EU SOU SUA GAROTA TARJA PRETA

Eu sou tarja preta para você. Teu vício. Tua dependência. Prego em ti a necessidade de sentir-se vivo e certo de que qualquer coisa irá ficar bem.
Eu sou tarja preta para você. Sou o esboço de cura daquilo que anseias demais. O desejo consciente que tens de estar perto para sentir-se vivo.
Teus álcoois rotineiros em bares de quinta nunca irão retirar o efeito que faço no teu corpo.
É que sou tarja preta no teu coração, garoto.
E podes estar rodeados de querências, de certezas (erradas) sobre seus sentimentos. Podes até chegar a pensar que “hoje tem!”, pois é um homem livre.
Mas eu sou tua tarja preta. Hora ou outra tua respiração ficará ofegante, teu coração baterá mais forte e tentará sair pela boca pedindo um beijo, o ar irá faltar.  E nessa hora, meu amor, repito, só esse beijo te trará de volta. Você sabe: eu não sou qualquer chá!
Eu sou a moça TARJA PRETA que você não tira da cabeça e da lista de remédios da vida.

Nos “reconhecemos” naquele carnaval

É uma recaída. Um descumprimento -não-conveniente- daquela promessa de “Nunca mais pensar a respeito”. Um momento demasiado raso, mas um momento. E ser “momento” já é infidelidade com toda essa força atual. Você quer ser independente naqueles minutos, mas não é. Os olhos lêem e o coração quer permanecer frio, mas ele aquece. As mãos estariam secas, entretanto há um “caminho de suor” percorrendo nervosismo bem no meio delas.
Seria cômica a sua forma de disfarçar aquele controle insolente, mas não é. Ri demais durante cinquenta segundos, entristece nos outros dez. Nos próximos vinte cruza pernas e  braços ou põe a mão no queixo e olha para o horizonte com a cabeça erguida -em sinal de profunda introspecção e desfavor-. Mas você levanta e vai dançar para não parecer que está tentando fingir algo. Mas ele vem. As peles se aproximam, o seu autocompromisso libera “milhares” de sinais para que a tal sanidade tome as rédeas da situação. Mas acabou. As bocas se olharam, se tocaram.
Eis o nascimento de uma nova promessa.

Eu me quero muito

O que eu preciso? Eu preciso de você. Mas preciso mais de mim. Necessito, antes de te dizer sim, ser positiva comigo, sabe? Me entender. Saber quem eu sou, como funciono, de que alimento minha alma precisa.
Eu quero muito estar ao seu lado, mas quero que, antes, dê tempo de amar a mim mesma, conversar com a solidão, beber uns vinhos diferentes e sentir, sozinha, os pensamentos que eles me trazem.
Desejo o teu riso, mas eu quero ser motivo do meu. Olhar no espelho e não comparar o que vejo com ninguém, não destacar a felicidade dos outros como se a minha fosse pequena.
Quero ir no cinema contigo. Mas antes quero ver um filme de terror sozinha, experimentar todas as pipocas disponíveis, chamar um táxi para ir para casa a hora que eu quiser.
Quero ir naquele açaí que você gosta. Mas só depois que me esbaldar sozinha na minha sorveteria preferida e sair de lá com a sensação de “dever cumprido”. Eu quero o nosso chamego, me sentir segura contigo, muito embora você tenha mais medos que eu. Mas eu preciso me segurar forte, andar sobre as brasas que me acenderem e encher os vazios que me faltarem. Você me transbordará depois.
Eu quero um tanto de coisas contigo. Mas quero uma feliz comigo antes.

Ele é só um sonho bom

Ele é o cara dos meus sonhos. Só dos meus sonhos.
Preciso parar de esperar, de querê-lo demais por amar-me de menos. É que eu decidi ser feliz sozinha, parecer primária aos meus olhos para que eu entenda de uma vez por todas que você é só uma segunda parte, um segundo obstáculo pra esquecer.
Você é a expectativa. A falha expectativa que me visita nos sonhos para fazer-te perfeito, enquanto fica mais distante cada vez que acordo e volto pra realidade. E me dei conta de que você também tem que passar, do mesmo jeito que abri as portas para todos os outros irem. Você tem que acabar até na sombra dos meus desejos mais ocultos.
Não quero mais amar você, te fazer dentro de mim um príncipe encantado na minha plena década dos 20 anos. Não quero mais a bagunça que eu permito que as minhas próprias vontades façam. Eu preciso seguir em frente do mesmo jeito que sempre mereci seguir.
Com o coração partido, afirmo que você tem que morrer em mim. Respeito a história que imaginei de nós dois, os dias infinitamente lindos que não tivemos. É que eu realmente cansei do “pouco provável”, dos convites inventados, da falta de tempo. Eu cansei de ser apenas uma parte, um pouco, um quase.

Eu me afoguei

FELICIDADE. Essa palavra é forte demais para se sentir quando a vontade é de ir embora. Quando, na realidade, o maior desejo é seguir sem rumo, mas tendo a certeza de que a droga do passado não vai mais perturbar o que era para estar quieto.

Meu coração é uma angústia só. Um poço sem fundo de tanta insegurança, de tanto desamor. É dramático. Eu sei. Mas por trás desse sorriso aberto tem um rio perene de lágrimas no travesseiro, desgostos imensuráveis que não consegui perdoar até hoje.

E, às vezes, eu canso de dizer sim aos risos. Canso e me entrego no barco das insônias profundas, das tristezas mais profundas ainda. O sabor das esperas nem sempre é doce e assim tenho provado. Bebido. Tenho SENTIDO no mais verdadeiro significado da palavra. Porque a vida é essa maré toda, não é? Umas enjoam, outras nos fazem perceber coisas bonitas, outras nos fazem vomitar as verdades que estavam presas. E outras, meus caros… Outras nos afundam mesmo.

E aí, para nadar de volta é difícil, é pesado. Ir contra as ondas parece tão inútil que muitas vezes desistimos e morremos ali mesmo: afogados na imensidão do mar da própria personalidade; do próprio “eu”. É que decidimos, por dentro, fazer-se desistência, desencontrar-se dos próprios amores, preferir ser solidão a ter que refletir sobre a “importância de aceitar os erros alheios, filtrar as palavras que nos machucam, fazer as pazes quando tudo é conflito dentro si mesmo, não magoar ninguém, levantar a cabeça, superar e superar a superação, casar e ter filhos, ser sucesso aos olhos de quem está de fora e amar; amar muito; como se fosse fácil ser todo e completo amor, temos e somos levados ao ‘amar’”.

Que horas eu sigo? Que tempo tenho para aprender a ser o “eu” sozinho, livre para errar e pedir perdão, desejar apenas o suficiente e realizar o que se sonha de verdade sem interferências dos outros? Quanto tempo o mundo me dá para que eu seja a arte que quero ser, as frases sem sentido que quero gritar, a loucura achada nas ilhas das rédeas perdidas ou a decisão de ser quem se é?

Não é injusto ter que esperar do mundo um tempo que é MEU?

Alerta de textão

Quem sabe as madrugadas sejam para pensar nos prós e contras que fomos um para o outro, de como soubemos nos fazer magoar e o quanto (MEU DEUS) eu esperei de você.
Você foi um pilar. Um amor conturbado, mas puro. Desses que se escondem na minha cara de séria e difícil, na personalidade forte e dura, mas que se esbaldava quando encostava a cabeça no travesseiro para chorar.
Fico imaginando (e mais uma vez, talvez as madrugadas sirvam para isso) como tudo seria se tivéssemos nos desarmado. Como seria nosso casamento. Como seria tanta coisa que só mesmo a sensibilidade causada por uma insônia pode voltar à tona.
Medito sobre a vida que não nos permitimos ter, no fato de ter traído suas expectativas e você ter traído tudo (não só o que esperava). Sinto um vazio triste, monótono.
É real. Você não está do lado na cama, não estamos grudados tentando sobreviver ao aperto da falta de conforto. Não existe mais cheiro de pele cansada, uma cabeça cheia de cabelo (que você não tinha ido cortar) para eu fazer cafuné quando percebesse que tinha acordado.
Simplesmente não existe. Aliás, COMPLEXAMENTE fomos embora um do outro de uma maneira injusta. Porque não é fácil repetir pra si mesmo que o que não era para ser não foi, quando na verdade queria de verdade que tivesse sido.
Quem sabe as madrugadas sirvam para isso também. Para pensar como você não era para mim e como eu queria que tivesse sido.

Nós precisamos crer

Ter fé é ter certeza do depois. Acreditar nas belas manhãs logo após tempestades agressivas, pensar no anoitecer estrelado depois que o sopro de Deus levou as nuvens embora.
Ter fé é confiar na segurança de dentro, mesmo sabendo que o mundo está prestes a mudar lá fora. É perseverar no sorriso guardado pela tristeza que tomou conta do nosso lar maior: o coração.
Ter fé é não desistir quando tudo desaba. Entender que, lá no fundo, tudo não passava de uma única telha quebrada.
Ter fé é saber esperar sem saber qual será o próximo passo por também não saber dá-lo. É estar ciente da própria grandiosidade, mesmo quando nos permitimos ser tão “apequenados”. Ter fé é segurar o invisível, mas ter razão ao fazê-lo. É confiar no que podemos ser depois das dificuldades.
Ter fé é abster-se de gritar quando ninguém precisa mais do silêncio da espera quanto nós mesmos. É poder ser inocente mesmo quando a culpa da desistência nos pesa.
Ter fé é jogar-se nos próprios abismos acreditando que, hora ou outra, algo maior nos segurará.

Desisti de mim ao insistir em ti

Desisto. Faço dessa espécie de amor que, hoje, já não sei se é real uma completa e profunda desistência.
Não nasci para sentir-me abandono. Não nasci para verter lágrimas ao invés de brotar risos. Não nasci, meu caro, para esperas intermináveis.
Digo-te que desisti. Não desejo ser a inclusão dos teus planos ou a partilha dos seus bens sentimentais. Aliás, não fui bem feita para explicações sobre “como ainda me amas, mas precisa fazer e ser tudo, menos estar ao meu lado”. Eu não tenho mais paciência. Não tenho mais RESILIÊNCIA para adaptar-me a ti enquanto vai embora sem piedade.
Dói. Eu bem sei e assim sempre foi e haverá de ser. Portanto, doarei a ti a liberdade que nunca tive. Doarei absolvição das minhas noites em claro procurando em mim os erros que me fazia morar em abraços errados e não sinceros.
Doarei a ti essa saudade que de encanto não tem nada. Doarei a COMPLETUDE de minha desistência e não de meu amor.

Parecia fácil não te ter

Parecia tudo mais fácil quando nada existia. Quando tua vida não iluminava a minha. Quando você não decidia, com um simples olhar, deixar-me letárgica para dominar tudo o que era “só meu”. Era tudo incrivelmente fácil quando as desistências não cegavam os meus olhos e os sonhos eram os motivos que mais engrandeciam as belezas ocultas por aqui.

Hoje discordo. Hoje sou meu próprio contrário. O que transpareço é uma versão de testes, posta em execução pelo fato de não querer demonstrar os outros lados que ainda permeiam nosso sentimento inexplicável. Hoje tenho medo do fim. Mesmo sabendo que tal característica já nos foi apresentada há tempos. Tenho sim receio de não ter sequer o seu “pouco”, de não ser o  terceiro, quarto, quinto lugar na sua vida. Hoje não sei ser nada sem você. De certa forma, de uma incoerente forma, você dirige o que eu não sabia. E é como se, sem essa direção, não estivesse disposta a dominar meus próprios caminhos, derrapar nas minhas próprias curvas.

Todos os dias tens levado um pouco do que eu queria que ficasse. Todos os dias me apequena, me entorta, me esquece. Como se nada aqui fosse capaz de te causar falta e, consequentemente, vazio. Porque na verdade, meu caro, quem esvaziava era eu. Quem te enchia enquanto secava sempre foi eu. Não importa quantas considerações sobre o assunto você faça no futuro. “Nós dois” sempre foi “só eu”. Estive solitária nos primeiros beijos, estive sozinha enquanto amava, estive sozinha enquanto dedicava tudo que eu era a você.

E isso, incompreensívelmente, ainda não cansou minhas formas de sentir. Você e seus princípios de “amor” e “bom dia” apenas escritos tem derrotado até o tempo (profeta de todas as curas). Mas quem sabe um dia eu canse. Talvez o coração petrifique. Talvez coração desista e, ao desistir, seja tarde demais quando o seu amor voltar.

Parecia tudo mais fácil quando você não era tudo.

Carrego-te nos meus sonhos, nas gavetas dos desejos mais ocultos

Ninguém sabe, só eu!
Mas carrego-te na pureza da presença de um sonho, nos enleios de devaneios contínuos, sensibilizados por sua não-presença. Lá, enquanto o sono é a única realidade de mim, a alma viaja e vai visitar teu cheiro, tua pele, teu riso, tua falta de resistência ao trocar olhar com o meu.
Ninguém sabe, só eu!
Mas enquanto peço forças aos céus para esquecer-te, o universo, condoído pela falta tua, presenteia-me com teus abraços furtivos e eternos, embora irreais. E assim, durante o fechar dos meus olhos, abro-os em outra vida na qual você está presente e sempre consternado de saudades minhas.
Ninguém sabe, só eu!
Mas sempre que fica difícil a nossa lonjura real, você vem e me visita. Como se nossas almas fossem (desde outras vidas) incapazes de viver longe uma da outra. Lutando contra o destino contrário, você não deixa de vir demonstrar teu afeto e amor ao buscar-me para passar um tempo ao teu lado, onde quer que imaginemos, numa única noite de sono.
Ninguém sabe, só eu!
Mas sempre acordo com saudades, como se aqui você tivesse realmente vindo. Desperto querendo voltar ao imaginário, como alguém que sabe que só lá poderá amar inteiramente.
Ninguém sabe, só eu!