Só vem…

Vem para o café da manhã, com bafo de quem acabou de acordar, toda bagunçada, com olheiras e mau humor. Vem da maneira que você se sentir mais confortável, mas vem.

Vem colar suas mãos nas minhas, fazer da minha cama teu lugar sagrado e do teu corpo minha roupa favorita, para eu me aquecer, me enrolar, me reinventar, até fazer você sentir dois corpos se tornando um.

Vem, mas vem sem medo do amanhã, então não se esqueça de tirar o medo da sua mala – ele já te acompanhou bastante, é hora de desapegar dele- e esteja pronta pra aceitar o sim. Por que agora eu vou te proteger, te fazer juras de amor e cumprir ao menos metade (prometo).

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Vem rir das minhas péssimas piadas ou ver como eu fico perto de você. Vem ser mais do que você já vem sendo para mim, tenha certeza de que nada é tão especial sem você ao meu lado. Mas perceba isso logo e venha correndo, de ônibus, de moto… E de acompanhante traga seu coração e se aconchegue aqui no meu peito. Ele já está pronto para você.

Venha de branco, véu e grinalda ou com aquele seu pijama branco e meias longas marrons, mas que tal casar? Vem fazer planos comigo, pensar nos nomes dos filhos, cachorros, capivaras, e nas nossas viagens. Comprar nosso cofrinho e depositar ali nossos sonhos. Para no final da noite deitarmos juntos novamente e sonhar. Sonhar meu sonho que é nós!

Venha dividir sorrisos, suprimir tristezas e compartilhar as nossas historias. Mas agora sentados naquele nosso lugar percebo o quanto sem jeito você me olha, até que de repente meus pensamentos se tornaram rápidos e quase eufóricos, com coração acelerado e mãos suando – você nunca sabe quando vai se sentir preparado, mas agora eu tive certeza. Não pense em voltar pra onde você estava antes. Porque aqui o amor se faz presente e ele não deixará você ir embora. E quase que em súbito abri os braços e meu coração e disse: “Só vem”.

Luana

Melhor do que parece

Meu querido amor, está é mais uma carta para você. Serei breve porque logo você me encontrara aqui como combinamos por mensagem. Estou te esperando naquele nosso cantinho na praça. Debaixo daquela nossa arvore, que outrora sempre nos protegia do sol nas tardes ensolaradas dos sábados que passávamos juntos. É engraçado como batizamos aquele lugar como “nosso” e depois daquele nosso primeiro encontro todos os outros se desenrolaram ali. Mas talvez não chegamos a essa conclusão por acaso, já que foi justamente aqui que segurei a sua mão pela primeira vez (sua mão estava gelada por causa do tempo frio),  do momento quando conversávamos sobre coisas aleatórias e fixei quase que inevitavelmente meus olhos nos seus, aqueles olhos cor de mel tão intensos que eu tentava quem sabe lhe desvendar e me incluir nos seus futuros pensamentos e aqueles nossos beijos e abraços que ali se intensificavam. Lembro-me de pedir bem baixinho enquanto ali estávamos sentados para que esse amor tivesse força e coragem para prosseguir, não sei se você deveras escutou o pedido, mas a arvore com certeza sim, balançou-se naquele momento de uma forma tão suave transmitindo sua paz e seu cheiro vivo para nos que não pude segurar o riso.

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Se a vida não fosse feita de destino e merecimento onde estaríamos agora? Eu mais do nunca acredito nisso, mas parei de pensar nos “e se” e comecei a celebrar pelos nossos dias, memorizar nossos momentos e eternizar nossa historia para que um dia se tivermos sorte conta-la para os nossos cinco filhos e ensina-los o real significado do amor, aquele amor que começa por dentro e se esvai do teu ser para que outra pessoa venha para soma-lo e não tira-lo todo de você, porque o amor não é egoísta.

Então eu aceitei o amor, decidi recomeçar, recomeçar com você. Mas porque com você? Porque me apaixonar por esse cabelo todo enroladinho, essas calças rasgadas, jeito sereno e olhos tão pequenos, mas que eram capazes de me ter, descobrir e acender tudo dentro de mim! Porque sempre quando durmo é você com quem eu sonho, você que eu desejo e grito aos quatro ventos de saudade quando não o tenho por perto? É você porque depois que eu aprendi a me amar, passei a prestar atenção somente em coisas maravilhosas e talvez fosse nesse momento ou a partir dai que tive a sorte de te encontrar e a certeza de aceitar você, amor.
P.S (Sabemos que momentos difíceis virão, mas me prometa que ira me olhar, compreender e cuidar, com os olhos que eu te olharia e nunca ache que amor demais é desperdício, amar é um dom e aceita-lo é uma dádiva).

Luana

Eu não sabia… Ops! Agora eu sei

Eu não sabia o que era aproveitar o tempo com alguém sem pensar desde já no futuro, não que isso fosse um erro – mas se não dosado da maneira correta, pode machucar e muito. Eu sempre fui de criar amores rápidos, imaginar histórias dentro do ônibus, amores impossíveis, sabe? Tipo, imaginar que comigo poderia acontecer um milagre, acontecer de amar novamente. Porque só quem já amou verdadeiramente e logo sofreu, sabe veemente o significado de se magoar e por um instante querer fugir, mas não ter para onde ir, querer gritar e no silêncio se afundar. Só quem amou verdadeiramente e se feriu sabe no fundo a cicatriz que sua alma carrega. Por isso finais não me surpreendiam mais, na verdade eu já o esperava. Agora o “inicio” me dava medo, um frio na barriga, porque ele te ilude, te alimenta o ego e revigora teu ser superficialmente, ate que.. Você já sabe.

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Mas eu não sabia ate aquele nosso primeiro “oi” que meu inverno já havia passado, não sabia que para gostar de alguém que está longe é a mesma coisa quando se está perto –talvez seja um pouco mais doloroso- mas a saudade mistura com querer, que forma meu ser e só me fazia pensar em você. Não sabia que para se permitir amar novamente, não era preciso arranjar outras pessoas para beijar, álcool para entornar ou cigarros para embaçar ainda mais meu coração. Para se permitir amar só era preciso aprender a me amar e me dar uma nova chance.

É… Eu não sabia de tantas coisas antes de te conhecer. Confesso que ainda não sei nem metade, mas para que saber? Vou me permitir surpreender, errar, me jogar no escuro, cuidar de nós agora e deixar o futuro para lá, porque o tempo é passageiro, não é mesmo?

E ate semanas atrás eu não sabia de você, e olha que loucura, agora eu só sei de você!

Luana

Nos corredores

Ela de um jeito ou de outro, sempre esteve ali… Sentindo-se reclusa em um corredor extenso que possuía apenas um sentido, cercado de paredes grossas e inquebrantáveis que seus sentimentos em grande parte desperdiçados ou mal compreendidos construíram ao longo do tempo. Mas de repente, ela já não estava sozinha nesses corredores que de tão extensos um dia acabaram cruzando-se com o meu. Ela tinha características próprias que a faziam simplesmente a criatura mais admirável do mundo. Era como se a arte fosse feita dela, talvez pela originalidade, poucas palavras a serem ditas ou talvez por causa das diversas sensações sentidas em um único instante dentro de si.

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Instantes que me vejo refém a todo o momento, quando meu corpo começa a ser tomado por um êxtase, seguido do frio na barriga e sorrisos bobos impulsivamente, que nada seria capaz de diminuir. E aos poucos, parecia que aqueles muros grossos que criamos em longo prazo com a falsa sensação de proteção vão se esvaindo sem intuito de voltar. Porque nosso instante estava chegando, ainda que sem data definida ou sentimentos exposto. Mas eu sabia… Eu sentia… Sentia que ela faria tudo valer a pena.

E que de um jeito ou de outro, eu sempre estaria ali…

Olhando-a e fazendo-a mais visível.

Mais visível e segura dentro de mim.

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Seu inverno já passou

Finalmente chegou a primavera, trazendo novos sorrisos, novas flores e um amor. Um amor que deveras você nem se importou em sentir a tempos atrás, aquele amor chamado amor próprio que outrora se peregrinava no chão das ruas desertas embriagado de más companhias e sem rumo como as folhas do outono passado. Naquele tempo cinzento que você resolveu não viver, mas sim, sobreviver! Convivendo com migalhas e se alimentando de desilusões. Mas chegou o tempo de renascer, não te preocupas que algumas marcas se vão com o tempo e as que ficam te protegem. É hora de brotar, se vestir de autoestima, aprender com os erros e te permitir errar também, afinal, ninguém é perfeito. Você também vai florir, transparecer coragem e se destacar em tantas outras em aspectos únicos que toda aquela outra estação te fez mudar e lhe ensinou a enxergar melhor as primordiais prioridades. Porque assim como aquele cheiro vivo das flores do campo te invade e sacia seu ser, a esperança lhe invadirá, e isso, menina, ninguém vai conseguir tirar de você.

Se você chegou até aqui é porque é forte e nenhum inverno rigoroso ou outono incerto foram capazes de parar você, porque seu coração é grande, um pouco desconsertado, mas foi feito em altas temperaturas, acostumado (ainda mais agora) a aceitar apenas o recíproco, aquele que não machuca ou abandona, porque de gelo você aceitará aquele que vier no teu copo de whisky.

E então vera que as vezes é necessário perder para saber como vencer, mas quando você é forte pode seguir sozinho para um novo começo. Afinal, você finalmente sentiu que seu inverno longo e rigoroso já passou…


 

Você merece mais! 

Pessoas aparecem em nossas vidas a todo momento. Algumas marcam e ficam, outras marcam e se vão. Vão sem aviso prévio, sem se despedirem, vão porque simplesmente precisam ir… Eu aprendi que as pessoas se vão com a mesma facilidade com que elas aparecem e no fim você descobre que se apegar é bobagem. Ninguém deve se apoiar em uma pessoa sabendo que o fim um dia pode ser eminente, tornando-se cruel e devastador
emocionalmente e psicologicamente. Não fomos criados para suprir fins, não sabemos lidar com as perdas, mas nós aprendemos, ou tentamos, não é mesmo?! Porque algumas pessoas, assim como eu, ainda acreditam no melhor, mesmo sofrendo e alimentamos a doce ilusão que da próxima vez será diferente.

Mas, há um ano atrás eu não previa isso. Eu era IMBATÍVEL com você. Planos foram idealizados, sonhos eram tidos com frequência e seu perfume, ah! Colava em minha pele, roupa e mente. Tudo se tornara novo, surpreendente e feliz há 365 dias atrás… Eu tentei ser forte depois de perceber que de tudo o que passamos só restaram as fotos e um vazio enorme no meu peito, acompanhado de uma chama de esperança, que não se apaga e não aceita o fim, nem admite que perdeu. Que te perdeu. Mas, depois de tudo, essa tal chama que às vezes me incendiava, talvez só precisava entender que a verdade estava ali, nua e crua, e precisava ser encarada, porque eu nunca, nem em um único minuto tinha tido pra mim, metade de todo aquele inteiro que eu tinha sido para você nesses 365 dias não correspondidos.

Mas, tudo bem não ter dado certo, é… Tudo bem. Porque todo esse sofrimento um dia vai cessar e você vai ver que por mais que tenha demorado, agora você esta livre, está pronta! E verá que sua própria companhia lhe bastará, irá perceber que viver de metades e migalhas não faz parte de toda essa sua grandiosidade e perfeição. Você merece mais!

  

O que devemos esperar?

Sabe aquela sensação de estar perdida e não conseguir enxergar nenhuma luz no fim do túnel? De parecer que você tem varias opções e caminhos para escolher e, de repente, eles não se tornam mais uma opção, e aquilo que era certo agora não faz muito sentido. Estou completamente perdida! Perdida nos meus pensamentos, no que vale a pena acreditar e insistir. Até que ponto todo o esforço valerá a pena e não se tornará arrependimento? Pois é, não sabemos. Então riscos serão sempre eminentes e nunca estaremos imunes.
  

O que vale a pena na sua vida: A segurança ou o risco? A segurança de evitar quaisquer consequências trágicas futuras, criando assim, talvez, um possível arrependimento de não ter tentado outra alternativa que talvez pudesse ter dado certo, ou, o risco de entregar-se a tudo, de cabeça, sem medo? Entregar-se até mesmo para o amor. Não digo aquele amor de filmes de romance, cheios de presentes, promessas e mimimi… Refiro-me aquele amor hipócrita, cruel, avassalador, que enxerga todos os defeitos, que não é correspondido, aquele amor escondido, bandido. Um amor que mesmo machucando todo o teu ser de corpo e alma, ainda consegue ser a melhor parte em você. 

Há quem diga que amor quando é considerado verdadeiro não dói, nem causa mal. Estão enganados! Amor dói, as vezes mais do que imaginamos, ainda mais quando vem acompanhado de saudade. Mas o amor, mesmo ferindo, quando existe cumplicidade e reciprocidade ele não abandona, não troca, nem diminui. Ele aprende a ser passivo (não bobo), companheiro e fiel, renovando-se sempre.

Mas ainda estou perdida e pergunto para vocês, afinal…

O que devemos esperar do amor? 

Sua cruel realidade ou magnífica expectativa?