Recomecei e desta vez foi do jeito certo

Por certo tempo me abriguei na solidão que acabou sendo a única companhia dentro da escuridão em fiquei sem teu brilho. Dias e noites perderam qualquer sentido que poderiam ter para mim. Planos e projetos do futuro simplesmente desabaram como se houvessem roubado uma das cartas de base que construía um castelo frágil de um baralho comum. Continuar lendo “Recomecei e desta vez foi do jeito certo”

Geminiana

Ela transita de uma personalidade a outra, como quem dança as músicas de uma playlist aleatória. Numa fração de segundos muda, mas nunca perde a essência que tem, sabe bem diferenciar as confusões do mundo que vive daquilo que existe dentro de si mesma e não se dispõe a fazer nada com a intenção de ser aceita. Ela que já é inteira demais para ser a metade de alguém, jamais deixaria de ser exagerada para caber nos pequenos padrões de ninguém. Se o jeito dela te assusta, meu amigo, pode pegar suas coisas e ir embora sozinho, porque ela não é obrigada a mudar por nada e não vai fazer isso só pra agradar e caber no seu mundinho.

Faz coisas do tipo “larga ali e sai correndo”, só pra ver a reação que vai causar.  Não tem culpa de ser uma alma livre, ter o jeito de menina e,mesmo que os anos passem, ela não consegue perder essa mania de ser ela mesma. Sabe que não dá pra simpatizar com todos, mas também sabe que os poucos que ficarem ao seu lado serão os melhores e mais importantes ali. Nem sempre ela quer demonstrar o que sente mas não é difícil de entender com a transparência que tem no seu olhar. Pode até ser que ela deixe claro algumas vezes, mas gosta mesmo é de quando entendem as suas entrelinhas dentro das controvérsias que ela diz, sem saber bem ao certo como se expressar.

Geminiana daquelas que nunca tomam uma decisão definitiva e sempre está aberta a conhecer um pouco mais sobre as pessoas e a vida. É  livre como pássaros que fogem da gaiola, forte como as âncoras dos barcos que à levam para onde ela quiser ir e radiante como a luz que emana a quem um dia lhe fez sorrir. Andou um tempo meio perdida mas dia desses reencontrou a direção, depois de tantas noites em claro sem dormir, descobriu a beleza que havia na sua solidão. Desenhou, nas paredes do seu corpo, um quadro para lembrar a importância de parar e pensar antes de agir, mesmo sendo tão difícil se conter com a intensidade do seu mar de emoções.

 Agora que ela entende o contexto de tudo aquilo que algum dia leu nos textos e livros, do conteúdo que tem estudado sobre como viver. Sabe o valor que existe em ser quem ela é, aceitar o que tem, amar tudo a sua volta e se permitir, mas não se engane em pensar que ela vai aceita qualquer coisa que não é bem por aí: as suas exigências são maiores a medida em que ela se ama mais a cada dia e lembra de jamais voltar a se iludir.

Eu não sou obrigada a nada!

Todo fim de ano é a mesma ladainha, reúne a família toda e começam os comentários alheios (os quais, eu, não tenho paciência para ouvir).
 Ainda não decidiu a faculdade? E quando vai arrumar um namorado? Eu acho que você deveria seguir os conselhos de quem já tem experiência… BLÁ BLÁ BLÁ
 FRANCAMENTE! Se eu quisesse algum conselho pagaria uma terapeuta. Agora vem me dizer pra te ouvir? Logo você? Por que não trabalha com o que te faz feliz? Por que estás em um relacionamento aprisionada pela falta de compreensão? Por que não olha para sí mesma e enxerga tua vida? Tens uma para cuidar sabia?
 Desde pequena (não que eu seja muito grande) dizem que sou arrogante, que sou teimosa, fazem questão de me lembrar os “defeitos” que enxergam claramente em mim, mas tudo ok, como se vocês fossem perfeitos, não é mesmo?
  Eu não preciso aceitar tudo o que falam, não sou obrigada a concordar com alguém que não vê meus sonhos como EU os vejo, somente EU posso realiza-los da melhor forma. Não me diga o que fazer. Ou melhor, pode até dizer, mas não espere que eu faça da sua forma, sou criativa demais para copiar alguém, e aprendi desde cedo que cada um tem seu caminho à trilhar, estou trilhando o meu, não vem dar palpite sem ser solicitado, obrigada, de nada. E a propósito, estou bem feliz solteira! Sabe não ter alguém me cobrando é uma liberdade sem comparação, posso ir e vir a hora que bem entendo, não preciso me preocupar com o que estarão pensando de mim, eu sei me respeitar, não quero alguém que duvide do meu caráter. E sei lá, mas as pessoas andam tão inseguras que precisam fazer uns “joguinhos” de desinteresse, que convenhamos, não cai nada bem. Eu tô fora! Tenho mais com o que me preocupar do que saber se estou sendo correspondida ou não. Se não enxergo claramente isso, tchau bb.  Ando assim sem muita paciência para envolvimentos.
 É minha personalidade não é nada fácil, mas te garanto que posso ser um amorzinho, se você merecer. Também não estou pedindo para ser aceita, ou compreendida, nem perca seu tempo me analisando dessa forma. Eu quero é te fazer entender que aqui dentro tem um coração intenso demais para viver coisas tão vazias de sentimentos, eu quero sempre mais da vida e nada nem ninguém cortará as asas que dei ao meu coração, livre dos filtros que o mundo criou. Eu não aceito rótulos e não sou obrigada a nada!
 

Já sou um copo cheio e só quero alguém se for para me transbordar

Gosto mesmo é daquelas pessoas que sabem dosar, entendem que a medida precisa ser ideal para não ser demais, nem de menos e sim perfeita para complementar quem também se acha cheio de sí.

Quando aprendemos a ser interio, encontrar a metade já não nos basta mais. Reconhecer que temos tudo do que precisamos para ser feliz é um grande passo no que diz respeito à ter amor próprio, ele que é visto como vilão por ai. Algumas pessoas dizem que nos tornamos “arrogantes”, que o individualismo cresce.
Realmente, quando nos colocamos como prioridade passamos a ser mais exigentes, queremos o que é bom, que nos alegra, “porque nada daquilo que tira a nossa paz vale a pena correr atrás”.

E fala sério mas quem é que gosta de ter alguém no pé o tempo todo?  Ok, tem quem goste. (Vulgo, chama os piscianos aí).

Lembre disso na próxima vez que pensar em mandar mensagem pra quem te ignora, de ligar para quem te desprezou, de procurar quem escolheu se afastar.
Quem gosta mesmo se importa, valoriza, demonstra na medida pra não te assustar, não deixa um vácuo, dúvidas nem te fere de forma alguma. E se nã for pra somar que nem venha.

Veja bem o conselho que vou te dar;
Fique solteira até que tenha encontrado alguém por quem (realmente) valha apena abrir mão da sua liberdade para dar a mão a ela. Que seja alguém que voe com você e não que te corte as asas. Que te inspire, te anime e deixe aquela saudadezinha boa pra matar na próxima vez que se encontrarem. Mas que nunca deixe um vazio quando vai.

Enquanto tu não encontra, tudo bem. Não procure. Aproveite para sair com os amigos, para curtir algumas festas. Abrace conversas despretensiosas na madrugada, se divirta muito sendo quem você é, alguém, um dia, vai gosta de ti, assim, sem precisar mudar nada para agradar. Cá entre nós, o lado bom de saber ser um copo cheio é que qualquer hora a vida nos surpreende, alguém chega e transborda a gente.

Fui ser feliz e não volto

Parece clichê, mas é a mais pura verdade.

Eu parei de me lamentar sobre as coisas que deram errado, parei de me frustrar quando não saem conforme planejei, aliás, aprendi a não querer ter controle o tempo todo. Encontrei a harmonia quando parei de tentar me equilibrar, aprendi a agir pela natureza que flui sem me acorrentar as limitações que eu mesma criei.

Quando algo é pra ser, não tem como planejar nem prever os detalhes, precisa ser um imprevisto para nos surpreender. Descobri isso ao deixar de olhar para trás, de me preocupar tanto com o futuro e quando, finalmente, me encontrei vivendo o agora. É, não foi fácil, mas tive algumas colheres de chá, parece que a vida gosta mesmo de surpreender os desavisados. Foi quando trouxe ele, assim de uma forma tão inusitada e ao mesmo tempo duvidosa. Mais uma das aprovações da vida. Mas dessa vez eu decidi me entregar, não era para ele, é claro, mas para o sentimento que me aflorava cada vez que as conversas me inspiravam a transbordar.

Logo o toque, a compreensão e todo aquele carinho tomou conta, me deixei cativar. Foi bom saber que tudo aquilo não havia pretensões, me deixou confortável e até me fez sentir algo que, há certo tempo, já não sentia mais. Livre de cobranças, de aflições, de desconfiança ou qualquer outro sentimento negativo, era um intenso sentimento de paz que tomava conta ali. Não sei quanto à ele, mas para mim aquele momento valia mais que muitos beijos sem sentimentos ou toques sem arrepios. Alguma coisa me fez acreditar de novo que ainda existem pessoas capazes se tocarem apenas com o jeito de olhar.

E algo como se sentir viva, não sei bem como definir, uma sentimento de tranquilidade tomou conta e eu não tentei resistir à ele.  Lembrei da beleza que existe em deixar ser, se entregar para o momento. Saber que não precisa pertencer para fazer bem, que para ser feliz não é preciso se acorrentar. Lembrei também que aceitar a liberdade do outro faz ele ser quem é de verdade, só assim é possível saber quem nos faz bem naturalmente e quem tenta forçar uma afinidade.

E eu, bem, estou preferindo tudo isso que me causa uma sensação boa, que me permite ser quem eu sou e que aceita os meus defeitos sem me julgar, entendi que a felicidade é questão de ser e não de pertencer à algo ou alguém, que é possível receber o mesmo carinho que se dá sem se tornar refém dele. A reciprocidade resolveu bater na minha porta e eu… fui ser feliz e não volto. 

 

Assuma o controle da sua vida

Ei moça, porque tens andado tão abatida, cabisbaixa, onde habita aquela luz que tu costumava emanar?

Seu coração foi partido não é mesmo, mas vem cá, vou te contar uma coisa;

– Ele sempre se recupera, não se preocupe tanto, vai passar.

Eu sei que não foi fácil ver aquilo tudo acontecer diante teus olhos, que tu engoliu a seco e nem o drink mais forte te fez esquecer. Mas tá tudo bem, aquele rapaz não sabe o que faz. Não se culpe, não o culpe também, apenas deixe-o ser quem ele é se não houver mais como admira-lo dessa forma, você saberá que não há mais motivos para permanecer ali perto. Te livra de tudo o que não te faz bem que a vida é boa demais para se fechar e se esconder assim. 

Seca as lágrimas, limpa o rímel borrado e vai se permitir. Te reencontra, te descobre, te reinventa e volta a se amar. Não é porque alguém não soube te valorizar que você precisa descartar a hipótese de haver alguém que mereça te ter. Mas vai por mim, ficar aí quieta e abatida não vai te levar a lugar algum, a gente precisa reagir. Tu sabe bem de onde veio, pode não saber ainda para onde vai mas tenha certeza de que não quer voltar atrás, apenas siga em frente sem olhar para aquilo que ficou, isso já não te pertence mais. Já deu de revirar esse baú velho, hoje essas lembranças não passam de uma mera ilusão, sabe bem que a unica realidade é o que tu vives agora.

Então pega esse presente divino que a vida te deu e usa ele para recomeçar. Corte o cabelo, faça uma viagem, encontre os bons amigos, saia, vá vê pessoas, procurar e encontrar novas inspirações. Lembre-se de quem você era antes disso tudo te atingir, te reconecta com isso. Você é a unica que pode se fazer feliz agora. Lembra que é só uma fase ruim e quando tudo isso passar você se sentirá mais forte por saber que enfrentou tudo e que sobreviveu a toda essa dor. Ela não é permanente, pode ser necessária pois te leva a se conhecer melhor, te faz ver que sempre dá pra ir além do teu limite, suportar um pouco mais até que a dor passe e isso deixe de te ferir. Não é que você se torna fria, mas quem conhece a sua força não teme nem exita em tomar decisões drásticas. Aquele que conhece os seus limites aprende a por limites nas atitudes dos outros e passa a aceitar apenas aquilo que merece ter. Quem conhece a si próprio, ama e aceita suas condições, compreende seus limites e descobre o que é ou não aceitável, passa a exigir receber o mesmo amor e carinho que pode dar e não aceita menos do que merece ter.

As coisas possuem o peso que você dá a elas

Não basta apenas dizer que não se importa, que já superou ou então como gostam de dizer por aí.. “segue o baile”. Você precisa ter se livrado de toda a carga extra, tudo aquilo que já não tem necessidade de fazer parte dessa nova fase.

É hora de abrir as gavetas pegar aquelas lembranças que estão guardadas e se livrar de todas aquelas que já não se alinham ao seu propósito, é hora de fechar algumas portas, pegar as chaves e se livrar delas também. Esse é o momento de se preocupar com aquilo que vem e não com o que foi. Apenas deixar ir.

Eu sei que seu primeiro impulso seria se jogar na vida, procurar algumas aventuras, encontrar novas pessoas e quem sabe um novo amor. Mas preste atenção no que vou te dizer; nada vale mais que se reencontrar depois de ter se perdido. 

Então pega toda aquela bagunça que está bem ali, te livra de tudo o que não presta mais, organiza as gavetas e deixa nelas espaço para caber o novo. Solta as lembranças deixe-as se desfazer no tempo, depois disso, olhe para aquele vazio que ficou preencha todo esse espaço com aquilo que te faz feliz – agora há espaço para você ali. Relembre da importância que as coisas tem para você e que cada uma delas possui o peso que você dá. “Então larga essas malas sem alças que só atrapalham na tua viagem, te reinventa com aquilo que ficar sem medo de vestir-se de quem tu és.”

Quando nos desapegamos do que fomos um dia, encontramos espaço para sermos quem somos hoje. Deixamos livres nossos pensamentos e sentimentos acumulados e logo eles tomam seu rumo e  dão lugar a novas sensações, novos momentos e novas prioridades. Tudo é substituível, menos aquilo que faz parte de ti.

Não digo que é tarefa fácil se reencontrar depois de se desfazer de boa parte de quem você acreditou ser um dia, mas todos precisamos dessa transformação e caso ela não aconteça, cairemos em uma ciclo de repetições até que seja compreendido todo o ensinamento da lição. A verdade é que ninguém é derrubado, quem cai, cai sozinho e pode ter certeza que há algo ali que precisa da sua atenção, não se distraia novamente, “entenda o seu caminho antes de seguir para não cometer os mesmos erros nem acumular decepções outra vez”.