Você me mostrou um amor que não encontrei em mais ninguém

Às vezes eu me pego pensando em nós dois; no início de tudo, sabe? Naquela época em que éramos mais amigos que amantes, mas que você já começava a me mostrar que o amor acabaria ganhando mais espaço entre nós.

Quando demos o nosso primeiro beijo, eu até cheguei a pensar que seria só mais uma aventura entre amigos, uma amizade colorida – bem clichê. Mas não. O nosso primeiro beijo não foi um beijo qualquer, e você sabe. Havia mais coisa ali, além de amizade. Parecíamos dois amigos que estavam esperando a hora certa de dar o próximo passo. E nessa vontade de ir além, acabamos tropeçando no amor que outro tinha para oferecer.

Você me ensinou muita coisa. E eu te mostrei que você não sabia muito também. Aprendemos juntos a aceitar os defeitos, a rir das manias bobas que o outro tinha, e a relevar os problemas quando o amor se distanciava de nós. Aprendemos a ser paciente com o que tínhamos a oferecer.

E o que você me ofereceu, eu nunca encontrei em outra pessoa. Não com a mesma forma estabanada que você tinha de se desculpar, não com aquele seu sorriso tímido que sempre me fazia sorrir também, não com aquela dedicação que tínhamos para fazer o outro sorrir todos os dias.

Você me mostrou que o amor existe. E isso foi suficiente para que eu nunca precise cobrar isso de mais ninguém.

 

Amar você me intriga

Gostar de você me intriga!

Não era para ser assim, sabe? Me intriga saber que suas palavras vazias preenchem o meu dia com a esperança de ouvir o seu “Oi” outra vez. Me incomoda perceber que mesmo distantes, estamos juntos em algum lugar da minha imaginação. E a cada dia que passa sinto que somos ligados por uma conexão que vai além do meu entendimento.

Me intriga nunca ouvir a sua voz mas desejar que você fale baixinho no meu ouvido antes de dormir. Me intriga não te ter por perto mas sorrir só de imaginar que nunca estamos longe de verdade. Me intriga não poder tocar o teu corpo mas ter a certeza de completaríamos todos os vazios que nos separam.

E as vezes eu me pergunto se tudo isso é de propósito. Se você me intriga para ter acesso ao que ninguém tem, ao que ninguém consegue tocar. Me intriga essa luz que te você acende, todas as vezes que aparece com o seu “Oi” no meio de uma madrugada qualquer, com um proposta qualquer.

Sabe esse coração azul que bate no teu peito? Eu quero desmistificá-lo. Quero entender do que você tem medo, nas entrelinhas de cada palavra que diz, de cada sentimento que costuma esconder. Quero mais do que só uma parte de você, quero você por completo. Os velhos hábitos, os traumas, as mais profundas qualidades.

Eu cansei de brincar por aí.
Eu amo conhecer você, mas odeio não saber quem você realmente é. Nada além da pessoa que me toca e me arrepia. Que me faz sorrir sozinha, com duas palavras na madrugada, mas que some por dias. Me deixa tocar no seu coração azul, me deixa ir além desse vazio idiota que você esconde?

Mas quer saber? Também já nem importa mais entender.
Eu só quero ser,
Ser com você,
Ser o que você quiser.

Hoje, eu apenas me conformo com o que eu sinto; apesar disso tudo que me intriga.

A solidão se acostumou a me dar abrigo

Já tentei ser mais constante, mas não me acostumo. Não sei ser periódico, metódico e prestativo, não faz parte de mim comparecer, dizer um alô, mandar recado. Minhas saudades pertencem somente a mim e não preciso espalhar para o mundo que queimo por dentro, que arde o peito e que choro, escondido. Sou aquele que chamam de “sumido”. E sumo mesmo, apesar de estar sempre no mesmo lugar. Talvez seja isso. Esse quê de ser invisível, distante de tudo, sentado num quarto escuro, com um celular vibrando nas mãos.

Não sou bom em disfarçar, então eu me calo, eu me anulo. Digo aquilo que convém e ninguém percebe que as palavras são vazias e distantes. Não faço questão que percebam, de todo modo. Me acostumei a oferecer ausência. E de tanto tentar me fazer presente em histórias que se perderam no passado, acabei perdendo a vontade de ter alguma participação no futuro. Permaneço preso entre a saudade e o orgulho. Tento recomeçar, mas já não sei mais como dar o primeiro passo. Já dei passos demais – em vão.

Eu nunca fui uma pessoa solitária, mas a solidão se acostumou a me dar abrigo. Fui obrigado a me dividir entre pessoas que já não me consideravam como parte de suas histórias; e ao invés de compartilhar quem eu era, me vi desaparecer – aos poucos. Sou feito de um amontoado de lembranças que tinham tudo para virar saudade, mas que acabaram virando passado. Me tornei invisível. Quem me conheceu já não sabe mais o que dizer sobre mim. O celular continua vibrando em minhas mãos, e eu só não atendo porque já não sou a mesma pessoa que passou este número para alguém.

Obrigada, mas quero te esquecer

Confesso que foi num acesso de raiva que resolvi jogar todas as tuas coisas fora. Eu estava entre o quadragésimo sétimo e quadragésimo oitavo gole de cerveja, sentia o sal começar a queimar nos olhos e, sei lá, o impulso resolveu me dominar e comecei a acumular tudo num canto qualquer da casa. Eu queria tocar fogo, ver tudo que era teu virar cinzas e ver se, pelo menos na despedida, eu voltasse a sentir aquele calor todo.
Mas ‘fogo’ me traz memórias e eu queria fugir delas também…
Afinal, o nosso amor nos manteve aquecidos por muito tempo, mas, naquele momento, eu não queria me lembrar do calor que sentia quando os nossos corpos se encontravam, não queria mais saber das noites em que, de tão próximos, transbordávamos desejo em meio ao suor que nos dividia, não queria esquentar as memórias de um amor que morreu de frio – coberto somente pela ausência que você insistiu em me oferecer.
Por agora, apagarei a imagem dessa pessoa interesseira e egoísta que você se tornou e ficarei apenas com as memórias das horas mais lindas que passei ao teu lado.
E só pra você saber, se a nossa história tivesse virado cinzas, ainda assim eu ficaria apenas com as lembranças que não se desfazem com o passar dos (d)anos.
Obrigada por ter mostrado um outro lado  meu e do mundo. Obrigada por ter me encontrado — e me devolvido de volta.

O dia em que comecei a me amar com todas as minhas forças

Hoje eu acordei mais cedo que o normal. Lavei as mãos, lavei o rosto, e, ao me olhar no espelho, me deparei com uma imagem que não via há muito tempo. Era eu do outro lado, obviamente, mas eu estava diferente, como se soubesse, em sonho, que aquele dia fosse mudar o rumo da minha vida, como se soubesse que eu não havia levantado mais cedo por acaso.

Liguei o rádio no volume mais baixo – todos ainda estavam dormindo em casa. Mas o liguei na hora certa. A música que tocava era “Somos quem podemos ser”, e, naquele momento, já não havia mais como não perceber que aquele dia seria todo meu. Entre um gole e outro de café, as ondas do rádio me diziam que “o vento, às vezes, erra a direção”; e entre um gole e outro, eu concordava, me lembrando de um passado que me fez andar perdido por muito tempo antes de me encontrar.

Era uma manhã de domingo. O primeiro dia do mês. E enquanto eu ainda resgatava na memória todos os passos que me fizeram chegar até aqui, voltei a minha atenção para música, que dizia que “Quem duvida da vida, tem culpa. Quem evita a dúvida, também tem.” Naquele momento, eu já não duvidava de mais nada. Aquele domingo era o dia perfeito para manter a esperança acesa dentro de mim.

“E tudo ficou tão claro, um intervalo na escuridão”, e de repente eu já sabia que tinha todas as ferramentas necessárias para fazer as coisas serem exatamente como deviam ter sido quando me perdi. A resposta estava ali, dentro de mim, o tempo inteiro. Sabe lá por qual motivo eu demorei tanto para perceber. Sei que percebi e foi na hora exata, no momento mais propício, quando eu fiquei preparado para subverter minha própria existência.

A canção me paralisou enquanto tudo pareceu fazer sentido. Finalmente, vi com clareza entre o emaranhado de pensamentos que tanto me causou confusão. Agora já não havia razões para deixar para depois. Aquela exata ensolarada manhã de domingo me mostrou que as “nuvens não eram de algodão”. Mesmo assim, as chaves que abrem a prisão estavam nas minhas mãos. Sabe quando parece que alguém nos sussurra a resposta nos ouvidos? Foi o início de um momento de revolução dentro da minha alma.

No fim, para sermos quem podemos ser, é preciso acessar o que se tem de mais intenso e puro dentro de si mesmo. E foi naquela manhã que minha vida mudou para sempre. O dia em que comecei a me amar com todas as minhas forças.

 

Paulinho Rahs & Neto Alves.

paulinho rahs

neto

 

Bateu saudade de nós dois

Bateu saudade de nós dois. Aquela saudadezinha boba, saca? Sabe aquela que vai chegando do nada, sem avisar, mas quando você se dá conta ela já tomou a casa inteira? Então. Foi mais ou menos assim e vou te contar como rolou.
Hoje resolvi revirar aquelas nossas fotos antigas que ficaram  guardadas no fundo da minha gaveta. Deu saudade, sabe? Saudade de um tempo em que olhávamos para a lente com a certeza de que a nossa história ia durar para sempre. E olhando as nossos fotos agora, uma a uma, eu percebo que estávamos certos: seremos eternos, mesmo que em forma de lembranças.

Aliás, por falar em lembranças, não seremos eternos apenas pelo que passou, mas também pelo muito que ficou depois que cada um seguiu o seu destino. Ainda há muito de mim em você, muito de você aqui comigo, e muito de nós entre essa saudade que nos separa.

Se-pa-ra-ção. Nos filmes é tudo muito mais fácil, né? Vai cada um prum lado e segue o jogo. Eu confesso que tentei ser assim, mas não tá rolando, morena. Não tá, porque eu não sei fingir que não sinto. Não sei lidar com a falta de contato, de notícias. Sem a falta do teu bom dia. E nem vou entrar no mérito do sexo, porque aí seria covardia. Puta que pariu, que falta faz você do meu lado na cama. Em baixo de mim também. Por cima inclusive. Que falta que faz você, morena.
Voltei a olhar as nossas fotos e percebi que, em uma delas, você vestia a mesma camisa que eu ainda uso. Foi então que eu comecei a pensar em todas as coisas que não tinham dono quando éramos um só.
Tinha o nosso banheiro, que você me provocava e dizia que era só teu – e praticamente era – com todos aqueles cremes e shampoos e afins. Eu tinha um cantinho pro meu barbeador,  pra minha escova de dentes e olhe lá. Agora eu tenho uma bancada inteira e vazia só pra mim, pra combinar com o vazio que você deixou.
A história se repetia com o guarda-roupas. E aqui eu falo do móvel e das peças dentro dele. Três partições pra você e uma pra mim. Parece até aquele episódio do pica-pau, que o lobo divide a comida com ele sabe? “Dois pra você e um, dois pra mim”. Minhas camisas? Tu adorava fazer de vestido e ficava sexy pra caralho com elas. Vou te contar um segredo: eu já comprava elas pensando em como você iria usar…
Guardei as fotos no envelope, coloquei em baixo de algumas camisetas, no fundo da terceira gaveta e torci por um sinal teu enquanto una lágrima teimosa escorria.
É que bateu saudade de nós dois. Aquela saudadezinha boba, saca?

O que mudou quando decidi não ter que resolver a minha vida até os 30

“Quando você completar trinta anos, já tem que estar com a vida feita, viu?”

A primeira vez que eu ouvi essa frase, eu fiquei atordoado. Eu mal havia completado vinte anos, e, de repente, descobri que em menos de uma década eu deveria estar com o meu castelo todo de pé; com uma sólida formação acadêmica, com um emprego que me pagasse uma quantia de dinheiro muito maior do que eu realmente precisava, com uma casa própria, um ou dois carros na garagem…

Eu tinha apenas vinte anos de idade. Vinte anos.

O que uma pessoa tão nova pode decidir em relação ao seu futuro? Por que não dar mais tempo? Por que seguir o mesmo caminho que outros seguiram? Por que não sair da zona de conforto?

Mas para todas essas perguntas, a resposta era sempre a mesma: “Porque não”.

“Porque não” significava a lembrança de algo que não deu certo com um familiar há doze anos atrás. “Porque não” significava o medo de você não fazer engenharia, medicina ou direito, e, dificilmente conseguir arrumar um bom emprego no futuro. “Porque não” significava não poder olhar nos olhos dos familiares e dizer: “Viu só onde o meu filho chegou?”

Porém, já naquela idade, eu estava decidido a não ser mais um “porque não”. Apesar dos meus vinte anos, eu já carregava uma vontade de viver que me impedia de seguir por uma direção que não me arrancasse um sorriso a cada passo dado. E o que eu fiz dali em diante, foi me tornar um “porque sim” para todas as coisas que fizessem o meu coração bater mais forte.

Foi então que eu desisti de pessoas. Abandonei cursos de graduação quase completos. Me desapeguei de sonhos que nunca foram meus. Mudei as minhas amizades. Perdoei todas as pessoas que me magoaram de alguma forma. Esqueci tudo aquilo que não tinha mais perdão. Me livrei de pessoas tóxicas. Comecei a dar menos valor às coisas materiais. E, principalmente, comecei uma história de amor com a pessoa mais importante da minha vida: EU.

Hoje em dia, apesar dos meus 28 anos, ninguém mais me pergunta se a minha vida estará resolvida aos 30. Pois, agora, eles sabem que eu só me preocupo em ser feliz. E, isso, eu já venho fazendo desde os meus vinte anos de idade.

Eu queria que a nossa saudade tivesse fim

Eu queria conseguir chegar ao fim de alguma coisa. De uma música que me lembra alguém que já se foi, de um filme qualquer que peguei pela metade, daquela rua que me lembra você e que me faz virar logo na primeira esquina pra me esconder da saudade…

Mas é que eu meio que me acostumei a ficar pelo caminho; entre o início e o fim, entre a ansiedade da espera e a saudade do que não se pode mais esperar.

Por isso, eu só queria chegar ao fim uma única vez, nem que seja para saber o que eu encontraria, nem que seja para ver se teria alguém esperando por mim. Mas sempre que chego perto do fim, eu me trombo com uma saudade qualquer, que logo trata de me convencer que no início é muito mais fácil acreditar, é mais fácil sorrir, e como se está longe demais para enxergar o fim, também é mais difícil perceber que ele existe.

No fim das contas, eu só queria conseguir chegar ao fim para ver se a sua saudade desiste de procurar por mim.

Decidi partir

Eu decidi partir numa manhã ensolarada de domingo. Tinha ensaiado uns discursos tortos para te dizer, mas não havia nada — de fato — para ser dito. Como que se diz adeus à um amor que deveria ser para sempre? Arrumei as malas enquanto você dormia. As coisas estavam todas sob controle. Eu tinha começado pelo supérfluo, sabe? Guardei as meias, as calças, uns pijamas velhos. Guardei meus sapatos e meu chinelo, embrulhado numa sacola qualquer. Eu tinha juntado tudo ali, naquela manhã de domingo, enquanto você dormia e, realmente, estava tudo indo bem… Até que esbarrei nas memórias. Até que esbarrei nas nossas fotografias…. Até que esbarrei no nosso ‘pra sempre’.

Foi então que descobri que arrumar as malas não seria a melhor forma de organizar a nossa história. Adiantaria se eu levasse embora todos os meus pertences, e deixasse para trás um amor que sempre nos pertenceu? E se você ficasse ali, ocupando todo o espaço da cama, o que sobraria do imenso espaço que você ainda ocupava dentro de mim? Logo eu que sempre te quis por perto, logo você que sempre quis ser par, logo nós que sempre fomos um?! Seria injusto, sabe? Seria injusto com você, comigo, seria injusto com esse nosso amor que não merecia partir, assim, de mansinho, a passos cuidadosos, como quem tem medo de acordar um sentimento que sempre esteve vivo dentro de nós…

Olhei para a mala semivazia aos meus pés. Olhei para teu sono tranquilo. Meu coração, ao contrário, estava cheio e palpitava descontrolado. Eu queria fugir, sabe? Queria carregar o que era meu, sair sem olhar para trás e seguir a vida sem esse sentimento louco gritando no peito… Era uma manhã ensolarada de domingo e eu, que acordei decidido a partir, percebi que ir embora também me deixaria partido.

Eu ainda te escrevo para falar de nós

Sabe que eu sinto falta de quando você me escrevia? Sinto falta daquele seu jeito desastrado de errar no começo das frases, e até de quando você rabiscava a palavra “amor” e então colocava o meu nome. O que você não sabe, é que eu ainda te escrevo sempre que a saudade vem me visitar.

Te escrevo quando ouço a nossa música, quando passa o trailer do nosso filme preferido, e até quando pego aquela minha camiseta que você sempre usava antes de dormir. Às vezes, logo na primeira linha, eu te pergunto se está tudo bem, mas assim como você fazia, eu rabisco tudo, e troco por “espero que tudo esteja bem com você”. É só o meu jeito de evitar saber que você está melhor sem mim.

Entretanto, acredito que você não deve ter recebido a minha carta no seu aniversário, ou quando fez um ano que a gente terminou e eu te escrevi para saber se realmente seria o fim. Na verdade, você não deve ter recebido nenhuma carta. Pois tudo aquilo que eu não tive tempo de lhe dizer, hoje eu guardo só para mim.