Sei lá, uma puta…

“Se eu sou uma puta?  Bom, depende. Talvez eu seja. Talvez seja aquela filha da puta, que te enlouquece e sempre sai pelo telhado a fora, ou uma puta garota linda, que te desequilibra ao sorrir. Bom, eu também posso ser uma puta realmente puta. Sim, com curvas delirantes, alegria indecente e olhar atraente.  Quem sabe uma puta vadia também, que até envergonha as demais vadias por ai. Sei lá, uma puta sim. Uma puta menina, uma puta mulher que não te sai da cabeça por onde vá. E todas as vezes que você abrir a boca para dizer; “Que puta”, lembra que é exatamente aquela que você sonha em ter.  Enfim, a filha da puta, a puta menina linda, mas não menos mulher. Aliás, uma puta mulher”

Ah moço, ela tem consigo, que de todos os amores: o próprio sempre. Capaz de brigar, lutar, e para suas próprias vontades todos os dias se entregar. Isso, porque ela conhece bem a arte de amar. Ela sabe, que no século da putaria o amor no fundo é espécie de cafetão: mestre em explorar o coração”.

Esse foi o discurso de Helena. Sua mãe queria lhe quebrar os dentes. Estava envergonhada com o comportamento da filha no discurso de final de ano. Para ela, bastava a filha subir no palco, pegar seu diploma sorrir para foto e ir embora. Era só isso que ela esperava de Helena.

Quando a menina veio descendo do palco, ela fitou sobre ela os seus olhos e ali mesmo, parecia ter a enforcado com o olhar. Mas Helena desceu radiante e mesmo diante da face nervosa da mãe, ela sorria com os olhos. Sua face era radiante. Ela se sentia incrível. Quando se aproximou da mãe, foi que de fato veio o susto: -Você ficou louca? O que foi aquilo?

-Mãe, você sabe o que estavam dizendo a meu respeito? Eles me chamaram de puta, durante seis meses.

-E o que você fez? Certamente deve ter se comportado como uma.

-Eu dancei, eu beijei. Eu fui menina, aliás, eu fui um ser humano mãe!

-E você acha certo? Acha que está certa em sair por ai, beijando, dançando e rebolando como se o mundo fosse acabar amanhã?  Se o mundo fosse acabar amanhã, o que você diria para Deus Helena?  Que comportamento, francamente!

-Eu diria mãe, que eu posso ser qualquer uma dessas putas que eu citei e que Ele sempre soube. Afinal, não foi Ele quem escolheu nos salvar? Então Ele sempre soube.

-Eu não quero filha minha, feito puta por ai. O que você vai fazer depois disso? Todos estão olhando pra você.

-O que eu mais eu poderia fazer? Aproveitar todos esses olhares e flashs mamãe. Sabe porquê?

-Por que? Está querendo virar estrela? Tá querendo aparecer?

-Não. Isso eu já sou. Lua são eles mamãe, que precisam de alguém como eu, para enxergarem algo a mais. Eu vou aproveitar, porque quando o amanhã chegar, eu terei mais do que histórias para contar.

A mãe ainda estava indignada com a filha, mas quando ela saiu de cabeça erguida e olhando à todos bem no fundo dos olhos, ela se orgulhou. O coração acelerou e se lembro que foi menina, foi anjo, foi um doce. Conseguiu ser uma menina exemplar e externar aquilo que queriam que fosse, menos a puta mulher que sempre bradou dentro de si. Desde então, passou a reconhecer, que ser mulher as vezes é ser demônio sem deixar de ser anjo. É doar e querer sim, também receber. É saber seu próprio valor, saber se impor. Foi ali, que Marcia entendeu, que será  sempre  menina, por onde for.

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Não queira fórmulas

Volta e meia me deparo com algum texto que jura solenemente que vai trazer o amor de volta em x dias ou que vai me dar a fórmula secreta para superar algo sem sofrer e ainda apresenta o caminho da felicidade que – acredite – tem apenas 7 passos – e você aí se descabelando atoa, haha.

Por curiosidade, cheguei a ler alguns, até tentei seguir aqueles passos alguns anos atrás, quando estava mais perdida que as botas de Judas, hoje passo os títulos pela timeline sem nem pensar.

Hoje, percebo, junto com a geração do desapego, tem a geração que não sabe o que fazer porque não é desapegado, a geração que não sabe o que fazer com os sentimentos e que adoece, é a geração que recorre a esses textos e a essas fórmulas, que estampa fotos maravilhosas no Instagram, mas chora no escurinho do quarto.

A verdade é que todos nós estamos nisso juntos, quem entrou para o jogo, já entrou perdendo porque a vida não é para ser jogada. A vida pede sentimento e não essas fórmulas de como sermos apáticos a tudo.

A geração que mais consome remédio tarja preta é a geração que ainda não aprendeu que não há fórmulas para vencer na vida sem acumular alguns calos e cicatrizes pela estrada, que, no final, o que vai valer e contar realmente são os momentos em que você seguiu o seu coração ao invés de contar os minutos para responder mensagem, que você perdeu toda vez que ignorou alguém que gostava para se mostrar como alguém difícil que merece um investimento pesado na conquista.

Afinal, o que seria vencer? Tenho certeza que todos terão diferentes respostas, então por que é que vocês acham que existe uma fórmula única para chegar lá?

Sei que vai doer às vezes, assim como sei que você ainda vai rir de tudo isso depois. As respostas para suas perguntas é você mesma quem carrega, elas estão no meio do caminho que só você pode percorrer. Não queira fórmulas, apenas viva.

Indisponível

Sempre fui o tipo de pessoa que achava que o amor podia estar em qualquer esquina, sempre fui o tipo que acreditava que a paixão era algo natural e que simplesmente acontecia, não era uma coisa a qual devêssemos procurar, também acreditei que era possível ter mais de um amor na vida, que tudo era uma combinação de sentimento, escolha e destino. Hoje as experiências me fazem acreditar ainda mais nisso.

Foi com 14 anos que eu senti meu coração vibrar pela primeira vez. Era um amigo bem próximo, do tipo que eu contava tudo e com ele ri muitas vezes. Ele era mais velho, já tinha repetido a série 2x e eu era a CDF da turma, era a amizade do bagunceiro com a menina certinha, mas em algum momento eu confundi as coisas e precisei me afastar.

Na segunda vez, eu havia acabado de passar por um momento difícil e estava me superando, mais uma vez foi um amigo com quem tive o prazer de cruzar e ele me ajudou a me enxergar melhor, com um olhar menos exigente. Lembro dele acariciar meu rosto e dizer o quanto era bonita, foi difícil não começar a sentir o coração parar cada vez que ele repetia o gesto e foi assim que ele acabou na porta de casa, depois de me dar uma carona, e me fez perceber que havia ali algo mais que apenas amizade.

Na terceira vez, eu estava em outra cidade, já havia me adaptado a mudança e aproveitava cada oportunidade que aquele lugar podia me reservar. Foi em uma das aventuras as quais me joguei que ele apareceu e foi o único que não era amigo. Na verdade, nós nos conhecemos e a conexão foi imediata, a medida que cresceu o amor, cresceu junto a amizade, confiança e cumplicidade.

Foram quase 10 anos de aprendizado no que parece ser um campo minado. No meio dessa caminhada, em alguns momentos cheguei a me entregar a braços mais estranhos.

O sabor era diferente e não me alimentava, o abraço era inseguro, a risada era momentânea. Tudo me soava um tanto falso. Assim que a sobriedade me vinha, tudo aquilo perdia o valor. Foi assim que acumulei momentos, histórias e hiatos.

De experiência por experiência, a gente sempre aprende. Não posso reclamar, foi assim que fiz muitas amizades também. Fiquei amiga do amigo do amigo… Brindei por todo e qualquer motivo e ri das incertezas, dos problemas e dos desencontros.

De amores sóbrios e paixões rasas, experimentei tudo aquilo com total entrega, segui sempre o que sentia e nunca disse um “não” querendo dizer “sim”. Hoje percebo que não perdi nada, que não me arrependi de qualquer coisa que tenha feito, mas hoje também percebi que quero deixar tudo isso para trás.

Indisponível. O coração pediu agora um pouco mais de si e muito menos de qualquer outro. Amanhã eu posso até esbarrar com o amor, posso até sentir o coração vibrar de novo, posso querer compartilhar um momento, o caminho ou apenas algumas carícias, mas hoje não, hoje tudo isso vai ter que esperar.

Hoje eu entendi a premissa de que a solidão pode ser uma escolha, que estar só ainda pode ser sinônimo de estar muito bem acompanhado porque a nossa própria companhia ainda é a melhor naquele momento.

Ele me amava e por isso me deixou

Demorei a entender. Demorei a compreender que existem várias formas de amor e que ele me amava, mas de outro jeito. Me amava, mas não da forma que eu esperava e merecia. E sabendo disso, ele partiu.

Queria gastar algumas linhas lhes contando sobre como foi mágico conhecê-lo, sobre como eu acabei conseguindo a vaga no estágio que ele daria instrução apenas um dia antes do evento. Foi isso que bastou para eu vê-lo se apresentar na minha frente, foi o que bastou para eu cruzar com seu caminho algumas vezes e reconhecer ele embaraçosamente, foi o que bastou para eu acabar em um encontro, um mês depois, onde nós dois parecíamos nos conhecer bem demais em apenas uma noite com alguns sorrisos e palavras trocadas.

Ainda me lembro dele me falar dos desencontros, naquela altura eu não acreditava mais que isso pudesse acontecer porque o destino tinha feito a gente se encontrar e só por isso o mundo já me fazia mais sentido.

Saí dali implorando para meu coração não se apaixonar. Tarde demais. Ele já pulsava mais forte só de ouvir o nome dele e eu demorei a entender e confessar a mim mesma isso.

Tudo o que aconteceu depois foi novo. Era uma brincadeira de gato e rato que explorava a cozinha, o banheiro e até mesmo o quarto de estranhos. Era a desafiadora tarefa de conter os impulsos em situações formais quando nossos corpos só queriam estar juntos. Era olhar para meu pai ao lado e para ele na minha frente e corar com o que me passava a cabeça, louca para que pudéssemos sair. Era chegar no carro e dividir a vontade de ir para cama, sem qualquer cerimônia, e tropeçar no desejo pelo corredor, para acabar arfando e sorrindo um para outro entre confidências.

Foi no meio disso que percebi que me amava, se preocupava e me protegia. Quanto mais difíceis as despedidas, maiores as promessas. Eu transbordava a saudade a cada volta tua, mas nossas fases, tão diferentes, nos separaram inevitavelmente.

Ele nunca pediu para eu escolher entre ele e o que eu merecia. Ele me amava demais para isso. Partiu deixando meu caminho livre para tudo o que eu sonhava. Partiu e me deixou partida também, mas partiu sabendo que eu podia ser inteira para alguém que pudesse ficar. Partiu para seguir o próprio caminho e para me ensinar a seguir o meu. Partiu levando um pouco de mim e deixando em mim um pouco de nós.

Saint-Exupéry talvez entenda melhor sobre a rosa que ficou e o soldado que partiu, talvez ele saiba sobre a redoma, as largatas e o planeta B612. Eu só entendo que ele me amou e partiu. Eu só sei sobre ter ficado e de agora estar inteira para entender que o amor nem sempre é suficiente para que alguém fique.

Sobre os quase amores

Conheço muitas dessas histórias dos “quase amores”. São histórias sobre pessoas que amaram muito alguém, mas depois disso teve um mas, um porém, um porquê de não ter dado certo, de ter acabado antes mesmo de começar. Sabe, ninguém vive de quases, o “quase” é uma forma tímida de dizer que não aconteceu.

Conheço histórias dos “quases” porque são histórias que marcam, são histórias que mostram que alguém tentou muito, se doou e de nada adiantou porque do outro lado o esforço não era o mesmo, seja pelo motivo que for.

É aquela velha história da falta de reciprocidade. Ele gostava de mim, mas… Ela queria me ver, mas… Ele queria corresponder, mas… Eu sei que era verdadeiro porque…mas, porém, de alguma forma, não aconteceu.

Esse é o final das histórias dos “quase amores”. Elas não acontecem e a gente suspira indignada achando que chegou muito perto de acontecer, de viver aquele que acreditamos ser o maior amor de todos quando, na verdade, não conseguimos dar se quer o primeiro passo.

Sabe o que vem depois? Depois da história do quase, vem a história que muda a vida da pessoa para o que é real, para o que aconteceu, se encaixou, se esforçou e puf! Lá estava ela sorridente ao lado de quem fez acontecer, lá estava ele acompanhado de quem não mediu o sentimento e o fez feliz.

Essas são as histórias que valem a pena escutar e se fazer suspirar. A história que nunca é perfeita, mas que mostra que os dois se esforçaram para que ela acontecesse. É a história do que fez bem, de desejos que se concretizaram ao invés de ficarem no “se”. São histórias que podem até chegar ao final, mas que foram vividas pelos dois.

Estamos tão acostumados com fantasias, filmes de Hollywood e “Era uma vez…”, cheios de reviravoltas, que aprendemos a dar mais valor aos “quases” fantasiados porque eles nos parecem perfeitos. São histórias criadas na nossa imaginação que ocupam os espaços vazios do outro que fica atrás do “mas” enquanto esperamos o jogo virar também, mas o jogo não vira.

São as histórias reais que nos preenchem e valem a pena, é sobre quem esteve com a gente que devemos contar.

Carta aberta aos babacas de plantão

Já falei sobre isso em outro momento, mas acho válido repetir. Mulher não é objeto e merece respeito! Ela não é teu pedaço de carne e não pisa, porque seu salto 15 tá sempre afiado pra pisar de volta.  Como funciona? Vou te explicar! Para você e todos os babacas de plantão, coração de mulher não é pano de chão, desses que tu usa pra limpar a sujeira no final da noite.

E sim, te cuida! Porque se tem um ditado que é verdadeiro é aquele que diz, que peixe morre pela boca. Sem meia conversa, a lei do retorno aqui é levada a sério. Não tem essa de que mulher tem que saber seu lugar. Que lugar? Dá licença, porque de fato, diz que lugar de mulher é na cozinha, quem não sabe o que fazer com uma no quarto.

E aqui, não é tua pose de machão, galã da madrugada que vai mudar o papel que ela quer assumir. Menina, moça, gata ou onça, de muitas cores e sabores, mas sempre mulher!

E verdade seja dita, quem observa o plantão dos babacas sabe muito bem, que é sempre aquela história do que melhor lhe convém né?! Só que mais uma vez eu vou te alertar, quem apanha aprende a bater. E realmente, quem brinca demais acaba um dia virando o brinquedo.

Se tu não é capaz de se entregar, e não é homem pra em uma paixão se aventurar, não seja babaca ok?! Mulher não espera nada demais, mas apenas ser tratada como mulher. Eu sei que vai entrar naquela velha discussão, mas ela se posiciona como mulher? Meu amor, ela não precisa dos seus rótulos, das suas pré-condições para ser mulher. De roupa curta, na noite, ou em qualquer lugar, fazendo e acontecendo ela não deixa de ser mulher.

Para, porque ela não se torna um pedaço de carne porque está com as pernas de fora. Para, porque ela não se torna tua, só porque te beijou. Para, porque ela não se torna menos mulher, porque não está no seu padrão ou respondendo a sua condição.

Mas vamos lá, tu gosta de pagar de cachorrão né?! Olha só, o mundo girou e adivinha quem de trouxa pagou? Uh, tenho uma novidade, mulher não é objeto! Veja bem, mulher, e não otária pra cair na conversa de trouxa.

Na realidade tu brincou enquanto ela por ti chorou, tu tocou terror noite a fora. Mas verdade seja dita, hoje ela sabe quem é, e adivinha só? Quem foi pisada hoje tá pisando! Vamos lá, no bonde dos babacas de plantão, todo mundo sabe que no fundo tu queria ela de volta. Mas acontece que o homem que você não foi, outro se dispôs a ser. Já sei o que tá pensando, porque ela tá sozinha então né?!  Pelo mesmo motivo que um dia tentou contigo, ela só quer ser feliz. Só que a diferença, é que hoje descobriu que seu coração é sua própria diretriz. E pasme-se, ali tu não entra mais! A verdade é só uma, mulher quando aprende se amar vagabundo tem que ralar!

Tenho vivido de saudades

Eu tenho vivido do passado. Dias e noites lembrando do que fomos. Eu tenho vivido de cruzar com seu perfume no ônibus e de desejar que fosse você ali. Tenho vivido da sua falta, de gostar de você muito mais do que eu deveria.

Eu tenho vivido de fechar os olhos e de lhe encontrar fuçando o meu pescoço, de sentir tuas mãos em meu corpo e sua boca me tirando o ar e o fôlego. Tenho vivido de abrir os olhos e sentir as lágrimas escorrerem, de ainda ouvir o eco da sua voz, agora tão distante.

Tenho vivido de saudades de ti e da vontade de te encontrar. Não espero que entenda quando você parece não sentir o mesmo, mas espero que acredite que tudo o que eu queria era mais de nós e menos dessa falta de você.

Tudo o que eu pedi era demais para ti, ninguém é obrigado a satisfazer o desejo do outro, e é por isso que eu tive que seguir em frente.

Foi difícil dar o último abraço e me despedir de você naquele aeroporto, foi difícil não conseguir enxergar nenhuma outra saída que pudesse lhe trazer de volta, nenhuma alternativa que não a de lhe deixar ir e torcer para que o mesmo destino que nos apresentou possa fazer a gente um dia se reencontrar.

A vontade aqui dentro ainda é de matar as saudades nos teus braços, de ter um tempo melhor para que essa história seja mais sobre nós e menos sobre como eu e você nos desencontramos. Tenho vivido da saudades do que foi bom e de ser grata só por isso ter acontecido.