Gosto de você

Gosto de você.

Gosto do seu sotaque e do seu sorriso que arranca o meu tão facilmente… Gosto de como minha mãos se encaixaram tão bem nas tuas e de como me sinto segura em seu abraço. Gosto das rugas que se formam em seu olho quando sorri e dos teus olhares que eu já bem sei o que significam. Gosto da intimidade que se criou entre nós em tão pouco tempo, de achar que te conheço desde sempre e ainda me surpreender.

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Gosto quando me puxa e dos beijos que se sucedem… dos longos, dos rápidos, dos intensos e dos que pedem mais. Gosto da sua cara de safado, de sono, de cansaço, de fome e de quem me analisa e sabe o que faz… Gosto de ficar te ouvindo e de sentir teu corpo tão perto do meu, das tuas mãos alisando minhas coxas e subindo atrevidamente. Gosto quando me aperta, sufoca e me tira o folego e a razão.

Gosto quando beija meus seios e me olha e de quando beija minha testa e me abraça. Gosto de me perder no nosso gozo e de me encontrar nas nossas risadas. Gosta da sua sinceridade e de quando suplica para que eu fique só mais um pouquinho, quando pede só mais um beijo e faz eu ir me demorando cada vez mais em sua casa até que eu entregue os pontos de novo.

Ah! Eu tenho uma lista gigante de coisas que eu gosto em você, cada dia que passa você me ganha com um detalhe, gosto de saber que sou sua da cabeça aos pés e que saiba apreciar cada pedacinho meu… Seja com a boca, mãos ou olhos, seja me ganhando nas palavras, gestos e em ser exatamente o homem que és, que admiro e que me traz a paz que preciso depois de um dia cansativo.

Antes de dormir, depois de repassar tantas coisas boas na minha mente, eu agradeço a Deus silenciosamente por ter encontrado alguém que sabe me fazer feliz sem qualquer esforço, que faz eu viver plenamente o agora e esquecer o antes e o depois, alguém que parece querer ficar, que eu vejo que também está feliz só por eu estar ali… Hoje isso é mais que o bastante, então eu gosto de você, gosto que esteja aqui para mim.


thamires-alves

Se apegue sim!

Eu me apego, não nego. Domino a arte de me apegar. Não consigo me afastar de gente que divide para somar. Aquele drama de compartilhar histórias e ideias, ou alimentar fantasias infantis minhas (ou não tão infantis assim). Piro nessa troca. Gosto de me ver mudar, porque tudo (me) muda. Cresce, evolui, amadurece. Então sim, é apego. E não ligo. E se eu não me importo, você também não deveria se importar. O desapego torna as pessoas egoístas e cansei dessa gente que só sabe olhar para o próprio umbigo.

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Tá faltando mais ombro amigo, tá faltando mais colo e mais carinho. Tá faltando gente para se doar. Hoje é tudo jogo, é tudo morno, é tudo acaso. Ou seria descaso? Estamos construindo barreiras e correndo ladeira abaixo. Tá faltando amor. Tá falando apego. Se apegue, sim! A vida é curta demais para ser pequena, então se doe com vontade, ame com intensidade, queira mais proximidade. Pratique o apego. O fracasso começa quando começamos a acreditar que teremos amanhãs demais. E não há amanhãs suficientes para procrastinar. Tire o pé do freio. Não é feio se entregar. Se doar. Não pense demais naquilo que os outros podem pensar e não imagine amanhãs. Faça aquilo que te dá vontade, ainda que pareça um pouco de insanidade. Ame.  Se entregue. Esteja inteiro, não pela metade. Se apegue. E eu me apego, não nego. Domino a arte de me apegar. Não consigo me afastar de gente que divide para somar. E não ligo. E se eu não me importo, você também não deveria se importar.

mafe

Às vezes só não é pra ser

Lembro como se fosse hoje. Nós dois correndo na beira da praia, cantando, brincando de lutinha na areia e depois correndo no mar para tirar a sujeira. Tu me abraçavas, olhavas meu rosto e o segurava como se o mesmo fosse uma joia a qual tu deverias cuidar. E cuidastes. Tu fizeste de tudo por mim e provou ser alguém maior e melhor do que eu havia imaginado. Veio dos meus sonhos para mostrar que a realidade também pode ser linda, ela apenas precisa saber ser vivida e essa lição eu tive ao teu lado.

Cada separação era um martírio eterno. Na porta da minha casa nós não conseguíamos dar tchau e simplesmente deixar o outro ir sabendo que nos veríamos na manhã seguinte. Era impossível olhar nos teus olhos e não ter vontade de nadar, sentir teu toque e não querer apenas ele a me acariciar, a me tocar. Ficar contigo e não ter a certeza de que nada mais importava desde que estivéssemos juntos.

Contigo tudo sempre foi mais lindo, mais cheio de vida, luz e cor. Ao teu lado o cantar dos pássaros era mais alto e o meu coração batia tão acelerado que às vezes te assustava, mas ao sentir o teu eu me aliviava ao saber que tu estavas sentindo o mesmo que eu, o mesmo frio na barriga que eu e querendo da mesma forma que o tempo parasse para que ficássemos para sempre ali, só nós dois, pelo resto da eternidade.

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Mas o tempo não parou e parece que o relógio acelerou. O verão acabou e do dia pra noite tu não estavas mais lá e ao sair para rua não tinha mais o teu suporte para me sustentar. As horas se tornaram vazias e novamente nada fazia sentido. Uma vez lá que outra o meu celular tocava e ao avistar a tela eu via o seu rosto e esse era o melhor momento do meu dia. Mensagem sua chegando e eu corria para responder. Alguns papos legais, falávamos de saudade, pensávamos em nos encontrar, mas no fim aquilo não ia pra frente. Não éramos os mesmos, tu não eras o mesmo e eu definitivamente estava diferente. Nossa conexão se afundou no mar do nosso amor que tão profundo no início, acabou secando e deixando um vazio úmido nos nossos corações, fazendo o desejo queimar, a saudade clamar, mas sem nunca nada realmente rolar.

Onde nós fomos parar? Por mais que ainda te ame e queira te ter ao meu lado, no fundo sei que não daria certo e sinto que hoje posso viver nesse deserto. Nossas mãos não se encaixariam de novo e o abraço talvez não causasse o mesmo impacto. Entramos em esquinas diferentes e então nos perdemos na estrada da vida. Peguei um rumo, tu pegaste outro e se não nos encontrarmos novamente no cruzamento à frente… É, as vezes só não é pra ser.

nathaly-bonato

Prafrentex

Como eu queria ser moderninho. Não sofrer, não chorar e não me apaixonar. Gostar um pouco de cada um, alternar carícias, beijos e abraços, sem me prender, sem criar vínculo ou laço.

Como eu queria ser moderninho. Te ver com outros e nem me importar. Entender que o coração é só mais um órgão, bem esquisito até, que bate porque tem que bater e não apenas por você.

Como eu queria ser moderninho. Não te enxergar nas mais diferentes referências, não lembrar de você a cada momento. Não sentir que somos uma alma em comunhão, mas apenas indivíduos que estiveram em união.

Seria tudo tão bom se eu fosse desprendido. A cada uma que dormisse comigo, levaria apenas a lembrança do bom momento vivido. Não sentiria saudades, mas sim nostalgia. É a memória gostosa daquilo que foi meu um dia.

Infelizmente, apesar da minha mente ser para frente, meu coração é reacionário. Intolerante, conservador, velho chato e ranzinza. E, quando você não dá atenção, ele fica cinza.

Como eu queria ser moderninho. Ser como o Cartola e perceber que a mundo, mesmo desse tamanho, é apenas um moinho.

Me apaixonar por um dia e na noite seguinte nem lembrar seu nome. Te fazer juras de amor e depois esquecer seu telefone. Te comer com desejo e horas depois sentir fome…

Ah, como a vida seria mais fácil se eu fosse moderninho!

cassar

A mulher do coração de vidro

A definição de amor sempre lhe causou aflição e medo. Era doloroso, para Amélia, imaginar um sentimento tão profundo e agudo, capaz de estilhaçar seu frágil coração de vidro. Todas as noites, ela rogava a Deus para não cruzar com alguém capaz de atingir seu âmago e lhe encher com borboletas o estômago. Só de imaginar este dia, se arrepiava inteira; encolhia os ombros e se enrolava aos joelhes, como quem abraça uma bomba para conter a explosão.

Amélia quer dormir, mas não consegue. Tem a mente em chamas e dispara ideias, imagens e sensações com a violência de uma metralhadora num campo de batalha na Palestina. Lá fora, a chuva segue miúda, o barulho dos pneus dos carros e a música brega do rádio são suas únicas companhias. “Que droga de vida”, afirma com seus botões. Não tem um amigo sequer para compartilhar sua insônia e falar bobagens, rir dos casos do trabalho, da raiva que passa com os vizinhos sem graça e incultos.

A Crônica da Casa Assassinada já não lhe serve mais de consolo em noites turvas e de profunda perturbação e agonia como esta. Prefere pensar na morte, em vez de pensar no amor. Um tombo no banheiro, um incêndio, uma cacetada na cabeça, uma punhalada certeira bem no meio do peito e que fizesse seu coração de vidro se transformar em miúdos cacos de variadas formas geométricas. Mas amor, jamais! Não queria amar – embora já tenha chegado perto várias vezes.

Amélia se transformou em uma mulher de áurea obscura e cinzenta – como um céu em dias tempestuosos. Tinhas os olhos caídos e rodeados de enormes olheiras; a pele era pálida como a de uma vampira de Bram Stoker. Nunca conheceu a doçura, por onde passou foi tratada a palavras de ferro e agressões em fogo.

Os vizinhos do prédio diziam que ela era “mal amada”, homens os pobres de espírito e sujos como porcos, afirmavam que era “mal comida”. Saia muda e volta calada, de segunda a sexta; nos finais de semana ficava trancafiada em casa, sem receber visitas. De seu apartamento, bem baixinho, ecoava uma melancólica e desesperadora canção do Pink Floyd, banda que aprendeu a ouvir há muito, uma herança de berço. E há muito também não vê ou fala com os pais. Soube recentemente que a mãe estava adoentada e o pai exausto, marcado pela dor de ver a mulher desfalecer pouco a pouco. Não podia ligar ou escrever, estava ocupada. Iria entrar em contanto, sem falta, na semana que vem (faz essa promessa há seis meses).

Pouco se sabia sobre ela: vinha do interior e ganhava a vida como professora. Baldo, o vizinho de porta, que era caprichoso ao extremo…, dizia que pobrezinha sofria de depressão. A moça já havia abandonado o rivotril – o psicanalista dizia que ela já estava curada, que vencera todas as etapas da terapia, mas Amélia se sentia incompleta, vazia. “Estava na mais completa solidão do ser que é amado e não ama.”

O sol já começa a invadir a sala, pelos buracos da cortina, a música brega do rádio dá lugar a uma vinha animada e estupidamente feliz que anuncia o primeiro locutor do dia. Amélia se levanta e sente sua cabeça pesada, tem ânsia de tontura, mas se firma e vai para o chuveiro. Seu corpo dói, pois não conseguiu relaxar um músculo sequer nessa noite, pois passou em claro.

Na cozinha apertada, e cheia de louças por lavar, começa a preparar o café. Ao ouvir as primeiras notícias do dia se sentiu enjoada. “Homem esfaqueia namorada após desentendimento”; “Semana será de chuva…” “Taxa de desemprego aumento e milhares ficam sem rendimentos fixos.” Engoliu o café junto com suas dores e tratou logo de ir para o trabalho, rever as crianças, sentir o cheiro da merenda sendo preparada… Talvez tivesse paz após uma noite truculenta…

À noite, ao retirar os sapatos para aliviar os dedos e calcanhares calejados, se debruça no sofá e sente sua respiração diminuindo, diminuindo, diminuindo e por fim apaga. Vem até ela uma luz branca, branca como nunca virá antes em sua vida. Começa a ver seu corpo de cima, depois todo o apartamento, e continuou a subir, e viu agora o prédio, as casas da vizinhança, o bairro, a cidade inteira, o estado o país e por fim… desapareceu. Amélia foi embora feliz, se sentiu liberta do fado pesado esdrúxulo que é viver.

Duas horas depois, os paramédicos chegaram e encontram o corpo da moça repousando como se estivesse no mais delicioso dos sonos. A pele estava ainda mais branca e pálida, mas trazia no rosto uma expressão serena, como se tivesse partido dando gargalhadas.

Seu Baldo quem percebeu a quietude da vizinha de porta e ficou desconfiado. Chamou a emergência. O médico legista disse que ela morrera de um ataque cardíaco, que teve todo o coração dilacerado numa única valvulada violenta e abrupta das artérias coronária. Seu Baldo, embora fofoqueiro e caprichoso, esboçou um comentário interessante sobre a passagem da professora: “Pobre Amélia, protegeu tanto seu coração de vidro, que este se explodiu sozinho, pois não suportou a pressão de sua defensora”.

flavio

Quando o coração se livra de um babaca…

Hoje meu celular tocou, não reconheci o número. Sabia que conhecia de algum lugar, mas não lembrava. Fiquei encarando a tela tentando de alguma forma lembrar. Resolvi atender. Uma voz branda e gostosa disse-me que ficou feliz por eu ter atendido e que estava com saudade. Ainda assim não consegui me lembrar de imediato de quem se tratava. Resolvi perguntar. E em tom de assustado ele falou. É, era ele. O cara que eu passei semanas buscando ter algum contato. O cara por quem eu perdi noites chorando e tentando minuciosamente montar algum plano para me reerguer depois de uma queda tão brusca do abismo que ele me jogou. O cara que todas as vezes que eu tentei conversar nunca teve a voz branda como a da ligação. Daquele cara que me ligava eu já estava desligada há muito tempo. Confesso que nunca esperava que ele, algum dia, depois de algum tempo, resolvesse aparecer. Mas confesso mais ainda que eu amei essa reaparição do moço. Mostrou-me como é libertadora a sensação de não sentir mais nada. Amor, raiva, carinho, respeito, nojo… não consigo sentir absolutamente nada. Esse cara entrou em minha vida com a missão de fazer-me mais mulher, mas não para ele. E sim para vida. Da menina que ele disse sentir saudade, não sobrou nenhum rastro e eu não sinto a menor falta. Desliguei o telefone, dei um sorriso, respirei aliviada e pensei: agora acabo de confirmar que de migalhas e babacas, meu coração não se alimenta mais.

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Lebenslangerschicksalsschatz: O tesouro do destino ao longo da vida

Passamos muito tempo resistindo ao desejo subconsciente de encontrar alguém capaz de suprir e completar aquilo que somos e queremos. Isso talvez, porque sentimentos fogem da racionalidade prática, remetem dúvidas, medos, inseguranças.

Bem no fundo, atrás do orgulho, nas noites de insônia, queremos alguém que partilhe do mesmo modo de amar e ser amado. A questão é quando vamos achar esse alguém? Onde? E como saber se é amor, se é de verdade e permanente?

Duas palavras encontradas em How I met your mother mostram a linha tênue entre o certo e o quase: Lebenslangerschicksalsschatz – tesouro do destino ao longo da vida”; Beinaheleidenschaftsgegenstand – aquilo é quase aquilo que você quer, mas não completamente.

Os sortudos amantes e apaixonados dizem que se tivermos que pensar e analisar se já vivenciamos algo parecido antes, de fato não sentimos ainda. O verdadeiro tesouro transforma tua vida em um filme, em uma letra de música. Muda tua realidade, teu jeito de ver e sentir, muda teu sorriso, teu olhar, te tira do chão, te tira da realidade. Você sabe o que sente, mas faltam palavras capazes de dizer o quanto isso te completa. Amar acaba se tornando simples, complicado é definir a imensidão de sentimentos. Talvez sentimentos sejam para serem sentidos, não meramente explicados.

Eventualmente, todos iremos nos deparar com alguém que faça nosso coração pulsar, que supere as diferenças, desperte todos os mínimos sentidos. Quando isso acontecer, não tenha medo, arrisque. O medo corrói aquilo que o amor constrói. Não questione o tempo, não questione a vida, nem a ti mesmo, quando o amor te encontrar você vai saber, você vai sentir com o coração e alma.

Das tripas coração

Antes de prosseguir, gostaria de registrar uma frase que pode ser perturbadora: os melhores conselhos sempre são dados pelas pessoas com as vidas mais bagunçadas. Sim, e antes de pensar nos conselhos que seus pais lhe deram há alguns anos atrás, esqueça. Não me refiro à este tipo de ensinamento, que trata sobre os caminhos a seguir na vida, mas sim àqueles que lhe orientam após percorrer todos esses caminhos.
Apenas quem já passou por determinada situação, pode instruir de maneira correta sobre como vencê-la sem deixar pedaços de vida para trás.  É nesse momento que certas pessoas aparecem. Elas têm o dom de tratar o problema dos outros como se fossem seus e, instantaneamente, conseguem varrer para o esquecimento todas as sujeiras acumuladas em seu coração.  Elas já passaram por tantas situações adversas e foram reféns por tanto tempo do fantasma das decisões erradas que não se importam mais. No final tudo servirá para desenhar os contornos do alvo
O único problema de quem sente prazer em resolver o problema dos outros, é que acaba se esquecendo dos seus, estes ficam abandonados, como um armário esquecido em um porão, esperando por alguém que lhe ajude a limpá-lo.  Assim vão se acumulando as experiências de vida, acompanhadas de gratidão por parte dos que contaram com a sua ajuda, isso basta para fazê-la seguir em frente.
Quanto a seus problemas que ficaram para trás, não importa. Que venha o próximo coração abandonado pelo acaso, será um prazer colocá-lo de volta no caminho da felicidade.
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