Se eu te ligar, você me atende?

Hoje, no caminho de casa, no frio da noite, me deu saudades de você. Ao ver aquele carro parecido com o seu, me deu vontade de entrar no primeiro ônibus e ir em tua direção. Ao passar por aquele bar que você adora, me deu vontade de sacar o celular do bolso e te ligar. Te ligar para dizer que sinto sua falta.
Até ensaiei um diálogo, onde você me contaria sobre o seu dia, me diria feliz que seus planos estão dando certo e no final vibraria ao lembrar que na quinta é feriado, e que no mais tardar quarta no final da noite você estará entrelaçado nos meus braços novamente. Eu sorriria, te contaria do meu dia, te esconderia a torção que tive no tornozelo, porque se te conheço bem isso o faria ficar mal por estar tão longe. Calma, eu tô bem, foi só um torção simples, já nem dói mais. Ao menos, não tanto quanto a saudade.
Antes de desligar, eu te lembraria o quanto te admiro, e de como tenho orgulho do profissional que você se tornou. Te diria que a saudade por vezes aperta demais, e o teu moletom, aquele que ficou aqui em casa, com o teu perfume, é a minha melhor companhia em dias assim. Te pediria para se cuidar na estrada e que não se apresse, pois o meu peito esperará o tempo que for necessário… pode ter certeza que quando você chegar ele estará quentinho a tua espera. Você sorriria e eu ouviria o teu suspiro pelo telefone, me diria que não consegue mais lidar com tamanho sentimento e com tamanha distância. Eu te lembraria que é necessário aguentarmos, é para o bem de nós dois e que, aos poucos, tudo se ajeita. Você diria que me ama e que lembra de mim a cada música daquele CD que te dei…..
…. e então o vento frio me traz de volta a realidade. Meus olhos, num súbito, encontram a minha mão, gelada, segurando o celular e com sua foto aberta no whatsapp. Olho para ela com atenção, suspiro, desligo o celular e o guardo de volta no bolso. Eu não tenho coragem de te ligar, eu não tenho coragem de te procurar.
Eu sei que uma mensagem minha cairia no seu esquecimento com a mesma intensidade que, por vezes, a saudade bate por aqui. Eu sei que você irá fingir que nada aconteceu e irá seguir normalmente a sua rotina. Mas então, eu só te garanto uma coisa: no final da noite, quando deitares a cabeça no travesseiro, lembrarás da minha presença e do meu afeto. Quando, por fim, decidires parar para pensar em mim, terás a certeza de que eu e você talvez tenhamos tudo para dar certo… ou talvez não chegaremos nem a um mês de relacionamento… a gente não sabe. Mas essa dúvida… ah, essa dúvida é o que te fará perder o sono. A dúvida é grande, mas o desejo e a vontade são ainda maiores, não são? Pois é, eu te entendo bem, tenho passado o mesmo por aqui.
Boa noite, dorme bem. Se bater saudade, me procura…. Ou, se ainda preferir esconder de si mesmo esse sentimento, olhe para aquela estrela mais brilhante… eu estarei olhando ela daqui também. Te cuida – e me cuida, por favor?

Olhares que travam

Convivemos, trocamos palavras, histórias, gargalhadas e abraços. Rotina. Dividimos porres e momentos de tensão. Felicidades e tristezas. Indiretamente, dividimos momentos. Estávamos ali um com o outro, em meio a um círculo enorme de amigos, e vivemos inúmeras coisas juntas.

Até que nossos olhares se encontraram, e travaram.

Nossos olhos se olharam em meio a confusão de um bar lotado, nossos olhos se cruzaram e o tempo parou por uns segundos. Nossos olhos se enxergaram, diretamente, pela primeira vez e eu ouso dizer que se apaixonaram naquele mesmo instante. Como, nesse tempo, nunca sequer trocamos olhares? Nos acostumamos com a amizade e pensar algo além disso seria loucura. Até agora…

Nossos olhares ainda estão presos, travados um no outro.

Eu disfarço e puxo um papo com a amiga do lado e você, no susto, faz o mesmo, olhando para todos os lados reparando se alguém notou o acontecido. Ninguém notou, só nós… e os nossos olhos. Eu me perco em meio ao sentimento que brotou naquele momento e ao bar lotado, e quando me encontro novamente te vejo na minha frente sorrindo e me tirando para dançar. Como eu nunca havia prestado atenção no seu sorriso?

Nossos olhos fixos um no outro parecem ter brilho o suficiente para iluminar o local.

Cervejas e mais cervejas na cabeça nos impedem de sequer comentar algo sobre o acontecido. E se for só mais uma invenção da minha cabeça de bêbada? Penso eu, em meio àquela dança. A festa termina, um abraço de tchau e só. No outro dia sequer lembrava de como cheguei em casa, quem diria do quanto nossos olhos se encantaram.

Até que, ao andar entre as ruas ensolaradas da nossa cidade, o meu olhar tropeça novamente no seu.

Nossos olhares se travaram, mais uma vez. Como um súbito, lembro de todos os acontecimentos daquela noite e tenho a impressão de que você também acaba de lembrar. Nossos olhos se cruzam, em meio a correria do dia, mas descobrem a enorme vontade de permanecerem sempre ali: abrigados naquele olhar tão reluzente.

Sigo a minha rotina, como você segue a sua. Por um motivo que desconheço, não iremos nos procurar. Iremos apenas esperar a próxima vez em que nossos olhos irão se esbarrar. A verdade é que nossos olhares se entrelaçaram e não querem se largar mais. Ao menos não até poderem se olhar plenamente, sem qualquer medo ou receio. Assim, mesmo, como imaginamos, bem de pertinho. Olho no olho, nariz com nariz, lábios que se tocam lentamente. Será que é pedir demais?

Eu não quero te deixar partir

Nos sinto cada vez mais próximos e, ao mesmo tempo, cada vez mais medrosos. Sinto nossas almas se aproximarem, mas nossas bocas se afastarem. Você me quer por perto, mas seus traumas insistem em te afastar. Eu te quero comigo, mas minha liberdade insiste em não deixar.

Seus olhos me imploram para ficar, suas mãos se atam as minhas em um impensável suplico para não mais os abandonarem. Minha barriga sente o frio invadir ao te ver, mais uma vez, soltar meu corpo e seguir em direção à porta. Eu não sei quando você vai voltar, eu não sei se você vai voltar. Eu não sei o que vai ser de nós…

A saudade vem nos visitar pouco tempo depois de nos desligarmos. Nossas almas parecem se completar, e precisam estar juntas. Nosso inconsciente arruma festas e desculpas para se ver.

Permanecemos no mesmo ambiente com uma louca vontade de se entregar e ao mesmo tempo um enorme receio de se deixar levar. Somente a presença já faz bem, mas a gente queria mais. Nossas mãos não respondem aos nossos receios e insistem em se cruzar, ora ou outra. Seus braços parecem ter vida própria e, entre uma música romântica e outra, cruzam o meu corpo e me apertam contra o seu. Sua boca, com medo de encontrar a minha, tentar contentar-se em beijar, de surpresa, minhas costas.

Meus arrepios encontram os seus, meus olhos esbarram nos seus. Aqui, dentro dessa balada lotada, nossos beijos parecem estar tão distantes. O inconsciente implora para que todos desapareçam, o consciente lembra que isso nunca irá acontecer, não tão cedo.

Em atos corajosos, minha boca encontra teu pescoço e seus olhos se fecham – você deve estar imaginando apenas nós dois, enrolados em um manto de amor. Você encosta sua cabeça sobre a minha, eu encosto a minha em seu ombro. A música ainda soa alto, quase que ensurdecedora, mas aqui, no nosso cantinho, o som mais alto ainda é o dos suspiros e do coração acelerado.

Saímos, entre mãos dadas que se desfazem logo quando notamos o que estamos fazendo. Nos despedimos com, no máximo, um selinho em frente aos outros, seguido de um suspiro e um abraço. “Dorme bem”, você diz. “Dorme comigo?”, eu quero dizer, mas disparo somente um “você também”.

O dia amanhece e mensagens não são compartilhadas como deveriam, ambos tememos mandar algo que nos comprometa. Decepções, medos, expectativas falsas e mágoas nos fazem temer. Desculpas são usadas para chamar atenção, mensagens tímidas que não rendem em uma conversa longa.

Seguimos assim, esperando a próxima festa, a próxima desculpa dada para nos vermos. Seguimos esperando o próximo toque corajoso, o próximo suspiro apaixonado. Esperamos o próximo amor, aqui mesmo, sentados em frente ao celular vendo apenas o sinal de “online”. Seguimos deixando o tempo passar e nos levar com ele. Talvez, ele, saiba bem o que fazer conosco. Confio nele. Confio que ele virá apagar todas as nossas mágoas passadas e nossos medos. Confio que ele virá nos trazer todo o amor que ainda insistimos em esconder.

Poderia ter sido só um sonho

Hoje eu acordei querendo que tudo não passasse de um sonho. Acordei querendo estar ainda remoendo a última decepção, decidida a largar todo e qualquer resquício de amor. Queria acordar e olhar no celular sem esperar nada, pois eu saberia que não iria encontrar. Queria acordar apenas com uma enorme dor de cabeça, resultado de uma bebedeira com os amigos. Queria acordar com um enorme arrependimento de ter mandado mensagem para aquela paixão platônica que não está nem aí para mim. Um arrependimento que duraria 5 minutos e só.

Hoje eu só queria acordar como a semanas atrás.

Hoje eu não queria acordar sorrindo lembrando do nosso último diálogo. Eu não queria acordar com a sensação de frescor e de amor grudada no meu peito. Não queria ser acometida, logo de manhã, pela enorme vontade de me jogar em seus braços. Eu não queria que meu peito fosse invadido pela saudade quando eu mal abri meus olhos. É que hoje eu não queria acordar e lembrar de você, não queria acordar e correr para o celular com a expetativa de encontrar uma mensagem… Somente a expectativa, pois você já não está mais na minha barra de notificação.

Você veio e em uma semana mudou toda a minha forma de pensar, agir e sentir. Você chegou em meio ao caos de uma dessas decepções profundas, onde o envolvimento era quase fatal. Você chegou em uma época de escuridão… e trouxe a luz. Com seu jeitinho meio encabulado, mas ao mesmo tempo tão sincero com as palavras, você me fez voltar a acreditar. Você me conquistou com palavras e me reconquistou com atitudes inúmeras vezes. Me fez acreditar mais em mim, e me fez carregar um sorriso largo no rosto durante dias. Mas, então, você se foi… Quase como chegou… Em um piscar de olhos, um mero acidente do destino.

Você se foi e deixou aqui uma menina que não estava de longe apaixonada… Ainda. Mas que estava encantada. Você se foi e deixou uma alma solitária, desacreditando um pouco mais no amor. Você se foi e me fez desabar, por alguns minutos somente, é verdade, mas me fez sentir como se nada mais tivesse sentido. Duas decepções em duas semanas. Essa conta não fecha muito bem para mim, tem algo errado. Você veio, reparou os cacos de coração quebrados e logo em seguida os desmanchou. Você veio, me salvou e me abandonou. Não faz sentido…

Tudo bem, talvez o Cara lá de cima te mandou para me ensinar que nem tudo na vida é solidão. Me ensinar que as vezes a gente encontra pessoas do bem que querem nos fazer sorrir e nos mostrar o quão incríveis realmente somos, exatamente do nosso jeitinho. Tudo bem, eu até entendo a tua partida, mas precisava ser tão rápido? Em uma semana você restaurou o meu caos, partiu e me deixou em um até um pouco maior. Em uma semana você me fez acreditar e desacreditar no amor. Em uma semana você me ensinou que se não amarmos a nós mesmos antes de tudo, nunca vamos estar completos para um outro alguém.

Sozinha na multidão

Costumamos achar que em uma balada iremos encontrar todos os motivos para que aquela nossa vã solidão se afaste. Engano nosso. Aliás, engano feio esse. Chegamos no local e percebemos que ali a nossa solidão só é ainda mais sentida. Olhamos para os lados, tanta gente, mas ainda estamos sós. Pegamos uma cerveja para aliviar. Duas. Três. Quatro. Quem sabe uma dose de tequila para tentar esquecer tudo isso de vez?

Entramos em um estado de êxtase, não sentimos o que está acontecendo em volta. Tudo acontece com a rapidez de uma respiração. Luzes, mais bebidas, pessoas desconhecidas. Você ri para estranhos, abraça conhecidos que não tem tanta intimidade. Você ri, muito. Mas a solidão ainda está ali, ao seu lado, te olhando meio de canto, implorando para que você volte para casa.

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Você não dá ouvidos e segue na festa. Casais vão se formando ao seu redor. Você até teve oportunidade de ficar com alguém, com até mais de um, mas você sabe que não consegue. Você sabe, mais do que ninguém, que um romance de apenas uma noite não vai te fazer bem. Muito pelo contrário. Você não quer alguém que te beije enquanto a música está boa e que te abandone quando o silêncio se fizer presente.

Você continua lá. Canta alto todas aquelas músicas da moda, gasta todo o dinheiro que você conquistou com seu suor. Começa a lembrar de que poderia estar em casa, olhando um seriado, quietinha. A solidão também estaria te fazendo companhia, é óbvio, mas vocês estariam quietas. Não estariam a mostra assim para todos verem.

Enfim, a bebida acaba, as luzes se apagam e você volta para casa.

Você deita a cabeça no travesseiro e sento o peso do mundo nas suas costas. Você chora, copiosamente, como uma criança que procura pelos pais em um supermercado lotado. Você chora porque você percebeu que tudo isso não passou de uma distração. E então a realidade te dá um soco no estômago e te faz dormir com náuseas. Ali, no escuro do seu quarto, entre lágrimas e lençóis, você descobre que a sua solidão te acompanhará para sempre.

vic

Em épocas sombrias, corajoso é quem diz que ama

Um dia me disseram: “Você é corajosa em sempre optar por demonstrar seus verdadeiros sentimentos”. Essa frase ecoou em minha cabeças por meses, me fez perder o sono e pensar se a frase era um elogio ou uma crítica.

Sim, eu sou assim, eu sou o excesso. Eu demonstro, e demonstro demais. É exagerado, ao extremo. É intenso. Eu sou intensa, e eu não sei ser diferente disso. Eu preciso falar, eu preciso sentir que a outra pessoa sabe o que eu sinto, eu preciso que ela tenha em mim uma força a mais para seguir a vida de maneira mais leve.

Uma amizade para mim é o bem mais valioso da vida, um amor é o sentimento mais intenso que um ser humano é capaz de sentir. Demonstrar isso não deveria ser tratado como um ato corajoso. Pelo menos eu nunca havia entendido o porquê de ser tratado assim… até agora.

Cruzam em nossa vida, diariamente, milhões de pessoas e, entre essas tantas almas diferentes, nos ligamos fortemente à algumas. E elas viram essenciais para nós. Existe uma ligação que te diz que aquilo ali era o destino, que era necessário que os seus caminhos se cruzassem. Com alguns, essa sintonia é imediata e te faz ter a certeza diária de que você é mais forte com a amizade ele. Outros, porém, te conquistam, te fazem criar um laço e um afeto, aos poucos.

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Você, então, ao natural, ao ver que a sintonia é gigante ou que a reciprocidade é intensa trata logo de demonstrar o quanto quer aquela pessoa sempre com você. Abraça-os forte contra o peito com o intuito de protegê-los de todas as coisas ruins do mundo. Demonstra o carinho e a vontade de estar sempre por perto. Demonstra, e demonstra muito. Demonstra até demais.

No meio desse caminho, encontramos pessoas que, por razões que desconhecemos, resolvem tratar a nossa demonstração de afeto como insignificante. Por vezes, até, resolvem se aproveitar da tua intensidade e do teu afeto. Passam a julgar excessiva a sua demonstração. Se afastam repentinamente e causam um enorme corte na alma de quem ficou para trás, apenas com um mar de sentimentos nas mãos. Decidem, sem lhe informar antes, apenas deixarem aquela sintonia para lá. E você, então, se questiona: será que existia realmente uma ligação?

E então, você perde totalmente a vontade de voltar a demonstrar afeto, admiração e carinho. Você se torna uma pessoa medrosa ao tratar de seus sentimentos. Prefere esconder, debaixo de sete chaves, aqueles tantos sentimentos por determinadas pessoas. Você reluta contra ele.

Até que aparece alguém que te mostra que decepções acontecem com todos e em todos os sentimentos, alguém que te mostra que existe sim sintonia e ligação e que, além disso, essa é existente profundamente entre vocês.

Você repensa todas as suas decisões inúmeras vezes. “Isso é um erro?”, penso comigo mesma. Será um erro demonstrar o carinho por um alguém? Seria eu, uma eterna errante por sempre querer demonstrar demais? Ou seria o mundo em que vivemos que ainda não se acostumou com a demonstração? Seria as decepções diárias fazendo com que todos temam o carinho?

Se há alguém errado nessa situação toda, eu tenho a certeza de que são as pessoas que, por culpa de uma decepção, optam por nunca mais demonstrar ou nunca mais acreditar.

Demonstre, sim. Vale a pena. Diga que ama, todos os dias, se for possível. Diga que estará sempre por perto, e o principal: esteja sempre por perto. Diga que admira, que torce e que fica feliz a cada conquista alheia. Diga que se importa. Diga que a sua vida fica melhor quando compartilhada. Apenas, fale… demonstre. E no final do dia, ao colocar a cabeça no travesseiro, eu aposto que você vai sorrir, sem um motivo específico. Você vai sorrir porque você sabe que está fazendo a sua parte.

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Eu só te peço: me deixa ficar

Quantas vezes já fiz de tudo para te ter em meus braços? Quantas humilhações já fui capaz de enfrentar apenas para conseguir arrancar um sorriso do seu rosto? Por quantas tempestades já passamos juntos, em que eu sempre dei o braço a torcer para que conseguíssemos ver o nascer do sol novamente? E agora, então, sem mais nem menos, você parece não estar mais disposto a enfrentar essas ondas que balançam nosso barco. Porque me deixa tentar nos salvar sozinha?

Eu já não sei como agir para te convencer que o meu peito ainda é, sim, a tua melhor moradia. Sempre vai ser. Eu não já não sei mais quais são as palavras certas para te provar que eu me importo, e muito. Muito mais do que você imagina. Eu não sei quais atos ainda restam para que eu possa te provar que o nosso amor ainda não chegou ao fim.

E, por isso, eu te peço: fica mais um pouco. Fica pra sempre? Me ajuda a te entender, me ajuda a te ajudar. Eu apenas te peço que não trate minhas inúmeras tentativas com desprezo. Eu preciso te salvar, eu preciso nos salvar.

Eu sei, você não aprendeu a amar, não está acostumado com isso. Mas eu prometi a mim mesma, desde a primeira vez em que te beijei, naquela noite estrelada de outono, que eu tentaria te ensinar a me amar. E a verdade é que eu sigo tentando, todos os dias.

Me deixa continuar tentando, me deixa te amar? Me abraça forte e deixa eu cuidar de todas tuas aflições e angústias? Deita no meu colo e deixa que apenas meu cafuné seja o teu refúgio? Me ajuda a remar? O nosso barco pode estar furado, é verdade, mas se conseguirmos consertá-lo, teremos condições plenas de seguir viagem para o resto da vida.

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Uma lição olímpica

A seleção feminina de futebol decepcionou? Ou seria a sociedade que a decepciona a mais de anos? Elas perderam, sim, mas lutaram como poucas vezes eu, admiradora do futebol, vi. Elas esgotaram suas forças, mas encontraram energias a mais para continuar correndo. No primeiro jogo, elas conquistaram os brasileiros, desinformados e preconceituosos, com seus belos gols e belos lances, e isso, para elas, talvez tenha sido a melhor coisa das Olimpíadas. Elas conquistaram as crianças desavisadas que não sabiam da existência de uma seleção feminina de futebol, fizeram um menino riscar o nome do Neymar de sua camiseta para escrever Marta. Elas conquistaram e surpreenderam uma nação inteira. Elas só não conquistaram o apoio que realmente precisam. Sim, o apoio financeiro, infelizmente, é somente o que as fazem crescer.

Elas nos decepcionaram? É óbvio que não. Elas nunca nos decepcionaram, pois talvez poucos saibam, mas elas nunca deixaram de chegar ao menos em uma quartas de final de olimpíadas, elas estão entre as melhores seleções há muito tempo. Sim, elas chegaram na semifinal das Olimpíadas de 2016, em seu próprio país, jogando “em casa”. Ou será que podemos mesmo dizer que elas estão jogando em casa? O Brasil é um dos poucos países que simplesmente não oferece NENHUM apoio para a seleção feminina de futebol. A maioria das atletas, as que já são conhecidas, jogam fora do país, para conseguir seguir o sonho. Já as que ainda não conseguiram o reconhecimento permanecem no país, sem muitas escolhas, fazendo com que a CBF opte por fazer da seleção brasileira feminina uma seleção permanente para que, ao menos, elas tenham onde treinar. E aí então, podemos fazer a comparação com a seleção do Canadá e da França, por exemplo, que possuem campeonatos de seleções femininas, onde a maioria dos clubes famosos pelo futebol masculino possuem, também, um time de futebol feminino. E aí, vimos a seleção brasileira, que não encontra esse apoio, chegar entre as 4 melhores seleções do mundo, e você continua a dizer, mesmo assim, que elas nos decepcionaram?

Mas elas simplesmente chutaram essa mágoa para longe e jogaram para alegrar uma torcida. E elas nos alegraram. Elas deixaram de lado todas aquelas pessoas que insistem em falar que “lugar de mulher é na cozinha”, para conquistar os torcedores mirins que clamam por uma equipe com vontade de vencer. E elas tem vontade, muita vontade.

Elas mostraram que um sonho é muito mais importante do que qualquer crítica ou falta de apoio, fizeram um país inteiro engolir a seco o fato de que, sim, elas são melhores do que muitos homens por aí. Elas mostraram a garra e a raça em que não estamos acostumados a ver. Elas não caíram por qualquer pontapé, elas não desrespeitaram juízes por qualquer lance confuso. Elas mostraram determinação, elas mostraram respeito.

Elas não se importaram com o salário baixíssimo que ganham, elas não se importaram com chuteiras estilosas ou cabelos da moda. Elas apenas jogaram com amor à camiseta que estavam vestindo. Sim, amor, amor a um país que virou e vai seguir virando as costas a elas. Amor a uma nação que idolatra o futebol masculino e esquece completamente do feminino. Elas jogaram apenas com o objetivo de mostrar o seu valor. E mostraram.

Elas mostraram que salários caros, mansões e iates não fazem de nenhum jogador o melhor do mundo. Mostraram que a raça, que a vontade de pegar aquela bola perdida é que vão fazer delas grandes jogadoras. Elas mostraram que um sonho é muito mais importante do que qualquer barreira que possa te impedir. Mostraram que nada vai barrar quem nasceu para brilhar. Elas correram, suaram, se machucaram, se esgotaram, choraram e VOARAM. E ainda vão voar muito mais.

Elas nos fizeram enxergar além, enxergar que o mundo machista pelo qual fomos acostumados a ver e a conviver está perturbando e prejudicando sonhos enormes. Nos fizeram ver que, além delas, há outros esportes que não possuem o devido valor que merecem, em nosso país. Nos fizeram aprender que de nada adianta exigirmos uma medalha de ouro do handebol, basquete e outras modalidades, se na verdade vivemos em uma sociedade que não dá o devido apoio a esses atletas. As vimos chorar e nos colocamos no lugar delas, choramos junto. Percebemos na lágrima que caia de seus olhos e nos abraços apertados que elas receberam o quanto difícil deve ser seguir um sonho que, no país onde nasceram, é considerado “impossível”.

Elas nos fizeram entender, de uma vez por todas, que mulher pode, e vai, sim, estar onde quiser. Que o lugar delas é onde elas se sentirem felizes. Elas nos representaram com maestria. Representaram uma nova classe de mulheres, que dá a cara a tapa, que se expõe e que vai atrás do que quer, independente do que venham a pensar.

Elas são o atual exemplo da nação, o exemplo de que o sonho e a vontade são maiores do que qualquer valor financeiro ou qualquer valor que a sociedade machista insiste em impor. Elas mostraram que ainda vão longe, e isso sem o devido apoio. Imagina só o que essas meninas seriam capazes de fazer se tivessem o devido valor no país?

Elas encheram nossos olhos com tamanha determinação e a elas só devemos o seguinte: GRATIDÃO. Gratidão por terem jogado por nós, por terem lutado por nós e por terem esgotado suas forças físicas e mentais por nós. Nós temos orgulho de vocês, orgulho de ter uma seleção feminina tão incrível em nosso país. Esperamos mais apoio, mais valorização. Esperamos vê-las serem sempre mais, desse jeitinho mesmo que encantou a todos nós. Obrigada!

vic

Mensagem de ilusão

Celular tocou… mensagem no WhatsApp. Aquele nome tão temido apareceu nas notificações. Ao ler o nome e o sobrenome minhas pernas bambearam. Era você. De novo você. Por que?

Li a mensagem apressadamente achando que poderia ser algo importante, afinal você nunca mais havia me procurado. Não era. Tudo em volta parou. A conversa não passava de uma bobagem qualquer, como a que temos com alguém que falamos diariamente. Mas nós não nos falamos com frequência, não desde 2011. 6 anos de distância, 6 anos em que evitamos conversar demais.

Percebi, então, que sua conversa não passava de apenas mais um dos seus jogos. Aqueles mesmos que antes eu adorava jogar e sempre acabava ganhando de você, principalmente naquele famoso de aguentar ficar sem sorrir um para o outro. Mas a verdade é que o real motivo daquele jogo inesperado foi descoberto após a conversa se estender. Sim, era ele… o tal do sentimento, aquele mesmo de 6 anos atrás, aflorando novamente.

E eu vou te dizer que não, eu não senti o coração acelerar como em todas as vezes que trocamos mensagens ou olhares. Eu não senti um arrepio percorrer o meu corpo só de lembrar de você e nem senti o peito apertar de saudade ao ver uma foto sua que você fez questão de mandar. Eu não achei o teu sorriso tão lindo como eu achava antes. Não senti as mãos suarem frio e não senti o sorriso invadir o meu rosto ao ver a pressa com que você visualizava as minhas mensagens. Não, eu não senti absolutamente nada.

Droga, você sabe mais do que ninguém, eu minto muito mal.

Eu senti, não deveria, mas senti. Senti tudo como na noite do nosso primeiro beijo. Te senti perto novamente e te quis ainda mais perto. Senti vontade de dizer que te amava antes de você fugir de qualquer conversa mais séria. Senti vontade de voltar, de te abraçar. Senti vontade de sermos novamente um só. Senti vontade de me perder em teus braços, de me encontrar no teu sorriso. Senti vontade de ser tua. Senti vontade de te amar, ao menos só mais uma vez.

É que a verdade é que você ainda tem o mesmo efeito sobre mim, você ainda faz o meu peito ficar tumultuado. Só você é capaz de me fazer ignorar os desejos por outro alguém. Só você é capaz de dominar por completo os meus pensamentos. Só você sabe me acarinhar do jeito que eu gosto, só você sabe ser quem eu preciso. Você ainda tem o mesmo poder sobre mim e talvez esse poder seja só teu, para o resto da vida.

E então um “vou dormir, boa noite” interrompeu uma conversa que talvez daria em algo a mais… nós nunca saberemos. E ali, em meio a um “dorme bem”, as 3h da madrugada, as luzes do celular se apagaram. O mundo real me deu um chute no peito e me nocauteou para um sono profundo.

Foi mais uma noite de ilusão, mais uma conversa sem final. Mais uma vez que nos perdemos antes mesmo de nos reencontrarmos. Mais uma vez que deixamos o amor escorrer pelos nossos dedos.

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Hoje eu senti vontade de te ver

Hoje eu quis sentir tua presença, hoje eu quis ver teus olhos. Hoje… eu senti vontade de te ver.

Mas ao contrário do que estou acostumada, eu não senti vontade de somente me perder em teus lábios. Eu senti algo mais forte. Eu senti vontade de me aquietar nos teus braços.

Não senti vontade de te ver para somente dividirmos as gargalhadas de piadas toscas ou os sorrisos de felicidades, hoje eu senti vontade de te fazer um cafuné enquanto você chora de saudades de alguém que já se foi. Hoje eu senti vontade de te proteger do mundo em um abraço, e não de ser a protegida. Não dessa vez.

Hoje eu senti vontade de ao menos estar contigo, te ouvindo suspirar, em silêncio, apenas estando ali por perto. Hoje eu não quis te convidar para tomar um vinho, hoje eu quis te fazer um café quente e tentar acalentar esse teu peito tumultuado.

Por um momento eu não quis ser somente a sua ficante qualquer, que está ali somente para aproveitar os momentos bons. Hoje eu quis ser a tua namorada, aquela que está sempre ali, independentemente de ser um momento bom ou ruim.

Não senti vontade de não te deixar dormir e de fazer o quarto sacudir, eu senti vontade de te ver dormir e te acariciar a barba sem você notar. Hoje eu não quis que você me desejasse, eu quis que você me aceitasse como alguém que apenas quer te fazer bem, quer te ver bem.

Hoje eu quis ser aquela mulher que te faz ter a certeza de que sempre vai ter alguém ao seu lado. Hoje eu quis ser ela, aquela que domina teus pensamentos antes de dormir.

Mas te ver e não poder sermos, mais uma vez, NÓS, dói, machuca, perturba e tira o sono. E isso faz com que tudo perca o real sentido.

Porque não podemos tocar os que tanto queremos? Porque insistimos em gostar de quem pouco se importa com a gente? Porque você, aí, não me abraça forte e tenta esquecer do mundo? Porque não posso ser a que domina teus pensamentos antes de dormir? O que de errado eu fiz?

Vem aqui, deita o teu peito no meu e me deixa ser o teu porto. Ao menos até o final desse filme.

vic