Vale a pena insistir se existir amor

Absolutamente nada está sob o nosso controle. Nem mesmo aquilo que a gente acha que manda. Quando amamos, por exemplo. Dizemos, antes, que iremos escolher a pessoa certa. Listamos qualidades.

Apontamos preferências. E o amor vai lá e nos coloca diante do que tem que ser, mesmo que seja tudo diferente do que dizíamos.

Quando estamos em um relacionamento, achamos que tem hora pra ter filho. Pra namorar. Pra morar juntos. Pra casar. E a vida faz um monte de confusão que, quando olhamos pra trás, já fizemos tudo isso ao contrário e respiramos fundo ao constatar que, por incrível que pareça, apesar de não ser nada como foi planejado, deu tudo certo.

A mesma falta de controle temos diante do ponto final.

Não somos nós que decidimos isso. Mas o coração. A gente até tenta, eu sei. Gostamos de pensar que pilotamos o mundo. Nos afastamos. Terminamos a relação. Entregamos ao destino. Ao tempo.

Esquecemos do mais importante: Nosso coração tem uma força surpreendente e ele só vai. ELE SÓ VAI. Ele só vai bater certo do lado de quem ele se sente tranquilo e confortável.
É só a gente lembrar que quando o amor acaba, quando o coração não suspira por quem está do nosso lado, nada adianta. Não nos resta tentar, mesmo que a tentativa seja apenas pelo costume. Mas quando ainda existe amor, existe esperança.

Por mais que a gente pareça forte. Por mais que a nossa força pareça invencível. Por mais que a gente encha os nossos pensamentos de frio para gelar o danado do coração, é aquela boca que desejamos beijar. É aquele corpo que queremos tocar.

Tentar, enquanto ainda existe amor dos dois lados, não machuca ninguém. Faz a história seguir o seu curso normal. A tentativa só machuca quando existe falta de carinho. De cuidado. De atenção. A agenda do amor é ele mesmo quem faz, entende?

E quando existe amor, até um telefonema de dois minutos mata a danada da saudade.

Enquanto houver sorrisos compartilhados e coração batendo forte no peito, tente. Tente até que a última centelha de amor se apague.

Pode ser que, no final, valha a pena.

Todas as noites eu rezo para que você mude

Eu só queria que você me escutasse. Que ouvisse o meu silencio quando não digo nada. Queria que você reparasse nos meus passos se distanciado do teu abraço cada vez que você me abraça como se eu fosse qualquer coisa.

Todo dia eu desejo que você compreenda os meus desejos e me faça gozar. De alegria na vida, na cama. No prazer de ter alguém por perto que eu tenho a certeza que vai valer a pena continuar.

Eu só queria ser vista por você e que você sentisse alguma coisa. E mesmo depois de tudo e do meu coração ser machucado como um papel vazio tantas vezes e jogado na lama por você, eu ainda te amo.

Todas as noites eu rezo para que você mude. Uma reza com mais amor do que esperança. Com o amor que ainda resta dentro do meu peito dilacerado. Pela minha alma desacreditada em tudo que vem de você.  Você se tornou a mentira mais presente entre todas as minhas verdades.

Eu queria que você entendesse, com essa sua cabeça dura, que uma hora isso tudo vai passar e eu vou cansar de tudo e de você. Que eu estou aqui, mas não porque eu acho que eu mereça. Nem porque eu acredito que vale a pena.

Eu ainda estou aqui só porque me falta coragem. Por enquanto. Porque essa coragem tem chegado todos os dias. Quase toda hora, como um conta contas, eu sou inundada pela coragem de ir embora. Pouco a pouco. E uma hora ou outra, vou sair pelo mundo e encontrar todas as verdades que eu escondo de mim ao olhar pra você.

Eu queria que você soubesse que daqui em diante já não tem mais volta. Mesmo que me escute, que me note. Que sinta o meu abraço desesperado.
O barulho estrondoso da porta se fechando você não ouviu na hora que deveria. Ali, talvez, eu poderia hesitar. E olhe que eu nem fui completamente embora.

Mas eu vou. Eu queria que você acreditasse. Eu vou embora.

Se eu tivesse a oportunidade de falar com o amor

Se eu tivesse a oportunidade de falar com o amor, reclamaria pelo tanto de amor que desejei amar e ele não viu. Pegaria o amor pelo braço e passearia pela minha cidade de histórias loucas. Mostraria pra ele, naquele canto de uma memória afetiva qualquer que nunca me faltou, a imagem das mulheres que mais amei.
Sentaria no banco da praça e contaria gota a gota as lágrimas derramadas nas madrugadas frias em que chorei sozinho. Despejaria sobre ele toda a minha angústia por ter amado demais quem me sentiu tão pouco. E lembraria para o amor que por pouco não sucumbi diante da amargura.
Jogaria na sua cara que, apesar de tudo, não me entreguei ao ressentimento. Deixaria claro que muitas vezes só o abracei porque estava distraído. Desatento. Questionaria, inclusive, porque ele me deixava sem escolhas. Ou amava, ou amava. E quanto mais corria de amar, mais amor sentia. E se ele viesse com o papo de que eu não sobreviveria sem ele e que sem ele eu nada seria, diria: Ah, amor, vai procurar outra freguesia.
Queria apenas uma oportunidade de sacudir o amor e o fazer confessar todos os seus segredos. Os que nunca ninguém entendia. Que não estava escrito em nenhum lugar na face da terra nem na face dos que morrem de amores todos os dias.
Atacaria o amor. Juro que atacaria. Bateria em seu peito para descontar a dor que ele provocou no meu peito.
Xingaria ele de todos os nomes sujos e indizíveis e até inventaria alguns só pra completar a minha ira.
Se eu tivesse a oportunidade de ficar cara a cara com o amor eu daria a minha cara a tapa e o desafiaria a me fazer amar de novo, só pra mostrar quem manda.
O chamaria de louco por escolher errado tantas vezes.
E se ele quisesse, entraríamos em guerra fria pra sempre.
Talvez até eu já tenha tido essa chance de falar com o amor e acabei falando de amor. Talvez ele já tenha me visitando e sentando comigo no banco da praça e eu silenciei. Talvez ele tenha chegado e de mansinho me abraçado. E eu acabei retribuindo ao abraço.
Mas se ele vier de novo já deixo o aviso. Se ele aparecer novamente, o alerta foi dado. Já deixei escrito. Marcado. Sinalizado.
Eu juro, prometo. Grito e armo um barraco.

Não serei de ninguém que seja menos daquilo que você foi pra mim

Foi bom enquanto durou. No fundo, eu sabia que duraria pouco e, por isso, eu acho que durou até mais do que as minhas expectativas sugeriram. Eu já quebrei a cara por ser intensa. Dessa vez e de outras inúmeras vezes. Você nem acreditaria se eu te contasse, meu amor. A intensidade já tentou matar os meus sentimentos, mas foi exatamente pela intensidade em sentir que eu sobrevivo sempre.
Tem uma história ou texto, acho que do Chico Xavier, onde ele diz que tudo passa. A lágrima, a dor e o sofrimento. Só que o Chico colocou tudo no mesmo barco. O sorriso, as alegrias da vida, o sucesso, o amor. Isso também pode passar.

E o amor passou arrebentando o meu coração. Por isso eu tenho sangrado tanto. Só que eu fui feliz com você. Ao teu lado eu pude descobrir coisas lindas sobre mim e redescobrir sentimentos adormecidos pelas vezes em que, para a dor passar, tive que deixá-los passar desapercebidos pelos olhos da minha alma.
Foi em meio a esse vazio que você chegou e preencheu tudo com uma generosidade surpreendente. E eu sentia que você era demais para ficar preso a uma pessoa. Então, eu fui tentando não me acostumar com o seu sorriso todas as manhãs, ao seu abraço apertado que ao invés de sufocar, me fazia respirar bem e melhor. A sua voz tão calma e tranquila, porém tão intensa.
Impossível não se acostumar. Eu sei.

Essa hora iria chegar mais cedo ou mais tarde e a história durou o tempo necessário para me deixar convencida de que o tempo foi excepcional enquanto estávamos juntos. E você partiu da forma que chegou. Generoso e despretensioso.

Não sinto raiva, mas dói! A dor da saudade e, também, da gratidão pelo universo ter me presenteado em algum momento com a sua presença. A dor de saber que não foi pra sempre.

Vou fazer o que me pediu. Seguir em frente, só que me inspirando no ser humano que você é. Acreditando em todos os profetas e médiuns que afirmam que isso vai passar. Mas vou sem fechar os olhos para o sentimento tentando matá-lo. Não vou ficar vazia. Você me preencheu.

E de agora em diante não serei de ninguém que seja menos daquilo que você foi pra mim.

Era só sexo e eu sentia amor

Eu sei que é difícil.  Você não consegue largar os seus contatinhos. Não consegue deixar de ser contraditório. A mentira é o seu forte. Parece que você, além dos braços e peitos, malha as suas mentiras na academia e alimenta a sua cara de pau com whey protein. Você se supera na babaquice. Na loucura de tentar me fazer de louca quando fico de frente com quem você é de verdade.
Só que dessa vez, cara, eu não vou ceder.
Já fiz demais por nós dois e cansei de tentar procurar em você aquilo que nunca existiu. Antes, eu achava que você escondia. Que você não queria se apegar. Que você iria mudar.
A gente fica idiota mesmo quando se apaixona.
E eu me apaixonei por você e foi foda lidar com isso, porque eu sabia quem você era. Insistindo, queria mais. Lutei por isso. Fiquei mais tempo do que as outras. Só que as outras nunca deixaram de existir nas nossas vidas.
Sim, nossas vidas.
Quando a nossa relação ficou séria, você me colocou na sua confusão. Se disse apaixonado, dedicado e até inspirado a falar e a fazer coisas lindas.
Foi bom. Fui feliz, por alguns momentos, claro. Tinha ao meu lado alguém que eu queria que ficasse só mais um pouquinho. Queria fazer a diferença na sua vida e, na minha cabeça romantizada, iria te transformar.
Então eu ia me esforçando e você aprontando. Uma, duas, dez vezes? Acho que mais algumas. Outras tantas que nem fiquei sabendo.
O que eu sei é que você foi escroto comigo. Eu permiti isso. Pode jogar na minha cara que eu já sabia quem você era quando deitei na sua cama e te dei mais do que você merecia.
Era só sexo e eu sentia amor.
O bom é que uma hora a gente aprende. As duras penas e com muitas lágrimas aprende, sim.
Até  se libertar, sabe? Daí não adianta mais você dizer que vai mudar, que foi mentira, que vai ser diferente e me levar pra cama só pra me mostrar a única coisa que você sabe fazer direito.
Olha, nem mágoa eu sinto. Sinto pena. Quem sabe um dia você aprenda que é hora de crescer.
Já entendi que é mais fácil ser quem você é, do que você ser homem.
Paciência, paz e tchau.

Você é forte, menina. Acredite nisso e vá à luta!

Já pensou no tanto de coisa que sua cabeça imagina (e sonha) enquanto você está trabalhando, estudando ou sei lá, fazendo qualquer coisa da vida? – menos correndo atrás do que se quer.  Vez ou outra a gente esquece que felicidade não é ter, é ser, e que para ser você precisa ir atrás. Que nada vai cair do céu em cima do seu colo, sabe? Que a vida por si só é difícil demais para perder tempo sonhando acordada enquanto ela passa adoidada e a gente deixa as oportunidades de lado por medo. É aquilo: o não você já tem, agora, é correr atrás do sim.

A realidade é dura muitas vezes (eu sei, e dói, né?), mas tem coisa que a gente precisa viver e sentir pra crer que não era pra acontecer – e existem sonhos que precisam fazer parte da nossa realidade (sendo realizados ou não) pra deixar de ser apenas um fruto da sua imaginação fértil e, de fato, tornarem-se uma luta (algumas lutas acabam não sendo vencidas, mas só de lutar, já é uma conquista).
Menina, ninguém pode arrancar esse sonho de você. Acredita que é capaz e vai. Sonhar acordada não custa nada, mas viver um sonho é uma realidade que você precisa conhecer. Não espere aí parada!
Movimenta esses braços, pernas e se solta no vento. Bagunça o cabelo, mesmo.  Abre o sorriso que os problemas ficam pequenos quando você se enche de felicidade. Se engrandece de si e vai. Sem vaidade, sem egoísmo. Apenas com a dedicação necessária para fazer acontecer, do jeito que tem que ser.
No caminho, você vai chorar algumas vezes. Vai escutar de algumas pessoas que você não será capaz de continuar. Gente que te abraça batendo. Que sorrir pra você te desejando o mal em pensamento. Que olhar as suas conquistas depositando sobre você frustrações. Fica atenta, menina. Mantenha a vigilância, mas continua caminhando.
Tudo isso é para lhe tirar o foco, o desejo e a força. Não desiste, nem se entregue.  Se tiver de se entregar, se entrega ao acaso dos caminhos imprevisíveis. Muda os planos no meio da história e busca outros sonhos.
Só não para de caminhar. De acreditar que sonhar é o que te move nessa roda gigante de altos e baixos chamada vida. Que mesmo com tantos  baques e tantas perdas, você é uma sobrevivente. E todo sobrevivente é marcado pelas dores, mas também pela força.
E você é forte, menina. Acredite nisso e vá à luta. O caminho é longo, mas você é, sim, capaz de ganhar (e alcançar) o mundo se acreditar!

Os caminhos que me lembram de ti

Hoje o trânsito me atrasou um bocado e fiquei maluca buscando um caminho alternativo para chegar ao destino a tempo. Ruas, alamedas, vielas e as curvas se repetiam na minha tentativa desenfreada de chegar onde eu queria por um caminho não convencional. De um jeito ou de outro, eu precisava chegar lá. A avenida principal estava cheia de carros e motos que passavam correndo e buzinavam na minha orelha sem dó. Quando todas as possibilidades se esgotaram e meu carro parou sem ter para onde ir, olhei para os lados e me deparei com seu prédio. Nem sei como eu cheguei aqui, mas reconheceria esse portão em qualquer lugar do mundo. Como, entre tantas possibilidades eu vim parar na sua porta?

Um filme lindo passou pela minha cabeça e pude rever a cena do dia em que cheguei ali pela primeira vez, o nervoso que eu sentia com aquele jantar, o risoto que queimou e a crise de risos que tivemos ao pedir a pizza. Me lembrei das incontáveis noites que passamos juntos e do amor que deixei do lado de dentro. Me recordo também da dor que senti ao partir e de como me arrependi. Mas a vida segue, né? Essa era a máxima que eu repetia pra mim mesma sempre que pensava em você. A vida segue, mas será que segue mesmo? Depois de me perder nesse trânsito louco da vida vim parar aqui de novo.

Sozinha, no carro, desliguei o som que nem mais escutava. Queria ouvir a tua voz. Fiquei aqui, parada, mas viajando na saudade. Queria poder entrar no prédio e subir até o seu apartamento como fiz diversas vezes durante meses. Te abraçar pra tirar toda a tensão dos meus ombros e, depois, ser conduzida por você até a cama onde fazíamos muito mais além do sexo. Era lá que ríamos dos casos engraçados do dia. Era na cama que comíamos a pipoca que você reclamava do pouco sal, mas comia mesmo assim. Na cama tivemos os melhores do melhor momento do nosso amor.

Aperto o volante com força. Com a força de quem queria acelerar e invadir o prédio só pra chamar a tua atenção e te pedir perdão depois. Aproveitaria pra pedir perdão por ter ido embora também. Faria tudo junto, um pacote só.

Então você surge na esquina sorrindo. Atrás de você, uma moça. Linda. Suas mãos estão entrelaçadas no pacote de alguma coisa que compraram no mesmo supermercado que íamos na tarde de sexta para abastecer o final de semana. Vocês são lindos juntos. E, com ela, você está vivendo tudo aquilo que neguei viver quando decidir sair da sua vida. As minhas mãos suão frio e escorregam enfraquecidas no mesmo volante.

Eu perdi o tempo, perdi o espaço e perdi você. E foi exatamente por isso que alguma força sobrenatural, talvez movida ao arrependimento, tenha me trazido até aqui. Pra constatar.

Ligo o som do carro, o motor, dou uma ré e faço a manobra antes que vocês entrem no prédio. Mas, não consigo deixar de olhar pelo retrovisor a linda moça sendo levada por você além do portão com aquela sacola possivelmente repleta de coisas gostosas.

Os carros e a loucura da cidade tomam a minha atenção. A lembrança, também. Tenho a certeza que comecei a te perder quando fui embora sem saber de nada e agora eu sei. Eu deveria ter ficado. Deveria.