Você foi a minha escolha certa

Leia ao som de Speed Of Sound – Coldplay

Por muitas vezes perdi o sono perguntando a mim mesmo se eu sabia qual caminho havia tomado para minha existência.

Eu não sabia.

Viver, para mim, sempre foi uma forma inconsequente de brincar com fogo. Eu nunca fui uma criança disciplinada, nem um adolescente comportado ou um adulto cuidadoso. Eu não planejei a minha vida e deixei as portas abertas para qualquer coisa que viesse pela frente.

Muita coisa veio. Vivi de tudo um pouco, um pouco demais de tudo. Cometer excessos sempre foi a minha especialidade, afinal. E agora, com um pouquinho a mais de maturidade e juízo na cabeça, finalmente me dei por conta do tamanho da minha sorte. Continuar lendo “Você foi a minha escolha certa”

Ela é repleta de dúvidas. Mas diz ser feliz assim.

Bochechas avermelhadas de quem dormiu de menos, livros ao chão de quem estudou demais. Mais uma vez, ela perdeu a hora do trabalho, e novamente, colocou a culpa no despertador. Ela deparou-se com uma imensa bagunça em seu quarto e se questionou quando vai ter tempo de arrumar tudo aquilo. 

– Se eu trouxer o Felipe aqui hoje, preciso trancar este quarto urgentemente. 

Ela pensou nesta possibilidade por alguns instantes. 

Dezenas de roupas jogadas para um lado. Milhares de livros abertos para o outro. Centenas de sapatos debaixo da cama e alguns pares perdidos naquela imensa bagunça. 

– Com qual roupa sair?

Pergunta que ela se faz toda manhã, e pode durar cerca de uma hora para que ela mesma responda. Preto ou branco? Salto ou sapatilha? Comportada demais ou atrevida demais? Questionamentos do dia-a-dia de quase toda mulher, vai.

Ela tem uma certa queda por dúvidas bestas do cotidiano feminino. Diz gostar do preto, mas sente-se melhor com o branco. Diz amar saltos altos, mas prefere sapatilhas por conta dos calos irritantes após algumas horas de uso. E como se vestir comportadamente com aquele par de coxas perfeitas que almejam ser grandes quase encostando-se uma a outra?

Quase uma hora de atraso, e suas retinas ainda não decidiram nem a cor da calcinha que vai usar. Seu quarto anda tão bagunçado quanto seu coração, ela costuma dizer. Ela insiste em falar que á procura por algo que ainda não encontrou é extremamente divertida. E quando questionada como ela consegue encontrar qualquer coisa dentro daquela bagunça, ela só sorrir alegremente para o mundo, pois apenas ela sabe – neste teu mundo – onde diabos está cada pequena coisa naquele furacão, que ela insiste em chamar de quarto. 

Provavelmente vai levar uma bronca daquelas de encher os ouvidos do seu chefe. Mas não tem problema, ela diz. Pois agora – neste exato momento – ela encontrou o que quer vestir. 

– Mas que Droga! A Roupa está suja de novo. 

E novamente ela se perde na bagunça que ela mesma criou. Até ela se decidir novamente, ou até encontrar outra roupa que nem planejou ter que usar e perceber que ficou legal, e até combinou com os brincos e as sapatilhas listradas. 

Ela é repleta de dúvidas. Diz ser feliz assim. E não há quem duvide disto. 

Sempre que perguntam de você

Sempre que me perguntam de ti eu me perco. É difícil falar sobre você sem falar sobre a gente. No meu peito você e eu nos confundimos. É a alquimia perfeita que transforma tudo em “nós”. Os olhares se completam, as mentes se conectam, o abraço fortalece e nossa alma sorri. Eu jamais seria o que sou se não fosse abastecido pelo querer que seu amor alimenta em mim. Eu nunca alçaria os vôos que alcancei sem o impulso que recebo a cada “Bom dia” seu. Em tempo algum eu poderia vencer as batalhas que lutei se você não fosse o meu escudo. Eu não poderia ter ido onde fui se não tivesse você como lar para voltar a cada fim de tarde.

Sempre que me perguntam sobre você eu perco as palavras. Como posso dizer como anda, não alguém, mas a uma parte de mim? Eu não sou capaz de explicar toda a pluralidade que o você/eu/nós representa. Já me peguei pensando em que rotas eu teria trilhado e onde eu estaria hoje se meu caminho não tivesse cruzado com o seu naquela manhã de outono. Dói pensar que eu podia não ter ido àquele café se não tivesse acordado atrasado. Bendito despertador quebrado. Tudo ficou mais fácil depois disso, mas a vida é cíclica e sei que nada é eterno e vejo que as coisas vêm mudando de uns tempos para cá.

Nossa rotina, nosso dia, nossa noite não são mais como eram antes. Nossos caminhos se cruzaram, mas a estrada tem sido penosa e difícil. O caminhar em busca dos sonhos, dos objetivos, do que precisamos além do amor, nos tornam reais dentro desse sentimento mágico que tomou conta da gente. Mas, eu não quero me perder de ti. Não quero me perder do sonho que sonhei pra nós dois, que incluem os planos e metas da sobrevivência. Você faz parte de cada pedacinho desse alicerce que tenho construído.

Então, sempre que me perguntam se estou feliz, eu lembro que tenho você. E a reposta sempre é sim. Claro. Não poderia ser diferente já que saber que você faz parte disso tudo se torna o combustível indispensável para que eu continue lutando. Não, nada é eterno. Eu só quero que saiba que dentro dessa eternidade que vivemos, sou capaz de lutar ao seu lado para que juntos enfrentarmos a ventania da rotina. Do trabalho. Das complicações de uma fase ruim.

E sempre que me perguntarem se é ao seu lado que quero ficar, vou olhar pra o início da nossa história e perceber que vale a pena tentar mais um dia. Ficar mais um pouco. Ir em frente. Enquanto juntos forças quisermos aplicar nesse sentimento de reciprocidade, minha resposta sempre será ‘sim’. Um ‘sim’ cheio de coragem. Um ‘sim’ repleto de amor. Um ‘sim’ cheio de vontade de te abraçar e continuar o caminho.

Pode ir, mas se quiser, fica

Injustiça tua ter deixado tanta lembrança por cada canto de nosso apartamento. Malvadeza tua ter deixado teu cheiro adocicado em meu travesseiro sem intenção de ficar. Agora aqui, sozinha, ando sem rumo pela sala e pelos quartos sem teu perfume pra me guiar. Cada cantinho tem tanta história repleta da gente. Cada cômodo, cada espaço, cada instante. Mas hoje, meu “eu” sem o teu “você”, deu adeus ao “nós” que construímos bem da nossa maneira.
Fica vai.
Ainda tem aquela torta de morango que você tanto gosta na geladeira. Fica, tem aquela pizza de ontem que ainda nem terminamos de comer. Tem tanto canto da casa que falta ser preenchido por nossas histórias malucas-românticas. Tem tanto desejo querendo atitude e tanta atitude querendo desejo.
Fica vai, eu compro aquele filme que “cê” tanto gosta e eu prometo não dormir no meio. Fica, eu prometo lavar os pratos todas as noites pós-filmes-românticos e todas as manhãs mesmo que a preguiça insista em falar mais alto. Fica vai, quero um colo pra repousar minhas dores, um par de ouvidos atenciosos para escutar minhas besteiras, e um coração pra fazer morada.
Fica meu bem. Mas se quiser, vai.