Como te esquecer em 30 dias

Ouça enquanto lê: Adeus Você – Los Hermanos (https://www.youtube.com/watch?v=PUs144LMiy4)

Seis e meia da tarde.

Encarei o relógio assustada, não havia me dado conta do quanto o dia tinha passado e de como fora tão depressa. Seis e meia da tarde, e eu estava sentada no banco frio do carro, ligando o som que me invadiu com lembrança tua. Eu sorri engolindo o choro, porque lembrar de você ainda me dói. O sorriso foi pelo horário. Depois de dias lamentando tua falta logo ao acordar, hoje levei um dia inteiro para sentir tua falta.

Um mês, 30 dias, 720 horas.

Esse é o prazo que eu me dei para te esquecer. Não posso passar disso, eu não devo passar disso. Acho que um mês é um período muito bom. Eu posso curtir os meus dias de fossa, comendo sorvete e chocolate sem culpa, eu posso rever nossas fotos e chorar de saudades e eu conseguirei seguir em frente. Pode parecer estranho se dar um prazo para esquecer uma pessoa, mas eu me dei essa meta.

Agora preciso saber por onde começar, afinal eu só tenho esse tempo para tirar da minha cabeça a pessoa que morou tanto tempo nos meus pensamentos. O motivo dos meus sorrisos no meio de uma tarde fria, o motivo da minha preocupação, o motivo de eu acordar de manhã e estar feliz por ter alguém do meu lado, por ter você comigo.

Mas agora, como te esquecer em 30 dias? Como deixar para traz todas as lembranças e momentos que passamos juntos?

A nossa história é tão bonita para terminar assim, sem ponto final, sem um ‘se cuida’. Você simplesmente saiu. E eu fiquei. E entre a gente ficou um silêncio gritante, umas memórias lindas e um amor pela metade. A minha metade.

Mas hoje eram seis e meia da tarde e eu passei um dia quase inteirinho sem pensar em você. Se conseguir mais vinte e nove, talvez te esqueça de vez. Só preciso tentar descobrir o que fazer com a parte de mim que é toda tua. E então, em trinta dias, espero esquecer você.

Eu preciso esquecer você. ‘pra que minha vida siga adiante’

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Esquecer é não sentir mais nada. Nem mesmo saudade…

A gente apaga o número do celular, apaga todas as fotos, apaga mensagens antigas, bloqueia no Facebook, Instagram e Whatsapp. A gente joga todos os presentes que ganhamos durante o tempo juntos fora e se liberta daquele perfume que só remete a tal pessoa.
Evitamos tocar no nome. Começamos a sair para as baladas da vida e levantamos o copo de bebida para fazer um brinde a nova fase e ao esquecimento da pessoa que ate há alguns dias era o amor da nossa vida. Juramos de pé junto que mal nos lembramos do timbre da voz dela.
Mas basta chegar em casa, tomar um belo banho e descansar a cabeça no travesseiro para vir à tona o que parecia estar morto e enterrado. Basta o silêncio de uma noite fria para as lembranças e a saudade aquecerem o coração e deixa-lo ardendo em dor. E é aí que nos damos conta que esquecer vai muito além do que o que imaginamos.
Quem esquece não precisa evitar encontros casuais, não se sente mal em falar a respeito e não precisa “entupir-se” de bebida para dizer que esqueceu. Não. Quem esquece cria indiferença. Quem esquece vive e somente. Quem esquece sabe que existem e sempre irão existir lembranças da pessoa que um dia foi de uma importância imensurável em nossa vida, mas tais lembranças não precisam ser apagadas, porque é algo que fez parte de algum momento bom, mas que, por obra do destino (ou não), ficou para trás.
Quem esquece não precisa provar nada para ninguém, apenas deita a cabeça no travesseiro e dorme com tranquilidade. E quem não esqueceu, meu amigo, precisa viver a dor e deixar doer. Deixar a ferida sangrar mesmo. E saber que não é preciso pressa, uma hora as coisas se estabilizam e será perceptível que esquecer é lembrar e não sentir mais nada. Nem mesmo saudade. 

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