Às vezes a vida nos vira do avesso

Sempre tive o costume de me pegar pensando na vida. Vira e mexe estou eu em um lugar qualquer pensando em como minha vida está se saindo no momento. Sei bem apreciar quando vejo que está tudo bem e estou feliz. Saio distribuindo flores até pros vizinhos chatos. Mas meu amigo, o que fazemos quando a vida te vira totalmente do avesso? Você pega pra pensar no quanto sua vida mudou de uma hora pra outra, de um mês para o outro ou de um ano pra cá.

Me sinto perdida, sem saber que rumo minha vida vai tomar. Não consigo fazer nenhum plano para semana que vem porque não sei como vou estar semana que vem. Vou estar na minha cidade ainda? Vou estar empregada? Vou estar apaixonada? Vou estar solteira? Vou estar namorando?

Eu não consigo mais ter as respostas dessas perguntas tão simples da minha própria vida. Tudo que me resta é ficar revivendo os momentos bons que a vida me proporcionou.

Tudo que está me restando agora é acreditar em destino. Acreditar que o que tiver que ser, vai ser. Sempre usei isso como desculpa pra respostas que eu não sabia dar. Mas agora, de verdade, não vejo outra saída. Tenho que acreditar de verdade que o destino vai se encarregar de tudo.

Quando a vida te vira do avesso você não se sente feliz e nem triste. Você está estável e agradece imensamente somente por ter saúde. Não tem nada mais a agradecer e nada a reclamar. Simplesmente senta, cruza os braços e os dedos, torcendo pra que a vida nos vire do lado certo novamente para sentir a felicidade transbordando no coração. Para sentir vontade incontrolável de agradecer aos céus tudo de bom que acontece.

E eu prometo que se a vida me virar do lado certo de novo, não vou esquecer nenhum segundo de agradecer imensamente a Deus!

Entre lençóis

Entre lençóis de uma cama quase vazia, eu me aqueço e te esqueço. Tentativas em vão, eu sei. Cada desejo que aflora sobre minha pele me faz perder um pouco de dignidade. Se eu não fosse tão covarde, eu iria contigo até o fim do mundo. Mas, preferi ficar aqui, sozinha em meu mundo pequeno e solitário.

Entre vários cigarros, a fumaça me lembra os seus gostos em quatro paredes. São nesses momentos que o peito aperta de tanta saudade. Se há alguma coisa que eu posso dizer é que me descobri em você. Enquanto as pessoas nos criticam por viver em pleno prazer, a gente se entregava plenamente em cada oportunidade.

Entre pudores e amores, eu despertei meu lado devassa. Culpa sua que atiçou o meu lado depravado de ser. Nada me arrependo de tudo que aprendi e vivi contigo. Ficou tudo registrado na memória. Por isso, na sua ausência, eu tento achar cada pedacinho teu em um corpo novo que conheço.

Entre idas e vindas, eu busco te ver em um rapaz que lembra seu olhar ou em outro que tem pegada parecia com a tua. Naquele garçom que sorri meio de lado como você, no DJ que beija aguçado também. Até mesmo em meu chefe que tem olhos acinzentados como os seus. Eu sei que a procura é inútil, mas quem sabe eu seja sua busca também.

Entre o caos do trânsito, a recordação surge em cada canto explorado no carro. A música que toca no rádio não é parecida com nossa trilha sonora, ainda assim penso em nós dois. Lembro quando me disse, certa vez, “quando o mundo acabar, eu quero está entre lençóis para morrer com prazer”. É nisso que penso para seguir em frente. Quem sabe, talvez, te encontrar mais uma vez.

Sempre que perguntam de você

Sempre que me perguntam de ti eu me perco. É difícil falar sobre você sem falar sobre a gente. No meu peito você e eu nos confundimos. É a alquimia perfeita que transforma tudo em “nós”. Os olhares se completam, as mentes se conectam, o abraço fortalece e nossa alma sorri. Eu jamais seria o que sou se não fosse abastecido pelo querer que seu amor alimenta em mim. Eu nunca alçaria os vôos que alcancei sem o impulso que recebo a cada “Bom dia” seu. Em tempo algum eu poderia vencer as batalhas que lutei se você não fosse o meu escudo. Eu não poderia ter ido onde fui se não tivesse você como lar para voltar a cada fim de tarde.

Sempre que me perguntam sobre você eu perco as palavras. Como posso dizer como anda, não alguém, mas a uma parte de mim? Eu não sou capaz de explicar toda a pluralidade que o você/eu/nós representa. Já me peguei pensando em que rotas eu teria trilhado e onde eu estaria hoje se meu caminho não tivesse cruzado com o seu naquela manhã de outono. Dói pensar que eu podia não ter ido àquele café se não tivesse acordado atrasado. Bendito despertador quebrado. Tudo ficou mais fácil depois disso, mas a vida é cíclica e sei que nada é eterno e vejo que as coisas vêm mudando de uns tempos para cá.

Nossa rotina, nosso dia, nossa noite não são mais como eram antes. Nossos caminhos se cruzaram, mas a estrada tem sido penosa e difícil. O caminhar em busca dos sonhos, dos objetivos, do que precisamos além do amor, nos tornam reais dentro desse sentimento mágico que tomou conta da gente. Mas, eu não quero me perder de ti. Não quero me perder do sonho que sonhei pra nós dois, que incluem os planos e metas da sobrevivência. Você faz parte de cada pedacinho desse alicerce que tenho construído.

Então, sempre que me perguntam se estou feliz, eu lembro que tenho você. E a reposta sempre é sim. Claro. Não poderia ser diferente já que saber que você faz parte disso tudo se torna o combustível indispensável para que eu continue lutando. Não, nada é eterno. Eu só quero que saiba que dentro dessa eternidade que vivemos, sou capaz de lutar ao seu lado para que juntos enfrentarmos a ventania da rotina. Do trabalho. Das complicações de uma fase ruim.

E sempre que me perguntarem se é ao seu lado que quero ficar, vou olhar pra o início da nossa história e perceber que vale a pena tentar mais um dia. Ficar mais um pouco. Ir em frente. Enquanto juntos forças quisermos aplicar nesse sentimento de reciprocidade, minha resposta sempre será ‘sim’. Um ‘sim’ cheio de coragem. Um ‘sim’ repleto de amor. Um ‘sim’ cheio de vontade de te abraçar e continuar o caminho.

Te deixo ir

Você deitou do meu lado, se aconchegando ainda mais, pensei o quão seria bom meus sentimentos voltarem a ser intensos. Gostaria de ser recíproco com você. Não foi por falta de tentativa, até porque se você está aqui hoje é pelo fato de eu continuar tentando acender uma chama que há muito tempo não cripta dentro de mim. Mas não consigo, simples não consigo me entregar. Não, não é você, já tentei com outras mulheres, mas nenhuma conseguiu riscar a fronteira do meu coração.

Elas chegam perto, arrancam sorrisos, umas me fazem até ficar intrigado, mas paixão? Aquela que vêm para arrebatar? Não, eu nem se quer sei o que é ser apaixonado. Você é linda, engraçada e extremamente inteligente, deixa o seu cheiro por onde passa e é capaz de roubar a cena apenas com um olhar, mas aqui em meu peito não é capaz de fazer que ele deseje ser o seu lar.

A tanto guardado dentro de mim, a tanto eu gostaria de compartilhar contigo, sei lá, ser honesto, me acho um pouco crápula por mascarar os sentimentos, o sexo é bom, o papo na madrugada é melhor ainda, mas eu desejo mais do que uma simples química, quero aquela coisa de pele e combustão, e te olho e vejo que me desejas com paixão, essa paixão que eu se quer sei por onde é que deve se começar, se ela realmente faz esse estrago todo que os desiludidos vivem a pregar, a questão é essa, eu não possuo um lado que eu possa defender, eu simplesmente não sinto nada por você.

Creio que o que escrevo nesse momento ao te ver dormir é somente a ponta do Iceberg. Há tantos pensamentos soltos em busca de palavras que possam explicá-los. As dificuldades sempre me trouxeram isso: “enxurradas de pensamentos”. Ainda mais quando recordo dos momentos que vivi.

-Porra, era tão difícil para aquele “eu” anterior, hoje ele nem consegue mais chorar, guardando tudo dentro de si, somente esperando o vulcão voltar a se ativar. Além disso, outra coisa que me veio à mente: “Será que eu realmente faço tanta diferença assim na sua vida como você vive a repetir”? Creio que falta eu estar de acordo com o momento, ou simplesmente me deixar por seus sentimentos invadir, mas ao contrário disso, tudo o que faço é fugir de ti.

Quero ouvir uma música agora, mas o barulho te acordaria, eu sou de noites e tu és de manhãs, você quer a multidão e eu prefiro a solidão, você quer que eu conheça sua família, eu mal quero lhe apresentar para os meus amigos, você me quer para a vida inteira, e eu nem sei se a quero para daqui a pouco, parece frio imposto desse jeito, mas o problema não é você, sou apenas eu que não consigo nada sentir.

Você desperta, me solta um sorriso, e nesse momento nos defino como paz, estar contigo é um alívio e me esqueço dos problemas que lá fora me esperam, mas é injusto te prender em minhas mentiras e por mais que doa lhe libertar eu devo ser sincero, não erram aqueles que esperam pelo melhor do outro ser humano, erram aqueles que tendo o melhor, oferecem apenas o seu pior, então foi nesse momento, com essa reflexão matinal que decidi abrir o jogo e abrir mão de sua companhia, então parei de escrever e lhe disse exatamente o que eu estava pensando e vi naquele momento que minhas palavras realmente lhe surtiram efeitos.

– Ok, entendi, vou tirar minhas coisas daqui, e espero que consiga encontrar essa pessoa que você procura.

– Muitas mulheres já passaram pelo meu colchão, muitas mulheres já desfrutaram dos prazeres do meu corpo, mas eu ainda espero por aquela que virá também tocar o meu coração, me desculpe Mari, mas esse é o nosso fim.

Moral: A honestidade é a atitude mais nobre que alguém é capaz de distribuir, se você não sente não permaneça em uma relação apenas para o seu prazer, deixe livre quem tem que ir, e a vida lhe apresentara quem realmente for para ti.

 

E assim todo dia era primavera

Ele acorda, dava – lhe um beijo na testa, “Bom dia minha linda”. E ia para a cozinha. Cheiro de café quentinho invadia a casa e entrava em suas narinas.

Ela se espreguiçavatoda na cama, olhava para o lado e sorria. As flores estavam balançando no jardim, ele já havia afastado as cortinas para o lado, sabia que ela gostava da claridade invadindo o quarto de manhã.

Seguia para a cozinha e lhe abraçava, dava – lhe um beijo, agora já com hálito de hortelã. “Bom dia meu amor”. A mesa estava pronta, café quente, leite morno, pães e a presença dos dois.

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Conversavam e riam. Assuntos sérios talvez, conversas bobas demais e um enorme sorriso no rosto. Ela cortava o pão inteiramente ao meio, sabia que era assim que ele gostava, já fazia centenas de dias que repetia esse gesto.

Se separavam pra trabalhar. Uma jornada diária de 8 horas de trabalho e saudades. Um ‘Oi’ na hora do almoço e um ‘Que o dia passe logo’.

Mas á tarde. Ah, a tarde.. Ela vinha radiante ao seu encontro. Um beijo demorado, abraço apertado e um brilho no olhar. Tomavam banho e se esticavam juntos no sofá. Mais conversas, mais risos tirados e sorrisos compartilhados.

O jantar era banquete, com fartura de amor. De sobremesa carinhos. Olhos nos olhos e vinho. Como desculpa a primavera se tornava inverno. Gostavam de dormir agarradinhos. E assim todos os dias se tornavam primavera.

josias

Libere o turbante

Já inicio o texto me desculpando por dar pitaco em um assunto do qual eu não tenho amplo conhecimento. A internet é uma ferramenta fantástica e, ao mesmo tempo, um tanto quanto perigosa, o perigo costuma estar nas redes sociais, todo mundo quer contar algo e todo mundo quer opinar, mas nem sempre isso é oportuno e, confesso, não sei se se estou sendo oportuna, mas esse texto (http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/20/opinion/1487597060_574691.html?id_externo_rsoc=FB_CC) me motivou a falar sobre o assunto.

Entendo o que a cor negra na pele muda na vida de alguém, entendo que nasci com privilégios apenas por carregar na pele a cor branca, mas sabe o que eu também entendo? Entendo que o brasileiro é fruto de uma miscigenação. Um exemplo bem claro disso é o fato de eu ter nascido branca e minha irmã ser negra, ter pai branco e mãe negra, avô branco e avó negra, isso muda a nossa perspectiva. Eu também entendo que estamos lutando contra o racismo.

Tenho uma prima linda e negra, sua mãe faz turbantes para ela. Tenho primas lindas e brancas, moram logo embaixo, viram o turbante, queriam um também e tiveram. Imagine se eu tivesse que explicar para elas que elas não deveriam usá-lo?

Os negros não lutam pela superioridade de uma raça, assim como o feminismo não luta pela superioridade das mulheres. Não, eles lutam por igualdade. Igualdade na seleção para o emprego, nos salários, no tratamento, enfim, em tudo.

Eu consigo entender que o passado na senzala tem efeito direto e suas consequências estão nos índices de presidiários, analfabetos e pessoas de baixa renda em sua maioria negra, mas aqui lhes escreve uma branca que nasceu na favela. Aqui lhes escreve uma branca de cabelo crespo. Aqui lhes escreve uma branca de mãe negra. O meu passado também está na senzala e acredito ser muito difícil, se não impossível, encontrar alguém no Brasil que não tenha tido um negro na sua árvore genealógica.

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Cultura negra ou cultura africana? O texto mesmo explica que vieram negros de diversos locais da África, lá existem diversos povos, tribos e nacionalidades – já que estamos falando de um continente – e até hoje existem guerras por diferenças culturais por lá (veja o filme “Hotel Ruanda”). Infelizmente, a identidade dos negros trazidos para serem escravos no Brasil em muito se perdeu na história e isso foi feito de propósito, é difícil regatar essas raízes. Aqui viraram apenas negros, se resumiram a única coisa que carregavam de semelhante: a cor. Então não se sabe a origem de cada um, apenas sabemos que eram negros e africanos.

No meio disso, tem o turbante. Podemos citar muitas outras coisas que vieram desse contexto: a capoeira, algumas religiões, o berimbau, etc. Estamos falando de apropriação cultural e temos o contexto de negros escravizados por brancos no Brasil. Para lutar contra a cultura racista, todos eles têm se unido para mostrar que têm orgulho da própria cultura e ainda sofrem pela discriminação. Na Bahia, o Olodum brilha no carnaval e traz consigo muitos desses símbolos, esse é só um exemplo.

Mas, afinal de contas, o que é ser negro? É só a cor da pele? O cabelo também conta? E o nariz um pouco mais largo? Ou a boca um pouco mais carnuda? Acho que todos nós carregamos algum traço dessa história e temos que nos orgulhar disso.

Eu não tenho a pele negra, mas sinto que a carrego, carrego no meu cabelo crespo, por exemplo. Olhar para mim e ver uma branca é só um olhar superficial, ao meu ver. Hoje a química os matem lisos, mas já ouvi ofensas quando os deixava naturais e nesse momento me lembrei que era negra também. Vejo que fiz errado em alisa-los, me submeti a padrões colocados pela mídia e não me orgulho. Mas, claro e obvio, isso em nada se compara a ter a pele negra. Em uma das visitas a meus parentes, meu primo me confessou no carro o quanto era ruim ser negro e ser parado o tempo todo para ser revistado por policiais e eu percebi o quanto era privilegiada por ter a pele branca.

Quando falamos do contexto histórico das senzalas, você perceberá que eu não passaria de uma escrava Isaura naquela época, mas estamos no século XXI, não sou considerada uma bastarda e sou branca. Então temos a polemica do turbante. Temos uma branca enfrentando bravamente o câncer e usando um turbante e por isso sendo mal encarada, segundo ela, por mulheres negras. Temos uma apropriação cultural e um debate por trás disso.

Quando uma branca usa o turbante, ele pode perder seu valor como símbolo de identidade negra e de protesto contra o racismo. Entendo que não queiram que ele vire só um apetrecho da moda, mas quando minha prima pediu o turbante, ela não perguntou se deveria usá-lo, ela achou bonito ver a prima com ele e quis um.

Quando eu uso um símbolo de outra cultura é muito provável que eu não saiba o seu significado, mas quem o conhece com certeza irá identificar. O erro não está em uma mulher branca usar um turbante e achar bonito, errado é alguém olhar o negro usá-lo e achar feio por ser um negro uasando. Se este é um dos símbolos da cultura negra, os vídeos não deveriam pedir para que brancos não usem um turbante, mas, sim, para que usem e se lembrem que este é um símbolo usado por africanos que foram escravizados no Brasil, símbolo que quer mostrar resistência ao preconceito. Então o branco não deve usá-lo como homenagem, mas como alguém que também é fruto dessa história e que deve participar ativamente do movimento que pretende acabar com o racismo no Brasil e no mundo.

Ninguém se pergunta se deve tocar um berimbau ou aprender capoeira. Ninguém se questiona se pode ouvir axé ou ir à um centro de umbanda. As culturas se misturam, ainda mais aqui no Brasil. Se eu usar um turbante, não será para homenagear a cultura negra ou para afronta-los, será porque eu achei bonito, porque um apetrecho criado por negros pode ser tão bonito quanto um criado por brancos, eu simplesmente não saberia a diferença, não estamos aqui para cria-la, certo? Usar um turbante não agride ninguém ao contrário de ser encarado por acharem que um branco não pode usar.

Quando meu cabelo era natural, ele vivia trançado. Minha cabeça doía de tanto que puxavam os fios para não ficarem armados. Isso, ao meu ver, era uma forma de “neutralizar” meus crespos. Eu não gostava, mas aquilo me era imposto para ficar “bonito”. Eu sinto um orgulho enorme todas as vezes que vejo cabelos crespos livres. Tranças para mim eram só uma forma de “neutralizar” meu lado negro enquanto que para os negros é só mais um símbolo da cultura. O racismo está nos olhos de quem o pratica e coloca diferenças.

Que tal pararmos de criar diferenças? Essas regras de se poderia ou deveria usar algo? Que tal deixarmos toda a palheta de cor para as pessoas acima do peso, o turbante para brancas e saia para homens? Não vamos olhar torto, o nosso objetivo deveria ser o de diminuir barreiras e respeitar, de se igualar como ser humano porque somos todos iguais.

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Até onde vale a pena correr atrás de um amor?

 

Até onde vale a pena correr atrás de um amor?
Até onde é possível traçarmos planos pra que a pessoa amada nos enxergue como gostaríamos?
Qual seria o momento exato de olharmos pra nós mesmos e dizermos que ela ou ele está em outra e nada mais podemos fazer?
Às vezes temos a impressão de que a outra pessoa pode se apaixonar por nós apenas pelos dois gostarem das mesmas bandas ou dos mesmos filmes, das mesmas festas ou dos mesmos potes de sorvete.
Tentamos manter a pessoa amada perto de nós perdendo noites buscando descobrir seus gostos pelo facebook, pelo Instagram ou por qualquer indireta fantasiosa que recebamos. Imaginamos que um sorriso educado pode ser uma deixa pra um convite ao cinema no sábado, que um abraço carinhoso pode ser algo muito perto de uma declaração de amor à la “dez coisas que eu odeio em você”.
Ora, é nítido que o amor é um dos sentimentos mais bonitos que podemos ter, que estar apaixonado significa enxergar o mundo de uma forma mais bonita, coisa e tal. Mas a verdade é uma só. O amor é difícil.
Sim, é difícil, Difícil pra cacete. Já imaginou se todos as paixões fossem recíprocas? Claro que haveria suas vantagens, mas sei lá, talvez vivêssemos algo perto de uma monotonia amorosa, onde o amor seria tão simples que perderia sua essência.
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Por vezes é normal acharmos, instintivamente, que as coisas podem ser assim. Então pensamos: “Nós dois gostamos de sushi, de Arctic Monkeys, preferimos barzinhos a baladas e nunca fomos ao Cristo Redentor apesar de moramos no Rio de Janeiro. Se isso não é a verdadeira definição de ‘almas gêmeas’, o que mais seria?”
E assim nos enganamos. E feio.
O amor não precisa ser igual. Mais: o amor quase nunca é igual.
É complicado admitir, mas é preciso. A pessoa não quer. É exatamente isso. Ela simplesmente não quer. Quem quer, meu amigo, dá um jeito. Não inventa que trabalhou até tarde ou que não curte beber dia de semana. Não diz que vocês estão longe demais quando apenas um bairro os separa. Não inventa que precisa levar o gato ao veterinário exatamente na hora da sessão de cinema.
Quem quer de verdade pega dois ônibus a uma da manhã, vai  a show de rock quando preferiria um barzinho e um violão, assiste a filmes de terror quando na verdade morre de medo de filmes desse gênero. E ainda tem até uma boa desculpa pra assistirem abraçados.
E no fim das contas, acredite. Os dois se completam mais do que meros gostos em comum. Muito mais.
 A questão é que se permitir a esse sentimento é uma virtude, depositar em alguém seus sentimentos mais verdadeiros é buscar também a sua felicidade, mas nem sempre as coisas andarão como desejamos. Nem sempre haverá a tão bonita e buscada reciprocidade, e isso é mais comum do que imaginamos.
O segredo é admitir que ainda não é essa a pessoa que dará um sentido novo na sua vida, e isso não é uma coisa ruim, afinal o amor precisa ser, antes de tudo, verdadeiro. Nessas horas o tempo é o melhor remédio,  tratará de cicatrizar possíveis feridas e, mais cedo ou mais tarde, cruzar seus rumos com alguém que curta macarronadas ou frutos do mar, praia ou cachoeira, canções líricas ou rocks pesados, não importa, afinal tudo soara de forma bonita pra vocês.
 brunno-leal