O que restou de nós

Eu queria poder estar agora em plena Times Square, participando de um flashmob, ao som de Rise da Katy Perry, eu queria poder estar em uma dessas aldeias africanas ajudando como voluntária em um desses abrigos para refugiados, eu queria poder estar concorrendo à presidência americana, eu queria poder estar do outro lado do pacífico, onde se quer existisse algo que viesse para me lembrar que eu ainda não te esqueci.

Queria que existisse um só único momento que minhas feridas não latejassem tão ensandecidamente que me fizesse lembrar o quanto ainda dói olhar para os vestígios que você deixou ao sair da minha vida, a bagunça não é apenas minha, mas quem convive com os restos certamente sou eu. Eu queria poder estar indo trabalhar com a minha roupa passada, um sorriso de canto e que o meu chefe não tivesse que chamar pela milésima vez a minha atenção, mas aqui estou eu, uma garota vestida de aço, mas que tem a alma mais triste que as notas de Beethoven. Uma garota tentando ser gente grande, mas com as urgências de uma criança, que quer apenas sair correndo para casa, deitar em sua cama e chorar até pegar no sono.

Dizem que o vencedor de uma relação fracassada é aquele que sai impune, de mãos limpas e coração vazio, é aquele que desfere o golpe de misericórdia conhecido como o “- Eu não te amo mais. ” Quem dera ao menos dessa vez fosse eu a soltar essas palavras, e de fato deixar de sentir qualquer coisa por você. Mas acontece que eu ainda sinto, sinto saudades, sinto falta do seu abraço e do carinho antes de dormir, sinto saudades da sua risada escandalosa, e do seu excesso de organização, sinto saudades da sua implicância com meu cabelo, e até do seu mal humor matinal. Sinto por termos tido um fim quando na verdade eu acreditava que estávamos indo bem, sinto por ter acreditado tanto que existia nos dois, que perdi o meu mundo ao me notar sozinha no final.

Eu queria que existisse uma maneira de se remediar o que aconteceu, mas sinto não ter sido a mim que o destino escolheu. Eu queria poder ser menos dramática, mas eu e você sabemos que esse papel me cai tão bem, eu não sou mais dona da minha vida desde que você se foi, queria apenas que falar fosse poder, porque você se foi, isso é fato, mas eu? Eu ainda estou sentindo tudo em mim. Todos os beijos que te dei, todas as juras de que seriamos para sempre, a cada data ainda lembro do que fizemos juntos, o último natal, o dia dos namorados, e até aquela praia no Caribe, seria o nosso novo itinerário.

Faz dias que não me olho no espelho, meu cabelo está opaco, e minhas olheiras parecem sacos de dormir. O porteiro do meu prédio diz que não aguenta mais pegar as suas correspondências.

– Joga no lixo seu Antônio.

– Mas dona Ana Paula, pode ser alguma coisa importante.

– Joga no lixo seu Antônio, tenho plena certeza de que não faz mais diferença alguma.

Até o diálogo com o porteiro do meu prédio tem se tornado pesado, para onde quer que eu olho não te encontro. Minha secretária insiste em abrir todas as portas e as janelas de casa.

– Essa casa precisa de um pouco de vida dona Ana Paula.

Escuto o que ela diz, e nem procuro responder, desde que você se foi tem sido apenas uma casa vazia. Eu queria apenas seguir em frente sabe, fingir que você está em outro país, casado com três filhos e quem sabe umas amantes por aí, mas qualquer que seja as minhas expectativas, a realidade vem tão mais cruel e fria, e ao bater em minha porta me traz a dor da dura despedida. A despedida que eu nem pude dar.

Hoje estou na floricultura, estou fazendo um esforço descomunal para escolher as suas preferidas. Já faz mais um ano de sua morte, e me sinto como se ainda fosse tudo hoje. Nós dois, um pedido de casamento na porta do teatro e o meu explosivo sim. Antes mesmo que me desse o anel, em minha frente caiu de joelhos; “-Eu te amo Ana Paula”, foram suas últimas palavras, uma bala perdida acabou com nossa história, e a cada minuto que fecho meus olhos me lembro do exato momento que você foi embora.

Moral: A vida é aquela caixa que vem escrito em vermelho: FRÁGIL. E muitas vezes por acharmos que somos imortais a jogamos de um lado para o outro experimentando todos os sabores que podemos ter, mas ela não vem com um manual de instrução e tão pouco com um aviso prévio de quando teremos que nos mudar. Então o meu conselho é bem simples, viva como se o amanhã não fosse acontecer, ame sem medo, dance sem música, vá dormir depois de ver o sol nascer, e amanheça enquanto a lua ainda for a senhora da noite, seja adulto mesmo sendo criança, e não se esqueça de ser criança quando já for adulto, não perca um jantar em família, vá ao jogo do seu time do coração, se entupa de chocolates sem se importar com as espinhas, viva a sua vida, antes que ela seja apenas para os seus entes queridos mais uma despedida.

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Escolhi te esquecer

A dor é extremamente aguda, o corpo está paralisado, a mente presa no último feeling da despedida. Eu não sei de onde tirei forças para simplesmente seguir em frente, anos de uma história jogada no ralo, dor, saudade latente, medo e um bocado de incerteza sobre o futuro. Foram tantos momentos sonhando com a liberdade que agora de fato eu me pergunto o que vou fazer com ela?

A história já estava fadada a um final, as estações mudaram, o vento se tornou cortante, a solidão fez morada no meu sótão e a sinto veemente se espreitar sob minha pele. Somos um acumulo de perguntas sem respostas, a rotina corriqueira e desenfreada que dava abertura para pausas contadas no cronometro para um beijo roubado ou um abraço no final do expediente.

Minhas vontades foram ficando mais vorazes, tanto quanto a sua incapacidade de me entender, minhas surpresas não te roubavam mais sorrisos e seus abraços não me davam mais a segurança de um lar. Eu quis gritar: “Ei! Me note”, mas você tão compenetrado em seu próprio mundo foi me deixando de lado, assim como os seus vinis sobre a prateleira de sua tia avó.

Eu programei a viagem de férias você passou o tempo todo reclamando, te escolhi a sobremesa mais deliciosa que um dia eu já experimentei, você ficou horas no celular, pedi para o garçom recolher o seu prato e você se quer titubeou. Eu queria andar de mãos dadas pela noite estrelada de Paris enquanto você me irritava com sua urgência de voltar para o hotel porque ainda tinha muito trabalho a fazer.

Eu, poeta. Você homem de negócios, eu ainda tão guria e você completamente maduro, eu querendo desbravar a América e você querendo ser presidente, eu vou ao supermercado com pantufas de joaninha enquanto você tem um terno para cada dia da semana. Foi quando fui me desprendendo de suas mãos e você nem se quer notou que eu já estava de partida mesmo que você estivesse de chegada.

Por mais que eu tentasse correr em sua direção você fugia pela tangente, eu te amei por nós dois o tempo suficiente que meu coração conseguiu aguentar. Você ainda me ama eu sei disso, mas está tão cego em seus próprios desejos que não tem mais a calma de me olhar serenamente e distinguir que não estou sorrindo para você, isso é realmente a nossa despedida.

Quando duas pessoas se amam, mas não se encontram na mesma sintonia, o amor tudo faz, ele se cria, recria, fere a pele e faz sangrar o coração, ele grita por socorro até nos jogar em uma prisão sem sonhos e de tardes sem sol. Eu te amo mais desejo a liberdade, morro a cada segundo contemplando o mesmo sorriso que um dia roubou todo meu amor não sendo mais suficiente para que eu fique por aqui. Eu te amo e talvez irei te amar para sempre, mas nossos mundos estão à beira de uma colisão, antes que subam as estatísticas de danos fatais me retiro dessa história, aqui da arquibancada irei sempre torcer pela sua felicidade mesmo que não sejamos mais nós. E acima de tudo te desejo um amor que te faça se sentir vivo mesmo que completamente dependente do amor de outra pessoa.

A graça não se encontra em ter uma pessoa, mas sim ser de outra pessoa, amor não é posse, amor é complemento, é estar com alguém porque não existe outro lugar que desejamos estar.

Devaneios da mente de um escritor

“Saio da livraria, atravesso o sinal e paro na calçada, olhando para o mar. O vento frio, vindo do mar, no entardecer, nos abraça igual ao filho que, separado da mãe, volta a reencontrá-la. O sol, calmamente, vai se escondendo atrás do grande monte que fica no fim da cidade – ainda consigo ver algumas casas empoleiradas ao longo do gigante.

Muitos estão com seus aparelhos celulares registrando a paisagem. No impulso, como quem está acostumado com a tecnologia, coloco minha mão no bolso para pegar o celular – imagine quantos likes e visualizações este cenário terá nas redes sociais? No entanto, paro e repenso, resolvo absorver toda a imagem e guardar apenas na minha memória, abarcando cada detalhe.

Meu repertório de palavras é limitado para o que guardo na mente, mas garanto que é uma das mais lindas obras que Deus nos presenteou. Aqui, aprendi que as memórias que nutrem boas lembranças são aquelas que capturamos pelos olhos da alma.

Amanhã quero que seja um dia diferente, vou acordar dando uma piscada pra vida, gentileza gera gentileza, se ela recebe de ti sentimentos bons, pra ti ela devolverá sentimentos melhores ainda. Voltarei aqui, farei novamente o mesmo percurso, e irei observar tudo como se fosse a primeira vez que aqui meus olhos se perdessem. A beleza rara se encontra na camuflagem de uma circunstância, de gastarmos um pouco mais de tato para enxergar aquilo que não está a mostra, e podermos descobrir que nos bastidores existe um espetáculo tão incrível quanto o homem de sorriso forçado que no palco está a entreter a plateia.

Analise o cenário e deixe se seduzir pela alma do palhaço e não unicamente pelas suas peripécias em um trapézio. A humanidade se perde na cobiça e no poder, enquanto a vida é construída de simplicidade e momentos impagáveis. Hoje, aqui fora, o céu está dando um show de boniteza. Onde está a sua verdadeira admiração?

Estou aqui, a selva é de pedra, o desejo é de mar, o pôr do sol convidativo me traz a nostalgia que vivo tentando deixar pra lá. Abstinência de momentos que ficaram apenas no filtro da lembrança. A esperança de um novo nascer do sol vêm e me traz na bagagem novos sentimentos bons. E que seja sempre assim, um novo espetáculo ao cair do luar, e que a fé chegue com o sol nos seus primeiros vestígios ao raiar.”

Tô sentindo tua falta

Desculpa começar assim, tão direta, mas não sei ser sutil quando o sentimento pulsa, arde e queima aqui dentro. Tua ausência está me matando. Eu tentei mentir para mim mesma, incontáveis vezes, alegando que tudo bem, mas eu me acostumei tanto ao teu carinho diário, eu me apeguei tanto ao nosso companheirismo louco, que me dói um bom bocado ver você se afastando, por um ciúme bobo. Eu não queria que o ‘amor’ fosse maior que a nossa amizade, sabe? Mas, pelo visto, nós dois estamos perdendo. O que será de mim se esse for o nosso fim?

Como refazer aquela velha rotina bagunçada que eu já estava tão habituada? Vivo me dizendo que é péssimo se apegar a detalhes, se prender à um velho clichê, querer sempre as mesmas coisas e pessoas. Por que é que eu não me joguei em outras novidades, momentos e distrações? Era tudo com você, do amanhecer até as madrugadas de pizza e papo furado na sacada da minha casa. Hoje, como tudo na vida, a metamorfose bate na porta da minha história bagunçada e me traz um novo cenário… Ok, mudanças não são tão ruins assim, mas e aí? Cadê você que no meio de todo esse processo? Já não segura mais a minha mão. Éramos “para sempre” ou não?

Eu queria fingir que não dói essa tua distância toda. Queria fingir que não me maltrata esse teu silêncio. E queria que você não interpretasse errado toda essa falta que você me faz. Mas eu sei que você vai ler de um jeito torto essas linhas que rabisco. Eu sei que, numa brecha de agora, você voltaria com as intenções erradas, confundindo e bagunçando ainda mais. Então deixa assim por um tempo. Eu te entendo. Sinto muito a tua falta, mas eu te entendo.

Algumas vezes, para não dizer que na maioria das vezes, precisamos recuar, precisamos apagar o desenho, refazer os traços, recomeçar de onde havíamos dito que seria perca de tempo, é preciso errar para finalmente conseguir entender seja qual for a lição ali aplicada. E se alguma coisa fez tão sentido durante esses dias sem notícias suas foi de que estamos definitivamente aqui para passar por fases.

Um dia nos conhecemos, nos apoiamos, construímos uma história no decorrer de todos esses longos anos, hoje já não rimos das mesmas piadas idiotas e tão pouco sei qual será a suas programações diárias. Mas a certeza do que um dia vivemos habitará para sempre no filtro da minha memória. O momento passa, porém o que é cultivado em forma de lembranças se torna referência para uma pessoa, para uma história ou para um amor. Sigo por aqui sentindo a sua falta, mas sigo feliz porque será sempre a minha lembrança preferida, aquela lembrança de uma amizade que em meus dias já não mais habita.

 

Chegou a hora de seguir o meu caminho

A dor é extremamente aguda, o corpo está paralisado, a mente presa no último feeling da despedida. Eu não sei de onde tirei forças para simplesmente seguir em frente, anos de uma história jogada no ralo, dor, saudade latente, medo e um bocado de incerteza sobre o futuro. Foram tantos momentos sonhando com a liberdade que agora de fato eu me pergunto o que vou fazer com ela?

A história já estava fadada a um final, as estações mudaram, o vento se tornou cortante, a solidão fez morada no meu sótão e a sinto veemente se espreitar sob minha pele. Somos um acumulo de perguntas sem respostas, a rotina corriqueira e desenfreada que dava abertura para pausas contadas no cronometro para um beijo roubado ou um abraço no final do expediente.

Minhas vontades foram ficando mais vorazes, tanto quanto a sua incapacidade de me entender, minhas surpresas não te roubavam mais sorrisos e seus abraços não me davam mais a segurança de um lar. Eu quis gritar: “Ei! Me note”, mas você tão compenetrado em seu próprio mundo foi me deixando de lado, assim como os seus vinis sobre a prateleira de sua tia avó.

Eu programei a viagem de férias você passou o tempo todo reclamando, te escolhi a sobremesa mais deliciosa que um dia eu já experimentei, você ficou horas no celular, pedi para o garçom recolher o seu prato e você se quer titubeou. Eu queria andar de mãos dadas pela noite estrelada de Paris enquanto você me irritava com sua urgência de voltar para o hotel porque ainda tinha muito trabalho a fazer.

Eu, poeta. Você homem de negócios, eu ainda tão guria e você completamente maduro, eu querendo desbravar a América e você querendo ser presidente, eu vou ao supermercado com pantufas de joaninha enquanto você tem um terno para cada dia da semana. Foi quando fui me desprendendo de suas mãos e você nem se quer notou que eu já estava de partida mesmo que você estivesse de chegada.

Por mais que eu tentasse correr em sua direção você fugia pela tangente, eu te amei por nós dois o tempo suficiente que meu coração conseguiu aguentar. Você ainda me ama eu sei disso, mas está tão cego em seus próprios desejos que não tem mais a calma de me olhar serenamente e distinguir que não estou sorrindo para você, isso é realmente a nossa despedida.

Quando duas pessoas se amam, mas não se encontram na mesma sintonia, o amor tudo faz, ele se cria, recria, fere a pele e faz sangrar o coração, ele grita por socorro até nos jogar em uma prisão sem sonhos e de tardes sem sol. Eu te amo mais desejo a liberdade, morro a cada segundo contemplando o mesmo sorriso que um dia roubou todo meu amor não sendo mais suficiente para que eu fique por aqui. Eu te amo e talvez irei te amar para sempre, mas nossos mundos estão à beira de uma colisão, antes que subam as estatísticas de danos fatais me retiro dessa história, aqui da arquibancada irei sempre torcer pela sua felicidade mesmo que não sejamos mais nós. E acima de tudo te desejo um amor que te faça se sentir vivo mesmo que completamente dependente do amor de outra pessoa.

A graça não se encontra em ter uma pessoa, mas sim ser de outra pessoa, amor não é posse, amor é complemento, é estar com alguém porque não existe outro lugar que desejamos estar.

Foi por causa de você

Leia ao som de Because Of You da Kelly Clarkson.

Já passada as festividades carnavalescas estou aqui, e não é a minha quarta-feira que é de cinzas, mas sim a tão temida segunda-feira, estou enrolada em uma toalha de banho segurando uma xícara de café, ao som de Kelly Clarkson sinto que a chuva que derrama lá fora é pequena perto as lágrimas que brotam de meus olhos negros de luar.

A música ecoa em todo o meu apartamento, ainda me encontro de luzes apagadas, resta unicamente a fresta que vem do banheiro o qual deixei a porta entre aberta. A cada nota musical sinto em minha pele ainda o toque de suas mãos, a textura de seus lábios e o cheiro de sua essência. Sinto vontade de abrir os olhos, abrir as cortinas, permitir que a chuva adentre e venha também lavar todas as lembranças que ainda me resta de você.

“I will not make, the same mistakes that you did. I will not let myself, ‘cause my heart so much misery” (Eu não cometerei os mesmos erros que você, eu não me permitirei causar tanto sofrimento ao meu coração)

A música continua a vir invadir a minha alma e me abraça com sua letra como se fosse o consolo que necessito para aquele momento, mas na realidade o balsamo dura cerca de segundos, porque a realidade é que a decisão já foi tomada e ao escolher seguir em frente os nossos caminhos se tornaram opostos, tu ficou com o que restou de nós dois, e eu escolhi a incerteza do futuro, o medo de sobreviver em dias que tu não seja mais o meu caos ao meio dia, ou a minha bússola a me orientar para qual seja o caminho que devo continuar.

Erros meus, erros seus, seja de quem foi a culpa, decidi deixar tudo pra lá, prometi a mim mesma fazer tudo diferente, mesmo que os desejos que ardem em meu corpo sejam unicamente aqueles que me levam até você. A crueldade de seu olhar ao me dizer:

– Se é o que desejas, então siga com a sua vida, eu não irei lhe impedir.

Fora o ponto crucial para me libertar das garras que ainda me mantinham presa a ti, o prazer era mútuo mas durava somente enquanto as garrafas de vinhos não se esvaziassem, depois eram dois corpos extasiados pelo prazer, a luxuria cedia lugar ao descaso então tu acendias mais um cigarro e abandonava o meu quarto e também todas as promessas de um amor ardente.

“Because of you, I never stray too far from the sidewalk, Because of you, I learned to play on the safe side, So I don’t get hurt.” (Por sua causa, eu nunca ando muito longe da calçada, por causa de você eu aprendi a jogar do lado seguro, assim eu não me machuco. ”

Dizem que devemos nos arriscar, jogar mesmo sem a garantia do acerto ou independentemente de placar, mas acabei de sobreviver ao naufrágio de uma relação submetida ao fracasso, me deixei levar por momentos, e não notei que pra ti fui unicamente um capricho, que seu corpo era meu em alguns momentos mas que jamais teria acesso ao seu coração, e de tantas migalhas que tu me jogastes decidi optar pelo fim dessa relação.

Um final que não me deixas sequer um sinal de recomeço, e graças a ti, hoje tenho medo de me olhar no espelho, quem sabe o que irei encontrar ao contemplar a minha própria imagem? O escuro do meu quarto e uma melodia triste é muito mais seguro do que andar pela chuva e quem sabe finalmente aprender a dançar, assim como dizem os mais sábios anciões. Mas foi graças a você que aprendi o lado mais dolorido do amor, e é nisso que tenho me agarrado para completar a minha lição e nunca mais provar da dor.

Hoje vivo presa em uma realidade submersa a fragmentos de uma história a qual já não vivo mais, mas levo como experiência, porque em meu coração, ninguém mais irá fazer morada. “ I was so young, you should have known, better than to lean on me, you never thought, of anyone else, you just saw your pain, and now I cry, in the middle of the night, for the same damn thing.” (Eu era tão jovem, você deveria saber, melhor do que se apoiar em mim, você nunca pensou, de qualquer outra pessoa, você só viu sua dor, e agora eu choro, no meio da noite, por causa da mesma maldita coisa.)

Graças a você criei a resistência necessária para amores fugazes, hoje eu me retiro antes mesmo de me doar, eu já provei da dor, e não espero nunca mais esse mesmo cálice degustar, e foi tudo por causa de você.

Because Of You…

Você não queria voar e eu desejava o céu

A chuva cai lá fora, aqui em casa me afogo em minhas lágrimas que quebram toda a minha pose de durona.

-Eu nunca irei sair da sua vida Valerie!

Foram as palavras que frisei antes de tudo se contradizer, de repente um quebra-cabeças com peças iguais, de repente uma saudade que nunca dá trégua, de repente, olha eu em um apartamento que é o reflexo de uma história que já teve dias cinzentos, mas que nunca foram tão vazios como me sinto agora.

De repente as músicas se tornaram clichês, as pessoas comuns, os barzinhos que tantas vezes fomos juntos me dão tédio, até a noite da pizza toda sexta-feira pós Happy Hour, passaram a me dar náuseas, como pode uma pessoa, uma falta mal preenchida, um desencontro de almas e um esbarrão na solidão não são capazes de fazer na vida de alguém que até dias atrás sorria e sonhava com mil e um planos para um futuro que parecia tão certo e de repente tudo se desfez.

Olho para o canto do quarto e a nossa mala ali, ainda por se fazer, me fazendo reviver aquela última noite de amor que tivemos em Bali. Um pôr do sol esplendoroso, meia taça de vinho branco, roupas por se desfazer e corpos sedentos pela ânsia de entregar. Me entreguei e fui mais uma vez sua, inteiramente sua, tanto quanto a primeira vez. Risos, sorrisos, dedos entrelaçados e a delícia de um despertar ao seu lado me trazendo aquele frenesi absurdo de querer começar a viver o nosso agora, exatamente agora!

Éramos opostos e isso desde sempre foi nítido, você era de escorpião, e aqui para nós, escorpianos são um pouco difíceis de lhe dar, mas mesmo assim eu quis arriscar, nunca fui ligada em astrologia e não seria agora que me ligaria.

A única coisa que queria era estar com você, que se dane a astrologia, seu mapa astral, ascendente, lua e o diabo a quatro, eu queria você e não teria zodíaco no mundo que impediria que isso acontecesse.

Tínhamos tudo para dar certo, os mesmos gostos, vontades, sonhos e até defeitos, o único defeito é que eu desejava voar um pouco mais alto, ir além e você permanecia ali, com os pés no chão.

Chegou o momento de caminhar um pouco além, de tentar novas histórias e viver sonhos, você não me pediu para ficar e também não me impediu de ir, segurou meu queixo, beijou meu nariz e virou as costas, você seguiu seu rumo e eu segui o meu.

Travesseiros jogados, frases entaladas, olhos inchados e a entrega de que a noite anterior não terminou como eu desejava, tínhamos tudo para dar certo, se não fosse o pequeno detalhe que fizesse com que tudo desse errado – você não queria voar e eu desejava o céu.