Me tornei minha melhor companhia

Os dias tem sido difíceis, tempestade, chuva e frio, fico o tempo todo a imaginar como mudar, e fico a me indagar: “O que fazer para sair desse lugar?” Chove tanto, alagou, transbordou até mesmo pelos olhos, parece que é o fim, quero sumir…

– Me tira daqui!

Grito e espero pela sua misericórdia, mas tu não me atendes, na realidade nem me nota.

Não teve como sair, precisei aprender a sorrir sem te ter mais em meus dias, precisei passar por tudo isso, a metamorfose de nosso final, para aprender que depois dessa tempestade horrível, o dia amanheceu lindo, sol com poucas nuvens, eu achei que não iria sobreviver, mas você se foi, e eu ainda estou aqui, sobrevivi e agora é hora de recomeçar.

 

E depois de uma longa caminhada em uma única direção, ficamos acomodados com o sabor da velha rotina, e buscar novos horizontes muitas vezes não é tão fácil, eu até queria ter alguém para dividir muito mais que uma noite, um alguém novo, um alguém que não visse apenas meu rosto maquiado, um cabelo perfeitamente cortado e minha pele exalando o mais cobiçado dos cheiros. Mas depois passei a ter que conviver com minha sombra que male má encarava o espelho, tinha medo de dormir por não ter mais quem me fizesse companhia nos dias de chuva e tempestade, emagreci alguns quilos e adquiri uma anemia por não me importar mais em comer apenas restos de batata fritas ou pães amanhecido.

captura-de-tela-2016-03-18-acc80s-23-14-38

Passei a ir para o emprego apenas pela estabilidade do salário, perdi a vontade de estar em lugares que sempre amei, pelo medo de te encontrar por lá em novos programas que era apenas meu e seu ao lado de um outro alguém. Fiquei presa no casulo dá separação emaranhada por dor, solidão, e descaso, até o dia que parei de ser vítima e decidi ser a protagonista da porra que tinha se transformado a minha vida.

Resultado? Descobri melhor companhia e no momento que passei a me conhecer verdadeiramente, não foi mais qualquer prazer barato que me atraiu, e nem qualquer boca que me apetece, finais de semana em casa passaram a ser divertidos, aprendi a achar minha risada engraçada e definitivamente aposentei minhas lágrimas.

Hoje ao me olhar no espelho eu sempre espero mais de mim mesma, e mesmo que tudo esteja vazio lá fora, aqui dentro eu jamais permitirei que seque a alegria e principalmente a vontade de viver, não fico mais registrando lamúrias em meu diário, esqueci ele no criado mundo em algum canto da minha casa, agora registro momentos e lugares, passei a sair sem cronograma e sem destino certo, e todos os dias na hora de voltar para casa, eu descubro no final da noite que estar em minha própria companhia é satisfação garantida, e isso tem me bastado. Sobre você? Alguém que teve a oportunidade de ao meu lado estar, mas preferiu virar passado.

re

Anúncios

Não te amo, mas meus sentimentos estão atrelados em você

Ignoro os motivos que me trouxeram as voltas com esse diário; ignoro, há muito, os sentimentos que me motivam a relatar as experiências de minha vida ― se bem que já nem sei mais se vivo; acho que apenas existo, como os seres rasos da terra. Ontem, voltando pra casa, passei pelo jardim do seu Baldo e confesso que não reparei em uma pétala sequer. Não seria capaz de dizer se as rosas eram vermelhas ou brancas, sei apenas que são rosas… Ouvi dizer que são bonitas, que têm cores altivas e graciosas, mas já não reparo nelas.

captura-de-tela-2016-03-18-acc80s-23-14-38

Poderia dizer que a culpa é sua, que o frio que hoje habita meu peito é resultado do seu total desinteresse pelo meu amor e pelo meu calor. No entanto, prefiro pensar que você me procura, inconscientemente, dentro de si mesmo. Como não vê nada além de vazio e desespero, tenta me encontrar em outros abraços, outro cheiro, outro toque, outra risada… Não encontrará nos outros ― e você sabe muito bem disso ― nada do que fui para nós. Aquela mulher que fui outrora não existe mais; ela morreu ― sim! Morreu e não se assuste com o termo ― depois que me jogaste aqui em baixo, nesse vale seco e incolor que é o abandono.

Se você soubesse como estão amareladas as folhas desse diariozinho… Digo isso porque as folhas do seu tempo eram brancas e transmitiam a paz absoluta e um silêncio contemplativo que fazia o peito retinir com emoção. Hoje, tudo que tenho são folhas amareladas, lembranças mal apagadas e histórias sem final. Lembra-se dos meus poemas? Dos quais muitos dediquei a você? Estão todos aqui e, ironicamente, como nós dois (ou pelo menos como eu) acabados, finalizados, com último verso e um ponto final que encerra um sentimento. Pena que, para mim, o nosso poema não tem ponto final, mas reticências. Mas e os novos poemas? Você deve estar se perguntando. Esses também estão como uma parte de mim: por fazer, como um terreno que aguarda a obra, mas não há engenheiros, serventes, pedreiros, só o lugar vazio, esperando para ser preenchido e, enquanto não ocorre, se deteriora e é tomado pelo mato seco e duro que nasceu regado pelas minhas lágrimas salubres.

O que me entristece não é a saudade, não são as lembranças, nem os momentos juntos. O que acaba comigo é o vazio. Sim, o vazio! Creia ― e digo do fundo do coração ― escrever estas linhas não dói! Compreendeu? Não dói! E é isso que me assunta! Transformou-me num ser oco, opaco e incapaz de produzir qualquer sentimento, entre eles o maior e mais completo, o amor. Que arrancasse tudo de mim, mas não o amor! Sinto como se fosse forte como a morte, mas meu calcanhar de Aquiles é você. É como se a conjugação do verbo amar começasse com “você me ama”… Repito, não dói! Não dói. Lembre-se disso: não dói.

Foram inúmeras as vezes em que me tranquei no quarto e estudei, comigo mesma, que diabos é esse tal de amor. Sei que amo, amo mais que muita gente por aí, mas onde está esse amor agora? Onde está minha capacidade de ver as coisas? Você e seu sorrido desgraçado roubaram meus sentidos. Não enxergo, não ouço e não sinto nada sem você! Devolva-me o prazer das coisas simples, é o que lhe rogo, de joelhos, se preciso for. Que fique com quem quiser, que transe quantas achar necessário, mas traga-me de volta.

Arrepio a espinha só de pensar nas mazelas e moléstias que já lhe desejei. Se não morreu ainda, meu caro, é por pura sorte ou capricho de apaixonado, pois as pragas que lhe roguei… as pragas que lhe roguei… Está vendo? Olha o monstro que você criou! Eu, que nunca desejei mal a uma mosca sequer, desejo seu tumulo, sua cabeça decepada. Já amei outros, é verdade, mas nenhum deles levou de mim o que você levou. Não me fez nenhum mal, confesso, mas sua personalidade, seu jeito de me olhar e suas carícias aos domingos, me deixaram presa a você. Pena que nunca quis me levar para onde quer que você fosse. Sente meu peso em suas costas? Acho que não, mas mesmo assim, queria perguntar.

É madrugada, a chuva cai e eu preciso apenas de um afago seu, no meu pescoço, como só você sabe fazer, para dormir e me embrulhar na chuva. Gosto do som da água tocando o telhado, o chão e as folhas e os trecos do quintal… Era mais bonito quando você fazia prestar atenção nessas coisas e ― Deus, como eu sou boba! ― não entendia nada, mas mesmo assim sorria. Uma experiência pra vida! Por último, saiba que já esqueci e não te amo. Se um dia alguém ler esse diário, saibam que é a ele ― cujo nome não pronuncio mais ― o responsável pela minha apatia sentimental. Peçam-no que devolva meus sentidos.

flavio

Fica um pouco mais

(Você pode ler este texto ouvindo “Se O Amor Tiver Lugar” )

Hoje acordei com uma vontade absurda de te contar umas coisas meio malucas que têm acontecido aqui, no lado de dentro do meu peito. Sabe, é uma coisa daquelas bem malucas mesmo, que fazem a gente pensar que todo o tempo de vida foi um desperdício… até agora. Ou até aquele dia em que eu te vi chegar em minha porta, vestido de um sentimento bom, calçado de alegria, trazendo cuidado em uma das mãos e afago na outra. Mas foi quando você me tirou para dançar, que eu realmente entendi, que essa coisa doida veio e bateu de frente comigo, feito um treminhão, batendo de frente com uma motinha: o estrago foi inevitável, e eu nem sei se “estrago” é o termo certo.

Eu passei dias esbravejando “sai da minha mente! Sai da minha mente! Sai da minha mente!”, mas você já tinha se alojado, e quanto mais eu esbravejava, mais eu encontrava motivos pra te deixar ficar, e tomar lugar no meu peito. E continuo encontrando. E acho que esses motivos vão continuar brotando. Porque assim é a vida: quando a gente cansa de esmurrar pontas de facas, bate o pé, e diz “Chega! Agora é pra nunca mais”, a danada diz “É agora!”, e pra cada soco sofrido na ponta de cada maldita faca, ela resolve trazer uma flor… sempre com o mesmo nome, sempre com uma nova cor, um novo sabor e um novo perfume, pra talvez tentar fazer a gente entender que ela não é tão injusta assim, mas foi a gente que caçou o rumo errado e amarrou o burro em um lugar todo mofado por dentro, sem sustentação o suficiente… Por quê a gente fez assim? Talvez por ter sido inevitável, por ter tido aparência de algo bom, mas sempre porque a gente quis. E por um lado, a gente tem até que agradecer, porque esse passado meio amargo, faz a gente querer o doce, e faz a gente saber que tipo de mistura gera amargor.

captura-de-tela-2016-03-18-acc80s-23-14-38

Mas voltando àquilo que realmente interessa… Vem aqui e me tira pra dançar de novo, porque acho que eu dançaria com você até os meus pés pedirem arrego, mesmo se o mundo inteiro estivesse olhando. Vem aqui, com todas as suas perguntas, que eu quero te perguntar também. Vem aqui, e não vai embora, não, apesar de ser fevereiro. Fica em fevereiro, em março, abril, maio, junho, e em julho me pede pra abrir aquele vinho, porque está frio. Vem cá, porque eu quero te dar asas, e espero que você me dê asas também. Vai ficando, vai desfazendo essas malas… A gente ainda tem tanto pra conversar, que você nem sabe!

Eu não vou mentir pra você, não. A minha mente ainda grita, do nada, uns “sai daqui!”, mas os motivos pra dizer que ela cale a boca, continuam aparecendo, e brotando do chão. E eu sei que tem acontecido com você também, porque eu vi o teu peito parar de pular ofegante quando eu consegui te acalmar no olhar, depois que você ter me feito o mesmo, e de quebra, ter me desarmado sei lá como. Quem é que faz isso? E se você me permitir ir além, eu não posso dizer o quão mais leve e divertida é a caminhada com você, e quão mais alegre é o meu dia, se dele, você participa. Eu preciso dizer o quanto me incomoda quando você fica meio seco, enquanto resolve dar asas para a sua mente, gritando pra eu sair, e te fazendo olhar dos lados. Eu preciso dizer o quanto me incomoda quando é de mim que partem estas coisas meio chatas. E talvez, nem eu precise delas, e nem você também. Eu quero lutar contra o quê ou quem? Contra você, é que não é. E você quer lutar contra o quê ou quem? Porque eu realmente espero, que não queira lutar contra mim. Talvez a vida esteja mostrando que faz mais sentido se a gente lutar junto, lado a lado… Mas a gente precisa abrir os olhos para ver. E mais do que isto: a gente precisa querer abrir os olhos.

Talvez seja isso mesmo que a gente tenha que fazer: parar de ser teimoso, e dar lugar pra essa coisa doida, que tem feito o meu nome ficar na tua cabeça, e o teu, pular de forma constante na minha mente, em luzes de neon. Então vai ficando, que eu vou ficando também. Prometo desfazer as minhas malas também. Eu prometo, se o amor tiver lugar na vida da gente. E se você quer saber, esta, pra mim, parece ser a única saída, já que eu não quero te deixar ir embora, e nem você deixa que eu vá.

Então vem cá… fica um pouquinho mais, e mais um pouco, e talvez, por um descuido, resolva ficar a vida inteira. A gente vai ajeitando a casa, decorando com paixão, compreensão, companheirismo, paz, e, se necessário, perdão. Eu acho que o amor tem lugar pra gente, sim. E você?

debora

Quero que saia

Não que você já tenha entrado por essa porta, mas, antes que entre eu quero que saia. Se não tem coragem de me surpreender e de deixar de lado toda a sua racionalidade, eu peço que saia e faça como um mágico americano qualquer, que desaparecia com a mesma facilidade com que tomava água.

Se prefere pensar que não é o momento certo, então nem insinue que esse momento ainda possa existir. Se tem medo, eu aceito. Mas se tiver mais medo do que eu já tenho, prefiro que se apaixone por quem te de coragem. Se não é capaz de aceitar a mudança, nem me pergunte se pode passar para esse lado. Se não quer abandonar toda a arrogância que já te deixou mais linda um dia, melhor parar.

captura-de-tela-2016-03-18-acc80s-23-14-38

Se tem medo de abandonar o salto alto, trocar a cor do batom, mudar o moletom que usa na faculdade ou o vestido que usa em casamentos, melhor não continuar. Se não quer arriscar sofrer por alguém que está arriscando sofrer por você, é melhor perceber que você não quer entrar por essa porta.

Me dê apenas um sinal. Ele vai ser suficiente para que eu saiba a hora exata para te expulsar do tapete de boas-vindas, que meus pais pediram para usar em frente a minha casa. Não precisa nem me explicar o que eu já sei. E eu sei que tu não quer alguém para amar. Tu não quer alguém pra te fazer feliz eternamente. Tu só precisa de uma pessoa que encha teu copo quando ele estiver quase vazio. E te dê um abraço quando estiver quase chorando.

Se a música que ouve, se a cerveja que bebe, se o seriado que assiste e o filme de comédia que adora não são também a minha preferência, não me importa. Eu também não sou a escolha que eu faria, mesmo assim quero que você a faça. Porém, se ainda estiver em dúvida se deve fazer, eu só quero que saia. Prefiro que vá embora antes que eu esteja disposto a te dar a minha vida para ver você ficar aqui.

WhatsApp-Image-20160619

O amor virou um jogo?

Leia ouvindo: Arctic Monkeys – Snap Out Of It (https://www.youtube.com/watch?v=H8tLS_NOWLs)

Estou aqui para te alertar que as grandes indústrias das pessoas imaturas acabam de lançar mais um joguinho, onde o prêmio é você.

E você que pretende ser ou já é um jogador, vem cá, quero te contar uma coisa que esse jogo não ensina.

Sabe aquela pessoa incrível que você silenciou as conversas do WhatsApp e faz -com um imenso prazer-  questão de responde-la apenas horas ou dias depois, sabe? Aquela pessoa que se esforça por você, mesmo tendo uma maturidade infinitamente maior a sua? Pois bem… ela não vai te esperar para sempre e desistirá da sua indecisão… e de você.

captura-de-tela-2016-03-18-acc80s-23-14-38

Sinceramente não consigo entender a lógica desse jogo. Para começar, se fosse de fato –ou houvesse a intenção de- um relacionamento saudável, ninguém estaria fazendo esse tipo de chantagem barata e jogo sujo.

É interessante vocês, que fazem joguinhos, saberem que demonstrar desinteresse não é interessante.  É natural que a gente se interesse pelo que não é fácil, isso já vem daquela ideia enraizada em nossas mentes de que “o que vem fácil, vai fácil” e isso também é válido no mundo da conquista. Mas acredito que isso só é válido de fato quando é verdadeiro e acontece de forma natural. Quando o charme aliado ao flerte não é forçado e faz despertar o gostar, não a repulsa.

Por que dificultamos tanto o amor? O que é para ser leve vira uma disputa de ego onde ninguém quer perder. Disputa qual ganha mais quem demonstra menos.

Falando em ganhar, esses jogadores ficam viciados na conquista e fazem de tudo –o que ao meu ver, é fazer de menos- até conquistar o objeto de desejo. Não demora muito e o tempo passa. E o interesse some. Até o Super Mário World perde a graça depois de alguns dias de jogo.

Se não caiu a ficha, serei mais claro: deixa de ser covarde e pare com a besteira de se fazer de ausente para quem está disponível para você em qualquer hora do dia.

Não seja um jardineiro que sai por aí espalhando sementes de um sentimento que você não pode cultivar. Um sentimento que antes de enraizar morre, por falta de um adubo chamado sinceridade.

felipe

Um áudio de boa noite

Boa noite. Estou gravando este áudio só para dizer que sei que você ainda está acordada. Embora não saiba em que está pensando, acredito que sinta o mesmo que eu.

Desculpe minha voz de sono, pois mesmo sem dormir, me pego sonhando acordado com possíveis memórias que terei depois das experiências incríveis que teremos juntos.

Quero que saiba que você não está sozinha. Quando falo que estou contigo é real. De fictício, apenas essa solidão que insiste em permanecer em noites assim.

Daqui, consigo sentir um mar de carinho fluindo dentro do meu coração. Consigo sentir o teu abraço. Fecho os olhos e sinto a ponta dos teus dedos me fazendo o melhor cafuné que já recebi na vida.

Talvez, tudo isso seja apenas o sono intenso me fazendo sentir as coisas intensas que gostaria de sentir com você. Ou talvez seja incentivo sonoro, já que acabei de ouvir aquela música que decidimos chamar de “nossa” e acendi -ainda mais forte- a tua imagem dentro da minha cabeça.

Sua imagem, aqui dentro, me traz sonhos reais. Aliás, sempre sonho com você… Todo santo dia! E os sonhos sempre acabam em grandes momentos. Talvez seja para dar uma prévia dos momentos que virão e serão incríveis. Tais momentos que ficam entre uma linha tênue entre entre o sonhar e o acordar para realizar.

captura-de-tela-2016-03-18-acc80s-23-14-38

Estou longe, eu sei. Mas, de onde estou, é o que posso fazer. Daqui, a minha mão segura a sua. Cuido do teu coração para poder vê-lo com os sentimentos melhores que os atuais. Gravo áudios imensos na tentativa de te dar a sensação de uma entrega real, para mostrar que tudo isso que temos, é real. Para mostrar que não há dúvidas de como estou entregue a você. Eles também servem para te abraçar, mesmo estando longe.

Minha cabeça repousa em um travesseiro que prefiro mil vezes abraçar forte, imaginando ser você. Ensaiando para o que pode, talvez, demorar para acontecer.

Fecho os olhos e te imagino assim, magnífica, linda, sorridente e traçando os planos para um -maravilhoso- futuro próximo. Sei que estou nos planos. Sei que estou nos sonhos. Sei que estamos juntos.

Você não está sozinha. Eu estou com você.

Pode dormir sossegada.

Boa noite.

felipe

O ano novo chegou e me trouxe um novo amor

Leia ouvindo: Empire – Of Monsters And Men (https://youtu.be/H2lzxGcbz-g)

Já era a última semana de 2016, um ano pesado e recheado de experiências. Essas experiências me tornaram um especialista em colecionar coisas inacabadas e perder o interesse por pessoas que, por mais que eu tentasse me interessar, não eram interessantes. Por inúmeras vezes pensei ter encontrado a sorte de um amor tranquilo, como Cazuza cantou, mas o sabor da fruta mordida logo virava um amargo na boca e ia direto para a lata de lixo do esquecimento. Não foi o meu ano, pelo menos no amor.

Resolvi deixar pra lá. Parei de procurar por alguém com quem eu pudesse dormir e decidi esperar a pessoa que de fato me faria despertar desse sonho maluco.

Era dia vinte e oito de dezembro e, quando eu esperava apenas pela chegada do ano novo, ela chegou. Não se vestia com cores que prometiam fazer milagres em sua vida. Ela ia na contramão do clichê. Tinha um sorriso lindo como um arco-íris mas vestia cinza, pois sabia que a única responsável por sua felicidade seria ela própria. E foi dentro daqueles olhos puxados que consegui enxergar o seu mundo, onde só entravam convidados. E ela me convidou.

Lá, não precisei voar alto para enxergar o quão grandioso e incrível era tudo aquilo pois, seu mundo era transparente, mas seus sonhos e planos eram nítidos e admiráveis como uma Ametista. E foi ali, com os pés no chão, que ela me mostrava toda sua calmaria e imensidão.

captura-de-tela-2016-03-18-acc80s-23-14-38

E não pense que ela me pediu para ficar, decidi -e faria de tudo para- ficar. Sou teimoso, ela também. Parece que nos demos bem. Parece que o tempo anda devagar quando estamos juntos. Era apenas o terceiro dia, mas pareciam três anos.

Parece que estamos juntos. Somos muito parecidos. Nos parecemos no modo de pensar, de ver o mundo e as pessoas. Em sermos muito felizes com muito pouco. Somos realmente parecidos. Admirei sua clareza e a repulsa aos joguinhos e padrões baratos de gente chata. Vi que ela também preferia alguém com sonhos de vida ao invés de alguém que limitasse os sonhos apenas aos finais de semana.

E os espelhos espalhados por aquele mundo refletiam a imagem dela em todas as ocasiões que eu apenas queria me enxergar. Ela se parecia comigo em uma infinidade de detalhes que só eu conseguia notar. E nos parecemos em centenas de pontos que, quando estão juntos, se parecem um livro em braile, onde só nós dois sabemos ler.

Parece que somos incríveis. Parece que serei feliz.

felipe