Homens não são aquilo que dizem. Homens são aquilo que fazem

Maria até gostou quando Fernando disse que a amava com todas as letras em caixa alta. Pois Maria é até fã das palavras ditas por ele, mas, – assim como toda mulher – Maria gosta de atitudes. Ela vai gostar de se sentir amada ao escutar um EU-TE-AMO dengoso dito pela manhã, mas, se ele souber dizer isto em forma de atitude, ela vai soltar um sorriso alegre e dizer o quanto o ama só de encarar as retinas. Maria nunca precisou de palavras para dizer o quanto ama Fernando, e o incrível é que ele já sabia disto desde quando a viu pela primeira vez.

Maria é como a maioria das mulheres. Apaixonada por homens de atitudes. E você não precisa saber de todas as datas comemorativas entre vocês dois, mas precisa fazer de cada dia do calendário, um dia especial pra ela. Mulheres amam surpresas e são fascinadas por atitudes. Seja abrir a porta do carro quando ela entrar ou sair, seja segurar as sacolas das compras, caso estiverem pesadas demais. Seja comprar flores numa quarta-feira qualquer sem nenhum motivo especial. Apenas porque você lembrou-se dela ao sentir o perfume das rosas. Seja elogiar a roupa dela no primeiro encontro. Seja levá-la em casa e oferecer o casaco mesmo que não faça frio naquela noite. Essas coisas, entende o que eu digo? Mulheres – assim como a Maria – gostam de se sentirem protegidas, e proteção requer atitude, rapaz. Aprenda isto.

Ela vai te presentear com sorrisos miúdos e os olhares pidões mais fofos do hemisfério sul. Mas não se engane, ela sempre vai querer mais de você. Mais do teu sorriso. Mais das tuas palavras. Mais da tua história. Mais das tuas atitudes. Mais de você. Ela precisa saber que você estará ali ao lado dela, caso todo seu mundo desabe, entende? E Fernando sabia muito bem disto, pois em seus braços, Maria sentia-se a mulher mais segura do mundo. Fernando sabia a importância da mescla entre o dizer e o fazer.

Dizer que vai fazer algo é muito fácil, todo mundo diz. Difícil é fazer aquilo que se diz. “Afinal, homens de verdade não são aqueles que dizem fazer algo, são aqueles que fazem o que dizem.”

Regados de atitudes e bonitas palavras, Fernando e Maria continuam juntos desde 2004. E ele aprendeu uma das lições mais importantes do mundo; mulheres gostam de atitudes.

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Nós dois e o silêncio

Nós dois olhando um pro outro. Os minutos que são horas. Os dias que são segundos. O tempo que desfaz seus ponteiros. Seu olhos na minha boca. Meus olhos que passeiam em sua língua.
 
Somos nós dois e o silêncio.
 
No momento em que  as palavras são utopia, as mais belas frases são ditas com todo o carinho das mãos.  Sorrisos são dicionários. O silêncio é berrante, é pura intimidade de ouvido, é o sentido aguçado daqueles que apenas se olham e se reparam, reparam em si próprios e no outro da maneira mais simples e mais amorosa, como se ali não estivessem. E realmente não estão. No pretexto da esperança, escolheram a cor verde pra colorirem suas verdades. 
 
São os segundos que não precisamos das frases. Basta um olho no olho, um colo, um carinho nas mãos. Somos nós dois ratificando nossas vontades adivinhadas. Nosso instinto mais simples e necessário, as vontades mais afloradas. É no silêncio que dizemos sim. É o cafuné de mãe. A troca de olhares e de  emoções. Não há o que se falar no nosso profundo silêncio. São corações que perguntam um pelo outro e necessitam da calmaria para dizerem que ali estão , peito encostado em uma única pulsação.
 
É o nosso silêncio de frente pro mar.
 
É o nosso silêncio cortejado pela lua.
 
É o nosso silêncio que surge em qualquer esquina, em qualquer troca de olhares, que esbarra em mim e eu agarro com força.
 
Entrego-te o meu silêncio. Cedo-me à sua calmaria. Acredito nas palavras simples e verdadeiras daquele momento de mais incontestável verdade. Encosto minha cabeça no seu ombro e ofereço-te meu maior presente embrulhado com o todo o silencio do nosso futuro. 
 
São seus risos. Todos os seus risos. Suas vontades tão escancaradas e tão femininas, seu jeito simples de me olhar bonito. É todo o universo daquilo que pressente. Diga-me tudo através do olhar, através dos sorrisos, despeje em mim todas as palavras de nossas mãos dadas.
 
Seu carinho é poesia. Meu ombro é tua moradia. No silêncio somos casa um para o outro. E é um prazer morar em ti.

Amores grandes para apartamentos pequenos – Capítulo I

Primeira parte – Jonathan

Já são quase quatro da manhã e o barulho dos carros lá fora denunciam que o dia já começou pra muita gente. Essa foi mais uma noite de insônia; não durmo há um mês, eu acho. As frágeis paredes de gesso deste apartamento são minhas únicas companheiras. Confesso que tenho dificuldade de me relacionar, tenho trabalhado muito. Bom, pelo menos o esforço valeu a pena: comprei uma TV enorme e ampliei a velocidade da internet. Estou tão cansado, mas nesta semana tem feriado. Houve um tempo em que isso me animou mais. Aliás, passei meus últimos feriados, a maior parte do tempo, dormindo, ou assistindo séries da NETFLIX. E tinha prometido pra mim mesmo que adiantaria os trabalhos da faculdade, mas tudo bem, ainda há tempo. Pra falar a verdade, vou fazer em cima da hora mesmo… Parece um hábito do estudante moderno: não importa se você tem uma semana ou um mês de prazo, tudo será feito 24h antes da data de entrega…

Hoje é dia de terapia, mas não sei o que dizer ao analista. Depressão, estresse, síndrome do pânico e até mesmo fobia social eu já tive. Os remédios ajudam, mas nenhum deles, até hoje, conseguiu me traz o sono de volta. Na metade das vezes não consigo dormir, na outra durmo mal e acordo várias vezes na noite. Aí me distraio como posso: videogame, salas de bate-papo, Facebook, essas coisas que completam nosso vazio hoje em dia. Não tenho amigos, sou novato na cidade e não curto o happy hour com a turma do trabalho.

Pelo menos com a terapia descobri um hobby: fotografar prédios! Sou fascinado por eles. Ando a cidade inteira com minha câmera na mão a fim de fotografar as particularidades de cada um. E como são diferentes! A gente só repara no concreto, mas se olharmos com cuidado, há certa beleza neles. Bom, hoje o céu está nublado – do jeito que eu gosto! Está perfeito para fotografar novos prédios! Acho que vou pela Avenida, há muitos que não registrei por lá ainda…

Segunda parte – Jéssica

Está frio hoje, odeio o tempo carrancudo, minhas flores também não gostam. Bom, o dia será apertado, ainda nem comprei a comida dos gatos. Droga, o trabalho!!! Às vezes trabalhar com propaganda não é aquilo tudo que a gente sonhava. Vida de agência, reuniões legais, companheiros descolados, festa toda sexta-feira… está mais pra colega nerd tarado, job atrasado (muito atrasado), cliente reclamando, o mundo acabando, porra! Não dá pra ser feliz assim. Aliás, dá sim; amo minha vida. Deixa eu me concentrar nos gatos…

Trânsito da porra! Odeio essa cidade, que caralho! Meia hora parada? Estou ferrada mesmo. E ainda tem um maluco no meio dos carros com uma câmera? Está de sacanagem, né!? O cara está pensando que a vida é farra, poxa! Ah, ele nem tem culpa, afinal, essa merda não anda mesmo. Mas o que ele está fotografando? Não tem nada além de prédio aqui. O quê? Deixa o eu aumentar o volume do rádio: “Congestionamento na Avenida Três, após acidente com desmoronamento de viaduto…”. Não, não, não!!! Só pode ser sacanagem… E agora, como vou fazer com o trabalho? Não da pra acreditar, não pra acreditar. Deixa-me ligar no escritório… Sem bateria? Deus, o que eu fiz pra merecer isso logo hoje? Só falta chover… É, não falta mais…

E o panaca ainda está ali, no meio da chuva? Tem maluco pra tudo.

― Ei, doidinho, está fotografando o quê?

―Aquele prédio ali, o da esquerda.

― Pra quê? Prédio é tudo igual, cara!

― Não, não são. Repare bem: o da direita tem três pilares de sustentação redondos, o da esquerda apenas dois e são retangulares. As janelas também são diferentes, olha. As do prédio da esquerda são de vidro e aço inox, já os da direita apenas de vidro e fazem um desenho único, não há separação é como se fossem uma única janela gigante.

―Cê é maluco mesmo…

― Já ouvi isso antes…

― Vamos sair da chuva?

― É bom.

― Hoje meu dia está péssimo. Eu sei, eu sei, você deve me achar meio maluca por ficar desabafando com um estranho, mas sabe o que é? Gosto de conversar, entende? Trabalho com comunicação é meio que um instinto. [Até que ele é bonitinho…] E você, faz o quê?  É fotografo?

― Não; trabalho com T.I; as fotos dos prédios são só um hobby.

― Que hobby estranho, meu!

― É…

―Você não é daqui, né? Tem sotaque diferente.

― Não, sou de Minas. Lá a gente fala meio arrastado mesmo.

Essa droga de chuva não passa, o trânsito parado, e estou longe do metrô, sem bateria no celular. Estou perdida mesmo. E fazer o quê? Talvez seja a hora de um momento de loucura!

― Ei, doidinho, tenho um prédio pra te mostrar, você vem?

― É muito longe?

― Não; anda logo.

Tempo depois…

― Seja bem-vindo a minha casa! Legal o prédio, né? Ele é torto, mas acho chique. Não entendo nada de arquitetura, mas acho tão elegante. Só parei pra pensar que eles não são todos iguais depois que você me mostrou que é preciso observar tudo, até mesmo os prédios, com atenção.

― É…

― Vamos subir? Tomar café, nos secar dessa chuva?

― Bom, vamos. (Ai meu Deus, o que tô fazendo? Nem conheço essa mulher, meu Deus).

― Vou abrir as janelas e você vai ver o quanto a vista daqui é legal.  Dá pra ver a cidade toda!

― Uau! É muito bonito daqui! Mas, não se sente meio sozinha?  É tão grande, tão espaçoso? Só você mora aqui.

― Eu, Romeo e paçoca, meus gatos. Não sou nada sem eles.

― Amo gatos, mas não eles caberiam no meu apartamento…

― Que pena, você deveria ter um. São ótimos companheiros. Dias assim, como hoje, tristes e chuvosos, eles me fazem um bem danado. Vem, vamos tomar um chá e falar da vida. O que você quer ouvir?

― Beatles?

― Adoro! Arrasou, menino!

Continua…

 

Como não amar?

Tem pessoas que amam sustentar que são desapegadas, que são apaixonados  pela rotatividade de casos. Eu entendo que curtir é bom, mas sabia que dá pra curtir a dois? Pois é, dá pra curtir muito e de quebra se apegar.

Eu amo ter alguém para dividir um almoço numa terça cinza, ter alguém pra ir ao cinema ver uma estreia e perder o melhor do filme por estar trocando beijos apaixonados. Tomar um vinho domingo à noite enquanto o Faustão insiste em falar mesmo com a TV no mute. Poderia ser uma pessoa por ocasião, mas ninguém te entende tão bem quanto alguém que você ama e que te ama de volta.

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Amar é ter sempre alguém ao lado, uma companhia para tudo de bom e ruim que acontece todos os dias. Lógico que a gente quebra a cara, mas não se desiste de andar de bicicleta por ter tomado um tombo, você vai lá e consegue. No amor também é assim, a gente insiste, cai e quando vê, tá feliz. Para quem insiste em desapego, eu pergunto: Como não amar?

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Intimidade não se limita ao corpo

Sexo casual é uma delícia e jamais ousaria em dizer que os adeptos apenas desse tipo da busca pelo prazer estão errados. Ora, somos seres livres para buscar a felicidade da forma que bem entendermos. E, realmente, despir-se e entregar-se a alguém em um só momento é realmente algo muito prazeroso. Trocar pela primeira e única vez delírios, loucuras e prazeres é algo, dúvida, instigante.

Mas, muitas vezes, nada substitui a intimidade, o sentimento, a mistura do prazer com o olhar apaixonado. Delícia é tirar a roupa da mesma pessoa várias vezes sentindo sempre uma sensação diferente, como se fosse a primeira vez. Porque sempre tem algo a mais, sempre da para se surpreender e se admirar com quem amamos. Porque até se livrar da paranoia do que o outro está pensando, de esquecer estrias e celulites, esquecer se a barriga é tanquinho ou não, é gostoso. Livrar-se dos tabus e medos e sentir-se a vontade, é mágico. 

Delícia é despir e ser despido até a alma. Delícia é quando depois do corpo a corpo, de sentir o calor do outro, do prazer, dos olhares loucos de vontade, dos sussurros, gemidos e loucuras, saber que pode  ficar lado a lado e sentir que não acabou ali. Que depois que o sexo termina, algo perdura. É saber que você tem um aconchego na alma e no coração de quem está ao seu lado.·.

Muitas vezes encontramos a paz ao nos debruçarmos sobre o outro e ao sentir o coração bater no mesmo compasso temos a sensação que não haveria lugar melhor para estar a não ser ali. Intimidade vai muito mais além do que um momento. Intimidade não se limita ao corpo. Fazer somente sexo é bom. Mas muito melhor é quando há uma entrega de dentro para fora, quando maravilhosas descobertas acontecem entre o casal, sem medo, sem pudor, com muita vontade e amor.

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