Você não era o amor da vida dele

Acabou.

Eu sei, tá doendo. Mas, se me permite um conselho, deixa eu te dizer uma coisa? Você não era o amor da vida dele.

Antes que você pense, não, eu não tô com inveja do seu relacionamento. Eu quero te alertar, te ajudar. Prometo. Será que você deixa? Andei observando algumas coisas durante esses meses.

Posso te dizer, com certeza, que não era por ti que os olhos dele brilhavam. Ou que seu sorriso surgia involuntariamente. Ele não associava músicas românticas a você. Ele podia te dar uns beijos e abraços, mas não era pensando em você que ele ia dormir a noite. Ou acordar de manhã. Você era, pra ele, muito pouco do que merecia ser para qualquer pessoa.

Não que ele não gostasse de ti. Ele gostava. Mas gostar a gente gosta até de um primo distante. Amor é outro papo.

Eu sei que você não se contenta com pouco. Ninguém deveria se contentar. Então porque se prender a relacionamentos vazios? Amor é uma via de sorriso duplo. Não único. São dois.

Por você, ele não se forçava a nada. Nem mesmo a ir na padaria da esquina, depois de uma semana sem te ver, pra te encontrar. E nem era por maldade, sabe? É só que você não era a famosa metade da laranja, a alma gêmea. Talvez ele nem acredite nisso. Talvez ele ache uma tremenda bobagem. Talvez ele tenha se acomodado. Mas viver acomodado não é viver, meu bem. É só existir.

Você pensava nele a cada milésimo de segundo. Até na fila do banco. Nas músicas de amor que tocam na rádio a caminho do trabalho. Vendo um casal de senhores na rua e imaginando vocês dois daqui a trinta anos. Você se sentia sortuda por ter alguém como ele. Ele não se importava, né? Mas você sim.

Mas quer saber? Estar com alguém que não quer estar com você é o mesmo que estar sozinha. É como beijar um fantasma, é como interpretar um papel de figurante na história de uma pessoa. Ninguém merece isso, não é mesmo? Eu sei que um dia você vai concordar comigo. Eu sei que um dia você vai trancar teu coração com senha. E a senha só vai saber quem te merecer por inteira.

Sub(traída)

Depois de muito tempo sofrendo, chorando, você foi capaz de colar os pedacinhos quebrados do meu coração. Foi capaz de me fazer rir, de me fazer sonhar, quando tudo o que eu conseguia ter eram pesadelos.
Já fazia tempo em que eu não vivia na realidade. Meus pés nunca foram presos ao chão, mas suas mãos me puxaram de volta para a Terra. Pela primeira vez a realidade não me pareceu ruim. Pelo contrário, era bem melhor que aquela história de amor que eu estava tão acostumada a viver na minha cabeça.
Antes me contentava com olhares. Quando você chegou não precisei me contentar com mais nada. Podia pedir mais e doar mais. 
Eu te olhava nos olhos e você me dizia para relaxar enquanto apertava minha mão. Seus amigos diziam para você desistir, não se prender. Você fazia questão de ignorar todos eles, me abraçar forte e me pedir para não ir embora. Eu respondia que jamais faria isso. A última coisa que eu queria naquele momento era desgrudar de você. Mas nem foi preciso, não é mesmo?
Era esse o seu plano? Por que me pedir para ficar se suas malas já estavam feitas? E sem ao menos um bilhete de despedida em cima da cama.
Estranho mesmo é saber que, por mais que seus olhos demonstrassem o contrário, no fundo eu sempre soube o final dessa história, mesmo sem querer acreditar. Como um vento, foi tudo muito rápido. Mas o pouco tempo foi suficiente para bagunçar tudo.
Seria muito clichê dizer que sinto sua falta? Nesse momento é tudo que sinto.
Não vou dizer que preciso de você ou que sua partida tirou um pedaço de mim. Acho que não chegamos tão perto para nos completarmos. Talvez por não faltar pedaço algum quando você chegou. Na verdade, tudo foi uma questão de somar. Acrescentar. E olha, você acrescentou bastante. Sentimentos e sensações completamente desconhecidos. É disso que sinto falta. Da forma como nos acrescentamos. Do que me transformei com tudo o que você somou. 
Eu já não precisava acordar todos os dias e sorrir pelas mesmas coisas. Eu podia sorrir por você. 
Cansei de pensar e repensar, tentar achar um motivo pro fim de tudo isso. Resolvi aceitar. Continuo sendo a mesma garota que sempre fui antes de você aparecer por aqui. Sub(traída) de todas as coisas que você trouxe, mas todos os pedaços continuam aqui. Sonhadora como de costume, voltei a voar. Meus pés não sabem se sustentar sozinhos no chão agora que você soltou minha mão. E por todos os lugares que visito nessas minhas viagens pra fora da realidade, imagino se um dia você volta. E traz de volta todas aquelas incógnitas que acrescentou em mim, tá?

O ascendente dela era em gêmeos

A gente se perdeu. Ela tentou me explicar, mas eu não entendi. Seu jeito era difícil demais, parecia um daqueles cubos mágicos. Você tenta várias vezes, mas é quase impossível de encaixar tudo da forma certa.
O ascendente dela é em gêmeos, ela me disse. Eu nunca soube o que isso significava, nunca dei bola. Fui entender agora, enquanto tento entender o fim de tudo, descobri algumas coisas. 
Ela não curte caras grudentos, poemas românticos ou situações rotineiras. Ela não vai se impressionar por qualquer buquê de rosas ou caixas de chocolate. Pra ela, o mais importante tá na inteligência, na conversa e na autenticidade. Ela vai ligar pras suas opiniões e contestar tudo aquilo que há de errado. É aprender ou cair fora.
Ela é de Mercúrio, o planeta da comunicação. Por isso, podem se passar horas, horas e mais horas, ela vai continuar falando e falando, até que o assunto acabe. E você nem vai sentir raiva, o som da voz dela é melhor que qualquer música do Chico Buarque. Gosta de pesquisar, de ler, de estudar e de absorver a maior variedade de assuntos novos, e, pode ter certeza, vai querer te ensinar tudo isso. Das coisas mais banais às coisas mais importantes do mundo. Vai querer te levar pra viajar, em todos os sentidos. Primeiro pra Índia, depois pra vida dela.
Você vai, às vezes, se sentir de lado, isolado e desnecessário, mas não liga não. Ela é assim mesmo, não precisa de ninguém. É livre. Não tente entender, nem ela se entende. Deve ser coisa dos astros.
Você não é o centro do mundo dela. E nem tente ser. Se contente com o pouco que ela te dá ou é melhor ir embora, como eu fiz. E me arrependo. Ela vai esquecer de você pra depois se lembrar. E esquecer de novo. E lembrar de novo. É um ciclo de indecisão que movimenta a vida de qualquer um. Ela é intensa, nunca para.
Pra ela, sentir demais nunca é demais. É o suficiente. O suficiente para ser feliz demais, triste demais, para viver demais. Porque intensidade é o que move a vida dela. E, pra falar a verdade, o menos nunca foi mais. Ela sempre me diz: Sentimento é pra sentir, se fosse pra enfeitar o nome era outro.
Sinto falta dela, sabe? Daquela loucura toda, daquela movimentação cotidiana. Da raiva que aparecia nos olhos azuis dela, sempre que eu perguntava “onde você quer comer?”. Ela nunca sabia responder.
 
Tô aqui esperando. Vai que um dia ela me escolhe de novo, numa dessas indecisões dela.

Me deixei cativar

Lembra do dia em que você ainda me amava e se interessava pelos meus gostos? Aquele dia depois da aula de francês, quando cê foi me buscar. Então, eu te disse que o meu livro preferido era O Pequeno Príncipe. Você riu da minha cara e perguntou porquê.

“O que há de tão interessante nesse livro infantil?”, você me perguntou com aquele sorriso lindo no rosto. Engraçado, na hora eu não me dei conta, mas hoje entendo direitinho. Sua falta de responsabilidade por mim. Poderia ter sido diferente, se você tivesse aprendido.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Aprendi isso, mas você, infelizmente, não.

Você apareceu, cativou, conquistou e depois foi embora. Recolhendo todos os rastros de carinho e amor que deixou cair pelo caminho.

Recolhendo amor e deixando ódio.

Recolhendo lembranças e deixando esquecimento.

Recolhendo sorrisos doces e deixando amargura.

A validade das tuas palavras acabou. O prazo foi curto. Não me dei conta. Me deixei cativar.

Te ver partir  foi como aquela sensação de ganhar e perder na loteria de uma hora pra outra. Eu tinha o bilhete premiado, sabe? Mas ele foi levado pelo vento.

Você teria aprendido, sobretudo, que as suas decisões não afetam somente a si mesmo. Teria pensado. Pensado antes de ser um idiota.

E é por isso que o Pequeno Príncipe deveria ser leitura obrigatória na escola.

Porque você chegou de mala cheia na minha vida. Cheia de amor, beijos, cosquinhas no pescoço. Cheia de piadas sem graça e abraços apertados. E aí você despejou tudo, como quem joga um lixo no meio da rua só pra se livrar do peso de carrega-lo. Você despejou e saiu andando, sem mais nem menos. Sem uma desculpa plausível. E deixou tudo aqui pra eu arrumar.

Eu sei que não é culpa minha. Talvez não seja culpa de ninguém. Talvez seja culpa de todo mundo.

Ao abrir meu coração, deixei tudo entrar. Tudo. Sem filtro.

Veio amor, veio carinho. Mas também veio traição, ódio, raiva. Deslealdade. Desonestidade. Desconsideração.

Mas eu andei pensando depois de tudo. Depois de mil “porquês” pairarem sobre a minha cabeça. Concluí que pessoas erradas aparecem no momento certo. Pra ensinar, pra amadurecer. Coração mole não bate direito, mas amores errados endurecem. E é bom, mesmo que não pareça. Agora ele bate no ritmo certo.

Fiz planos e falhei. Sonhei com nós dois. Fui boba. Acreditei e confiei.

Mas eu me deixei cativar.

a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.

Essa eu não aprendi com livro. Aprendi com você.

Podia ter sido você

Eu sei que você tá triste com tudo isso. Eu também tô.

Nunca quis me vingar, até porque, amor não correspondido não é crime nem maldade. Reciprocidade não é dever, não é mesmo? Eu só segui em frente, me enfiei no caminho mais propenso à tal felicidade. Cheguei lá.

Nossa história foi verão. Um dia de praia bem calorento, um Sol brilhante, um mar agitado. Nosso verão acabou porque você não quis suportar a chuva no fim da tarde. Não sobrevivemos ao inverno.

Mas, sabe, foi no inverno que eu encontrei a tal companhia pra chuva, pros dias sem praia. De Sol escondido.
Eu encontrei, tô feliz, relaxa. Sei que você sabe.

Sei que você sabe que eu penso em tudo o que poderíamos ter sido se o verão tivesse durado. Sei que você também pensa.
Podia ter sido você ao meu lado, rindo da minha risada escandalosa.

Podia ter sido você e eu. Eu e você conversando sobre as letras daquelas músicas do Chico.
Admirando versos do Vinícius.

Podia ter sido você, deitado ao meu lado, no silêncio barulhento que aparece quando o amor está.
É, eu to feliz. Mas poderia estar feliz com você. Porque podia ter sido você. E continuaria sendo. Por muito tempo. Talvez até pra sempre.

Eu sei, você queria ter sido pra mim o que ele é hoje. Vejo nos seus olhos.
Eu sei, desperdiçamos nossa chance, não sabemos se haverá outra.

Podia ter sido você, na varanda ouvindo Caetano. Podia ter sido você, me acordando no meio da noite só pra ouvir minha voz. Podia ter sido você hoje, comemorando, rindo, escrevendo textos sobre o nosso amor. Podia ter sido você me fazendo feliz. Podia ter sido você, vendo um filme bobo só pra me agradar e entender que filmes complexos me dão crise de ansiedade. Podia ter sido você com um presente na mão e uma cartinha na outra.

Podia ter sido você o alvo do meu abraço. E dos meus beijos. E de outras coisas que viriam depois, você sabe.
Você podia ser algo se não tivesse escolhido ser o nada.
Você podia morar aqui dentro, mas escolheu viver lá fora.
Você podia ser muito. Mas preferiu ser pouco.
Acontece.

A gente podia ser infinito. E muito mais. A gente podia somar e dividir. A gente podia viver aquele sonho gostoso que eu tive quando te conheci. A gente podia ser lindo. Único. A gente podia ser.
Mas não fomos.

Nosso amor é jogo perdido

De tanto me questionar, por horas e horas, descobri, finalmente, o que é o amor. Sim, eu encontrei a tal fórmula mágica, a tal explicação procurada desde os primórdios. Descobri que o amor é um jogo. No nosso caso, perdido.

O amor é feito de desafios, entregas, desentregas, certezas e incertezas.

De desafios nós entendemos bem. E todo desafio lançado por nós foi perdido. Olhar pra você por muito tempo, por exemplo, era um desafio difícil de ser executado. Talvez por medo de me perder e me encontrar ainda mais em você.

Conversar com você, então? Logo eu, que sempre fui amiga das palavras, as perdi por completo. Embaralhei, esqueci, deixei fugir. É como se, ao sentir sua presença, eu me tornasse uma criança de seis anos de novo. Palavras não ditas me sufocam a cada segundo. Elas não me deixam esquecer seu brilho. 

Sonhar. Deveria ser fácil, não? É só imaginar, fechar os olhos e torcer com toda a força pra que dê certo. Mas com você não é assim. Não consigo sonhar com você, te imaginar pertinho, te sentir bem aqui dentro. Sua realidade é incrível, sua essência é indescritível e seu comportamento imprevisível. Não dá pra imaginar o que eu não posso descrever. 

Mesmo assim, tento pensar em como seríamos. E quando penso, sei que seríamos maravilhosos. Seríamos todo aquele clichê romântico, toda aquela baboseira de carne e unha, alma gêmea. Cê me completaria, sabe? Com todos os teus gostos fascinantes e compatíveis aos meus. Você acrescentaria em mim. E eu em você.

Você cansou desse jogo. Percebi no momento em que descobri que todas as tuas palavras eram vazias. Você fala bonito, mas a beleza é apenas exterior. Suas palavras não carregam nada por dentro. Elas enganam. Me enganaram.

Você não quis jogar comigo. Eu fiquei lá, tentando montar as pecinhas, tentando cumprir todos os desafios. Sozinha. Mas me disseram que pra jogar tem que haver duas pessoas. Eu sou apenas uma.

O nosso amor é jogo perdido porquê já nos perdemos antes mesmo de começar a jogar.

Esse jogo contraditório me faz te odiar e te amar em questão de segundos. Esse jogo contraditório te fez me amar e me esquecer em questão de semanas.

Dessa vez, eu não te espero mais

Desde que você chegou, bem no comecinho, naquela noite de março, fez questão de mudar cada pedacinho meu. Mesmo sem saber, mesmo que involuntariamente. Acho que foi porque a sua chegada fez tão bem, que eu precisei ignorar todas as minhas formas de defesas que te deixavam ir embora. Fiz isso tantas vezes, não é? Mas em algum ponto – talvez no tão temido final – eu precisaria parar de me mudar e te deixar ir.

O tempo passa e, por consequência, a gente vai preenchendo alguns vazios com outros. Pessoas novas entram e histórias novas se constroem. Quanto a isso, meu amor, só digo que você tem toda a culpa. Porque, quando estávamos juntos, ninguém mais importava. Mas sua ida me forçou a conhecer outras pessoas e a me viciar por outros defeitos. Te dei residencia fixa no meu coração, mas cê preferiu usar de pousada temporária e ficar menos de um mês. 

É claro, nenhuma história se compara a nossa e disso a gente sempre soube. Mas se tem algo que eu sempre gostei sobre a vida, é isso: ela continua.

Não sinto raiva, mágoa ou qualquer tipo de mau sentimento. Meu amor, nós tentamos. E tentamos muito. Mas sempre me disseram que o que tiver de ser, será. Fomos. E atingimos nosso tempo limite. Não que amor tenha prazo de validade, porque isso, meu querido, não tem fim. O que teve fim foi o nosso brilho. Os nossos beijos. Os nossos abraços. Até mesmo aquelas conversas de madrugada sobre os assuntos mais inúteis possíveis, infelizmente, chegaram ao fim. Agora cada palavra foi substituída pelo silêncio. E é por isso que eu decidi:  dessa vez eu não te espero mais.

Dessa vez eu não vou mais chorar, gritar, me desesperar. Dessa vez eu não vou mais escrever poemas sobre o teu sorriso.

Dessa vez eu vou esquecer o timbre da tua voz, a tatuagem no seu braço direito e o sabor doce do seu beijo. Dessa vez eu não vou relembrar todas as suas qualidades e o seu sorriso lindo antes de desistir de você. Dessa vez eu vou embora sem olhar pra trás ate porque eu nem sei em qual direção você tá. Dessa vez eu vou desistir e ponto.

Dessa vez eu vou tentar me amar mais do que amar você. Vou destinar meus pensamentos a qualquer coisa que não seja o seu nome. Vou transferir minha mente para um abrigo qualquer bem longe de você e suas lembranças.
Mas de que adianta mentir em voz alta, se aqui dentro meu coração só fala a verdade? Eu não quero desistir de você. E enquanto escrevo tudo isso, imploro para que você venha me buscar.