O que é ser uma mulher?

Cansei dos rótulos. Cansei da ideia de acharem que eu sou apenas estatística dentro de um padrão estabelecido, apenas por ter nascido mulher.

Tenho muito orgulho de quem sou e da forma como aprendi a lidar com os questionamentos. O que me cansa na verdade são as expectativas, os padrões e a vida pré-estabelecida, desde quando ainda na barriga de minha mãe me disseram que eu seria mulher. Nasci mulher ou me tornei mulher? Acredito que um órgão é só parte de quem sou e que o “ser mulher” vai além da compreensão biólogica, natural.

Nada do que sou sendo mulher, parece que cabe em mim, por ser mulher! Se sou autêntica e decidida, estou agindo como um homem: “Pare com isso, você parece o macho da relação!”. Ser forte, independente, dona de si e principalmente decida, confunde-se no estereótipo masculino que em mim não cabe, porque eu “nasci mulher” e obviamente devo “agir como uma mulher…” Mas será que devo? O que é ser uma mulher?

Se sou negra e aliso o cabelo, o estou destruindo. Se sou negra e assumo os cachos, sou feia e desajeitada. “Cabelo liso? É escorrido!” “Ficar careca? Que feia!” “Cabelo loiro? não dá né?”

Sou magra demais? “Não pode! Quer sumir?” Sou gorda? “Um pecado, você precisa emagrecer!” “Vai pra academia!” “Toma suplemento!”     “Levanta uns pesos!” “Toma shake!” “Faz pilates!” “Já fez a dieta das fases da lua?”

Pelos: “Depila as pernas!” “Não depila!” “Pinta os pelinhos!” “Que feio pintar os pelinhos!” “Suas sobrancelhas são finas! Preenchimento!” “Sobrancelha grossa? Design!”

Maquiagem: “Você usa demais! Mulher tem que ser natural!” “Você não usa nada? Nem um batom? Com essa cara nenhum homem vai te querer! Nem parece mulher!” “Que batom vermelho é esse? Parece uma puta!” “Esse rímel borrado? Parece um panda!”

“Esconde as celulites, menina” “Estrias? Não dá!” “Coisa feia andar com seus seios e bicos e volumes! Uma blusa não é suficiente, coloca um sutiã!” “Onde já se viu, andar por aí com esses seios cobertos só por uma blusa?” “Esconde esses mamilos!” “Usa bojo!” “Disfarça um peito maior do que o que você tem, porque seios pequenos também não pode!” “Seios grandes? Tem que reduzir isso aí!”

“Minissaia? Tá louca? Pra quê ficar mostrando essas pernas?” “Não usa saião também, virou crente? Hippie? “Decote não pode!” “Cobre esse colo!” “Cobre essa barriga!” “Cobre as pernas!” “Usa burca!” “Você tá sempre pedindo né?” “Esconde esse corpo porque um homem não sabe se controlar!”

Crise. Crise. Crise.

Medo de se vestir. Medo de maquiar. Medo de ser. Medo de existir.

“Mulher não pode gostar de sexo!” “Sexo deve ser apenas para ter filhos e satisfazer seu homem!” “A Bíblia diz que…” “Zzzz…zzzz….zzzz” “Masturbacão? Que pecado!”

“Mãe solteira? Vadia!” “Não consegue segurar homem!” “Não quer ser mãe? Que absurdo!” “Tá louca? Toda mulher nasceu pra ser mãe!”

“Toma remédios pra não engravidar!” “Usa DIU, pílulas, adesivos e um milhão de outros hormônios que irão comandar o teu corpo!” “Usa camisinha! Se acaso furar, se entope de pílula-do-dia-seguinte!” “Os métodos não são 100% seguros, mas todos foram feitos pra você! Vale o risco?” “Não pode abortar!” “Na hora de fazer foi fácil né?” “Não quer ter filhos, evita o sexo!”

“Se não queria ser estuprada porque estava na rua tão tarde? E com aquela roupa? Aquele batom? Tava pedindo!”

“Se reclamar das cantadas, vai ser estuprada!” “Não gostou? Fica calada! Com medo!”

Lembra de mais algumas frases? Com certeza sim. São infinitos que cansam. Regras que não cabem a mim. Eu quero decidir! Tá na hora de romper com esses “valores” que de válidos não tem nada! Cheguei num ponto, onde definitivamente, devo estar enganada sobre o sentido de ser mulher… E pra você, o que é ser uma mulher?

Camila

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A louca do ônibus

Estou sentada no ônibus lendo um livro no qual não consigo me concentrar, pois ao meu lado está uma louca gritando ao celular.
Será que é louca mesmo ou está apenas num dia difícil, numa situação ruim e dentro de um ônibus abafado, dividindo suas tristezas com outras pessoas que nem queriam ouvir?
Alguém mentiu pra ela. Não! Bem pior! Alguém mentiu o próprio nome pra ela.
Ele mentiu.
E mentiu também sobre a mulher que o espera sabe-se lá onde…
A louca o crítica, o chama de nomes ruins, palavrões desenfreados e gritos histéricos. Mas, num segundo depois ao perceber que o celular vai descarregar, o avisa disso de maneira doce, esperando um contato posterior.
Será mesmo louca?
Desliga a ligação e depois atende algumas chamadas. Está estressada. Age de maneira a descontar nas outras pessoas, todo o peso que sente do mundo e do amor que foi desmoronado igual a um prédio implodido.
Não vi sequer um ato de humanidade no semblante da mulher, exceto com a eminência do celular descarregar e junto da bateria, perder o amor de sua vida.
Que lhe traiu.
Enganou.
Que usou até um nome falso.
Aquela louca me despertou pensamentos. Como será a vida dos que amam apenas a si? Dos que esperam que o amor seja um sentimento de benefício próprio. Dos que acreditam que dá pra viver bem se está tudo errado com o outro, mas tudo bem com o que sentem… Mesmo que amar seja uma mentira.
Será que milhões de pessoas sabem ser humanas? Será que milhões de pessoas amam de mentira? Será que milhões de pessoas são doces e gentis na eminência da perda e nos outros momentos, nem carinho, nem sorriso, nem “bom dia!”?
Será que milhões de pessoas se sensibilizam com tragédias, erros e preconceitos? Ou são apenas aqueles comentaristas da Folha, que confundem aquecimento global e a guerra do Iraque, com “é tudo culpa do PT!”.
??
Será que o instinto de caridade é comum e foi tudo uma imagem primeira que fiz da louca, no seu dia ruim, naquela situação difícil, dentro de um ônibus abafado? Existem mesmo pessoas sãs completamente loucas? As pessoas ruins se escondem por entre os outros dentro de um ônibus lotado?
Há mesmo, quem se preocupe apenas com o próprio sentir? Ou posso encontrar aquele que acredita que o outro precisa de um cuidado mínimo, que se resuma em dar bom dia, mesmo num dia difícil, numa situação ruim, dentro de um ônibus abafado?
Hoje não. Hoje a louca passou por mim gritando ao telefone, desceu na parada seguinte e foi viver sua vida e seus conflitos perto de outra pessoa, que talvez também vá perceber que o mundo precisa de mais sorrisos e menos gritos histéricos dentro de um ônibus qualquer.
Será mesmo louca?

Camila

Eu não acredito em Deus, e você?

Eu não acredito em Deus! Mas já percebi que independente do que aconteça de errado, sempre há uma saída. Na vida, nos projetos… Em tudo. Sempre que uma coisa dá errado é para outra dar muito certo depois. E eu me questiono: Será que essa força não é Deus?

Eu não acredito em Deus! Mas como posso explicar as invenções? As pessoas que descobriram que dava pra fazer cirurgias por todo o corpo e até dentro dele. O inventor da luz elétrica, do telefone e das turbinas que levantam os aviões…

Eu não acredito em Deus! Mas não consigo achar uma justificativa pra tantas ideias novas, pra tantas ideias que mudam o mundo, pra tanta gente boa que faz da sua vida, a vida do outro.

Eu talvez não acredite em Deus agora. Porque de alguma forma ele falhou comigo. Mas apenas o fato de não acreditar em Deus é porque de alguma forma acredito nele, só estou decepcionado.

Eu não acredito em Deus! Talvez porque queria que a minha vida fosse escrita do meu jeito. E sou birrento, possessivo e muito, muito mandão. Quero o poder de controlar o espaço, as pessoas e o ciclo natural da vida. Eu não acredito em Deus porque queria ser o próprio Deus. E ditar regras, impor limites…

Eu não acredito em Deus por que eu não queria morrer. Sou tão apegado ao mundo e a tudo o que tem nele, que não consigo aceitar que vou virar lembrança.
Eu não acredito em Deus por que sou egoísta e não quero deixar que outra pessoa venha depois de mim.

Esse é o ciclo né? Nascer, viver, amar, se apegar e morrer… Deixar pra trás tudo aquilo que construí com tanto esforço…

Deus deve mesmo ser muito ruim comigo. Que maldade me dar a vida e tirá-la depois. Que maldade me criar, me moldar, me defender em todas as situações e depois roubar-me o sopro de vida. Que maldade me escolher para contribuir com a terra e depois me tirá-la sem o menor dó. Que Deus frio e sem sentimentos é esse?

É estranho pra mim e nem eu mesmo entendo. O dom da vida deveria ser o meu bem mais precioso, no entanto, ouso duvidar de Deus e entender tudo o que acontece de uma maneira errada.

Os médicos, os filósofos, os artesãos. Os carros, aviões, as grandes descobertas e a natureza… E ainda assim… Eu não acredito em Deus!

Eu não acredito em Deus, mas sinto. Sinto todas as vezes que me deparo com coisas extraordinárias, que ele fez exatamente tudo certo e eu quem faço tudo errado.

Eu não acredito em Deus porque sou um mal agradecido, e você?

Camila

A arte de aceitar aquilo que não podemos modificar

A gente não sabe lidar quando nos tiram da zona de conforto, quando pisam no nosso calo, quando nos fazem levantar do sofá e ir até uma sala de aula, receber a notícia de que a aula foi cancelada. É horrível pensar que eu poderia estar deitado, ou lendo livros ou curtindo fotos ou simplesmente dormindo. É horrível aceitar o fato de que alguém foi o culpado por me fazer ir até um lugar em vão. Daí eu pergunto: Será mesmo em vão? Que lição podemos tirar disso? É correto culpar a pessoa em questão por não nos ter impedido de entrar no carro, pegar o ônibus, guiar a bicicleta, a moto, a vida… Até chegar ao lugar e ser contrariado? Somos contrariados todos os dias, a cada minuto em que existimos. Viver é uma contrariedade enorme. Cada minuto se arrasta enquanto os astros dançam a valsa das órbitas. Enquanto a natureza cuida de cada detalhe para reger a sinfonia do planeta, mesmo com a incoerência de não aceitar que apenas existindo, já estamos fazendo um grande mal para a humanidade. Poluindo. Criando. Dominando. O que eu posso aprender quando me tiram da minha zona de conforto para cumprir a obrigação que é viver, ser e estar? Eu devo ficar com raiva do trânsito que não me favoreceu? Ou do semáforo que fechou bem na minha cara? Ou da moça que pediu parada na faixa de pedestre, me obrigando a parar? O tempo é urgente eu sei. Mas o pouco que a gente espera é o que a gente pode. Se resume em atividade, ansiedade também, em sentir-se inteiro, humano e preocupado com o bem estar do próximo que talvez tenha furado o compromisso por um dano qualquer. Quero cada dia a mais, me colocar no lugar de quem espera… Mas, mais ainda, no lugar de quem queria estar e foi impedido de ir. Quero cada dia a mais, ser alguém que se preocupa além do próprio nariz e da redoma de vidro erguida pelos meus pais ao meu redor. Quero quebrar a redoma e ser livre para construir um mundo mais humano e justo. De igual para desigual. Porque a arte da vida está em aceitar a diversidade.

Camila

E se eu morrer amanhã?

– Já parou para pensar que tudo pode não passar de hoje? Que amanhã pode nem chegar? Que a vida é urgente?

Penso nisso e entro em pânico, terror, não consigo dormir. Penso nisso e choro compulsivamente, num misto de medo, ansiedade e pânico, síndrome do pânico.

Só quero não pensar. Não posso pensar. Quero dormir e acreditar que o amanhã ainda vem.

– Mas e se não vier? Já pensou nisso? Já pensou que a morte chega de mansinho?

Deito a cabeça no travesseiro e penso.

– Quando vou morrer? Será que vai doer? Será que vou conseguir fazer tudo aquilo que eu quis fazer? Ou vou acabar deixando pra depois e esse depois nunca vai chegar?

Penso demais. Sofro demais. E minha cabeça tão inconstante só quer deitar e apagar a luz pra hora do sono onde tudo vira breu e posso então descansar.

– Mas, e se eu morrer amanha? Vou conseguir dizer que amei a tempo dos olhos fecharem? Será que a vida espera um pouquinho todo esse orgulho e lástima que a gente sente quando é impedido de amar?

– E você? Já disse que ama alguém hoje? Já parou? Ou não deu tempo nessa vida corrida onde ninguém pode largar tudo e simplesmente viver (e amar).

Pego o telefone e ligo. Preciso dizer. Preciso explicar que eu errei, mas que o meu amor é sincero e existe.

– E se eu morrer amanha? Será que vão me notar? Vão mandar milhões de mensagens de pesar para os meus familiares? Terei flores e velas? Recitarão o epitáfio de Mário Quintana? Quem vai chorar?

Não atende.

Levanto. Ando várias vezes no quarto. Quero não pensar e só penso. Tomo um ansiolítico para ser derrubada e não existir por uns minutos.

– Será que morrer é parar de pensar?

Pego o telefone pela segunda vez, olho aquela foto que me traz esperança. Lembro daquele domingo de chuva e de como é gostoso tomar um café com creme, enquanto vejo algum filme na TV. Viver é simples e gostoso.

– E se eu morrer amanhã?

Por um instante havia esquecido do medo que tenho da vida e da morte. Choro. Sinto que estou tendo mais uma das crises das quais morro de medo de voltar a sentir. Só quero parar de pensar. Mas minha cabeça me mata cada vez mais.

– Será que morrer vai doer tanto quanto dói pensar?

Preciso de ajuda.

Abro um livro qualquer e o primeiro parágrafo fala de tempo.

– Que tempo é esse em que não há tempo para nada?

Estou sem ar e não consigo respirar.

– Quem às 03h da manhã pode me ajudar a não pensar no que virá?

Ligo de novo. Quem sabe alguém pode me ajudar a rir da vida ou pensar outra coisa que não seja sofrer. Não atende. Estou cada vez mais sem ar.

– Quem pode me ajudar?

Tenho medo de ter medo. Me policio em todas as horas. Evito pensar. Evito falar. Evito lugares, coisas, objetos. Vejo eminência de morte em tudo.

– Quem vai me ajudar?

O telefone toca.

– Alô, você tá bem? É uma emergência?

– Sim, me salva! Tô morrendo e não sei como parar.

– Tô preocupado, onde você está? É crise?

– Estou deitada no abismo que é a minha vida. Não consigo sair. Me salva? Me salva da vida e da morte? Me ajuda a lidar com o peso que é existir?

– Toma um remédio, você vai ficar bem! Agora dorme.

– É só o que eu quero, mas sinto que peço demais. Desculpa!

– Te amo!

– Também.

Morri de medo de voltar a noites como essas. Fiz tudo certinho. Os remédios, as terapias… Não queria pensar, mas só sei pensar.

– Já pensou nisso? Em como é morrer? Já pensou em quantas pessoas você precisa dizer que ama neste exato momento? Ou vai deixar pra depois?

Estou dopada e não durmo. Tenho sono, mas não fecho os olhos. Minha mente está mais calma, efeito do remédio, mas a dor ainda é a mesma: Estou com medo de morrer!

Me reviro e penso.

Será que quando a gente morre ganha outra vida pra consertar os erros que cometeu nesta?

Fecho os olhos lentamente, o pensamento vai ficando breve. E o breu começa a chegar.

O telefone toca.

Meus olhos estão embaçados. Mal consigo olhar a tela. Sinto a urgência em dizer que amo. Enquanto ainda há tempo. Estou pesada demais e não consigo me mover para atender.

Tudo bem. O sono chegou.

– Quem sabe eu diga amanhã.

E durmo.

Camila

A culpa é de quem?

Nascer mulher é perigoso. Nascer no mundo machista é sair de casa e torcer para voltar ao fim do dia. Inteira e sã.
Nascer mulher é torcer para não morrer sendo julgada e condenada por uma atitude qualquer.
Nascer mulher é atravessar a rua torcendo para ELE não mexer. É vestir uma blusa fechada para não olharem para os MEUS peitos, ou uma calça comprida praa não vulgarizarem MINHAS pernas e MINHA bunda.
Nascer mulher é entender que não posso sair na rua à noite sozinha, sem ter medo, sem me sentir uma presa.
Nascer mulher é nascer acorrentada. Ter um dono. Um pai prepotente. Um namorado possessivo. Um marido doente. Todos donos de mim.
Nascer mulher é ser “mulher de malandro” que apanha e fica. Não por que quer ficar, mas pelo desgaste emocional, pelas promessas e pelo abuso psicológico.
Nascer mulher é saber que eu posso ser a Beatriz, posso ser Fabíola, posso ser Medeia, Maria Quitéria, Aqualtune, Joana d’Arc, Frida Kahlo ou simplesmente Camila. Não interessa o nome, a cor da unha, o corte de cabelo ou a opção sexual. Nascer mulher é saber que todos os dias, ao sair de casa vão olhar pro meu corpo e invadi-lo de alguma forma. Porque olhar tira pedaços. Quando a malícia é abusiva, quando a fala é erótica, quando me expõem ou quando vulgarizam.
Me tiraram milhões de pedaços. Sou uma mulher remendada como todas as outras. Por ser mulher!
O machismo me mata todos os dias e eu tenho que me calar para ser pauta da revista Veja. Tenho que ser bela: Me depilar, usar maquiagem, contornos, disfarces de imperfeição. Tenho que ser recatada: Saias abaixo do joelho, finas mechas douradas e discretas e nada de batom vermelho. Tenho que ser do lar: Saber lavar louça, fazer comida, cuidar da casa.
Não posso ser chefe, ser presidenta, ser gerente, ser ministra. Quando me deixam ser o que quero, recebo menos por que: Eu sou uma mulher!
Já reparou a divisão gritante que existe? Já refletiu um minutinho? Que tudo o que um homem pode ser ou fazer, eu não posso? Que a minha obrigação é ficar calada e fazer o que um homem mandar?
Se sou presidenta, colocam meu rosto no tanque do carro simulando um estupro.
Se trai meu marido, sou exposta na internet para milhões de pessoas rirem de mim. Que incomum né? Trair? Não! Só é diferente porque eu sou mulher.
Se bebo demais, mereço ser estuprada por 30 TRINTA HOMENS até sangrar e possivelmente morrer. E riem de mim, acham engraçado e dizem: “Bem feito, quem mandou beber demais!”
Um homem bebe demais todos os dias e ONDE QUER QUE ESTEJA, trinta mulheres jamais o violentariam e achariam engraçado.
Por isso todos os dias é importante quebrar o protocolo, desprender-se das regras impostas por um sistema machista.
Bebo quanto quiser! Saio à noite! Beijo quem quiser! Vou para a cama com quem me interessar! Mas por favor, se algo acontecer comigo por isso, lutem por mim e por todas nós, lutem pelo nosso direito à liberdade. Vamos cada dia, quebrando as correntes e sofrendo. Mas sabendo que podemos estar sempre todas juntas. Unidas.
No final das contas, não adianta saia curta ou burca. Batom vermelho ou rosa. Cabelo curto ou longo. Ser loira demais, morena demais, negra demais.
Maquiagem vulgar ou maquiagem basiquinha. Cerveja ou água com gás. Trair ou não trair.
Homens estupram. Taxistas. Motoristas. Passageiros de ônibus. Maridos. Namorados. Bêbados. Drogados. Pais. Advogados. Médicos. Padrastos. Primos. Irmãos. Loucos. Playboys. São eles. Todos eles e muitos outros.
Não adianta ser bela, recatada e do lar. Ser feia, desbocada e do bar.
Se eu estiver longe de um homem que me defenda, vou ser assediada, estuprada, violentada e invadida por outros homens.

A culpa é de quem?

Eu quero um dia sem estupro.
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Camila

100 dicas para não arranjar um namorado

Esses dias soube de uma peça de teatro que chegará na minha cidade. Essa peça ajuda em 100 dicas, como arranjar um namorado. A partir dela, passei a conversar com algumas amigas sobre que dicas poderiam ser essas, mas descobri, que a maioria delas, estava muito mais interessada em dicas de como não arranjar um namorado. Até porque quanto menos você quer o cara, mais ele te quer ou quanto mais você quer o cara, menos ele se mostra interessado. E quando se interessa, você já está querendo outro… que, também AINDA não te quer. Confuso né? Fui ás pesquisas na internet e descobri uma quantidade de vários nadas que ensinam como não ter essa dor de cabeça na vida e resolvi, a partir desse assunto, escrever algumas dicas para não para arranjar um namorado. As dicas consistem em sarcasmos e sinceridades, esteja a vontade para opinar sobre elas.
1 – Diga tudo o que pensa. Evite a conquista.
2 – Seja muito exigente. Idealize o par perfeito, o homem dos seus sonhos e foque nisso.
3 – Saia sozinha, ou acompanhada de amigas, homens têm medo de muitas mulheres reunidas.
4 – Trabalhe. A maioria deles odeia mulher que não depende deles para nada.
5 – Não dependa de elogios ou do cara te dizendo 24hrs o quanto você é linda.
6 – Corte o cabelo do jeito que quiser, pinte, repique, alise, enrole. Eles não gostam de mulher moderna, que foge do tradicional cabelão “liso de prancha”.
7 – Buscar intimidade e pontos de ligação vai passar uma imagem de desejo de continuidade na relação.
8 – Fale sobre sexo, abertamente, fale sobre seus gostos e de como você gosta.
9 – Seja muito segura de si. Isso amedronta e passa outra imagem.
10 – Ganhe muito mais que ele. Não só dinheiro, mas, oportunidades.
11 – Seja absurdamente sincera.
12 – Esteja sempre disponível.
13 – Pressione e cobre.
14 – Reclame da vida, sempre!
15 – Os homens geralmente preferem mulheres meigas e delicadas. Ou, belas, recatadas e do lar. Preciso explicar o que não fazer nesta dica?
16 – Seja inteligente.
17 – Tenha um passaporte recheado com carimbos.
18 – Esteja sempre aberta a muitas experiências.
19 – Seja curiosa.
20 – Não tenha ciúmes.
21 – Seja obsessivamente ciumenta.
22 – Seja pontual e brigue com ele se ele se atrasar pra um encontro.
23 – Diga que odeia esperar.
24 – Use roupas curtas.
25 – Use batom vermelho.
26 – Não disfarce suas imperfeições. Eles odeiam mulheres com defeitos.
27 – Não depile as pernas.
28 – Não se depile. Ainda que seja muito cheirosa. Homens odeiam pelos. (Apesar de ter o corpo cheio deles).
29 – Não controle a bebida quando estiver com ele. Beba o quanto quiser.
30 – Não deixe ele achar que está conduzindo a relação.
31 – Não se faça de tímida, nem abaixe os olhos.
32 – Fique com um cara para esquecer outro.
33 – Queira casar.
34 – Não queira casar nunca.
35 – Odeie lavar louça.
36 – Não saiba fazer comida.
37 – Seja bastante bagunceira, ainda que com suas coisas.
38 – Faça simpatias de amor e conte para ele.
39 – Durante o encontro fale bastante sobre seus relacionamentos passados.
40 – Conte quantas vezes já foi traída.
41 – Diga a ele que você vai apresentá-lo para sua família.
42 – Não dê a ele a chance de te agradar. Recrimine tudo o que ele fizer.
43 – Fale alto e chame bastante atenção onde chegar.
44 – Não acredite em amor à primeira vista.
45 – Flerte com vários caras, se não der certo com um, dará com outro.
46 – Fale palavrões, assim como eles costumam falar.
47 – Coma um homem com os olhos.
48 – Faça várias promessas. Não as cumpra!
49 – Tenha uma auto estima inabalável.
50 – Se o cara gosta de um estilo de música que não condiz com o seu, deixe isso bem claro.
51 – Quando perceber que ele está apaixonado, mostre pra ele que não vale a pena.
52 – Se ele sumir sem dar justificativas, faça pior.
53 – Nunca peça nada em troca, mas se ele vacilar jogue isso na cara dele.
54 – Nunca dê presentes.
55 – Se ele passar muito tempo sem manter contato e aparecer de repente, ignore-o.
56 – Pergunte toda hora o que ele está pensando.
57 – Assobie para o cara gato que passa na sua frente e o chame de gostoso.
58 – Se ele fica com você e com outra, fique com ele e com outros.
59 – Aprenda com Anitta: “deixa ele chorar, deixa ele sofrer. Deixa ele saber que eu tá curtindo pra valer”.
60 – Decida sempre sobre tudo.
61 – Não se cale.
62 – Faça-o se sentir culpado, mesmo quando a culpa for sua.
63 – Valorize apenas as qualidades estéticas dele e esqueça as outras.
64 – Seja feminista e “chata”.
65 – Saia com ele apenas para mostrar paras as amigas o quanto ele é gato e gostoso.
66 – Diga que quer três filhos, durante o primeiro encontro.
67 – Diga que nunca vai querer ter filhos.
68 – Fale que é a favor do aborto. E explique porquê, mesmo sabendo que ele não vai entender.
69 – Seja você mesma.
70 – Não seja inteligente demais.
71 – Aprenda com MC Carol (parte1): faça-o de otário e mande lavar suas calcinhas.
72 – Aprenda com MC Carol (parte 2): Se ele ficar cheio de marra, mande ele pra cozinha.
73 – Durante uma discussão seja debochada.
74 – Não demonstre intimidade nenhuma.
75 – Faça ele criar expectativas e depois suma.
76 – Diga que não quer nada sério e que o problema não é ele e sim você, que precisa de um tempo sozinha.
77 – Em seguida pegue outro.
78 – Seja grossa.
79 – Seja exagerada no primeiro encontro.
80 – Compre todas as suas calcinhas na cor bege.
81 – Não use sutiã.
82 – Assuma seus peitos pequenos.
83 – Saia sozinha pra dançar, beber e se divertir.
84 – Seja boazinha só para ganhar algo em troca.
85 – Mostre que você só valoriza o cara que te faz sofrer.
86 – Conte que você também gosta de sexo casual.
87 – Aceite seu corpo como ele é. Só mude se tiver vontade.
88 – Não olhe nos olhos.
89 – Dê apelidinhos fofinhos e fale no diminutivo.
90 – Ligue várias vezes ao dia.
91 – Mostre que você não depende de homem para nada.
92 – Ligue bêbada durante a madrugada e diga o quanto o ama.
93 – Como na música, prefira estar ali, o pertubando, domingo de manhã (ele vai te odiar!!!).
94 – Tire fotos íntimas dele e publique na internet.
95 – Seja amiga dos amigos dele o deixe isolado.
96 – Após uma semana de romance, diga que o ama.
97 – Acredite em amizade entre homem e mulher.
98 – Não divida a conta nunca. Diga que como homem, ele tem obrigação de pagar sempre.
99 – Discuta com suas amigas sobre quantos caras, você já pegou na balada.
100 – Se ele falar “eu te amo”, diga “obrigada!”.
100 dicas é muito né? Aposto que você nem conseguiu ler todas elas. Mas percebemos que muitas, refletem sobre o comportamento da mulher, principalmente equiparado ao comportamento do homem. Outras falam sobre o empoderamento feminino, sobre seus desejos e principalmente sobre suas crises e instabilidades, que infelizmente, ainda são vistas como o bicho-papão dos relacionamentos. Acredito que a principal dica, a que acaba com qualquer uma das que as peças, os filmes, os blogs e principalmente os livros de auto ajuda ensinam por aí, é que você, não precisa namorar apenas por medo de ficar sozinha. Não vale a pena estar com o outro por medo da solidão, medo da dor… Comodismo não é amor, é estagnação. É amor quando tem mais beijo do que briga. É comodismo quando tem mais ciúme que afeto. É amor quando os momentos felizes ultrapassam as crises… Toda forma de amor vale a pena, mas a maior delas continua sendo o amor íntimo, próprio, de si para si. O conselho universal a seguir é: Amem e amem muito, amem tudo o que puderem amar, mas não se abandonem, pois amor próprio é fundamental. Não se submetam a relacionamentos que causam dor. Amor é pra ser leve, pra ser gostoso, pra aprender a voar, mesmo com pouco vento. Tem que ser leve, se não for assim, não vale a pena. Não é receita, é profilaxia
Camila