Não quero recomeçar sem você!

As circunstâncias da vida insistiram em nossa história se meter, entre beijos e brigas um “pause” forçado deixamos acontecer. Quem é que nunca passou por desentendimentos ou um “Eu não te amo mais”?

Palavras ditas da boca pra fora, um coração estraçalhado de dor com uma vontade de pedir que tudo se ajeite e a mesma vontade pendendo para o lado de:

Ah! Sei lá, deixa o baile seguir.

Eu tentei, você tentou, ambos falhamos com sucesso. O carinho se tornou desdém, o desejo cedeu o lugar para o orgulho, a presença passou a ser incômodo e o que um dia foi amor vira um porre de solidão. O tempo rola, o “para sempre” parece que definitivamente se acabou, sem chances para um recomeço.

Até que então a faísca que parecia estar a se dissipar respinga em minha pele a me lembrar que apenas o seu toque é que tem o dom de me fazer sorrir. Um beijo, um abraço, uma vontade, droga, acho que a saudade vem logo atrás. Então olho para o lado e tudo ao meu redor está em ruínas.

Como é que pedir tão facilmente o trilho de minha vida?

A sua ausência me fez provar de um amargor sem igual, tudo que desejo é o sabor daqueles lábios que um dia foram unicamente meus. A ideia de que outra pessoa possa estar entre sua nova rotina é o suficiente para me irritar.
Então nos esbarramos em um encontro despretensioso e finalmente tudo volta a se encaixar.

-Senti sua falta.
-Será que agora você entende que ao seu lado é onde unicamente desejo ficar?
-Sim, eu não quero mais ficar longe de você.
-Então para com essa marra, volte pra nossa história e juntos vamos buscar a única fórmula de amar.

Não importa as voltas que o mundo dê ou tão pouco o peso de uma decisão, se tivermos que terminar juntos então será essa a hora de recomeçarmos o nosso capítulo principal. E juntos iremos escrever o recomeço daquela nossa história de amor.

A voracidade do nosso adeus não deixou lugar para um recomeço!

Depois de você algumas coisas perderam a graça, até os gostos mais saborosos deixaram a boca com o sabor do cabo de um guarda-chuvas. Eu sei, eu sei, nunca experimentei o cabo de um guarda-chuvas, mas sabe aquele gosto que fica no outro dia da ressaca mais do caceta que você já viveu para contar? Pois bem, é esse mesmo aí. Amargor de alma e de coração

Tem sido assim todos esses dias sem notícias suas, é como se a ressaca não quisesse mais ir embora e o gosto da framboesa madura se tornou um “tanto faz”. Meu quarto tem aquele resquício estranho de uma saudade mal matada e da droga dos filmes que você esqueceu comigo espalhados por tudo que é lugar.

Até os emojis perderam a finalidade, aquelas cores eram nossas e as hashtags se tornaram comuns. Escuto todos os dias a mesma playlist, dizem que reviver o passado em gosto musical é pedir para chorar tudo de novo. Mas posso te contar um segredo?

-Eu não derramei uma só lágrima desde que você se foi.

Algumas ciladas do tempo embutidos no meu filtro da memória me fazem soltar aqueles suspiros de: “poxa, um dia ele esteve por aqui, não mais”. Mas fora isso a rotina está cada vez mais acumulativa e eu sem tempo nem para fazer aquele rabo de cavalo que você tanto gostava.

-Está diferente hoje dona Carolina. Fez algo novo no cabelo?

– Ele está apenas sem pentear seu Antônio, mas valeu pelo elogio, passarei a usar cada vez menos o pente.

Até o porteiro do meu prédio notou que havia algo ali fora do lugar, mal sabia ele que o cabelo é apenas um adendo de todos sentimentos emaranhado em solidão que eu deixo da porta para dentro e por trás de cada sorriso amarelo que dou quando me perguntam sobre você.

-Ele? Sabe que não sei? Vi que sua última atualização do Instagram era em um retiro espiritual lá pelas bandas do Apalaches. Deve estar bem né? Aura limpa, chakras no lugar. A nova vida está fazendo bem para nós dois.

Por trás de minhas palavras um bocado de sarcasmo embutido em uma garota fria e que sua falta não sente mais. E é aí que me perco, o que é sentir? Por você eu tive dos sentimentos mais loucos e de consequências impensáveis. Mas era simplesmente único sentir tudo na pele com aquele gosto de voracidade.

Me lembro do nosso último encontro, beijos, adrenalina, dúvidas e desejos.

-Onde é que está a minha blusa Rodrigo?

-Não sei Carolina!

Na realidade nós dois sabíamos, você sempre a escondia para que na hora da volta eu pedisse uma sua, e assim o seu cheiro me acompanhava e já me lembrava de todos os motivos que eu tinha para voltar.

No guarda-roupas tem umas 5 ou 6 peças suas, tenho que pedir para o porteiro despachar pra mim, afinal, o seu cheiro ali não encontro mais, e os meus motivos? Como sal na água ele se desfez, e hoje às lembranças são as únicas certezas que tenho de que um dia tudo isso realmente aconteceu.

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Nos pertencemos por amarmos a liberdade

Não importa se é sexta-feira 13, domingo de ramos, páscoa ou natal, se o relógio marca dez horas, meia noite ou se já são sete da manhã, não importa que horas que ela terá que levantar no outro dia, ou qual a responsabilidade que à espera ao voltar para realidade. O momento para, a terra não gira e dois corpos se entregam.

É uma mistura louca de desejo com respeito e com um papo leve no final, um beijo de despedida que já marca o próximo roteiro e o gosto de quero mais embalado para viagem. Somos uma mistura de músicas preferidas, com histórias parecidas e um único desejo, o de viver a vida, fugacidade nos definiria, nada menos poderia ser, nos apoiamos na loucura de juntos nos perdermos.

Enquanto a maioria prefere canja quente, cama e edredom, nos arriscamos na velha estrada onde o tédio não tem vez e tão pouco itinerário, ela me acompanha e me apoia mesmo batendo o pé que jamais irá ser minha, é a primeira a quem conto sobre aqueles projetos que em meu coração fazem morada, ela insiste em dizer que será só mais essa vez e que depois eu posso esquecê-la, mas o seu cheiro em meu lençol me faz mais e mais querer tê-la em meus braços.

É mais do que pele, química e tesão, ela é minha calmaria em dias terríveis, é o calor que espanta o inverno, é a pessoa mais insana e dócil que eu poderia conhecer. Se nos pertencemos? Jamais, apenas nos transbordamos de uma espécie de loucura boa de se viver. Eu acho que quando ficar mais de idade vou querer uma quitinete e um frigobar para minha cerveja de domingo não esquentar, o bom e velho Cazuza na vitrola e uma rede na varanda, ela ao meu lado discutindo pela milésima vez qual será o nome do nosso herdeiro que está prestes a nascer.

Mas sempre que compartilho esses devaneios, ela veste a sua roupa, diz que é melhor deixarmos o papo furado para uma outra hora, que o sol está raiando e trabalhar ela tem que ir, que amor é lorota, que quem acredita em finais felizes são calhordas e que ela é quem manda em tudo que irá sentir. Às vezes acho que ela foge de mim não exatamente por ser eu, mas sim pela intensidade que carrega em seu peito com sentimentos que são meus.

Ela possui a carga emocional mais complexa que uma mulher pode aguentar, e de pose de durona ela espanta qualquer conquistador meia tigela que tentando de balela em balela no papo a levar, ela não é garota de 5 minutos e nada mais, tem todo um contexto que precisam para a sua atenção ganhar, e meu amigo, quer um conselho? Finja que acredita que ela é um receptáculo sem coração, e ela abaixará a guarda e por sorte um dia você ganha de vez também o seu coração.

Sobre as minhas esperanças para esse final? Eu torço que ele nunca chegue, e que com: “esse não temos nada”, “sou só minha e de mais ninguém”, ela complete mais um ano ao meu lado, e que dela eu seja refém, ela é mulher única e de um valor sem igual, estou na luta firme e forte de que um dia à mim ela escolha para ser seu par.

-Eu sou um vício Pedro.

-Eu não preciso de reabilitação alguma para viver, apenas a certeza que amanhã novamente irei amar você.

O que os difere é o que os tornam inseparáveis, Carolina foge do amor, mas se joga em seus braços, Pedro é fugas e louco por liberdade, mas se prende na cadeia de seus beijos e dispensa habeas corpus, loucuras de um casal que se une pela endorfina do amor e que se sentem livres exatamente por amarem.

 

Se eu podei o seu amor, você foi quem me deu a tesoura

Dias, meses, anos, a saudade as vezes ameniza, em outro momento ela vêm sem sobreaviso e soca o meu estomago, me causa náusea, dor na alma e também faz brotar em meus olhos castanhos lágrimas que queimam ao roçar a minha pele morena.

Basta, cansei das suas dúvidas nas horas que precisei de sua decisão, e de suas certezas que vêm em um combo de juras de amor nas horas erradas, não quero mais cruzar a mesma rua que você faz morada, quero me perder em um destino incerto, conhecer novos olhares, me prender em outros desejos, e me deixar levar por novos beijos. Não quero mais esperar por alguém que não sabe nem ao menos se quer voltar ou o porquê quis realmente partir.

– Mas eu te quero, eu te amo, eu posso te merecer Ana Clara.

Isso você me disse tantas outras vezes, um dia logo após eu lhe ver em braços que não eram os meus, beijando outra boca sem nem ao menos se sentir culpado, foi o meu coração que ficou em meio a ruínas de um fim que estava tão escancarado em minha frente e eu sempre me neguei a enxergar.

Eu que sempre fui segura de minhas vontades, abri mão da minha vida, do meu sorriso e até do meu amor próprio tudo para satisfazer o seu ego, não venha me jurar amor se você nem ao menos sabe o que significa essa palavra fora do dicionário, o estrago já está feito e tudo que espero é que ao bater à porta logo após você sair que não venhas mais impor a sua presença em minha vida, fechei para visitação, esteja ciente disso.

Mas caso insistir na teimosia de sempre e resolva aparecer esteja preparado para ver a cena ai do banco de reservas, e será a minha vez de estar desfrutando de um prazer momentâneo, de um lance causal ou de uma linda história de amor, essas que sempre fujo por não ter na pessoa os resquícios que ainda espero de você, mas agora é minha vez, sairei sem nem ao menos olhar para trás, deixarei no chão o casulo que me aprisionava à esta história que já conhecemos o final, lhe deixo uma casa vazia sim, porque todos os sentimentos dos mais nobres até os mais ousados, levarei comigo, para entregar a uma nova pessoa seja ela quem for.

Não foi fácil optar por uma nova rotina sendo que a antiga ainda era tão convidativa, mas ter que conviver com o seu desdém e pouco caso estraçalhou a minha dignidade em incontáveis partes que até hoje tento reparar o estrago, então me desculpe se não possuo mais saco para ouvir as suas lamentações ou de estar sempre com tempo para lhe responder, há, aliás, já que estamos falando sobre isso, não se assuste se a partir de agora tiver que lidar também com o meu sumiço, afinal, para que continuar presa ao cordão umbilical sendo que já sei caminhar sozinha?

The End. Game Over, Sayonara, me ensinaram lá na escola que “agente” junto é contra qualquer regra de ortografia, tanto que passei a aplicar isso em minha vida, você é aquele velho cigarro que me dá a sensação de liberdade a cada nova tragada, mas ao mesmo tempo aniquila meus pulmões e não, não é nada saudável, decidi quebrar os grilhões que me aprisionam a ti, mas de uma coisa você não pode me culpar, estamos à beira do precipício, e a escolha é continuar ao seu lado ou a pular, eu escolhi voar mesmo sem ter asas, mas quem me fez chegar a essa conclusão foi unicamente você, no momento que decidiu que meu amor não era suficiente para lhe satisfazer, hoje ao vir aqui, jurar que ainda me ama, confesso que me perdi por um momento, mas logo em seguida já cai em mim, e se um dia decidi voar, foi porque ao seu lado eu já não encontrava mais a segurança de um lar.

O que restou de nós

Eu queria poder estar agora em plena Times Square, participando de um flashmob, ao som de Rise da Katy Perry, eu queria poder estar em uma dessas aldeias africanas ajudando como voluntária em um desses abrigos para refugiados, eu queria poder estar concorrendo à presidência americana, eu queria poder estar do outro lado do pacífico, onde se quer existisse algo que viesse para me lembrar que eu ainda não te esqueci.

Queria que existisse um só único momento que minhas feridas não latejassem tão ensandecidamente que me fizesse lembrar o quanto ainda dói olhar para os vestígios que você deixou ao sair da minha vida, a bagunça não é apenas minha, mas quem convive com os restos certamente sou eu. Eu queria poder estar indo trabalhar com a minha roupa passada, um sorriso de canto e que o meu chefe não tivesse que chamar pela milésima vez a minha atenção, mas aqui estou eu, uma garota vestida de aço, mas que tem a alma mais triste que as notas de Beethoven. Uma garota tentando ser gente grande, mas com as urgências de uma criança, que quer apenas sair correndo para casa, deitar em sua cama e chorar até pegar no sono.

Dizem que o vencedor de uma relação fracassada é aquele que sai impune, de mãos limpas e coração vazio, é aquele que desfere o golpe de misericórdia conhecido como o “- Eu não te amo mais. ” Quem dera ao menos dessa vez fosse eu a soltar essas palavras, e de fato deixar de sentir qualquer coisa por você. Mas acontece que eu ainda sinto, sinto saudades, sinto falta do seu abraço e do carinho antes de dormir, sinto saudades da sua risada escandalosa, e do seu excesso de organização, sinto saudades da sua implicância com meu cabelo, e até do seu mal humor matinal. Sinto por termos tido um fim quando na verdade eu acreditava que estávamos indo bem, sinto por ter acreditado tanto que existia nos dois, que perdi o meu mundo ao me notar sozinha no final.

Eu queria que existisse uma maneira de se remediar o que aconteceu, mas sinto não ter sido a mim que o destino escolheu. Eu queria poder ser menos dramática, mas eu e você sabemos que esse papel me cai tão bem, eu não sou mais dona da minha vida desde que você se foi, queria apenas que falar fosse poder, porque você se foi, isso é fato, mas eu? Eu ainda estou sentindo tudo em mim. Todos os beijos que te dei, todas as juras de que seriamos para sempre, a cada data ainda lembro do que fizemos juntos, o último natal, o dia dos namorados, e até aquela praia no Caribe, seria o nosso novo itinerário.

Faz dias que não me olho no espelho, meu cabelo está opaco, e minhas olheiras parecem sacos de dormir. O porteiro do meu prédio diz que não aguenta mais pegar as suas correspondências.

– Joga no lixo seu Antônio.

– Mas dona Ana Paula, pode ser alguma coisa importante.

– Joga no lixo seu Antônio, tenho plena certeza de que não faz mais diferença alguma.

Até o diálogo com o porteiro do meu prédio tem se tornado pesado, para onde quer que eu olho não te encontro. Minha secretária insiste em abrir todas as portas e as janelas de casa.

– Essa casa precisa de um pouco de vida dona Ana Paula.

Escuto o que ela diz, e nem procuro responder, desde que você se foi tem sido apenas uma casa vazia. Eu queria apenas seguir em frente sabe, fingir que você está em outro país, casado com três filhos e quem sabe umas amantes por aí, mas qualquer que seja as minhas expectativas, a realidade vem tão mais cruel e fria, e ao bater em minha porta me traz a dor da dura despedida. A despedida que eu nem pude dar.

Hoje estou na floricultura, estou fazendo um esforço descomunal para escolher as suas preferidas. Já faz mais um ano de sua morte, e me sinto como se ainda fosse tudo hoje. Nós dois, um pedido de casamento na porta do teatro e o meu explosivo sim. Antes mesmo que me desse o anel, em minha frente caiu de joelhos; “-Eu te amo Ana Paula”, foram suas últimas palavras, uma bala perdida acabou com nossa história, e a cada minuto que fecho meus olhos me lembro do exato momento que você foi embora.

Moral: A vida é aquela caixa que vem escrito em vermelho: FRÁGIL. E muitas vezes por acharmos que somos imortais a jogamos de um lado para o outro experimentando todos os sabores que podemos ter, mas ela não vem com um manual de instrução e tão pouco com um aviso prévio de quando teremos que nos mudar. Então o meu conselho é bem simples, viva como se o amanhã não fosse acontecer, ame sem medo, dance sem música, vá dormir depois de ver o sol nascer, e amanheça enquanto a lua ainda for a senhora da noite, seja adulto mesmo sendo criança, e não se esqueça de ser criança quando já for adulto, não perca um jantar em família, vá ao jogo do seu time do coração, se entupa de chocolates sem se importar com as espinhas, viva a sua vida, antes que ela seja apenas para os seus entes queridos mais uma despedida.

Escolhi te esquecer

A dor é extremamente aguda, o corpo está paralisado, a mente presa no último feeling da despedida. Eu não sei de onde tirei forças para simplesmente seguir em frente, anos de uma história jogada no ralo, dor, saudade latente, medo e um bocado de incerteza sobre o futuro. Foram tantos momentos sonhando com a liberdade que agora de fato eu me pergunto o que vou fazer com ela?

A história já estava fadada a um final, as estações mudaram, o vento se tornou cortante, a solidão fez morada no meu sótão e a sinto veemente se espreitar sob minha pele. Somos um acumulo de perguntas sem respostas, a rotina corriqueira e desenfreada que dava abertura para pausas contadas no cronometro para um beijo roubado ou um abraço no final do expediente.

Minhas vontades foram ficando mais vorazes, tanto quanto a sua incapacidade de me entender, minhas surpresas não te roubavam mais sorrisos e seus abraços não me davam mais a segurança de um lar. Eu quis gritar: “Ei! Me note”, mas você tão compenetrado em seu próprio mundo foi me deixando de lado, assim como os seus vinis sobre a prateleira de sua tia avó.

Eu programei a viagem de férias você passou o tempo todo reclamando, te escolhi a sobremesa mais deliciosa que um dia eu já experimentei, você ficou horas no celular, pedi para o garçom recolher o seu prato e você se quer titubeou. Eu queria andar de mãos dadas pela noite estrelada de Paris enquanto você me irritava com sua urgência de voltar para o hotel porque ainda tinha muito trabalho a fazer.

Eu, poeta. Você homem de negócios, eu ainda tão guria e você completamente maduro, eu querendo desbravar a América e você querendo ser presidente, eu vou ao supermercado com pantufas de joaninha enquanto você tem um terno para cada dia da semana. Foi quando fui me desprendendo de suas mãos e você nem se quer notou que eu já estava de partida mesmo que você estivesse de chegada.

Por mais que eu tentasse correr em sua direção você fugia pela tangente, eu te amei por nós dois o tempo suficiente que meu coração conseguiu aguentar. Você ainda me ama eu sei disso, mas está tão cego em seus próprios desejos que não tem mais a calma de me olhar serenamente e distinguir que não estou sorrindo para você, isso é realmente a nossa despedida.

Quando duas pessoas se amam, mas não se encontram na mesma sintonia, o amor tudo faz, ele se cria, recria, fere a pele e faz sangrar o coração, ele grita por socorro até nos jogar em uma prisão sem sonhos e de tardes sem sol. Eu te amo mais desejo a liberdade, morro a cada segundo contemplando o mesmo sorriso que um dia roubou todo meu amor não sendo mais suficiente para que eu fique por aqui. Eu te amo e talvez irei te amar para sempre, mas nossos mundos estão à beira de uma colisão, antes que subam as estatísticas de danos fatais me retiro dessa história, aqui da arquibancada irei sempre torcer pela sua felicidade mesmo que não sejamos mais nós. E acima de tudo te desejo um amor que te faça se sentir vivo mesmo que completamente dependente do amor de outra pessoa.

A graça não se encontra em ter uma pessoa, mas sim ser de outra pessoa, amor não é posse, amor é complemento, é estar com alguém porque não existe outro lugar que desejamos estar.

Devaneios da mente de um escritor

“Saio da livraria, atravesso o sinal e paro na calçada, olhando para o mar. O vento frio, vindo do mar, no entardecer, nos abraça igual ao filho que, separado da mãe, volta a reencontrá-la. O sol, calmamente, vai se escondendo atrás do grande monte que fica no fim da cidade – ainda consigo ver algumas casas empoleiradas ao longo do gigante.

Muitos estão com seus aparelhos celulares registrando a paisagem. No impulso, como quem está acostumado com a tecnologia, coloco minha mão no bolso para pegar o celular – imagine quantos likes e visualizações este cenário terá nas redes sociais? No entanto, paro e repenso, resolvo absorver toda a imagem e guardar apenas na minha memória, abarcando cada detalhe.

Meu repertório de palavras é limitado para o que guardo na mente, mas garanto que é uma das mais lindas obras que Deus nos presenteou. Aqui, aprendi que as memórias que nutrem boas lembranças são aquelas que capturamos pelos olhos da alma.

Amanhã quero que seja um dia diferente, vou acordar dando uma piscada pra vida, gentileza gera gentileza, se ela recebe de ti sentimentos bons, pra ti ela devolverá sentimentos melhores ainda. Voltarei aqui, farei novamente o mesmo percurso, e irei observar tudo como se fosse a primeira vez que aqui meus olhos se perdessem. A beleza rara se encontra na camuflagem de uma circunstância, de gastarmos um pouco mais de tato para enxergar aquilo que não está a mostra, e podermos descobrir que nos bastidores existe um espetáculo tão incrível quanto o homem de sorriso forçado que no palco está a entreter a plateia.

Analise o cenário e deixe se seduzir pela alma do palhaço e não unicamente pelas suas peripécias em um trapézio. A humanidade se perde na cobiça e no poder, enquanto a vida é construída de simplicidade e momentos impagáveis. Hoje, aqui fora, o céu está dando um show de boniteza. Onde está a sua verdadeira admiração?

Estou aqui, a selva é de pedra, o desejo é de mar, o pôr do sol convidativo me traz a nostalgia que vivo tentando deixar pra lá. Abstinência de momentos que ficaram apenas no filtro da lembrança. A esperança de um novo nascer do sol vêm e me traz na bagagem novos sentimentos bons. E que seja sempre assim, um novo espetáculo ao cair do luar, e que a fé chegue com o sol nos seus primeiros vestígios ao raiar.”

Tô sentindo tua falta

Desculpa começar assim, tão direta, mas não sei ser sutil quando o sentimento pulsa, arde e queima aqui dentro. Tua ausência está me matando. Eu tentei mentir para mim mesma, incontáveis vezes, alegando que tudo bem, mas eu me acostumei tanto ao teu carinho diário, eu me apeguei tanto ao nosso companheirismo louco, que me dói um bom bocado ver você se afastando, por um ciúme bobo. Eu não queria que o ‘amor’ fosse maior que a nossa amizade, sabe? Mas, pelo visto, nós dois estamos perdendo. O que será de mim se esse for o nosso fim?

Como refazer aquela velha rotina bagunçada que eu já estava tão habituada? Vivo me dizendo que é péssimo se apegar a detalhes, se prender à um velho clichê, querer sempre as mesmas coisas e pessoas. Por que é que eu não me joguei em outras novidades, momentos e distrações? Era tudo com você, do amanhecer até as madrugadas de pizza e papo furado na sacada da minha casa. Hoje, como tudo na vida, a metamorfose bate na porta da minha história bagunçada e me traz um novo cenário… Ok, mudanças não são tão ruins assim, mas e aí? Cadê você que no meio de todo esse processo? Já não segura mais a minha mão. Éramos “para sempre” ou não?

Eu queria fingir que não dói essa tua distância toda. Queria fingir que não me maltrata esse teu silêncio. E queria que você não interpretasse errado toda essa falta que você me faz. Mas eu sei que você vai ler de um jeito torto essas linhas que rabisco. Eu sei que, numa brecha de agora, você voltaria com as intenções erradas, confundindo e bagunçando ainda mais. Então deixa assim por um tempo. Eu te entendo. Sinto muito a tua falta, mas eu te entendo.

Algumas vezes, para não dizer que na maioria das vezes, precisamos recuar, precisamos apagar o desenho, refazer os traços, recomeçar de onde havíamos dito que seria perca de tempo, é preciso errar para finalmente conseguir entender seja qual for a lição ali aplicada. E se alguma coisa fez tão sentido durante esses dias sem notícias suas foi de que estamos definitivamente aqui para passar por fases.

Um dia nos conhecemos, nos apoiamos, construímos uma história no decorrer de todos esses longos anos, hoje já não rimos das mesmas piadas idiotas e tão pouco sei qual será a suas programações diárias. Mas a certeza do que um dia vivemos habitará para sempre no filtro da minha memória. O momento passa, porém o que é cultivado em forma de lembranças se torna referência para uma pessoa, para uma história ou para um amor. Sigo por aqui sentindo a sua falta, mas sigo feliz porque será sempre a minha lembrança preferida, aquela lembrança de uma amizade que em meus dias já não mais habita.

 

Chegou a hora de seguir o meu caminho

A dor é extremamente aguda, o corpo está paralisado, a mente presa no último feeling da despedida. Eu não sei de onde tirei forças para simplesmente seguir em frente, anos de uma história jogada no ralo, dor, saudade latente, medo e um bocado de incerteza sobre o futuro. Foram tantos momentos sonhando com a liberdade que agora de fato eu me pergunto o que vou fazer com ela?

A história já estava fadada a um final, as estações mudaram, o vento se tornou cortante, a solidão fez morada no meu sótão e a sinto veemente se espreitar sob minha pele. Somos um acumulo de perguntas sem respostas, a rotina corriqueira e desenfreada que dava abertura para pausas contadas no cronometro para um beijo roubado ou um abraço no final do expediente.

Minhas vontades foram ficando mais vorazes, tanto quanto a sua incapacidade de me entender, minhas surpresas não te roubavam mais sorrisos e seus abraços não me davam mais a segurança de um lar. Eu quis gritar: “Ei! Me note”, mas você tão compenetrado em seu próprio mundo foi me deixando de lado, assim como os seus vinis sobre a prateleira de sua tia avó.

Eu programei a viagem de férias você passou o tempo todo reclamando, te escolhi a sobremesa mais deliciosa que um dia eu já experimentei, você ficou horas no celular, pedi para o garçom recolher o seu prato e você se quer titubeou. Eu queria andar de mãos dadas pela noite estrelada de Paris enquanto você me irritava com sua urgência de voltar para o hotel porque ainda tinha muito trabalho a fazer.

Eu, poeta. Você homem de negócios, eu ainda tão guria e você completamente maduro, eu querendo desbravar a América e você querendo ser presidente, eu vou ao supermercado com pantufas de joaninha enquanto você tem um terno para cada dia da semana. Foi quando fui me desprendendo de suas mãos e você nem se quer notou que eu já estava de partida mesmo que você estivesse de chegada.

Por mais que eu tentasse correr em sua direção você fugia pela tangente, eu te amei por nós dois o tempo suficiente que meu coração conseguiu aguentar. Você ainda me ama eu sei disso, mas está tão cego em seus próprios desejos que não tem mais a calma de me olhar serenamente e distinguir que não estou sorrindo para você, isso é realmente a nossa despedida.

Quando duas pessoas se amam, mas não se encontram na mesma sintonia, o amor tudo faz, ele se cria, recria, fere a pele e faz sangrar o coração, ele grita por socorro até nos jogar em uma prisão sem sonhos e de tardes sem sol. Eu te amo mais desejo a liberdade, morro a cada segundo contemplando o mesmo sorriso que um dia roubou todo meu amor não sendo mais suficiente para que eu fique por aqui. Eu te amo e talvez irei te amar para sempre, mas nossos mundos estão à beira de uma colisão, antes que subam as estatísticas de danos fatais me retiro dessa história, aqui da arquibancada irei sempre torcer pela sua felicidade mesmo que não sejamos mais nós. E acima de tudo te desejo um amor que te faça se sentir vivo mesmo que completamente dependente do amor de outra pessoa.

A graça não se encontra em ter uma pessoa, mas sim ser de outra pessoa, amor não é posse, amor é complemento, é estar com alguém porque não existe outro lugar que desejamos estar.

Foi por causa de você

Leia ao som de Because Of You da Kelly Clarkson.

Já passada as festividades carnavalescas estou aqui, e não é a minha quarta-feira que é de cinzas, mas sim a tão temida segunda-feira, estou enrolada em uma toalha de banho segurando uma xícara de café, ao som de Kelly Clarkson sinto que a chuva que derrama lá fora é pequena perto as lágrimas que brotam de meus olhos negros de luar.

A música ecoa em todo o meu apartamento, ainda me encontro de luzes apagadas, resta unicamente a fresta que vem do banheiro o qual deixei a porta entre aberta. A cada nota musical sinto em minha pele ainda o toque de suas mãos, a textura de seus lábios e o cheiro de sua essência. Sinto vontade de abrir os olhos, abrir as cortinas, permitir que a chuva adentre e venha também lavar todas as lembranças que ainda me resta de você.

“I will not make, the same mistakes that you did. I will not let myself, ‘cause my heart so much misery” (Eu não cometerei os mesmos erros que você, eu não me permitirei causar tanto sofrimento ao meu coração)

A música continua a vir invadir a minha alma e me abraça com sua letra como se fosse o consolo que necessito para aquele momento, mas na realidade o balsamo dura cerca de segundos, porque a realidade é que a decisão já foi tomada e ao escolher seguir em frente os nossos caminhos se tornaram opostos, tu ficou com o que restou de nós dois, e eu escolhi a incerteza do futuro, o medo de sobreviver em dias que tu não seja mais o meu caos ao meio dia, ou a minha bússola a me orientar para qual seja o caminho que devo continuar.

Erros meus, erros seus, seja de quem foi a culpa, decidi deixar tudo pra lá, prometi a mim mesma fazer tudo diferente, mesmo que os desejos que ardem em meu corpo sejam unicamente aqueles que me levam até você. A crueldade de seu olhar ao me dizer:

– Se é o que desejas, então siga com a sua vida, eu não irei lhe impedir.

Fora o ponto crucial para me libertar das garras que ainda me mantinham presa a ti, o prazer era mútuo mas durava somente enquanto as garrafas de vinhos não se esvaziassem, depois eram dois corpos extasiados pelo prazer, a luxuria cedia lugar ao descaso então tu acendias mais um cigarro e abandonava o meu quarto e também todas as promessas de um amor ardente.

“Because of you, I never stray too far from the sidewalk, Because of you, I learned to play on the safe side, So I don’t get hurt.” (Por sua causa, eu nunca ando muito longe da calçada, por causa de você eu aprendi a jogar do lado seguro, assim eu não me machuco. ”

Dizem que devemos nos arriscar, jogar mesmo sem a garantia do acerto ou independentemente de placar, mas acabei de sobreviver ao naufrágio de uma relação submetida ao fracasso, me deixei levar por momentos, e não notei que pra ti fui unicamente um capricho, que seu corpo era meu em alguns momentos mas que jamais teria acesso ao seu coração, e de tantas migalhas que tu me jogastes decidi optar pelo fim dessa relação.

Um final que não me deixas sequer um sinal de recomeço, e graças a ti, hoje tenho medo de me olhar no espelho, quem sabe o que irei encontrar ao contemplar a minha própria imagem? O escuro do meu quarto e uma melodia triste é muito mais seguro do que andar pela chuva e quem sabe finalmente aprender a dançar, assim como dizem os mais sábios anciões. Mas foi graças a você que aprendi o lado mais dolorido do amor, e é nisso que tenho me agarrado para completar a minha lição e nunca mais provar da dor.

Hoje vivo presa em uma realidade submersa a fragmentos de uma história a qual já não vivo mais, mas levo como experiência, porque em meu coração, ninguém mais irá fazer morada. “ I was so young, you should have known, better than to lean on me, you never thought, of anyone else, you just saw your pain, and now I cry, in the middle of the night, for the same damn thing.” (Eu era tão jovem, você deveria saber, melhor do que se apoiar em mim, você nunca pensou, de qualquer outra pessoa, você só viu sua dor, e agora eu choro, no meio da noite, por causa da mesma maldita coisa.)

Graças a você criei a resistência necessária para amores fugazes, hoje eu me retiro antes mesmo de me doar, eu já provei da dor, e não espero nunca mais esse mesmo cálice degustar, e foi tudo por causa de você.

Because Of You…