Meu desapego é meu sossego

Provavelmente, a maioria das pessoas que resolvem praticar o desapego, acabaram de cruzar a perigosa linha que separa o hábito da necessidade; e não foi fácil. É quase um processo de desintoxicação, onde eliminamos tudo que não nos acrescenta e ficamos só com os atalhos que nos levam à liberdade e a certeza de que a viagem é longa, e que em algum momento teremos que mudar de ônibus.
Quando chegamos a este ponto, é porque já identificamos uma ótima razão para ir: não ter mais nenhuma razão para ficar. O suficiente sempre nos deixa querendo mais, e em algum momento o coração se cansa de apanhar e resolve, enfim, bater.
No final deste processo, percebemos que seguir adiante é como voltar no tempo, em um tempo em que ainda não éramos tão apegados à pedra em que tropeçamos, e principalmente, em um tempo onde conseguíamos viver muito bem sem tudo isso.
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A dor e o amor próprio

Oi! Tudo bem? Fiquei sabendo que você andou perguntando de mim. Bom, eu realmente tenho andado sumida. Sumida de você. Não, calma, não estou sendo grossa. O que eu quero dizer é que tive que me afastar. A vida exige isso da gente em certos momentos, né? Oi?! Se foi pouco amor?! Isso jamais! Nunca foi ausência, sempre foi excesso. Tanto excesso de amor por você que acabei esquecendo de mim. Passei anos da minha vida colocando você a frente de tudo e acordei de repente com a vida me cutucando, dizendo que eu tinha um outro caminho a seguir, caminho que era totalmente diferente do que você queria que eu seguisse com você. Era o seu caminho. Não o meu e muito menos o nosso. A verdade é que eu tive que voltar três casas para poder avançar quatro e demorei a perceber isso. Te amar demais não foi um erro, foi muito bom. Talvez sem ele eu não conseguiria me amar tanto quanto estou me amando agora. Percebi que mudar dói, mas não mudar dói muito (alô, Oswaldo Montenegro, um beijo!). Eu espero que você esteja tão bem quanto eu. Minha vida continua do mesmo jeito, divido meu tempo entre o violão, a cerveja gelada com os amigos, os sambas e os estudos. Veja bem, até tenho ido mais aos eventos da família. É… Estou bem demais! O meu coração? Ah, esse está aqui, saltitando como sempre. Depois de tantas dores, o coitado se recuperou e está quase cem por cento. Se ele está preparado para receber outro alguém? Acho que sim, ele sempre está. Só que dessa vez ele fez um acordo com minha cabecinha e eles chegaram à conclusão de que mendigar amor e caminhos em comum é a pior besteira. Eu preciso do amor próprio e do meu caminho e, se esse cruzar com algum outro pela frente, tudo bem. Receber outra pessoa será consequência do que viverei quando achar as minhas coisas, coisas que há tanto tempo estavam perdidas. Sim, eu realmente ainda vivo e confio no tal amor, afinal é com ele que a gente aprende até quando existe dor. 

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