Você será sempre uma parte de mim

O dia que eu te conheci já sabia que seria amor, e tem sido assim desde os últimos 11 anos, idas e vindas, encontros e desencontros, vontades aladas e desejos urgentes, sempre tive a sede de felicidade, mas com você eu queria apenas que o tempo estagnasse, queria me perder contigo em uma dessas tardes de verão, e amanhecermos em uma praia deserta com o sol a vir nos dar bom dia. Queria que não houvesse mais despedidas e nem tão pouco a angustiante espera de um novo encontro.

A lembrança é um território perigoso, lá fica a nossa melhor parte, a parte que nunca queremos deixar para trás. É o primeiro beijo, o primeiro amor, e aquilo que foi vivido apenas dentro de uma bolha de segundos, e foi o suficiente para ficar infiltrado em nossa memória, e o enfatizamos como perfeito, e sempre nos deixamos levar pelo feeling do momento e a deixa sempre nos traz para o que realmente deveria ser esquecido, então surgem os momentos contraditórios, onde talvez o presente não é mais tão delicioso como a última lembrança foi, e junto com esse gosto amargo da ausência vem as dúvidas. “- Poxa, realmente não é para ser? ”

Hoje estou aqui, e não quero apenas relembrar com saudades de cada dia especial que você esteve em minha vida, em mim sempre terei a certeza de que os mais intensos foram ao seu lado, hoje gostaria apenas de lhe dizer que não me importa em que país você more, se está a milhas ou apenas um quarteirão da minha casa, hoje eu quero que você saiba que estará para sempre em meu coração, mesmo que venhamos conhecer novas pessoas, que você se case em Bali, e eu no Japão, mesmo que você viva intensamente uma tórrida lua de mel na França, e eu esteja enfrentando meu 3º divórcio lá nas Ilhas Cayman. Eu preciso que você saiba que não me sinto presa a ti. Seu amor é mais do que marcas na pele e saudades que pesa meu coração, ele é a história que eu pretendo contar aos meus filhos antes de dormir, você é quem torna ardente toda a minha paixão.

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Não quero jogar pela janela nada do que já vivemos, não quero lhe exigir que sejamos igual fomos no nosso primeiro encontro, porque se assim o fizéssemos estaríamos perdendo o verdadeiro encanto. A primeira impressão é a que fica, mas a essência se encontra naquele momento que nunca deixa o outro terminar, e é somente isso que eu desejo, que sempre eu tenha um novo recomeço com você. E sempre venhamos a cultivar mais primeiros beijos, porque nunca um será igual ao outro, e que encontremos e refaçamos a mesma cama para uma nova primeira transa e que a facilidade que encontramos em brigar encontremos também em noz refazermos e sempre venhamos selar a paz com muito amor, nada nasce pronto, basta saber o quanto você é capaz de cultivar

Todos as forças do universo conspiram para ver o nosso fim, e hoje tenho comigo apenas uma convicção, acabam-se os dias, a ressaca, e até o tesão, mas é impossível se acabar o amor que um dia foi cultivado em nosso coração, então quero que você saiba, que não me importa por qual caminho está a sua vida nesse momento, saiba apenas que em cada despedida cultivo um pouco mais de nós dois aqui no meu coração. Sua presença será notada, e sua saudade será sempre sentida, comigo guardo nossos momentos, e em mim encontrarás não somente um refúgio, mas também serei sempre a sua moradia, assim como você será sempre parte de meus dias.

PS: Volte sempre que quiser, aqui sempre vai ter para ti um lugar, e um coração quente a te esperar.

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Príncipe encantado não existe…não como nos ensinaram!

Somos ensinadas desde cedo, por diversas vias, a procurar e encontrar o príncipe encantado. A Disney, por exemplo, nos passou bem as características dele. E nos mostrou melhor ainda como teríamos que ser para que esse tal príncipe chegasse e fizesse questão de permanecer. Afinal, nos ensinaram também que a missão de fazê-lo ficar, é nossa. E para isso teríamos que ser verdadeiras princesas.

Mas aí a gente cresce e vai aprendendo o que, de fato, é um príncipe. Sabe aquela coisa toda dos filmes românticos de hollywood, que nós derramamos lágrimas e mais lágrimas assistindo? Pois é… Aquilo não existe do lado de cá. Não daquela forma. Nosso príncipe não aparece em cavalo branco e não nos mostra, tampouco vive, somente o lado bom das coisas.

O cara dos nossos sonhos traz mais realidade do que utopia para nossa vida. Ele chega e destrói toda aquela ideia que nos fizeram acreditar e, o melhor de tudo, nos faz entender que viver isso, o que é real, é muito mais emocionante e delicioso, do que qualquer fantasia. Encontrar o príncipe é encontrar um parceiro, cúmplice e amigo. É saber que encontrou alguém que sim, possui bilhões de defeitos, mas que sem eles ele não seria tão ele. É ter um treinamento diário de respeito às diferenças, tolerância e paciência.

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É entender a importância do amor e do que ele é capaz de fazer com e por duas pessoas que decidem vivê-lo da melhor e mais intensa forma. É encontrar um apoio para os dias mais difíceis e um lar para a calmaria que nossa alma tanto busca e nosso coração clama. É ser inteira, mas ter vontade de transbordar com alguém, sim. É não abrir mão do romantismo e das coisas bobas que fazemos e sentimos quando nos apaixonamos por alguém. Encontrar um príncipe é superar qualquer fantasia e histórias de filmes e desenhos românticos. É sentir, na pele e no coração, o que é viver. O que é a constante lição de dividir a vida com outra pessoa. É amadurecer e evoluir como pessoa.

E aprendemos, também, que ser princesa vai muito além de meras características físicas e comportamentais. Ser princesa é ser inteira e convicta de que merece o melhor. É saber da dureza da vida e, ainda assim, não se amolecer diante dela. É saber das dificuldades que vem com qualquer relação, mas ainda assim não abrir mão de se envolver com alguém. É não aceitar migalhas de sentimentos por saber que o que lhe pertence não tem preço, mas tem valores inestimáveis. É saber se retirar quando sua presença não é desejada. Tem que ser uma puta de uma princesa para poder reconhecer um verdadeiro príncipe. E tem que ser um príncipe muito corajoso para permanecer nesse reino intenso.

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Viva-se

Anime-se, ora! No entanto, anime-se agora, pois apesar de triste ainda é preciso sorrir de volta para as pessoas na rua, eles esperam seu bom dia. Use como conforto que até mesmo o grande da Europa, o Barcelona, levou uma goleada semana passada. Aceitar as falhas é preciso, acima de tudo, procure repará-las. Tolere também suas imperfeições. Seja sua dificuldade com contas, seu mal-humor ou o nariz tronxo. Continue caminhando sempre em frente, observe as pessoas ficando cada vez menos nítidas de longe. Consulte o oculista e constate logo o que já temia: aumento no grau e a dependência definitiva dos óculos. Aceite-se.

Pronto, agora olhe para o futuro com seus dois graus e meio de miopia e mantenha a esperança. Ainda que a esperança seja hoje, pra você, aquele resquício do sentimento de quando tocava a música de abertura do Dragon Ball GT. Não se afobe, acharemos uma saída pra humanidade, apesar do derretimento das calotas polares e do fato de estarmos ingerindo mais carboidratos do que gastamos, especialmente à noite. Tranquilize-se.

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Não guarde a comemoração para quando tudo der certo, valorize cada pequena vitória contra a preguiça diária ou os medos antes insuperáveis. Lembre-se de, ainda que não seja carnaval, celebrar, pois sempre cabe um carnaval fora de época e não tem época melhor para isso do que a prévia carnavalesca. Divirta-se.

Não fale de amor pra tia que pergunta, pro psicólogo que questiona, pros pais que esperam uma nora. Escreva um soneto, amasse e jogue fora, não mostre a ninguém, deixe ser apenas um segredo seu. Apesar de ser um fã convicto do Chico Buarque, ouça a nova música do Wesley Safadão, porque afinal de contas: “ninguém é de ferro”. Conheça-se.

Saia da zona de conforto, busque reinventar-se todo dia, experimente novos prazeres e novos modelos de sapato. Converse com estranhos, chegue tarde em casa na sexta feira, conte umas mentiras sobre o que gostaria de ser, peça uma sobremesa nova ao invés da “de sempre” no restaurante, perca tempo com bobagens, aprenda a tocar um instrumento. Inove-se

Guarde uma tarde para os amigos, pratique exercício físico 3 vezes por semana. Faça algo que lhe dê dinheiro, mas dedique um tempo para aquilo que mais ama. Nem que seja só por diversão durante uma pequena parcela do dia, sinta-se bem. Depois disso tudo durma, durma o suficiente, durma 8 horas diárias, aproveite e passe do horário no sábado e domingo. Depois acorde e faça tudo de novo. Respire-se.

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A gente só voltou pra ter certeza que não era pra ser

Juntos, já tivemos momentos maravilhosos e repletos de confusão.
Sua teimosia e estranha provocação, misturada com esse dengo todo que pede colo.

Uma ida à sorveteria da esquina, numa noite de verão qualquer, foi transformada em discussão por mais de uma bobagem. E quantas bobagens falamos em tom de ofensa. Pra nos defender de nós, deixamos o amor de lado.

Dias que não queria olhar na tua cara.
Dias que ficava morrendo de saudade.

Até que a gente foi saturando daquele clima pesado e chato. E você não aguentou o peso sob os teus ombros. Terminamos, em meio a mais uma briga repleta de palavras duras e enfrentando o clima frio.

Cada um no seu canto, tentando se reerguer, se curar das feridas abertas, mágoas e ressentimentos.

Uma história de vida, de companheirismo. De chatices.
A balança nunca nos dava uma resposta exata.

Na verdade, estávamos tão acostumados um com o outro, que a distância parecia um rompimento duro de almas feridas. E, mesmo com toda essa turbulência de algo que já tinha sido desgastado e remendado, a gente se amava. E combinava em tudo.

Nada estava sendo suficiente sem a tua presença.

A gente ria de qualquer coisa. O mais feliz dos casais quando concordávamos em levantar a bandeira da paz.

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Isso me fez falta. Uma danada de uma falta.

Passado um tempo sem se desligar completamente, nos encontramos e a faísca acendeu a chama. Voltamos. Reatamos, sei lá como deve-se chamar aqueles dias que vivemos imersos em uma matança famigerada de saudade.

Então, a saudade completamente morta, nos restou a realidade.

Olhamos para a nossa história numa manhã qualquer e conseguimos sorrir de tudo que passou. Tive muito medo, minhas mãos estavam suadas e fria.

Conversamos bastante.

Acertamos os pontos. Os ponteiros. Terminamos, dessa vez, como tinha que ser. No auge. Tomando café com bolo de manhã, depois de uma noite intensa de lençóis jogados no chão.

Você pegou as tuas coisas e, em respeito a toda história que vivemos juntos, nos abraçamos. Sem beijos e sem drama. Apenas, fazendo a difícil travessia de uma história que não tinha mais pra onde ir.

Reconhecemos isso.

A gente só voltou pra ter certeza que não era pra ser. E que, daqui em diante, sejamos felizes com alguém que nos queira bem.

Tão bem quanto o nosso querer um pelo outro.

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Não te amo “porque”, te amo “apesar de”

Quando nos conhecemos o meu encantamento foi instantâneo. Me apaixonar por você foi fácil e simples. Cada um dos seus movimentos me enchiam os olhos. Cada palavra que a sua boca proferia inundava meu coração. Cada olhar que você dirigia a mim me atingiam feito bala. Fui discreta e não demonstrei fraqueza, provoquei a conquista para aproveitar cada um dos seus esforços, em vão, você permaneceu me conquistando mesmo depois de ter meu coração todo nas mãos.

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O tempo permitiu que nos conhecêssemos nos detalhes da rotina e o dia a dia mostrou que nem tudo é tão simples quanto foi me apaixonar por sua barba e sua voz rouca. Não, nem tudo são flores quando você escolhe dividir todos os seus dias com outra pessoa. Existem momentos difíceis e conflitos frequentes. Existe tristeza, frustrações e até carência. Existe minha TPM e seu futebol, minha mania de organização e sua bagunça constante, sua playlist que não combina com a minha e sua cerveja que não conversa com meu vinho branco. Temos opiniões divergentes, convicções distintas e personalidades opostas, mas também estamos submersos no mesmo oceano de paixão. Os relacionamentos são assim, uma eterna luta entre o amor e a dor.

Apesar dos carinhos e do beijo de bom dia, seu mau humor matinal quebra o encanto do início do dia. Adoro o café na cama todo domingo, mas odeio o ronco que precede o despertar. Me surpreender com presentes fora de data sempre faz meu peito acelerar, mas ele para sempre que você não me atende. Fico maluca de amor sempre que você me chama de “minha pequena”, mas também fico louca de ódio quando você deixa a tampa do vaso levantada. Amo nossos banhos compartilhados, mas detesto a toalha molhada que acaba jogada na cama. Venero seu abraço apertado, mas abomino seu esporádico egoísmo. E assim a gente vai levando, amando e implicando, dia sim e outro também.

Te amo! Muito. Por todas as suas qualidades e talentos, mas acima de tudo, te amo apesar dos seus defeitos e manias.

 

PS: Esse texto é resultado de uma longa conversa com minha grande amiga Danielle Deboni. Obrigada, minha amiga! Amo você!

MONIKAJORDAO

O que eu diria se o mundo acabasse hoje

Se o mundo acabasse hoje, provavelmente diria estas mesmas palavras que digo agora. Não posso explicar de onde elas vêm, nem pra onde irão depois da destruição, mas o fato é que preciso dizê-las. Contrariando a lógica comum, esperava o fim do mundo ― na verdade ansiava por este dia mais que qualquer outra criatura na terra. Afinal, o fim não pode ser isso tudo que dizem. Para ser sincero, nos últimos tempos, tenho vivido uma hecatombe a cada segunda-feira. Recomeçar, seja lá o que for, é desgastante e não há alma humana capaz de suportar tantos problemas reais. Sinto um enorme desconforto em admitir, mas tudo que queria agora era fugir: para o quinto dos infernos, talvez; qualquer lugar é melhor que aqui e agora. Enquanto escrevo, nenhum meteoro cruza o céu anunciando a desgraça geral; mesmo assim espero.

Na minha última noite insônia procurei por minha alma embaixo na cama ― só encontrei ácaros e um sapato velho, que já não cabe mais no meu pé 42, e que hoje serve de abrigo para um casal de baratas. Olhando para aquelas criaturinhas cascudas e asquerosas, senti pena delas. Li alguma coisa na internet que dizia que as baratas seriam as únicas sobreviventes da extinção em massa. “É um capricho de Deus!”, pensei furioso. De todas as criaturas na terra, por que escolher logo a barata? Um ser sem vida ― para muitos até sem alma ― e que passa a existência em busca de migalhas e rastejando na penumbra dos quartos vazios. É muita sacanagem! Além de suportarem tudo isso o direito de reclamar ― direito esse, aliás, que julgo necessário para qualquer ser vivente ―, estão condenadas a carregar, sozinhas, a ressureição da vida num planeta devastado e condenado ao nada. Acho que Ele pegou pesado desta vez. Ou não: quem sabe o Divino escreve certo por linhas tortas? Pode ser que Deus só seja um autor ruim mesmo, não é verdade? Vai que não sabe mais que fim dar aos nossos personagens e decide agora acabar com tudo, como quem embola uma página e recomeça a narrativa, e dar novo sentindo pras coisas, ou fazer tudo diferente. Como não sou dono de nada, nem mesmo deste nariz ― que tantas vezes julguei ser meu, mas que hoje vejo apenas como mais um de meus incontáveis defeitos físicos ― sinto-me aliviado de ter sido a barata do meu sapato-velho a escolhida para reconduzir a vida na terra! Se tivesse que reconstruir essa quiçaça de planeta, nem saberia por onde começar. Provavelmente por mim mesmo: um nariz menor, que seja verdadeiramente meu seria bom…

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Durante toda minha vida acredite no amor, é verdade! No entanto, foi vencido pelo exagero. Para mim era inconcebível se amar pelas metades, gostar só um pouquinho, ou trocar carinhos miúdos. Sempre queria mais, tudo no aumentativo, no plural. O problema é que quanto mais me multiplicava, sobrava menos de mim. Fui como uma ponte que depois de matar a sede de uma população inteira secou e tudo que sobrou foi um poço seco e vazio de pó. Como o mundo não acabou, talvez tenha tempo de aprender a dar o mínimo de mim e a receber menos ainda ― se é que ainda sobra em mim alguma coisa parecida com amor. Não sou perfeito, carrego comigo um sem-número de defeitos e imperfeições, mas sonhava em usar amor como um curativo, como um balsamo que seca ferida. A verdade é que só consegui me cortar ainda mais. É preciso admitir: amores certos em pessoas erradas são como veneno. Enveredam por cada canal sanguíneo e espalha suas pequenas farpas que matam, uma a uma, a esperança de sermos felizes ao lado daqueles que nos completam. Se o mundo acabasse hoje, essa seria a principal lição que carregaria para o outro mundo ― se é que ele existe.

Há tanto para ser dito, tanto para ser registrado, eternizado… Talvez inicie um diário daqui pra frente, já que o mundo não acabou. Registrar as dores, amarrá-las com papel e caneta pode ser sadio para o coração. Me senti tão pequeno e diminuído que nem mesmo quando desejei, desesperadamente, o fim de tudo, ele não me foi concedido. É assim mesmo que as coisas funcionam? Quanto mais se anseia por algo, mais nos distanciamos? O fato é que nada depende de nossa vontade diretamente. Não estou eliminando o pensamento positivo, nem as boas vibrações. Essas coisas podem até funcionar, mas têm de ser usadas na medida certa, com as coisas certas. Para fugir, como pude constar, de nada adiantará…

Bom, acho que já chega de devanear numa folha de papel, mesmo porque o mundo continua girando, girando… Não sei disse tudo que deveria dizer, não sei mais seria isso mesmo que diria se o mundo acabasse, mas eu já disse e ele não acabou. Se amanhã chegar tudo ao fim, com certeza terei novas coisas para compartilhar com o infinito. A vida, no fim das contas, são correntes infinitas, que dão num mar desconhecido, que um dia se evapora e se torna chuva e a chuva rega um novo recomeço. Como diria Shakespeare, “estar preparado é tudo”, seja lá por vier…

FIM…

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Eu quero é menos

É, eu sei que sou o excesso de tudo. Excesso de palavras, de sentimentos, de pensamentos, de sonhos, de desejos, de esperanças. Sou o excesso… O excesso como o drama mexicano, a música sofrida, a morte do cisne. O excesso de amor, de rancor, de ciúmes e de carinho. Excesso de ironia, de verdades, de sabores e cores. Excesso do medo e da coragem, bem assim: 8 ou 80. Excesso de tudo e nada. Mas o excesso é a sobra. Transborda, vaza pra fora do pote e tem que ser jogado fora.

“Tudo em excesso faz mal.” Não é essa a frase tão conhecida?! E eu, que já dizia que menos é mais, começo a ver ainda mais verdade nisso tudo.

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Não quero mais excessos, eu quero menos. Menos dores, menos peso, menos obrigações, menos promessas. Menos reclamações, menos choro, menos culpa e muito menos desculpas. Menos horários fixos, menos expectativas, menos pressão.

Menos “se”, ” talvez”, “depois”. Menos saudade, menos distância, menos solidão. Menos, sabe?! Bem menos. Quase nada… Só o necessário. Cansei dessa bagagem excessiva, cansei de carregar mais do que posso. Cansei de ser demais.

Quero abrir essa mochila de excessos e esvaziá-la. Quero só a roupa do corpo. Quero cortar o cabelo. Quero o pé no chão, a brisa no rosto e nenhum pensamento em vão. Quero menos, porque essa vida já é demais pra mim. Só quero o que caiba espontaneamente no meu coração.

Yulle