Tempo de validade

Algumas coisas parecem estar fadadas ao fim, algumas mais rapidamente que outras. Por vezes a gente demora pra perceber que existem limites, outras a gente já sabe e mesmo assim insiste. Acho que pior que lidar com as ânsias futuras é saber reconhecer o momento em que elas acabam se tornando reais. Em grande parte a aceitação se torna a pior dor.

É simples, o que te corrói por dentro te mata aos poucos. Ninguém vive por inteiro sabendo que o futuro é incompleto. Seria muito mais fácil impedir a tempestade do que limpar toda bagunça feita por ela, o problema é que é tão bom enquanto dura que a gente não se importa, a gente tem mania de arriscar, de insistir mesmo sabendo que quando se trata de desafios temos chances de perder.

A gente cria e alimenta nossos próprios monstros ao invés de entender que nem tudo precisa ser motivo pra sofrer. Tem vezes que a gente não pode fazer sozinho o que não foi feito por dois. Não adianta tentar fugir do inadiável ou achar que tudo pode ser concertado quando na verdade não existe muito mais do que lembranças boas. É isso que resta, lembranças, e a gente escolhe se prefere manter elas intactas ou insistir naquilo que claramente é limitado. Nem sempre é questão de solução, às vezes é só aceitação. Cada um escolhe se quer tornar as coisas mais ou menos complexas.

A gente perde muito tempo esperando mudanças que nunca virão por si só. Perdemos muito tempo esperando as decisões serem tomadas por outros. São tantos discursos planejados, tantos pensamentos que morrem em silêncio, tantas palavras que nunca chegam aonde deveriam chegar… Tudo esperando um motivo, esperando o tempo certo. Talvez não exista tempo certo pra dizer o que precisa ser dito, o medo é inevitável e nós decidimos como lidar com as consequências das nossas antigas escolhas.

Martina

Amores utópicos

A imaginação transforma nossos ideais em coisas praticamente intangíveis. Isso acontece frequentemente na busca por alguém que corresponda suas expectativas. O problema é que a gente cresce vendo amores de filmes, sonhando com contos de fadas, que apesar de terem fundos reais, escondem grande parte daquilo que envolve um verdadeiro relacionamento com outra pessoa. Além de termos que aprender a lidar com o fato de que nem tudo é sonho, ainda tem aquele ‘porém’ de superar as frustrações anteriores que nos fazem cada vez mais exigentes.

Acabamos em grande parte sendo aquelas pessoas que se contentam com qualquer agrado por medo de não haver outra chance, ou aquelas pessoas incontentáveis, que sempre esperam por algo melhor. Tudo porque o reflexo das nossas ilusões acaba diminuindo o valor de muitas coisas, a gente nem sempre se reconhece dentro do que inventamos em nossas mentes. Às vezes nós criamos nossas próprias utopias.

É muito difícil aceitar que por mais verdadeiro que seja o sentimento, sempre haverá pequenas ou grandes discórdias, acompanhadas de momentos ruins. Difícil aceitar que em alguns momentos a rotina pesa, que há dias em que nem tudo funciona tão bem.  A questão é o quanto isso afeta, o quanto a gente releva, ou o quanto a gente quer alguma coisa. 

A verdade é que só você tem a capacidade de identificar a pessoa que você tem ao lado. Só você pode reaprender a sentir sem medos e comparações. Por vezes você tem todo o conjunto, todo aquele sentimento mútuo, você está no lugar certo e na hora certa, mas você não se satisfaz e deixa a oportunidade passar, porque a gente tem o costume de pensar tanto, o tempo inteiro, e sempre esperar por mais. Algumas coisas não deveriam ser tão sonhadas ao ponto de serem vistas como inalcançáveis. Sentimentos não são lógicos, não existe padrão certo ou errado de amar. Talvez o amor não seja utópico, talvez seja apenas questão de realidade e reciprocidade.

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O reflexo das lembranças

Eu ainda vejo seu vulto às 3 horas da manhã. Nas noites de insônia consigo ouvir seus passos, sentir seu cheiro e sua presença. Minha consciência ainda não se acostumou com a sua ausência. Tem vezes que o tempo assume uma posição cruel. Já é costume sentir você aonde você não existe mais.

A questão de aprender a lidar com a distância por si só já é suficientemente forte pra te impulsionar pra baixo de um abismo. Você sente a diferença da realidade, e aceitar se torna mais difícil do que deveria ser. Repentinamente tudo que fazemos se limita a buscar uma saída, uma pausa, um fingimento qualquer. Sermos capazes de nos habituarmos a todas as coisas não significa que somos capazes de esquecê-las. Ultimamente tenho acreditado que aprendemos a fingir mais do que aceitar sentir. É tão mais fácil prosseguir sem receio de alguma coisa te impedir. Parece mais cabível esconder as lágrimas, esconder as dores. Uma pena que aquilo que te perturba sempre volta.

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Por momentos eu chego a me desvencilhar de tudo que me remete às antigas lembranças. Só que é tudo muito longe e ao mesmo instante muito perto do que éramos. Até ausente você me confunde, e essa incerteza de não saber aonde tudo acaba ou recomeça não me leva a lugar algum.

Quem sabe se eu parar de me esconder, você pare de me encontrar. Quem sabe eu só deva parar de fingir uma falsa realidade atormentada por aquilo que não existe mais, como um presente em forma de passado. Nem tudo é só questão de tempo, e a gente custa a ver isso. Quando você cansa de sentir sozinho, de sentir e não querer sentir, você percebe que você escolhe o que fazer com o que restou. Eu vou escolher não fugir de você, porque na verdade você nunca esteve aqui. As pessoas têm um tempo juntas e ele acaba quando uma delas decide ir embora. O que restou deste tempo todo foi apenas um reflexo das lembranças, que embaçaram completamente aquilo que eu via. Lembranças sempre ficam, mas alteram o seu valor conforme nossas escolhas no presente.
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Alguns erros ensinam

A vida é feita de erros e acertos, mas na verdade muitos desses erros tornam-se futuros acertos. A questão é que denominar as coisas depende muito do tempo em que estamos inseridos. Hoje você vê as situações de um ponto de vista distinto do que verá futuramente, isso explica o fato de sentirmos culpa, ou por que é tão difícil lidar com acontecimentos recentes.

Se você pensar, aquilo que você julga como arrependimento também pode ser um aspecto positivo pelo simples fato de que evitamos repetir as mesmas frustrações, ou então aprendemos a esperar e pensar antes da compulsão imediata. Arrepender-se é sempre um passo a frente, você certamente é muito melhor do que já foi quando pensava e agia de maneira diferente.

Ao mesmo tempo as falhas te levam a decisões diversas, e posteriormente a novos caminhos. Às vezes é muito mais fácil se sacrificar imaginando outra realidade quando na verdade você ainda tem muitas maneiras de encontrar aquilo que busca. O amadurecimento só é percebido quando temos a chance de olhar para trás, observar o erro, rir dos próprios deslizes e entender as mudanças positivas que vieram de antemão.

Não temos como prever quando será a próxima vez que buscaremos respostas para erros e situações incompreendidas no presente, a realidade é quase impossível de ser analisada por nós mesmos. O tempo passa, você cresce e acha estar preparado, mas sempre há aquela inocência imprevisível que te leva ao desconhecido, as coisas se alteram de maneira tão repentina, permitindo novas escolhas o tempo todo, como provas sucessivas para encontrar suas respostas. Precisamos enxergar a vida como um jogo em que você mexe as peças, aprende a cada nova tentativa, sempre havendo como jogar uma nova partida, mas sabendo que se você desistir o jogo não terá um final. Tem vezes que você tenta e alcança e outras que você tenta e aprende.

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A fragilidade da vida

​A vida e o tempo são algumas das únicas coisas sob as quais não temos controle. Evitamos pensar nas mudanças súbitas que podem acontecer, assim como evitamos mudar nosso jeito de ver e viver a vida. O ser humano pode se habituar a tudo, inclusive a não valorizar os detalhes. Temos o costume de adiar nossos planos, adiar o que temos para dizer. Certamente pospor nossos sonhos e pensamentos não é a melhor escolha. 

Você já pensou que hoje poderia ser o último dia de muitas coisas ou pessoas que te fazem feliz? Esse tipo de pensamento assusta, e negamos a reflexão de que poderia ser real. Apesar de enxergarmos a morte com tanto temor, precisamos entender que justamente por sabermos que a vida é limitada, aprendemos a vivenciar melhor nossos momentos. Se você soubesse que viveria pra sempre, certamente passaria seus dias todos da mesma forma, sem algum proveito. 

Sem dúvidas não temos previsão quanto ao nosso futuro. Enquanto você tiver oportunidades lembre-se que precisamos aprender a demonstrar nosso afeto e agradecer às pessoas. Se você tem algo preso, liberte-o, não guarde rancores, não meça amor nem gentileza. Perdoe e faça com que te perdoem. Apenas aja como se todos os dias fossem os últimos, como se todas as pessoas fossem únicas. Não se acomode, não tenha motivos para se arrepender. Não faz sentido desperdiçar sua sorte relembrando o passado e planejando o futuro quando você tem um hoje capaz de mudar completamente o rumo de suas histórias. 

Não existem teorias ou filosofias que possam explicar porque as coisas mudam de maneira imediata e surpreendente, assim como também não existem segredos pra encontrar a felicidade e aproveitar os momentos. Existem muitas perguntas que não podem ser respondidas, mas existem muitas coisas que podem ser alteradas por nós mesmos. A questão é que você percebe as coisas conforme o tempo passa. E o tempo, meu bem, ele corre contra a gente, não sendo algo que possamos desperdiçar ou voltar atrás. A simplicidade é concreta e suficiente para ser reconhecida.

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Lebenslangerschicksalsschatz: O tesouro do destino ao longo da vida

Passamos muito tempo resistindo ao desejo subconsciente de encontrar alguém capaz de suprir e completar aquilo que somos e queremos. Isso talvez, porque sentimentos fogem da racionalidade prática, remetem dúvidas, medos, inseguranças.

Bem no fundo, atrás do orgulho, nas noites de insônia, queremos alguém que partilhe do mesmo modo de amar e ser amado. A questão é quando vamos achar esse alguém? Onde? E como saber se é amor, se é de verdade e permanente?

Duas palavras encontradas em How I met your mother mostram a linha tênue entre o certo e o quase: Lebenslangerschicksalsschatz – tesouro do destino ao longo da vida”; Beinaheleidenschaftsgegenstand – aquilo é quase aquilo que você quer, mas não completamente.

Os sortudos amantes e apaixonados dizem que se tivermos que pensar e analisar se já vivenciamos algo parecido antes, de fato não sentimos ainda. O verdadeiro tesouro transforma tua vida em um filme, em uma letra de música. Muda tua realidade, teu jeito de ver e sentir, muda teu sorriso, teu olhar, te tira do chão, te tira da realidade. Você sabe o que sente, mas faltam palavras capazes de dizer o quanto isso te completa. Amar acaba se tornando simples, complicado é definir a imensidão de sentimentos. Talvez sentimentos sejam para serem sentidos, não meramente explicados.

Eventualmente, todos iremos nos deparar com alguém que faça nosso coração pulsar, que supere as diferenças, desperte todos os mínimos sentidos. Quando isso acontecer, não tenha medo, arrisque. O medo corrói aquilo que o amor constrói. Não questione o tempo, não questione a vida, nem a ti mesmo, quando o amor te encontrar você vai saber, você vai sentir com o coração e alma.