Segui em frente e não vou mais lhe esperar

Esperei pelo beijo depois da briga, só tivemos brigas, esperei na porta do cinema para a estreia daquele filme que você sabia o quanto eu estava ansiosa para assistir, um balde de pipocas amanteigada fora minha única companhia. Esperei que me convidasse para irmos de mãos dadas ver o sol se pôr, e me encontro nas areias da praia contemplando solitariamente, mais um luar, você? “- Deve estar atrasado, mas em breve irá chegar”.

Esperei tanto, que a espera se tornou pesada e tediosa, então eu esperei pelas suas desculpas, algo haveria de justificar tanto descaso, porém nem me iludir mais você se dava o trabalho, o trânsito estava cheio, meu patrão me fez fazer hora extra, o periquito da minha tia avó precisou de cirurgia cardíaca, quis sua companhia e ao invés disso, sua ausência se fez notar, juntamente com o silencio brutalmente intragável, de namorados passamos a dois tristes estranhos solitários.

Esperei que me amasse, lidei com o seu desprezo, esperei pelo seu sorriso, encontrei um rosto fechado e distante, esperei pelo pedido de casamento, você me apresentou sua amante.  Chorei por dias a fios, esperei que a dor passasse, em mim ela decidiu fazer morada, sem pressa alguma de partir, esperei por um pedido de desculpas, tive que encarar a sua felicidade estupidamente estampada em todos os cantos para onde quer que eu olhasse.

Esperei por nosso futuro, tive que conviver com você se transformando em passado. Esperei pelo seu arrependimento, lidei com suas vanglorias. Esperei pelo dia que eu te esqueceria, e de repente recebo algo totalmente inesperado. Você em minha porta, me pedindo para voltar.

Você na minha frente, dizendo que estava cansado das porradas do mundo, e implorando pelos meus cuidados, você que estava cansado de prazeres banais ali estava desejando o meu amor, você que se sentia perdido, voltou me dizendo que eu era o seu cais, você que sempre debochou de todos as minhas declamações, estava ali, de joelhos em minha porta jurando que queria que eu fosse o seu par.

captura-de-tela-2016-03-18-acc80s-23-14-38

Você que eu já não lembrava mais da cor dos olhos, ou da intensidade do sorriso, do afago das mãos e muito menos da sensação de casa preenchida, me explicava incansavelmente a quanto estúpida tinha sido as suas escolhas, você que me virou as costas e me negou o seu amor, hoje me suplica dizendo que sou a mulher de sua vida, que fez besteiras e que eu preciso lhe perdoar.

A você que tanto me pediu para que eu seguisse em frente e viesse a te esquecer, sinto lhe informar, mas não te quero mais por aqui.

– Não me ama mais?

– Esperei por esse dia, incontáveis vezes, inventei tantas desculpas para o seu desdém, que chegou ao ponto de eu não saber mais qual era a minha realidade, e notei que as desculpas são apenas a nossa válvula de escape, sempre estivemos quebrados, eu que demorei para notar. E hoje eu sei que o tempo que nos ajuda a superar e seguir em frente independentemente de termos aprendido a lição, ou recomposto os pedaços de nosso coração, não está à venda.

Assim como um pedido de desculpas depois de algo que realmente nos feriu tem a mesma utilidade que um peixe usando uma bicicleta. Cuidado. Todos pedem perdão, mas não são todos os “vamos passar uma borracha no que passou”, que realmente são encontrados numa gôndola de supermercado, ou nas minhas vontades.

Existem marcas que nem o mais sincero pedido de desculpas é capaz de surtir o efeito, aprecie, cuide, nem tudo que se quebra é favorável a um conserto, e no nosso caso Pedro, me desculpa, mas eu cansei de te esperar, então eu lhe superei.

Adeus!

re

Anúncios

A culpa não é minha

Olhei bem no fundo dos olhos dela e perguntei:

– Tudo o que vivemos, tudo pelo que passamos, todos os beijos, abraços, momentos e olhares… Ainda significam algo para você?

Ela suspirou afetuosa e me fitou com uma certa pena.

– Sem dúvida. Significam o passado. Um passado feliz, divertido, intenso e marcante, mas um passado. Morto, finito e completo. Acabou.

As lágrimas não tardaram a escorrer pelo meu rosto, revelando um misto de tristeza e frustração.

Que mundo louco é esse em que as pessoas preferem se afastar daquelas que demonstram algum tipo de sentimento? Que culpa eu tive de me deixar levar pelo seu amor? Não é para isso que estamos aqui?

O meu excesso ao me entregar fez com que você perdesse completamente a atração que tivera por mim um dia. O louco não sou eu; o mundo é que é surtado. Eu me recuso a aceitar que a culpa de ser o que sou é minha.

O que deveria ter feito, afinal? Sorrido menos? Disfarçado meus sentimentos? Recusado seus convites, mesmo estando com vontade? Servir como um mero parceiro sexual e depois ir embora, ignorando o fato de que, para mim, a parte mais prazerosa do nosso amor era a conversa depois do sexo? O que diabos eu deveria ter feito para você ficar, amor?

Posso perder muitas vezes, que seja, me derrotem. A verdadeira vitória, eu sei, estará no olhar daqueles que entenderem que não é o coração que faz parte do corpo, mas sim o corpo que é apenas uma carcaça moldada para transportar aquilo que de mais importante tem nesse mundo.

Um dia, todos vocês irão entender. Até lá, aproveitem o simulacro que estão inseridos. No contexto em que vivemos, “verdade” se tornou apenas mais um vernáculo do mesmo velho dicionário abandonado.

cassar

Adeus, menina

Oi. Surpresa ao me ver? Sei que deve achar estranho eu reaparecer agora, aqui na sua frente, sem avisar. Mas preciso tirar esse peso de mim e te livrar dessas amarras que não te deixam seguir em frente.
É, eu sempre fiquei calado enquanto você se descabelava e não parava de me procurar, com seus discursos intermináveis. Eu fugia, confesso. Quantas vezes te deixei falando sozinha mesmo?! E você sempre voltava. Mas agora preciso falar, mesmo que doa. Está preparada?
Eu não te amo.
Na verdade, acho que nunca te amei. Você apareceu em um momento em que eu estava apagado, desanimado e trouxe luz. Sim, é verdade. Mas não era amor que eu sentia. Eu gostava de você, gostava da sua companhia, do seu beijo, dos carinhos. Mas não era amor, era carência. Você me ofereceu com tanta vontade, o que eu não tinha… não pude recusar.
A gente se divertiu bastante, quebrou algumas regras, arriscamos nossas cabeças, nos entregamos. Mas não era amor, era fetiche. Quem não se excita ao viver assim? Fizemos planos, falamos de futuro, de encontro de almas. Mas não era amor. Era da boca pra fora, no calor do momento. Eu sempre soube que não ia vingar. E você sonhou demais, pra variar. Que segurança você tinha pra mim? Você não sabe o que quer, nem pra onde vai. Eu já estou nessa vida há tempos.
Calma. Não me odeie por te dizer tudo isso. Eu não disse antes, porque era cômodo tê­-la por perto, confesso. Sempre esperando por mim e se derretendo quando eu dizia que estava com saudades ou que você era única. Mas não era amor. Era ego. E todos esses joguinhos no momento certo, te fisgavam e te faziam ficar.
Sei que errei. Vi você cada vez mais envolvida, apaixonada e completamente vulnerável. Te vi desmoronar com o fim, vi a luz que trouxe, se apagar. Achei até que estava louca. E ainda sim mantive suas esperanças, porque isso me fazia sentir mais forte. Mais poderoso. Desejado.
Desculpa levar tanto tempo para finalmente te dizer tudo que já deveria ter dito. Desculpa por todas essas lágrimas. Desculpa pelo sofrimento. Essa dor eu realmente não queria ter levado a você, mas foi consequência do seu amor doentio. E da ausência do meu retorno.
Espero que agora consiga enxergar que não temos futuro. Era qualquer coisa, mas não era amor. Essa é a verdade que você tanto quis ouvir e eu evitei dizer.
Depois de tudo isso, talvez não acredite, mas você é linda e me inspirou. Siga sua vida. Foi isso que fiz e muita coisa mudou por aqui, sabe?! Faça o mesmo.
Adeus, menina. Agora posso voltar ao silêncio.
IMG_6845

Aos poucos tudo foi se perdendo

Não foi como aquelas histórias rotulada com o “Era uma vez”, até porque não teve o inicio da paixão como em um passe de mágica. Foi tudo assim… Tudo acontecendo gradativamente fora do normal e surpreendentemente inesperado. Quando me dei conta me sentia entregue, propensa, vulnerável… Sentia-me sua – até demais -. Não me importaria de ser sua experiência de amores impossíveis ou ate sua conquista alcançada, se eu tivesse essa sorte. Mas em pouco tempo começou existir o choro, a tristeza, a saudade, falta de reciprocidade, medo e a insegurança. Eu pensava insistentemente que não era normal existir isso, não entre nós, mas aconteceu. Só existiram coisas que você e minha ilusão eram os causadores, e ninguém além de mim poderia me ajudar a curar e esquecer todas essas lembranças; lembranças que para mim eram a melhor parte de você que ainda teimava em ficar acessa dentro do meu peito, aquecendo-me nas noites frias, levando-me a vários pensamentos quando escutava determinadas musicas ou até mesmo quando esse vazio resolvia me fazer companhia em alguma mesa de bar. Deixando mais claro entre um porre e outro que nunca existiu nada além das minhas ilusões;
 
Eu me dando por inteiro e você nem a metade!
IMG_6871