, que acabam por nos colocar em caixas que cabem dentro do universo-do-eu-acho-e-falo-o-que-quiser. Mas não somos isso. Não somos nada disso. Não somos o que falam de nós e não somos obrigados a nos limitar por automaticamente já estarmos envolvidos no que as pessoas acham que somos.

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Cresci ouvindo dos meus pais que eles eram as únicas pessoas que me conheciam de trás pra frente e do avesso. Acreditei por um momento. Ou melhor, por vários momentos. Os ouvi falar de mim para seus amigos e até para o vizinhos algumas vezes, coisas a respeito de quem eu sou. Logo na primeira vez que pude acompanhar toda a conversa, tive a maior certeza de que não, eles não me conhecem o quanto pensam. Não que eles tenham falado coisas absurdas e totalmente erradas, mas porque claramente falaram as versões de suas interpretações a meu respeito. E é assim, cada um vai contar o que viram de e em nós a partir da forma com que vão nos interpretar. Natural, nada inédito por aqui.

Passei a pensar nisso desde que comecei a perceber o que diziam de mim até mesmo nas mesas de bares entre amigos onde eu estava presente, ou seja, isso não acontece necessariamente quando as pessoas se dispõem a falar apenas coisas negativas de você, acontece de todas as maneiras possíveis. As pessoas podem conhecer suas preferências, vontades, segredos, seus pontos fracos e até seus defeitos, mas nunca saberão quem você realmente é. Às vezes, essa resposta muitas vezes foge até de nós mesmos, mas, quando olhamos para dentro, temos a verdadeira e impecável interpretação do nosso ‘eu’. Portanto, nunca se deixe envolver pelo achismo exacerbado que sempre estarão disponíveis para te fantasiar positiva ou negativamente. Seja quem você sabe que é, se despeça dos rótulos que vão grudar em sua testa, afinal você não é o que dizem de você.

Thais

Segui em frente e não vou mais lhe esperar

Esperei pelo beijo depois da briga, só tivemos brigas, esperei na porta do cinema para a estreia daquele filme que você sabia o quanto eu estava ansiosa para assistir, um balde de pipocas amanteigada fora minha única companhia. Esperei que me convidasse para irmos de mãos dadas ver o sol se pôr, e me encontro nas areias da praia contemplando solitariamente, mais um luar, você? “- Deve estar atrasado, mas em breve irá chegar”.

Esperei tanto, que a espera se tornou pesada e tediosa, então eu esperei pelas suas desculpas, algo haveria de justificar tanto descaso, porém nem me iludir mais você se dava o trabalho, o trânsito estava cheio, meu patrão me fez fazer hora extra, o periquito da minha tia avó precisou de cirurgia cardíaca, quis sua companhia e ao invés disso, sua ausência se fez notar, juntamente com o silencio brutalmente intragável, de namorados passamos a dois tristes estranhos solitários.

Esperei que me amasse, lidei com o seu desprezo, esperei pelo seu sorriso, encontrei um rosto fechado e distante, esperei pelo pedido de casamento, você me apresentou sua amante.  Chorei por dias a fios, esperei que a dor passasse, em mim ela decidiu fazer morada, sem pressa alguma de partir, esperei por um pedido de desculpas, tive que encarar a sua felicidade estupidamente estampada em todos os cantos para onde quer que eu olhasse.

Esperei por nosso futuro, tive que conviver com você se transformando em passado. Esperei pelo seu arrependimento, lidei com suas vanglorias. Esperei pelo dia que eu te esqueceria, e de repente recebo algo totalmente inesperado. Você em minha porta, me pedindo para voltar.

Você na minha frente, dizendo que estava cansado das porradas do mundo, e implorando pelos meus cuidados, você que estava cansado de prazeres banais ali estava desejando o meu amor, você que se sentia perdido, voltou me dizendo que eu era o seu cais, você que sempre debochou de todos as minhas declamações, estava ali, de joelhos em minha porta jurando que queria que eu fosse o seu par.

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Você que eu já não lembrava mais da cor dos olhos, ou da intensidade do sorriso, do afago das mãos e muito menos da sensação de casa preenchida, me explicava incansavelmente a quanto estúpida tinha sido as suas escolhas, você que me virou as costas e me negou o seu amor, hoje me suplica dizendo que sou a mulher de sua vida, que fez besteiras e que eu preciso lhe perdoar.

A você que tanto me pediu para que eu seguisse em frente e viesse a te esquecer, sinto lhe informar, mas não te quero mais por aqui.

– Não me ama mais?

– Esperei por esse dia, incontáveis vezes, inventei tantas desculpas para o seu desdém, que chegou ao ponto de eu não saber mais qual era a minha realidade, e notei que as desculpas são apenas a nossa válvula de escape, sempre estivemos quebrados, eu que demorei para notar. E hoje eu sei que o tempo que nos ajuda a superar e seguir em frente independentemente de termos aprendido a lição, ou recomposto os pedaços de nosso coração, não está à venda.

Assim como um pedido de desculpas depois de algo que realmente nos feriu tem a mesma utilidade que um peixe usando uma bicicleta. Cuidado. Todos pedem perdão, mas não são todos os “vamos passar uma borracha no que passou”, que realmente são encontrados numa gôndola de supermercado, ou nas minhas vontades.

Existem marcas que nem o mais sincero pedido de desculpas é capaz de surtir o efeito, aprecie, cuide, nem tudo que se quebra é favorável a um conserto, e no nosso caso Pedro, me desculpa, mas eu cansei de te esperar, então eu lhe superei.

Adeus!

re

Deus fez tudo certinho

Talvez, Deus use uma régua e um compasso. Algo que Lhe mostra que as coisas vão se encaixar. Ou um relógio do tempo, que lhe denuncia a hora exata dos encontros que vamos ter no decorrer da vida.

Por várias vezes, questiono se Deus é um físico, matemático ou, apenas, um poeta apaixonado pelos romances impossíveis. Fico de cá, imaginando Ele de lá, chateado com a nossa bagunça ao encontrar os amores e deixando-os passar.

Por muitas vezes, sonhei com Deus dançando em casamentos celebrando o amor, abrindo um vinho por mais um recém-nascido, comemorando o milagre da vida e dando muxoxos quando alguém prega o ódio em Seu nome, resmungando ‘esse babaca não entendeu foi nada.’.  – será que Deus falaria ‘babaca’ ?!

Deus deve achar engraçado demais nossas confusões, indecisões e incertezas. Deve ficar de lá mandando chuvas de sinais para nos mostrar o caminho enquanto nós, cegos de vaidade, desapercebemos o óbvio.

Não sei se para Deus somos comédia romântica, suspense ou drama. Será que eu teria paciência de assistir a minha própria vida com tanta dedicação, assim como Ele nos assiste?

Em Sua onisciência, onipresença e onipotência, penso que, talvez, apertando um botão, Ele resolveria tudo. Nossas angústias, medos e realizaria todos os nossos desejos. Sentado numa cadeira, típica das lojas de games, adicionando alguns reais para jogar mais meia hora.

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É impossível prever o que Deus nos preparou. Mas, é indiscutível a Sua força através da nossa fé. O que a fé move e a energia que rege tudo isso.

É incrível saber que as lágrimas não escorrem pelo rosto em direção a boca por acaso. Que o sorriso depois da tempestade é a resposta. É maravilhoso que, mesmo diante do caos, ainda temos a esperança. E com tanto barulho, bobagem dita, repetida e espalhada em nome de Deus, Ele continua fiel aos Seus princípios e focado na Sua maior e mais forte das leis: A lei do amor.

Quem sabe seja esse o segredo de Deus. Seja essa a Sua régua e compasso ou o Seu relógio do tempo: Descarregar sinais de amor sobre nós. Para que, de alguma forma, sejamos tocados e encantados por esse sentimento que nos revela tanto de nós, e nos revela tanto para o outro.

Como dizia minha vó, Deus faz tudo certinho. E com muito amor.

edgard

O jogo não acabou!

Eu sempre te procurei né?!  E acho que você sempre se perguntou: Por que mesmo não me oferecendo tudo que eu mereço, mesmo não correspondendo ao meu amor, eu sempre voltava para os seus braços. Bom, se precisou de tempo para entender a singularidade disso tudo meu bem, saiba que eu precisei me revirar do avesso para lhe externar essas repostas.

Para você pode até parecer uma matemática simples, mas para mim é química, psicologia ou qualquer outra coisa. Faltava sim; o beijo se prolongar, o abraço se estender e o tempo parar quando estávamos juntos. E eu sempre me perguntava: – Por que? Porque esse abraço não pode se estender? Por que esse beijo não vai se prolongar? Por que isso tudo, se há desejo no teu olhar, fogo nas tuas mãos, ternura e conforto nos teus braços?

Bom, eram perguntas demais… E eu decidi que não queria mais respostas. Não queria mesmo! Não porque não desejava mais estar ao teu lado. Mas porque entendi que precisava encontrar as minhas próprias respostas. Afinal, você também precisava saber que feitiço é esse que sempre me levava aos teus braços.

Olha, então vamos por partes amor: eu me revirei do avesso e hoje você está aqui. Me olha e conversa como se estivesse falando com uma estranha. Diz que mudei, diz que meus olhos não são mais os mesmos, diz que meu tom de voz não é igual e sabe: não é mesmo.  Sabe que me revirando encontrei tudo. Encontrei as minhas repostas e também as suas. Eu confesso que tive medo e, sinceramente, posso dizer que te entendo. Eu também teria medo se alguém me amasse tão loucamente assim, com todo esse amor que encontrei aqui. É que o amor é lindo e gostoso, mas em excesso pode ser perigoso né?! Então: eu te entendo e sei que os beijos e abraços encurtados foram causados por mim mesma.

Eu procurei uma resposta em teus olhos durante todo esse tempo. Que boba! Estava tudo tão claro aqui dentro. Era demais pra você. Demais pra esse teu coração tão covarde! E quanto as suas repostas? Bom, era amor. Era exageradamente amor. Eu poderia definir em várias palavras mas fico com uma apenas: desequilíbrio. Era amor, mas também era meu desequilíbrio, meu anseio e meu descontrole. Talvez por isso tenha te assustado tanto.

Mas hoje você aqui – me olhando assim como uma estranha -, tentando achar a louca e desequilibrada que exageradamente te amava, me faz refletir. Hoje você me faz parar em frente ao espelho e olhar para esse meu avesso exposto e tentar entender. Que marcas são essas sobre mim? Será que tem algo a ver contigo? É, tem sim… Sabe o que é? É que as chamas ainda continuam acesas, mas o controle é meu. Pois é. Acho que o jogo virou, afinal, qual o amor que vive por um triz né?!

A única novidade aqui é que não preciso mais me sentir desequilibrada. Não preciso me arriscar entre a lucidez e a insanidade por momento algum. Tudo isso porque o controle é meu. Não precisa se desesperar. Se está se perguntando se não te quero mais, eu posso te dizer com toda certeza: no fundo ainda existe amor em nós.  Mas quando os vidros embaçarem e os abraços se encurtarem você ainda vai entender que o jogo virou. Você vai entender que se reinventar, se revirar, é questão necessidade. Tudo por que amor não é coisa pra coração covarde. Amor é o tipo de jogo pra quem tem peito aberto, garra no olhar e força no sorriso.

Mas tudo bem. O jogo não acabou!

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