O amor em notas musicais

Ainda não fizeram uma música sobre amor. Não adianta vir choramingar as pitangas falando do garotinho Luan Santana, ou do mestre Fábio Júnior, nada me convence do contrário. Nunca vão descrever com perfeição quando dois corações batem no mesmo ritmo. Não há instrumento de sopro que sincronize a perfeição do tempo de nossas respirações ofegantes após uma bela noite de sexo, onde nossos corpos se entrelaçam mais do que a guitarra de John e o baixo de Paul.
Aliás ainda existem os clássicos onde as distorções soam extremamente afinadas, mesmo sendo de sonoridades distintas. As perfeitas diferenças existem ao juntar as batidas de MC Kevinho e as poesias apaixonadas de Frankie Valli.
Não entenderam que somos a mescla da dança mais ousada, com a melancolia da sonoridade mais triste. A diferença nos faz sermos o senso mais comum. Enquanto músicas antigas não te apetecem, não consigo entender como alguém pode ouvir a tal do Pou Pou Tei Tei, que pode ser escrita de diversas formas.
Mas é inexplicável, você é a lotação do meu show, o Sol Maior do meu violão, o número um das minhas mais tocadas e o hit da trilha sonora da minha vida. A rapidez que nos apaixonamos, é a rapidez de Eye Of The Tiger, soando pelos ouvidos dos amantes da música antiga.
Você é sertanejo eu sou rock, você é roupas caras eu sou o moletom com All-Star, você é MP3 eu vivo como um LP. Mas “ You´re just too good to be true, cê acredita?
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A construção da tristeza

As placas de homens trabalhando estão dentro das almas, as pessoas vivem em obras dentro de si constantemente.  Já despejei a caixa de ferramentas no chão, com o cuidado em que se zela por uma criança.
O martelo coloca cuidadosamente todos os pregos do meu passado para baixo, onde segura tudo o que houve dentro de mim e o que eu quero esquecer. A furadeira adentra meu peito com toda sua força, para pendurar os quadros do presente e do futuro, que me fazem refletir sobre todas as novas fases em que estou vivendo. Estas obras de meu peitoral são abstratas, sem formas definidas e com cores espalhadas pela tela.
Mas em um momento não confio mais nos pedreiros que fazem todo esse árduo trabalho, pois sinto que um dia toda a estrutura firme me segurando, pode vir a desmoronar com um simples sopro.  Os mais ligados ao zodíaco dizem que toda essa falta de segurança é por causa de meu signo, eu já acho que o problema sou eu. Não consigo crer que haja outro escorpiano tão mal de estima por aí.
A gente está aqui, caindo, levantando, tropeçando na mesma pedra e tentando somente melhorar no dia de amanhã. Ouvi alguém dizer que decepção faz parte da estrada. Mas minhas ruas já estão interditadas com o alagamento de minhas lágrimas. CORRAM, ACIONEM A DEFESA CIVIL,  estamos desabrigados. Minha alma está exposta as situações mais adversas deste mundo.
Sobre a tristeza? Provavelmente amanhã passa. Mas o homem que não convive com a pressão externa do dia a dia e não tem vontade de fugir de tudo, não está vivendo direito. Vamos fugir comigo?

Amor safado

Eu meio que cansei daquelas vozes de bebezinho, ditadas de sermos as únicas companhias possíveis um para o outro. Aquele melosismo parecido com 24 potes de mel virados em nosso corpo, por favor, finja que isso não existe. Fofurinhas e palavras no diminutivo ficaram naqueles filmes da Sessão da Tarde, onde tudo terminava em um beijo apaixonado debaixo da chuva, onde um cara muito fraco levantava no colo uma mulher, provavelmente auxiliada por algum guindaste Hollywoodiano.

Gostaria de nesse momento, por meio deste texto, me decretar fã é do amor safado. Aquele fiel, entre somente duas pessoas, onde cada dia é um sexo diferente.  O simplesmente abraçar por trás, quando sua amada tenta se maquiar no espelho do banheiro. A mordida no lábio, o puxão no cabelo, as diversas trocas de posição na hora do amor, isso sim é amar.

Viva aquela paixão onde a única companhia não é a outra pessoa. Com certeza seu amor tem que ser o melhor. Pois todo mundo troca um Bar, por um filme, uma pipoca e a oportunidade de dormir juntos.

O dia em que o número de beijos sem gosto, ultrapassar o de uma boa conversa o relacionamento acaba. Quero viver um eterno amor bullying, a zoeira compartilhada entre o casal, o rolê de risada com os casais de melhores amigos. Viver a dois com testemunhas, para que todos vejam como nosso lance é foda.

Quero aquela paixão confiável, que no bar com nossa infinidade de amigos, o tempo em que você conversa com as meninas sobre suas inimigas e eu discuto política com os brothers, abasteça nosso fogo até a tampa de gasolina.

Nessa história, quero que vivamos algo safado e ao mesmo tempo romântico. A única garota onde quero passar morango pelo corpo e fazer coisas diferentes. Gosto de interpretar um casal diferente por dia, incorporado na mesma pessoa. Qual o foco que nunca muda? Meu amor por você.

Sabe o que é saudade?

Eles pensam que sabem o que é saudade. Sabe aqueles que ficam um dia sem ver um ao outro e já entram em uma depressão de independência corporal, seja familiar ou por simples sexo? Eles não sabem o que é o tal do “miss you”. Parei de contar há quanto tempo eu não te vejo, o calendário já não faz o menor sentido.  A única coisa que eu conto, é quando deito minha cabeça no travesseiro e finjo que te conto as novidades.

Meu querido, eu não sei exatamente onde você está,  já que todos os religiosos do mundo discutem diversas teorias de onde as pessoas vão. Mas eu sei que você está aí, olhando e escutando todos os meus devaneios de cronista, palmeirense, direitista e sofredor. Se Deus for realmente um cara esperto, ele te adianta o processo de ressureição e te coloca de volta nesse mundo que tanto precisa de você.

Temos muito em comum. Você torce pro Internacional, eu sou Palmeiras, você é fumante e eu odeio cigarro, você ama Charlie Brown Júnior, eu prefiro as melancolias da Banda Fresno, tem estilo, eu não sei nem fechar os botões da calça direito. Mas tirando isso somos exatamente apaixonados pela nossa família.

A saudade caro, bate, machuca, contorce e retorce. Parece que consta na minha lembrança todas as vezes que eu esqueci de dizer eu te amo. Mas sabe como é, você machão convicto, eu sensível e movido as crônicas, a expressão de sentimentos eram deixadas de lado. Mas todas as suas maneiras carinhosas de cuidar de mim desde minha infância, me marcam como aquela sua tatuagem barata que não sai nem com sabão de coco.

Tio, esse é daqueles textos que não vende, ninguém entende quando a saudade é individualizada. O caboclo pode tentar catalogar quantas espécies desse sentimento existem e vai morrer tentando.

Não consigo entender o que leva algum ser humano fazer o que fizeram com você. Te levaram de minha vó, mãe, primas, vô, tios, ex-esposa e seus milhares de amigos. Na verdade você ainda está aqui, naquela poesia bruta, nas orações do dia e naquelas incontáveis vezes que eu lembro de dizer toda noite que te amo, quando vejo seu sorriso do alto do céu.

Na dúvida eu sou a letra C

Na dúvida é sempre a letra C. Passei meu ensino médio na escola sempre com essa teoria. Quando tinha qualquer coisa que me causasse indecisão em provas, eu chutava a famigerada terceira letra do alfabeto. Era 25% de chances de acertar e 75% de possibilidade de dar merda.

Nas provas de química e física, me sentia o Jack Bauer, com em média duas horas para responder as questões. Nunca tinha visto necessidade para essas duas matérias das ciências exatas, tinha dentro do meu peito que aquilo ali não estava no meu caminho. Ora bolas, nada contra os professores destas matérias, mas que eles não leiam estes textos, por que não lembro nenhuma das fórmulas que eles passaram.

O que me interessava na escola eram as pessoas. Mesmo com minha estranha magreza e forma esquisita de me vestir, adorava analisar as personalidades mais diversas dos meus colegas da sala de aula. Poucos eram amigos de frequentar minha casa, passei o tal do terceirão sozinho, mesmo tendo terminado sendo o orador da turma na formatura.

Mas voltando a falar dos colegas, antes que eu me perca em divagações textuais. O ensino médio é o reflexo da fase adulta. Pelo menos mais de 70% dos seus conhecidos com cara de maconheiros, vão fumar maconha. 45% das que tem potencial de serem gostosas de parar o trânsito vão continuar assim. Os nerds provavelmente serão os donos do mundo, como advogados ou engenheiros civis, construindo os maiores prédios da cidade.

Enquanto eu? Me autoanalisando nesta cadeia hereditária chamada vida, sou um ser indefinido neste mundo chamado terra. Posso ser os dois minutos de acréscimo do campeonato Brasileiro, o Bis do show do John Lennon que nunca teve, o último pedaço de hambúrguer da face da terra. Na dúvida? Pode me chamar de letra C. 25% de chances de acertar, 75% de eu ser um merda.

A boemia da paz

As flores espalhadas pela Avenida Brasil, são nada mais que meus eternos olhares de esperança, de que um dia tudo dará certo.  Sou daqueles cronistas, com respiro de poeta vagabundo, que crê em dias melhores, tanto quanto os tais rapazes do Jota Quest.

Mas meu jeito de paz não é convencional. Não suporto os hipongos filhos de Ghandi, que espalham pétalas de flores pelo mundo pedindo paz e tentando te vender um livro para arrecadar fundos para o Suporte Nacional da Paz. Quem muito escancara um ser espiritual elevado, está perdido nas entranhas das dúvidas de si mesmo.  Ou você não acha estranho um meditador que come salada todos os dias e pesa 26kg, mesmo tendo 46 anos de idade.

A paz de espírito está no beijo molhado, no copo de Whisky, na reunião de amigos e no abraçar um bêbado que nunca viu na rua, gritando ao mundo que somos amigos. A estranheza da risada, causada nas noites boêmias e a sensação de que o planeta terra é um lugar divertido para um cacete. A tranquilidade está ali, escondida entre as duas primeiras caçapas da mesa torta de sinuca.

“GARÇOM POR FAVOR, ME TRAGA A PORÇÃO DE BATATAS FRITAS”, isso é compartilhar o pão do mundo moderno. Se fizermos as contas rápidas, se houverem 50 batatas em uma bacia, lotada de guardanapos, escolha seus 10 melhores amigos e as reparta em cinco para cada um. Os retratos das porções, são desenhados em risadas e cumplicidade.

Não me venha com a lenga-lenga de passeatas pela paz. Roupas brancas só em profissionais da área da saúde ou mãe de santo. Os pacifistas do ano novo, pedem esperanças na data nova que se achega, mas abarrota as praias de lixo. Gosto das camisetas de série ou de bandas, aquelas desbotadas de tanto serem usadas. DJ solta o play daquele som maneiro, por que a música e o bar unem as esperanças, de um dia melhor.