Existem coisas que nunca mudam. A saudade de você é uma delas

Existem coisas que nunca mudam, não importa o tempo que passe. Não importa a força que se faça ou a quantidade de vezes que se tente.

Existem coisas que são imóveis, pesadas demais para alguém mexer, fortes demais para que se remova da memória e que carregam consigo um turbilhão de emoções que se confundem.

A mágoa, o ressentimento e a raiva até podem marcar ao ponto de não saírem, isso é bem verdade. Mas essas marcas vão perdendo a intensidade quando a gente nota que essas coisas só machucam quem sente.

O tempo vai passando e vai atenuando tudo de ruim que as histórias do passado deixam.
Tudo é passível de perdão, que é a melhor maquiagem para uma marca permanente.

Tudo, exceto saudade. Essa sim, é silenciosa e fatal. Ela é o legítimo exemplo de que quando não se pode vencer, a melhor solução é se juntar ao inimigo. Eu já fiz as pazes com a saudade há muito tempo.

Aprendi a curtir a saudade que ficou de tudo aquilo que nós vivemos lá atrás. Por que é verdade mesmo: sempre há algo de bom pra se relembrar, por mais difícil que tenha sido.

E foi assim que você se tornou a minha saudade preferida. Sim, eu me apego à ela na tua ausência. Na ânsia de te ter de novo pra mim, me envolvo num abraço apertado e posso sentir teu cheiro doce de perfume frutado.

Fiquei com o melhor de você em minhas memórias e isso ninguém pode tirar de mim, sabe? É, ainda dói um pouco. Não, não é masoquismo. É só saudade e um apego gigantesco à nossa história.

E assim eu vou tocando a vida sem você aqui. Abro o guarda roupa e me visto de saudade, como se fosse a Mônica escolhendo o mesmo vestido vermelho, saca? Acho que vai ser assim pra sempre: Eu me vestindo daquela boa e velha saudade surrada que eternizei nas lembranças da alma

É que tem coisas que nunca mudam, entende? E com a saudade não é diferente. Saudade boa faz um cafuné no coração da gente.

 

Diego Henrique & Paulinho Rahs

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Desculpe a intensidade, mas eu só sei transbordar

Eu podia fazer desse um texto bonito, mas acho que não vai rolar. Ou talvez até role.
Da rima ao verso, do amor à putaria, tudo vira poesia!
Então eu vou escrevendo e no final a gente vê o que vai dar.
 
A verdade é que você vai sumir sem motivos e eu vou ter que me acostumar com isso. É o teu jeito, eu já te conheci assim e, por mais que eu sinta sua falta pra caralho, isso não vai mudar.


É tipo quando você coloca a música no aleatório, mas fica mudando até chegar aquela que gosta, sabe? A música que eu mais gosto é aquela que você volta e fica um pouco mais, mas enquanto isso não acontece, eu vou ouvindo as que tocam mesmo. O mais foda é que ultimamente todas me fazem lembrar de você.
 
É tudo muito recente… Eu sou um idiota sem jeito, que nem com as palavras tenho me entendido ultimamente, mas, porra, Deus tá vendo o quanto eu tô me esforçando pra te dar bons motivos pra ficar. Eu ia falar que dá a impressão que está faltando algo, mas não é só impressão. É certeza que está faltando. Não é algo, nem ninguém, é você. 
É impossível não sentir falta da sua companhia, da sua maluquice e capacidade de esquecer as coisas. Como você disse, é a Dory. Minha Dory, que esquece tudo, só não esquece como fazer pra eu me encantar cada dia mais com esse jeitinho dela. Capaz que tu faça isso sem querer, mas faz muito bem feito, assim como tudo o que faz.
Eu poderia elencar no mínimo 27 coisas que me encantam em você, mas vou deixar pra uma próxima, quem sabe em outro texto. Eu sinto sua falta, menina. Se eu tiver que escrever tantos outros textos pra você entender isso, a ponto de ter um livro só teu, eu vou fazer.
Eu sinto falta da sua voz, da sua risada, dos seus dramas e de ouvir você contando sobre as coisas que faz. Dá pra sentir um amor tão grande, tão genuíno nesses detalhes, que você não faz nem ideia. Eu já sou apaixonado por detalhes, mais ainda pelos seus.
O fato é que eu não passo um dia sem pensar em você, uma música nova que eu escute e não bata aquela vontade de te apresentar. No Facebook então, nossa.. Se teu celular recebesse uma notificação cada vez que eu penso em você e sinto sua falta, ele ia vibrar mais que aqueles brinquedos eróticos de sex-shop!
 
Agora você deve ter aberto aquele sorriso que eu gosto tanto, mas você é teimosa e diz não gostar.
Tem tanta coisa pra fazer, tanto pra te mostrar… Esses dias eu fui num lugar e fiquei imaginando que louco seria se você estivesse lá comigo. Na hora eu lembrei do teu abraço e de como eu me sinto em casa dentro dele… 
 
Eu tô respeitando o teu espaço, menina, mesmo sendo difícil pra mim, mesmo depois de já ter me acostumado contigo fazendo parte dos meus dias. Só queria que você soubesse que eu me importo de verdade e que tá sendo bem foda ficar sem você.
 
Se a saudade te cutucar daí, não pensa duas vezes, não. Diz que tá sentindo também, que eu não me importo de cruzar a cidade só pra te dar um abraço.
Eu sei que a vida tá uma bagunça, que você precisa de um tempo pra pensar.
De antemão eu já peço:
Desculpe a intensidade, mas eu só sei transbordar.
Joga a bagunça de baixo da cama só um pouquinho e abre um espacinho pra gente, depois eu te ajudo a arrumar. Quatro mãos são melhores que duas e são as suas que eu escolhi segurar.

A vida é mais vida através do teu olhar

Eu precisei de três encontros pra ter certeza que era você, menina.
O primeiro foi quando eu me encantei pelo teu sorriso. Ele é tão lindo que até eu com esse jeitão meio desligado te notei. Foi nesse encontro que eu percebi que tu tem um gosto musical sensacional, guria. Talvez eu esteja dizendo isso, sobre teu gosto musical,  pelo fato das cinco músicas que eu pedi pra banda do barzinho tocar serem suas preferidas também. Mas repare que eu disse ‘talvez’, só pra deixar um clima de mistério no ar.
Tu tava indo benzão, eu já tinha falado ‘que guria massa’, aí você pediu uma música do Iorc e eu tive certeza que aquela loirinha do sorriso bonito e da cintura fina não era tão perfeita assim. Ainda bem.
Eu disse que foram três encontros, certo? Se no primeiro eu me encantei pelo teu sorriso, no segundo foi impossível não notar a força que tu tem, mesmo não tendo nem um metro e meio direito. O date mais atípico que eu tive, mas o mais especial também.
No terceiro encontro nós repetimos o lugar do segundo por motivos de força maior. Eu revi  aquele sorriso do primeiro e foi massa outra vez. Aquele mesmo que enche de vida tudo que está pertinho de você, menina.
Foi ali que eu percebi: não importa onde, o que vale é a tua companhia e eu quero ela sempre. Pode ser até ouvindo o moço da regata esgarçada e com coque samurai. Até porque, “coisa linda,  eu vou pr’onde você está, não precisa nem chamar”
A nossa história acabou de começar e eu tô evitando de fazer muitas projeções. Por enquanto, quero só bons momentos ao teu lado,viagens, sanduíches e muitas idas ao supermercado.
Ah, já ia esquecendo de te falar: Tu é incrível, menina e a vida é mais vida quando eu olho através do teu olhar.
 

Nem todo herói usa capa. Mas meu irmão usa

Nem todo herói usa capa. O meu irmão usa, porque ele é o Batman. Como eu sei? Eu nunca vi meu irmão e o Batman no mesmo lugar. E isso explica muita coisa.
Eu acredito muito em Deus. Muito mesmo. E sei que ele me ama quando escolheu o meu irmão pra ser o meu mentor da vida.
Eu tô longe de ser o garoto prodígio, até porque eu nunca fui muito bem no colégio. E ele faz questão de sempre contar a história do dia que foi na minha reunião do terceiro ano e os professores falaram de uma possível reprovação, mas isso é assunto pra um outro momento, sentados à mesa e tomando uma cerveja.
De prodígio, talvez só nessa arte de escrever mesmo. E, entre uma zoação e outra, ele faz questão de me apoiar.
Meu irmão mais velho é um cara bem turrão, sabe? Mal-humorado, sempre. Com um coração gigante eternamente. E é por isso – também – que eu o chamo de Batman. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
O Batman não tem superpoderes. Meu irmão também não. Mas isso nunca impediu que ele me salvasse. Quantas vezes ele me colocou na bat-moto e saiu costurando o trânsito pra me deixar no serviço? Ah, no hospital também, porque como ele mesmo diz, eu sou todo estourado na vida.
O cinto de utilidades dele sempre me salvou de várias enrascadas, como trocar a resistência do chuveiro. E entre uma risada e outra, matava um monstro chamado barata.
As brigas que eu arrumava na rua a gente pula. As 27 vezes que eu fui assaltado e ele estava ali do meu lado a gente não anula.
A vida quis assim. Que eu aprendesse a ser homem com ele e ele cuidasse de mim.
São três anos e meio de diferença e acho que agora a gente tá vivendo a melhor fase dessa parceria. Agora eu sou tipo-um-adulto-quase-prodígio me aventurando pelas ruas de Gothan City. Ele tá curtindo a vida de casado com uma mulher incrível e, enquanto sobe na laje pra arrumar a antena da TV, me manda um bat-sinal, dizendo que vai estar sempre olhando por mim.
Talvez eu esteja chorando enquanto escrevo esse texto, mas disfarçadamente, igual no dia que eles me convidaram  pra ser padrinho de casamento e no sábado passado, dizendo que vou ser padrinho do filho deles que ainda nem existe. Alguém me traz um bat-lenço, por favor?
Nem todo herói usa capa. Mas o meu irmão usa. E quem falar que é exagero, não tem a sorte que eu tenho.

Rua da saudade, número vinte e sete

Hoje eu decidi dar uma volta sem rumo pela cidade. Já tinha feito absolutamente tudo pra saudade se tocar e me deixar aproveitar a solidão da sexta-feira a noite, mas ela tem a sua teimosia, bateu o pé e disse que iria comigo. Fez igualzinho você fazia quando empacava feito uma mula só pra me contrariar. Entrou no carro, afivelou o cinto e ainda teve a pachorra de soltar um “sextou”.
Das voltas que a vida dá, ela sempre me leva pra sua rua. A ironia maior? O nome dela. Rua da saudade, número 27. Não faço a mínima ideia de como eu cheguei até lá, cruzando a cidade e parando em frente o seu portão.
Aquelas luzes acessas me dão a certeza de que você está ali e que se recusa a falar comigo, mesmo reconhecendo o som do meu carro à uma quadra de distância.
Só me diz uma coisa, meu bem: o que vou fazer com tudo isso que guardo aqui dentro de mim? Todos os sentimentos e histórias que vivemos? Todo você que insiste em ficar…
Não é fácil apagar algo assim tão vivo, sabia? Na real, queria pegar uma borracha e remover tudo que um dia eu ousei sentir por você, mas eu não consigo. Tá escrito com caneta permanente no meu coração, que sempre vai ter um espaço seu. Só seu. Mesmo que pequenininho pra me fazer lembrar desse teu jeito delicado, mas ainda assim, só seu.
Eu rodei pelo bairro mais algumas vezes antes de parar aqui na frente da sua casa outra vez e te escrever essa mensagem.
 Encontrei o seu Jorge, aquele seu vizinho que a gente sempre encontrava na padaria enquanto tomava nosso café (sem café) de todos os domingos. Ele me disse que depois que eu fui embora as coisas mudaram um pouquinho por aqui. A calmaria da nossa casa – digo, sua casa, desculpe – deu lugar pra festinhas e sociais. Ele falou com a voz serena que a casa estava sempre cheia, mas o teu olhar seguia vazio…
Eu desci do carro, encostei no capô e tomei coragem pra começar a digitar essa mensagem pra você.
Percebi que todas as luzes da casa se apagaram, exceto a da varanda, aquela que você deixava acesa quando sabia que, não importa o quão tarde fosse, mas eu chegaria.
A mensagem foi enviada com sucesso, mas mandei a saudade ir na frente e entregar um recado meu. Se tu quiser me ver, faz igual aquele romance ‘Ana e Thiago’, que a gente leu no Instagram: pisca as luzes da varanda três vezes, na quarta eu já vou estar dentro do seu abraço. E dessa vez, pra nunca mais sair.

Não quero namorar minha xerox

Já pensou como seria a vida se todo mundo gostasse de rock? No mínimo, chata. Mesmice cansa, rotina cansa, semelhança enjoa, verdade seja dita. Eu gosto mesmo é de misturar.

Bota um David Guetta pra tocar com o Falcão e, olha só, nasce um Tecnobrega — e a gente sai dançando Gabi Amarantos no meio da sala. Mistura Falamansa com Maneva e vamos todos rir a toa, descalços, no meio de uma fogueira dançando coladinho. Que mal há nisso?

Amor é plural, é multiforme, minha gente. Sem essa de montar fórmula ou querer achar a cara-metade igualzinha a você. Por favor, nada do clichê “os opostos se atraem” também. Meu lance é igual ao do Fernando Anitelli, “os opostos se distraem, os dispostos se atraem”. Sacou?

A gente percebe que é amor, mesmo, quando a outra pessoa tem o dom de nos irritar, mas sentimos falta dessa bagunça que só o outro causa na gente. Por que caralha eu vou querer ter um relacionamento par de vaso? Deixa os pais de gêmeos fazerem isso de deixar um exatamente igual ao outro. Se eu quisesse namorar minha cópia eu agarraria meu espelho.

Eu gosto do que me confronta! Do que vira a minha vida de ponta cabeça, se precisar, mas que não venha com essa de metade da laranja. Convenhamos, se dono da música já tá indo pro sétimo casamento, quem é você pra se prender a isso? Tu acha mesmo que ainda funciona, principalmente nos dias atuais? Na falta da metade da laranja, pode ser até um limão azedo. Junta com gelo, cachaça e açúcar que fica tudo certo.

Alguém já falou uma vez que peças iguais não completam o quebra-cabeças. Menos ainda dois vasos iguais formam uma bela decoração. Então pra que ficar procurando alguém que seja sua sombra, que pense como você, que só goste do que você gosta? Okay, okay, ter semelhanças em algo é fundamental. Afinal, fica meio difícil se, no mínimo, os objetivos de vida não forem semelhantes ou, pelo menos, passíveis de coexistência. Mas pra amar não precisa preencher checklist.

Pode ser aquele cara que te faz pagar mico no shopping, que vai trazer um pouco de alegria pra sua vida de protagonista do filme cinquenta tons de cinza. E pode ser aquela menina tímida que vai deixar você, o cara mais fodão e eloquente, sem conseguir falar uma palavra, porque a emoção está gritando mais alto. Entende? Não vai ter graça nenhuma se você continuar procurando o previsível, o controlável, o idêntico.

Amor vai muito além disso. Pensa bem… Se tem dias que nem eu me aguento, imagina me relacionar com uma xerox minha. Nunca será! Então vê se deixa logo de lado esse papo de 100% de compatibilidade e começa a aproveitar o 1% que acabou de te chamar por inbox. Vai lá, responde e, quem sabe, você não para de ir sempre pros mesmos bares cheios de gente igual a você, mas que nada te despertam, hein?

Pra amar basta se arriscar.

Atura ou surta, bebê

Ela sempre acreditou demais. Acreditava no melhor das pessoas, que ela insistia em enxergar, mesmo quando o pior delas estava tão evidente.
Ele disse diversas vezes que iria mudar, que aquele seria o último adeus – mais um de muitos – e que não iria mais voltar, mas ela sempre acreditou demais.
Se ela está em constante transformação, por que não acreditaria que tu pudesse mudar também, né?  E assim ela fez, esperou de você até o último segundo, até o limite e um pouquinho mais.
Vou te contar uma coisa, parceiro: deu ruim pra você, e vou te explicar o porquê:
O truque de mestre dela tá no cabelo e na autoestima de mulherão da porra que ela tem. Quando ela decide mudar, amigo, aí não tem mais volta. Cada fio que fica no chão do salão é um pouquinho de mudança que preenche o coração dela, tirando aquilo – nesse caso aquele – que já não faz mais tão bem.
Desapegada. Com o cabelo e com as pessoas. Se ela não merece nem um cabelo desbotado, quem dirá um amor que perdeu a cor?
Ela tomou a decisão, então agora aguenta, porque essa mulher vai te incomodar.
E não me interprete errado, achando que ela vai te incomodar ligando e pedindo pra voltar. Até poderia, porque quando ela quer algo, não tem vergonha de correr atrás. Mas dessa vez é diferente, brother.
Ela vai te incomodar, porque tu vai ver essa mulher incrível passando na rua sozinha e vai desejar estar do lado dela. Só que ela não vai estar sozinha, amigo. Ela vai estar desfilando  de mãos dadas com o amor próprio, que vale muito mais que esse amor meia-boca que você ofereceu.
Boa sorte pra lidar com a saudade, que vai ser visita frequente. A cada nova foto nas redes sociais você vai entender que ficou na lembrança, mas agora ela quer mais. Muito mais.
Relaxa. Vai levar um tempo, mas tu vai superar, igual ela superou. Enquanto isso, é como diz aquele ditado:
Atura ou surta, bebê!

Saudade é um sinal da alma dizendo para onde quer voltar

É mais uma madrugada cheia e vazia de tu, guria. Cheia da tua ausência e das tuas lembranças, mas vazia da tua voz de sono e de você fazendo manha aqui do meu lado na cama.
Será que é possível deixar algo lindo simplesmente acabar e ir embora assim, sem uma marquinha na vida, sem um cheiro especial na camisa ou sem aquele arranhãozinho maroto no coração? Talvez tu digas que sim, que tens total responsabilidade pelo que amas e pelo que guardas na memória. Mas escuta só, guria: Ninguém é consciente de si, sabia? Ninguém consegue controlar o que se passa na mente e eu sou prova viva disso.
São tuas lembranças que chegam de surpresa e fazem morada no peito para sempre. Algumas coisas ficam, por mais que a sua base tenha ido embora, mesmo que, talvez, a parte mais importante não esteja mais aqui. Elas ficam. E eu sinto.
Acho que é a saudade, o desejo ou às vezes, involuntariamente, a vontade de voltar no tempo. Num tempo que tudo era tão nosso, tão simples…
É automático, guria. Quando tu ligas o rádio e toca aquela música que faz o coração pulsar fora de ritmo sem que tu percebas, vai ter um pedacinho de mim ali, porque tens um puta pedaço de ti aqui comigo a cada música que toca naquela playlist cheia de saudades.
Não sei se acontece contigo também, mas aqui rola sempre. Na rua, no elevador… Sempre tem alguém com aquele teu perfume que eu adoro e enche meu peito com um sentimento que ainda é todo teu. Me traz à memória os abraços apertados, o toque, o carinho e o calor.
É guria, tu lembras aquele número da sorte que era o nosso dia especial no mês? Já se passaram 27 semanas, qualquer dia desses serão 27 meses, e mesmo depois de anos do nosso fim, eu ainda vou usar o número 27 pra lembrar da gente. Agora talvez não com o mesmo significado, mas o uso para ter um pouquinho de familiaridade com alguma situação estranha. Eu que nunca fui muito bom em apostas, coloco todas as minhas fichas na mesa e digo que tu usas também.
É mais uma madrugada de tu, com teu perfume e com a saudade tentando preencher o lado vazio da cama que tu deixou.
Vou tentar de novo, pelos próximos 27 dias. Uma hora dessas eu consigo te fazer enxergar que essa saudade toda é um sinal da alma dizendo para onde quer voltar, ou que pelo menos, gostou de morar.
A porta tá trancada por segurança, mas a chave tá no mesmo lugar. Tu podes voltar a qualquer hora e retomar o teu lugar.

Sobre o que a gente poderia ser

Cadê você, menina?
Tenho certeza que existe um lugar onde todas as coisas que eu procuro vão parar. A tampa da caneta, o pé da meia – nova, óbvio –
que sumiu pelo quarto e deixou a outra irmã órfã (tá certo isso?), a palheta do violão que eu não sei tocar, e você.
Todas as outras coisas aparecem quando eu falo a palavra mágica ‘ô manhê, tu viu…’ e plim! Apareceu como num milagre depois da dona Ana falar as palavras mágicas dela: ‘se eu for aí e achar, eu vou…’ o final muda um pouquinho de mãe pra mãe, mas a essência é a mesma.
O que me fode é que contigo não tem palavra mágica que funcione. A mágica da história é você, que some do nada e deixa um vazio do tamanho de um tudo aqui dentro.
É que a saudade de você fode comigo e eu fico mais perdido que relógio em dia de mudança de horário de verão ou quando viaja de um canto pro outro. Fico confuso no fuso, perdidinho… A única coisa que eu sei é que a saudade é sempre algumas horas a mais. Às vezes, até meses…
Mas sabe do que eu gosto mais? De quando tu aparece – do nada também – e fica. Deita no meu peito e praticamente leva minhas mãos pra dentro dos teus cabelos me pedindo cafuné. Nessas horas, confesso, que até penso em me desapegar do meu desapego.
‘Permita-se’. E lá vai ela de novo: Descolore, pinta, lava, seca. Mudou. E alguns meses depois, repete tudo outra vez. Acho lindo isso em você, essa falta de medo em mudar, em ousar, em tentar. Em se permitir…
Eu fiquei pensando o dia inteiro sobre o que a gente poderia ser e rascunhei domingos preguiçosos e chuvosos, onde a gente só tinha a gente, um notebook com Netflix, o app do iFood aberto e os muitos comprovantes de gordices debitados do meu vale refeição.
A gente poderia ser o novo casal do grupo de amigos, que todo mundo olha e pergunta: ‘por que demoraram tanto?’
A gente também poderia ser um casalzinho bem eclético. Enquanto eu ouço no Deezer Los Hermanos e Safadão, seu Spotify pula da vidinha de balada do Henrique e Juliano e vai pro tal do Mc Kevinho – olha a explosão. Cê acredita?
A gente poderia tirar várias fotos e fazer inveja pros solteiros, mas provavelmente nossas postagens e marcações seriam de comidas ou coisas ridículas, como as cantadas com o ‘selo tio do pavê de qualidade’, que te arrancam boas gargalhadas.
Keep calm, não tem ninguém apaixonado aqui. Se me perguntar eu nego. Quero ver provar que eu menti.
É que eu fiquei pensando o dia inteiro:
De todas as coisas que a gente poderia ser, ser feliz – em segredo – é o objetivo mais certeiro. Vem comigo que no caminho eu te explico!
Do nosso amor a gente é quem sabe, pequena.

Bateu saudade de nós dois

Bateu saudade de nós dois. Aquela saudadezinha boba, saca? Sabe aquela que vai chegando do nada, sem avisar, mas quando você se dá conta ela já tomou a casa inteira? Então. Foi mais ou menos assim e vou te contar como rolou.
Hoje resolvi revirar aquelas nossas fotos antigas que ficaram  guardadas no fundo da minha gaveta. Deu saudade, sabe? Saudade de um tempo em que olhávamos para a lente com a certeza de que a nossa história ia durar para sempre. E olhando as nossos fotos agora, uma a uma, eu percebo que estávamos certos: seremos eternos, mesmo que em forma de lembranças.

Aliás, por falar em lembranças, não seremos eternos apenas pelo que passou, mas também pelo muito que ficou depois que cada um seguiu o seu destino. Ainda há muito de mim em você, muito de você aqui comigo, e muito de nós entre essa saudade que nos separa.

Se-pa-ra-ção. Nos filmes é tudo muito mais fácil, né? Vai cada um prum lado e segue o jogo. Eu confesso que tentei ser assim, mas não tá rolando, morena. Não tá, porque eu não sei fingir que não sinto. Não sei lidar com a falta de contato, de notícias. Sem a falta do teu bom dia. E nem vou entrar no mérito do sexo, porque aí seria covardia. Puta que pariu, que falta faz você do meu lado na cama. Em baixo de mim também. Por cima inclusive. Que falta que faz você, morena.
Voltei a olhar as nossas fotos e percebi que, em uma delas, você vestia a mesma camisa que eu ainda uso. Foi então que eu comecei a pensar em todas as coisas que não tinham dono quando éramos um só.
Tinha o nosso banheiro, que você me provocava e dizia que era só teu – e praticamente era – com todos aqueles cremes e shampoos e afins. Eu tinha um cantinho pro meu barbeador,  pra minha escova de dentes e olhe lá. Agora eu tenho uma bancada inteira e vazia só pra mim, pra combinar com o vazio que você deixou.
A história se repetia com o guarda-roupas. E aqui eu falo do móvel e das peças dentro dele. Três partições pra você e uma pra mim. Parece até aquele episódio do pica-pau, que o lobo divide a comida com ele sabe? “Dois pra você e um, dois pra mim”. Minhas camisas? Tu adorava fazer de vestido e ficava sexy pra caralho com elas. Vou te contar um segredo: eu já comprava elas pensando em como você iria usar…
Guardei as fotos no envelope, coloquei em baixo de algumas camisetas, no fundo da terceira gaveta e torci por um sinal teu enquanto una lágrima teimosa escorria.
É que bateu saudade de nós dois. Aquela saudadezinha boba, saca?