Eu escolho o que é bom para mim

Quando você se torna mais seletivo com algumas coisas da vida, as pessoas vão te julgar.

Se você decide que tem um restaurante preferido e quer ir lá todos os sábados, vão falar que você é acomodado. Se você se afasta de pessoas tóxicas, vão inventar mil motivos para que você se intoxique mais, mesmo tendo abandonado a história.

Se você percebe que algumas pessoas não merecem o seu tempo, a sua atenção ou o seu apoio por “n” motivos, vão inventar “z”. Se você diz que não gosta mais de rock, vão te condenar por você já ter gostado.

É o preço que se paga por amadurecer e continuar convivendo com quem ainda anda verde pelo caminho.

Mas a maturidade também traz a segurança de saber quem se é e a humildade de saber que isso vai mudar.

Quando você se torna seletivo e deixa de fora quem ou o que queria fazer parte, incomoda. Incomoda porque você soube escolher, filtrar e decidir. Enquanto tem muita gente por aí que engole tudo sem saber o sabor de nada.

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Por que a nossa história acabou?

Por que a nossa história acabou? Eu não errei, você não errou. A gente só foi se afastando, dia após dia, até a distância se tornar demais. Eu quase não o via, mesmo estando ao seu lado. Você não me ouvia, ainda que meu silêncio gritasse por mim.

Eu queria muito, muito mesmo entender onde foi que tudo se perdeu, sabe? Para talvez, voltar até lá e ver se ainda tem como consertar algo, recomeçar, mas acho que não. É tarde demais para essa nossa história que começou cedo demais. Você se lembra?

Eu estava no canto de uma festa, copo vazio na mão e sem saber o que estava fazendo ali porque tudo o que eu queria era a minha casa, minhas músicas e o meu travesseiro. Você me enxergou ali naquele canto escuro e foi andando até lá.

Perguntou meu nome, me disse o seu, jogou meu copo fora e perguntou se eu queria ir ver o sol nascer. Geralmente eu não sou de dizer sim a essas coisas, mas eu queria muito sair dali e você foi o único que percebeu isso. Fomos.

Era uma noite de verão e enquanto amanhecia, o calor aumentava e eu nunca gostei do verão justamente por causa disso, mas eu gostei tanto daquele dia com você. Minha estação preferida é o inverno, mas o meu dia preferido sempre vai ser o daquela noite de verão.

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Depois daquele dia a gente não se separou mais. Até ontem à noite. Ontem, ao chegar em casa, você me olhou nos olhos e eu não te reconheci ali. Então, eu te abracei o mais forte que pude, você juntou suas coisas, enquanto eu assistia a tudo. Te lembrei de pegar o velho moletom preto e você disse: “Pode ficar. Eu sei o quanto você gosta dele”.

Isso que eu não entendo e está doendo muito não saber. Acho que vou ter que aceitar o fato de que algumas histórias, por mais bonitas e perfeitas que sejam, não foram escritas para ter um final feliz.

Acho que vou ter que encarar o fato de que vamos nos amar para sempre, ainda que distantes, ainda que nunca mais nos vejamos, ainda que nunca mais exista um nós. Vai ser sempre eu e você.

Agora, estou aqui no quarto vazio, usando o moletom preto, bebendo o vinho que compramos pra amanhã, pensando onde você está. Mas eu sei a resposta: você está onde eu não posso te encontrar, porque você sabe que, para mim, pior que te perder, é saber onde te encontrar e não poder.

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Por que você gosta de alguém?

Às vezes, não precisa de muito, sabe? É engraçado gostar de alguém. Você não gosta de alguém porque ele curte a mesma banda ou tem o mesmo sonho de rodar o mundo, não. Você gosta de alguém porque ele curte sertanejo, coisa que você não entende, mas ainda assim ele é interessante.

Você não gosta de alguém porque ele é bem-sucedido e gosta de tomar vinho aos sábados. Você gosta porque ele acorda tarde aos domingos e mesmo acordando cedo, você fica ali do lado, observando, fazendo planos malucos de um futuro na cabeça.

Você que nunca gostou de rosa se pegou sorrindo à toa quando ele apareceu com um boné dessa cor pra combinar com o dele azul. É estranho isso, não é? Saber que apesar de todas as diferenças e pequenos defeitos, o gostar continua ali e só aumenta.

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Você não gosta de alguém porque ele se formou em medicina ou direito. Você gosta porque ele sabe contar piadas como ninguém e você não sabe. Aí você ri, perde o ar e até chora, às vezes, de tanto gargalhar. É disso que você gosta.

Saber lidar com as diferenças é essencial quando o assunto é o amor. Encontrar alguém que tenha as mesmas qualidades que você é muito fácil, mas achar alguém que seja diferente em inúmeros aspectos e ainda assim combine com você, é sorte e é bom demais.

Amar é aceitar as diferenças e somar as qualidades. Você não gosta de rock pesado, mas ele ama, então você ouve algumas músicas e ele fica muito feliz quando vê. Ele não gosta de acordar cedo e ir à padaria, mas sabe que você gosta do pão quentinho, mas não suporta fila, então ele acorda e vai mesmo assim.

Amor é encaixe. De alma, corpo e coração, mas é também um encaixe de cada parte que compõe você e quem você amar.

Ele não gosta de ler, mas lê os textos que você manda pra ele porque sabe que é um jeito seu de demonstrar amor.

Quase sempre, não precisa de muito. Basta duas pessoas dispostas a serem diferentes e se amarem por isso e não apesar disso.

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O fim do amor não é o fim da linha. 

Dizer adeus nunca é fácil. Aceitar o fim. Sentir saudade sem a chance do encontro. Sentir doer sem saber o remédio da cura. Sim. Porque cada um se cura de um jeito e no seu tempo. Mas, o tempo, nem sempre, é o melhor remédio. Deixar para trás todas as promessas que foram feitas e agora não serão mais cumpridas. Abandonar os sonhos feitos a dois, a casa perfeita, o futuro que parecia tão certo. Cara, como parecia certo. Esquecer um amor que parecia ser o único. Era ele. Era ele.
Fim.

Se eu pudesse pegar sua mão e te fazer entender que isso acontece. Que o fim é inevitável nem que seja o do “até que a morte nos separe”. Se eu pudesse te mostrar que o mundo não acaba com o fim de um amor, eu mostraria. Se eu pudesse te levar de volta ao passado e te dar a chance de dizer todos os adeus que você não disse, eu levaria.

Se você acreditasse que quando eu digo que isso vai passar eu sei do que estou falando. Sabe… É melhor deixar ir quem já não quer mais ficar. As pessoas mudam, os sonhos mudam e, na maioria das vezes, não é culpa de ninguém. Não é que o amor acaba. É que o amor sozinho não sustenta nada. Dizer eu te amo é bonito e soa bem, mas é vazio quando dito assim, longe de outros sentimentos, como o carinho, a admiração, o respeito, a amizade.

Muita coisa vai se perdendo no caminho do que a gente chama de amor. Por brigas bobas, desconfianças inúteis, ciúmes infundados, cobranças. O amor continua ali. Pronto pra seguir, lutar, encarar, mas se enfraquece cada vez que um sentimento fica para trás.

Se você conseguisse entender. A gente luta enquanto pode, mas chega uma hora em que a luta é só com a gente. E é inútil. A gente se cansa sem ter sentido, continua sem ter para onde ir.

Respira. Eu sei que o ar está rarefeito, mas respira. Para. Pode chorar, desaba. Todos nós já desabamos por algo e a dor de perder um amor não é menos dor que nenhuma outra. Mas, é uma dor que pode ser superada. Basta querer.

Se eu pudesse te mostrar que lá na frente vai ficar tudo bem, que a dor passa, a saudade vira uma saudade bonita e saudável, eu mostraria, mas eu não posso.

O que eu posso dizer é que o fim do amor não é o fim da vida ou da linha. Você vai ter que recomeçar, talvez voltar alguns passos e se encontrar de novo. Vai sentir doer, achar que não passa, vai ter vontade de ser qualquer outra pessoa só pra não sentir a dor. Mas, devagarzinho, dia após dia, você encontra a cura e vai melhorando. Deixando para trás todo o peso de ter fracassado em algo que era inevitável. Acredita de novo. Alguns amores parecem certos e são. Mas, são certos para ensinar algo. E, às vezes, esse algo é justamente aprender a ir embora. Então, aprende. E vai. Sem medo. A vida continua, o amor também. É só enxergar.

Eu quero amar de novo 

Eu poderia dizer que o amor já me traiu algumas vezes, mas seria injusto da minha parte. Quem me traiu foram as pessoas que acreditei ter amado e que acreditei terem me amado de volta. Por isso, eu quero amar de novo.O problema é que não sei o que fazer com todos os medos e traumas que insistem em me perseguir sempre que um novo sorriso me sorri ou um novo olhar me pega de surpresa.

Logo eu penso: “Já me sorriram assim e terminou em lágrimas”, “já me olharam assim e terminou sem nenhum olhar para trás”. Sabe? Entende o que eu quero dizer? É que eu sempre amo demais e quando acaba, sofro demais também. Ando com dificuldade em acreditar que um dia o amor vai dar certo porque já deu errado demais.

Eu quero amar de novo, mas e se ele for embora? E se ele me trair? E se ele disser que não está pronto e aparecer dois meses depois com outra pessoa? São tantas inseguranças que surgem no caminho do que a gente chama de amor que basta um acontecimento semelhante ao do passado para gente desabar.

Um dia sem notícias e a gente acha que o outro desistiu e foi embora, mas pode ter sido só um dia em que ele quis ficar quietinho ou saiu com os amigos, bebeu demais e nem lembrou de mandar um “oi, ainda estou aqui”. Até porque não tem necessidade, os traumas são nossos e quem chega não sabe disso e nem tem culpa.

E quer saber? Se a gente carrega essa quantidade de traumas e medos, você acha que ele não? A gente precisa entender que apesar das diferenças, no fundo todos nós já naufragamos em erros que não foram nossos.

Eu vou amar de novo. Vou deixar o passado no passado. Os medos e inseguranças vou guardar na gaveta e quando quiser visita-los, farei isso sozinha. Sem culpar o novo pelo que se tornou velho e empoeirado. Vou sorrir de volta a esse sorriso que antes me era assustador. E se terminar em lágrima… Paciência. Vou sorrir pelo tempo que for porque eu vou amar de novo.

Eu quero ouvir a música 

05:04. Podia ser a hora que eu acordo ou que eu durmo depois de chegar de alguma festa no sábado. Podia ser a hora de ver um eclipse ou qualquer outra coisa no céu ou na televisão. Mas, não. 05:04 é o tempo que dura uma música que eu não consigo mais ouvir. 05:04 foi o tempo que me foi roubado e que talvez eu nunca mais recupere. Sabe por que? Toda vez que essa música toca, ela toca você e eu não consigo mais te ouvir. Não preciso dizer qual música é. Você sabe. Tenho certeza que sabe e eu não vou dizer. Eu sei que a gente ouviu milhares de músicas junto, mas uma só resume a nossa história. E é essa que dura 05:04. É essa que me faz arrepiar num dia de sol escaldante. É essa que me faz chorar dirigindo o carro. É essa que eu ouço o primeiro segundo e tenho que pular. Eu só queria a música de volta, cara. Eu nem queria mais você. Você não podia ter ido embora sozinho? Tinha que levar junto meus 05:04 preferidos? Você podia ter levado aquela almofada velha, sua toalha azul, sua caneca do star wars, mas não. Deixou isso tudo no mesmo lugar de sempre e partiu com a única coisa que eu queria que tivesse ficado. You know all i want, mas agora não adianta mais. Eu só queria que você voltasse por 05:04. If you loved me, why did you leave me? Ah! Agora tanto faz… Eu só quero ouvir a música… 

Agora ele me ama.

A gente se conheceu em um esbarrão. Esbarrão do destino, costumava dizer. Eu corria atrasada para pegar o ônibus e ele, segundo diz, estava todo concentrado lendo uns papéis importantes demais enquanto caminhava. A gente se trombou. Eu caí. Papéis voaram. A gente se olhou. 

Eu sabia que era amor. Ali. Assim. Simples e rápido. Nunca tinha visto olhos tão castanhos em toda a minha vida. Já tinha visto alguns sorrisos parecidos, mas o dele era mais pro lado direito. Como se o lado esquerdo tivesse que pedir licença pra sorrir junto. Que dia.

Fração de segundos. Corri pra pegar o ônibus e nem me dei ao trabalho de ajudar a juntar os papéis. Tinha prova na faculdade e não tinha estudado tanto pra perder essa prova que era a última. Sim. A última. O amor podia esperar minha última prova, não é?

Vou resumir uma parte: Fiz a prova, passei, me formei em Cinema, comecei a trabalhar, não pegava mais ônibus, não via mais olhos castanhos, namorei dois caras em cinco anos, mudei de emprego, fui comemorar aniversário em um bar. Derrubaram cerveja em mim. Num esbarrão.

O lado esquerdo continuava pedindo licença pra sorrir. Agora, mais escondido pela barba ao seu redor e os olhos… Continuavam os únicos castanhos que eu conheci um dia. Um dia mesmo. Literalmente.

– Seis anos depois e você continua atrasada?

– Sem atraso. Cheguei na hora certa.

Agora ele me ama e esse é só um esbarrão do destino.