O valor que eu daria pra não te perder. De novo.

Nem sei quantas horas passaram. Só sei que, mais uma vez, me perdi olhando de longe para lugar nenhum, sentindo cada grama da tonelada que pesa sua ausência. Carregar o mundo nas costas não me parece mais uma hipérbole. No meio de tanta escuridão, algumas lembranças me fazem dar atenção à ideia de que você pode voltar. Pode voltar porque foi embora da minha vida, mas nunca foi embora de mim. Meu choro se converte em riso quando relembro aqueles detalhes tão nossos, que eu jamais conseguirei converter em palavras. Nenhuma delas é capaz de carregar em sua etimologia o que foi sentido. As palavras vão até certo ponto da emoção. A partir dali, é coisa de alma. Não há linguagem verbal. É esse nível que encontro quando mergulho no mar de lembranças tuas. Perco as palavras e o sentido da realidade. O presente não me parece nada receptivo quando olho para trás e vejo que o passado é insubstituível. É difícil andar pra frente e impossível andar para trás, então me encontro aqui, parado nesse recorte de tempo. Aqui não há mais ninguém além de mim.

Queria poder trazer você para cá, te colocar no meu colo de novo e ouvir você dizer que eu sou a melhor parte do seu dia. Queria poder tirar do peito todas as mágoas que plantei em ti e limpar as feridas com água de amor. Eu errei e sei que é penoso pensar em mim sem se lamentar, mas eu queria que você soubesse que é ainda pior me encarar no espelho.

O que eu queria, de verdade, é que a dor em nós dois cessasse. É um contrassenso duas pessoas sofrerem quando, juntas, poderiam estar felizes. Mas quem disse que a vida nos oferece o lógico?

Fico pensando no que você está fazendo agora, se teve um dia feliz, se viveu todas as trivialidades que a certa altura de nós dois eu parei de perguntar. Doaria horas preciosas do meu dia pra ter isso de volta.

Eu disse que não tinha tempo. Ironicamente, depois que você foi, é ele que me importuna com dias intensos de tédio solitário. Eu reclamava da falta do que fazer. Pelo menos eu fazia nada com você. Eu dizia que as coisas entre nós estavam estranhas. São bem mais estranhas sem nós. A vida, na maioria dos dias, é estranha.

Quem sabe um dia eu aprendo a dar o valor devido antes de perder.

Por enquanto, vou aprendendo com o mais severo pragmatismo: tua ausência.

Cansei de esperar pela sua volta

Quando a gente passa muito tempo esperando por algo, todas as coisas se redimensionam. O sentimento dentro do peito vai consumindo nossa esperança, corroendo nossas pequenas alegrias, nos forjando de uma maneira completamente diferente. É um pequeno desvio no caminho que no fim da linha acaba em um lugar completamente diferente daquele que se havia planejado. Esperar por segundos causa ansiedade, esperar por minutos causa apreensão. Esperar por horas, tédio. Por dias, aflição. Agora esperar por anos é a tortura mais cruel que se pode imaginar. Querer muito e não saber quando as coisas vão se resolver tão cedo. Continuar querendo e ter a cada dia mais certeza de que continua longe das nossas mãos. Manter-se afim e chegar à angústia de saber que talvez nunca mais vá acontecer. Ter um desespero de estimação ao compreender que o certo é desapegar, contudo se ver impossibilitado disso.

Já perdi as contas de quanto tempo se passou desde que me falaram de sua existência. Não consigo lembrar muito bem como começou e nem como foi ficar tão confuso. O que eu lembro com precisão são dos momentos. Os bons e os ruins. Os felizes e os angustiantes. O começo e o final. Você: na minha carona e na contramão. Ontem à noite sonhei contigo de novo. Deve ser o milésimo sonho. Deve ser a centésima vez que acordo iludido com a possibilidade de que, por alguns segundos, você havia voltado. Justo quando eu tentava vida nova, você estava ali, como um vício, pronta para me oferecer mais. Eu não entenderia a sua volta, mas não tem problema algum. Eu jogaria tudo pro alto no exato mesmo instante e me agarraria com todas as forças na possibilidade de ter o teu corpo colado no meu. Só que nesta manhã, tudo mudou. Acordei e não te quis mais. Não foi você o meu primeiro pensamento do dia. O lago negro do seu olhar, de repente, parou de me envenenar. Me recusei a beber dessa água turva.

Eu nunca acreditei que esse dia pudesse chegar. A chance de ter você aqui era pequena demais, mas a chance de não te querer mais era meramente ilustrativa. Eu sempre alimentei essa esperança surreal e nunca deixei que outro alguém ocupasse seu lugar. Cultivava sua imagem como uma criança e colocava você no mais alto degrau na escala do amor. Nada era mais forte ou intenso do que o passado que vivi ao seu lado. Quando outra pessoa ameaçava se aproximar demais, sempre me parecia pouco. Aqueles sorrisos não eram o seu, aquele olhar não era tão profundo, as mãos não gesticulavam da mesma maneira. Eu comparava cada movimento e ninguém chegava perto do efeito que você causava em mim. Mas nessa manhã tudo mudou.

Não sei explicar o que foi que tirou você de mim, acho que foi a exaustão. A intensidade do que compartilhamos ficou fraco diante do nó que travava a minha garganta. Eu precisava respirar e essa ilusão louca não permitia. Chega. Os dias de amargura chegaram ao fim. Não sei o que será dos meus próximos dias, nem das próximas horas, mas com certeza não serão dedicadas a esperar pela sua volta. Agora eu aguardo por novas oportunidade, sem o peso do relógio e o olhar preso no retrovisor. Não volte mais, desisti de te esperar.

Paulinho Rahs

O rancor aprisiona

Ela ainda não sabe o crime que cometeu, mas está encarcerada. A cela é fria e úmida. A comida é escassa e as visitas, cada vez mais raras. Seu grito ecoa num ambiente que não acolhe dores. Ela gasta o tempo que tem a pensar em tudo que a fez chegar até ali e planeja, minuciosamente, os próximos passos dentro daquele pequeno tártaro. Todos os dias a rotina se repete. Ela alimenta a história, cuida de cada detalhe para nenhum deles ser esquecido. Insano dizer, mas ela parece saborear cada dor, cada mágoa e todas as palavras frias, proferidas numa manhã de domingo, entre um gole de café e um baque de porta. Ela faz questão de recordar e remoer todas as nuances que a memória conseguiu preservar, tudo isso é uma forma de dar tons e cores sombrias para a vendeta desejada. Existem detalhes que se perdem com o tempo, mas estes ela sobrepõe com sentimentos que ganham força a cada dia. Cada hora de sono perdida é um motivo a mais para odiar e fazer com que o guarda passe em frente a cela e venha lhe dizer mais uma vez:

– Eu te avisei.

Conforme o tempo passa ela se vê mais próxima daquele guarda que cuida com zelo de sua cela fria. Ele se chama ‘rancor’ e a vontade de abraçá-lo lhe cobre por completo.

Cansa estar rodeada de todas aquelas grades, ela já não vê mais o sol nascer e o guarda “rancor” não a deixa sair. Ela já pediu e implorou por misericórdia, mas ele é implacável. A desistência a coloca numa posição ainda mais fria e ela, aos poucos, morre pra vida.

É irônico pensar, mas ela quem alimenta o próprio Guarda que a aprisiona. Quanto mais presa fica nesse sentimento de mágoa, rancor e vingança, mais se tranca dentro da prisão que ela mesmo construiu. Sente vontade de se libertar das amarras do sentimento, mas só consegue criar histórias traiçoeiras para ferir cada uma das almas que lhe feriu. Ela culpa as pessoas pela prisão em que se encontra, sem nem se dar conta que é ela quem se mantém presa.

Dessa forma, pouco a pouco, vai sendo consumida por essas coisas que a gente sente e não se policia por sentir. Coisas que se tornam normais, porém são tóxicas, sufocantes e a transformam de uma maneira ruim. Uma existência que poderia ser bela, mas que vira uma cadeia fria, suja e sem cor. Uma prisão feita de rancor onde ela é júri, juiz e executor. Condenada e aprisionada, sem interesse algum em lutar pela própria causa.

Vim dizer que te amo

Chovia torrencialmente naquela tarde e não era apenas do céu que a água caía com força. Um temporal escorria dos meus olhos e inundava um peito destroçado. A notícia da sua partida havia partido o que restava inteiro por aqui. O Caio, seu melhor amigo, me disse que você embarca hoje para Londres. Londres é longe demais e você não podia ir embora assim, para o outro lado do planeta, sem conhecer a imensidão dos meus sentimentos. Eu precisava olhar para você para lhe dizer tudo que vivia aqui dentro.

Eu sei, eu lhe disse “não” quando você bateu na porta da minha vida, mas eu estava confusa demais para te deixar entrar e por isso te mandei embora. Eu já te amava, mas fui covarde para assumir um sentimento desse tamanho. Pouco tempo depois outra te disse “sim” e um imenso sorriso lhe brotou nos lábios. E ali, naquele sorriso, eu percebi, tarde demais, que você era o que eu tinha de mais precioso. Entendi que a confusão só fazia sentido porque você sempre esteve presente. Inocente, eu acreditava numa espera utópica que não fazia sentido nenhum. Covarde, resolvi me calar e assisti você ser feliz sem mim.

Durante todos esses anos, ensaiei minha declaração de amor, preparei um discurso, planejei a conquista, escrevi cartas, ameacei ligações, mas estava assustada demais para colocar qualquer coisa em prática. Desisti de tentar. Eu já tinha desperdiçado a minha oportunidade. A culpa era só minha. Eu não tinha o direito de despejar em você todos os meus arrependimentos. Escolhi esperar, esperar você estar liberto para assim lhe entregar meu amor num embrulho bonito. Esperar. Esperar. Não havia mais tempo. Você partiria sem data de retorno e eu não suportava a ideia de viver sem lhe dizer que o seu amor floresceu dentro de mim.

Entrei no carro, enxuguei as lágrimas, respirei fundo e acelerei. Os radares não me impediram, o farol vermelho não me fez frear e eu larguei o volante assim que parei na porta do aeroporto. Eu corri. Corri o mais rápido que minhas pernas permitiram e busquei o Portão 3 com olhos secos e focados. Gritei seu nome, tropecei em malas alheias, busquei informações e encontrei o portão no exato instante em que seu avião levantava voo. De novo, tarde demais.

Outro temporal inundou meu peito e, no chão daquele aeroporto, entendi tudo. Eu não podia mais esperar. EU TE AMO. Te amo e preciso lhe dizer isso para desatar os nós que vem sufocando minha vida. Eu quero você com todo o meu viver, de uma maneira que você não faz ideia. O que sinto por você é lindo, intenso e forte o suficiente para me fazer deixar tudo para trás. Venho aqui para lhe entregar o que tenho de mais precioso: Meu amor por você. Venho cultivando tudo isso por anos e sei que essa é a hora de colocar para fora. Não sei qual será o resultado desse meu desatino, mas ele se faz necessário. Não importa se você vai correr para os meus braços ou para um Pub inglês. Não posso mais sufocar algo dessa importância. Esse amor não é só meu, também é seu. É justo que você tome posse.

Voltei para casa, fiz as malas, peguei o passaporte e entrei no avião cheia de coragem. Desembarquei em Londres numa noite quente e, com seu endereço no bolso, aluguei um carro. Dirigi por essa cidade estranha e mágica e parei na porta do seu novo apartamento. A luz da sua janela está acesa e já consigo imaginar a sua cara irritada por ter que desfazer as malas. Vou deixar essa carta e uma London Pride na sua porta. Beba a cerveja, leia com calma e, se ainda restar algum amor por mim aí dentro, me encontre no Starbucks da Nothing Hill Gate. Espero que não seja tarde demais.

Não quero mais brincar de distâncias

Cansa essa vida de viver longe de você. O coração fica pequeno cada vez que um abraço não é dado, que um beijo não é trocado, que a pele não roça. Sobra distância, falta toque. E com a falta do seu corpo junto ao meu, também cansa essa vontade de encurtar os quilômetros que nos separam, mesmo sabendo que os nossos corações estão perto demais para se perderem de vista.

Desgasta essa saudade que se acumula diariamente. A falta é sempre mais presente que a presença e é doloroso demais viver assim. Suas palavras alimentam o que ainda sinto, mas como competir com a falta de atitude? O desejo de agir até existe, mas fica só na intenção. De concreto temos apenas esse amontoado de vontades e saudades e não sei se eu estou disposta a colecionar essas dores todas.

Eu sei que tudo isso dói aí também e não é gostoso saber que sou motivo de aflição no coração que eu só queria afagar. Queria poder fazer mais, tocar mais, viver mais, mas como? Quilômetros me impedem e te impedem também. Na teoria é bonito dizer que o amor constrói pontes, mas na prática, a saudade massacra os planos e o projeto da ponte nunca sai do papel. Eu agonizo por proferir tais palavras, mas a verdade precisa ser dita agora, antes de nos ferir com as próprias mãos, antes de encontrarmos abrigo a centímetros de distância.

Não quero varrer nada para debaixo do tapete, prefiro rasgar o projeto da ponte antes de planejar a construção dela. Parece inviável, vê? Uma ideia louca de que um dia a gente possa, finalmente, estar lado a lado… Dói demais essa distância entre nós. Eu vejo os quilômetros aumentando, a gente se afastando e as nossas possibilidades virando poeira.​

Quanto você mente?

A gente cresce se acostumando com as mentiras, já reparou? Tudo começa de pequeno, quando a mãe oferece um remédio e mente dizendo que é bom. A gente toma na fé, mas se frustra, porque era uma mentirinha. Ou quando a mãe dizia que era ‘só dar um beijinho que passa’. O carinho aliviava o choro, mas a dor não passava não…

A gente acreditou nos contos de fada, no papai-noel, no coelhinho da páscoa e até na fada do dente. Quem dá dinheiro fácil assim? Os anos passam e a gente vai descobrindo que os mimos eram todas mentirinhas inocentes pra deixar a gente mais feliz e acabamos por acreditar que valeram a pena, não é mesmo? Assim a gente segue nesse ciclo de inverdades inocentes. Algumas são contadas para não magoar o outro, outras para não magoar a nós mesmos. Umas evitam atritos, outras trabalho. E aos poucos vamos colecionando um monte delas.

Mais triste do que acumular mentiras é aceitar outra porção delas. A gente sabe que a amiga não estava dormindo ou que o pneu do namorado não furou, mas a gente engole. Aceita para evitar o estresse de uma briga, para acalmar o coração ou só para se enganar e fingir que está tudo bem. Todos os dias são mentiras e mentiras que a gente aceita para evitar a fadiga. ‘meu celular não despertou’, ‘achei que você quem tinha me excluído’, ‘perdi a conversa, por isso não te respondi’, ‘oi amiga, me ligou? Estava ocupada’, ‘ah, que pena, já tenho compromisso’, ‘amanhã começo a dieta’… A gente sabe que as coisas não foram assim, a gente sabe que são mentirinhas e ok. Aceitamos. E, aceitando, a gente começa a evitar a fadiga de ter que se explicar e solta mentirinhas também. E a pessoa do lado de lá, digere a mentira e segue tudo bem.

Por que?

porque a verdade nem sempre acaricia o dia e de mazelas estamos saturados. A vida já bate o suficiente na gente, né? Melhor mascarar aqui e ludibriar ali. Assim a gente evita mais um monte de dores e guarda a paz no bolso. O que a gente esquece é que as mentiras pesam, maltratam e acorrentam.

Até quando a gente vai engolir mentirinhas porque ser sincero, ainda, dói?

Os caminhos que me lembram de ti

Hoje o trânsito me atrasou um bocado e fiquei maluca buscando um caminho alternativo para chegar ao destino a tempo. Ruas, alamedas, vielas e as curvas se repetiam na minha tentativa desenfreada de chegar onde eu queria por um caminho não convencional. De um jeito ou de outro, eu precisava chegar lá. A avenida principal estava cheia de carros e motos que passavam correndo e buzinavam na minha orelha sem dó. Quando todas as possibilidades se esgotaram e meu carro parou sem ter para onde ir, olhei para os lados e me deparei com seu prédio. Nem sei como eu cheguei aqui, mas reconheceria esse portão em qualquer lugar do mundo. Como, entre tantas possibilidades eu vim parar na sua porta?

Um filme lindo passou pela minha cabeça e pude rever a cena do dia em que cheguei ali pela primeira vez, o nervoso que eu sentia com aquele jantar, o risoto que queimou e a crise de risos que tivemos ao pedir a pizza. Me lembrei das incontáveis noites que passamos juntos e do amor que deixei do lado de dentro. Me recordo também da dor que senti ao partir e de como me arrependi. Mas a vida segue, né? Essa era a máxima que eu repetia pra mim mesma sempre que pensava em você. A vida segue, mas será que segue mesmo? Depois de me perder nesse trânsito louco da vida vim parar aqui de novo.

Sozinha, no carro, desliguei o som que nem mais escutava. Queria ouvir a tua voz. Fiquei aqui, parada, mas viajando na saudade. Queria poder entrar no prédio e subir até o seu apartamento como fiz diversas vezes durante meses. Te abraçar pra tirar toda a tensão dos meus ombros e, depois, ser conduzida por você até a cama onde fazíamos muito mais além do sexo. Era lá que ríamos dos casos engraçados do dia. Era na cama que comíamos a pipoca que você reclamava do pouco sal, mas comia mesmo assim. Na cama tivemos os melhores do melhor momento do nosso amor.

Aperto o volante com força. Com a força de quem queria acelerar e invadir o prédio só pra chamar a tua atenção e te pedir perdão depois. Aproveitaria pra pedir perdão por ter ido embora também. Faria tudo junto, um pacote só.

Então você surge na esquina sorrindo. Atrás de você, uma moça. Linda. Suas mãos estão entrelaçadas no pacote de alguma coisa que compraram no mesmo supermercado que íamos na tarde de sexta para abastecer o final de semana. Vocês são lindos juntos. E, com ela, você está vivendo tudo aquilo que neguei viver quando decidir sair da sua vida. As minhas mãos suão frio e escorregam enfraquecidas no mesmo volante.

Eu perdi o tempo, perdi o espaço e perdi você. E foi exatamente por isso que alguma força sobrenatural, talvez movida ao arrependimento, tenha me trazido até aqui. Pra constatar.

Ligo o som do carro, o motor, dou uma ré e faço a manobra antes que vocês entrem no prédio. Mas, não consigo deixar de olhar pelo retrovisor a linda moça sendo levada por você além do portão com aquela sacola possivelmente repleta de coisas gostosas.

Os carros e a loucura da cidade tomam a minha atenção. A lembrança, também. Tenho a certeza que comecei a te perder quando fui embora sem saber de nada e agora eu sei. Eu deveria ter ficado. Deveria.