Sempre em minha mente

A visão do seu rosto faz minha cabeça doer, o som dos seus passos ao redor da cama ainda me amedronta, sei que é seu fantasma que ronda a minha mente, porque você está sempre em minha cabeça, ainda e sempre, pois não estou pronta pra te deixar partir. 

Eu gostaria de engolir todas as minhas decisões ruins ou ao menos ter a capacidade de confrontá-las para que eu me permita viver, mas prolongo os meus dias me arrastando em cantos que ainda cismam em ter o seu cheiro, e que com sorte está tão agarrado à sua presença que ainda consigo ver o teu sorriso e ouvir seus resmungos. 

Eu gostaria de me engasgar com todas as atitudes ruins que tive ou ser capaz de levá-las com honra ao meu túmulo, mas me assusto todas as vezes em que penso que por todas elas, você não está mais aqui, está apenas em minha cabeça… sempre. 

Eu não tenho mais nada seu para me agarrar e suportar a falta que amar você me faz, mas você não sai de dentro de mim, me rasgando… É muito tarde para consertar todos os nossos erros e reverter nossas angústias? É muito tarde para abrir mão de nossos egos e assumir que erramos um com o outro, que sempre fomos estranhos um para o outro e eu não sei porque isso ainda me sufoca… não ter você, me oprime e saber que eu teria a capacidade de te dar o mundo me assusta ainda mais, porque eu me perdi em você e não encontro os trilhos que me tragam de volta a mim. 

Não importa o quanto eu grite seu nome, é apenas em minha cabeça que você responde, apenas nela sou capaz de viver o inverso de sua ida como um novo recomeço, apenas nela você não vai embora e não permite que a tortura de admitir que qualquer outra pessoa terá a capacidade de ser para você o que eu não fui, o que eu não pude, porque por algum motivo eu achei que o seu amor era bonito demais para que eu pudesse sentir, então só me resta sentar aqui e te ver flertar com a felicidade que não fui capaz de te dar e me sentir satisfeita por não ter arrancado de você a capacidade de amar novamente… assim como me sinto agora. 

Você foi tudo o que quis e ainda quero, mas meu medo de sentir e te perder me afastou de você e me alienou de mim mesma, me deixando sozinha com minha dificuldade de dormir com a falta do teu calor no lado esquerdo da cama e seu rosto cruzando meus olhos sempre que eu os fecho, apenas por medo de me machucar, mas agora nada parece consertar o que está danificado aqui dentro… nada apagará as cicatrizes, tanto do medo, quanto do amor e da falta dele, então porque eu não te amei para sempre e com todas as minhas forças, quando e enquanto pude? 

O medo que sufoca o amor

Eu decidi te mostrar quem eu era. Eu decidi desnudar os meus sentimentos a você. Mas eu sabia que você, sempre tão impassível e distante, se afastaria ainda mais quando sentisse que a minha intensidade pudesse te tocar, quando sentisse que o meu gostar de você era além do banal. 
Eu sabia inclusive que o meu sentimento, tão exposto, iria fazer com que você se sentisse ameaçado e sentindo-se assim você muito provavelmente iria à direção oposta, se aproximar de outros braços, porque você simplesmente não queria tocar a intensidade de ninguém. Você, tão fechado e distante, escolheria se manter na superfície de várias a mergulhar na profundeza de uma. Era mais seguro, era mais compatível com o seu jeito livre de ir e vir. 
Mas ainda assim eu quis entregar o meu jogo. Porque eu já não me importava com a sua reação ou com o que você pensava a respeito. Porque eu já não me importava com as regras que eu havia criado em outros momentos. Ser verdadeira e transparente não era mais uma escolha, era uma necessidade, mesmo sabendo que entre nós dois ainda existiam medos. Mas aqueles medos, pela primeira vez, não eram meus.  
Eu queria te mostrar, tudo de mim, queria que pudesse entender que ter medo de sentir, não era necessário e que dentro de mim haveria um mundo só para você, para que se confortasse e se mantivesse seguro. Queria que percebesse que passar a vida evitando sentimentos não te faz mais forte, não te faz mais fraco, apenas não te faz alguém e eu queria que você tivesse sido um alguém e que se perdesse em mim como eu queria ter me perdido em você, não porque se perder no outro seja coisa de pessoas fracas, na verdade, se perder, prova que você ao menos tentou, seguiu em frente e teve coragem de desbravar caminhos ou sentimentos desconhecidos e isso era tudo o que você despertava em mim, a vontade de estar perdida, mas eu me perdi apenas em seus sinais confusos, me fazendo acreditar que me queria, mas ao mesmo tempo corria para o lado oposto. 
Todas as vezes em que olho para trás e tento avaliar os motivos de você ter se afastado, eu entendo que minha intensidade foi que te assustou, nunca questionei seus sentimentos, apenas demonstrava os meus abertamente de forma que eu tivesse certeza que você os sentia, que meus sentimentos o tocavam, mas disso eu não me arrependo pois isso é o que sou, puro sentimento pulsante que gostaria de correr por suas veias, mas sua fraqueza me fez admitir que sou demais para você. 
Eu não me iludo em achar que um dia você irá derrubar essas barreiras que criou para evitar que eu entre, sei que seu medo é mais forte do que a vontade de se entregar, mas eu sei também que no momento que eu decidir partir você ficará vazio, vai perceber que seu ego não te preenche mais e que a vida é mais do que uma busca constante por algo que você nem sabe o que é, a vida também é aproveitar os achados que encontramos no caminho, é desfrutar sentimentos que por mais que nos amedrontam pode ser exatamente o que precisamos e eu sei que sou o que precisa, se você tivesse a coragem de aceitar. 
*Texto escrito em parceria com Nat Medeiros

A melhor versão de mim

Entre luzes e sombras, entre momentos e lembranças eu me perco e me encontro no seu sorriso e percebo que só vivo realmente em seu olhar.

Em todos os caminhos tortuosos da vida e arrependimentos ou dúvidas tudo o que eu realmente preciso é que você esteja aqui para me levar, não quero jamais me sentir fraca por precisar de você, mas preciso, para poder me encontrar porque com você eu sou a represa que transborda, sou inundação, e me desfaço ao seu redor sem qualquer armadura.

Porque me enlaço e me embaraço nas palavras que personalizam o que você é dentro de mim e tudo o que eu sou dentro de você e sou como o mar revolto que rebate em correnteza e respinga sentimento em todo o canto, simplesmente porque eu te amo e meu amor é imenso, simplesmente porque eu sinto e eu sinto muito, sinto tanto que não me cabe.

Você me preenche e me consome, é o meu centro e eu sou o seu tudo e nos revezamos com a intensidade que nos cabe até que nada nos falte, até que nada nos separe nem pela necessidade e nem pelo excesso. Apenas somos o que somos e para nós, isso é tudo, tudo o que me basta para saber que sem você não há cores, não há flores, existe apenas a falta.

Quando olho pra você eu enxergo o resto dos meus dias e eu sei que nada atrapalharia nossa vida porque nós dois queremos estar aqui! Porque quero ouvir o som do meu coração batendo em meus ouvidos todas as vezes que você se aproxima junto com o frio na barriga que sua presença me traz, quero a certeza eterna de que o sol brilha depois da chuva e que mesmo depois de um dia difícil eu te sorrio porque você faz tudo ficar melhor.

Eu sei quem eu sou sem você e sei também que você continuaria sendo alguém sem mim, mas sei também que somos melhores juntos, que somos o sentimento mais profundo que jamais imaginei que fosse possível existir e o que eu mais amo em você, é que você faz com que eu seja a melhor versão de mim.

O melhor pra mim

Eu não sei explicar se o amor acabou ou se foi apenas a minha vontade de fazer tudo dar certo que se esgotou.

Cansei das palavras em vão, das promessas vazias, das atitudes tardias e quase imperceptíveis  e que você apenas as tomava para poder me manter conformada com o que eu tinha, com o que você supostamente era capaz de dar.

Cansei de esperar por você chorando sentada à beira da cama, com medo de você não aparecer por estar insatisfeito comigo, mesmo eu tendo feito de tudo para te agradar, mesmo perdoando todos seus erros, mesmo sendo manipulada a aceitar todas as suas falhas, o meu medo era de que você me deixasse.

Cansei de não saber se o que eu sentia por você era mesmo amor, ou era costume e carência, era medo de ficar sozinha, era medo de me perder em mim mesma porque não poderia ser amor algo que me destruía a cada dia, não poderia ser amor viver com alguém e morrer de medo de não a ter no dia seguinte, de não saber ser suficiente para alguém que claramente não era suficiente para mim.

Cansei de justificar suas indelicadezas com seus dias difíceis, das suas agressões com sua cabeça quente, cansei de me doar para você me massacrar com o seu excesso de ego…eu não preciso disso, eu preciso apenas de mim.

Eu abro meus olhos e respiro para entender o alívio que sinto quando percebo que estar sozinha é paz, que ter amor por mim é evitar que me abusem e que abuso é qualquer coisa que façam comigo contra a minha vontade, contra o meu caráter, contra a minha essência, é tudo o que você fazia de mim… um alguém que não sabia mais o que ser ou sentir porque tudo parecia tão errado.

Estou aprendendo que sobreviver não é vida, estou aprendendo que não preciso aceitar ser ferida para ter amor, que não preciso me privar das minhas vontades para sentir amor, aprendi que a vida é leve se eu escolher que seja e que eu não preciso do peso de alguém que não queira o melhor pra mim.

Me perdi em você

Eu mantenho meus olhos fechados, na esperança infantil de te manter aqui.

Desmereço o meu orgulho em nome do desespero que a falta de te sentir me causa, e eu respiro fundo e me perco dentro de mim por um minuto, tentando encontrar o que me resta sem o teu cheiro.

Deturpo os meus pensamentos tentando não entender o que acontece neste momento, a estranheza do segundo em que percebi que eu já não sou mais eu e que você já não é a pessoa que eu acreditei que fosse, a pessoa que eu precisei que fosse…

Me perco em minhas lembranças, são minhas mas foi você quem as deu, foi você que marcou cada momento da minha vida com a sua presença constante, leve e protetora e eu me senti segura, assim como qualquer pessoa se sente em seu próprio lar… você morou em mim e eu em você e agora estou vazia.

Repasso cada instante de nossos dias e tento entender quando foi que seus olhos se tornaram melancólicos, quando foi que tudo se afrouxou e o espaço tomou conta dos pequenos vãos que nos distanciavam… agora eu sei.

A culpa não é minha e nem sua, eu só dei tudo de mim e não percebi o quanto isso era pouco para você, eu fiz de mim pequena, para caber em sua vida e quando te supri, acabou. E hoje não sei quem eu sou, eu deixei que você me sugasse para que me amasse e agora minha casca vazia não encontra com o que se preencher para permanecer aqui.

Eu me desprezei por tanto tempo, apenas para não ter minhas mãos vazias, me negligenciei a cada dia, só para ter certeza que eu teria você em todos os finais dos dias e que mesmo que eu me perdesse de mim, eu ainda teria você.

Eu me sequestrei de mim e te fiz meu cativeiro, mas entendi tudo errado… eu achava que era amor, mas era apenas o meu vazio fazendo eco das coisas lindas que você dizia, era apenas a minha essência evaporando de mim e me preenchendo do que eu queria ter de você.

Era a minha carência me cegando, era apenas eu tentando encontrar um refúgio de mim e me perdi em você e achei que isso era amor.

Doeu te ver partir

Nem foi tão ruim assim, parar de planejar o futuro ao seu lado, parar de modificar o presente pra te fazer caber nele cada dia. Deixar de colocar tuas roupas no lugar quando você jogava no armário de qualquer jeito… esquecer a pequena abertura dos teus lábios quando você sorri ao mesmo tempo que seus olhos diminuem, ou como seus cabelos brilham quando o sol os toca. Nem foi tão ruim assim me acostumar a não desejar que você estivesse aqui para me aninhar em seu pescoço depois de um dia difícil, ou para dançarmos aquela música pela enésima vez, sim, essa mesma música que celebrava o nosso “amor infinito”. Nem foi tão ruim me acostumar a não ter mais o seu olhar me sondando em todos os cantos como se eu fosse importante o bastante para nunca estar sozinha, ao menos não enquanto eu tinha você! Ter seu cheiro me privando de qualquer outro sentido que não me fizesse te querer, e ele ainda continua aqui, como um espectro designado a me fazer viver de lembrança das coisas que nem chegamos a viver. Nem foi tão ruim me sentir desamparada com a sua partida, quando você simplesmente foi embora enquanto eu fazia promessa a todos os santos para que você me acalmasse, beijasse minha testa e dissesse que foi tudo um engano… que nada importava mais do que nós, assim como você fez todas as outras vezes, mas me destruiu ver o seu olhar vazio. Eu tento enganar a mim mesma ao tentar acreditar que está tudo bem, que a vida segue mesmo sem você, eu tento acreditar nisso enquanto penso que vou te encontrar em cada esquina que viro, em cada carro que passa, enquanto tento me acostumar com a ideia de que seu lugar não é mais aqui, que não está mais aqui preenchendo todo o meu mundo porque você está por ai, em algum lugar vivendo o que eu não posso mais ter, mas eu juro que tento seguir em frente enquanto as lágrimas insistem em cair. Nada disso é tão ruim quanto tentar encontrar a vontade de te esquecer mas nunca encontrar, e que seu amor foi como uma rosa no deserto, perdendo suas pétalas em lugares desconhecidos até que virasse pó e eu perdesse todos os rastros e eu ouço o som do tempo passando e dando mais forma ao vazio doloroso que você deixou… Talvez um dia você se torne apenas uma cicatriz, no lugar desse machucado incomodo e talvez assim eu possa pensar em você e lembrar dos momentos felizes que já tivemos e ser grata por sentir o que já senti com você, mas por hoje eu só quero tentar te esquecer para poder viver uma vida sem você, a mesma vida que você prometeu que eu nunca iria ter que viver.

Me deixe ir se…

Me deixe ir se já nem tudo o que eu faço te faz suspirar… Se já não satisfaço as suas necessidades, fazendo seu coração palpitar ou se chegamos ao ponto de não te fazer mais sorrir ao lembrar das minhas trapalhadas, ao ver minha foto na tela de bloqueio do seu celular, ao lembrar daquele dia na praia em que fomos só nós dois contra o mundo…Ou ao menos só nós dois contra qualquer coisa que pudesse ameaçar a nossa felicidade e o nosso mundo.

Me deixe ir se tudo o que te faz estar preso a mim hoje são as lembranças, e a vontade de que aquela sensação sentida não vá embora, mesmo sabendo há tempos que ela já se foi e que não seremos mais a metade do que fomos, que já não sabemos mais o que sentimos ou quem somos. Me deixe ir se em teu coração tudo o que pulsa é a saudade de quem eu fui, se não é mais agrado que minhas mãos causam ao tocar seu corpo, se é saudade que sente todas as vezes que olha em meus olhos porque você teima em dizer que eu não sou mais a mesma, quando ambos sabemos que eu continuo inteira aqui em terra firme e você está em voo livre sem vontade de pousar.

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Me deixe ir se o segurar de nossas mãos andam cada vez mais frouxos, se cada vez que sente que estou partindo mais um pouco, você não tem vontade de me segurar mais forte, de me puxar pra perto, de não me deixar escorrer por entre seus dedos, de achar que eu não sou mais um porto seguro, que não sou mais capaz de ultrapassar os muros que você ergueu entre nós. Me deixe ir porque não quero me perder de tanto tentar… De tanto errar os caminhos pra te encontrar de novo.

Não quero perder a mim mesma tentando preencher os seus vazios até que eu nunca seja suficiente, me deixe ir, se entre um sorriso e outro você deixou de enxergar o brilho em meus olhos porque eles, são o espelho do que eu via em você.

MARCINHA

Me desculpe se…

Me desculpe se você era  o cara certo, mas te afastei com as minhas concepções erradas e sendo assim eu te perdi.
Me desculpe por todas as coisas que deixei de fazer por você, por todas elas, pelas coisas que estavam ao meu alcance ou não, pela rua que deixei de atravessar para te alcançar ou a montanha que eu deveria ter movido para te abraçar quando precisou de mim.
Me desculpe pela falta de toque, por não ter passado meus dedos o suficiente em seu rosto, por não ter sentido a eletricidade da sua pele na minha, por não ter ultrapassado barreiras para estar ao seu lado quando você se sentia sozinho, me desculpe por não ter falado as palavras certas nas horas certas, sendo que nem mesmo as erradas eu pronunciei, eu guardei tudo aqui no peito, deixei engasgado na garganta e agora vai ficar entalado para sempre como um grito que nunca tem forças pra sair.

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Me desculpe por não ter sido suficiente quando você ansiava a minha mão para entrelaçar na sua, se não passei segurança pro seu olhar inseguro, se não me destaquei além de suas esperanças no seu mundo ingrato, quando ingratidão foi tudo o que te dei ao me abstrair do seus sentimentos.
Me desculpe se não fiz parte da sua vida quando você claramente deixou todas as portas abertas e eu não fiz questão de entrar, se eu não desejei fazer parte dela enquanto você me contava toda a sua história, todos os seus planos com a esperança de me incluir neles, enquanto me contava cada pequeno detalhe que te fazem ser você, justo você! O cara certo que deixei passar…
Me desculpe por ter sido covarde e mesmo que silenciosamente te fiz pagar pelo erro dos “amores” anteriores, te deixei definhar em minha falta, pelo erro dos meus excessos que antecederam você, por ter feito de você um mártir das decepções que já tive e te deixei escondido num cantinho remoto do meu coração onde a qualquer momento eu pudesse te eliminar facilmente.
Me desculpe se não soube  me entregar só porque tive medo de te amar e tudo o que restou para ser sentido agora, é o cheiro do teu perfume que ficou na minha roupa que sempre me fará recordar do teu abraço de adeus.

MARCINHA

Estou desistindo de você

Estou desistindo de você, não pelo excesso de erros ou falhas, mas pelo excesso de acertos que tivemos. Do tanto que você é e não foi, e que sabemos o quão perfeito poderia sido, pela minha quase interminável busca em te fazer feliz sendo que fazer tudo por você foi justamente o que te fez recuar. De tudo o que éramos e do mais que poderíamos ter sido, o seu medo foi o que ganhou o direito de ficar e eu cansei de te procurar nos espaços vazios ou nos lugares em que você deveria estar.

Fomos tanto um para o outro, em tão pouco tempo, que me machuca saber que me esqueceu tão rápido, porque de todas as palavras que poderiam ter sido ditas, o teu silêncio é o que mais grita em meus ouvidos. Porque de todas as palavras não ditas, o seu distanciamento é o que ecoa aqui dentro, que se transforma num abismo antagônico ao tipo de comunicação que tínhamos.

Às vezes, só às vezes, eu queria viver de ausência, tanto tua quanto minha, sentir a inércia em cada parte do meu corpo, em cada molécula de ar que respiro, cada neurônio que me faz viva e cada palpitar do meu coração. Queria poder viver no vácuo dos sentimentos, das lembranças dos seus beijos, de cada carícia que trocamos com tanta afeição. Queria estar suspensa ao invés de estar imersa em você, onde tudo o que sinto é o seu cheiro me sufocando e a sua presença que preenche todo o espaço a minha volta.

Eu me canso de brincar de roleta russa com o destino, da maneira como ele se desfaz de mim como se eu tivesse direito apenas à degustações de felicidade, mas não tenho o direito de consumir a felicidade plena com você ao meu lado.

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Eu mais uma vez errei em achar que eu fosse sábia o suficiente, errei ao pensar que você seria diferente, que você não seria mais um egoísta ao querer apenas brincar de Deus com o meu coração e sendo assim eu resolvi ter controle da minha vida e não fazer parte do seu caos de emoções. Eu não quero mais bagunçar os meus sentimentos esperando você se decidir.

Não vou ser mais refém do seu silêncio, esperando que amanhã você resolva agir, pois o amanhã se tornou mais do mesmo de todos os dias e eu me torno um borrão do que eu poderia ser, mas no fundo eu sempre soube, eu nunca coube no teu coração e é preciso ser muito mais do que um covarde para conseguir guardar tudo o que sinto dentro dos parâmetros rasos que impôs pra sua vida.

Você me perdeu porque me deixou escapar por entre seus dedos e eu não vou ficar me martirizando mais ao pensar se eu deixei de ser algo pra você, se eu poderia ter sido melhor quando sei que fiz o melhor que pude.

Viver na dependência da sua indecisão é como viver no limbo ou no limiar da razão e obsessão, não é vida, é o rascunho do que eu poderia viver, é como escrever e reescrever e nunca passar a limpo para uma versão definitiva de mim mesma.

Você me perdeu por hesitar em ser recíproco, por achar que bastaria que abrisse os braços para eu permanecer neles, achou que bastava que eu sentisse por nós dois um sentimento que deveria ser tão simples de ser multiplicado e imenso, mas que agora te faz pequeno demais pra eu te ver como alguém que mereça uma fração dele, por menor que seja.

MARCINHA

Por que me procura onde não estou?

Por que você tem que viver procurando quando muitas vezes o que precisa está bem ao seu alcance, está bem a sua frente ou logo ao seu lado? Por que procurar no horizonte uma necessidade utópica, uma vaidade que não te preenche? Por que tem que viver a colecionar insatisfações quando você pode estar à dois passos do paraíso? Por que tem que se preencher com nada, quando pode ter tudo? Quando podemos ser tudo? 

Por que procurar em outros braços o meu abraço quando é o meu coração que bate em sintonia com seu? Porque procurar em outros mares a felicidade, se foi em meu universo que você se perdeu? Porque procurar vida em outros mundos se foi no fundo da minha alma, que você se estabeleceu? 

Por que você tem que viver a chorar se eu poderia passar a vida a te fazer sorrir? Por que você tem que desistir se eu posso ser a força que você busca? A mão que te segura? O carinho que te cuida? Por que tem que andar tanto se no fim eu sou o caminho que você sempre cruza? A esperança que tanto busca?  

Por que viver nesse frio incessante das incertezas, se na segurança dos meus sentimentos que você encontra o calor para aquecer o seu corpo? Por que viver procurando alegria em outras bocas se é na minha que você encontra o mais doce sorriso que insiste em estar em meus lábios apenas por você existir? 

Por que você não me olha e realmente me enxerga e então percebe que tudo o que você procura e quer, está aqui, dentro de mim? Por que você insiste em dizer adeus, quando nos caberia apenas um boa noite? Por que insiste em me dar as costas quando sabe que eu sou o seu porto seguro? Que só eu sou os sentimentos e as palavras que você precisa? Por que fugir de mim se apenas eu sei dançar conforme a sua música? 

Por que gritar tanto se é no conforto do meu silêncio que você encontra paz? Mas o seu silencio mata tudo, inclusive a mim. Por que prefere viver a sonhar quando eu prometi tornar seus sonhos, realidade? Por que não me diz de uma vez que tudo isso que posso te dar não é o que você procura e me liberta dessa espera inquieta? Por que você não olha para mim e diz que eu sou grande demais pra tua vida? Que eu não caibo em seu coração estreito porque eu realmente sou o muito que você nunca suportaria perder? Por que seria covardia você admitir que tem medo de eu desistir, quando eu souber o quanto você se tornaria pequeno para mim.

MARCINHA