Outro avesso

Leia este texto ouvindo a sua trilha sonora, “Outro Avesso”, de Fernando Fyaman.

 

Meu bem, vem cá bem pertinho, que eu preciso te contar com todas as letras, o que está acontecendo aqui, porque eu não aguento mais essa falta que você me faz, eu não aguento mais esse coração apertado, reclamando da saudade de um dia e meio, quase dois! Volta aqui, você deixou o cheiro do teu perfume em alguns fios do meu cabelo, mas era para deixar em todos, isto não está certo.

Presta bastante atenção no segredo que eu vou te contar, feito melodia nova que a gente ouve, primeiro, bem baixinho… Eu me lembro das tuas piadas sem graça e passo o dia rindo pra toda sorte de ser vivo que cruzar o meu caminho, em qualquer lugar. Você não tem mais nenhuma para me contar? Eu aceito todo o teu repertório, se ele vier com as tuas pequenas gafes cometidas enquanto tenta me agradar, coisa que te deixa bem sem graça de uma forma encantadora… E… ô, meu bem, eu começo a achar que essa coisa toda não passa de amor puro e simples, enquanto você não me dá espaço para fuga e me mostra, uma vez mais, o quanto me quer onde você estiver. Me quer no teu sofá, me quer na cadeira ao lado da tua, no banco ao lado do teu, no passo compassado com o teu e eu te quero bem ao meu lado no teu sofá, na cadeira ao lado da minha, no banco e no passo compassado com o meu, não importa onde. Eu te quero comigo. Vem cá, meu bem, que eu tô passando um café. A mesa já está pronta. E a minha vida também.

Volta logo, porque o teu cheiro está na minha roupa e na minha pele, mas você não está aqui, o seu abraço, está apenas na memória e este é o tipo de tortura lenta e dolorida. E mais sério do que isto, eu me olhei por dentro, resolvi me virar do avesso, e encontrei você pintado em todas as paredes, em todas as janelas e até nos batentes de cada porta o teu nome está escrito com tinta neon. Eu me virei do avesso e acabei por ouvir a tua risada presa em algum lugar do meu âmago, junto com as tuas gírias, junto com as tuas expressões favoritas e a tua forma de olhar. Você está em todo lugar. E então, me virei do outro avesso, e te encontrei de novo. Descobri que você está nos meus lábios, nos meus olhos, nos meus braços e até em minhas mãos. Você está em tudo.  Inclusive nos meus pensamentos, que agora afetam a boca do meu estômago com tantas borboletas batendo insistentemente as suas asas.  Você está em tudo, inclusive na minha coragem em me abrir de novo para um alguém singular que tem tornado a minha vida plural. Você está em tudo, inclusive na paz do meu sorriso, por sorrir para alguém que também sorri para mim, e mais do que isto, sorri junto.

Ô, meu bem, eu começo a achar que essa coisa toda não passa de amor puro e simples, enquanto cada hora longe de você se torna mais pesada, se torna eternidade que não passa e aperto agudo no meio do peito. É isso que você faz, torna leve o que era pesado e, pesados, os outrora leves, dias passados sem você. Não sei se já te contei, mas me olhei por dentro e me espantei. Então resolvi me virar do avesso para ver melhor, e encontrei você em todos os cantos e paredes, até nos vasos de flores. E enquanto eu verso e entrelinho, meu celular vibra com mais uma notificação… Eu olho e graças aos céus, é você, me dizendo o que eu gritar, me fazendo querer correr pra te encontrar agora, assim, sem mais, no meio do dia. “Tô sentindo tanto a sua falta que você nem sabe”.

E agora, sorte da minha vida, que eu te contei bem certinho o que é que está acontecendo aqui, vem cá, que eu tô passando um café e tem um bolo no forno. A mesa já está pronta. E a minha vida, também.

 

Amar se aprende amando

Eu vejo corações secos. Vejo confusão mental. Vejo uma lei comportamental ditar passos que, em tantos casos levam à decepção. Coragem para virar mais uma dose sozinho e beijar a primeira boca que lhe parecer atraente, covardia para lembrar que tem um coração, e mais covardia ainda, para lembrar que este coração pode ser fiel à outro. Mas não chame de covardia. Chame de liberdade, conquistada no desapego total. Vejo desespero para preencher um vazio que grita a falta de alguém especial, mas que usa como desculpa o “eu não sei amar”, que usa como tentativa de preenchimento, o ato de sair com uma pessoa por dia, trocando ilusões, enquanto um sonho permanece no peito e no travesseiro: ter alguém especial para dividir a vida.

A verdade que todo mundo ignora, ou simplesmente nunca ouviu, é que “amar”, se aprende (vejam só!) amando. Essa coisa louca, que parece uma escadaria muito alta, íngreme e cansativa, que leva à um jardim estonteante com vista privilegiada, necessita de pequenos primeiros passos, de se atrever à apegar-se em alguém que faz o mundo ao redor desacelerar, enquanto traz paz para o peito da gente. Sabe, é preciso virar uma dose de coragem, e confiar em segurar a mão de alguém, sem medo do incerto, porque sim, há a possibilidade da decepção logo ali, virando a esquina… Mas também há possibilidade de uma felicidade eufórica que traz sentido às demais coisas dessa vida, logo ali, entrando por aquela porta.

Amar se aprende amando, se aprende não desistindo no primeiro percalço, se aprende perdoando as falhas, se aprende no diálogo compreensivo, na parceria diária, no “bom dia”, no “você chegou bem em casa?” ou no simples perguntar “como foi o teu dia?”, na conversa muda, por olhares que quase gritam. Amar se aprende na escolha constante pela sinceridade, no atrever-se à fazer um plano juntos, mesmo que seja algo pequeno, ver que isto é saudável, fazer mais um, ver que isto pode dar certo, e fazer mais outro, pelo simples prazer de permitir que o outro participe da vida da gente. Amar se aprende abrindo mão de algumas coisas que a gente costumava fazer no singular, para substituir por coisas plurais, pois trata-se da vontade de permanecer caminhando de mãos dadas. Amar se aprende amando, meu bem, e esta empreitada só é cansativa se a gente não estiver com o coração disposto, se a gente não despir o egoísmo da alma, a incompreensão da mente e o desespero do espírito. E é “empreitada”, pois se está construindo junto.

Amar se aprende amando, meu bem, e esta empreitada só faz sentido se a gente dividi-la com alguém que nos faça sentir que finalmente encontrou aquilo que estava procurando, alguém que nos faça pensar “COMO EU TE QUERO!”, alguém cuja presença nos deixe à vontade para ser quem é, alguém que tenha princípios e propósitos semelhantes aos nossos, porque temperamento, jeito de ser, cada um tem o seu, e um pode ser complementar ao outro, sabe? É o tipo de coisa que se ajeita. Mas princípios e propósitos… estes são intrínsecos à alma da gente, à nossa criação, às nossas projeções. Se há algo importante, são os princípios e propósitos de vida. Estes não se confundem, são pilares do ser, sustentação de uma existência inteira. E é isto que O Amor une. É isto que faz uma existência ser grata à outra, que está entrelaçada à sua.

Amar se aprende amando, meu bem, se aprende entrelaçando uma existência à tua, e entrelaçando a tua existência à esta mesma que se atrelou ao teu ser. Em meio ao respeito, pelo outro e pelo laço, enquanto sente o coração sorrir ao se dedicar à outro coração, que o faz bater de forma tão bonita e pacífica!

Amar se aprende amando, meu bem! Se aprende pondo os escudos em desuso, deletando as estratégias de ilusão, ignorando outras vozes que também lhe pareçam atraentes, por mais difícil que este último ato possa ser, em alguns momentos. E não serão poucos momentos, então também se aprende a amar no ato de escolher.

Então, leitor, se quer um conselho, o meu é este: Se apega, sim! Dá um descanso para o Tinder, para o Happn, para os contatinhos, e tenta dar uma chance para o amor, já que todo mundo sabe que você voltou meio arrebatado da noite passada. Vire logo esta dose de coragem e ouse confiar em segurar a mão de alguém, sem medo do incerto, porque sim, há a possibilidade da decepção logo ali, virando a esquina… Mas também há possibilidade de uma felicidade euforicamente pacífica e certa, que traz sentido às demais coisas dessa vida, logo ali, entrando por aquela porta. Amar, se aprende amando, já falei. E você não vai saber se não tentar, se não der o primeiro passo, se não continuar a subir os degraus.

Não diga “Eu te amo”

Ele pensou que nunca fosse ouvir isso de sua boca, mas lá do âmago, ela disse com toda a sua decepção “não diga eu te amo”. E eu fico pensando quantos “ele” não há, espalhados por aí. E quantas versões femininas dele, também, todas travestidas em corajosas covardias cotidianas. Estas três palavras são muito significativas para serem ditas de boca vazia, de coração tresloucado, de alma obscurecida, pensamentos cheios de tramoias e a língua tão perspicaz quanto uma serpente. “Eu te amo” é para ser dito desde as vísceras, até cada movimento dos nossos dedos.

Portanto não diga “eu te amo”, por favor. Não diga estas palavras que estremecem o estômago da gente e perfuram o coração feito uma flecha, se vai colocar o seu celular em modo “silencioso” e dizer que estava em casa, dormindo, enquanto você sabe, é mentira. Não presuma tanto assim a inocência do outro, que foi pego em seu laço de paixão e graça, que envolvem tudo, feito uma fumaça espessa e entorpecente. Não se atreva.

Não diga “eu te amo”, se vai “matar” um parente próximo de um de seus amigos, para usar como disfarce de outra coisa que você vai fazer. Nem diga “eu te amo”, se vai “terminar” relacionamentos de seus amigos próximos, para sumir na noite de sexta-feira e só dar as caras no sábado, no meio tarde, e ao ouvir a pergunta “como o seu amigo está?”, ao se deparar com a falta de resposta, soltar um “estou cansado de falar sobre isso”. Todas estas desculpas caem por terra quando a gente, na tentativa de mostrar que também são relevantes as pessoas que importam para você, é bruscamente interrompida por um ataque de raiva e ciúme sem explicação alguma, em um “por que tanta preocupação com os meus amigos?”. Não se atreva.

Não diga “eu te amo”, se vai exigir compreensão da outra parte, mas jamais se esforçará para ser alguém compreensivo. Se você levará a outra parte à extremos o tempo todo, deixando sempre por um fio, mas não abandonará a sua preciosa zona de conforto, toda decorada com as suas ridículas cortinas imperiais em tons de rosa e seus sofás de 1830. Eu penso neste teu lugar e me dá uma vontade imensa de espirrar, com todo o pó e todos os ácaros aglomerados nestes panos velhos, que você insiste em não trocar.

Ah, não diga “eu te amo”, não. Não enquanto você distribuir estas palavras como cartas de poker, blefando em cada jogada, lendo o outro e escrevendo você acha que deve, como fica melhor para você e for mais vantajoso. Não se atreva à tanto.

Ei, guarde o teu “eu te amo”. Pare de dizer estas três preciosas palavras enquanto os ouvidos que a ouvirem lhe forem apenas um troféu. Eu já não lhe disse que isto deve ser dito desde as vísceras? Enquanto não lhe embrulhar o estômago em um choque frio que corre rapidamente pelo teu corpo ao ouvir um nome, não diga. Engula as tuas palavras. Segure a tua língua, que mais parece uma serpente.

Esqueça que há “eu te amo”. Esqueça. Ignore a existência desta frase dourada. E continue esquecendo, enquanto você não souber o que é real fidelidade, e mais do que isto, profunda lealdade ao amor e à quem se ama. Deixa estar, enquanto não aprender que o corpo só faz aquilo que a mente manda, que a gente escolhe querer e desejar. E vá deixando, enquanto não compreender que esta questão é além do que os teus olhos, hoje, podem ver.

CALE A SUA BOCA antes que diga “eu te amo”, se você não despiu a alma. E continue se emudecendo, enquanto continuar ansiando levar ao “eu te amo”, os teus títulos, a tua profissão, o teu carro, o teu sucesso precoce, a tua casa, os teus sapatos, os teus relógios, a marca do teu cigarro, a garrafa de vinho que já virou vinagre e você, de esnobe que é, nem sabe, ou a tua importância quando pisa em algum lugar. E o mesmo, referente à quem se ama. Que se dane essa coisa toda, se você não sabe se despir delas se desarraigar de tudo e até analisar no outro, ao dizer “eu te amo”.

E vá para o meio do inferno com a tua boca cheia desta frase, se vai continuar achando que o mundo gira em torno do teu umbigo enquanto você diz que não, se vai negar atenção, se não dará os teus ouvidos e nem emprestará os teus ombros; Se os teus modos forem continuar duros, e as tuas palavras, rudes… vá às favas. Amor não se convence no GRITO. AMOR SE CONVENCE NO silêncio das atitudes GRITANTES e gentis. Engula o teu egoísmo. Coma com farinha a tua prepotência. Passe uma banana na frigideira para acompanhar a tua arrogante surdez emocional. E não se atreva à dizer estas palavras. Não para ela, que já se cansou. E nem para mim, que te desprezo. E nem para um outro alguém, pois não há ser humano que mereça sentimento tão pífio, tão pobre, tão desnutrido, tão tóxico… tão mortal.

Talvez você precise comprar um coração, pois eu não acredito que você tenha um. Ou compre um maçarico, e derreta todo esse maldito gelo, que te envolveu propositalmente, entre um lençol emaranhado e outro, entre uma máscara mal feita, usada com gente que tem 50% de cegueira em cada olho. E releia cada linha, enquanto eu vou embora da sua ingrata vida. Essa carta é para você, que diz “eu te amo” mas não entende o porque, não vê a profundidade do que está dizendo e nem se preocupa em saber. Mas faça um favor, imprima isto e leve com você. Distribua por aí, para todo o mundo saber, que enquanto for e viver como você, enquanto olhar e pensar com os teus olhos, enquanto não sentir o peito doer por alguém, não deve dizer. Então é isso. Não se atreva à tanto, não enquanto você gelo e latão.

Não diga “eu te amo”.

 

 

 

 

#Sisterhood: à minha amiga-irmã

A existência é um grande vai e vem de gente nos nossos dias e nos nossos planos, mas dizem que a nossa vida é com os que ficam. Bem, eu vi tanta gente chegar e ir embora, mas você fica há um tempo tão significativo e tão cheio de histórias pra contar, que eu só posso encher os meus pulmões de gratidão pelo fato de a sua existência ter sido ligada à minha de uma forma tão especial.

Dizem que não se faz amigos, mas reconhece-os, de forma que é o coração quem diz. E eu reconheci você. Eu reconheci  naquela primeira vez em que nós brigamos, e algumas horas depois, as duas estavam chorando e pedindo perdão. Eu reconheci na primeira vez em que você não me deixou sozinha. E eu venho reconhecendo, à cada nova semana, à cada vez em que a gente decide sair rapidinho e acaba fechando o restaurante japonês, porque a gente simplesmente não para de falar – aliás, eu andei pensando… e se a gente fizesse uma plaquinha, para indicar de quem é a vez de falar? Seria bem útil -. Eu reconheço a sua amizade à cada fato histórico, à cada gafe que a gente comete quando não deve e a outra sempre está lá, para rir junto. Eu reconheci em cada festa, em cada música que a gente cantou escandalosamente em cada bar que a gente foi. Eu reconheci quando o seu TOC se aliou ao meu, e me ajudou a pôr no lugar aquele quadro que estava torto, naquele bar que estava lotado. Eu reconheci a minha amiga quando eu consegui bloquear o meu cartão em plena madrugada, dentro de uma temakeria, e ela estava lá para ver a cena, rir comigo, e contar essa história melhor do que eu. Eu reconheci a minha amiga naquela viagem que a gente fez, para aquela cidade que a gente ama, para casar o nosso amigo.

Mas mais do que todas essas alegrias, e mais do que ter reconhecido a minha amiga, eu reconheci, na minha amiga, a minha grande irmã. Porque toda amiga é capaz de rir com você, toda amiga é capaz de suportar a sua tristeza, mas apenas a irmã confrontará a sua tristeza. Apenas a irmã irá te buscar para fazer compras, mesmo sabendo que você chorou, literalmente, a noite inteira, e chorará por mais algumas horas. Apenas a irmã te tira de casa quase à meia-noite, porque sabe que você precisa conversar. Apenas a irmã olha pra você e diz “tá ridículo, tira isso agora”, “nem pense em fazer isso no seu cabelo só porque é moda”, “eu estou muito feliz por você” (com o olhar mais sincero da vida). Apenas a irmã vai surtar em felicidade com você, e colocar os seus pés no chão ao mesmo tempo. Apenas a irmã fica enquanto outra leva de gente vai embora, e tem outra leva de gente chegando. A irmã fica, mesmo que às vezes ela precise de um tempo para ela. Porque é um coração ligado ao teu. A amiga-irmã é um presente especial. E se torna mais especial ainda, quando começam a perguntar se vocês são gêmeas.

Eu queria que todos tivessem a sorte de ter uma amiga como você, e reconhecer nela, uma irmã; porque eu é que sei o quão afortunada sou. Os meus pulmões é que sabem o quanto eles já se encheram de gratidão pela sua existência ligada à minha, pelos seus ouvidos que provavelmente xingam a minha falação de vez em quando, pelo seu abraço que sempre vem na hora certa, pelo seu olhar sincero e pelo companheirismo que não me deixa.

Você jamais estará só, porque você terá a minha irmandade para corresponder a sua. Não importa quando. Não importa onde. Não importa como. Mas você importará sempre…

Porque sis.

 

Deu match: O amor da vida

A gente cresce com a ilusão boba de que o amor tem lugar para nascer. A gente pensa tanto, e impõe tanta barreira, e se esquece apenas de acreditar que o amor pode estar bem ali, virando a esquina… A gente não cogita a hipótese de o amor ter a capacidade de acompanhar qualquer avanço tecnológico possível, limitando o coitado à cada vez que dizemos “não dá pra encontrar o amor em aplicativo de paquera”! Que estupidez, a nossa… Querer determinar o lugar onde o amor vai nascer, é o mesmo que querer confiar 100% nas previsões do tempo dos jornais.

Quem diria que as amigas dela estariam certas? Aquele download do aplicativo de paquera, foi uma das coisas mais certas que ela já fez em sua vida… E ele também. Entre um like e outro, um superlike, e o inesperado: deu match no amor da vida, e a parte de ser o amor da vida, se revelaria aos poucos. Porque é assim que o amor certo se revela: de forma lenta, porém vulcânica, tsunâmica, intensa em cada dia de sol ou de chuva. É a conversa que flui, é o assunto que rende infinito, é o primeiro encontro cancelado por um imprevisto, e a espera compreensiva do outro. Porque o amor… Ah, o amor! Ele é o primeiro olhar que faz a gente sentir que o outro sempre esteve à mercê da nossa vida… E mais do à mercê, nos faz sentir que o outro sempre esteve ao nosso lado. É o desconhecido olhar conhecido, que se reconhece à primeira batida descompassada do coração. É o beijo que a gente pede aos céus que não acabe, é o dar de mãos que demonstra o perfeito encaixe. Quando a gente ama, o passado do outro não importa, e de repente nos vemos pensando que não devemos julgar as pessoas, mas conhecê-las. São as pequenas coisas, que formam um tipo invisível de novelo, que tece a história dos desavisados atentos. Desavisados, porque foram pegos de surpresa. Quando a gente ama de verdade, não se contém. O amor sai pelos poros, se transforma no riso que nasce primeiro no coração. E de repente, planeja-se a vida à dois: não faz mais sentido caminhar sozinho, ou caminhar de mãos dadas em casas separadas, dormir e acordar sem o outro é muito vazio pra quem ama de verdade.

Como eu sei disso tudo? O meu nome é Acaso, e eu recebi autorização divina para ajudar o Destino à cumprir, de forma perfeita, o plano escrito por Deus. E das histórias que eu mais gostei de ajudar a tecer e cumprir, essa à qual me referi o tempo todo, foi uma das que eu mais gostei: Deu match no amor, e “a bela e o fera” descobriram que este, é o amor

Precisamos falar sobre fidelidade

Ao abrirmos o dicionário e procurarmos a definição da palavra “fidelidade”, lemos que ela é “característica do que é fiel, do que demonstra zelo, respeito por alguém ou algo; lealdade; constância nos compromissos assumidos com outrem; constância de hábitos, de atitudes; compromisso rigoroso”. Mas e a prática dessa coisa toda? Como é que a gente faz, nesta época em que, em dez minutos e poucos cliques ou toques na tela do celular, a gente encontra pelo menos cinco pessoas novas pra fazer o que quiser? A famosa traição se configura apenas no ato do toque? São tantas dúvidas que a gente chega a se sentir confuso, né? Eu sei… Mas manter a saúde do relacionamento não é difícil, apesar de se exigir esforço, porque o amor que a gente sente pelo outro, ajuda a gente a se manter firme.

Talvez a gente nunca tenha se aquietado por uns segundos para pensar que “fidelidade” envolve “demonstrar zelo por alguém”, não é? Mas envolve, porque a partir do momento em que nós nos comprometemos com uma pessoa, temos o dever implícito de cuidá-la, afinal, querer bem a pessoa amada, faz parte de um dos efeitos do amor, por mais egoísta que a gente seja. Porque amar o outro é isto: é inseri-lo em sua lista de prioridades, dizer “bom dia” e “boa noite”, estar atento às suas necessidades, ao seu estado de espírito e humor, é ouvir todos os seus segredos, anseios, traumas, medos, compreender esta pessoa que sempre foi parte da sua essência sem que você soubesse, e agora, chegou em sua vida. Amar é crescer e construir ao lado de alguém que, por algum motivo, desperta o melhor de nós. Mas como crescer e construir ao lado de alguém que a gente não cuida, não zela, não ouve, não dedica tempo, paciência, compreensão, e amor, mas ao invés disso, dedica apenas o nosso tesão e a vontade de beijar a boca? Sabe, fazer isso é o mesmo que construir um prédio com material podre: está fadado à ruir. O amor não sobrevive apenas de beijos na boca e toques feitos de fogueira que se mantém acesa com querosene… Isto é consequência, é “bônus”. O amor vive e cresce através da forma de se relacionar, e é por isso que o zelo é tão importante, e deve partir de ambos os lados, porque não é apenas o outro que precisa de cuidados e atenção… a gente precisa também. E como precisa. E quando não tem, o amor se torna cansado, se vê entristecido e muito magoado, porque por mais que, ao amar o outro, o doar-se seja sem expectativa, todos possuem a necessidade do básico ser cuidado e amado, de saber que o outro pensou em você no meio do seu dia tão atarefado, de saber que apesar do tempo escasso do outro, sempre há uma maneira de encontrar tempo para você, porque você é importante; E isto não quer dizer que estejamos tratando de pessoas carentes ou imaturas, mas apenas de seres humanos normais, com sentimentos, emoções… assim como nós.  É sempre válido colocar em prática o exercício de pensar, por um minuto: eu gosto de me sentir cuidado pelo outro? Eu gosto de receber atenção do outro? Eu gosto que o outro tenha tempo para mim? E por quê eu não estou fazendo isto por ele também? Amor é dar e receber, é via de mão dupla.

“Fidelidade” é respeito por alguém, e para respeitar o outro, eu preciso, primeiro, saber qual é o meu caráter. “O quê?”, SIM! Porque caráter, é aquilo que eu sou quando ninguém está olhando. Eu posso ser vestida de bondade para todas as pessoas, mas quem eu sou quando sei que estou sozinha, que ninguém pode me ver? É neste ponto que eu descubro o meu caráter. E quem você é longe da pessoa que você ama e tem um relacionamento? Quem é você, quando esta pessoa não pode te ver ou te ouvir? Se é um relacionamento à distancia (não importa qual seja ela), quem é você quando não está conversando com esta pessoa, quando não estão em uma videochamada ou algo semelhante, você é capaz de lhe dizer a verdade absoluta, ou a distância é o tapete para onde você varre a sua sujeira?  Caráter, leitor, é “sim” ou “não”. Recentemente um leitor me perguntou “é errado eu namorar e continuar usando Tinder e outros aplicativos parecidos?”, e a minha resposta foi “se você precisa me perguntar se é errado ou não, então você já tem a sua resposta”. Ele se assustou com a minha fala, mas a verdade, é que ele apenas queria que eu não reprovasse a sua conduta. A não ser que você e a pessoa com quem você se relaciona, decidirem (JUNTOS) manter um relacionamento aberto, não é de bom tom que o uso de aplicativos de paquera continue, pois todos eles possuem o intuito de encontrar alguém, seja para ter um relacionamento sério ou para conseguir uma diversão para uma ou algumas noites. Veja bem, se você já encontrou alguém para si, qual é a necessidade de continuar procurando? Qual é a necessidade de seguir aqueles perfis que divulgam pessoas bonitas para você seguir ou adicionar (esta é uma das maiores reclamações dos leitores, tanto do sexo feminino quanto masculino), e efetivamente sair seguindo os caras que você achou maravilhosos, as moças que você achou atraentes, e, dando o nome certo aos bois, as pessoas que você olhou e pensou “nossa, que gostosa (o)!”?? Quando você age desta forma, está deixando de respeitar a pessoa que você diz amar, pois há malícia nos teus olhos. E não venha me dizer que o uso do tais “aplicativos”, é para fazer amizades novas, pois você sabe muito bem, lá no fundo da sua alma, que você não usa com este intuito. A lealdade não deve estar apenas nas suas atitudes públicas, mas também nas suas atitudes secretas, nos teus olhos… Quão leais os teus olhos têm sido à pessoa que você ama? Quão leais as tuas atitudes secretas têm sido à pessoa com quem você se relaciona? E os teus ouvidos? Quão leais eles têm sido? Hoje, já se considera discutível a “traição online”, através de conversas com quem, você sabe, não deveria estar conversando, muito menos acerca de determinados assuntos. Isto não é lealdade com você ama. Isto não é “compromisso rigoroso”. Esta questão é muito mais delicada do que parece, e muito mais profunda do que nós podemos ver.

Não, a traição não se configura apenas no ato do toque. Esta, é apenas a consumação. Para chegar até o toque, trilhou-se um caminho. Deixou-se a lealdade de lado no exato momento em que despertou-se o interesse por outra pessoa. Este interesse pode ter simplesmente surgido, mas ele pode ter nascido de uma provocação vinda da outra pessoa, e não freado como deveria, não foi impedido, como deveria ter sido. Neste momento, você já traiu a pessoa que você ama, porque você se permitiu ser envolvido por outro alguém. A simples cogitação de estar com outra pessoa, já é uma traição. Porque você cogitou, e no momento desta cogitação, você não levou em consideração o seu relacionamento. E mais do que trair a pessoa que você namora ou é casado, você traiu a si mesmo, traiu os seus sentimentos, mentiu para si dizendo “tudo bem, isso não quer dizer nada”. A nossa mente é poderosa demais para dizer que uma cogitação feita por ela “não quer dizer nada”. É nesta parte que o caráter deveria ter entrado, mas não o fez, por ser extremamente falho e corrompido. De que é feita a realidade, se não de uma imitação de sonhos e pensamentos? Faz-se aquilo que se pensa. Trair o outro é colocar uma lança no meio do peito do amor.

A tal “constância de hábitos, de atitudes”, está na lealdade e no ato de cuidar e se fazer presente. Esta é a real fidelidade ao amor. O segredo está no relacionar-se, e manter o amor sempre bem vivo e animado, ao invés de fazer com que ele se sinta cansado. O segredo está em manter o seu coração, os seus olhos e os seus ouvidos, leais à pessoa que se ama. Honrar o amor e a pessoa amada, em um “compromisso rigoroso”, mas não pesaroso. O amor, em si, é doce, mas o amar precisa ser adoçado, e temperado. Não se esqueça do que é importante. Se faça presente. O amor vale todas as penas do mundo inteiro.

Não se esqueça.

 

Auto amor

Há algumas semanas, em uma rede social qualquer, entre tantas que a gente tem, eu vi um post sobre uma famosa “x” – que eu concordo, é maravilhosa -, uma frase me chamou a atenção: “INCRÍVEL COMO ATÉ DESARRUMADA, ELA CONSEGUE ACABAR COM A NOSSA AUTOESTIMA”.
Essa declaração me chocou e continuou me chocando, porque, sinceramente, acho que é este, um dos grandes problemas da nossa sociedade, ou das gerações mais jovens: possuir uma autoestima TÃO BAIXA, a ponto de tê-la “acabada”, porque um famoso saiu desarrumado, mesmo que este “desarrumado”, envolva um look no valor de um carro popular. Sabe, “autoestima” é “autoaceitação”, ou seja, uma postura positiva com relação a si mesmo como pessoa, estar satisfeito e de acordo consigo, ter respeito a si próprio, ser “um consigo mesmo” e se sentir em casa no próprio corpo, possuir “autoconfiança”, ou seja, uma postura positiva com relação às próprias capacidades e desempenho. Então, onde foi que a gente errou?
Talvez, esta, seja a era em que mais se fala sobre amor próprio, e menos se vê pessoas “amando a si próprias”. Este autoamor que tanto se bate no peito, cai a cada momento, e a tendência, é colocar a culpa em alguém. A tendência é colocar a culpa no outro porque ele é negro, branco, pardo, índio, rico, de classe média, roots, boho, seguidor de tendências, afro, europeu, asiático, árabe, latino, magro, gordo, hetero, homossexual, passivo, babaca, sem caráter, bonzinho, de palavra… coloca-se a culpa no outro por diversos motivos que, muitas vezes, pode-se soar quase como estupidez. A culpa tem que ser sempre de alguém, e como essa pessoa fez, ou faz, eu me sentir inferior… Mas a culpa nunca é minha, por não me amar como eu deveria, por não cuidar do meu “eu”, como eu deveria. A culpa nunca é minha, por endeusar uma pessoa que jamais vai saber da minha existência, e está pouco se importando se eu estou viva ou morta, e se importa apenas se eu a faço lucrar de alguma forma. Diz-se não ter padrão, mas criam-se novos padrões “despadronizados”, e você está errado se não aplaudir e jogar flores.

A verdade é esta: nós criamos doentes emocionais, e sustentamos a doença deles. E nós estamos no meio, viu?
A geração atual é fraca, briguenta (pelos motivos errados), extremamente hipócrita, e é feita de marionete a cada segundo. O problema está em não ensinar às pessoas a se amarem e ponto final. O problema está em jogar as pessoas umas contra as outras, por que “olha lá, ele está te oprimindo com o padrão dele”, “ele está te oprimindo com a cor dele”, “ele está te oprimindo por causa da classe social a qual ele pertence”, “ele está te oprimindo porque é mais bonito que você”, “ela acaba com a minha autoestima, porque ela é uma deusa”, mas na verdade, eu a coloquei naquele pedestal, e eu a julgo melhor do que eu. Mas espera um pouco… EU não sou o suficiente para MIM?
Entre tantas urgências existentes por aí, esta é gritante: aprender a se amar, a se perdoar e a perdoar os outros, e então, levar o amor próprio adiante, ensinando os outros a se amarem também. Não precisa ser formador de opinião para ensinar alguém que ela é digna de seu próprio amor, que ela é a primeira pessoa à quem deve amar. Sou eu comigo e você consigo. E o outro, com ele mesmo. E qualquer um de nós, com um psicólogo, porque algumas dores são difíceis demais pra gente superar sozinho, e talvez, sejam estas dores que travam a nossa autopercepção, e isso não é vergonha. Então, no exercício e aprendizado do autoamor, tenha isto bem formado na sua mente, para repetir para si a cada manhã:
Eu apenas sou oprimido pelo outro, se eu permito. O outro só me atinge, se eu deixo. Eu só sou colocado para baixo, porque eu deixo. Nem sempre a postura do outro é para me oprimir, me alfinetar, me abalar, me calar, me chatear ou me diminuir. Eu sou especial. Eu sou digno de amor. Eu sou amável. Eu sou querido. Eu sou alguém. Eu sou inteligente. Minha opinião é importante. Eu sou bonito. Eu sou vitorioso. Eu sou legal. Eu sou cheio de boas características. As minhas dores não são frescura, e eu vou superá-las! Os meus sonhos não são besteira. Eu consigo. Ninguém é melhor do que eu. E eu NÃO SOU melhor do que NINGUÉM!

E vá ser feliz, independente de quem o outro é, porque todos nós somos especiais à nossa maneira, de forma peculiarmente autêntica, com todas as nossas estranhezas, nossas belezas, nossa forma de vestir e andar. Você é um diamante, extremamente valioso e brilhante: PERCEBA-SE!