Sabe o que é saudade?

Eles pensam que sabem o que é saudade. Sabe aqueles que ficam um dia sem ver um ao outro e já entram em uma depressão de independência corporal, seja familiar ou por simples sexo? Eles não sabem o que é o tal do “miss you”. Parei de contar há quanto tempo eu não te vejo, o calendário já não faz o menor sentido.  A única coisa que eu conto, é quando deito minha cabeça no travesseiro e finjo que te conto as novidades.

Meu querido, eu não sei exatamente onde você está,  já que todos os religiosos do mundo discutem diversas teorias de onde as pessoas vão. Mas eu sei que você está aí, olhando e escutando todos os meus devaneios de cronista, palmeirense, direitista e sofredor. Se Deus for realmente um cara esperto, ele te adianta o processo de ressureição e te coloca de volta nesse mundo que tanto precisa de você.

Temos muito em comum. Você torce pro Internacional, eu sou Palmeiras, você é fumante e eu odeio cigarro, você ama Charlie Brown Júnior, eu prefiro as melancolias da Banda Fresno, tem estilo, eu não sei nem fechar os botões da calça direito. Mas tirando isso somos exatamente apaixonados pela nossa família.

A saudade caro, bate, machuca, contorce e retorce. Parece que consta na minha lembrança todas as vezes que eu esqueci de dizer eu te amo. Mas sabe como é, você machão convicto, eu sensível e movido as crônicas, a expressão de sentimentos eram deixadas de lado. Mas todas as suas maneiras carinhosas de cuidar de mim desde minha infância, me marcam como aquela sua tatuagem barata que não sai nem com sabão de coco.

Tio, esse é daqueles textos que não vende, ninguém entende quando a saudade é individualizada. O caboclo pode tentar catalogar quantas espécies desse sentimento existem e vai morrer tentando.

Não consigo entender o que leva algum ser humano fazer o que fizeram com você. Te levaram de minha vó, mãe, primas, vô, tios, ex-esposa e seus milhares de amigos. Na verdade você ainda está aqui, naquela poesia bruta, nas orações do dia e naquelas incontáveis vezes que eu lembro de dizer toda noite que te amo, quando vejo seu sorriso do alto do céu.

Na dúvida eu sou a letra C

Na dúvida é sempre a letra C. Passei meu ensino médio na escola sempre com essa teoria. Quando tinha qualquer coisa que me causasse indecisão em provas, eu chutava a famigerada terceira letra do alfabeto. Era 25% de chances de acertar e 75% de possibilidade de dar merda.

Nas provas de química e física, me sentia o Jack Bauer, com em média duas horas para responder as questões. Nunca tinha visto necessidade para essas duas matérias das ciências exatas, tinha dentro do meu peito que aquilo ali não estava no meu caminho. Ora bolas, nada contra os professores destas matérias, mas que eles não leiam estes textos, por que não lembro nenhuma das fórmulas que eles passaram.

O que me interessava na escola eram as pessoas. Mesmo com minha estranha magreza e forma esquisita de me vestir, adorava analisar as personalidades mais diversas dos meus colegas da sala de aula. Poucos eram amigos de frequentar minha casa, passei o tal do terceirão sozinho, mesmo tendo terminado sendo o orador da turma na formatura.

Mas voltando a falar dos colegas, antes que eu me perca em divagações textuais. O ensino médio é o reflexo da fase adulta. Pelo menos mais de 70% dos seus conhecidos com cara de maconheiros, vão fumar maconha. 45% das que tem potencial de serem gostosas de parar o trânsito vão continuar assim. Os nerds provavelmente serão os donos do mundo, como advogados ou engenheiros civis, construindo os maiores prédios da cidade.

Enquanto eu? Me autoanalisando nesta cadeia hereditária chamada vida, sou um ser indefinido neste mundo chamado terra. Posso ser os dois minutos de acréscimo do campeonato Brasileiro, o Bis do show do John Lennon que nunca teve, o último pedaço de hambúrguer da face da terra. Na dúvida? Pode me chamar de letra C. 25% de chances de acertar, 75% de eu ser um merda.

A boemia da paz

As flores espalhadas pela Avenida Brasil, são nada mais que meus eternos olhares de esperança, de que um dia tudo dará certo.  Sou daqueles cronistas, com respiro de poeta vagabundo, que crê em dias melhores, tanto quanto os tais rapazes do Jota Quest.

Mas meu jeito de paz não é convencional. Não suporto os hipongos filhos de Ghandi, que espalham pétalas de flores pelo mundo pedindo paz e tentando te vender um livro para arrecadar fundos para o Suporte Nacional da Paz. Quem muito escancara um ser espiritual elevado, está perdido nas entranhas das dúvidas de si mesmo.  Ou você não acha estranho um meditador que come salada todos os dias e pesa 26kg, mesmo tendo 46 anos de idade.

A paz de espírito está no beijo molhado, no copo de Whisky, na reunião de amigos e no abraçar um bêbado que nunca viu na rua, gritando ao mundo que somos amigos. A estranheza da risada, causada nas noites boêmias e a sensação de que o planeta terra é um lugar divertido para um cacete. A tranquilidade está ali, escondida entre as duas primeiras caçapas da mesa torta de sinuca.

“GARÇOM POR FAVOR, ME TRAGA A PORÇÃO DE BATATAS FRITAS”, isso é compartilhar o pão do mundo moderno. Se fizermos as contas rápidas, se houverem 50 batatas em uma bacia, lotada de guardanapos, escolha seus 10 melhores amigos e as reparta em cinco para cada um. Os retratos das porções, são desenhados em risadas e cumplicidade.

Não me venha com a lenga-lenga de passeatas pela paz. Roupas brancas só em profissionais da área da saúde ou mãe de santo. Os pacifistas do ano novo, pedem esperanças na data nova que se achega, mas abarrota as praias de lixo. Gosto das camisetas de série ou de bandas, aquelas desbotadas de tanto serem usadas. DJ solta o play daquele som maneiro, por que a música e o bar unem as esperanças, de um dia melhor.